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Mulheres negras vivem com metade da renda dos homens brancos, aponta estudo
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Mulheres negras vivem com metade da renda dos homens brancos, aponta estudo
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/05/2026 18:54
Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,986-0,45%Dólar TurismoR$ 5,193-0,3%Euro ComercialR$ 5,819-0,77%Euro TurismoR$ 6,076-0,54%B3Ibovespa178.366 pts0,72%MoedasDólar ComercialR$ 4,986-0,45%Dólar TurismoR$ 5,193-0,3%Euro ComercialR$ 5,819-0,77%Euro TurismoR$ 6,076-0,54%B3Ibovespa178.366 pts0,72%MoedasDólar ComercialR$ 4,986-0,45%Dólar TurismoR$ 5,193-0,3%Euro ComercialR$ 5,819-0,77%Euro TurismoR$ 6,076-0,54%B3Ibovespa178.366 pts0,72%Oferecido por
As mulheres negras ganham, em média, cerca de metade da renda dos homens brancos, segundo estudo da Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Fundo Agbara.
O levantamento analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2016 e 2023, e mede como raça e gênero influenciam o acesso da população a renda, educação, emprego e moradia no Brasil.
O estudo mostra que a estrutura de desigualdade econômica no Brasil permaneceu praticamente inalterada entre 2016 e 2023, formando uma “pirâmide econômica rígida”.
Segundo o levantamento, homens brancos seguem no topo dos indicadores de justiça econômica e renda no país, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras, que registraram os piores resultados em todo o período analisado.
Além da renda mais baixa, as mulheres negras concentram os piores indicadores em emprego e condições de trabalho. Segundo o estudo, elas enfrentam maiores taxas de desemprego, informalidade e subocupação, além de menor presença em empregos formais.
Mulheres negras seguem na base da desigualdade, segundo o Índice de Justiça Econômica Racial (IJER) — Foto: Feepik
Apesar dos avanços do Brasil nos últimos anos em áreas como educação, distribuição de renda e inclusão social, as desigualdades raciais e de gênero continuam profundas no país, especialmente para as mulheres negras.
Os dados fazem parte do Índice de Justiça Econômica Racial (IJER), divulgado nesta quinta-feira (14) pela Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Fundo Agbara, instituição de apoio às mulheres negras do Brasil.
💰Em 2016, por exemplo, a renda domiciliar per capita (valor médio por pessoa no domicílio) das mulheres negras era de R$ 862,98, enquanto a dos homens brancos chegava a R$ 1.821,55. 💰Em 2023, a diferença permaneceu praticamente: R$ 1.191,66 para mulheres negras, contra R$ 2.381,43 para homens brancos.
O levantamento analisou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre 2016 e 2023, e mede como raça e gênero influenciam o acesso da população a renda, educação, emprego e moradia no Brasil.
O estudo mostra que a estrutura de desigualdade econômica no Brasil permaneceu praticamente inalterada entre 2016 e 2023, formando uma “pirâmide econômica rígida”.
Com isso, apesar do aumento da renda para todos os grupos nos últimos anos, as desigualdades históricas ligadas à raça e gênero praticamente não diminuíram.
Segundo o levantamento, homens brancos seguem no topo dos indicadores de justiça econômica e renda no país, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras, que registraram os piores resultados em todo o período analisado.
Para Marcos Maestri, supervisor de Advocacy da Fundação Grupo Volkswagen, “a mensagem do estudo é: o elevador social do Brasil está quebrado”. Ele ressalta que outros dados indicam que uma pessoa pode levar até nove gerações para sair da pobreza e alcançar a classe média no país.
Na prática, isso significa que as condições médias de vida melhoraram, mas as posições na hierarquia social permaneceram praticamente as mesmas.
Homens brancos: R$ 2.844,21;Mulheres brancas: R$ 2.410,43;Homens negros: R$ 1.567,88;Mulheres negras: R$ 1.402,18.🔎 Os anos de 2020 e 2021, período da pandemia de COVID-19, foram excluídos da série histórica do Índice de Justiça Econômica Racial (IJER) porque, nesse período, as entrevistas da PNAD Contínua passaram a ser feitas por telefone, alterando a metodologia de coleta de dados.
O levantamento também aponta que, em média, as mulheres brasileiras recebem 78% da renda dos homens. Entre as mulheres negras, porém, esse percentual cai para 59%. No geral, pessoas brancas têm, em média, rendimentos 87% maiores do que pessoas negras no país.
Segundo Priscila Soares, coordenadora de pesquisa do Fundo Agbara, a desigualdade salarial está ligada tanto ao nível de escolaridade quanto ao tipo de ocupação acessado por diferentes grupos no mercado de trabalho.
“Homens brancos e mulheres brancas, em sua maioria, têm escolaridade mais alta, o que traz um retorno salarial maior. Já as mulheres negras estão mais concentradas em trabalhos informais, ligados a tarefas de cuidado e com vínculos mais precários”, afirmou.
O Índice de Justiça Econômica Racial avançou de 0,53 em 2016 para 0,59 em 2023 no Brasil. O indicador varia de 0 a 1, sendo 1 o maior nível de justiça econômica.
