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Os 4 processos judiciais nos EUA que podem mudar a forma como as redes sociais operam

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 04:44

Tecnologia Os 4 processos judiciais nos EUA que podem mudar a forma como as redes sociais operam Empresas como Meta, Google, Snapchat, TikTok, Discord e a plataforma de jogos sociais Roblox enfrentam milhares de processos nos EUA sob a alegação de que estão prejudicando seus usuários, principalmente as crianças. Por BBC

Quando as redes sociais começaram a dominar a internet há 20 anos, foram amplamente aclamadas como uma tecnologia revolucionária que conectaria pessoas de diferentes origens e tornaria a informação mais acessível.

Hoje, empresas como a Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, o Google, proprietário do YouTube, e o Snapchat, juntamente com redes relativamente mais recentes como o TikTok, o Discord e a plataforma de jogos sociais Roblox, enfrentam milhares de processos nos EUA sob a alegação de que, em vez disso, estão prejudicando seus usuários, principalmente as crianças.

Em conjunto, o resultado dos processos, seja por meio de acordos extrajudiciais ou veredictos de júri contra as empresas, pode mudar para sempre a forma como as plataformas sociais operam.

"Isso criou um cenário que não só observadores jurídicos estão acompanhando, mas também reguladores e legisladores", disse Eric Talley, advogado e professor da Faculdade de Direito de Columbia.

Talley observa que a forma como essa crescente onda de processos contra as plataformas está influenciando a percepção pública mais ampla provavelmente afetará as eleições políticas nos próximos anos, impactando leis e regulamentos novos e revisados.

Muitos dos casos estão tramitando em tribunais da Califórnia, onde estão sediadas as principais plataformas de mídia social. Conhecido como o "efeito Califórnia", as mudanças legais e políticas implementadas no Estado tendem a levar a mudanças em todo o país.

"Não há mais como negar que existe um problema com a segurança infantil nas plataformas", disse Alexis Shore Ingber, especialista em direito da comunicação e professora da Universidade de Syracuse. "Estamos vendo um ponto de inflexão. Esses casos são significativos."

Este ano, a Meta e o YouTube sofreram uma derrota sem precedentes em um caso movido por uma jovem que alegou ter sido viciada em mídias sociais na infância, o que contribuiu para seus problemas de saúde mental e emocional. As empresas foram condenadas por um júri a pagar a ela um total de US$ 6 milhões (R$ 31 milhões) em indenização. Ambos os escritórios de advocacia disseram discordar do veredicto e pretendem recorrer.

A Meta também perdeu um caso maior no Novo México, movido pelo procurador-geral daquele Estado, que acusou a empresa de enganar o público ao afirmar que suas plataformas eram seguras para crianças, apesar dos problemas conhecidos de exploração sexual de jovens nelas. A Meta afirmou que também planeja recorrer dessa decisão.

Durante os anos em que esses casos foram apresentados e resolvidos, a Meta lançou mudanças em suas plataformas com o objetivo de torná-las mais seguras para jovens usuários.

Mas alterações mais amplas nas plataformas — em como elas são projetadas, funcionam e até mesmo são acessadas — provavelmente levarão anos e passarão por várias decisões judiciais desfavoráveis.

Entre este ano e o próximo, a Meta e as outras principais plataformas de mídia social enfrentarão mais julgamentos, nos quais os júris poderão considerar uma série de alegações de jovens usuários, seus pais, distritos escolares e procuradores estaduais, que alegam uma série de efeitos nocivos na forma como as plataformas de mídia social são projetadas e operam.

Até mesmo um bilionário está preparado para levar a Meta a julgamento por hospedar anúncios que enganam pessoas e roubam seu dinheiro.

Então, quais casos realmente importam? A BBC analisou dezenas de casos nos EUA para encontrar os poucos processos contra empresas de mídia social e jogos sociais que estão a caminho de julgamento no próximo ano ou mais e que podem ter um impacto significativo nos negócios e operações das plataformas.

De acordo com Adam J. Schwartz, um advogado que também fundou uma ferramenta online de revisão de documentos, os seguintes processos "são os casos emblemáticos que definirão o tom e o teor para moldar a lei no futuro".

