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Lula diz que ‘filhos são piores que Bolsonaro’ ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: ‘Traidores da pátria’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 12:48

Política Lula diz que 'filhos são piores que Bolsonaro' ao associar taxação dos EUA à família do ex-presidente: 'Traidores da pátria' Presidente Lula comentou relatório norte-americano que propõe sobretaxa de 25% a produtos brasileiros. Ele culpou reuniões de filhos de Bolsonaro com o governo Trump por sanções sugeridas ao país. Por Kellen Barreto, Ana Flávia Castro, Gustavo Garcia, Mariana Laboissière, g1 — Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (2), que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) são "piores que ele", e associou a família ao relatório dos Estados Unidos que propõe uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, por supostas práticas restritivas ao comércio americano.

"Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões [vendedores ambulantes] da pátria, foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras", disse Lula.

"É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. […]. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?", prosseguiu o presidente.

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos propôs nesta segunda a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil (leia mais abaixo).

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, esteve em Washington e se reuniu com Trump e auxiliares do presidente americano. Nesta terça (2), o pré-candidato afirmou em entrevista que pediu ao americano para não taxar o Brasil.

Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas — Foto: Ricardo Stuckert / PR

Lula comentou o relatório mais recente da Secretaria de Comércio americana durante discurso em um evento em Catalão (GO), no fim da manhã.

Na fala, ele relembrou a primeira vez em que os Estados Unidos anunciaram uma taxação a produtos brasileiros, em julho do ano passado, sob argumento de que a medida restabeleceria o equilíbrio na balança comercial entre os dois países.

🔎Na época, o governo Trump anunciou uma sobretarifa de 40% — adicional aos 10% que já estavam em vigor — sobre importações de origem brasileira. A medida afetou a indústria e o comércio, e motivou negociações entre os dois países na tentativa de reverter as taxas. Parte da decisão foi revogada em novembro.

Segundo o petista, as sanções do governo Trump são uma reação às conversas de Flávio e Eduardo com uma ala específica da Casa Branca, liderada pelo Secretário de Estado Marco Rubio.

"No dia em que ele [Trump] taxou, os 'meninos do Bolsonaro', um deles, que é candidato a presidente, disse no dia 9 de julho de 2025, ele tuitou: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo'. Queremos o Magnistky' , a lei que pune os brasileiros, a lei em que eles sequestram o dinheiro dos brasileiros que podem ter qualquer coisa nos Estados Unidos, inclusive o ministro Alexandre de Moraes", disse Lula.

🔎O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi incluído em julho do ano passado na lista de autoridades estrangeiras punidas pela Lei Magnistky, que prevê sanções econômicas. Em novembro, ele foi retirado.

Ele prosseguiu: "Então, o filho dele [Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir, em 9 de julho de 2025, no dia que ele nos puniu, ele foi dizer 'Obrigado, Trump'. E o outro filho também foi agradecer ao presidente Trump. Os dois criticando o Brasil e parabenizando o Trump pela taxação".

Lula, então, disse que está falando isso para que as pessoas saibam que estão "lidando com a pior espécie de ser humano que esse país já produziu".

"Eu já fiz muita campanha política, eu já enfrentei muita gente de direita. Eu enfrentei gente do centro. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa família metralha que assumiu o governo de 2018 a 2022", disse.

O petista, então, repetiu a negativa de Flávio: "Só para lembrar: ele hoje foi dizer que não falou nada. E falou. Ele foi pedir arrego. Foi dizer: 'porr*, Trump, dá uma porrada no Lula, taxa o Lula, porque o Lula vai ganhar as eleições, Trump, não deixa. Prejudica o Lula'. Imbecil. Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula, vai prejudicar o povo, os empresários, o agronegócio brasileiros".

"Mas, como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça, para um homem cristão como eu, obediente a Deus, o que aconteceu hoje para se contrapor à medida do Trump, a China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, eu tenho muita sorte. Se você não quiser comprar de mim, eu vou vender para outro. Eu não permitirei que a mentira predomine sobre a verdade", finalizou.

Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A sugestão do departamento de comércio, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

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‘Obstáculos ao comércio e a investimentos’: Câmara Americana de Comércio para o Brasil cita aumento de custos após governo Trump ameaçar novas tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 12:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,018-0,15%Dólar TurismoR$ 5,215-0,12%Euro ComercialR$ 5,840-0,08%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa174.718 pts1,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,018-0,15%Dólar TurismoR$ 5,215-0,12%Euro ComercialR$ 5,840-0,08%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa174.718 pts1,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,018-0,15%Dólar TurismoR$ 5,215-0,12%Euro ComercialR$ 5,840-0,08%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa174.718 pts1,46%Oferecido por

Se tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros forem implementadas pelos Estados Unidos, o Brasil pode enfrentar aumento de custos, redução de competitividade e obstáculos ao comércio e aos investimentos bilaterais.

Essa é a visão compartilhada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) após a publicação das conclusões de uma longa investigação realizada pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Em um documento publicado na segunda-feira (1), o governo americano disse que certas práticas do governo brasileiro são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA" e, por isso, tarifas retaliatórias de 25% devem ser instauradas contra produtos brasileiros.

Apesar de se tratar apenas de uma recomendação do USTR – as tarifas ainda serão discutidas ao longo das próximas semanas –, a Amcham afirma que são necessários esforços diplomáticos das duas nações para "evitar um tratamento tarifário mais oneroso para as exportações brasileiras no mercado norte-americano em relação a seus concorrentes de outros países".

"O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão, preservando as condições necessárias para a evolução do comércio e dos investimentos nos dois países", afirmou Abrão Neto, presidente da organização, em nota.

Ainda segundo a Amcham, deve ser publicado nas próprias semanas o relatório de uma segunda investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Seção 301, relacionada a importações de produtos elaborados com trabalho forçado, que poderia resultar em tarifas adicionais para cerca de 60 países, incluindo o Brasil. Por isso, diz a organização, uma solução negociada é ainda mais importante.

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Em julho do ano passado, o governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos.

O relatório de conclusão divulgado nesta segunda tem 107 páginas e traz conclusões da investigação em seis áreas distintas.

Entre outras coisas, o documento sustenta que determinadas políticas e práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, meios eletrônicos de pagamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso a mercado e outras matérias afetam negativamente interesses comerciais dos Estados Unidos.

Um dos alvos da investigação americana é o sistema de pagamentos Pix. "O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o relatório.

Como respostas às conclusões, o USTR propõe que "a ação adequada incluiria a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os produtos brasileiros", mas com diversas exceções que são listadas em um anexo.

Essas exceções incluem produtos que poderiam afetar negativamente a economia americana se fossem submetidos a aumento de tarifas, produtos que não podem ser cultivados e produzidos nos EUA e artigos cuja tributação "não contribuiria" para encerrar as práticas brasileiras condenadas na investigação.

Para o economista Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido, a lista de exceções às tarifas que podem ser implementadas protege setores cruciais para as economias brasileira e americana e, portanto, o impacto imediato da taxação deve ser limitado.

"Exemplos incluem o setor de café e a indústria aeronáutica, cuja exclusão visa evitar a inflação e problemas na cadeia de suprimentos nos Estados Unidos. No entanto, setores de manufatura de média complexidade, que ainda exportam para os EUA, podem ser mais afetados por não estarem contemplados nessas exceções", avalia o professor.

O economista ressalta, porém, que a discussão sobre o Pix tem um potencial efeito negativo maior para o Brasil. "Embora não vislumbre efeitos imediatos, o simples fato de o tema estar em pauta e poder se tornar motivo de disputa é um fator complicado. Contudo, não parece provável que o governo altere sua postura por causa disso no curto prazo", diz.

Guilherme Klein Martins chama atenção ainda para o aumento da incerteza para investidores multinacionais. O especialista ressalta que a decisão vem dias depois dade os Estados Unidos classificarem as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Esse momento de tensão em diferentes áreas, diz, pode levar empresas a segurarem investimentos no curto prazo enquanto aguardam desdobramentos.

