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Empreendedora cria marca que transforma guarda-chuva quebrado em moda e fatura R$ 200 mil por ano

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Empreendedora cria marca que transforma guarda-chuva quebrado em moda e fatura R$ 200 mil por ano

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 15:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Empreendedora cria marca que transforma guarda-chuva quebrado em moda e fatura R$ 200 mil por ano Marca de Petrópolis, no Rio de Janeiro, transforma resíduos em moda consciente e gera renda. Ideia surgiu na faculdade, começou com R$ 400, atualmente produz 150 peças por mês e aposta em moda circular. Por PEGN

A designer Juliana Pinto criou uma marca que transforma guarda-chuvas descartados em jaquetas corta-vento, bolsas e acessórios exclusivos.

O que antes iria para o lixo hoje vira peça única, vendida online para um público jovem e engajado.

A história começou em 2017, quando Juliana cursava Design de Moda e recebeu o desafio de criar uma marca sustentável do zero.

Em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, sair com guarda-chuva mesmo em dia de sol não é exagero. No verão, a chuva é frequente — e foi justamente essa realidade que inspirou uma ideia inovadora de moda consciente.

A designer Juliana Pinto criou uma marca que transforma guarda-chuvas descartados em jaquetas corta-vento, bolsas e acessórios exclusivos, unindo sustentabilidade, design autoral e geração de renda.

O que antes iria para o lixo hoje vira peça única, vendida online para um público jovem e engajado.

A história começou em 2017, quando Juliana cursava Design de Moda e recebeu o desafio de criar uma marca sustentável do zero. Sem saber por onde começar, recorreu à mãe, Mara Pereira, que sempre teve afinidade com reciclagem.

“Ela tinha capas de chuva e tecidos de guarda-chuva sem a ferragem. Pensei: por que não fazer um casaco com esse material?”, conta Juliana.

Moradora de Petrópolis, cidade onde guarda-chuvas quebrados são facilmente encontrados após temporais, a designer viu ali uma oportunidade. O primeiro modelo surgiu como trabalho acadêmico — e chamou tanta atenção que professores e colegas começaram a pedir novas peças.

Com R$ 400 de investimento inicial, Juliana produziu alguns casacos para testar a aceitação. Levou as peças para uma feira local e o resultado foi imediato: tudo foi vendido no mesmo dia.

“Eu fazia faculdade, estagiava e ainda conseguia produzir um casaco por dia. Levei para a feira num domingo e voltei sem nenhuma peça”, lembra.

Pouco depois, a mãe entrou oficialmente no negócio. Hoje, Mara é responsável por cortar, costurar, lavar, desmontar e preparar os tecidos reutilizados.

Cada jaqueta pode usar até quatro guarda-chuvas, dependendo do tamanho e da combinação de cores. Nada é padronizado — e isso virou um diferencial.

“São peças que não têm ninguém igual no mundo usando. Isso agrega valor e aumenta o ticket médio”, explica Juliana.

A marca lança coleções a cada dois meses, produz cerca de 150 casacos por mês e vende exclusivamente pela internet, usando ensaios fotográficos e redes sociais para divulgar os produtos.

O público é formado, principalmente, por jovens que gostam de arte, moda e sustentabilidade — e que buscam algo diferente.

“Todo mundo pergunta de onde veio a peça. Chama muita atenção”, conta o modelo Eli Tavares, que participa dos ensaios da marca.

Parte dos guarda-chuvas usados na produção vem da Coleta Seletiva de Petrópolis, em parceria com a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (COMDEP).

Segundo a presidente da companhia, Fernanda Ferreira, a cidade recolhe entre 100 e 120 toneladas de resíduos por mês. Desse total, cerca de 200 guarda-chuvas são doados mensalmente para a marca.

“O que não serve para um vira geração de trabalho e renda para outras pessoas. É um trabalho muito rico”, afirma.

Após a coleta, os guarda-chuvas passam por triagem, lavagem, desmontagem e seleção de tecidos. A costura final é feita por profissionais parceiras, como Sheila Regina, que destaca o caráter artesanal do processo.

“Não é produção em larga escala. É um trabalho delicado, que mostra que muita coisa pode ser reaproveitada”, diz.

A iniciativa ganha ainda mais relevância em um setor conhecido pelo alto impacto ambiental. A indústria da moda é considerada a segunda mais poluente do mundo, segundo organismos internacionais.

“A gente pega algo que iria para o lixo e transforma em uma nova peça. Tudo já está aqui, só precisamos mudar o olhar”, resume Juliana.

Hoje, a marca fatura cerca de R$ 200 mil por ano — e os planos são ambiciosos. “Não quero fama. Quero que a marca cresça e se espalhe pelo mundo. A gente precisa de uma moda mais consciente", completa.

Em Petrópolis, guarda-chuvas quebrados ganharam uma segunda chance — e provaram que criatividade, sustentabilidade e empreendedorismo podem caminhar juntos.

Mais do que moda, o trabalho de Juliana costura consciência ambiental, afeto e novos futuros, mostrando que pequenas mudanças podem, sim, gerar grandes impactos.

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