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Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda

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Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 07:07

Agro Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda Governo brasileiro proibiu importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial, mas medida não vai gerar falta de amêndoa e nem impactar preço. Entenda quando o chocolate pode baratear. Por Paula Salati

A indústria de chocolate comprou o cacau com meses de antecedência, quando os preços internacionais ainda estavam em patamares recordes.

A queda do preço do cacau para produtores é atribuída à recuperação das colheitas e à menor demanda da indústria de confeitaria.

Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado o momento para aumentar os seus lucros.

O governo suspendeu a importação de cacau da Costa do Marfim, mas analistas não preveem falta do produto no Brasil.

A expectativa é que os preços do chocolate para o consumidor final comecem a cair a partir do segundo semestre deste ano.

Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE.

No campo, as cotações do cacau já estão em queda, mas as amêndoas usadas pela indústria na produção dos ovos foram compradas quando os preços ainda batiam recordes de alta no mercado internacional, explica o analista da StoneX, Lucca Bezzon.

Nesta semana, o governo brasileiro decidiu suspender a importação de cacau da Costa do Marfim, principal fornecedor do Brasil e maior produtor mundial.

Mas, segundo Bezzon, a medida não deve provocar falta de amêndoas nem pressionar os preços no Brasil, principalmente porque a demanda da indústria por cacau está enfraquecida.

Além disso, o mercado brasileiro é abastecido majoritariamente pela produção nacional, recorrendo à importação de amêndoas de forma sazonal, sobretudo no início do ano, durante a entressafra, diz o analista.

"E, no caso de o Brasil precisar de cacau, pode recorrer ao Equador, que está com uma grande safra", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.

por que o chocolate está caro e quando vai baixar;o que motivou a disparada de preço;por que o preço do cacau caiu no campo.

O preço do cacau pago ao agricultor começou a cair no campo no ano passado, mas a queda ainda não chegou ao consumidor. Segundo Bezzon, isso ocorre porque a indústria trabalha com compras antecipadas da matéria-prima.

"As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras com uma antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista.

“Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor já caiu para cerca de US$ 3 mil.”

Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar os seus lucros.

"A indústria de chocolate passou por anos de margens apertadas devido ao déficit global de cacau e, agora, está priorizando a recuperação de suas margens de lucro antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.

Segundo ele, a queda de preço no supermercado deve acontecer a partir do segundo semestre deste ano.

Bezzon, da StoneX Brasil, tem uma visão semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz.

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Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. — Foto: Unsplash/ Tetiana Bykovets

O preço alto do chocolate na prateleira ainda é resultado de uma forte diminuição da colheita de cacau que aconteceu no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024.

Os países produtores sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças.

A indústria brasileira conta, principalmente, com as amêndoas nacionais para produzir chocolate, mas recorre aos países africanos para suprir parte da sua demanda.

"Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram até mais rápido do que os preços internacionais em 2024", diz Bezzon.

"As regiões de maior poder aquisitivo, como a Europa e os Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados", destaca.

Em janeiro de 2025, o preço do cacau chegou a US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, considerando a média mensal. Um ano antes, a cotação girava em torno de US$ 4 mil por tonelada.

Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente depois de julho, puxados por uma recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo.

"Além disso, o volume de importação começou a crescer com a queda do dólar", acrescenta.

O analista da StoneX Brasil tem uma visão diferente. Para ele, "a queda de preços no Brasil é muito mais por falta de demanda do que realmente por uma recuperação da produção".

"A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança estrutural nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma.

"Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras (processadoras) também reduziram as compras de amêndoas, fazendo os preços no Brasil despencarem", destaca.

Na Bahia, por exemplo, os agricultores estão recebendo R$ 200, em média, pela arroba do cacau, valor 70% abaixo do que há um ano, segundo reportagem do Globo Rural (veja vídeo no final da reportagem).

A situação tem gerado protestos. No dia 18 de fevereiro produtores rurais interditaram, mais uma vez, a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os preços baixos do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países.

A resposta veio dias depois. Nesta semana, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças.

Segundo o governo, esse risco existe porque há uma "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné – que não têm autorização para exportação para o Brasil – estariam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional.

"Se de fato isto está acontecendo, começamos a correr risco sanitário da amêndoa que entra no Brasil. […] Tem que ter certeza do que está entrando, para não ter risco de trazer doença para a nossa cultura cacaueira", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à GloboNews na sexta-feira (27).

Carlos Cogo diz que a decisão do governo é "soberana" e que "deve ser respeitada", mas interpreta a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços domésticos.

Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que, atualmente, há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção.

“Hoje, não existe incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta.

Em 2025, a produção brasileira de cacau alcançou 186.137 toneladas, enquanto as importações chegaram a 42.199 toneladas, segundo dados da StoneX Brasil.

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