Economia
‘Trump tentará punir Brasil por esse sucesso’, diz Nobel de economia sobre ação do governo americano contra Pix
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‘Trump tentará punir Brasil por esse sucesso’, diz Nobel de economia sobre ação do governo americano contra Pix
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/07/2026 10:05
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O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, criticou a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Pix e afirmou que a ofensiva representa uma tentativa de punir o Brasil pelo sucesso do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), Krugman afirma que o Pix se tornou uma referência mundial em pagamentos digitais e que a iniciativa do governo de Donald Trump não se sustenta do ponto de vista econômico.
"Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso", escreveu o economista ao comentar a investigação comercial aberta pela administração americana com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
O governo americano incluiu o Pix entre os temas da investigação sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Criado pelo Banco Central, o sistema permite transferências e pagamentos instantâneos entre pessoas e empresas.
Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Para Krugman, oferecer um sistema público de pagamentos mais barato e eficiente não configura uma prática comercial desleal.
"Por que seria desleal um país oferecer aos seus próprios cidadãos uma forma melhor de fazer compras e pagar contas?", questiona.
Ao longo do artigo, o economista defende que o Pix aumentou a concorrência no mercado de pagamentos ao oferecer uma alternativa de baixo custo para consumidores e empresas.
Na avaliação dele, a popularização do sistema reduziu a dependência de meios tradicionais de pagamento e afetou empresas como Visa e Mastercard. Isso, porém, seria resultado da concorrência entre tecnologias, e não de uma vantagem indevida.
"Desde quando é uma prática comercial desleal que empresas percam mercado para um concorrente que oferece um produto melhor e mais barato?", escreveu.
Krugman argumenta que a reação do governo americano reflete, em parte, a perda de espaço de empresas privadas diante de um sistema público considerado mais eficiente.
Paul Krugman já havia defendido o Pix em um artigo escrito há um ano. — Foto: Adam Schultz/Official White House Photo
O Nobel usa o caso brasileiro para defender sistemas públicos de pagamentos e moedas digitais emitidas por bancos centrais.
Segundo ele, o sucesso do Pix demonstra que esse tipo de ferramenta pode tornar pagamentos eletrônicos mais baratos e eficientes. Já os Estados Unidos, afirma, ficaram para trás nesse debate devido à resistência política e à pressão de grupos ligados ao mercado de criptomoedas.
"A verdadeira preocupação deles é que ela funcione bem demais", escreveu ao comentar a oposição à criação de um dólar digital.
Krugman também compara o caso brasileiro à experiência de El Salvador com o Bitcoin. Para ele, enquanto o Pix se tornou amplamente utilizado pela população, a tentativa do governo salvadorenho de transformar a criptomoeda em um meio de pagamento de massa fracassou.
Na parte final do artigo, Krugman avalia que as tarifas propostas pelo governo Trump dificilmente alcançarão os resultados pretendidos.
Segundo ele, as medidas podem elevar os preços de produtos brasileiros consumidos pelos próprios americanos, como café, carne bovina e suco de laranja. Ao mesmo tempo, afirma que o Brasil tende a ampliar sua presença em outros mercados.
Krugman cita a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, para sustentar que, no balanço geral, as tarifas americanas fortaleceram a posição do Brasil no comércio internacional.
"O desvio do comércio global em reação às tarifas dos Estados Unidos transformou o Brasil em uma potência exportadora", escreveu De Bolle, citada por Krugman. Como exemplo, ela menciona o aumento da participação brasileira nas exportações de soja para a China.
"O governo Trump declarou guerra ao futuro", escreveu. "E uma coisa que sabemos sobre Trump é que ele nunca admite quando suas guerras escolhidas fracassam."
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