"Vale ressaltar que o relatório ainda passará por consulta popular e não foi implementado. Portanto, a permanência dessas medidas dependerá do que for efetivamente aplicado e de como o cenário político brasileiro evoluirá após as eleições, momento em que tudo pode ser revisto", opina.

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Tarifas propostas ao Brasil são ‘diferenciadas’, diz representante do comércio dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%MoedasDólar ComercialR$ 5,012-0,28%Dólar TurismoR$ 5,202-0,36%Euro ComercialR$ 5,837-0,16%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.176 pts1,15%Oferecido por

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. — Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse nesta terça-feira (2) que o governo Trump divulgará os resultados de várias investigações comerciais da Seção 301 nas próximas semanas. As informações são da agência Reuters.

Ele acrescentou que as tarifas de 25% propostas para o Brasil são "bastante diferenciadas" devido às exclusões de carne bovina, café, metais, energia e outros produtos. Veja a lista completa de produtos isentos no fim da reportagem.

Greer, falando no programa Squawk Box da CNBC, disse que o governo tem obtido resultados muito bons com seu programa de tarifas para aumentar as exportações dos EUA.

Ele disse que tarifas substanciais são necessárias para corrigir práticas comerciais injustas persistentes em todo o mundo e um déficit comercial "gigantesco" dos EUA.

🔎 A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é um mecanismo criado pelo Congresso dos EUA que permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores dos EUA.

A declaração vem logo após os Estados Unidos divulgarem o relatório de uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano.

Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras.

Na época, Jamieson Greer afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação.

O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009.

Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

"Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou Greer.

Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções.

Entre os produtos isentos estão: determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem.

Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos.

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Governo Trump conclui que PIX é ‘injusto’: por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,013-0,19%Dólar TurismoR$ 5,211-0,2%Euro ComercialR$ 5,838-0,09%Euro TurismoR$ 6,082-0,03%B3Ibovespa173.896 pts0,99%MoedasDólar ComercialR$ 5,013-0,19%Dólar TurismoR$ 5,211-0,2%Euro ComercialR$ 5,838-0,09%Euro TurismoR$ 6,082-0,03%B3Ibovespa173.896 pts0,99%MoedasDólar ComercialR$ 5,013-0,19%Dólar TurismoR$ 5,211-0,2%Euro ComercialR$ 5,838-0,09%Euro TurismoR$ 6,082-0,03%B3Ibovespa173.896 pts0,99%Oferecido por

Governo Trump conclui que Pix é 'injusto': por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora? — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos voltou a atacar o sistema de pagamentos Pix nesta terça-feira (02/06) ao concluir uma grande investigação sobre práticas comerciais do Brasil.

Uma investigação comercial com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — um instrumento legal que permite a Washington apurar práticas estrangeiras consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas e produtos americanos — concluiu que práticas comerciais do Brasil são "irrazoáveis" e "oneram ou restringem o comércio dos EUA".

Um dos alvos do documento americano — produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) — é o sistema de pagamentos Pix.

"O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix", afirma o documento.

O governo americano acusa o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — "como regulador e proprietário/operador" do Pix — criando um "conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas".

"O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix. Por exemplo, o Banco Central exige o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e requer que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque igual ou superior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência."

Além disso, há críticas pelo fato de o Banco Central exigir que o Pix seja ofertado sem taxas aos clientes. Segundo a conclusão da investigação, as autoridades brasileiras obrigam empresas americanas a promover o competidor brasileiro (Pix) sem compensações às instituições americanas.

"Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial dado ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas, e o Brasil discrimina os fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA ao conceder essas vantagens apenas a seu campeão nacional do Brasil."

Por ora, ainda não há definição sobre as consequências da conclusão das investigações americanas sobre as práticas comerciais e sobre o Pix.

O documento americano propõe tarifas retaliatórias de 25% a produtos brasileiros — mas essas medidas ainda não foram definidas e serão discutidas ao longo das próximas semanas.

O governo americano ainda está recebendo consultas do público até o dia 1º de julho sobre as medidas.No dia 6 de julho, haverá uma audiência pública nos EUA.O governo americano disse que estará em diálogo com o brasileiro até o dia 15 de julho, antes de anunciar qualquer decisão.

