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Dia do Consumidor: como achar ofertas sem cair em golpes, como site falso, PIX errado e IA com ‘famosos’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/03/2026 02:45

Guia de Compras Dia do Consumidor: como achar ofertas sem cair em golpes, como site falso, PIX errado e IA com 'famosos' Lojas on-line prometem grandes descontos no Dia do Consumidor, mas é preciso se precaver para evitar dores de cabeça depois. Por Redação g1

O Dia do Consumidor acontece em 15 de março, que, em 2026, vai cair em um domingo. Muitas lojas estão aproveitando para oferecer descontos e promoções especiais na data e até ao longo do mês.

Mas, com grandes ofertas, cupons e cashback prometidos pelas lojas on-line, é preciso prestar atenção para não cair em golpes.

As recomendações incluem pesquisar bastante antes de fechar uma compra, conferir todos os detalhes do site onde está comprando (mesmo se for de uma loja conhecida) e sempre desconfiar de preços muito atrativos.

O Dia do Consumidor acontece em 15 de março, que, em 2026, vai cair em um domingo. Muitas lojas estão aproveitando para oferecer descontos e promoções especiais na data e até ao longo do mês.

Mas, com grandes ofertas, cupons e cashback prometidos pelas lojas on-line, é preciso prestar atenção para não cair em golpes.

As recomendações incluem pesquisar bastante antes de fechar uma compra, conferir todos os detalhes do site onde está comprando (mesmo se for de uma loja conhecida) e sempre desconfiar de preços muito atrativos.

Dia do Consumidor: como achar ofertas sem cair em golpes, como site falso, PIX errado e IA com 'famosos' — Foto: Cookie_studio/Freepik

A consulta pode ser feita por conta própria, diretamente nos sites das lojas, ou com o auxílio de buscadores especializados.

A vantagem dos buscadores é que permitem fazer uma pesquisa muito mais ampla. Eles comparam preços em lojas diferentes e alguns mostram a evolução do preço ao longo do tempo.

Em um dia de ofertas em muitos locais, os buscadores servem como referência para escolher o produto no local com maiores descontos.

Vale lembrar que essa estratégia funciona melhor para produtos que seguem uma padronização, como eletrônicos e eletrodomésticos. Outros, como roupas, são mais difíceis de comparar, já que cada loja produz modelos diferentes.

Mesmo se, após a pesquisa, o preço for realmente atrativo, preste atenção em outros detalhes antes de finalizar a compra para garantir que a transação é segura.

É importante analisar, durante a promoção, as condições de pagamento oferecidas, as taxas de juros cobradas e os prazos para quitação, segundo o Procon.

Verifique se os sites ou aplicativos são oficiais e confiáveis. Antes do pagamento, verifique se o endereço eletrônico (URL) começa com “https://” e se há um cadeado ao lado do link, o que indica ambiente seguro.

Desconfie de sites de lojas com erros ortográficos ou pequenas variações no nome da marca. É comum os golpistas costumam usar caracteres parecidos para enganar o consumidor.

Dê preferência ao pagamento com cartões de crédito ou débito, caso seja necessário contestar a compra posteriormente.

Utilize cartões virtuais temporários, disponíveis em aplicativos de bancos e carteiras digitais, para reduzir o risco de clonagem, recomenda o Serasa Experian.

Se o pagamento for feito por PIX, verifique se o destinatário é realmente a loja e não outra pessoa ou CNPJ.

Verifique se o perfil possui reclamações (se não houver comentários, desconfie) e dê preferência a fornecedores que informam canais de atendimento, CNPJ e endereço físico.

Por fim, respire e avalie se o produto, mesmo em oferta, realmente cabe no seu orçamento e se é uma necessidade. Não compre impulsivamente, pois você pode se arrepender e pagar demais, ou pagar pouco por um produto ruim.

Segundo uma pesquisa feita pelo Reclame Aqui, em agosto de 2025, cerca de 63% dos consumidores brasileiros não conseguem identificar um golpe feito com inteligência artificial.

