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‘Eu gostava da minha galinha’: francesa mata lince para salvar ave e caso vai parar na Justiça
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‘Eu gostava da minha galinha’: francesa mata lince para salvar ave e caso vai parar na Justiça
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/03/2026 13:53
Agro 'Eu gostava da minha galinha': francesa mata lince para salvar ave e caso vai parar na Justiça Espécie é ameaçada de extinção e protegida no país. Animal de criação também morreu. Por RFI
O tribunal criminal de Estrasburgo, no leste da França, analisou nesta sexta-feira (27) o caso da morte de um filhote de lince espancado por uma mulher em uma cidade no norte da Alsácia.
Na manhã de 18 de outubro de 2024, o felino, uma fêmea de 4,2 kg, entrou em um cercado onde viviam cinco galinhas, no jardim de uma área residencial de Niederbronn-les-Bains, uma cidade de 4.000 habitantes.
A dona da propriedade conta ter entrado “em pânico” quando viu uma de suas aves, Marie-Thérèse, ser atacada.
O tribunal criminal de Estrasburgo, no leste da França, analisou nesta sexta-feira (27) o caso da morte de um filhote de lince espancado por uma mulher em uma cidade no norte da Alsácia, após o animal atacar sua galinha, Marie Thérèse. O lince é uma espécie ameaçada de extinção e protegida no país.
Na manhã de 18 de outubro de 2024, o felino, uma fêmea de 4,2 kg, entrou em um cercado onde viviam cinco galinhas, no jardim de uma área residencial de Niederbronn-les-Bains, uma cidade de 4.000 habitantes.
A dona da propriedade conta ter entrado “em pânico” quando viu uma de suas aves, Marie-Thérèse, ser atacada. “Fiquei chocada, gritei, mas ele não soltava. Bati para que soltasse minha galinha”, relatou ao tribunal, onde responde por destruição de uma espécie animal protegida.
Depois de tentar afugentar o predador, a agressora, que diz estar arrependida, pegou um pedaço de madeira e o golpeou na cabeça. Em seguida, chamou a polícia municipal, que acionou o Escritório Francês de Biodiversidade (OFB).
“Eu estava a dez minutos dali. Vim ver o que podia ser feito para salvar o filhote que agonizava”, contou Claude Kurtz, especialista em linces e representante do OFB na Alsácia.
O lince estava debilitado e faminto. “Tentei prestar os primeiros socorros e rapidamente o levei à clínica veterinária”, mas “duas horas depois, ele estava morto”, acrescentou o defensor dos animais, que representou a associação SOS Falcão-peregrino Lince.
Segundo o relatório de autópsia, o felino sofreu “vários golpes”, além de duas fraturas no crânio e um hematoma.
Os defensores do lince ainda não haviam escolhido um nome para a filhote, mas conheciam sua linhagem: seus pais, Taïga e Filou, eram da “segunda geração” de linces reintroduzidos na Alemanha entre 2016 e 2021.
A mulher e o marido só alertaram as autoridades quando o animal já estava agonizando. “Eles poderiam ter chamado antes”, lamenta Kurtz, que denuncia “atos de crueldade”.
Marie-Thérèse, a galinha, não sobreviveu. Mas, segundo Kurtz, se a dona não tivesse atacado o lince, “ela teria sido indenizada pela perda da galinha”.
A espécie está ameaçada de extinção, segundo associações de defesa dos animais, que apontam números alarmantes: existem apenas cerca de 150 linces em toda a França e apenas dez nas montanhas da região de Vosges, perto da fronteira com a Alemanha.
Nesse contexto, “cada indivíduo conta para a sobrevivência da espécie”, destaca Sandrine Farny, responsável pelo tema no Parque Natural Regional dos Vosges do Norte. Ela lembra que linces são, com frequência, vítimas de atropelamentos.
“Você se dá conta de que, ao tentar salvar um animal, acabou matando outro?”, questionou a juíza, Valentine Seyfritz.
“Era meu animal doméstico, senhora. Eu gostava da minha galinha, como a senhora gosta do seu gato ou do seu cachorro”, respondeu a acusada.
A “legítima defesa” não se aplica ao caso, afirmou a promotora, Priscille Cazaux, que pediu quatro meses de prisão com suspensão condicional da pena para a mulher “sinceramente abalada pelos fatos”.
Mas a alegação de que ela teria confundido o lince com um gato é difícil de acreditar, segundo a promotora.
Para a advogada da ré, Juliette Isaac, a sexagenária não é uma “caçadora experiente” nem uma “caçadora ilegal”, mas uma pessoa que enfrentou uma “situação estressante que não soube administrar”.
Aquela que “viu crescer suas cinco galinhas” simplesmente “reagiu diante da agressão a um ser querido”; e, desde então, tem dificuldades com o luto e não “substituiu Marie-Thérèse”.
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