RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Por que a economia faz desta Copa a mais ‘louca’ de todos os tempos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 12:02

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,075-0,5%Dólar TurismoR$ 5,280-0,68%Euro ComercialR$ 5,874-0,56%Euro TurismoR$ 6,126-0,63%B3Ibovespa171.392 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,075-0,5%Dólar TurismoR$ 5,280-0,68%Euro ComercialR$ 5,874-0,56%Euro TurismoR$ 6,126-0,63%B3Ibovespa171.392 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,075-0,5%Dólar TurismoR$ 5,280-0,68%Euro ComercialR$ 5,874-0,56%Euro TurismoR$ 6,126-0,63%B3Ibovespa171.392 pts-0,06%Oferecido por

A Copa do Mundo de 2026, sediada por EUA, Canadá e México, destaca-se por tensões geopolíticas e uma inédita revolução econômica altamente lucrativa para a Fifa.

Durante o torneio, os 3 países-sede renegociarão o acordo comercial USMCA, sob os olhares atentos do presidente americano Donald Trump e em meio a conflitos globais.

O evento adota o modelo da NFL em 11 estádios americanos, utilizando a precificação dinâmica para inflacionar ingressos e maximizar agressivamente a receita da Fifa.

Especialistas estimam que a arrecadação com bilheteria supere US$ 7 bilhões, enquanto cidades-sede arcam com custos locais e torcedores pagam transporte e ingressos astronômicos.

Esse modelo de comercialização extrema gera forte reação negativa de autoridades e torcedores, colocando em xeque o futuro da precificação dinâmica no futebol mundial.

Os torcedores estão sendo pressionados como nunca porque este torneio segue um modelo econômico muito diferente dos anteriores — Foto: AFP via Getty Images

As edições da Copa do Mundo de futebol raramente são completamente isentas de política, mas nunca o futebol precisou se equilibrar em uma corda bamba geopolítica como esta.

O principal país-sede (Estados Unidos) está em guerra com um participante (Irã), cuja equipe precisa se deslocar a partir de outro país-sede (México) nos dias de jogo.

Soma-se a isso a coincidência impressionante de Estados Unidos, Canadá e México, os três países que sediam a Copa do Mundo de 2026, estarem no meio de uma guerra comercial de grandes proporções.

De fato, no período entre a cerimônia de abertura no México, no Estádio Azteca, e a final, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, os três países estarão renegociando o USMCA, acordo de livre comércio da América do Norte.

O presidente dos EUA, Donald Trump, está extremamente atento ao torneio, a seus patrocinadores e ao impacto de sua volta à Casa Branca no ano passado.

Trump chegou a brincar que sua derrota para Joe Biden na eleição de 2020 teve o grande benefício de permitir que ele voltasse para esta Copa do Mundo e para a Olimpíada de Los Angeles, em 2028.

Após a retomada das hostilidades entre o Irã e Israel, Trump foi bastante direto ao pedir o fim dos ataques.

E, enquanto os minutos corriam para o início do torneio, na noite de quinta-feira (11/06), Trump pareceu suspender novos ataques aéreos e aparentemente prometeu que um acordo para encerrar a guerra estava próximo.

Mais cedo, naquele mesmo dia, havia prometido atingir o Irã "com muita força". Como sempre acontece com Trump, muita coisa pode mudar muito rapidamente.

Ele já havia aceitado, de forma controversa, um Prêmio da Paz da Fifa, antes de iniciar a guerra com o Irã que levou a um forte choque global de energia e na economia.

Existe até a possibilidade de EUA e Irã se enfrentarem nas oitavas de final no fim de semana das comemorações dos 250 anos da independência dos EUA.

Donald Trump recebeu um Prêmio da Paz da Fifa antes da Copa do Mundo de 2026 — Foto: PA Wire via BBC

Gianni Infantino, presidente da Fifa, já pediu cessar-fogos durante Copas do Mundo. Se o Mundial ajudar a acelerar movimentos de desescalada, poderá haver impacto concreto nos preços da energia, no abastecimento e na economia mundial.

Se a Copa do Mundo pode de fato influenciar o maior conflito econômico do mundo, ninguém sabe. Mas não há dúvida de que outra peça do quebra-cabeça econômico está se desenrolando diante dos olhos dos torcedores do mundo todo.

Trata-se de uma reorganização completa da economia do futebol e também de um dos exemplos mais visíveis de como algumas das maiores economias mundiais operam cada vez mais.

"O futebol não é nada sem os torcedores", disse certa vez o lendário Jock Stein, ex-técnico da seleção da Escócia em Copas do Mundo.

Alguns torcedores, no entanto, presentes na maior festa do mundo, terão pagado valores até então inéditos por jogos que podem acabar sem importância competitiva, além de desembolsar praticamente o preço normal de um ingresso apenas para pegar o trem até o estádio.

É o caso da passagem da New Jersey Transit: normalmente custa US$ 12,90 (cerca de R$ 66) ida e volta, mas sairá por US$ 100 (cerca de R$ 510) durante o torneio.

Os torcedores estão sendo pressionados como nunca porque este torneio segue um modelo econômico muito diferente dos anteriores.

Para começar, ele acontece em grande parte em estádios de futebol americano emprestados para o evento (um quarto dos jogos será no Canadá e no México), com a modalidade da bola oval deixando a sua marca, talvez de forma permanente.

Esta Copa transforma o futebol em um jogo altamente rentável para a Fifa, organizadora do torneio. Em termos econômicos, esta pode ser a Copa do Mundo de maior impacto da história, mas não pelo motivo convencional de impulsionar a atividade econômica nos países-sede ou estimular gastos movidos pelo entusiasmo nos países cujas seleções avançam na competição.

O ex-técnico da Escócia Jock Stein ficou famoso pela frase: "O futebol não é nada sem os torcedores" — Foto: Daily Mirror/ Getty Images via BBC

🔎 Em vez disso, esta Copa é um estudo de caso do que é conhecido como economia em forma de K nas economias avançadas tradicionais do mundo, situação em que diferentes grupos da sociedade têm resultados financeiros muito distintos que, quando representados em um gráfico, esses resultados formam uma linha diagonal para cima (como na letra K), e outra diagonal para baixo (também como na letra K).

E isso se baseia em uma tentativa de revolução econômica no mecanismo de preços, que claramente atribui mais valor a certo tipo de torcedor: aquele que está na linha ascendente desse gráfico.

É importante dizer que a Fifa tem uma visão muito diferente e ressalta que essa receita abundante com ingressos será redistribuída, ao estilo Robin Hood (em referência ao personagem que roubava dos ricos para dar aos pobres), para desenvolver o futebol nos países mais pobres do mundo.

Este torneio é muito, muito grande. Terá os maiores estádios, o maior número de jogos de longe, já que a competição foi ampliada de 32 para 48 seleções, provavelmente a maior audiência televisiva global já registrada para qualquer evento e a maior extensão territorial já vista, de Vancouver, no Canadá, à Cidade do México. É possível que a seleção campeã tenha de percorrer uma distância equivalente ao diâmetro da Terra.

Depois, há os preços de ingressos. Em comparação com o custo de assistir ao futebol de elite em qualquer outro contexto, os valores cobrados para acompanhar os jogos são astronômicos.

Há ingressos de cinco dígitos em dólares para a final, além de cerca de US$ 1.000 (em torno de R$ 5.100) como preço típico aproximado para um jogo de grupo considerado mais atraente no início do torneio, e até as "pechinchas" custam algumas centenas de dólares (ou milhares de reais) em partidas sem grande prestígio.