Um dos processos contra empresas de redes sociais envolve mais de 1.000 escolas na Califórnia — Foto: Getty images via BBC

Um extenso litígio multidistrital (MDL, como é conhecido esse tipo de processo nos EUA) na Califórnia inclui alegações de mais de 1.000 distritos escolares no país.

De forma geral, as escolas acusam o Instagram, o YouTube, o Snapchat e o TikTok de serem intencionalmente projetados para serem viciantes, o que supostamente prejudicou crianças mental e emocionalmente por meio do uso excessivo das plataformas.

As escolas alegam que lidar com os efeitos nocivos das mídias sociais lhes custou dinheiro e recursos, e que as plataformas devem ser consideradas um "incômodo público" e responsabilizadas por afetar o bem-estar das crianças.

Embora um julgamento com júri para algumas das alegações dos distritos escolares esteja marcado para começar em fevereiro — depois que as plataformas recentemente fizeram um acordo com um distrito escolar que seria o primeiro a ser julgado —, todos os casos podem levar mais alguns anos para serem resolvidos completamente.

Caso os resultados dos tribunais sejam desfavoráveis ​​às plataformas, tudo, desde a forma como as plataformas exibem o engajamento do usuário até quem elas permitem nas plataformas, pode mudar.

Um porta-voz do YouTube disse: "As alegações nessas queixas simplesmente não são verdadeiras." Uma porta-voz do Snapchat disse: "Discordamos fundamentalmente das alegações — não temos como alvo escolas."

Na terça-feira (23/06), o YouTube chegou a um acordo com um jovem de 15 anos no Estado da Flórida, que tinha movido um processo semelhante contra a plataforma.

"Essa questão foi resolvida amigavelmente, e nosso foco continua voltado para o desenvolvimento de produtos adequados para cada faixa etária e controles parentais que cumpram essa promessa", declarou o porta-voz do Google, José Castañeda, em comunicado à BBC.

Advogados da Califórnia e do Colorado lideraram um grupo de 29 Estados ao entrar com uma ação judicial em 2023 contra a Meta e o Instagram. O julgamento está marcado para agosto.

Os Estados estão acusando a Meta de violações da Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças (COPPA), uma lei federal.

A lei, promulgada em 2000, foi criada para proteger crianças menores de 13 anos de serem alvo de empresas que operam online.

A Meta já forneceu mais de 2 milhões de documentos ligados a esse caso, de acordo com os registros do tribunal.

Os Estados querem que a Meta melhore seus mecanismos de controle para impedir que menores de 13 anos usem suas plataformas e remova os dados que coletou anteriormente de usuários menores de idade, além de uma série de outras mudanças.

A Meta usa esses dados para práticas como segmentação de anúncios e treinamento de seus modelos e ferramentas de inteligência artificial (IA).

Roblox e Discord enfrentam um processo judicial relacionado ao design e marketing de suas plataformas — Foto: AFP/Getty images/BBC

Este processo contra a Roblox e o Discord foi movido por um menino de 13 anos em um tribunal estadual em San Mateo, Califórnia. O menino alega que foi aliciado por um predador sexual por meio de ambas as plataformas. Posteriormente, o homem envolvido foi preso por seus crimes contra mais de duas dúzias de crianças.

O processo argumenta que ambas as plataformas foram projetadas com falhas e se envolveram em marketing enganoso sobre a segurança para usuários jovens e, portanto, devem ser responsabilizadas pelos danos sofridos pelo jovem cuja identidade não foi divulgada.

A Roblox, que é uma plataforma focada em jogos com muitos recursos de mídia social, e o Discord tentaram levar o caso para arbitragem, que é um processo legal privado fora do sistema judicial. O tribunal recusou, mas o caso está atualmente suspenso aguardando o recurso das empresas contra essa decisão.

Um veredicto judicial contra as plataformas pode trazer mudanças na restrição de idade e na capacidade de estranhos interagirem com usuários jovens por meio de mensagens e salas de bate-papo da plataforma.

Uma porta-voz do Discord se recusou a comentar. Um representante da Roblox não respondeu ao pedido de comentário.

Nem todos os casos contra plataformas de redes sociais que vão a julgamento têm a ver com danos contra crianças.