Mas dá para se precaver. As dicas são não se deixar levar pelos anúncios, comparar ofertas de lojas diferentes e tentar sempre analisar se o preço apresentado faz sentido para o seu bolso.

Com a chegada das IAs, os golpes também podem ter a cara do seu ator ou cantor favorito, que podem ser vítimas dos chamados deepfakes, que são reproduções criadas virtualmente de rostos, corpos e até vozes de famosos.

Segundo o Reclame Aqui, “consumidores confiam em outros consumidores”, por isso os golpistas podem tentar se aproveitar dessa confiança para enganar com vídeos falsos de ofertas. Sempre cheque diretamente no site da loja e nunca clique em links veiculados nas redes sociais.

Se encontrar alguma irregularidade do tipo, o consumidor pode denunciar ao Procon. É fundamental apresentar documentos demonstrando essa prática, como um print das telas com as informações da alteração do preço.

É muito importante saber quais são os direitos do consumidor ao comprar um produto, principalmente por vias digitais. Conheça ou relembre alguns conceitos que podem ajudar a fazer uma compra mais segura:

Em compras on-line, o consumidor tem o direito de se arrepender da compra e devolvê-la no prazo de até sete dias, sem necessidade de justificativa e sem custos adicionais.

É o prazo previsto na lei para que o consumidor possa reclamar de vícios e defeitos constatados na compra de produtos.

Esse direito independe de certificado de garantia e de forma escrita, tanto que sua comprovação só necessita de demonstração da compra, com a apresentação de cupom fiscal, por exemplo.

Impõe, de maneira explícita e imediata, a compra de um produto ou serviço adicional ao uso do produto ou serviço desejado. Exemplo: aparelho celular vendido sem os acessórios que obriga o consumidor a adquirir um carregador a parte.

Limita a escolha do consumidor a apenas à opção oferecida pelo próprio fornecedor. Exemplo: permitir a entrada no cinema apenas com alimentos comprados no local.

Abaixo, veja eletrodomésticos, móveis e celulares com preços de R$ 220 a R$ 10.000, consultados em março nas principais lojas on-line.

Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

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Pesquisa revela onde a carreira das mulheres mais trava — e não é no topo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/03/2026 02:45

Trabalho e Carreira Pesquisa revela onde a carreira das mulheres mais trava — e não é no topo Estudo da infoJobs aponta que a barreira mais comum na carreira das mulheres surge antes do topo da hierarquia. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Pesquisa da InfoJobs mostra que 49% das mulheres dizem que a carreira trava na transição para cargos de gestão, antes mesmo de chegar à diretoria.

O resultado revela o chamado “degrau quebrado”, quando profissionais têm dificuldade para conquistar a primeira promoção para liderança, etapa considerada decisiva para avançar na carreira.

Entre os fatores apontados estão menor acesso a projetos estratégicos, vieses nas promoções e maior cobrança sobre o desempenho feminino.

Especialistas também apontam que a desigualdade na divisão do trabalho doméstico e a falta de critérios claros de promoção ainda influenciam a presença feminina nos cargos de liderança.

Apesar das barreiras, metade das entrevistadas se diz otimista sobre o futuro do trabalho para as mulheres, com expectativa de avanços em igualdade salarial e oportunidades de crescimento.

Pesquisa da InfoJobs mostra que 49% das mulheres dizem que a carreira trava na transição para cargos de gestão — Foto: Freepik

Uma pesquisa da plataforma de empregos InfoJobs mostra que quase metade das profissionais acredita que o crescimento trava justamente na passagem para cargos de gestão — etapa que costuma ser a porta de entrada para a liderança nas empresas.

Segundo o levantamento, 49% das mulheres dizem sentir um "teto de crescimento' na transição de funções técnicas para posições de gestão, enquanto 20% apontam que a barreira aparece apenas na chegada à diretoria ou nível executivo.

Na prática, isso indica que muitas carreiras encontram obstáculos antes mesmo de alcançar o topo da hierarquia corporativa.