E este também é o maior teste em escala já feito de uma tentativa de mudar o mecanismo de preços para eventos desse tipo. A precificação dinâmica, que ajusta os preços para cima conforme a demanda aumenta, já foi vista em ingressos para shows e em alguns eventos esportivos, mas nunca nessa escala.

Nos EUA, eles podem chamar o jogo de soccer, mas esta é, sem dúvida, a economia do futebol americano. Na NFL (liga de futebol americano), os preços dos assentos são definidos com base na gestão de receita: maximizar a arrecadação é mais importante do que lotar o estádio.

O esporte nos EUA é precificado no topo do mercado de luxo, a tal ponto que muitos estádios estão reduzindo a sua capacidade, reconstruídos por bilhões de dólares com camarotes e lounges de hospitalidade onde antes havia arquibancadas.

Muitos estádios da NFL adotam preços dinâmicos voltados para aumentar a arrecadação, e não necessariamente para preencher todos os assentos — Foto: Reuters via BBC

A oferta dessas experiências é limitada pela duração da temporada. Na NFL, são apenas nove jogos em casa, cerca de metade do número das principais ligas europeias de futebol. Por isso, na NFL, cada partida conta ainda mais.

A precificação dinâmica deu aos times um método para extrair receita de forma intensa, especialmente porque, pelas regras da NFL, as enormes receitas de TV são divididas de maneira mais igualitária do que no futebol.

Com todos os 11 estádios da Copa do Mundo nos EUA sendo arenas da NFL, o futebol americano deixa sua marca sobre seu xará bastante diferente.

Tudo isso é muito diferente dos torneios anteriores. Uma parte essencial da lógica de sediar uma Copa era ajudar a impulsionar novas obras de infraestrutura, incluindo transporte e construção ou reforma de estádios.

A Copa de 2026 se apresentou como um torneio de poucos ativos, que evitaria elefantes brancos caros como Miyagi, no Japão, o Green Point, na Cidade do Cabo, na África do Sul, e o estádio de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão em valores corrigidos pela inflação) em Manaus, no meio da Amazônia.

Muitas vezes, os custos foram bancados pelos orçamentos de investimento dos contribuintes dos países-sede. Em troca, esses países calculavam que os investimentos valeriam a pena como exercícios de promoção nacional em um mundo mais globalizado. Mas os três estádios tiveram dificuldade para atrair uso regular suficiente depois dos torneios.

A Copa de 2026 inverteu em grande parte essa lógica, com uma pequena exceção no México. A Fifa alugou os estádios, em sua maioria pagos por torcedores de futebol americano, e passou a maximizar agressivamente as receitas com preços no estilo dos EUA.

Enquanto os torneios anteriores tiveram grandes custos de construção pagos por contribuintes e por empréstimos, os custos de 2026 estão sendo pagos pelos espectadores. E as receitas arrecadadas devem disparar, graças ao aumento no número de jogos, ao tamanho dos estádios e, claro, a esses preços impressionantes dos ingressos.

Ainda não está claro quanto será arrecadado com ingressos e hospitalidade. A previsão inicial era de que a receita mais que triplicasse, passando de US$ 929 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) na Copa do Mundo de 2022, no Catar, para mais de US$ 3 bilhões (aproximadamente R$ 15,3 bilhões).

Richard Sheehan, professor de economia e especialista em finanças do esporte da Universidade de Notre Dame, nos EUA, acredita que a receita total com ingressos e hospitalidade do torneio deste ano possa superar US$ 7 bilhões (em torno de R$ 35,7 bilhões), um aumento de sete vezes.

Ele parte do pressuposto de que a receita com ingressos por partida não apenas dobrará em relação aos US$ 15 milhões (cerca de R$ 76,5 milhões) da última Copa do Mundo, mas aumentará quase cinco vezes, para US$ 71 milhões (cerca de R$ 362 milhões).

A Fifa arrecadou US$ 929 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) com venda de ingressos e hospitalidade durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar — Foto: Reuters via BBC

Poderia ser uma mina de ouro para as cidades-sede mais afortunadas, os donos dos estádios, as seleções e os jogadores, mas provavelmente não será. Ao contrário do que aconteceu na Copa dos EUA de 1994, as cidades não participam dessa crescente receita com ingressos.

Os estádios foram alugados por um valor fixo. A premiação já está definida. E as cidades terão de arcar com os custos de sediar o torneio.

Alan Rothenberg, que presidiu o comitê organizador da Copa do Mundo dos EUA de 1994, explicou ao Serviço Mundial da BBC: "A estrutura é completamente diferente.

Então, na verdade, não dá para comparar. Em 1994, a Fifa ficou com as receitas internacionais de marketing e televisão e depois entregou toda a organização do torneio à Federação de Futebol dos EUA, que criou uma entidade separada para administrá-lo".

"Assim, havia uma entidade neste país, administrada por nós. Recebemos algumas categorias atrativas de patrocínio, oportunidades de licenciamento e também o direito de vender ingressos", disse Rothenberg.

Em 2026, algumas cidades reagiram tentando recuperar os custos de segurança e transporte para sediar o torneio. O preço dos trens de Nova York foi multiplicado por dez, antes de ser ligeiramente reduzido para US$ 98 (cerca de R$ 500).

A ligação ferroviária de Boston custa US$ 80 (aproximadamente R$ 408). Estacionar o carro? As tarifas oficiais chegam a US$ 175 (em torno de R$ 892), e até US$ 225 (cerca de R$ 1.147).

É uma realidade muito distante do transporte gratuito oferecido a quem tinha ingresso em torneios no Catar, em 2022, na Alemanha, em 2006, no Japão, em 2002, e na França, em 1998.

No Japão, voluntários locais se espalharam pelas rotas entre as estações de trem-bala e os estádios, com moradores se curvando diante dos torcedores, oferecendo comida e, em algumas ocasiões, depois que os últimos trens haviam partido, pagando táxis para que eles voltassem para casa.

Segundo Alan Rothenberg, organizador da Copa de 1994 nos Estados Unidos, o modelo financeiro do torneio era muito diferente do adotado hoje — Foto: Getty Images via BBC

Após a reação negativa, a Fifa passou a destacar a liberação de alguns ingressos a preços mais baixos, como US$ 60 (aproximadamente R$ 306), a serem distribuídos pelas associações nacionais.

A novidade mais notável foi a tentativa de incorporar o mercado secundário, a revenda de ingressos, conhecida como cambismo no Brasil, touting no Reino Unido e scalping nos EUA, ao sistema de venda da própria Fifa.

Quase todos os torcedores podem recolocar seus ingressos à venda sem limite máximo de preço, com a Fifa ficando com uma taxa de 15% tanto do vendedor quanto do comprador.

Também houve ingressos distribuídos por meio de um sistema de colecionáveis digitais ligados a criptoativos, construído na blockchain da Fifa. A entidade afirma que está capturando o prêmio antes obtido por cambistas e destinando esse valor a si própria e à comunidade global do futebol.

Os bilhões de dólares extras em caixa irão inicialmente para as reservas da Fifa, sob a promessa de que os recursos serão distribuídos à família global do futebol.

A entidade cita esse tipo de financiamento de base como um dos fatores que ajudaram Cabo Verde a se classificar para a competição deste ano, graças à melhoria da infraestrutura e ao desenvolvimento do futebol de base.

