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O que acontece com a comida que sobra? Conheça projetos que reduzem desperdício, fome, poluição e prejuízos no agro

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 04/06/2026 05:11

Agro Agro: De gente pra gente O que acontece com a comida que sobra? Conheça projetos que reduzem desperdício, fome, poluição e prejuízos no agro O g1 visitou iniciativas em quatro cidades de São Paulo que transformam alimentos descartados em refeições, adubo e renda para produtores. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

Em 2022, cerca de 1 bilhão de toneladas de comida foram jogadas fora no mundo todo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

As causas são variadas e começam antes mesmo de o alimento chegar à mesa. Na lavoura, falhas de planejamento e manejo podem fazer plantações estragarem e gerar excesso de oferta.

Nos supermercados e feiras, muitos produtos acabam descartados porque não atendem ao padrão estético exigido pelos consumidores.

Alimentos que sobrariam podem ser doados para pessoas em situação de vulnerabilidade, enquanto técnicas de manejo ajudam produtores a aumentar a durabilidade e a qualidade das plantações.

Até mesmo os resíduos orgânicos podem ganhar um novo destino. A compostagem permite que alimentos estragados retornem à terra de forma sustentável, sem agredir o meio ambiente.

Poluição, fome, aumento dos preços e prejuízos financeiros: o enorme desperdício de alimentos mundo afora causa impactos sobre a economia, o meio ambiente e a população.

Cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são jogadas fora por ano, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Na lavoura, falhas de planejamento e manejo podem fazer plantações se perderem e gerar excesso de oferta. Nos supermercados e feiras, muitos produtos acabam descartados porque não atendem ao padrão estético exigido pelos consumidores.

Um pimentão muito pequeno, grande demais ou com manchas, por exemplo, pode ficar encalhado na prateleira até apodrecer.

Algumas apostam na doação de alimentos que sobrariam para pessoas em situação de vulnerabilidade. Outras difundem técnicas de manejo para ajudar produtores a aumentar a durabilidade e a qualidade das plantações.

Até mesmo os resíduos orgânicos podem ganhar um novo destino. Projetos de compostagem permitem que alimentos estragados retornem à terra de forma sustentável, fechando um ciclo de reaproveitamento sem causar impactos ao meio ambiente.

O g1 visitou quatro cidades de São Paulo para mostrar como essas soluções ajudam a combater o desperdício.

️➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.

Em meio aos altos índices de desperdício de alimentos, o Brasil tem quase 7 milhões de pessoas passando fome e 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

São famílias que até conseguem acessar comida, mas muitas vezes não conseguem comprar alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras.

Uma das soluções para mitigar os dois problemas são os bancos de alimentos. Neles, excedentes da produção e sobras do varejo são distribuídos a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Desde 2023, o governo investiu R$ 25 milhões na modernização desses bancos, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

Esses bancos podem ser criados por empresas privadas, pela sociedade civil organizada ou por governos estaduais. Já o governo federal fica responsável por regulamentar o funcionamento deles, explica Patrícia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do ministério.

Os bancos podem dar suporte a projetos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e a entidades sociais, como cozinhas solidárias.

Segundo o Pacto Contra a Fome, apenas 1% das pessoas em situação de insegurança alimentar recebem alimentos redistribuídos.

“Isso não resolve a fome, mas é uma ferramenta muito importante de alívio emergencial de uma crise que nós vivemos todos os dias, de as pessoas não terem o que comer”, afirma Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome.

O g1 visitou dois bancos de alimentos e acompanhou o dia a dia de trabalho deles: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), de Campinas (SP), e o Sesc Mesa Brasil, que atua em todo o país e é o maior banco de alimentos privado da América Latina. (confira no vídeo no início da reportagem).

Tanto o ISA quanto o Sesc Mesa Brasil fazem parcerias com comerciantes. O primeiro funciona dentro da Ceasa de Campinas e é mantido pelos permissionários. Já o segundo faz também coleta em supermercados e até mesmo em lavouras.