O estudo faz parte da Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, realizada pela InfoJobs com 1.022 profissionais. O levantamento, divulgado com exclusividade para o g1, reúne percepções sobre crescimento profissional e ambiente de trabalho.

Especialistas costumam explicar esse fenômeno apontando na pesquisa com dois conceitos que ajudam a entender a desigualdade de gênero nas empresas:

🪟 Teto de invisível / vidro : barreira invisível que impede o avanço até as posições mais altas da hierarquia;🪜 Degrau quebrado: dificuldade que muitas mulheres enfrentam para conquistar a primeira promoção para cargos de liderança.

Hosana Azevedo, gerente de RH do Redarbor – grupo responsável pelo InfoJobs – explica que, embora muitas mulheres avancem bem em funções técnicas, a passagem para a liderança costuma depender de outros fatores além da entrega individual.

"Esse é um momento em que as promoções passam a depender menos de entrega individual e mais de visibilidade, networking interno e confiança da liderança — fatores que historicamente favoreceram trajetórias masculinas".

Hosana também ressalta que o problema não está na qualificação das profissionais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres já têm, em média, níveis de escolaridade mais altos que os homens no Brasil. Ainda assim, permanecem sub-representadas em posições de liderança.

Para ela, o desafio aparece justamente na transição entre a performance técnica e o reconhecimento como potencial líder dentro das empresas.

Quando esse primeiro obstáculo aparece cedo, o efeito se espalha ao longo da carreira. Menos mulheres conseguem avançar para os níveis seguintes da estrutura corporativa. E a presença feminina diminui conforme os cargos se tornam mais altos.

Entre as mulheres entrevistadas na pesquisa da InfoJobs, a maior parte ainda está distante das posições de liderança — ou sequer conseguiu permanecer no mercado de trabalho.

Mais da metade das participantes (54%) afirmou que não está trabalhando atualmente. Outras 21% estão no início da carreira e 17% ocupam cargos de especialista ou analista. Já os postos de liderança aparecem com participação bem menor: 5% disseram atuar em coordenação ou gestão, enquanto apenas 3% chegaram à liderança sênior ou à diretoria.

A pesquisa também analisou como as empresas distribuem projetos estratégicos — tarefas que costumam aumentar a visibilidade dentro das organizações e influenciar decisões de promoção.

Quase metade das entrevistadas (46%) avalia que a distribuição ocorre de forma equilibrada e baseada em competência. Ainda assim, uma parcela relevante percebe diferenças. Cerca de 31% dizem que mulheres recebem projetos estratégicos, mas com maior nível de cobrança, enquanto 23% afirmam que há tendência de direcionar projetos críticos para perfis masculinos.

Hosana afirma que projetos estratégicos costumam funcionar como uma vitrine dentro das empresas, pois são eles que aumentam a visibilidade de profissionais e influenciam decisões de promoção.

Segundo a executiva, quando mulheres têm menos acesso a essas experiências — ou precisam comprovar resultados sob níveis mais altos de exigência — cria-se um desequilíbrio que se acumula ao longo da trajetória profissional.

A percepção sobre o ambiente corporativo também ajuda a entender por que o avanço nem sempre ocorre no mesmo ritmo.

Quase metade das entrevistadas (45%) afirma que precisa ter mais cautela ao se posicionar no trabalho em comparação aos colegas homens. Outras 22% dizem que o ambiente não favorece erros ou discordâncias quando se trata de mulheres. Apenas 33% relatam sentir a mesma liberdade e confiança que os pares masculinos.

A percepção de que as organizações ainda precisam evoluir nesse tema também aparece com força no levantamento.

Segundo a pesquisa, 78% das mulheres afirmam que temas como igualdade salarial, apoio à dupla jornada e oportunidades iguais ainda não recebem a atenção necessária dentro das empresas. Apenas 22% acreditam que essas questões são tratadas de forma adequada.