A Fifa costuma distribuir esses recursos de desenvolvimento de forma igualitária entre suas 211 associações filiadas, o que significa que a pequena Montserrat recebe da entidade uma quantia equivalente a 2,5% de seu PIB anual, ou US$ 500 (cerca de R$ 2.550) por pessoa.

O modelo de distribuição igualitária existe desde os anos 1990 e foi ampliado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, como parte de sua promessa eleitoral.

Ele é impulsionado pelo sistema de "um país, um voto", que também passou a ser usado para escolher os países-sede da Copa do Mundo a partir deste ano.

A Fifa afirma que investimentos no futebol de base ajudaram Cabo Verde a se classificar para a Copa do Mundo de 2026 — Foto: Reuters via BBC

Tudo isso aconteceu antes de a precificação dinâmica ganhar força. Se as estimativas da Needham estiverem corretas, a receita anual média da Fifa, de US$ 3,9 bilhões (em torno de R$ 19,9 bilhões), agora supera o orçamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e é mais ou menos equivalente ao orçamento regular da Organização das Nações Unidas (ONU).

"O que estamos vendo agora na Copa do Mundo é provavelmente a primeira introdução real da precificação dinâmica em sua forma mais dinâmica, mais completa… Basicamente, a Fifa está pegando todas as possibilidades de revenda especulativa e trazendo tudo para dentro de seu próprio sistema", disse Needham.

Por enquanto, esse modelo de preços torna incerto o valor exato da receita que será arrecadada, mas os ingressos estão criando um volume muito grande de dinheiro.

Em tese, esses recursos serão bem-vindos pela vasta maioria dos países menores, que nunca se classificarão para a Copa do Mundo nem enviarão torcedores capazes de pagar esses preços, mas que formam o eleitorado nas eleições presidenciais da Fifa e nas decisões sobre sedes do torneio. A galinha dos ovos de ouro está brilhando neste momento em termos de valor.

Os estádios ficarão cheios? Haverá exércitos de torcedores das 48 seleções criando o tipo de atmosfera que teria agradado Jock Stein, o lendário técnico da seleção da Escócia em Copas do Mundo?

A Fifa terá de repetir o que aconteceu em seu Mundial de Clubes no ano passado e cortar o preço dos ingressos para até US$ 11 (em torno de R$ 56) a fim de ocupar os assentos? Nesse ponto, ainda não está claro se o modelo de precificação dinâmica da Fifa prioriza maximizar a receita ou garantir que todos os ingressos sejam vendidos.

No mês passado, Infantino disse a uma conferência econômica que "temos de aplicar preços de mercado" e que o futebol precisava se adaptar a esse "mercado muito especial". É evidente que permitir preços ilimitados na revenda e adotar sucessivas rodadas agressivas de aumentos puxados pela demanda é uma escolha.

O modelo europeu adotado por clubes como o francês Paris Saint-Germain, bicampeão europeu, combina ingressos de temporada muito baratos atrás dos gols, nas duas extremidades do estádio, com preços corporativos extraordinários para os assentos mais próximos da linha do meio-campo.

A ideia é que o público corporativo seja atraído em parte pelo espetáculo e pelo barulho de grupos como torcidas organizadas atrás dos gols, nos setores mais baratos. O risco para a Copa do Mundo é que tudo isso se perca.

Há alguns sinais de que o modelo de preços da Copa do Mundo enfrenta reação negativa. Houve quedas nos preços de revenda para jogos de menor demanda: dois ingressos com valor de face de US$ 620 (aproximadamente R$ 3.160) podiam ser comprados por 171 libras (R$ 1.170) no próprio site de revenda da Fifa, 64% mais barato.

Poucos desses bilhetes de trem de US$ 98 (cerca de R$ 500) foram vendidos em Nova Jersey. Autoridades em Nova York, em Nova Jersey, na Califórnia e na União Europeia começaram a analisar reclamações sobre as estratégias de venda de ingressos.

"Um labirinto de confusão, falsa escassez e preços impossivelmente altos", disse Jennifer Davenport, procuradora-geral de Nova Jersey e principal autoridade de acusação do Estado que sediará a final no mês que vem. Ainda não está claro se o Estado tem jurisdição sobre uma "entidade sem fins lucrativos" sediada na Suíça. A Fifa não quis comentar.

A questão em aberto é se a Fifa levou esse experimento de preços a um ponto de ruptura. Parece improvável que os torcedores das cidades-sede da próxima Copa do Mundo, em 2030, na Espanha, em Portugal e no Marrocos, tolerem valores desse tipo.

Autoridades britânicas e irlandesas já descartaram esse modelo para a Eurocopa de 2028, que sediarão e que reunirá as principais seleções de futebol da Europa. Isso ocorre em um momento em que a inteligência artificial (IA) pode viabilizar a próxima grande inovação na precificação de serviços: preços personalizados para diferentes indivíduos, com base em seus dados.

Alguns clubes da Premier League estão testando a precificação dinâmica para parte dos assentos, com o objetivo de aumentar receitas. Isso contraria o modelo tradicional do torcedor fiel que compra um carnê de temporada por preço fixo.

Se o experimento da Fifa parecer bem-sucedido, poderá encorajar donos de clubes europeus ligados à NFL, dos EUA, a tentar precificar ingressos de forma semelhante, especialmente para financiar novos estádios.

O modelo da NFL, dos EUA, foi aplicado a um evento que pertence ao mundo. A "economia em K" dos EUA, com forte crescimento para os 10% mais ricos, responsáveis por até metade de todo o consumo, segundo analistas da Moody's, e estagnação ou retração nos demais níveis de renda, pode ficar visível nos estádios.

A precificação dinâmica é uma tecnologia que busca esse grupo de 10% e transforma uma experiência que um dia foi de massa, acessível a trabalhadores comuns, em um nicho alimentado pelo boom da tecnologia.

A esperança mais ampla de muitos países-sede é que efeitos tradicionais de entusiasmo ajudem a impulsionar a confiança do consumidor e os investimentos no futebol.

Pesquisas já mostraram alguns efeitos, especialmente em países-sede com bom desempenho, além de impactos negativos nas bolsas quando seleções são eliminadas. Os dados mais recentes de emprego nos EUA trouxeram alguns sinais de dezenas de milhares de novas vagas criadas, especialmente em hospitalidade, ligadas à Copa do Mundo.

No entanto, o impulso geral para a economia será limitado pelo tamanho da economia americana e pelo boom de investimentos em inteligência artificial (IA).

Um jogo entre Jordânia e Argélia dificilmente atrairá em São Francisco as atenções hoje voltadas para a inteligência artificial e os trilhões de dólares desse mercado.

Rahm Emanuel, prefeito de Chicago, a principal cidade dos EUA que desistiu de sediar jogos da Copa do Mundo, parece se sentir justificado pela decisão.

A Fifa ficou com toda a receita dos ingressos, e já há reclamações de que as reservas de hotéis em algumas cidades-sede estão abaixo do esperado. Muitos dos estádios que receberão partidas estariam lotados com shows de rock se não fosse o torneio.

À primeira vista, o impacto econômico nos EUA de uma Copa que utiliza estádios já existentes e direciona a maior parte do aumento da receita de ingressos para a Fifa pode ser limitado. O potencial benefício econômico estaria concentrado em um aumento da confiança dos consumidores.

No Reino Unido, boas campanhas de Inglaterra e Escócia podem servir de alento após anos de crises políticas e econômicas sucessivas. Varejistas e empresas do setor de hospitalidade certamente se preparam para um forte aumento nas vendas.