O Pix foi mencionado em outro relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas.

Na ocasião, o governo brasileiro reagiu e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o "o Pix é do Brasil". "Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix", ele declarou em entrevista na semana passada.

Até o presidente da Colômbia saiu em defesa do sistema de pagamentos brasileiro. Gustavo Petro elogiou o modelo e, em uma longa publicação nas redes sociais, pediu que o sistema fosse estendido a seu país.

Com a conclusão das investigações sobre o Pix, surge agora uma pergunta: o que os EUA podem fazer de concreto contra o sistema de pagamentos brasileiro?

Especialistas apontam que o pix contraria interesses de big techs e de empresas de cartão — Foto: Getty Images via BBC

Os especialistas em comércio exterior e regulação econômica ouvidos pela reportagem frisaram que os EUA não têm jurisdição para agir diretamente contra o Pix.

As ferramentas à disposição dos americanos se concentram no âmbito comercial e estão descritas na própria legislação que foi usada para abrir a investigação contra o Brasil, a seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Vão desde a suspensão de benefícios e acordos comerciais à restrição de importações de produtos e serviços ou imposição de tarifas sobre esses bens e serviços.

Ou seja, os EUA poderiam, por exemplo, dar início a um novo tarifaço sobre as exportações brasileiras com destino aos portos americanos ou retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), um programa de benefícios tarifários instituído nos anos 1970 para países em desenvolvimento.

"Trata-se, portanto, mais de um mecanismo de pressão externa e econômica sobre o Estado brasileiro do que um poder regulatório sobre a infraestrutura de pagamentos em si", disse Camila Villard Duran, especialista em direito econômico e regulação do mercado monetário.

Duran destaca que no relatório de março do USTR a linguagem usada no capítulo do Brasil é semelhante à que descreve supostas "práticas desleais" no setor de pagamentos em diversos outros países que também são criticados pelos EUA.

"O caso brasileiro, nesse sentido, não é isolado, mas integrado a uma estratégia política mais ampla de contestação de práticas nacionais em serviços financeiros digitais", diz ela, que é professora associada de direito da ESSCA School of Management, na França, e cofundadora do Instituto Mulheres na Regulação.

"Assim, a consequência mais plausível não é uma medida direcionada tecnicamente ao Pix, mas sim alguma forma de retaliação comercial mais ampla", avalia Duran.

Nesse sentido, uma fonte brasileira próxima às negociações diz ser difícil arriscar dizer o que exatamente virá após a investigação.

Historicamente, pondera a fonte, os EUA pouco usaram o instrumento da seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e, no caso específico da investigação contra o Brasil, o escopo de temas analisados pelo USTR é amplo e vai bem além do Pix.

Também inclui, por exemplo, as tarifas a que os produtores de etanol americanos estão submetidos para acessar o mercado brasileiro e até o desmatamento ilegal, acusado de dar vantagem competitiva injusta às exportações agrícolas brasileiras.

Renê Medrado, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados, faz avaliação semelhante e exemplifica: ainda que os EUA por ventura optassem por uma retaliação comercial ampla, é difícil estimar se as eventuais tarifas seriam colocadas para uma lista ampla de produtos ou se seriam seletivas.

"E tem isso de que o governo americano às vezes fala que vai [fazer alguma coisa], depois volta atrás…", ele acrescenta, ao comentar sobre o desafio de se traçar possíveis cenários.

"O alcance dessas medidas dependerá muito mais da dinâmica da política bilateral e da eficácia da diplomacia brasileira", comenta a professora Camila Villard Duran.

Por que então os EUA estão atacando o Pix este ano? No relatório do USTR de março do ano passado, o sistema de pagamentos instantâneo brasileiro não havia nem sido mencionado diretamente, ao contrário do que aconteceu no deste ano.

Mesmo no documento em que formalizou a investigação contra o Brasil, a agência não citou o Pix nominalmente, apesar de ter feito referência indireta a ele ("O Brasil também parece se envolver em uma série de práticas desleais com relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", diz o texto).

