Economia
Ibovespa em disparada: o bonde já passou ou ainda é hora de investir na bolsa?
RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica
Ibovespa em disparada: o bonde já passou ou ainda é hora de investir na bolsa?
Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 21:44
Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por
O Ibovespa abriu o ano novo sem tirar o pé do acelerador. Nesta sexta-feira (30), o principal índice da bolsa fechou aos 181.364 pontos, acumulando valorização superior a 12% no mês e registrando o melhor resultado para janeiro em 20 anos, segundo a B3.
Embalado pela expectativa de cortes de juros no Brasil e no exterior, e pela retomada da entrada de capital estrangeiro na bolsa, o índice já acumula oito recordes de fechamento neste ano e alta de 43% em 12 meses.
Na prática, quem investiu em produtos ligados ao Ibovespa no último ano teve motivos para comemorar. A valorização do índice superou, de longe, o CDI, taxa referência de mercado e que acompanha a Selic — que atualmente está em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.
Mas, apesar de atrair potenciais novos investidores, o cenário também gera dúvidas para quem quer aproveitar o bom momento da bolsa: quando os ganhos com ações ficam elevados, o mercado costuma registrar uma realização de lucros (conhecida como “take profit”).
Nesse cenário, considerando que a rentabilidade da renda fixa continua atrativa, ainda vale a pena investir na bolsa e aproveitar o boom das ações? Ou o bonde já passou e quem ganhou, ganhou?.
Painel eletrônico mostra as flutuações de ações na B3, em 28 de outubro de 2021 — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli
Depois de uma alta expressiva em 2025, o Ibovespa abriu o ano novo sem tirar o pé do acelerador. Nesta sexta-feira (30), o principal índice da bolsa fechou aos 181.364 pontos, acumulando valorização superior a 12% no mês e registrando o melhor resultado para janeiro em 20 anos, segundo a B3.
Embalado pela expectativa de cortes de juros no Brasil e no exterior, e pela retomada da entrada de capital estrangeiro na bolsa, o índice já acumula oito recordes de fechamento neste ano e alta de 43% em 12 meses.
Na prática, quem investiu em produtos ligados ao Ibovespa no último ano teve motivos para comemorar. A valorização do índice superou, de longe, o CDI, taxa referência de mercado e que acompanha a Selic — que atualmente está em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.
Mas, apesar de atrair potenciais novos investidores, o cenário também gera dúvidas para quem quer aproveitar o bom momento da bolsa: quando os ganhos com ações ficam elevados, o mercado costuma registrar uma realização de lucros (conhecida como “take profit”).
🔎 Esse movimento ocorre quando investidores que compraram ações na baixa decidem vender para converter o ganho em dinheiro. Quando muitos investidores fazem o mesmo, o preço dessas ações tende a recuar.
Nesse cenário, considerando que a rentabilidade da renda fixa continua atrativa, ainda vale a pena investir na bolsa e aproveitar o boom das ações? Ou o bonde já passou e quem ganhou, ganhou?
Para especialistas ouvidos pelo g1 ainda há espaço para investir em ações e aproveitar o bom momento do mercado brasileiro.
Pela análise, empresas de alguns setores podem se beneficiar bastante nos próximos meses, com a expectativa de corte da Selic já na próxima reunião do Copom, em março. Segundo a projeção dos analistas de mercado, a taxa deve cair a 12,25% ao ano até o fim de 2026.
Para Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, ainda pode ser vantajoso investir na bolsa mesmo após uma alta tão forte do índice. Segundo ela, a realização de lucros é natural e também pode criar novas oportunidades de entrada.
“Não é porque o Ibovespa subiu muito que todos os papéis também se valorizaram da mesma forma. Por isso, a seletividade nas ações continua sendo importante”, afirma.
📈 O Ibovespa é o principal índice da bolsa e reúne as ações mais negociadas. Quando várias empresas se valorizam, o índice sobe, e quando caem, ele recua. Algumas companhias, como Petrobras, Vale e Itaú, têm maior peso e influenciam mais fortemente o resultado.
O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, ressalta que as condições estão favoráveis à economia brasileira, com expectativa de que o país volte a crescer em ritmo semelhante ao projetado para 2025 — quando o mercado estima que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha avançado 2,26%. Isso tende a beneficiar empresas listadas no índice.
Embora o Brasil ainda enfrente uma taxa de juros elevada, o corte previsto para março, considerado tardio por Galhardo, deve beneficiar empresas mais afetadas por uma Selic alta.