Durante a Copa da Rússia, em 2018, analistas da Kantar calcularam que houve 13 milhões de visitas extras a supermercados, à medida que as pessoas faziam compras para acompanhar os jogos em casa.

Mas também existe a possibilidade de que os desafios de produtividade do Reino Unido não sejam ajudados pelas partidas disputadas durante a madrugada.

A próxima segunda-feira já foi declarada feriado bancário na Escócia para ajudar o país a lidar com o jogo da seleção escocesa contra o Haiti, marcado para as 2h da manhã (horário local).

Para muitos, o torneio será uma bem-vinda pausa do fluxo incessante de notícias, ainda que as particularidades da Casa Branca de Trump possam acabar oferecendo uma oportunidade econômica mais ampla.

A economia mundial de hoje é muito diferente, e isso compõe o pano de fundo desta festa do futebol. A Fifa conduz um experimento de preços relevante e controverso que pode mudar o esporte.

Ao mesmo tempo, uma Copa do Mundo tão incomum talvez consiga amenizar um pouco a sensação de desordem que marca o cenário global atual. É mais uma esperança do que uma expectativa, um sentimento bastante familiar para qualquer torcedor inglês ou escocês.

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SpaceX estreia na bolsa: veja como investir na empresa e em outras ações no exterior

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 12:02

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,079-0,45%Dólar TurismoR$ 5,301-0,3%Euro ComercialR$ 5,879-0,5%Euro TurismoR$ 6,147-0,29%B3Ibovespa171.754 pts0,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,079-0,45%Dólar TurismoR$ 5,301-0,3%Euro ComercialR$ 5,879-0,5%Euro TurismoR$ 6,147-0,29%B3Ibovespa171.754 pts0,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,079-0,45%Dólar TurismoR$ 5,301-0,3%Euro ComercialR$ 5,879-0,5%Euro TurismoR$ 6,147-0,29%B3Ibovespa171.754 pts0,15%Oferecido por

As pessoas se reúnem para assistir a uma transmissão ao vivo com o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, em Nova York — Foto: REUTERS/Jeenah Moon

A SpaceX, empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial do bilionário Elon Musk, estreou na Nasdaq, bolsa de valores de tecnlogia de Wall Street, nesta sexta-feira (12). Avaliada em cerca de US$ 1,75 trilhão (R$ 9 trilhões), essa é maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história.

Diante da alta demanda, bolsas de valores ao redor do mundo passaram a oferecer ativos vinculados aos papéis da companhia aos investidores. No Brasil, a B3 disponibiliza nesta sexta-feira o Brazilian Depositary Receipt (BDR) da SpaceX — um certificado negociado no país que representa as ações da empresa no exterior. Entenda a diferença entre BDR e ação.

Na prática, isso significa que investidores brasileiros poderão aplicar em ativos ligados à companhia sem precisar abrir conta no exterior ou realizar remessas internacionais e operações de câmbio. Na bolsa brasileira, o BDR da SpaceX será negociado sob o código SPCX34.

Segundo a B3, embora a ação da SpaceX no IPO tenha preço inicial estimado em US$ 135 (cerca de R$ 694,95), o BDR terá paridade de 1 para 15 — ou seja, cada ação no exterior corresponderá a 15 BDRs negociados na B3. Com isso, o investidor poderá acessar a empresa por um valor entre R$ 50 e R$ 70.

Enquanto a ação representa uma parte do capital de uma empresa — ou seja, ao comprar o papel, o investidor se torna sócio e pode, em alguns casos, ter direito a voto —, o BDR é um certificado de depósito de valores mobiliários.

Isso significa que o BDR é um investimento negociado no Brasil que representa ações de empresas no exterior. Na prática, funciona como um “recibo”: uma instituição financeira compra a ação lá fora e emite esse certificado para que o investidor possa negociá-lo aqui, em reais.

Com isso, os BDRs estão sujeitos tanto à variação das ações no exterior quanto às oscilações do câmbio — que também impactam o preço — e à volatilidade dos mercados internacionais.

"No caso de empresas de tecnologia e crescimento, como a SpaceX, esses movimentos podem ser ainda mais relevantes", diz a B3 em nota.

Acesse a sua conta na corretora ou no banco e entre na plataforma de compra e venda de ativos na bolsa (home broker).Busque pelo código de negociação (ticker) da empresa. No caso de BDRs, esse código costuma ter o número "34" no final. Escolha a quantidade de BDRs que deseja comprar.Defina o preço que deseja pagar ou se a compra será feita a mercado, quando você instrui a corretora a comprar o ativo imediatamente, pelo melhor preço disponível no momento.Envie a ordem de compra e confirme a operação. A negociação acontece na própria B3, em reais.

Outra alternativa para quem quer investir em empresas americanas são os ETFs — fundos negociados em bolsa que replicam o desempenho de um índice de referência ou de um setor da economia.

Ao comprar um ETF negociado na bolsa brasileira que replique o S&P 500, um dos principais índices de Wall Street, por exemplo, o investidor faz a transação em reais e, na prática, passa a investir em um conjunto de empresas americanas de uma só vez.

Acesse a sua conta na corretora ou no banco e entre na plataforma de compra e venda de ativos na bolsa (home broker).Busque pelo código de negociação (ticker) do ETF. No Brasil, esses códigos geralmente terminam em “11”.Escolha a quantidade que deseja comprar.Defina o preço que deseja pagar ou se a compra será feita a mercado, quando você instrui a corretora a comprar o ativo imediatamente, pelo melhor preço disponível no momento.Envie a ordem de compra e confirme a operação.

Outra opção seria a alocação de recursos em fundos de investimento, que são carteiras geridas por profissionais e que podem contar com diferentes ativos, incluindo ações internacionais em alguns casos.

Acesse a sua conta na corretora de investimentos ou no banco.Na aba de “fundos de investimento”, busque por carteiras que invistam em ações no exterior.Defina o valor que pretende investir ou a quantidade de cotas que deseja comprar.Confirme a operação.

Vale destacar que ambos os investimentos envolvem risco, já que estão ligados a ativos de renda variável e, portanto, sujeitos tanto às oscilações dos mercados no exterior quanto à variação do câmbio.

Além disso, investidores que querem ter investimentos em empresas específicas, como a SpaceX, no entanto, a presença nos ETFs ou fundos não é garantida, já que depende da composição das carteiras.

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Hyundai lança i20 no Brasil por R$ 99.990, desafia onda dos SUVs com novo hatch; veja o teste

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 11:00

Carros Hyundai lança i20 no Brasil por R$ 99.990, desafia onda dos SUVs com novo hatch; veja o teste Modelo é fabricado no Brasil, não substituirá o HB20 e disputará clientes de SUVs de entrada, como Renault Kardian, Fiat Pulse e Volkswagen Tera. Por André Fogaça, g1 — Tatuí (SP)

A Hyundai apresentou nesta sexta-feira (12) seu principal lançamento de 2026: o hatch i20. Em um momento em que a maior parte das montadoras aposta em SUVs de diferentes tamanhos no mercado brasileiro, a marca coreana lança mais um compacto para dividir espaço com um de seus campeões de vendas, o HB20.

O mercado, inclusive, chegou a especular que o i20 poderia substituir o HB20. A Hyundai, porém, afirma que os dois modelos vão conviver em harmonia, sem disputar o mesmo público. Para isso, o novo hatch aposta em um visual mais moderno, acabamento interno mais refinado e preços que vão de R$ 99.990 a R$ 139.990.

