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Ataques no Oriente Médio travam rotas de petróleo e disparam preços no mercado

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 23:28

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%Oferecido por

Os preços do petróleo registraram forte alta no início das negociações após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. A ofensiva militar e os contra-ataques retaliatórios contra instalações americanas e israelenses provocaram interrupções imediatas na cadeia global de suprimento de energia.

O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, alcançava na abertura asiática o valor de US$ 78,34 (cerca de 7,5% de alta). O WTI, produzido nos Estados Unidos, também avançava: aproximadamente 7,3%.

Investidores temem que o fornecimento de petróleo do Oriente Médio sofra uma redução drástica, ou até seja interrompido, especialmente devido às tensões no Estreito de Ormuz. Ataques contra embarcações na região já limitam a capacidade de exportação de vários países.

A área do golfo de Omã é vista como a principal preocupação do mercado, por concentrar cerca de 20% de toda a circulação de petróleo no mundo. Embora o canal não tenha sido oficialmente fechado, diversos petroleiros se acumulam na região devido ao risco elevado de ataques e ao encarecimento dos seguros.

Uma tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã — Foto: Raheb Homavandi/File Photo/Reuters

Especialistas da Rystad Energy, ouvidos pela Associated Press, estimam que até 15 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado mundial caso o tráfego no Estreito permaneça paralisado. Segundo Jorge León, vice-presidente da consultoria, o acesso às rotas de exportação tornou-se um fator mais crítico que as metas nominais de produção.

Na tentativa de conter a escalada da crise, oito países integrantes da OPEP+ anunciaram um aumento na oferta de petróleo bruto. O grupo pretende elevar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, incluindo contribuições de nações como Arábia Saudita, Rússia e Iraque.

No campo político, Donald Trump afirmou que o conflito militar na região pode se prolongar até que todos os objetivos militares dos EUA sejam atingidos O Irã exporta cerca de 1,6 milhão de barris diários, principalmente para a China, que poderá precisar buscar fontes alternativas caso as vendas iranianas sejam interrompidas — o que pressionaria ainda mais os preços globais de energia.

Analistas ouvidos pela Reuters comparam o cenário atual ao embargo do petróleo nos anos 1970, quando os preços dispararam 300%. Uma alta prolongada pode reacender pressões inflacionárias em escala global e prejudicar consumo e atividade econômica.

O choque no setor de energia teve reflexos imediatos em bolsas internacionais. Os mercados de Nova York e Tóquio abriram em queda, enquanto o ouro subia impulsionado pela busca de proteção em ativos considerados mais seguros.

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Petróleo sobe 10% por conflito no Irã e pode atingir US$ 100 por barril

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 14:52

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O petróleo do tipo Brent, referência internacional, avançou 10% neste domingo no mercado de balcão, alcançando cerca de US$ 80 por barril, segundo operadores do setor.

Analistas passaram a projetar que a cotação pode chegar a US$ 100 após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que ampliaram o conflito no Oriente Médio.

Na sexta-feira, o Brent já havia fechado a US$ 73 por barril, o maior nível desde julho. A alta vinha sendo impulsionada pela preocupação com a possibilidade de ataques, que se confirmaram no dia seguinte.

👉 O mercado futuro, onde são negociados contratos com liquidação em datas posteriores, permanece fechado durante o fim de semana.

"Embora os ataques militares sejam, por si só, favoráveis aos preços do petróleo, o fator-chave aqui é o fechamento do Estreito de Ormuz", disse Ajay Parmar, diretor de energia e refino da ICIS.

Segundo fontes do mercado, após Teerã alertar embarcações sobre a travessia, a maioria dos armadores de petroleiros, grandes companhias de petróleo e empresas comerciais interrompeu o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz. Mais de 20% do petróleo consumido globalmente passa por essa rota.

"Esperamos que os preços abram (após o fim de semana) muito mais próximos de US$100 por barril e talvez excedam esse nível se houver uma interrupção prolongada no Estreito", disse Parmar.

A analista Helima Croft, do RBC, afirmou que líderes do Oriente Médio alertaram Washington de que uma guerra contra o Irã pode levar o barril a superar US$ 100. Já o Rabobank tem uma projeção menos intensa, mas ainda prevê preços acima de US$ 90 por barril no curto prazo, descrevendo sua visão como menos "altista".

