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EUA oferecem mais de US$ 1 milhão por informações contra frigoríficos investigados, incluindo JBS e Marfrig
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EUA oferecem mais de US$ 1 milhão por informações contra frigoríficos investigados, incluindo JBS e Marfrig
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/05/2026 03:45
Agro EUA oferecem mais de US$ 1 milhão por informações contra frigoríficos investigados, incluindo JBS e Marfrig JBS e a empresa controlada pela Marfrig, a National Beef, são alvos da operação contra práticas abusivas comerciais. A norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são investigadas. Por Vivian Souza
Os EUA divulgaram na segunda-feira (4) que pagarão uma recompensa que pode ultrapassar o valor de US$ 1 milhão para quem fornecer informações contra frigoríficos investigados por práticas abusivas comerciais.
A JBS e a empresa controlada pela Marfrig nos Estados Unidos, a National Beef, são alvos da operação.
Além delas, as empresas norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são investigadas desde novembro do ano passado.
A investigação começou por solicitação de Trump, que acusou as quatro empresas de elevarem os preços da carne bovina "por meio de conluio ilícito".
Segundo o governo dos EUA, entre 1980 e 1990, a fatia de gado comprada por esses frigoríficos passou de um terço para mais de 80% do rebanho nacional.
O governo dos Estados Unidos afirmou nesta semana que pagará uma recompensa que pode ultrapassar US$ 1 milhão a quem fornecer informações sobre frigoríficos investigados por práticas comerciais abusivas.
A JBS e a National Beef, controlada pela Marfrig nos Estados Unidos, são alvos da investigação. Além delas, as norte-americanas Cargill e Tyson Foods também são analisadas desde novembro do ano passado.
A operação começou por solicitação do presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou as quatro empresas de elevarem os preços da carne bovina "por meio de conluio ilícito". Segundo o governo, entre 1980 e 1990, a fatia de gado comprada por esses frigoríficos passou de um terço para mais de 80% do total nacional.
O Departamento de Justiça informou que revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pessoas do setor, como pecuaristas e produtores.
A recompensa pode variar de 15% a 30% do valor das multas aplicadas às empresas, que devem ultrapassar US$ 1 milhão. O pagamento será feito a quem fornecer informações sobre possíveis crimes concorrenciais ou fraudes.
Em nota, a Marfrig afirmou que respeita as leis de defesa da concorrência. A empresa acrescentou que, nos EUA, a National Beef atua em sociedade com 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia.
Leia também: Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec
A JBS é a maior produtora de carne nos EUA, segundo a empresa. Já a National Beef é a quarta maior e é reconhecida como a mais lucrativa do setor no país, segundo a Marfrig.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou na segunda-feira que a propriedade estrangeira de grandes processadores de carne representa uma ameaça ao país.
"Uma empresa de propriedade brasileira detém cerca de um quarto do mercado e possui um histórico documentado de corrupção internacional e atividade ilícita", disse a secretária.
Ela também associou a empresa a casos de corrupção, cartéis e trabalho escravo, citando denúncias recentes. "O que já é ruim o suficiente por si só, mas também é em detrimento dos grandes pecuaristas independentes e consumidores da América", declarou.
No dia 29, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Pará pediu a condenação da JBS em, no mínimo, R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva da pecuária. Na ocasião, a empresa disse que "não foi notificada sobre as ações mencionadas".
Além de Rollins, o conselheiro do presidente Trump, Peter Navarro, disse que o lobby da carne, representado por brasileiros, teria "ameaçado silenciosamente a Casa Branca" em resposta ao tarifaço. Segundo ele, isso teria resultado no desvio de carne dos EUA para a China.
Em agosto, os EUA aplicaram uma tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o país, incluindo carne. O Brasil é o principal fornecedor do produto para a indústria norte-americana.
Os estoques de gado nos EUA caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos, após fazendeiros reduzirem seus rebanhos devido a uma seca prolongada, que prejudicou as pastagens e elevou os custos de alimentação.
O fornecimento ficou ainda mais restrito porque os EUA suspenderam, há um ano, a maioria das importações de gado mexicano, diante de preocupações com a disseminação da bicheira-do-Novo-Mundo, uma praga que infesta o gado.
Apesar de também serem grandes produtores, os EUA ainda precisam importar carne para suprir a demanda dos consumidores, que se manteve firme e pressionou os preços.
A baixa oferta obrigou frigoríficos a pagar mais pelo gado destinado à produção de hambúrgueres e bifes.
Em dezembro, a JBS informou que fecharia de forma permanente uma fábrica nos arredores de Los Angeles, responsável por preparar carne bovina para venda em supermercados dos Estados Unidos.O frigorífico rival Tyson Foods também anunciou, em janeiro do ano passado, o fechamento de uma importante fábrica de abate de gado em Nebraska, que emprega cerca de 3.200 pessoas.
Pecuaristas norte-americanos criticam Trump desde outubro, após o presidente sugerir que o país importe mais carne bovina da Argentina. Na ocasião, ele disse que usaria a medida para reduzir os preços nos EUA, que atingiram níveis recordes.
Os produtores viram o comentário como uma ameaça, em um momento de preços elevados do gado e forte demanda dos consumidores americanos.
Trump respondeu às críticas nas redes sociais e afirmou que eles estão em boa condição econômica graças ao tarifaço imposto ao Brasil e a outros países.
"Os pecuaristas, que eu amo, não entendem que a única razão pela qual estão indo bem, pela primeira vez em décadas, é porque eu impus tarifas sobre o gado que entra nos EUA, incluindo uma tarifa de 50% sobre o Brasil", disse Trump em sua rede social.
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