Fabricado em Piracicaba (SP) e exportado para outros mercados, p carro tem linhas mais marcadas e adota a nova moda da faixa de LED que conecta os faróis na dianteira. Na traseira, as lanternas também são interligadas, mas tem um desenho geral mais parecido com o HB20.

As rodas são de 17 polegadas, o que acompanha o estilo mais agressivo. O i20 também é um pouco maior que o HB20: tem 12 centímetros a mais de comprimento, seis de largura, dois de altura e cinco de entre-eixos.

Mas as diferenças mais importantes estão no interior. O novo volante dispensa o tradicional "H" da marca. O i20 também traz um novo painel digital, mais bonito e com mostradores fixos, além de uma central multimídia bem aumentada, agora com 12,3 polegadas.

Mesmo que a pegada seja mais tecnológica que o HB20, os botões físicos ainda predominam. Os comandos do ar-condicionado ganharam nova disposição e formam uma espécie de torre, ligando o console central à central multimídia.

Quem tem estatura mediana e se senta no banco traseiro dificilmente encosta os joelhos no assento da frente. O porta-malas comporta 346 litros de bagagem, 46 litros a mais que o do HB20.

E aí terminam as diferenças. O i20 terá versões de motor 1.0 aspirado e 1.0 turbo, praticamente idênticas às possibilidades encontradas no irmão menor. Agora, são 115 cv de potência, combinados a 17,5 kgfm de torque.

A perda de 5 cv mantém a experiência ao conduzir já conhecida de quem dirigiu um HB20. A posição ao volante também é praticamente a mesma, mantendo uma das principais qualidades do modelo: a sensação de um hatch leve e ágil.

O ajuste da suspensão do i20 privilegia o conforto, uma tradição da Hyundai que vai dos modelos mais básicos aos SUVs.

Tanto nas ondulações do circuito fechado em Tuiuti (SP) quanto em trechos de terra e cascalho, a suspensão do i20 absorveu melhor os impactos do que a de rivais como Volkswagen Polo e Fiat Argo. Ao mesmo tempo, mantém a firmeza esperada de um hatch em curvas mais fechadas.

A calibração do câmbio automático também é um acerto. Ao puxar com mais força em uma subida, o i20 reduz rapidamente uma marcha para a retomada e é preciso no momento de engatar a próxima marcha para soltar a aceleração.

Além disso, o atraso entre o comando do acelerador e a resposta do carro é pequeno e não chega a incomodar quem busca reações mais rápidas.

O Brasil vive a era dos SUVs. Desde o ano passado, mais da metade dos carros zero quilômetro vendidos no país pertence ao segmento, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

As montadoras que apostaram em hatches nos últimos anos preferiram mudanças pontuais. A Chevrolet renovou o Onix sem grandes transformações, enquanto o Volkswagen Polo está há bastante tempo sem alterações relevantes.

Surge a pergunta: qual a estratégia da Hyundai? Ao g1, Maurício Jordão, gerente de relações públicas e imprensa da montadora, afirmou que o i20 deve disputar espaço com SUVs de entrada, e não com outros hatches.

“Se você pegar no line-up das outras marcas, você até tem essa proximidade entre um SUV menor, um SUV compacto e aí depois você tem os SUVs maiores. A Hyundai tem o HB20 e já tem o Creta. E é esse nicho do Kardian, do Pulse, do Tera, que o [i20] aqui vai entrar”, afirma Jordão.

Sobre a proximidade do HB20, o executivo afirma que o espaço interno será um dos principais diferenciais do novo modelo.

"A Hyundai não costuma deixar as versões muito próximas para tirar o mesmo preço. Então, se você olhar uma diferença de R$ 1.500 ou R$ 2.000, pode ser que o consumidor escolha pelo pacote de equipamentos", complementou.

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Preço dos alimentos em maio: o que ficou mais caro e o que barateou no mês

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 11:00

Agro Preço dos alimentos em maio: o que ficou mais caro e o que barateou no mês Alimentos consumidos em casa subiram 1,65%, com destaque para a batata-inglesa, o tomate, a cebola e as carnes. Por outro lado, o café moído e as frutas baratearam. Por Redação g1, g1 — São Paulo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,58% em maio, uma desaceleração em relação a abril, quando os preços haviam avançado 0,67%, mostram dados do IBGE, divulgados nesta sexta-feira (12).

Apesar da desaceleração, os preços dos alimentos continuam pressionando a inflação. Sozinho, o grupo de Alimentação e Bebibas respondeu por 0,29 ponto percentual do IPCA, ao registrar alta de 1,33%.

Os alimentos consumidos em casa ficaram, em média, 1,65% mais caros em maio. As maiores altas foram observadas na batata-inglesa, que subiu 44,69%, seguida pelo tomate (20,62%), pela cebola (16,80%) e pelas carnes (1,39%).

“O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e, também, há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, disse o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.

Em contrapartida, alguns produtos ficaram mais baratos, como o café moído, com queda de 2,38%, e as frutas, que recuaram 0,70%.

Já comer fora de casa também pesou mais no bolso, mas em ritmo moderado. Os preços subiram 0,49% em maio, com desaceleração tanto nos lanches quanto nas refeições, que tiveram aumentos menores do que os registrados em abril.

Batata-inglesa: +44,69%Pepino: +44,3%Tomate: +20,62%Cebola: +16,8%Morango: +16,6%Cenoura: +8,93%Feijão-carioca (rajado): +6,44%Leite de coco: +5,14%Filé-mignon: +4,48%Carne-seca e de sol: +4,09%Picanha: +3,97%Sal: +3,76%Couve-flor: +3,66%Brócolis: +3,65%Banana-da-terra: +3,27%Peito: +3,18%Mamão: +2,97%Peixe-sardinha: +2,79%Melão: +2,78%Lagarto redondo: +2,63%

Abobrinha: -11,43%Laranja-lima: -9,87%Peixe-cavala: -9,37%Peixe-palombeta: -9,21%Peixe-serra: -9,03%Laranja-baía: -7,4%Pimentão: -6,99%Maracujá: -6,23%Peixe-anchova: -5,29%Açaí (emulsão): -5,19%Peixe-castanha: -5,08%Peixe-corvina: -4,08%Banana-d'água: -4,01%Inhame: -3,99%Batata-doce: -3,71%Peixe-pescada: -3,71%Peixe-dourada: -3,6%Peixe-cação: -3,2%Caranguejo: -2,7%Polpa de fruta (congelada): -2,5%

Depois do grupo de alimentação, a Habitação foi o que mais impactou a inflação, com impacto de 0,18 ponto percentual e variação de 1,22%, e Saúde e cuidados pessoais, que contribuiu com 0,12 ponto percentual após avançar 0,90% no mês.

Juntos, esses três grupos concentraram a maior parte da alta dos preços em maio e explicam grande parte do resultado do índice.

Alimentação e bebida: 1,33%;Habitação: 1,22%;Artigos de residência: 0,08%;Vestuário: 0,62%;Transportes: -0,46%;Saúde e cuidados pessoais: 0,90%;Despesas pessoais: 0,41%;Educação: 0,00%;Comunicação: 0,23%.

A inflação da habitação em maio foi impulsionada principalmente pelo aumento na conta de energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e foi o item que mais contribuiu individualmente para a inflação do mês.

Segundo o IBGE, o avanço reflete reajustes nas tarifas de energia em diversas capitais, como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.

Além disso, em maio esteve em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos, contribuindo para o aumento das despesas dos consumidores.