No domingo, a Opep+ — grupo que reúne países produtores de petróleo e aliados — decidiu elevar a produção em 206.000 barris por dia (bpd) a partir de abril. Esse acréscimo representa menos de 0,2% da demanda global.

De acordo com Jorge Leon, economista de energia da Rystad, mesmo que parte do fluxo seja redirecionada por rotas alternativas, como o oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita e o oleoduto de Abu Dhabi, um eventual fechamento do Estreito de Ormuz retiraria entre 8 milhões e 10 milhões de bpd da oferta global.

A Rystad estima que, na reabertura do mercado, os preços possam subir US$ 20, alcançando cerca de US$ 92 por barril.

A crise também levou governos e refinarias da Ásia a revisar estoques e buscar rotas e fontes alternativas de abastecimento.

Em um webinar no domingo, analistas da Kpler disseram que a Índia pode recorrer ao petróleo russo para compensar uma eventual redução de fornecimento do Oriente Médio.

Uma tocha de gás em uma plataforma de produção de petróleo nos campos de petróleo de Soroush é vista ao lado de uma bandeira iraniana no Golfo Pérsico, no Irã — Foto: Raheb Homavandi/File Photo/Reuters

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Calor pode comprometer produção de alface em muitas regiões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 07:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Calor pode comprometer produção de alface em muitas regiões Estudo da Embrapa aponta que 97% do país pode ter alto risco climático para o cultivo no verão até o fim do século Por Nosso Campo, TV TEM

O cultivo de alface no Brasil enfrenta sérios desafios devido ao aumento das temperaturas, impactando diretamente a qualidade e produtividade da hortaliça.

Um estudo da Embrapa projeta que 97% do território nacional terá alto risco climático para a alface no verão até 2100, intensificando problemas como a "queima de borda".

Agricultores, como Damião dos Reis Freitas e Luiz Herculano Zampollo, implementam medidas como sombreamento e regas frequentes para proteger as plantações do calor excessivo.

Mudanças climáticas preocupam e afetam a produção de alface no interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Suas folhas são finas, sensíveis e se desenvolvem melhor em temperaturas amenas. A alface, uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros, enfrenta cada vez mais dificuldades para crescer em meio ao aumento das temperaturas.

Em Guapiaçu (SP), o agricultor Damião dos Reis Freitas vem sentindo na produção essa mudança climática. Ele começou a plantar no início da década de 1990 e afirma que, de lá para cá, a elevação das temperaturas tem causado impactos. Com os verões mais longos e intensos, está tendo que adaptar a rotina da lavoura para evitar prejuízos.

De acordo com um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas representa uma ameaça significativa ao cultivo de alface no Brasil, principalmente nas produções a céu aberto.

O estudo mostra que, entre 2071 e 2100, ainda em um cenário considerado otimista, 97% do território nacional poderá apresentar risco climático alto ou muito alto para o plantio da hortaliça durante o verão.

Segundo o engenheiro ambiental Carlos Eduardo Pacheco, da instituição, a alface é uma cultura sensível ao estresse térmico, e temperaturas elevadas comprometem tanto a qualidade quanto a produtividade.

No campo, os efeitos já são sentidos. No verão, a chamada “queima de borda” se torna mais frequente. Com excesso de calor e umidade, as folhas crescem rapidamente, mas o transporte de cálcio na planta é prejudicado, provocando manchas escuras nas extremidades e perda de qualidade comercial.

Na busca por amenizar esse cenário, os produtores procuram alternativas para reduzir os impactos. O produtor Damião, por exemplo, passou a cobrir os canteiros com uma lona específica durante o verão para manter a umidade do solo e diminuir a intensidade direta do sol. Também aumentou a frequência das regas ao longo do dia para amenizar o estresse das plantas.

Outro agricultor da região, Luiz Herculano Zampollo, decidiu investir em uma estrutura de sombreamento após registrar perdas de até 45% da produção nos meses mais quentes.

Atualmente, ele cultiva alface em bandejas no sistema hidropônico, dentro de estufas, mas afirma que o calor intenso ainda representa um desafio e que pretende aprimorar o ambiente para garantir maior estabilidade na produção.