Em ambos os casos, os produtos passam por uma triagem antes da redistribuição, para garantir que apenas produtos de qualidade cheguem às ONGs. Além de distribuir alimentos, as instituições também oferecem cursos profissionalizantes em parceria com outras organizações.

No caso do ISA, os alimentos que não servem para consumo humano, mas ainda não estão estragados, são doados para pequenas propriedades rurais alimentarem seus animais.

Os alimentos estragados são enviados para a Usina Verde de Campinas, onde passam por compostagem. (saiba mais abaixo).

Veja também: 'Não conhecia rúcula, salsa, couve': como a agricultura mudou vidas em um deserto alimentar do Brasil

Tudo aquilo que é descartado ao longo da produção, da lavoura ao comércio, é chamado de perda. Além do desperdício de alimentos, isso também gera prejuízo financeiro para os produtores.

As perdas podem ser evitadas com técnicas adequadas. É o caso do produtor Emílio Cesar Favero, sócio e diretor da Alfacitrus, que cultiva cítricos como laranja, limão e tangerina. O g1 visitou a fazenda dele em Santa Maria da Serra (SP) e a indústria em Engenheiro Coelho (SP). (Veja no vídeo acima).

Uma das técnicas usadas é a colheita manual com monitoramento para identificar o momento certo da retirada das frutas. Assim, é possível evitar que elas estraguem no pé. A colheita manual também previne danos às frutas e ajuda a aumentar sua durabilidade.

Além disso, os produtos são transportados em caixas plásticas, que oferecem menos risco de contaminação do que as de madeira.

Na indústria, a estratégia é aproveitar o máximo possível das frutas. As que atendem ao padrão para venda in natura são higienizadas e recebem uma camada de cera para aumentar a durabilidade.

Já as que não têm o tamanho ideal ou apresentam manchas, mas estão em perfeitas condições de consumo, são enviadas para o preparo de suco.

As frutas estragadas vão para a compostagem e depois retornam à lavoura como adubo. Essa triagem é feita em diversas etapas, com análise humana e também por inteligência artificial. O sistema tira cerca de 30 fotos de cada fruta para avaliar suas condições e definir seu destino..

Segundo Favero, os principais fatores que ainda causam perdas são pragas, doenças e problemas climáticos, como geadas e secas. Ele afirma que as pragas exigem manejo constante e que o clima pode surpreender os produtores.

O desperdício causa prejuízos ao meio ambiente. Isso porque, ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Ele também produz chorume, que contamina o lençol freático.

Estima-se que os alimentos descartados em aterros gerem entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo o Pnuma.

O g1 visitou a Usina Verde de Campinas, que recebe todos os alimentos que estragam na Ceasa da cidade, diminuindo a necessidade de lixões. (veja no vídeo acima)

O fertilizante produzido é usado em hortas urbanas, canteiros e parques da cidade, ajudando a reduzir esse tipo de custo de manutenção.

Além dessas iniciativas, em 2025, foi lançada a Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, instituída por meio de Resolução da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).

A iniciativa conta com parceria com instituições científicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e ainda está em fase de formulação.

Coordenação editorial: Raphael MartinsEdição e finalização de vídeos: Cadu LandoNarração: Vivian SouzaReportagem: Vivian SouzaProdução: Vivian SouzaRoteiro: Vivian SouzaCoordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana MendicelliCoordenação de arte: Julio DubiellaIlustração e infografia: Bruna AzevedoFotografia: Cadu Lando e Kaique MattosMotion Design: Thalita Ferraz

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Do campo à geladeira: por que há tanto desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 04/06/2026 05:11

Agro Agro: De gente pra gente Do campo à geladeira: por que há tanto desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome Perdas ocorrem no campo, no varejo e dentro de casa, gerando impactos econômicos, ambientais e sociais. Entre as principais causas estão a falta de conhecimento técnico, a exigência por padrões estéticos e a 'cultura da fartura'. Por Vivian Souza

O mundo desperdiça cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos. Esse descarte não acontece por acaso: em cada etapa, há um motivo.

No campo, por exemplo, ele pode ocorrer por falta de planejamento e de técnica. No varejo, por excesso de oferta. Já nas casas, por hábitos culturais.