No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,90% em maio. O principal destaque foi o aumento dos artigos de higiene pessoal, que ficaram 1,95% mais caros, com os perfumes registrando alta de 4,42%. Os planos de saúde também tiveram reajuste no período, com avanço médio de 0,50%.

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Dólar opera em alta, de olho em inflação no Brasil e Oriente Médio; SpaceX estreia na bolsa de NY hoje

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 09:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%Oferecido por

O dólar operava em alta nesta sexta-feira (12), com um avanço de 0,26% perto das 9h20, cotado a R$ 5,1141. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ Os novos dados da inflação brasileira estão no centro das atenções nesta sexta-feira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,58% em maio, em desaceleração em relação a abril (0,67%). Os dados reforçam a expectativa pela Superquarta da próxima semana, momento em que o Banco Central do Brasil (BC) e o Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciam suas decisões de juros.

🔎 O dado é importante porque quanto maior é a inflação e os sinais de que os preços devem subir, maior é também a chance de que o BC interrompa o ciclo de cortes e mantenha a taxa básica (Selic) inalterada. Juros em patamares elevados por mais tempo tendem a limitar a inflação e a desacelerar a economia.

▶️ Os sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã também ficam no radar e trazem alívio para o petróleo. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os "pontos finais" de um acordo com Teerã foram aprovados e indicou que a assinatura pode ocorrer já neste final de semana. O país do Oriente Médio, no entanto, ainda nega uma decisão final — o que tem aumentado o ceticismo no mercado em relação a uma resolução rápida ou definitiva do conflito.

Com o alívio das tensões, o barril do Brent, referência internacional, caía 3,80% perto das 8h45, cotado a US$ 86,95. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 4,07% no mesmo horário, a US$ 84,14 por barril.

As indicações de que os Estados Unidos e o Irã voltaram a negociar começaram na tarde de ontem. O presidente Donald Trump, cancelou os ataques ao Irã, após negociadores terem chegado a um consenso sobre "pontos finais" para o fim da guerra no Oriente Médio e afirmou que um tratado poderia ser assinado ainda no final de semana. (acompanhe os principais acontecimentos)

Ainda segundo Trump, Teerã teria concordado com o compromisso de não buscar armas nucleares e com a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto Washington colocaria fim ao bloqueio naval no canal.

Apesar disso, o governo iraniano voltou a negar que uma decisão final estivesse tomada e classificou as notícias sobre o tema como "especulativas" — o que aumentou o ceticismo do mercado sobre uma resolução rápida ou definitiva do conflito.

Segundo Teerã, apesar de grande parte do texto do acordo de fato estar pronta, Washington teria feito exigências excessivas.

"O Irã não assume, neste texto, nenhum compromisso de ceder a gestão do Estreito [de Ormuz], nem de restaurar as condições que existiam antes da agressão militar americana e israelense", informou a agência de notícias da República islâmica (IRNA), na véspera.

"O Irã negociará o programa nuclear exclusivamente dentro da estrutura dos princípios fundamentais da República Islâmica, e questões como o direito do Irã de enriquecer urânio e a retenção de material enriquecido […] serão enfatizadas com vistas à sua inclusão no acordo final", completou a agência.

A SpaceX deve estrear nesta sexta-feira (12) na bolsa de valores de Nova York avaliada em cerca de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões). Com esse valor de mercado, a empresa de Elon Musk passaria a ocupar a oitava posição entre as companhias mais valiosas do mundo.

A forte aposta de investidores de Wall Street na SpaceX pode parecer contraditória. Apesar de estar prestes a realizar o maior IPO da história, com uma captação estimada em US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões), a empresa ainda opera no vermelho.

Em 2025, a receita de US$ 18,7 bilhões (R$ 95,3 bilhões) não foi suficiente para evitar um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,9 bilhões).

Segundo especialistas consultados pelo g1, o otimismo de parte dos investidores se explica pela mudança na forma como o mercado enxerga a SpaceX. Veja mais nesta reportagem:

SpaceX vale US$ 1,75 trilhão? Os riscos por trás do IPO mais aguardado do mercadoTrilionário? Fortuna de Elon Musk pode superar riqueza de 46% da população mundial após IPO da SpaceXA Lua pode virar economia? A aposta por trás dos trilhões de dólares da SpaceXIPO da SpaceX atrai mais de R$ 360 bilhões em demanda de pessoas físicas

Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong se recuperaram nesta sexta-feira. O Índice Composto de Xangai subiu 1,1%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias envolvidas em Xangai e Shenzen, avançou 1,2%. Já o Hang Seng teve alta de 1,9%.

No Japão, o Nikkei avançou 2,81%, enquanto o Kospi, da Coréia do Sul, registrou uma valorização de 4,63%.

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Inflação desacelera para 0,58% em maio, mas segue acima da meta e alimentos pressionam IPCA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 09:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%MoedasDólar ComercialR$ 5,101-1,37%Dólar TurismoR$ 5,317-1,12%Euro ComercialR$ 5,907-1,04%Euro TurismoR$ 6,164-0,93%B3Ibovespa171.497 pts1,71%Oferecido por

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu 0,58% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mostra uma desaceleração em relação a abril, quando os preços haviam avançado 0,67%.

Já na comparação com os últimos 12 meses, a trajetória foi de aceleração: a inflação passou de 4,39% até abril para 4,72% em maio. No mesmo mês do ano passado, o IPCA havia registrado variação mensal de 0,26%.

🎯 Com o resultado, o índice fica acima do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%. Desde o ano passado, essa meta passou a ser contínua — isso significa que o cumprimento é acompanhado mês a mês com base na inflação acumulada em 12 meses.

O grupo Alimentação e bebidas foi o que mais pressionou a inflação de maio, respondendo sozinho por 0,29 ponto percentual do IPCA e registrando alta de 1,33%.

Na sequência, apareceram Habitação, com impacto de 0,18 ponto percentual e variação de 1,22%, e Saúde e cuidados pessoais, que contribuiu com 0,12 ponto percentual após avançar 0,90% no mês.

Juntos, esses três grupos concentraram a maior parte da alta dos preços em maio e explicam grande parte do resultado do índice.

Alimentação e bebida: 1,33%;Habitação: 1,22%;Artigos de residência: 0,08%;Vestuário: 0,62%;Transportes: -0,46%;Saúde e cuidados pessoais: 0,90%;Despesas pessoais: 0,41%;Educação: 0,00%;Comunicação: 0,23%.

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Com Neymar, Panini lança pacote com novas figurinhas para atualizar álbum da Copa do Mundo de 2026

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 09:02

Guia de Compras Com Neymar, Panini lança pacote com novas figurinhas para atualizar álbum da Copa do Mundo de 2026 Pacote complementar traz 120 novas figurinhas de atletas convocados para o Mundial, incluindo Neymar, Manuel Neuer e Pau Cubarsí. Por Redação g1 — São Paulo

Os colecionadores do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 ganharam uma novidade nesta quinta-feira (11). A Panini abriu a pré-venda de um pacote complementar de figurinhas que permite atualizar a coleção com jogadores convocados após o lançamento inicial do álbum.

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Chamado de Update Set, o kit reúne 120 novos cromos. A maioria deles é dedicado a atletas que ficaram fora da versão original da coleção, mas acabaram incluídos nas listas finais das seleções classificadas para o Mundial.

Entre os nomes que passam a integrar o álbum estão o atacante Neymar, da Seleção Brasileira, o goleiro Manuel Neuer, da Alemanha, e o zagueiro Pau Cubarsí, da Espanha.