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Produtores colhem a safra do tomate

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 07:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Produtores colhem a safra do tomate Produtores de Tabatinga e Pirajuí (SP) preveem uma safra de tomate mais vigorosa, apesar do calor intenso nas estufas, que pode abortar flores. Por Nosso Campo, TV TEM

Produtores de Tabatinga e Pirajuí (SP) preveem uma safra de tomate mais vigorosa, apesar do calor intenso nas estufas, que pode abortar flores.

O cultivo em estufas e o controle biológico rigoroso garantem tomates orgânicos, vendidos por até R$ 7/kg no mercado paulista.

O produtor Bruno Henrique Marcato aposta no tomate por ser "mais resistente a viroses que o pepino", buscando uma renda razoável com a cultura.

Produtores de Tabatinga e Pirajuí (SP) preveem uma safra de tomate mais vigorosa, apesar do calor intenso nas estufas, que pode abortar flores. — Foto: Reprodução/TV TEM

A safra de tomates anima o produtor Luciano Donizete Capana, de Tabatinga (SP), que observa um desenvolvimento promissor em sua lavoura. "A gente já tem uma expectativa positiva. As plantas este ano parecem estar mais vigorosas, então arriscamos dizer que teremos uma produção melhor do que a da safra passada", diz.

Luciano cultiva 20 mil pés de variedades como salada, italiano e grape, todos em estufas para garantir mais qualidade e proteção contra clima e pragas. Contudo, o sistema enfrenta um grande desafio no verão, o calor excessivo.

"Dentro da estufa, a temperatura chega a 48, 50 graus no pico do dia. Com isso, as flores abortam, o que reduz a produção das plantas", explica.

Na safra passada, a produtividade foi afetada por um verme, mas o problema foi solucionado com um controle biológico rigoroso. Essa abordagem se alinha à sua produção orgânica, sem defensivos químicos, que agrega valor e permite vender o quilo do tomate por até R$ 7 para o mercado da capital paulista.

Seguindo a mesma tendência, o produtor Bruno Henrique Marcato, de Pirajuí (SP), também está investindo no tomate. Com experiência em pepino e pimentão, ele agora cultiva 6 mil pés do tipo italiano em estufa, atraído pela rusticidade da cultura.

"O tomate é mais resistente a viroses que o pepino, e o trato cultural é um pouco mais simples que o do pimentão. Acredito que possa gerar uma renda razoável", avalia.

Os resultados já são visíveis. Os pés estão bonitos e carregados, prontos para a colheita. Uma técnica crucial para garantir a longevidade do fruto é colhê-lo quando ainda apresenta uma coloração mais verde.

Isso assegura que ele resista ao transporte e chegue com a qualidade exigida pelos compradores. Com parceiros já estabelecidos, Bruno visa um preço mínimo de R$ 50 por caixa.

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Plantio de figo atrai produtores do Sudoeste de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 07:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Plantio de figo atrai produtores do Sudoeste de SP Safra do figo enfrenta chuvas antecipadas, mas produtores apostam em manejo e qualidade para garantir produtividade na região. Por Nosso Campo, TV TEM

A safra de figo na região de Itapetininga (SP) enfrenta desafios devido às chuvas antecipadas, exigindo estratégias dos produtores.

Agricultores como José Ronaldo Serigioli e Daniel Nache adotam medidas como uso de cal e colheita diária para proteger a produção.

Apesar das dificuldades climáticas, a expectativa é colher toneladas de figo até maio, com foco na qualidade para competir no mercado.

Chuva antecipada desafia produtores de figo na região de Itapetininga (SP) — Foto: Reprodução/TV TEM

Um fruto pequeno e muito versátil para vários cardápios, que vão desde doces até mesmo combinações salgadas. O figo tem uma boa produção na região de Itapetininga (SP). A safra começou em dezembro e segue até abril e início de maio. Porém, a chuva que veio cedo em 2026 tem afetado um pouco a hora de colher os frutos e tem exigido estratégias para não ter prejuízo.

José Ronaldo Serigioli, que há quatro anos cultiva figo em sua propriedade, acorda às 5h da manhã para fazer a colheita, que é feita duas vezes na semana, de maneira manual. É uma das fontes de renda da família, que vende frutas na feira livre da cidade. São 200 pés em uma área de 2 mil metros.

Uma das maneiras que José Ronaldo encontrou foi colocar cal nas figueiras para fortalecer a plantação. Mesmo com as dificuldades que o clima vem causando, ele tem expectativa de colher aproximadamente duas toneladas até o início de maio. A preocupação é manter uma produção uniforme, apesar das condições climáticas desfavoráveis.