Andrew Forrest, um bilionário australiano, processou a Meta na Califórnia em 2022 pelo suposto fracasso da empresa em combater anúncios fraudulentos que enganam os australianos em investimentos falsos que supostamente proliferaram no Facebook usando seu nome e imagem.

Com alegações que incluem uso indevido de sua imagem e enriquecimento ilícito — porque a Meta ganha dinheiro com anúncios em sua plataforma —, independentemente do objetivo ou resultado, o processo de Forrest pode ser um dos mais significativos.

Ele está pedindo ao tribunal que determine que a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações não pode ser usada como defesa pela Meta no caso. Meta está argumentando que está protegida das reivindicações de Forrest pela Seção 230.

Promulgada em 1996, a Seção 230, como é normalmente chamada, essencialmente dá imunidade legal às plataformas para qualquer coisa que ocorra nelas.

Se o tribunal finalmente ficar do lado de Forrest, poderá derrubar décadas de defesas das plataformas online.

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O paradoxo dos impostos na América Latina: quem tem menos paga mais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 03:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%Oferecido por

Grosso da arrecadação na América Latina é bancado pelos mais pobres, aponta Oxfam — Foto: Eva Usi/DW

Ao priorizar a tributação do consumo em vez da renda, governos da região perpetuam a desigualdade, em vez de reduzi-la, apontam especialistas. Os impostos financiam escolas, hospitais, estradas e aposentadorias e, em teoria, também deveriam ajudar a diminuir as desigualdades. No entanto, na América Latina — uma das regiões mais desiguais do mundo —, os sistemas tributários parecem não cumprir esse papel.

"Na América Latina e no Caribe, a política fiscal arrecada pouco, de forma injusta, e aprofunda a extrema desigualdade", afirma a Oxfam em sua publicação Riqueza sem controle, democracia em risco: por que a América Latina e o Caribe precisam de um novo pacto fiscal. Segundo a organização internacional de combate à pobreza, "a estrutura tributária funciona de maneira contrária ao que deveria: desperdiça seu potencial de redistribuição e protege aqueles que mais têm".

Para Verónica Paz Arauco, diretora de programas da Oxfam na região, o resultado é evidente: "Hoje, quem sustenta o sistema tributário são, proporcionalmente, os que menos têm", afirma à DW.

"Os lares de baixa e média renda o financiam principalmente por meio de impostos sobre o consumo", explica. "Enquanto uma pessoa pertencente aos 50% mais pobres pode destinar cerca de 45% de sua renda ao pagamento de impostos, o 1% mais rico contribui com menos de 20%", critica.

O gráfico acima, que mostra a participação da arrecadação tributária no Produto Interno Bruto (PIB) dos países da América Latina e do Caribe, revela outra desigualdade: em comparação com os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), conhecida como o “clube dos países ricos”, a região arrecada significativamente menos impostos.

A diferença é ainda mais evidente quando comparada às nações que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHAD): Islândia, Dinamarca, Noruega, Suíça, Holanda, Bélgica, Finlândia, Alemanha, Irlanda e Suécia. Nesses países, a participação dos impostos no PIB supera 35% e chega a cerca de 45% na Dinamarca. As únicas exceções são a Suíça (27,2%) e a Irlanda (21,7%).

Boa parte da arrecadação fiscal na América Latina vem de impostos sobre o consumo, enquanto tributos sobre renda, lucros e patrimônio têm um peso muito menor. Em outras palavras, a região tributa mais o consumo do dia a dia do que as grandes rendas e fortunas.

"As famílias de menor renda têm menos poupança, por isso destinam proporcionalmente mais de sua renda ao consumo. Isso faz com que os impostos sobre o consumo tenham um efeito regressivo", explica, em entrevista à DW, Ricardo Cantú Calderón, pesquisador do Centro de Investigação Econômica e Orçamentária (CIEP), no México.

"A tributação se baseia em impostos que aprofundam a desigualdade", afirma à DW, no mesmo sentido, a economista María Julia Eliosoff, diretora de projetos econômicos da Fundação Friedrich Ebert na Argentina. Trata-se de "uma situação de injustiça muito clara", avalia.

No entanto, esse desequilíbrio não se explica apenas pelo fato de que quem tem menos destina uma parte maior de sua renda ao pagamento de impostos. Também pesa a forma como as rendas mais altas e o patrimônio são tributados — ou deixam de ser.