Segundo a Panini, o objetivo é oferecer aos colecionadores uma forma de manter a coleção alinhada às equipes que efetivamente disputarão a Copa do Mundo de 2026. O pacote inclui atletas que ganharam espaço nas seleções nacionais durante o ciclo preparatório para o torneio.

O Update Set está disponível em pré-venda no site da editora por R$ 119,90. O produto é composto por seis cartelas com 20 figurinhas cada, totalizando 120 cromos.

A iniciativa segue um modelo adotado pela empresa em grandes competições recentes, permitindo que o álbum reflita as mudanças ocorridas entre o lançamento da coleção e a divulgação das convocações oficiais das seleções.

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Se namorar no trabalho não é proibido, por que tanta gente ainda esconde a relação?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 05:51

Trabalho e Carreira Se namorar no trabalho não é proibido, por que tanta gente ainda esconde a relação? Embora a legislação não proíba romances entre colegas, muitos profissionais ainda evitam tornar a relação pública. Especialistas explicam por quê. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Em julho de 2025, flagrante de um CEO e uma executiva em show expôs relação reservada, reacendendo o debate sobre namoros no ambiente corporativo.

Embora a CLT não proíba relacionamentos entre colegas, profissionais escondem o namoro por medo de julgamentos e pela falta de políticas claras nas empresas.

A revelação pode alterar a percepção profissional do casal. Mulheres costumam enfrentar julgamentos mais severos sobre sua competência e conquistas após assumirem o romance.

Juridicamente, a intimidade é garantida pela Constituição Federal. As empresas não podem punir funcionários, mas têm direito de estabelecer regras de conduta profissional.

Relacionamentos amorosos entre colegas não são proibidos pela legislação trabalhista brasileira. — Foto: Pexels

Era julho de 2025. Durante um show do Coldplay, as câmeras do estádio flagraram um CEO e uma executiva de uma empresa de tecnologia juntos na plateia. Ao perceberem que estavam aparecendo nos telões, os dois tentaram se esconder.

Nos dias seguintes, o episódio dominou conversas nas redes sociais, nos escritórios e até fora deles. Segundo reportagens publicadas posteriormente, os dois viviam processos de separação de seus respectivos parceiros naquele período.

O caso expôs um relacionamento que vinha sendo mantido de forma reservada e chamou atenção para uma situação comum no mundo corporativo: relacionamentos que existem, mas permanecem fora do radar de colegas e, às vezes, da própria empresa. 🤐

No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não proíbe relacionamentos amorosos entre funcionários da mesma empresa. Ainda assim, manter o namoro em sigilo, pelo menos nos primeiros meses, continua sendo uma escolha comum entre muitos casais.

💭 Mas o que explica esse comportamento? O receio está apenas nas fofocas e nos julgamentos dos colegas? Ou há motivos mais profundos para manter um relacionamento em segredo?

O problema não está na leiO que diz a legislaçãoO que as empresas podem regularQuando há diferença de cargosO desafio que vai além do romanceComo equilibrar amor e carreira

À primeira vista, pode parecer contraditório. Se a legislação brasileira não proíbe relacionamentos entre colegas de trabalho, por que tantas pessoas ainda têm receio de assumir a relação? Para a presidente da ABRH-SP e CEO da Umanni, Eliane Aerea, a resposta está menos na legislação e mais na cultura das organizações.

"Esse medo vai além da questão legal e está ligado à cultura corporativa e à forma como as organizações funcionam", afirma.

Ao tornar um relacionamento público, muitos profissionais passam a se perguntar se continuarão sendo avaliados apenas pelo desempenho ou se a vida pessoal passará a influenciar a forma como são vistos por colegas e líderes.

"As pessoas temem que o relacionamento ofusque suas competências técnicas e suas entregas. Há o medo do julgamento dos pares, do surgimento de fofocas e, principalmente, de que a relação seja interpretada como um potencial conflito de interesses", explica.

Na avaliação da especialista, a insegurança está ligada à possibilidade de que o relacionamento mude a forma como a trajetória profissional será vista dali em diante. Em muitos casos, essa preocupação aumenta quando não existem regras claras.

"Muitas empresas ainda não têm políticas transparentes sobre o tema. Quando não existe uma orientação clara, o espaço é ocupado pelo medo de retaliações silenciosas, como perder oportunidades de promoção ou ser isolado pelos colegas."

Uma das principais preocupações de quem assume um relacionamento no trabalho é perder o controle sobre a forma como será visto pelos colegas. Antes de a relação se tornar conhecida, as interações costumam ser vistas apenas sob a ótica profissional.

🔓 Depois disso, o cenário pode mudar. Conversas reservadas passam a chamar atenção, almoços juntos despertam curiosidade, reuniões ganham novas interpretações e até situações rotineiras podem ser vistas de outra forma, explica Eliane.

Em outras palavras, dois profissionais passam a ser vistos também como um casal. Com isso, comportamentos comuns podem ganhar interpretações diferentes. O resultado é uma sensação de vigilância constante, o que ajuda a explicar por que muitos relacionamentos permanecem em segredo por tanto tempo.

"Qualquer discordância técnica em uma reunião pode ser interpretada como uma briga de casal. Já a concordância pode ser ser vista como favorecimento", afirma a especialista.

Segundo Eliane, um dos receios mais comuns é que conquistas deixem de ser atribuídas ao desempenho profissional e passem a ser associadas ao relacionamento. Essa preocupação é ainda maior quando um dos parceiros é promovido, assume uma função estratégica ou passa a liderar projetos importantes.

"Se um dos parceiros é promovido ou recebe um projeto importante, o casal teme que os colegas atribuam o sucesso ao relacionamento, e não ao mérito", afirma a presidente da ABRH-SP.

Por isso, muitos casais optam por manter a relação reservada até que ela esteja mais consolidada. A decisão não serve apenas para preservar a privacidade, mas também para proteger a reputação profissional.

Embora esses receios possam atingir qualquer profissional, eles nem sempre afetam homens e mulheres da mesma forma, destaca a presidente da ABRH-SP.

♀️ Segundo a especialista, mulheres em relacionamentos no ambiente corporativo costumam enfrentar julgamentos mais severos sobre sua competência, credibilidade e desempenho.

Na prática, isso significa que promoções, aumentos salariais e novas responsabilidades podem ser recebidos com mais desconfiança quando envolvem mulheres.

"Esse viés de gênero é uma realidade que as organizações precisam reconhecer e combater ativamente."

Além disso, quando um relacionamento começa, poucas pessoas pensam em como ele pode terminar, lembra Eliane. Diferentemente de outros casais, colegas de trabalho não podem simplesmente se afastar após uma separação. Eles continuam compartilhando reuniões, projetos, metas e, muitas vezes, o mesmo espaço físico.

Por isso, um relacionamento no trabalho costuma ser encarado com mais cautela. O receio não está apenas na relação em si, mas nos impactos que um eventual término pode trazer para a dinâmica profissional, especialmente quando os dois atuam na mesma equipe ou dependem um do outro para executar tarefas, analisa Eliane.

Apesar das preocupações, especialistas reforçam que relacionamentos amorosos entre colegas não são proibidos pela legislação trabalhista brasileira.

A advogada trabalhista Cristina Pena explica que a intimidade e a vida privada são direitos garantidos pela Constituição Federal. Por isso, uma empresa não pode impedir que funcionários mantenham um relacionamento.

"Proibir as pessoas de se apaixonarem é inconstitucional. Fere os direitos fundamentais da personalidade", afirma.

