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De professora a empresária: como um chapéu virou negócio de R$ 100 mil por mês em Goiás

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De professora a empresária: como um chapéu virou negócio de R$ 100 mil por mês em Goiás

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 04/03/2026 04:54

Pequenas Empresas & Grandes Negócios De professora a empresária: como um chapéu virou negócio de R$ 100 mil por mês em Goiás Ao identificar uma tendência e apostar em diferenciação, empreendedora transformou um acessório típico do campo em produto de moda vendido no Brasil e no exterior. Por PEGN

A ex-professora Merope Papadellis começou vendendo roupas, e um post de Andressa Suita gerou mais de mil pedidos, forçando-a a criar um site.

A ideia de vender chapéus surgiu após Merope ver um modelo em um show, transformando um detalhe em uma nova e promissora oportunidade de negócio.

Para diferenciar-se da concorrência, Merope investiu cerca de R$ 8 mil em testes, descartando 50 chapéus até aperfeiçoar a customização com brilho.

Com faturamento mensal de R$ 100 mil, a empresa produz cerca de 300 chapéus, vendendo para Brasil, Europa e EUA, com preços até R$ 2 mil.

A trajetória de Merope Papadellis no empreendedorismo começou longe da moda. Professora em Goiânia, ela buscava uma forma de complementar a renda quando decidiu vender roupas no interior de Goiás.

Na época, comprava peças em polos comerciais da região, colocava tudo no porta-malas do carro e saía pelas cidades oferecendo os produtos diretamente às clientes. Em pouco tempo, percebeu que havia demanda — e que o negócio podia crescer.

A primeira grande virada veio pelas redes sociais. Uma publicação feita por Andressa Suita, esposa do cantor sertanejo Gusttavo Lima, usando uma das peças vendidas por Merope fez os pedidos dispararem.

Em poucas horas, mais de mil mensagens chegaram ao celular da empreendedora. Sem estrutura para responder ou vender naquele volume, ela precisou agir rápido para não perder vendas. A solução foi criar um site às pressas e direcionar os clientes para o ambiente digital.

Foi nesse momento que Merope entendeu que empreender exigiria decisões rápidas, adaptação e disposição para correr riscos. Mas a mudança mais importante ainda estava por vir.

Em 2018, durante um show, ela viu uma mulher usando um chapéu rosa — um item pouco comum naquele momento. Pediu o acessório emprestado, tirou fotos e publicou nas redes sociais.

A reação foi imediata: começaram a surgir pedidos de clientes interessadas em chapéus iguais. O que era apenas um detalhe virou oportunidade de negócio.

A pandemia e a retomada dos shows ampliaram ainda mais a procura, mas também trouxeram concorrência. Chapéus semelhantes passaram a ser vendidos por preços mais baixos, pressionando o negócio.

“Eu comecei a vender na porta dos shows e, quando o vídeo bombou, a concorrência cresceu muito. Muita gente resolveu vender chapéu também. Aí eu pensei: preciso fazer alguma coisa”, conta.

Para não competir apenas por preço, Merope decidiu apostar na diferenciação. Passou a customizar os chapéus com pedrarias, brilho e novos acabamentos. O processo, porém, foi marcado por tentativa e erro.

“Eu fui, peguei pedra e comecei a colar no chapéu. Só que a cola não funcionava, a pedra não dava certo. Nada era simples”, diz.

Foram cerca de 50 chapéus descartados, testes com materiais que não funcionaram e um investimento de aproximadamente R$ 8 mil até chegar ao modelo final. “Eu não chamo de prejuízo. Foi investimento para entender o meu produto”, afirma.

A estratégia deu certo. A produção mensal saltou de cerca de 10 chapéus para aproximadamente 300. Hoje, a empresa trabalha com fábricas parceiras, faz a customização das peças, emprega bordadeiras e conta com revendedoras espalhadas pelo país.

O faturamento mensal gira em torno de R$ 100 mil, com vendas para o Brasil, Europa e Estados Unidos. Os preços variam de R$ 100 a R$ 2 mil. “Eu precisei me reinventar para não competir só por preço. Quando o produto tem identidade, o cliente entende o valor”, diz.

O crescimento também foi impulsionado pela visibilidade entre artistas do meio sertanejo. Em um show, um dos chapéus chamou a atenção da cantora Paula Fernandes, que notou o brilho do acessório ainda da plateia.

“Ela falou: ‘eu quero esse chapéu aí’. No fim do show, fui chamada ao camarim”, conta. Depois disso, outros artistas passaram a procurar o produto. “Vieram Mayara e Maraisa, Claudia Leitte, Simone Mendes, Wesley Safadão, Hugo & Guilherme”, afirma.

“É o hype. A gente precisa aproveitar o momento da novela, das cantoras, do que está na moda no mundo inteiro. Não é só no Brasil”, completa. Outro diferencial do negócio está no relacionamento com o público.

Mesmo com o crescimento, Merope faz questão de manter o atendimento próximo, muitas vezes falando diretamente com as clientes. Para ela, a construção da marca passa pela confiança e pela experiência, não apenas pelo volume de vendas.

De um acessório tradicional do campo, ela criou um negócio conectado a tendências, comportamento e consumo — e ainda em plena expansão.

A história de Merope Papadellis resume um dos principais aprendizados do Pequenas Empresas & Grandes Negócios: empreender é identificar oportunidades, errar rápido, aprender com o mercado e ajustar o caminho.

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