"Uma parte importante da renda das pessoas mais ricas vem do capital, que continua sendo insuficientemente tributado, e existem amplos benefícios fiscais", aponta Verónica Paz Arauco, da Oxfam.

Cantú Calderón, do CIEP, concorda e acrescenta que pessoas com grandes patrimônios podem recorrer a estratégias financeiras que lhes permitem obter tratamentos tributários mais favoráveis.

Mas aumentar a tributação sobre quem ganha mais não poderia desestimular o investimento e comprometer o crescimento, como argumentam alguns? Para Cantú, essa ideia “não tem muito fundamento”. “No curto prazo, os investidores reagem, mas no longo prazo isso se ajusta”, afirma.

A esse cenário soma-se outro desafio estrutural da região: a alta informalidade no mercado de trabalho. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), praticamente um em cada dois trabalhadores da América Latina e do Caribe (46,7%) atuava na informalidade no primeiro semestre de 2025.

"Essa situação limita a arrecadação, especialmente em impostos diretos e contribuições sociais, e empurra os Estados a depender mais de impostos indiretos como o IVA [Imposto sobre Valor Agregado de produtos e serviços]", afirma Arauco, da Oxfam.

O debate sobre quem paga impostos ganha outra dimensão quando se observa a concentração de riqueza.

A fortuna conjunta dos bilionários da América Latina e do Caribe chega a 622,9 bilhões de dólares — valor quase equivalente ao PIB combinado de Chile e Peru. Dados da Oxfam indicam ainda que, neste século, a riqueza desse pequeno grupo cresceu 16 vezes mais rápido do que a economia da região.

Arauco, da Oxfam, explica que a ausência de tributação — ou a tributação insuficiente — sobre a riqueza acumulada pelos mais ricos se reflete diretamente na falta de recursos para serviços públicos essenciais, como saúde, educação e sistemas de cuidado.

"A chave não é eliminar os impostos sobre o consumo, mas garantir que sejam os melhores possíveis", sustenta em entrevista à DW Julián Folgar, economista do Banco Mundial para a Argentina e professor de Finanças Públicas.

"Reformas que ampliem a base tributária, reduzam tratamentos preferenciais injustificados e melhorem o cumprimento das regras podem gerar ganhos simultâneos em equidade, eficiência e arrecadação", detalha.

O desafio para a América Latina, portanto, não é apenas arrecadar mais, mas construir sistemas tributários mais progressivos, capazes de reduzir as desigualdades sem comprometer o crescimento econômico. No fim, o debate não se resume a quanto arrecadar, mas também a quem paga essa conta.

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‘Guerra’ por ingressos para turnê do BTS vira pesadelo para fãs que caíram em golpes online

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 03:45

Tecnologia 'Guerra' por ingressos para turnê do BTS vira pesadelo para fãs que caíram em golpes online Como a demanda por ingressos supera a oferta em uma proporção de 15 para um, torcedores desesperados se tornaram alvos fáceis de golpistas. Por Virma Simonette Rivera

'Guerra' por ingressos para turnê do BTS vira pesadelo para fãs que caíram em golpes online — Foto: Big Hit Music

Quando a jovem indonésia Vevee entrou no Ticketmaster em 9 de junho, ela acreditava que sua espera de anos para ver o grupo BTS estava finalmente chegando ao fim.

Como milhões de fãs em todo o mundo, a jovem de 26 anos achava que estava pronta para a batalha que é conseguir ingressos online. Ela até tirou o dia de folga do trabalho.

A extensa turnê global do grupo faria uma parada em sua cidade — a capital da Indonésia, Jacarta — e, como fã de longa data, ela não conseguia imaginar perder isso.

Sentada diante do computador, com os olhos fixos no número da fila que definiria seu destino, Vevee esperou por horas. Quando chegou sua vez, recebeu a notícia de que os ingressos tinham se esgotado.

Mas houve um novo processo de venda. E ela tentou de novo, mas — de novo — sua sorte não mudou. "Parecia impossível porque a demanda era simplesmente absurda", diz à BBC.