Apesar da melhora geral, os pesquisadores afirmam que o crescimento ocorreu de forma paralela entre os grupos, sem reduzir as desigualdades históricas.
“As mulheres negras são o único grupo que permanece abaixo da média nacional em todos os anos analisados. Mesmo com os avanços gerais, elas não conseguem alcançar o nível médio de justiça econômica do país”, afirma o estudo.
Os homens brancos registraram os maiores índices da série histórica, variando entre 0,67 e 0,69 — cerca de 18% acima da média nacional. Já o índice das mulheres negras ficou, em média, 11% abaixo do resultado nacional.
Já as mulheres brancas apresentaram índices de justiça econômica consistentemente superiores aos de homens negros. “Isso indica que a interação entre raça e gênero produz posições específicas na distribuição de oportunidades”, diz a pesquisa.
Além da renda mais baixa, as mulheres negras concentram os piores indicadores em emprego e condições de trabalho. Segundo o estudo, elas enfrentam maiores taxas de desemprego, informalidade e subocupação, além de menor presença em empregos formais.
Em 2023, apenas 33,3% das mulheres negras trabalhavam com carteira assinada — o menor percentual entre os grupos analisados.
O levantamento mostra ainda que elas continuam sendo maioria no trabalho doméstico, principalmente em ocupações sem carteira assinada.
Para os pesquisadores, essa diferença não é resultado de escolhas individuais, mas de desigualdades estruturais no mercado de trabalho.
“Muitas vezes elas precisam buscar renda muito cedo e acabam perdendo uma janela de capacitação que costuma ser acessível para outros grupos sociais”, afirmou Marcos Maestri.
Segundo ele, mesmo quando conseguem acessar o ensino superior, muitas mulheres negras precisam conciliar os estudos com empregos de baixa remuneração para ajudar financeiramente a família, o que compromete a profissionalização e a mobilidade social.
Ele destaca que o problema não está apenas no acesso ao trabalho, mas também na qualidade das oportunidades disponíveis.
maior presença em trabalhos essenciais e mal remunerados, como limpeza, cuidados e serviço doméstico;concentração em empregos informais e instáveis;maiores taxas de desemprego e dificuldade de acesso a vagas mais bem remuneradas.
O estudo também identificou diferenças persistentes em educação, infraestrutura e saneamento. Segundo os pesquisadores, o acesso ao ensino superior continua sendo uma das principais barreiras para a população negra.
📚 As mulheres brancas seguem com maior presença nos níveis mais altos de escolaridade, incluindo graduação e pós-graduação. Já a população negra continua sub-representada no ensino superior, especialmente os homens negros, que registram os menores índices de acesso e conclusão dos cursos.
Entre os principais obstáculos enfrentados por estudantes negros estão a necessidade de começar a trabalhar mais cedo, a menor qualidade da educação básica, a falta de políticas de permanência estudantil e a presença de racismo institucional no ambiente acadêmico.
Na área de moradia, os dados mostram que 31,6% das mulheres negras dependiam, em 2023, de fossas não ligadas à rede de esgoto. Entre mulheres brancas, o percentual era de 20,7%.
O levantamento aponta ainda menor acesso das mulheres negras a bens domésticos, como máquinas de lavar, o que aumenta a sobrecarga de trabalho dentro de casa.
Segundo Priscila Soares, apesar dos avanços recentes, como políticas afirmativas e programas de transferência de renda, ainda faltam estratégias voltadas especificamente para mulheres negras.
“Hoje ainda é difícil encontrar políticas públicas que levem em conta ao mesmo tempo as desigualdades de raça e de gênero”, afirmou. “Quando pensamos em inclusão produtiva sem considerar gênero e raça ao mesmo tempo, continuamos fazendo com que mulheres negras permaneçam nessa posição de vulnerabilidade social”, disse.
Ao analisar toda a série histórica, o estudo conclui que os avanços econômicos e sociais dos últimos anos não foram suficientes para alterar a estrutura de desigualdade racial e de gênero no Brasil.
A coordenadora de pesquisa do Fundo Agbara afirma que houve avanços recentes, com mais mulheres negras ocupando espaços antes pouco acessíveis, como gestão, economia e finanças, mas em ritmo lento.
“Hoje vemos mulheres negras em posições antes não vistas, mas isso ainda não é suficiente. Não dá para dizer que o problema foi resolvido”, afirmou.
Segundo o estudo, mesmo com as melhorias gerais, não houve políticas públicas que pensassem a justiça econômica com um viés de equidade, ou seja, com o objetivo de corrigir as assimetrias históricas que prejudicam certos grupos há muito tempo.
O estudo recomenda que políticas universais não são suficientes para reduzir desigualdades estruturais e defende ações focadas em raça, gênero e território.
As propostas incluem priorizar mulheres negras em políticas públicas, garantir permanência no ensino com apoio financeiro e estrutural, e valorizar o trabalho de cuidado como atividade econômica.
Também defende criar mais oportunidades de emprego com carteira assinada, diminuir a presença de mulheres negras em trabalhos informais e mal pagos, e valorizar conhecimentos e habilidades que, ao longo da história, foram pouco reconhecidos.
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