Em paralelo ao grande volume de descartes, quase 7 milhões de pessoas passam fome apenas no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além da questão social, o desperdício causa prejuízos ao meio ambiente. Isso porque, ao se decompor, o alimento gera gases causadores do efeito estufa, como o metano. Ele também desenvolve chorume, que contamina o lençol freático.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo desperdiça cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos ao ano. Em cada etapa da cadeia, há fatores que ajudam a explicar o problema.

No campo, o desperdício pode ocorrer por falta de planejamento e de técnica. No varejo, por excesso de oferta. Já nas casas, por hábitos culturais.

➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.

Ao mesmo tempo, quase 7 milhões de pessoas passam fome no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, quanto mais comida é desperdiçada, mais difícil pode ser o acesso aos alimentos.

“Existe dentro do varejo um cálculo de perda já especificado no valor dos produtos. Então a gente paga por essa perda”, explica Daniela Teston, diretora de relações corporativas do WWF-Brasil.

A especialista acredita que a redução do desperdício poderia tornar mais baratos os itens básicos de alimentação, o que favoreceria a população em situação de vulnerabilidade.

“Apesar de ter saído da linha da pobreza, a gente ainda tem muita gente que não tem acesso à nutrição adequada todos os dias”, afirma.

Também segundo o IBGE, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar no país.

Não bastasse a questão social, o desperdício também causa prejuízos ao meio ambiente. Ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Também produz chorume, que contamina o lençol freático.

E não se pode ignorar a consequência mais óbvia: a perda financeira. Dados de 2020 do Banco Mundial mostram que US$ 1 trilhão em alimentos é desperdiçado anualmente.

Não existem dados oficiais que mostrem o quanto é perdido nas lavouras, mas este é um problema real, aponta Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios. Ele também colabora com iniciativas da ONU.

➡️ Falta de acesso dos agricultores a mercados: o Brasil tem cultivos de alimentos extremamente perecíveis, como alface, morango e banana. “No dia que o alimento está pronto para ser colhido, o produtor já tem que saber para onde ele vai comercializar, se não vai se perder muito rapidamente”, explica. ➡️ Mudanças climáticas: causam altas temperaturas, seca e excesso de chuva em períodos que são altamente prejudiciais para os cultivos. ➡️ Pragas e doenças: podem dizimar lavouras quando não são combatidas com o manejo adequado.➡️ Falta de tecnologia: as inovações podem ajudar a conservar os alimentos por mais tempo, tornar a colheita mais eficiente e diminuir as perdas no campo. ➡️ Padrão estético: o mercado consumidor exige que os alimentos tenham determinados tamanhos e não apresentem manchas. Desse modo, quando o produto nasce fora desse padrão, o produtor dificilmente consegue vender para os mercados.➡️ Picos de produção: quando a safra é muito boa, o alimento pode acabar sobrando na lavoura. Isso porque o produtor pode não ter conseguido clientes para toda a oferta ou porque o preço ficou muito baixo e não compensa os custos da colheita.➡️ Logística: pode causar perdas quando feita de forma ineficiente, como no transporte de hortaliças fora de caminhões refrigerados. Além disso, as caixas e embalagens em que os produtos são transportados precisam ser adequadas. Por exemplo, caixas de madeira podem causar danos às frutas; o ideal são as plásticas.

O g1 foi até Santa Maria da Serra e Engenheiro Coelho, no interior de São Paulo, para ver como funciona uma citricultura com desperdício zero. (veja no vídeo abaixo)

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que o varejo e os restaurantes são responsáveis pelo desperdício de 427 milhões de toneladas de alimentos.

Porpino, pesquisador da Embrapa, explica que isso pode acontecer nos supermercados por causa da exigência estética dos consumidores, mas também da prática de venda consignada com os agricultores.

🔎 No esquema de consignação, o varejista compra as frutas, mas só remunera o agricultor se esses itens forem vendidos.

“O varejista recebeu 500 caixinhas de morango, vendeu 300. Ele vai remunerar o produtor pelas 300. As outras 200 se estragaram na loja. Isso não vai significar prejuízo para o varejista, mas para o produtor”, explica.