Determinada a garantir seu lugar, Vevee encontrou uma conta revendendo ingressos no X e gastou US$ 1,2 mil em quatro assentos VIP. Isso equivale a cerca de dois meses do seu salário.

Mas logo depois pararam de responder. "Assim que enviei o dinheiro, sumiram. É horrível. Estou muito triste e de coração partido", diz a jovem de 26 anos.

Fãs desesperados no Sudeste Asiático, onde o BTS fará 15 dos 88 shows, perderam mais de US$ 100 mil enquanto golpistas se aproveitam da enorme demanda por ingressos.

Tem sido um mês de altos e baixos para os fãs da banda, que se autodenominam Army ("Exército").

Felizes em ver o BTS de volta aos palcos após a pandemia e um hiato de três anos, mas frustrados com a competição extremamente acirrada pelos ingressos, eles se tornaram alvos fáceis para golpistas.

Na Tailândia, parlamentares estão analisando uma petição feita por 126 fãs que foram enganados – eles querem ajuda para entrar em uma "fila de espera".

Golpistas também se infiltram em grupos de fãs online, prometendo acesso exclusivo ou preços mais baixos.

Assim que o dinheiro é transferido, eles desaparecem. Alguns chegam a oferecer "procurações" — geralmente usadas para transferir decisões legais a outra pessoa — para convencer as vítimas de que os ingressos são autênticos.

Essas são táticas conhecidas o suficiente para que as autoridades tenham emitido vários alertas. Mesmo assim, os fãs continuam sendo enganados.

A turnê, que começou em abril e vai até 2027, passará por 34 cidades. O BTS e sua gravadora Hybe poderão faturar quase US$ 2 bilhões com o retorno, vindos de shows, produtos, licenciamento, vendas de álbuns e receitas de streaming, disseram analistas à agência Reuters.

Em toda a Ásia, o número de pessoas disputando ingressos superou em 15 vezes a quantidade disponível, segundo a BBC.

Novas datas continuam sendo adicionadas devido à impressionante demanda. Na semana passada, Jacarta e Bulacan, nas Filipinas, confirmaram um terceiro show cada.

Quando a nova data foi anunciada, Vevee decidiu "brigar por esses ingressos novamente", mas por meios oficiais, ao contrário da última vez, quando o pânico falou mais alto, explica ela.

"Eu estava prestes a entrar em uma reunião de trabalho e estava com muito medo de que outra pessoa conseguisse os ingressos. Só queria transferir o dinheiro rapidamente para garantir", diz.

"Se eu tivesse parado um momento para me acalmar, talvez tivesse percebido os sinais de alerta."

Fãs do BTS colaram cartazes com os títulos de suas músicas favoritas antes do primeiro show de retorno em março na Coreia do Sul — Foto: Getty Images

Em Singapura, a polícia recebeu pelo menos 62 denúncias envolvendo ingressos para shows do BTS desde 1º de junho, com prejuízos de mais de 68 mil dólares de Singapura (cerca de R$ 270 mil).

A empresa de comércio eletrônico Carousell suspendeu a revenda de ingressos em sua plataforma, e a proibição ficará em vigor até 22 de dezembro, data do último show do BTS em Singapura.

Na semana passada, a polícia da Malásia disse ter recebido 28 denúncias de pessoas que afirmam ter sido enganadas ao tentar garantir ingressos. As autoridades estão tentando rastrear "contas laranja" envolvidas nas transações, segundo informaram.

Nos primeiros anos, os shows do BTS aconteciam principalmente na Coreia do Sul, Japão e nos EUA. À medida que a banda foi ficando mais famosa pelo mundo, a agenda de shows se expandiu para mais regiões da Ásia, Europa, Oriente Médio e América Latina.

Mas a atual Arirang World Tour é a primeira vez que o grupo realiza vários shows em cinco países do Sudeste Asiático — Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.

Os ingressos na região custam entre US$ 100 e US$ 300. O pacote mais caro inclui acesso à passagem de som antes do show, assentos premium e produtos do BTS.

Para fãs como Vevee — que acompanharam o grupo em seus altos, baixos e depois em sua ascensão meteórica — assistir à nova turnê é algo especial.

