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Investigado pela PF, fundador deixou a Reag em meio a apurações; veja quem controla hoje a gestora

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Investigado pela PF, fundador deixou a Reag em meio a apurações; veja quem controla hoje a gestora

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 22:46

Economia Negócios Investigado pela PF, fundador deixou a Reag em meio a apurações; veja quem controla hoje a gestora O Banco Central decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM. Por Micaela Santos, Janize Colaço, g1 — São Paulo

Alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o fundador e então presidente do conselho de administração do grupo Reag, João Carlos Falbo Mansur, formalizou sua saída da companhia em setembro do ano passado, em meio ao avanço das investigações.

Nesta quinta-feira (15), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa que faz a gestão dos fundos no grupo da Reag Investimentos.

Em nota, o BC alegou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”. A Reag é investigada em duas operações da PF, incluindo envolvimento com o escândalo do Banco Master.

O “desmonte” da ReagVenda do controle para a Arandu PartnersEfeitos da liquidação da CBSF DTVMSuposto envolvimento com o Banco Master

Em setembro do ano passado, a Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e saiu da bolsa após o avanço das investigações da Polícia Federal, que apontaram o suposto uso da Reag Investimentos em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O cancelamento do registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovado em outubro de 2025, transformou a holding em empresa de capital fechado. À época, a companhia afirmou que a decisão fazia parte de um processo de reorganização societária.

O movimento ocorreu após a deflagração da megaoperação contra o crime organizado no setor de combustíveis, a Carbono Oculto, que incluiu mandados de busca na sede da empresa, a saída do fundador e de outros executivos, e a venda do controle da Reag Investimentos.

Nesse processo, deixaram seus cargos Altair Tadeu Rossato, que era conselheiro independente e membro do comitê de auditoria, e Fabiana Franco, que renunciou ao posto de diretora financeira.

Segundo a PF, a gestora teria sido usada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos do PCC.

Em nota publicada em outubro, a Reag Capital Holding negou qualquer envolvimento em irregularidades ou com organizações criminosas, afirmou atuar dentro da lei e das regras do sistema financeiro, e garantiu que os fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.

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Em setembro de 2025, João Carlos Falbo Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital da companhia em uma transação estimada em R$ 100 milhões.

A participação vendida pertencia à Reag Asset Management Ltda. e ao Reag Alpha Fundo de Investimento em Ações, integrantes do antigo Grupo Reag. Com a venda, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, enquanto Mansur deixou oficialmente a administração.

A transação foi divulgada à CVM e marcou a saída da Reag Investimentos do controle anterior. Desde dezembro de 2025, a gestora opera na bolsa brasileira sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3.

Dentro do grupo, a Reag Trust DTVM, depois rebatizada como CBSF DTVM, era a empresa responsável por administrar fundos e executar operações financeiras, sempre sob fiscalização do Banco Central.

O grupo Reag também incluía a CiabraSF, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, que teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner em 6 de janeiro, por meio de uma oferta pública de aquisição de ações.

Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos — Foto: Reprodução/Instagram

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial.

"O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, afirmou.

Bolico explicou ainda que o liquidante nomeado pelo BC vai convocar uma assembleia para transferir esses fundos para outra administradora saudável.

"Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado", disse.

O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que significa que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.

A situação da Reag se agravou com seu envolvimento na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Segundo as apurações, a gestora teria atuado como parceira do banco na estruturação e administração de fundos usados em operações consideradas atípicas, incluindo a circulação de recursos entre fundos e o próprio banco.

A Polícia Federal apura se esses mecanismos teriam sido usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao Banco Master. João Carlos Mansur foi um dos alvos das buscas.

A Reag também aparece em outra investigação, a Operação Carbono Oculto, que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis.

Nesse caso, a empresa é citada como prestadora de serviços a fundos que, segundo a Receita Federal, teriam sido usados para ocultação de patrimônio da facção.

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