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Temor de super El Niño faz preço do café disparar e alta pode pesar no bolso dos consumidores
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Temor de super El Niño faz preço do café disparar e alta pode pesar no bolso dos consumidores
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/07/2026 10:50
Espírito Santo Temor de super El Niño faz preço do café disparar e alta pode pesar no bolso dos consumidores Alta nas bolsas internacionais é impulsionada pelo risco de quebra da próxima safra, menor oferta e especulação no mercado. Especialistas preveem impacto nos supermercados nos próximos meses. Por Paulo Ricardo Sobral, g1 ES e TV Gazeta
O temor com possíveis impactos do fenômeno climático El Niño na produção cafeeira fez disparar as cotações do café conilon e arábica nas bolsas internacionais.
Na Bolsa de Londres, a valorização do café conilon foi de quase 20%, enquanto o arábica subiu 30% na Bolsa de Nova York no mesmo período.
Na última segunda-feira (6), as cotações registraram alta de até 16% em um único dia, o equivalente a cerca de US$ 60 por saca de café.
O economista Guilherme Dietze explicou que os baixos estoques mundiais de café e a ameaça do super El Niño podem manter os preços altos nos supermercados.
O secretário Enio Bergoli informou que a pasta da Agricultura se reuniu com bancos para garantir estratégias de proteção e postergação de parcelas de crédito rural de produtores.
Os possíveis impactos do super El Niño sobre o clima já começaram a preocupar os produtores, especialmente de café, no Espírito Santo. O estado é um dos maiores produtores do Brasil e o primeiro em produção de conilon. O receio é de que o fenômeno reduza a safra do próximo ano.
A formação do fenômeno climático fez disparar as cotações do café conilon e do arábica nas bolsas internacionais no últimos dias. E esse movimento de alta pode chegar ao bolso dos consumidores nos próximos meses. Com risco de quebra na produção e menos produto no mercado, a tendência é de que os preços subam.
Na Bolsa de Londres, que é referência para o café conilon, a valorização foi de quase 20% em menos de um mês. Já na Bolsa de Nova York, que negocia o café arábica, a alta chegou a 30% no mesmo período.
Somente na última segunda (6), as cotações registraram uma das maiores altas da história, com avanço de até 16% em um único dia, o equivalente a cerca de US$ 60 por saca.
Segundo o vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Jorge Nicchio, três fatores explicam a disparada dos preços: o risco de impactos do El Niño na próxima safra; a produção atual menor do que a esperada; e a atuação de fundos financeiros no mercado internacional.
"Primeiro, se o El Niño vier vier numa intensidade grande, vai fazer um efeito de que a produção no próximo ano seja bem menor. O segundo motivo para a alta nos preços é a safra atual, que já está finalizando. O conilon teve uma queda expressiva, então vai ser uma safra menor do que o mercado estava precificando", explicou.
No Brasil, o fenômeno do super El Niño deve provocar mais chuvas na Região Sul e estiagem nas regiões Norte e Nordeste, além de aumentar a temperatura em praticamente todo o território nacional, principalmente entre novembro e janeiro.
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Grão de café é impactado pela seca, afetando a qualidade do fruto — Foto: Reprodução/TV Gazeta
"Se ele tem 100 sacas, ele vende 10 ou 15. Depois, vende mais 10 ou 15. Ele consegue fazer uma média de preço, o que é um preço bom no café dele", disse o vice-presidente.
Quem acompanha os preços nas prateleiras ainda consegue notar um alívio nos supermercados. A professora universitária Claudia Cavalcanti contou que, nas últimas semanas, até notou uma pequena redução no valor do café.
"Eu consumo bastante café e o que eu tenho observado é que, uns tempos atrás, o preço do café estava muito elevado, mas nas últimas semanas eu notei uma leve redução. Então, isso está facilitando bastante meu bolso", afirmou.
Essa sensação pode ser explicada pela alta expressiva do café ao longo de 2025. O produto chegou a subir 80% em 12 meses. Como estava muito alto, qualquer redução, mesmo que pequena, já causa um alívio no bolso. Assim, os consumidores têm uma ligeira sensação de preço baixo, mas num patamar ainda elevado.
Essa tendência deredução nos preços, no entanto, pode mudar. Para o economista Guilherme Dietze, o mercado mundial já enfrenta um cenário de baixa oferta e estoques reduzidos, situação que tende a pressionar ainda mais os preços caso o El Niño provoque perdas na produção.
"Estamos falando de um período de baixa oferta, de um estoque mundial mais baixo. E diante de um grande desafio que temos, que é o super El Ñino, que pode prejudicar bastante a safra, isso pode também reduzir a oferta, manter baixa para o mercado e, com isso, mantendo o preço alto nos supermercados", explicou.
Segundo o economista, caso o cenário climático se confirme, os efeitos devem ser sentidos de forma mais intensa no segundo semestre de 2026, à medida que as altas nas bolsas internacionais forem repassadas ao varejo. Os impactos podem seguir até 2027.
Enquanto isso, o governo do Espírito Santo já começa a discutir medidas para reduzir os impactos sobre os produtores. O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, informou que a pasta se reuniu com instituições financeiras para garantir estratégias de proteção aos agricultores.
"Os produtores que têm parcelas de crédito a vencer neste período de crise, já está acordado com os bancos de jogar essa parcela mais a frente, nas mesmas condições de contrato. Quem tem seguro, por exemplo, agricultura familiar, operação de custeios, que é o proágua, deve acionar o proágua. Também vamos lançar o nosso programa de crédito rural do Espírito Santo. A gente pega os dados do governo federal com as nossas linhas de crédito e vamos priorizar o financiamento dessas atividades mais resilientes", disse Enio Bergoli.
Efeitos do El Ñino podem reduzir a próxima safra e preços começam a subir — Foto: Reprodução/TV Gazeta
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