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Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China?

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Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 12/07/2026 06:47

Agro Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China? Economistas afirmam que a menor oferta de bois, o El Niño e a retomada das compras da China em janeiro pode deixar os preços até mais altos no fim do ano. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

O Brasil preencheu a cota de exportação de carne bovina para a China. O preço do produto no mercado brasileiro não deve cair e pode subir.

A China adotou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas do produto com tarifa reduzida de 12%. Após o preenchimento desse volume, a taxa sobe para 55%.

Frigoríficos reduziram o abate de bois no país, evitando excesso de oferta. Com isso, os preços nos supermercados não sofrem pressão para queda neste momento.

No último bimestre, a preparação para exportações de janeiro e o aumento do consumo nas festas de fim de ano devem impulsionar os preços da carne.

O Brasil esgotou a cota de exportação de carne bovina para a China e deve reduzir as vendas ao país até o fim do ano.

Isso, porém, não significa que haverá excesso de carne no mercado brasileiro. Pelo contrário: a previsão é de que o produto fique ainda mais caro no último trimestre do ano, segundo economistas ouvidos pelo g1.

A China, principal compradora da carne bovina brasileira, adotou uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com tarifa reduzida de 12%. Depois que esse volume é atingido, a tarifa sobe para 55%, reduzindo significativamente a competitividade da carne brasileira.

🥩Por que a carne não deve baratear? Neste momento, os frigoríficos estão reduzindo o abate de bois, ou seja, há menos carne sendo produzida. Sem aumento da oferta, os preços nos supermercados tendem a permanecer elevados.🥩O que vai fazer o preço crescer? A carne é enviada à China em navios, em viagens que duram cerca de 40 dias. Em janeiro, a cota será renovada, reabrindo o mercado chinês ao produto brasileiro. Por isso, no fim do ano, os frigoríficos tendem a direcionar a produção para atender à demanda chinesa de 2027. Ao mesmo tempo, o consumo no mercado interno aumenta com as festas de fim de ano, o que cria uma nova pressão sobre os preços.

Segundo Larissa Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX, as cotas estabelecidas pela China mudaram a dinâmica do mercado do boi no Brasil.

Tradicionalmente, a maior demanda da China ocorria no segundo semestre, para atender às comemorações do Ano Novo Chinês. Com a criação da cota, os frigoríficos passaram a disputar quem conseguiria exportar antes de o limite ser atingido, explica a especialista.

Com a redução das compras chinesas, o setor passou a diminuir o abate de bois. Na comparação entre maio de 2025 e maio de 2026, a queda foi de quase 3%. A tendência é de retração ainda maior nos próximos meses.

Apesar da redução dos abates, os animais continuam disponíveis para venda. Por isso, o preço do boi gordo está em queda e gira em torno de R$ 330, segundo Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado.

"Como nós estamos falando de uma atividade de ciclo longo, fica mais complicado para o pecuarista brasileiro cortar a produção de uma maneira rápida. As decisões em torno disso são mais lentas", explica.

Mas esse período de preços mais baixos deve durar pouco. No último bimestre do ano, o setor tende a preparar a carne que chegará à China em janeiro.

"O grande problema nessa história toda é que vai ter uma menor disponibilidade de gado para o abate nesse período. Tem o clima muito seco por conta do super El Niño que vem pela frente. Isso vai impactar na condição do pasto e vai reduzir ainda mais a disponibilidade para o abate", afirma.

Segundo Iglesias, esse conjunto de fatores deve encarecer a carne no Brasil justamente em um período em que a demanda interna cresce por causa das festas de fim de ano.

Veja os países para onde o Brasil mais exportou carne bovina em 2025; exportações de carne bovina — Foto: Kayan Albertin/g1

Segundo Iglesias, da Safras & Mercado, a procura por carne no Brasil está baixa e não sustenta os preços pagos ao produtor neste momento. "Até tínhamos um certo otimismo em relação à Copa do Mundo, mas a eliminação da nossa seleção brasileira prejudicou até isso", explica.

Segundo o professor Bruno Capuzzi, do Insper Agro Global, isso deve ajudar a manter o preço do boi mais baixo, o que pode trazer um alívio temporário para o consumidor.

Além disso, segundo ele, as férias coletivas nos frigoríficos não significam redução da oferta no mercado interno, mas apenas uma manutenção do volume exportado.

Leia também: Veto à carne brasileira: governo responsabiliza setor produtivo por adequação às exigências da UE

Na previsão de Iglesias, perder o mercado chinês no segundo semestre representaria um prejuízo de até US$ 2 bilhões. Na prática, porém, o impacto deve ser menor, já que as exportações não serão totalmente interrompidas, embora devam cair de forma relevante.

A tendência também é que os exportadores busquem novos mercados. Segundo o analista da Safras & Mercado, o Brasil já ampliou as vendas para países como Argentina e Uruguai.

Outros países que ainda exportam para a China com tarifa reduzida também podem ampliar as compras de carne brasileira, seja para consumo interno ou para revenda ao mercado chinês. Isso ocorre porque, diferentemente do Brasil, muitos deles não conseguem atender simultaneamente à demanda doméstica e à chinesa.

As cotas foram criadas pela China para estimular a produção local de carne bovina. Atualmente, os pecuaristas chineses não conseguem atender à demanda interna, e os preços permanecem elevados no país.

"A China entende que, nesse momento, para ter essa recuperação do setor, vai precisar oferecer preços mais altos para a sua população. Sem alta do preço, não vai acontecer a alta do boi", explica Iglesias.

Por outro lado, Capuzzi, do Insper, avalia que, se os preços continuarem subindo na China, o país poderá rever a restrição para ampliar as importações do Brasil. Outra possibilidade, segundo ele, é utilizar cotas de outras nações para atender ao consumo interno.

Quando a medida foi anunciada, o Brasil tentou negociar pegar fatias de países concorrentes. No entanto, o pedido foi negado.

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