Vevee diz que tinha 14 anos quando descobriu o BTS, cerca de um ano após a estreia do grupo em 2013. Ela gostava da música, mas também dos sete integrantes — RM, Jin, Suga, J-Hope, V, Jimin e Jungkook — que descreve como "muito genuínos".

Em 2019, ela voou sozinha para Bangkok para assistir ao BTS em sua última turnê mundial. Ela conta que foi sua primeira viagem sozinha e que não conhecia ninguém no show, mas recebeu "muita ajuda" de outros fãs. "Foi realmente uma experiência inesquecível e maravilhosa."

Sete anos depois, quando soube que o BTS iria a Jacarta, começou a economizar. "Eu me preparei muito para conseguir esses ingressos, mas, sinceramente, não sou só eu. Todo army se prepara intensamente para isso."

Ela diz que alguns fãs alugaram computadores em cibercafés por uma semana inteira porque não podiam correr o risco de não conseguir um lugar no dia das vendas. Eles acreditam que as altas velocidades de conexão dos computadores poderiam aumentar suas chances.

"Na Indonésia, não estamos apenas lutando pela guerra dos ingressos", diz Vevee. "Lutamos para garantir o melhor cibercafé e até para alugar celulares de última geração. É uma guerra em todas as frentes."

"Agora que a parada nas Filipinas finalmente foi confirmada, depois do que parece uma eternidade, dói saber que pessoas que esperaram quase uma década podem não ter a chance de vê-los", escreveu um fã filipino no Threads.

"Alguns de nós não estão apenas tentando ir a um show. Estamos tentando finalmente ver as sete pessoas que apoiamos há anos."

Na semana passada, Juraluk Kunaruk apresentou uma queixa no Parlamento da Tailândia em nome de 126 vítimas, cada uma das quais transferiu centenas de dólares para o mesmo usuário do X dias antes da venda de ingressos.

O usuário havia prometido ajudar a conseguir bons lugares. Mas no dia em que as vendas começaram, a conta no X desapareceu.

"Eu vinha acompanhando essa conta há bastante tempo. Eles tinham muitas avaliações e seguidores, então pareciam confiáveis. Os preços também eram razoáveis", diz Juraluk, que perdeu 25 mil baht (US$ 760 ou R$ 3,9 mil) ao pagar pelo que achava serem pacotes VIP.

Nas últimas duas semanas, a jovem de 23 anos passou horas viajando de sua cidade natal até Bangkok para se reunir com parlamentares.

"Os deputados prometeram que vão tentar recuperar nosso dinheiro. Então ainda tenho esperança", diz.

Ela também não desistiu do show: "Ainda quero ir porque não sei quando terei outra oportunidade de vê-los".

Isso não é surpreendente, já que golpes afetaram shows extremamente populares no passado, incluindo a Eras Tour, de Taylor Swift. Alguns fãs pediram à produtora Live Nation e a seus parceiros de venda de ingressos que se esforcem mais para prevenir contra golpes.

A Ticketmaster, subsidiária da Live Nation responsável pela venda de ingressos da turnê do BTS em muitos países, diz que já "reforçou a luta contra cambistas e bots com nova tecnologia de IA e regras mais rigorosas".

Por exemplo, os ingressos serão verificados com base nos endereços de e-mail dos participantes, enquanto fãs com ingressos revendidos podem ser impedidos de entrar no dia do show.

Os fãs devem "comprar ingressos apenas por meio de fontes oficiais", disse uma porta-voz da Ticketmaster à BBC. "O site do artista sempre poderá orientar os fãs no caminho correto."

Mas fãs decepcionados parecem incapazes de resistir ao que parece ser uma última chance de conseguir ingressos.

Cookie, uma fã nas Filipinas, recorreu a uma pessoa que vendia ingressos depois de não conseguir comprá-los em duas ocasiões. Ela achava que tinha sido cuidadosa.

"Adicionei ela no Facebook, verifiquei a conta, o que estudou, de onde era", diz a atendente de suporte ao cliente de 30 anos.

"Assim como outras vítimas ouvidas pela BBC, Cookie não teve mais resposta após o pagamento: a golpista a bloqueou no Facebook, e ela nunca recebeu os ingressos."

"Eu me sinto envergonhada. Nem contei à minha família ou aos meus amigos mais próximos o que aconteceu", diz Cookie.

