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Empresas admitem usar IA como pretexto para demissões e explicam motivos
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Empresas admitem usar IA como pretexto para demissões e explicam motivos
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 11/06/2026 02:44
Trabalho e Carreira Empresas admitem usar IA como pretexto para demissões e explicam motivos Levantamento revela que mais da metade das empresas usa a inteligência artificial como argumento para explicar cortes de pessoal; 6 em cada 10 também planejam demitir em 2026. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo
Uma pesquisa nos Estados Unidos revela que 59% das empresas admitem usar a inteligência artificial como pretexto para justificar demissões e congelamento de vagas.
Embora a tecnologia seja muito citada, apenas 9% dos gestores afirmam que determinadas funções foram completamente substituídas por ferramentas de inteligência artificial.
Segundo a especialista Kara Dennison, citar inovação transmite modernidade, enquanto apontar problemas financeiros gera forte desconfiança sobre a saúde real da empresa.
O levantamento mostra que habilidades humanas, como resolução de problemas, com 54%, continuam mais valorizadas pelos recrutadores do que o domínio de novas tecnologias.
🤖 A inteligência artificial (IA) está mesmo substituindo trabalhadores ou virou a desculpa perfeita para justificar cortes de pessoal? Uma nova pesquisa realizada nos Estados Unidos indica que a segunda hipótese pode ser mais comum do que parece.
Segundo um levantamento da Resume Templates com 1 mil gestores de contratação, 59% das empresas admitem destacar a inteligência artificial ao justificar demissões ou congelamentos de vagas porque essa explicação costuma ser melhor recebida do que razões ligadas a dificuldades financeiras.
Embora a IA apareça como o principal motivo citado para demissões, os próprios dados do levantamento indicam que a tecnologia ainda não substituiu trabalhadores em larga escala na maioria das empresas.
Apenas 9% dos gestores afirmam que determinadas funções foram completamente substituídas por IA. Já 45% relatam que a tecnologia reduziu parcialmente a necessidade de novas contratações, enquanto outros 45% dizem que ela teve pouco ou nenhum efeito sobre o tamanho das equipes.
Os números sugerem que a principal influência da IA tem sido aumentar a produtividade e desacelerar admissões futuras, mais do que provocar uma eliminação em massa de postos de trabalho.
Isso torna ainda mais relevante outro resultado da pesquisa: a diferença entre o impacto efetivo da tecnologia e a forma como ela vem sendo utilizada na comunicação corporativa.
Entre os gestores entrevistados, 17% afirmam que suas empresas utilizam diretamente a inteligência artificial como justificativa para congelar vagas ou promover demissões. Outros 42% dizem fazer isso parcialmente.
Na prática, quase seis em cada dez empresas reconhecem que destacam o papel da IA porque essa narrativa costuma ser melhor recebida por funcionários, investidores e pelo mercado em geral.
Para Kara Dennison, consultora-chefe de carreira da Resume Templates, existe uma razão simples para isso.
Segundo a especialista, mencionar inovação tecnológica transmite uma imagem de modernização e planejamento estratégico. Já atribuir cortes a dificuldades financeiras pode gerar preocupações sobre a saúde da empresa.
Se os funcionários não perceberem mudanças concretas provocadas pela tecnologia em suas atividades, a justificativa pode comprometer a confiança na liderança. Em vez de reduzir tensões, o discurso pode acabar alimentando dúvidas sobre os reais motivos por trás das decisões.
Ameaça da inteligência artificial de substituir o trabalho humano gera insegurança — Foto: Noah Berger/AP Images/picture alliance
Apesar das preocupações com o avanço da automação, a pesquisa indica que o mercado de trabalho não deve entrar em retração.
Embora 55% das empresas planejem realizar demissões em 2026, 92% afirmam que pretendem contratar novos funcionários.
O cenário revela um mercado em constante movimentação e um discurso corporativo em que a inteligência artificial nem sempre aparece apenas como causa das mudanças, mas também como justificativa.
O resultado aponta para uma reorganização das equipes, na qual empresas eliminam determinadas posições enquanto reforçam outras consideradas mais estratégicas.
impacto da inteligência artificial, citado por 44%reestruturações organizacionais, com 42%restrições orçamentárias, com 39%
Segundo Kara Dennison, muitas empresas estão deixando de investir em cargos menos alinhados às novas prioridades do negócio para direcionar recursos a áreas ligadas à eficiência, tecnologia e crescimento.
"Estamos vendo um reequilíbrio da força de trabalho", afirma a especialista. Segundo ela, as empresas estão priorizando "capacidade, flexibilidade e impacto" em vez de simplesmente manter estruturas tradicionais.
O levantamento também ajuda a identificar quais perfis seguem valorizados em um mercado cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.
A habilidade mais procurada pelos empregadores é a capacidade de resolver problemas, apontada por 54% dos gestores como uma das três competências mais importantes para novas contratações.
capacidade de aprender rapidamente novas ferramentas e tecnologias, com 44%habilidades de comunicação, com 43%adaptabilidade, com 39%colaboração e trabalho em equipe, com 36%
Curiosamente, a familiaridade com ferramentas de inteligência artificial aparece atrás de todas essas competências, sendo citada por 31% dos entrevistados.
O resultado indica que, embora a tecnologia esteja transformando o ambiente corporativo, as empresas continuam valorizando habilidades humanas difíceis de automatizar, como pensamento crítico, aprendizado contínuo e capacidade de adaptação.
Outro dado chama atenção: apenas 21% dos gestores apontaram potencial de liderança entre as características prioritárias para novas contratações, sinalizando uma demanda maior por profissionais capazes de gerar resultados imediatos.
O levantamento foi realizado pela Resume Templates em dezembro de 2025, com 1 mil gestores de contratação dos Estados Unidos.
Todos os participantes ocupavam cargos com influência direta ou responsabilidade sobre decisões de recrutamento em suas organizações.
A coleta de dados foi feita por meio da plataforma Pollfish, utilizando a metodologia Random Device Engagement, que recruta participantes por dispositivos móveis para ampliar a diversidade da amostra e reduzir vieses comuns em pesquisas online.
Segundo a empresa, as respostas foram anônimas e passaram por mecanismos de controle de qualidade antes da divulgação dos resultados.
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