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Selic recua para 14,75%, mas Copom não projeta novos cortes em meio à guerra no Oriente Médio
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Selic recua para 14,75%, mas Copom não projeta novos cortes em meio à guerra no Oriente Médio
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/03/2026 19:57
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano.
Por outro lado, o BC deixou de indicar novos cortes nas próximas reuniões por conta da guerra no Oriente Médio.
Ainda assim, o comitê entende que a decisão de cortar a Selic "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante".
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. É o primeiro corte desde maio de 2024.
Por outro lado, o BC deixou de indicar novos cortes nas próximas reuniões por conta da guerra no Oriente Médio. O conflito foi citado quatro vezes no comunicado como fonte de incerteza para as decisões futuras.
"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo", diz o Copom.
O conflito tem pressionado o preço do petróleo para mais de US$ 100 por barril, elevando os preços dos combustíveis no país. O BC reforçou que a guerra no Oriente Médio afeta a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities, o que influencia a inflação no Brasil.
Por isso, o comitê decidiu aguardar novos desdobramentos para avaliar quanto tempo o conflito vai durar e quais serão seus efeitos sobre a economia.
"Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio", diz o comunicado.
Mesmo assim, o Copom iniciou o ciclo de cortes porque o período prolongado de juros altos já mostrou efeitos na desaceleração da economia. Agora, o comitê indica que pode ajustar o ritmo dos cortes conforme novas informações tragam mais clareza sobre o conflito.
O comitê entende que a decisão de cortar a Selic "é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego".
Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, afirma que a decisão indica que o Banco Central está mais confortável com o comportamento da inflação, mas ainda atua com cautela.
"A guerra pode se prolongar, o que pode frear os planos do Copom de continuar cortando a Selic de forma mais intensa. Isso porque tensões no Oriente Médio e no mercado de commodities tendem a pressionar custos e juros no mundo", diz.
"Se, por outro lado, o conflito perder força e o risco geopolítico diminuir, é provável que a economia brasileira consiga levar a inflação para perto da meta de 3,3% no terceiro trimestre de 2027, mantendo juros mais baixos por mais tempo."
Para Bruna Centeno, economista da Blue3 Investimentos, o principal ponto a monitorar será o aumento dos preços dos combustíveis e os efeitos ao longo da cadeia.
Ela aguarda a ata do Copom, que deve trazer mais detalhes na próxima semana, sobre a possibilidade de manter cortes de 0,25 ponto ou adotar ajustes mais graduais. "Em relação à postura, vimos um comitê alinhado na estratégia, com a maioria defendendo o início dos cortes de 0,25 ponto. Não houve muitas surpresas", afirmou.
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