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Planalto reconhece revés e prevê impacto político similar ao de 2025 em caso de novas tarifas dos EUA
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Planalto reconhece revés e prevê impacto político similar ao de 2025 em caso de novas tarifas dos EUA
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48
Política Blog do Camarotti Por Gerson Camarotti
Gerson Camarotti é comentarista da GloboNews e do Jornal Hoje, da TV Globo. Titular desta coluna desde 2012.
O Palácio do Planalto já avalia que será forte o impacto político interno diante da proposta do Escritório do Representante de Comércio americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.
A ordem no Poder Executivo é manter negociações, mas há o reconhecimento de que a situação é adversa.
Caso essa nova tarifa seja confirmada no próximo mês pelo governo Donald Trump, a percepção é que isso irá recriar internamente ambiente semelhante ao do tarifaço anunciado em julho do ano passado.
Até porque a investigação de práticas comerciais desleais começou dentro do mesmo contexto das sanções políticas ao Brasil, em julho de 2025, com o cenário de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
De outro lado, temendo consequências negativas eleitorais, o senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), fez uma declaração preventiva na manhã desta terça-feira (2), afirmando que pediu a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que não taxasse as empresas brasileiras.
"Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.
Entre os aliados de Flávio, também há a preocupação com o desgaste eleitoral com um eventual novo tarifaço, já que a família Bolsonaro articulou e defendeu a medida do governo Trump no ano passado.
Na ocasião, houve uma pressão política do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em favor das retaliações para tentar reverter o julgamento contra o pai, Jair Bolsonaro.
Na ocasião, o tarifaço de 50% foi uma decisão política do governo americano, mesmo o Brasil sendo deficitário no comércio com os Estados Unidos. Houve forte reação por aqui, especialmente do setor produtivo, num ato de unidade do país contra a ação americana.
Sobre as acusações de práticas comerciais desleais, os argumentos americanos foram todos rebatidos pelo governo Lula, inclusive em temas como PIX, preservação ambiental, pirataria e em relação as multas aplicadas às grandes plataformas.
A ordem no Palácio do Planalto é negociar até julho e fazer uma reação técnica e diplomática. Vai repetir o roteiro que deu certo no ano passado.
O cuidado é para evitar um discurso mais bélico por parte do próprio presidente Lula, para evitar uma resposta fora do tom diplomático.
“As empresas brasileiras e os empregos ficam ameaçados com novas tarifas. Por isso, a resposta tem que ser técnica, mostrando a injustiça de uma eventual decisão americana”, observou um auxiliar direto do presidente Lula.
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