"Não quero ser julgada ou ouvir 'você é burra'. Foi um ato desesperado, porque eu realmente queria estar lá."

Vevee tentou novamente sabendo que seria "uma batalha difícil", porque o show mais recente em Jacarta acontece no aniversário de um dos integrantes, V.

Ela falhou na primeira tentativa na pré-venda na sexta-feira. "Parece que simplesmente todo mundo está tentando esse último show."

Ela e seus amigos se dividiram por Jacarta e "cada um tentou comprar ingressos de locais diferentes, usando diferentes conexões de internet e contas".

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O sucesso do PIX criou um problema? Por que ele passou a incomodar gigantes americanas?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 02:45

g1 explica O sucesso do PIX criou um problema? Por que ele passou a incomodar gigantes americanas? No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

O PIX entrou na mira do governo dos Estados Unidos em meio a discussões sobre o impacto do sistema brasileiro de pagamentos no mercado financeiro. O serviço permite transferências instantâneas e gratuitas, sem a necessidade de intermediários.

A expansão do PIX reduziu a participação de empresas que lucram com taxas cobradas em operações financeiras, como pagamentos com cartão. O setor é dominado por grandes companhias globais, muitas delas americanas.

Mas, além da disputa econômica, o debate envolve questões ideológicas e estratégicas. Por ser uma infraestrutura pública criada pelo Estado e amplamente adotada pela população, o PIX é apontado como um exemplo de alternativa aos sistemas tradicionais de pagamento e às redes financeiras que concentram parte do fluxo global de transações.

Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

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Mesmo eliminadas na fase de grupos, seleções faturam milhões na Copa do Mundo; veja quanto recebem

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 00:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,167-0,2%Dólar TurismoR$ 5,378-0,19%Euro ComercialR$ 5,884-0,08%Euro TurismoR$ 6,138-0,1%B3Ibovespa171.990 pts0,87%Oferecido por

16 seleções eliminadas na primeira fase da Copa do Mundo faturam milhões de dólares, mesmo sem avançar no torneio que inicia a segunda fase neste domingo (28).

Além da premiação, cada equipe classificada recebeu US$ 2,5 milhões para custear a preparação antes do torneio.

A Copa do Mundo de 2026 é disputada em 16 cidades espalhadas pelos Estados Unidos, México e Canadá.

Ricardo Ade, do Haiti , aplaude os torcedores após a partida — Foto: IMAGENS via Reuters/Jordan Godfree

A segunda fase da Copa do Mundo tem início neste domingo (28) com a primeira partida dos 16 avos de final. Das 48 seleções que entraram na competição, 16 foram eliminadas na primeira fase.

Mas se engana quem pensa que os times voltam para os seus países de mãos abanando. As equipes ainda faturam, mesmo tendo sido eliminadas.

Inicialmente, a Fifa havia divulgado que as equipes que fossem classificadas para o torneio, mas fossem eliminadas na fase de grupos, receberiam US$ 9 milhões (aproximadamente R$ 46,7 milhões). Contudo, em abril deste ano, a entidade informou que a quantia havia aumentado para US$ 10 milhões (R$ 51,77 milhões).

Além disso, todas as seleções classificadas para o Mundial tiveram direito a US$ 2,5 milhões (aproximadamente R$ 12,9 milhões) para custear a preparação antes do torneio.

Na prática, isso significa que nenhuma seleção deixará a competição com menos de US$ 12,5 milhões em receitas garantidas (R$ 64,7 milhões).

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A Copa do Mundo de 2026 é a primeira da história disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá. Ao todo, 16 cidades recebem partidas do torneio, a grande maioria nos EUA.

Estados Unidos: 78 jogos (incluindo todas as fases eliminatórias a partir das quartas de final e a grande final).México: 13 jogos (incluindo o jogo de abertura no Estádio Azteca).Canadá: 13 jogos.

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Copa do Mundo: veja quais capitais terão ponto facultativo ou expediente reduzido no jogo do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 28/06/2026 00:44

Trabalho e Carreira Copa do Mundo: veja quais capitais terão ponto facultativo ou expediente reduzido no jogo do Brasil Empresas privadas não são obrigadas a liberar funcionários durante as partidas. Confira quais capitais e estados decretaram ponto facultativo na próxima segunda-feira (29). Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

A classificação do Brasil para o mata-mata da Copa reacendeu a dúvida sobre a liberação do trabalho em dias de jogo. No setor privado, as empresas não são obrigadas a dispensar funcionários durante as partidas.

