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Samba, vinho e pisa da uva: a experiência inusitada que está atraindo turistas

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Samba, vinho e pisa da uva: a experiência inusitada que está atraindo turistas

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 15/03/2026 04:00

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Samba, vinho e pisa da uva: a experiência inusitada que está atraindo turistas Empreendedora une tradição vinícola, samba e memória negra para criar uma experiência turística com identidade cultural. Por Pegn — São Paulo

Miriam Santiago, produtora rural e proprietária de uma vinícola no interior do Rio Grande do Sul, encontrou na valorização da história negra um diferencial de negócio.

A proposta vai além do produto e convida os visitantes a vivenciar processos ancestrais da produção vinícola, embalados por música e narrativa cultural.

A iniciativa se apoia em pesquisas históricas que mostram que a pisa da uva é um dos processos mais antigos da vinificação, desenvolvido no Egito Antigo e difundido pela Europa, com forte participação de pessoas negras ao longo da história.

O resultado foi expressivo. Entre 2024 e 2025, o faturamento da vinícola cresceu 248%, impulsionado tanto pelo turismo quanto pela ampliação das vendas para grandes redes de supermercados.

Um passo aqui, outro ali — e o samba dá o ritmo a uma tradição centenária. Em Poço das Antas, no interior do Rio Grande do Sul, a pisa da uva ganhou novos significados ao ser reinventada como uma experiência de afroturismo, que une vinho, memória, identidade e empreendedorismo.

À frente da iniciativa está Miriam Santiago, produtora rural e proprietária de uma vinícola que encontrou na valorização da história negra um diferencial de negócio.

“Ao juntar a roda de samba com a pisa da uva, a gente conta uma história que não costuma ser contada: a história das pessoas negras com o vinho”, explica a empreendedora.

A proposta vai além do produto e convida os visitantes a vivenciar processos ancestrais da produção vinícola, embalados por música e narrativa cultural.

A relação de Miriam com a terra vem de longe. Filha de trabalhadores rurais do interior de São Paulo, cresceu vendo os pais e o irmão enfrentarem condições duras no campo.

Samba na uva transforma vinícola do RS em experiência de afroturismo e impulsiona faturamento — Foto: Reprodução/PEGN

Formada em Direito, acreditava que a ascensão social viria longe da agricultura. O caminho, no entanto, mudou após se mudar para o Rio Grande do Sul, onde decidiu trabalhar na propriedade da família do marido e agregar valor à produção local.

O primeiro passo foi investir em conhecimento. Miriam fez cursos de viticultura voltados para mulheres, formação em vinificação e iniciou a graduação em Enologia.

Com investimento inicial de R$ 50 mil, deu início à agroindústria, que depois exigiu novos aportes para a construção da estrutura física. Hoje, além dos vinhos, a vinícola produz sucos integrais, geleias e licores.

Mas foi ao apostar na experiência que o negócio ganhou fôlego. Surgiu assim o “Samba na Uva”, uma atividade que combina pisa simbólica das uvas, roda de samba, tour pela propriedade — que começa em um passeio de trator pelas parreiras — e degustação de produtos locais.

A iniciativa se apoia em pesquisas históricas que mostram que a pisa da uva é um dos processos mais antigos da vinificação, desenvolvido no Egito Antigo e difundido pela Europa, com forte participação de pessoas negras ao longo da história.

Samba na uva transforma vinícola do RS em experiência de afroturismo e impulsiona faturamento — Foto: Reprodução/PEGN

O resultado foi expressivo. Entre 2024 e 2025, o faturamento da vinícola cresceu 248%, impulsionado tanto pelo turismo quanto pela ampliação das vendas para grandes redes de supermercados.

“Vinho não é só um produto. As pessoas compram a história também. Quando conhecem essa história diretamente de quem produz, o valor muda”, afirma Miriam.

Para chegar às gôndolas, a empreendedora destaca a importância de participar de feiras do setor e manter persistência. “Você tem que ser incansável. Entrar no supermercado não significa que o desafio acabou. A marca ainda precisa se apresentar ao consumidor.”

O plano de negócios, no entanto, vai além dos números. A proposta é criar experiências intimistas, em grupos menores, nas quais o visitante possa colher a uva, acompanhar o processo e entender o que existe por trás de cada garrafa. “Não é só vinho. São muitas histórias”, resume.

Entre a terra, o samba e o vinho, Miriam transformou tradição em estratégia e identidade em valor. Para o futuro, os planos incluem alcançar novos mercados e realizar um antigo desejo: exportar os vinhos, especialmente para países do continente africano, reforçando os laços culturais que inspiraram o negócio desde o início.

Samba na uva transforma vinícola do RS em experiência de afroturismo e impulsiona faturamento — Foto: Reprodução/PEGN

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