“Com esse ciclo de redução dos juros, as companhias podem registrar ganhos — o que, por sua vez, tende a valorizar suas ações, especialmente no comércio e na indústria, setores mais afetados pela alta da taxa de juros”, afirma.
Gabriela Barssottini, CFP e assessora de investimentos da Knox Capital, lembra que, no último ano, as empresas que mais se destacaram foram da construção civil, do setor de tecidos, vestuário e calçados, além de intermediários financeiros.
O setor bancário também teve forte desempenho: as ações do Itaú subiram cerca de 70% em 12 meses, as do Bradesco avançaram mais de 80% e as do BTG Pactual, mais de 90%. O Santander cresceu 50%, enquanto o Banco do Brasil recuou cerca de 5%.
“Os bancos estão entre os setores com maior potencial para 2026, beneficiados pela margem de lucro nas operações de crédito, pela expansão do crédito e pela queda futura da taxa de juros”, afirma Barssottini.
Além da expectativa de um ciclo de cortes na Selic, André Galhardo, da Análise Econômica, ressalta a força da economia dos Estados Unidos e, especialmente, da China — fator que beneficia as exportações de commodities.
“O Banco Popular da China promete, em 2026, continuar oferecendo instrumentos para que a economia cresça no ritmo desejado pelo Partido Comunista Chinês. Isso beneficia, por exemplo, as empresas mineradoras”, diz Galhardo.
A Vale acompanhou o bom momento do setor no último ano. Os papéis da mineradora, com um dos maiores pesos no Ibovespa, subiram mais de 70% em 12 meses. Esse movimento também pode beneficiar a Petrobras.
🔎 A lógica é que, com grandes potências econômicas aquecidas e maior consumo, a demanda por commodities aumente, elevando seus preços. Isso beneficia empresas exportadoras brasileiras, valoriza seus papéis e atrai investidores, impulsionando a bolsa.
Os investimentos em renda fixa acompanham ou são influenciados pela Selic. A projeção de Antônio Sanches, analista de research da Rico, é de um corte de 0,5 ponto percentual nos juros em março, seguido de mais quatro cortes consecutivos da mesma magnitude, o que levaria a taxa a 12,50% no segundo semestre.
Ele destaca que, mesmo com a redução, os investimentos em renda fixa devem continuar em nível elevado, considerando o risco relativamente baixo para o investidor.
“Com isso, a renda fixa continua bastante atrativa, assim como os títulos pós-fixados, especialmente para objetivos de curto prazo ou para investidores conservadores que buscam previsibilidade na rentabilidade”, diz.
Tesouro Direto: inclui Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+. É um empréstimo ao governo federal, com remuneração ligada à Selic, a uma taxa fixa ou à inflação. Costuma ser considerado o investimento mais seguro do país.Títulos bancários: incluem CDB, LCI, LCA e LC. São empréstimos a bancos, que pagam juros ao investidor. Muitos contam com proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.Crédito privado (títulos de empresas): inclui debêntures, CRI e CRA. São empréstimos a empresas ou a setores específicos, como imobiliário e agronegócio. Em geral, oferecem maior rentabilidade, mas com mais risco.Fundos de renda fixa: reúnem diversos títulos de renda fixa em uma carteira gerida por um profissional, facilitando a diversificação e o acesso a diferentes ativos.
Sanches afirma que é importante que o investidor diversifique a carteira, para não concentrar um percentual muito grande em um único emissor ou até mesmo em um único setor da economia.
"Isso ajuda a evitar eventuais estresses de crédito no mercado, especialmente em um cenário de juros elevados por um período prolongado", diz.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o bom desempenho da bolsa brasileira no ano refletiu, sobretudo, os seguintes fatores:
Cortes de juros nos EUA, com expectativa de novas reduções em 2026;Realocação de investimentos em meio a incertezas sobre as contas públicas e a política econômica de Donald Trump nos EUA, o que favoreceu ativos brasileiros;Expectativa de cortes de juros no Brasil, com o mercado de olho em 2026;Maior resiliência do Brasil nas tensões comerciais com os EUA, reduzindo impactos sobre empresas exportadoras;Ações de empresas brasileiras ainda negociadas abaixo dos níveis pré-pandemia, o que atraiu investidores;Expectativa de mudanças no cenário político, em especial na condução das contas públicas, com a proximidade das eleições de 2026.
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