Em Alambari (SP), a realidade é idêntica. Nos quatro mil metros quadrados do produtor Daniel Nache, ele produz 500 pés de figo e espera colher 7,5 toneladas até maio. O produtor sabe que terá que lidar com o volume maior de chuva. Uma maneira que ele também encontrou para não perder o fruto é realizar uma colheita diária e adubação.

Dados da Produção Agrícola Municipal apontam que, em 2024, o município registrou produtividade de 17 toneladas por hectare. Ainda assim, produtores afirmam que o principal desafio é enfrentar a concorrência de outras regiões e do mercado externo, apostando na qualidade para fidelizar o consumidor.

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Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 07:07

Agro Preço do cacau cai no campo, mas chocolate seguirá caro na Páscoa; entenda Governo brasileiro proibiu importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial, mas medida não vai gerar falta de amêndoa e nem impactar preço. Entenda quando o chocolate pode baratear. Por Paula Salati

A indústria de chocolate comprou o cacau com meses de antecedência, quando os preços internacionais ainda estavam em patamares recordes.

A queda do preço do cacau para produtores é atribuída à recuperação das colheitas e à menor demanda da indústria de confeitaria.

Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado o momento para aumentar os seus lucros.

O governo suspendeu a importação de cacau da Costa do Marfim, mas analistas não preveem falta do produto no Brasil.

A expectativa é que os preços do chocolate para o consumidor final comecem a cair a partir do segundo semestre deste ano.

Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE.

No campo, as cotações do cacau já estão em queda, mas as amêndoas usadas pela indústria na produção dos ovos foram compradas quando os preços ainda batiam recordes de alta no mercado internacional, explica o analista da StoneX, Lucca Bezzon.

Nesta semana, o governo brasileiro decidiu suspender a importação de cacau da Costa do Marfim, principal fornecedor do Brasil e maior produtor mundial.

Mas, segundo Bezzon, a medida não deve provocar falta de amêndoas nem pressionar os preços no Brasil, principalmente porque a demanda da indústria por cacau está enfraquecida.

Além disso, o mercado brasileiro é abastecido majoritariamente pela produção nacional, recorrendo à importação de amêndoas de forma sazonal, sobretudo no início do ano, durante a entressafra, diz o analista.

"E, no caso de o Brasil precisar de cacau, pode recorrer ao Equador, que está com uma grande safra", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.

por que o chocolate está caro e quando vai baixar;o que motivou a disparada de preço;por que o preço do cacau caiu no campo.

O preço do cacau pago ao agricultor começou a cair no campo no ano passado, mas a queda ainda não chegou ao consumidor. Segundo Bezzon, isso ocorre porque a indústria trabalha com compras antecipadas da matéria-prima.

"As fabricantes de chocolate compram a manteiga e o pó de cacau das moageiras com uma antecedência de 6 a 12 meses", diz o analista.

“Para a produção dos chocolates desta Páscoa, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada pelos subprodutos do cacau. Hoje, esse valor já caiu para cerca de US$ 3 mil.”

Enquanto o produtor recebe menos pelo cacau e o consumidor paga mais pelo chocolate, a indústria tem aproveitado esse momento para aumentar os seus lucros.

"A indústria de chocolate passou por anos de margens apertadas devido ao déficit global de cacau e, agora, está priorizando a recuperação de suas margens de lucro antes de repassar qualquer redução ao consumidor", diz o sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo.

Segundo ele, a queda de preço no supermercado deve acontecer a partir do segundo semestre deste ano.

Bezzon, da StoneX Brasil, tem uma visão semelhante. "Se os preços internacionais e domésticos do cacau se mantiverem baixos, haverá uma normalização gradual ao longo do ano", diz.

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Na prévia da inflação de fevereiro, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26%, em 12 meses, segundo o IBGE. — Foto: Unsplash/ Tetiana Bykovets

O preço alto do chocolate na prateleira ainda é resultado de uma forte diminuição da colheita de cacau que aconteceu no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024.

Os países produtores sofreram com o El Niño, que provocou secas e excesso de chuvas no momento errado, além de pragas e doenças.

A indústria brasileira conta, principalmente, com as amêndoas nacionais para produzir chocolate, mas recorre aos países africanos para suprir parte da sua demanda.