Para servidores federais, não haverá ponto facultativo, mas a portaria permite alterar o expediente com compensação de horas. Já estados e municípios podem adotar regras próprias.

Entre as capitais, parte decretou ponto facultativo ou reduziu o expediente, enquanto outras ainda não definiram como será o funcionamento na segunda-feira (29).

Se chegar à final, o Brasil ainda disputará quatro jogos em dias úteis, o que pode manter o tema em debate nas próximas fases da Copa.

A classificação da Seleção Brasileira para o mata-mata da Copa do Mundo de 2026 reacende uma dúvida comum entre trabalhadores: quem vai assistir ao jogo desta segunda-feira (29), às 14h, pode sair mais cedo do trabalho?

Na prática, a resposta depende do empregador. Apesar de muitas empresas flexibilizarem a jornada durante a Copa, a legislação não obriga a liberação dos funcionários durante as partidas da Seleção.

Por isso, trabalhadores precisam ficar atentos às regras da empresa para evitar descontos no salário, compensação de horas ou outras sanções (veja como funciona). Já para os servidores públicos, as regras variam conforme a esfera de governo.

No governo federal, a regra é diferente. Uma portaria do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autoriza, em caráter excepcional, a alteração do horário de trabalho nos dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.

Isso, porém, não significa que o governo federal tenha decretado ponto facultativo. Os órgãos federais deverão continuar funcionando normalmente, e a liberação dos servidores depende da organização de cada órgão, sem prejuízo da prestação dos serviços, especialmente dos considerados essenciais.

No jogo desta segunda-feira (29), marcado para as 14h, os servidores federais poderão deixar o trabalho a partir das 11h, desde que haja autorização do órgão e as horas não trabalhadas sejam compensadas entre 3 de agosto e 30 de setembro. Quem não fizer a compensação poderá ter desconto proporcional na remuneração.

Para servidores estaduais e municipais, as regras variam conforme a administração local. Estados e prefeituras podem decretar ponto facultativo, reduzir o expediente ou liberar os servidores mais cedo para acompanhar a partida, desde que haja norma específica.

Entre as 27 capitais brasileiras, 21 decretaram ponto facultativo ou reduziram o expediente na próxima segunda-feira. Outras quatro ainda não haviam divulgado como será o funcionamento das repartições públicas até a última atualização desta reportagem.

Aracaju (SE)Belém (PA)Belo Horizonte (MG)Brasília (DF)Campo Grande (MS)Cuiabá (MT)Fortaleza (CE)João Pessoa (PB)Macapá (AP)Manaus (AM)Natal (RN)Recife (PE)Rio Branco (AC)Rio de Janeiro (RJ)Salvador (BA)Palmas (TO)Porto Alegre (RS)Porto Velho (RO)São Paulo (SP)Teresina (PI)Vitória (ES)

No ponto facultativo, os órgãos públicos podem dispensar os servidores do trabalho sem prejuízo da remuneração, mantendo apenas os serviços considerados essenciais. A medida costuma ser adotada em dias úteis próximos a feriados ou em ocasiões específicas, como eventos de grande impacto nacional.

No setor privado, porém, o ponto facultativo não obriga as empresas a dispensarem seus funcionários. A decisão cabe a cada empregador.

A dúvida pode voltar a se repetir nas próximas fases da Copa. Se chegar até a final, o time comandado por Carlo Ancelotti vai disputar cinco jogos até a decisão do título. Desses, quatro estão marcados para dias úteis.

16 avos de final: 29 de junho (segunda-feira), às 14hOitavas de final: 5 de julho (domingo), às 17hQuartas de final: 11 de julho (sábado), às 18hSemifinal: 15 de julho (quarta-feira), às 16hFinal: 19 de julho (sábado), às 18h

🔍 O sábado é considerado dia útil tanto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quanto pela Constituição Federal. Por isso, as mesmas regras sobre jornada e liberação dos empregados também se aplicam às partidas disputadas nesse dia.

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