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Por que o ovo de Páscoa continua caro mesmo com a queda do preço do cacau
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Por que o ovo de Páscoa continua caro mesmo com a queda do preço do cacau
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/04/2026 04:46
Agro Por que o ovo de Páscoa continua caro mesmo com a queda do preço do cacau Chocolates vendidos agora foram produzidos com amêndoa comprada meses atrás, quando as cotações batiam recordes de alta. Por Paula Salati, g1 — São Paulo
O preço do cacau está despencando no Brasil e nas bolsas de valores internacionais, mas o consumidor continua pagando caro pelo chocolate nesta Páscoa.
Até a metade de março, a inflação do chocolate em barra e do bombom subiu 24,8% em 12 meses, segundo o IBGE.
No campo, o movimento é inverso. Produtores de cacau da Bahia, por exemplo, recebem em média R$ 167 por arroba — menos de um quarto do valor registrado em março do ano passado (R$ 718).
O descompasso entre os preços ocorre porque as amêndoas usadas na produção dos chocolates desta Páscoa foram compradas quando o cacau ainda atingia recordes no mercado internacional.
Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar os seus lucros.
O preço do cacau despencou no Brasil e nas bolsas internacionais, mas o consumidor continua pagando caro pelo chocolate nesta Páscoa. Até a metade de março, a inflação do chocolate em barra e dos bombons subiu 24,8% em 12 meses, segundo o IBGE.
No campo, o movimento é o oposto. Produtores de cacau da Bahia, por exemplo, estão recebendo, em média, R$ 167 por arroba — menos de um quarto do valor registrado em março do ano passado (R$ 718), segundo a consultoria Mercado do Cacau.
No Pará, a queda também foi acentuada: hoje, indústria e comerciantes pagam apenas R$ 9,50 pelo quilo do cacau ao produtor, contra R$ 44 no mesmo período do ano passado.
O descompasso entre os preços ocorre porque as amêndoas usadas na produção dos chocolates desta Páscoa foram compradas quando o cacau ainda atingia valores recordes no mercado internacional, explica o analista de mercado da StoneX Brasil, Lucca Bezzon.
🔎 Atualmente, o cacau é negociado na Bolsa de Nova York a cerca de US$ 3 mil por tonelada. Há um ano, a cotação chegava a US$ 8 mil.
Bezzon explica que a indústria trabalha com compras antecipadas de matéria-prima. "As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras (processadoras) com antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista.
“Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor caiu para cerca de US$ 3 mil.”
Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar seus lucros.
"A indústria de chocolate passou anos com margens apertadas devido ao déficit global de cacau e agora prioriza a recuperação dessas margens antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.
Bezzon, da StoneX Brasil, tem avaliação semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz.
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O preço alto do chocolate nas prateleiras ainda é resultado de uma forte queda na colheita de cacau no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024.
Os países sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças.
A indústria brasileira usa principalmente amêndoas nacionais na produção de chocolate, mas importa parte da matéria-prima, sobretudo de países africanos, para complementar a demanda. Em média, 80% é nacional e 20% vem do exterior.
"Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram muito rápido", diz Bezzon.
"As regiões de maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez em outros mercados", destaca.
Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente após julho, puxados pela recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo.
Segundo o Itaú BBA, a produção mundial cresceu 11% na safra 2024/25, impulsionada por condições climáticas favoráveis na África e na América do Sul. A tendência é de nova alta na colheita deste ano.
“Após três safras consecutivas de déficit, algo que não ocorria desde o fim da década de 1960, o mercado iniciou um processo de normalização”, afirma o banco, em relatório.
Cogo destaca que outro fator que contribuiu para a queda dos preços no campo foi o aumento das importações, impulsionado pela queda do dólar.
Já o analista da StoneX Brasil afirma que a queda dos preços no campo se explica "muito mais por falta de demanda do que por uma recuperação da produção".
"A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma.
"Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras também reduziram a compra de amêndoas, o que fez os preços no Brasil despencarem", destaca.
A queda dos preços no campo gerou protestos em regiões produtoras. Em fevereiro, por exemplo, agricultores interditaram a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os baixos preços do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países.
A resposta veio seis dias depois, quando o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças.
Segundo o governo, esse risco existe porque há a "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné — que não têm autorização para exportar para o Brasil — estejam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional.
Na época, o analista Carlos Cogo disse que a decisão do governo "deve ser respeitada", mas interpretou a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços no país.
Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que atualmente há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção.
“Hoje, não há incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta.
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