Por isso, existem iniciativas voltadas à doação de alimentos que sobraram nos pontos de venda para instituições que os redistribuem a quem precisa. Essas instituições fazem uma triagem e coletam o que estiver em boas condições.

O g1 foi até Campinas (SP) e São Paulo para ver como funcionam duas dessas instituições: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil. (veja no vídeo abaixo)

A maior parte do desperdício ocorre dentro de casa. Em 2022, foram 631 milhões de toneladas, segundo o Pnuma.

A culpa não é exclusiva do consumidor. Isso porque, após passar pela colheita e pelo transporte, o alimento pode chegar às prateleiras sem estar em suas melhores condições e estragar rapidamente em casa.

“O consumidor de classe média mais baixa não vai comprar frutas e hortaliças nos supermercados mais caros, que vendem frutas e verduras de melhor qualidade. Ele vai comprar em um local mais barato”, explica Porpino.

“Essas frutas e verduras, às vezes, já têm um tempo de vida muito curto, porque foram transportadas por longas distâncias ou porque são de segunda linha”, completa.

Contudo, também existem fatores culturais que provocam o descarte de alimentos. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois:

➡️ o brasileiro gosta de fartura: isso significa que nem sempre há um planejamento das compras baseado no que realmente é consumido pela família, mas na expectativa do volume que deve ser servido. Dessa forma, sobra comida.➡️ o hábito do estoque: devido ao histórico de inflação elevada e oscilação de preços no Brasil, muitas pessoas mantêm estoques em casa como forma de prevenção.

“No fim das contas, você não precisava daquela comida. Ela foi uma comida de estoque e foi esquecida no fundo da geladeira, porque a demanda real não existia”, afirma.

Coordenação editorial: Raphael MartinsEdição e finalização de vídeos: Cadu LandoNarração: Vivian SouzaReportagem: Vivian SouzaProdução: Vivian SouzaRoteiro: Vivian SouzaCoordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana MendicelliCoordenação de arte: Julio DubiellaIlustração e infografia: Bruna AzevedoFotografia: Cadu Lando e Kaique MattosMotion Design: Thalita Ferraz

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Enam, exame para quem quer entrar na magistratura, deve reunir mais de 30 mil pessoas neste domingo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 04/06/2026 03:48

Trabalho e Carreira Concursos Enam, exame para quem quer entrar na magistratura, deve reunir mais de 30 mil pessoas neste domingo Candidatos terão cinco horas para responder a 80 questões objetivas. Aprovação é requisito para seguir nos concursos da magistratura em todo o país. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Mais de 31 mil bacharéis em Direito devem participar, neste domingo (7), da 5ª edição do Exame Nacional da Magistratura (Enam), realizado em todas as capitais brasileiras. O exame é uma etapa obrigatória para quem deseja concorrer a cargos de juiz no país.

Segundo a organização, 31.538 candidatos tiveram a inscrição confirmada nesta edição. São Paulo lidera o número de participantes, com 5.787 inscritos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.

A prova será aplicada no período da tarde, das 13h às 18h (horário de Brasília). Os portões serão fechados às 12h30, e a recomendação é que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora e meia de antecedência.

⏰ A organização também reforça que não haverá tolerância para atrasos, e que o acesso ao local de prova será permitido apenas com documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul.

Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Exame Nacional da Magistratura é uma etapa obrigatória para quem deseja participar de concursos para juiz em tribunais estaduais, federais, trabalhistas e militares.

📎 Na prática, o Enam não oferece vagas diretamente. Ele funciona como uma etapa de habilitação: apenas os aprovados podem se inscrever nos concursos da magistratura.

A proposta do exame é estabelecer um padrão nacional de seleção e reduzir as diferenças entre os concursos realizados pelos tribunais em cada estado.

Inscritos para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM) se encaminham para local de prova, no DF — Foto: TV Globo/Reprodução

A prova será composta por 80 questões objetivas de múltipla escolha, que abordam os seguintes conteúdos:

Direito Constitucional;Direito Administrativo;Direito Civil;Direito Penal;Empresarial;Processual Civil;Direitos Humanos;Formação Humanística.

