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Lula diz que ‘filhos são piores que Bolsonaro’ ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: ‘Traidores da pátria’

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Lula diz que ‘filhos são piores que Bolsonaro’ ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: ‘Traidores da pátria’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 12:48

Política Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria' Presidente Lula comentou relatório norte-americano que propõe sobretaxa de 25% a produtos brasileiros. Ele culpou reuniões de filhos de Bolsonaro com o governo Trump por sanções sugeridas ao país. Por Kellen Barreto, Ana Flávia Castro, Gustavo Garcia, Mariana Laboissière, g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (2), que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são "piores que ele", e associou a família ao relatório dos Estados Unidos que propõe uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, por supostas práticas restritivas ao comércio americano.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores ambulantes] da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", disse Lula.

"É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?", prosseguiu o presidente.

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos propôs nesta segunda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil (leia mais abaixo).

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve em Washington e se reuniu com Trump e auxiliares do presidente americano. Nesta terça (2), o pré-candidato afirmou em entrevista que pediu ao americano para não taxar o Brasil.

Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas — Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula comentou o relatório mais recente da Secretaria de Comércio americana durante discurso em um evento em Catalão (GO), no fim da manhã.

Na fala, ele relembrou a primeira vez em que os Estados Unidos anunciaram uma taxação a produtos brasileiros, em julho do ano passado, sob argumento de que a medida restabeleceria o equilíbrio na balança comercial entre os dois países.

🔎Na época, o governo Trump anunciou uma sobretarifa de 40% — adicional aos 10% que já estavam em vigor — sobre importações de origem brasileira. A medida afetou a indústria e o comércio, e motivou negociações entre os dois países na tentativa de reverter as taxas. Parte da decisão foi revogada em novembro.

Segundo o petista, as sanções do governo Trump são uma reação às conversas de Flávio e Eduardo com uma ala específica da Casa Branca, liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio.

"No dia em que ele [Trump] taxou, os 'meninos do Bolsonaro', um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo'. Queremos o Magnistky' , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes", disse Lula.

🔎O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi incluído em julho do ano passado na lista de autoridades estrangeiras punidas pela Lei Magnistky, que prevê sanções econômicas. Em novembro, ele foi retirado.

Ele prosseguiu: "Então, o filho dele [Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer 'Obrigado, Trump'. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação".

Lula, então, disse que está falando isso para que as pessoas saibam que estão "lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu".

"Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022", disse.

O petista, então, repetiu a negativa de Flávio: "Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: 'porr*, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros".

"Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça, para um homem cristão como eu, obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump, a China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade", finalizou.

Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A sugestão do departamento de comércio, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

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