Para Ana Paula Prado, CEO da Redarbor, empresas que não monitoram de forma efetiva indicadores de equidade e inclusão correm o risco de perder talentos e reduzir o engajamento das equipes.

Segundo ela, promover equidade não é apenas uma pauta social, mas também uma estratégia para melhorar a gestão de pessoas e fortalecer a competitividade das organizações.

"As empresas precisam traduzir equidade em ações concretas. Quando as mulheres percebem que seus direitos e oportunidades são tratados de forma superficial, o resultado aparece em diferentes dimensões da organização, como menor retenção, queda de engajamento e enfraquecimento da confiança institucional", pontua.

Outro fator que influencia essa percepção de estagnação aparece em determinadas fases da vida profissional.

Segundo Hosana, o sentimento costuma se intensificar a partir dos 30 anos, momento em que muitas mulheres tentam avançar para posições de liderança ao mesmo tempo em que enfrentam decisões pessoais importantes, como a maternidade.

"As mulheres dedicam quase o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e ao cuidado familiar em comparação aos homens, o que ainda influencia a percepção de disponibilidade para cargos de gestão".

A executiva acrescenta que alguns setores apresentam desafios adicionais. Áreas tradicionalmente masculinas, como tecnologia, engenharia e indústria, ainda registram barreiras maiores para a ascensão feminina.

As dificuldades também se tornam mais evidentes quando o recorte considera mulheres de grupos minorizados.

Segundo a pesquisa da Infojobs, 62% das entrevistadas acreditam que existem oportunidades para mulheres pretas, pessoas com deficiência e LGBTQIA+, mas que elas ainda não são igualitárias. Apenas 19% dizem que essas oportunidades são distribuídas de forma equivalente.

Nos comentários abertos do levantamento, muitas participantes também relataram preferência por homens em cargos de chefia, menor presença feminina em posições estratégicas e diferenças salariais entre homens e mulheres, além de obstáculos para avançar na carreira.

Para Hosana, parte da solução passa por tornar mais claros e estruturados os processos de promoção dentro das empresas. Segundo ela, critérios objetivos para liderança ajudam a reduzir vieses e ampliam as chances de reconhecimento do desempenho feminino.

A executiva também destaca o papel de iniciativas como programas de mentoria, patrocínio profissional e trilhas de desenvolvimento voltadas à liderança feminina.

Metade das entrevistadas (50%) afirma ter uma visão otimista sobre o futuro do mercado de trabalho para as mulheres, com expectativa de maior igualdade salarial, mais benefícios relacionados à maternidade e oportunidades mais equilibradas. Outros 30% dizem não esperar mudanças significativas, enquanto 21% demonstram uma visão pessimista.

"Esse dado mostra que existe expectativa de mudança — e cabe às empresas transformar essa expectativa em práticas concretas de desenvolvimento, visibilidade e acesso à liderança", conclui Hosana.

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Produtores rurais relatam preços abusivos e dificuldade de encontrar diesel em plena colheita no RS e PR

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/03/2026 01:46

Agro Produtores rurais relatam preços abusivos e dificuldade de encontrar diesel em plena colheita no RS e PR Relatos ocorrem em meio à disparada do preço do petróleo no mercado internacional. Produtores suspeitam de movimento especulativo no mercado. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam dificuldade para comprar diesel para abastecer máquinas agrícolas e denunciam aumentos “abusivos” no preço do combustível em pleno período de colheita de arroz e de soja.

As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional.

A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.

A alta de preço é real, mas a Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que não existe problema de falta de combustível.

Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná relatam dificuldade para comprar diesel para abastecer máquinas agrícolas e denunciam aumentos “abusivos” no preço do combustível em pleno período de colheita de arroz e de soja.

"Até o início da semana passada, ninguém se preocupava com a entrega de diesel. Já nessa semana, eu fui fazer um pedido e fui colocado em uma lista de espera. Estava pagando R$ 5 o litro, e já subiu para R$ 7", conta o produtor de arroz Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS).