Na prática, isso significa que o relacionamento, por si só, não pode justificar punições ou demissões. Também não existe obrigação legal de comunicar o namoro à empresa, salvo situações específicas previstas em políticas internas relacionadas a conflitos de interesse.

Embora não possam proibir relacionamentos, as empresas podem estabelecer regras de convivência no ambiente de trabalho.

Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, essas normas devem tratar do comportamento profissional, e não da vida privada.

As organizações podem limitar demonstrações públicas de afeto durante o expediente, criar mecanismos para evitar conflitos de interesse e estabelecer protocolos para relacionamentos com diferença hierárquica.

Se relacionamentos entre colegas já atraem atenção, o cenário se torna mais delicado quando existe diferença hierárquica.

Nesses casos, a principal preocupação não é o relacionamento em si, mas a percepção de justiça nas decisões. Promoções, avaliações e distribuição de oportunidades precisam continuar sendo vistas como imparciais.

Segundo a presidente da ABRH-SP, esse tipo de situação exige atenção redobrada de líderes e do setor de recursos humanos.

"Nesses cenários, é fundamental haver comunicação clara, transparência e critérios objetivos para as decisões."

Existe ainda um aspecto menos visível nessa discussão. Em empresas que lidam com informações estratégicas, projetos confidenciais ou dados sensíveis, relacionamentos exigem cuidados adicionais. Segundo Eliane, o tema também envolve questões de confidencialidade.

Quando duas pessoas mantêm um relacionamento e atuam em áreas relacionadas, cresce a necessidade de respeitar acordos de sigilo e protocolos internos.

O objetivo não é impedir relações pessoais, mas garantir que informações estratégicas continuem protegidas.

Para a presidente da ABRH-SP, a ideia de separar completamente vida pessoal e profissional não corresponde à realidade.

"Somos seres integrais. A separação absoluta entre vida pessoal e profissional é um mito."

Para ela, o desafio está em estabelecer limites saudáveis. Isso exige maturidade emocional, boa comunicação e acordos claros entre o casal.

Uma recomendação comum é evitar levar problemas pessoais para o trabalho e impedir que questões profissionais dominem a vida fora dele.

A especialista também destaca a importância de ambientes organizacionais mais seguros. Em vez de proibir relacionamentos, as empresas podem investir em políticas claras, critérios transparentes e uma cultura que valorize resultados.

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Dia dos Namorados nasceu para você comprar mais: conheça a história da data no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 04:44

Trabalho e Carreira Dia dos Namorados nasceu para você comprar mais: conheça a história da data no Brasil Criada por um publicitário paulistano, a data foi inspirada na véspera de Santo Antônio e transformou os hábitos de consumo dos brasileiros. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Entre buquês, presentes e declarações apaixonadas, o Dia dos Namorados parece girar apenas em torno do amor. Mas sua origem no Brasil revela um objetivo bem mais prático: movimentar o comércio.

A data, comemorada em 12 de junho, foi criada em 1948 como uma estratégia de marketing para aumentar as vendas em um dos meses mais fracos do mercado.

O publicitário João Dória, pai do ex-governador de São Paulo João Doria Jr., criou a data a pedido de uma loja que queria melhorar os resultados, segundo a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (ABAP).

Além de ser uma época de vendas fracas, o dia 12 de junho foi escolhido por ser véspera do Dia de Santo Antônio, conhecido na cultura popular como o santo casamenteiro.

A primeira campanha publicitária que lançou a data no Brasil usava o slogan: "Não é só com beijos que se prova o amor!".

"Foi uma ideia muito legal porque está intimamente ligada ao negócio. Segundo pesquisas, seis em cada 10 brasileiros acham a data importante", afirma o Antônio Fadiga, vice-presidente da ABAP.

A ideia deu certo, e logo outros lojistas aderiram à campanha. Hoje, o Dia dos Namorados é a terceira data mais importante para o comércio no Brasil, de acordo com o Sebrae.

Apesar de ser uma celebração importante para o comércio, o governo federal não considera a data feriado nem ponto facultativo.

É interessante notar que, em outros países, o dia para celebrar o amor é em fevereiro: o Valentine's Day.

O Dia dos Namorados foi criado para impulsionar as vendas durante o mês de junho — Foto: Arquivo Pessoal

A data escolhida para comemorar o Dia dos Namorados foi a véspera da celebração de Santo Antônio, famoso por ser o santo casamenteiro.

Santo Antônio, também conhecido como Santo Antônio de Lisboa, nasceu em 1195, em Portugal, e tem forte ligação com a Igreja no Brasil. Segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele é padroeiro ou titular de três arquidioceses e 11 dioceses.

Ele ficou conhecido como santo casamenteiro porque, segundo relatos, ajudou uma jovem de Nápoles, no sul da Itália, que queria se casar, mas não tinha dinheiro para o dote, explica o padre Elílio de Faria Matos Júnior, da Arquidiocese de Juiz de Fora (MG).

Segundo o padre, Santo Antônio entregou à jovem um bilhete para que ela desse a um comerciante. No bilhete, ele pedia que o comerciante desse à moça moedas de prata com o mesmo peso do papel.

"Julgando irrisório o peso do papel, o comerciante aceitou, mas, quando colocou o bilhete num dos pratos da balança, foi preciso colocar no outro 400 escudos de prata”, contou o padre, em entrevista ao g1.

Foi então que, conforme a crença católica, o comerciante se lembrou de que havia prometido esse valor ao santo. Assim, a jovem recebeu a quantia e pôde se casar.

Desde então, muitos fiéis pedem a ajuda de Santo Antônio para casar, fazendo simpatias como colocá-lo de cabeça para baixo, tirar o menino Jesus de seus braços ou procurar sua imagem em bolos, entre outras promessas.

Ex governador de São Paulo publicou um homenagem ao pai, criador do Dia dos Namorados no Brasil — Foto: Instagram/ Reprodução

Nos Estados Unidos e na Europa, o equivalente ao Dia dos Namorados é o Valentine's Day (Dia de São Valentim), celebrado em 14 de fevereiro.

Existem várias histórias sobre a origem da data, mas a mais conhecida é a do bispo Valentim, que, no século III, no Império Romano, realizava casamentos mesmo com a proibição do imperador.

Na época, por causa das guerras, o imperador Cláudio II proibiu os casamentos, acreditando que homens solteiros eram melhores soldados. Mesmo assim, o bispo Valentim continuou realizando cerimônias e, ao ser descoberto, foi condenado.

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Por que o PIX incomodou gigantes globais e gerou uma disputa silenciosa no mercado?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/06/2026 04:44

g1 explica Por que o PIX incomodou gigantes globais e gerou uma disputa silenciosa no mercado? No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

O PIX entrou na mira do governo dos Estados Unidos em meio a discussões sobre o impacto do sistema brasileiro de pagamentos no mercado financeiro. O serviço permite transferências instantâneas e gratuitas, sem a necessidade de intermediários.

A expansão do PIX reduziu a participação de empresas que lucram com taxas cobradas em operações financeiras, como pagamentos com cartão. O setor é dominado por grandes companhias globais, muitas delas americanas.

Mas, além da disputa econômica, o debate envolve questões ideológicas e estratégicas. Por ser uma infraestrutura pública criada pelo Estado e amplamente adotada pela população, o PIX é apontado como um exemplo de alternativa aos sistemas tradicionais de pagamento e às redes financeiras que concentram parte do fluxo global de transações.

Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

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