Para ser habilitado, o candidato da ampla concorrência precisa atingir pelo menos 70% de acertos. Já os participantes de ações afirmativas têm exigência mínima de 50%.

Ainda conforme as regras do edital, é obrigatório apresentar documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul para realizar a prova.

A organização recomenda ainda que os participantes verifiquem previamente o local de prova, que já está disponível para consulta no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora.

Os locais de prova estão distribuídos em todas as capitais brasileiras e podem ser consultados pelos candidatos nos canais oficiais da organização do exame.

‘Acho que nós vamos conseguir selecionar uma quantidade relevante de pessoas muito qualificadas para se tornarem juízes’, disse Barroso

Em entrevista ao g1, o diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, afirmou que o Enam foi criado para mudar o foco dos concursos para juiz.

"Nós temos que fugir daquele candidato que vira uma máquina de fazer prova (…) Não se trata de decorar artigos de lei ou da Constituição. O exame valoriza o raciocínio, a resolução de problemas e a capacidade de lidar com situações concretas", disse.

"O concurso de juiz não é democrático, não é acessível (…) a dificuldade objetiva acaba criando uma barreira para muitas pessoas (…) o Enam veio olhar para uma outra camada da sociedade".

Segundo dados da Enfam, nesta quinta edição, as mulheres são maioria entre os inscritos, representando 55,14% do total, enquanto homens somam 44,83%. O levantamento também aponta a participação de 5.187 pessoas negras, 1.709 pessoas com deficiência, além de indígenas e quilombolas.

Após quatro edições da prova, a Enfam afirma que o Enam já reúne cerca de 17 mil candidatos habilitados em todo o país.

Na avaliação do ministro, o exame já começa a impactar a formação dos candidatos que participam dos concursos da magistratura.

"Eu considero um sucesso, especialmente pela qualidade dos candidatos que chegam aos concursos e aos cursos de formação", disse.

O banco de habilitados passou a ser utilizado como etapa prévia obrigatória para concursos da magistratura em diferentes ramos do Judiciário, o que, segundo a Enfam, contribui para maior uniformidade no perfil dos candidatos em nível nacional.

Questionado sobre o esquema de segurança do exame, o ministro afirmou ainda que o processo segue padrões rígidos de segurança e sigilo. Segundo ele, nas edições anteriores não houve registro de ocorrências relevantes.

"Em segurança, predomina o sigilo. Mas posso afirmar que, nas quatro edições do Enam, não tivemos nenhum caso grave", completou o ministro.

A juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que a ré foi alvo de um julgamento marcado por preconceitos de gênero e a condenou a 1 ano e 4 meses pelo crime de omissão.

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Trump ‘rompe trégua com Lula’ e causa ‘tempestade’ no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 04/06/2026 00:45

Mundo Trump 'rompe trégua com Lula' e causa 'tempestade' no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas FT associou a ameaça de novas tarifas e a classificação de facções como 'terroristas' a 'um esforço de lobby' por parte de Flávio Bolsonaro, gerando 'tempestade política' no país. Por BBC

As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de "terroristas" romperam uma "trégua" entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma "tempestade política" pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3).

"Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump", diz a reportagem assinada por repórteres em Brasília e Londres.

O "FT" associou as medidas a "um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro", referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil.

A tentativa de Flávio, segue o FT, é de "se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina".

Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país.

Já na terça-feira (2) o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro "irrazoáveis" que "oneram ou restringem o comércio dos EUA".

O jornal britânico escreve que "Trump desencadeou uma tempestade política", levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como "TariFlávio".

Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço "o tornou mais popular", assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos.

O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi "colocado na defensiva pela proposta de tarifas", citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas.

A reportagem também avalia que Trump "não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro", mas que uma série de sinais "foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro".

Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de "um jovem inteligente que ama seu país".

Segundo Traumann disse ao jornal, o conjunto de declarações e medidas também mostram que os EUA "querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula".

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