"Sem essas duas fontes de fornecimento, os preços domésticos subiram até mais rápido do que os preços internacionais em 2024", diz Bezzon.

"As regiões de maior poder aquisitivo, como a Europa e os Estados Unidos, competiram pelo pouco cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados", destaca.

Em janeiro de 2025, o preço do cacau chegou a US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, considerando a média mensal. Um ano antes, a cotação girava em torno de US$ 4 mil por tonelada.

Ainda no ano passado, os preços do cacau começaram a cair para o produtor, principalmente depois de julho, puxados por uma recuperação das colheitas no Brasil e em países africanos, diz Cogo.

"Além disso, o volume de importação começou a crescer com a queda do dólar", acrescenta.

O analista da StoneX Brasil tem uma visão diferente. Para ele, "a queda de preços no Brasil é muito mais por falta de demanda do que realmente por uma recuperação da produção".

"A alta excessiva do preço do cacau gerou uma mudança estrutural nas fórmulas dos chocolates: as indústrias reduziram o tamanho das barras e substituíram a manteiga de cacau por outras gorduras e óleos", afirma.

"Como as indústrias de confeitaria diminuíram a compra de subprodutos [do cacau], as moageiras (processadoras) também reduziram as compras de amêndoas, fazendo os preços no Brasil despencarem", destaca.

Na Bahia, por exemplo, os agricultores estão recebendo R$ 200, em média, pela arroba do cacau, valor 70% abaixo do que há um ano, segundo reportagem do Globo Rural (veja vídeo no final da reportagem).

A situação tem gerado protestos. No dia 18 de fevereiro produtores rurais interditaram, mais uma vez, a BR 101 em Ibirapitanga, no sul da Bahia, contra a importação e os preços baixos do cacau, exigindo do governo maior controle sanitário sobre a amêndoa que vem de outros países.

A resposta veio dias depois. Nesta semana, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, alegando riscos de introdução de pragas e doenças.

Segundo o governo, esse risco existe porque há uma "possibilidade" de que grãos de cacau da Libéria e de Guiné – que não têm autorização para exportação para o Brasil – estariam sendo misturados aos lotes da Costa do Marfim importados pela indústria nacional.

"Se de fato isto está acontecendo, começamos a correr risco sanitário da amêndoa que entra no Brasil. […] Tem que ter certeza do que está entrando, para não ter risco de trazer doença para a nossa cultura cacaueira", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em entrevista à GloboNews na sexta-feira (27).

Carlos Cogo diz que a decisão do governo é "soberana" e que "deve ser respeitada", mas interpreta a medida como uma resposta à forte pressão do setor produtivo para conter a queda dos preços domésticos.

Bezzon, da StoneX Brasil, afirma que, atualmente, há excesso de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para escoar a própria produção.

“Hoje, não existe incentivo financeiro para que a Costa do Marfim compre cacau de países vizinhos para revendê-lo ao Brasil”, ressalta.

Em 2025, a produção brasileira de cacau alcançou 186.137 toneladas, enquanto as importações chegaram a 42.199 toneladas, segundo dados da StoneX Brasil.

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Nova reforma da Previdência deveria estar sendo pensada para ‘ontem’, avaliam especialistas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/03/2026 04:56

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%MoedasDólar ComercialR$ 5,1400,03%Dólar TurismoR$ 5,3490,17%Euro ComercialR$ 6,0720,17%Euro TurismoR$ 6,3290,32%B3Ibovespa191.118 pts-0,07%Oferecido por

O Brasil não vai conseguir escapar de uma nova reforma da Previdência Social. Mudanças nas regras deveriam estar sendo pensadas para "ontem", segundo especialistas ouvidos pelo g1.

Embora a última reforma tenha ocorrido há menos de dez anos, em 2019, três fatores combinados pressionam as contas públicas e reacendem a discussão sobre novas alterações.

alta informalidade, acompanhada de transformações no mercado de trabalho, com ocupações que não contribuem para a Previdência;benefícios indexados ao salário mínimo, com ganhos reais nos últimos;envelhecimento da população, somado à queda da natalidade.

A última reforma conseguiu conter o rombo, sobretudo em 2024 e 2025, mas projeções do próprio governo federal indicam que o déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) pode mais que quadruplicar ao longo dos próximos 75 anos.

