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Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: ‘o sonho virou pesadelo’
RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica
Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: ‘o sonho virou pesadelo’
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 20/05/2026 04:44
Fantástico Após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas e em dívidas com financiamentos: 'o sonho virou pesadelo' Casos semelhantes foram relatados em diferentes estados e envolvem denúncias contra construtoras suspeitas de fraudes usando dinheiro de financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal. Por Fantástico
O que começou como o projeto da casa própria acabou se transformando em frustração, dívidas e abalo emocional para famílias que contrataram financiamentos habitacionais e viram as obras serem abandonadas — mesmo após a liberação de centenas de milhares de reais. Casos semelhantes foram relatados em diferentes estados e envolvem denúncias contra construtoras suspeitas de fraudes usando dinheiro de financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal.
Pela primeira vez em dois anos, Marcela Teles voltou ao terreno onde deveria estar a casa da família, hoje tomado pelo mato.
“Era para ser o lugar onde nossa filha iria crescer, aprender a andar. Mas a gente mora de aluguel e paga por algo que já deveria estar pronto há três anos”, relata. Ao olhar a obra inacabada, ela resume: “o nosso sonho virou um pesadelo”.
Ela e o marido Izael Mendes financiaram entre R$ 400 mil e R$ 500 mil por meio da Caixa Econômica Federal. Durante dois anos, pagaram regularmente as parcelas. Ainda assim, a obra foi interrompida e nunca chegou perto da conclusão. Documentos apresentados pela construtora Prumo indicavam que mais de 84% da casa estaria pronta — algo desmentido pelo cenário real e por um especialista, que apontou que nem metade havia sido construída.
'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam dramas após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo
Além disso, perícia identificou indícios de fraude: assinaturas atribuídas à cliente em laudos de progresso da obra foram consideradas falsas.
'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam drama após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo
Guilherme e Bruna Both contrataram um financiamento de R$ 290 mil em 2022. Segundo o casal, o responsável pela construtora Vitro Viana também se apresentava como alguém ligado ao banco, o que gerou confiança.
“A gente não entendia nada de financiamento, ele dizia que conseguiria facilitar tudo”, lembra Guilherme.
De acordo com o relato, a construtora recebeu mais de R$ 200 mil, mas depois alegou que o valor não era suficiente e pediu mais dinheiro. Ao investigar os documentos enviados ao banco, o casal encontrou inconsistências graves: etapas como cobertura, instalações elétricas e hidráulicas apareciam como quase concluídas — apesar de não existirem na obra.
A construção foi abandonada sete meses após o início. O prejuízo ultrapassou os valores financiados e levou o casal a enfrentar dificuldades emocionais.
'O sonho virou pesadelo': vítimas relatam drama após caírem em golpe da construtora — Foto: Reprodução/TV Globo
Em Pernambuco, Camyla Lira e Daniel planejaram por uma década a construção do imóvel. Quando a construtora interrompeu a obra, ela estava grávida e contava com a casa pronta no primeiro ano de vida do filho.
"Entregaria a casa ele com 11 meses, então eu já imaginaria assim, mais ou menos um ano de vida dele eu já estar na minha residência própria, né? Da forma realmente como eu planejei uma vida inteira".
O caso resultou em investigação e condenação judicial: o dono da Multicons foi sentenciado por estelionato, após comprovação de que inflava valores apresentados ao banco e ficava com a diferença. O prejuízo para o casal passou de R$ 126 mil.
Mesmo assim, eles decidiram seguir com a obra, que foi pago com sacríficos: venda de bens e ajuda de familiares.
Do sonho ao pesadelo: após golpe de construtoras, vítimas ficam com obras inacabadas — Foto: Reprodução/TV Globo
Em nota, a construtora Âmbar Prumo afirma que todas as obras foram conduzidas dentro das normas da Caixa e que eventuais acusações serão respondidas na Justiça.
Já o ex-funcionário da Caixa e que respondia pela construtora Vitro Viana, Pedro André Marchesi Cecegolo, recorre na Justiça do Trabalho contra a demissão e nega ter causado qualquer prejuízo financeiro à Caixa.
O dono da Multicons, condenado por estelionato, diz que os valores recebidos foram integralmente aplicados na obra e recorre da decisão.
Casa própria: como construtoras fraudaram famílias com dinheiro da Caixa — Foto: Reprodução/TV Globo
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