"No Paraná, temos recebido relatos de falta de diesel desde terça. Um produtor de Rio Azul, por exemplo, nos informou que a distribuidora que atende na região não possui o combustível", afirma Luiz Eliezer Ferreira, técnico do departamento econômico do Sistema FAEP.

"Outros relatos semelhantes estão chegando de Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati", acrescenta.

Já em Erechim, norte do RS, cerca de 20% dos produtores enfrentam dificuldades para encontrar óleo diesel, conta o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan André Tormen. "Todos relatam alta de preço que varia 20% a 55%", acrescenta.

As queixas começaram uma semana depois do início do conflito entre EUA, Israel e Irã, que provocou uma disparada do preço do petróleo no mercado internacional. A Petrobras ainda não reajustou os preços no Brasil, mas o diesel já subiu 7% nos primeiros dias de março.

No domingo (8), a agência publicou uma nota informando que entrou em contato com os principais fornecedores e que apurou que o RS conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento de diesel.

"As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos", disse a agência.

Diante da falta de uma explicação clara para o que está acontecendo, produtores e associações desconfiam de um movimento especulativo e de um possível freio nas importações diante da disparada dos preços.

O g1 procurou o Sindicato Nacional das Empresas de Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), mas a entidade disse que não irá se manifestar sobre o assunto.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) não respondeu até a publicação dessa reportagem, mas, em seu site, soltou uma nota conjunta defendendo a importação de biodiesel de até 20% da demanda nacional para frear a escalada de preços. (veja abaixo)

A maioria dos produtores rurais não possui estrutura para armazenar grandes volumes de combustível e, por isso, depende de entregas contínuas de diesel, diz Rechsteiner. Esse abastecimento é feito por empresas conhecidas como Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs).

"Elas atuam como revendedoras: compram o combustível das grandes distribuidoras para entregá-lo diretamente nas propriedades rurais", explica o diretor do SindTRR, no RS, Carlos Schneider.

Ele explica que o que tem acontecido no estado é que as TRRs não estão recebendo combustível das distribuidoras.

"A maioria das TRRs não possui contratos fixos com as grandes distribuidoras. Elas operam como clientes 'spot' (bandeira branca), o que as coloca no final da fila de prioridades das distribuidoras", diz Schneider.

Segundo ele, o recado que as empresas têm recebido das distribuidoras é de que há indisponibilidade do produto para as TRRs.

Antônio Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), afirma que tanto a falta de diesel nas TRRs, como a disparada de preços, "parecem" se tratar mais de "um movimento especulativo".

"O diesel que está saindo das distribuidoras foi comprado com petróleo abaixo de US$ 60", diz.

"O sujeito vê que o preço vai subir e segura o produto que ele tem estocado para vender 50% mais caro. Isso é algo extremamente danoso", ressalta.

Schneider, do SindTRR, explica que a produção nacional não supre toda a demanda, sendo necessário importar entre 25% e 30% do óleo diesel consumido no Brasil.

"As distribuidoras podem estar 'abrindo mão' de suas cotas de importação para não amargar prejuízos, o que gera o buraco no suprimento", afirma. "Eles não estão sendo transparentes com o mercado, não estão dizendo o que realmente está acontecendo."

Já o presidente do Sindicato Rural de Erechim, Allan Tormen, diz que as próprias "TRRs podem estar tentando se antecipar aos aumentos da Petrobras para não ter prejuízo na reposição do estoque".

Diante desse cenário, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação sobre os preços abusivos dos combustíveis, após um pedido da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) na última terça-feira (10).

Associações rurais e distribuidoras têm pedido ao governo medidas para aumento da oferta de biodiesel no mercado doméstico como forma de frear a escalada de preços.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME), na sexta (6), o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel dos atuais 15% para 17%.

"O avanço da mistura de biodiesel representa uma medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, explica no ofício o presidente da CNA, João Martins.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e a Fecombustíveis defenderam, em nota, a liberação da importação de biodiesel até o limite de 20% da demanda nacional.

Outras entidades assinaram a nota, como a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), SindTRR e Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

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