🔎O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é um sistema administrado pelo INSS ao qual estão vinculados trabalhadores com carteira assinada e servidores não concursados, aqueles que atuam em cargos comissionados. Já o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) é destinado a funcionários públicos efetivos.

A necessidade de novas mudanças também é reconhecida pelo governo. No ano passado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o sistema previdenciário brasileiro está pressionado e que o tema precisará ser discutido.

Em 2025, a diferença entre o que foi arrecadado e o que o governo federal teve que colocar a mais para para pagar benefícios, aposentadorias e pensões foi de R$ 436 bilhões.

A maior parte desse dinheiro foi para cobrir o déficit do RGPS: mais de R$ 320 bilhões – R$ 17 bilhões a mais do que em 2024.

O cenário pode ser explicado pela alta informalidade do mercado de trabalho brasileiro e pelo surgimento de novas formas de ocupações que não recolhem para a previdência, como é o caso dos trabalhadores de aplicativo.

Bernardo Schettini, consultor do Senado, destaca que a retração da arrecadação contrasta com o avanço das despesas. A política de valorização do salário mínimo, explica, eleva as despesas em ritmo superior ao da inflação, uma vez que mais de 60% dos benefícios são indexados ao piso nacional.

"É um desafio bem complicado. Nesse modelo que a gente tem hoje, não vejo sustentabilidade. Acho que a gente tem que fazer uma mudança no modelo de custeio da previdência", disse.

O consultor da Câmara dos Deputados, Leonardo Rolim, aponta que os dados demográficos também pressionam as despesas da Previdência Social.

"Se a gente olhar para 2070, quando quem está entrando no mercado de trabalho agora provavelmente vai estar se aposentando, nós vamos mais do que dobrar novamente o número de idosos. Nós vamos ter em 2070 mais ou menos seis vezes o número de idosos que tínhamos em 2000", disse.

Há, segundo ele, um descompasso entre contribuintes e beneficiários. “Nos últimos 25 anos, o número de pessoas em idade ativa, potenciais contribuintes da Previdência, cresceu cerca de 30%, enquanto o total de potenciais beneficiários mais do que dobrou”, afirmou.

Rolim alerta que, no futuro, haverá proporcionalmente menos contribuintes para sustentar um contingente cada vez maior de aposentados.

🔎 No sistema de repartição, usado no Brasil, as contribuições dos trabalhadores ativos são utilizadas para pagar os benefícios dos aposentados e pensionistas, sem a formação de um fundo individual para cada segurado.

Por isso, o quadro deve se agravar no futuro, com menos trabalhadores na ativa para financiar um contingente maior de aposentados — gerando um rombo crescente ao longo dos anos.

"Enquanto você tem um país jovem, esse modelo funciona muito bem. Enquanto você tem com essa que eu te falei das próximas décadas, essa conta não fecha, porque você vai ter contribuições muito altas ou então aposentadorias em valores muito baixos para ser viável', explicou.

Pedro Souza, analista da Instituição Fiscal Independente (IFI), observa que nos últimos anos um aumento do volume de benefícios emitidos.

"O total, há 10 anos, em 2015, era de 28,3 milhões de beneficiários. Atualmente, em 2025, totalizou 35,2 milhões. Quando se olha o crescimento, anualmente, o volume de benefícios emitidos é de 2,21% a.a., em média. Isso por si só já seria uma pressão importante", disse o analista da IFI, que relembra que, de 2017 a 2023, ainda vigorava o teto de gastos e isso influenciava diretamente o total de pessoas.

"Isso fica mais claro quando se observa o déficit da previdência. Em termos reais, valores de janeiro de 2026, o déficit da previdência saiu de R$ 147,5 bilhões em 2015 para R$ 323,1 bilhões em 2025. Esse descompasso decorre muito mais do crescimento das despesas, que atingiram um valor total de R$ 1,04 trilhão em 2025", destacou.

Segundo ele, em termos de crescimento médio, a receita do RGPS cresceu 1,82% a.a., em termos reais, nos últimos 10 anos. A despesa cresceu perto do dobro, um aumento médio de 3,37% a.a.

"Quando se fala em reforma, é mais por esse aspecto. O volume de benefícios não para de crescer e isso tem impacto direto no financiamento insuficiente para o modelo de previdência", afirmou.

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