A fonte ouvida pela BBC News Brasil que tem proximidade com as negociações comenta que uma das hipóteses para o endurecimento no tom agora foi o desfecho de uma reunião recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que o Brasil bloqueou uma proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos.

E há ainda a grande derrota que o tarifaço de Trump sofreu no judiciário americano em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte considerou que o instrumento que vinha sendo usado para embasar as medidas (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, ou IEEPA, na sigla em inglês), na verdade não autorizava o governo americano a instituir as tarifas.

Em um artigo de março deste ano, duas analistas do centro de pesquisas americano Brookings Institute pontuaram que, diante desse revés, a Seção 301, usada na investigação contra o Brasil, pode entrar no cardápio do governo americano como opção para voltar a taxar seus parceiros comerciais.

Do lado do setor financeiro, a jurista Camila Villard Duran chama atenção para a expansão do Pix no Brasil, "que altera diretamente o equilíbrio competitivo para empresas americanas, como Visa e Mastercard", mas especialmente para o fenômeno mais amplo no qual ele está inserido, de transformação estrutural e reorganização da ordem monetária e financeira internacional.

"O Pix já não é apenas um sistema de pagamentos eficiente. Ele representa um modelo de infraestrutura pública, que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras e concentra, no âmbito doméstico, o controle jurisdicional sobre dados e fluxos financeiros", destaca Duran.

A professora aponta que, no relatório do USTR, os EUA fazem críticas semelhantes às feitas ao Brasil a países como Índia, Tailândia e Paquistão, "onde políticas públicas nacionais promovem sistemas domésticos de pagamento, impõem requisitos de localização de dados ou criam barreiras regulatórias à atuação de empresas estrangeiras".

"Em todos esses casos, o argumento dos EUA é semelhante: tais medidas seriam discriminatórias e restringiriam o acesso de empresas americanas a mercados nacionais", completa.

Post do governo federal de julho de 2025: gestão Lula tem procurado usar episódios para tentar melhorar imagem — Foto: Reprodução/X/Governo Federal

Diante desse panorama, Duran avalia que a pressão sobre o Pix e sobre sistemas de pagamentos de outros países também está ligada a uma questão ainda mais ampla, de soberania.

O que está em jogo, diz ela, já não é apenas a concorrência entre empresas, "mas o controle sobre infraestruturas consideradas como críticas".

"Nas minhas pesquisas, tanto sobre a criação do euro digital como sobre os projetos de plataformas alternativas para transações financeiras transfronteiriças, noto que a ideia de 'soberania monetária' está se deslocando muito rapidamente da autonomia da política monetária para o controle jurisdicional sobre as infraestruturas de pagamento e dos dados monetários que elas geram", afirma Duran.

"A moeda, na economia digital, torna-se cada vez mais informação e, nesse contexto, o controle jurisdicional sobre esses dados passa a ser um elemento central do poder monetário estatal."

PIX ameaçado? O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais no BrasilPor que governo Trump voltou a atacar o Pix (e o que EUA podem fazer contra ele)?

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

PIX, etanol e STF: entenda as críticas dos EUA para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,006-0,33%Dólar TurismoR$ 5,207-0,28%Euro ComercialR$ 5,832-0,19%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.284 pts1,21%MoedasDólar ComercialR$ 5,006-0,33%Dólar TurismoR$ 5,207-0,28%Euro ComercialR$ 5,832-0,19%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.284 pts1,21%MoedasDólar ComercialR$ 5,006-0,33%Dólar TurismoR$ 5,207-0,28%Euro ComercialR$ 5,832-0,19%Euro TurismoR$ 6,079-0,09%B3Ibovespa174.284 pts1,21%Oferecido por

Os Estados Unidos concluíram nesta segunda-feira (1º) uma investigação que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos. Entre elas estão o PIX, o desmatamento ilegal, a pirataria e falhas na aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O órgão, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.

Segundo o relatório final do USTR, as seguintes práticas do governo brasileiro "oneram ou restringem" o comércio com os EUA:

Comércio digital e serviços de pagamento (PIX): o texto afirma que o Banco Central favorece o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, em detrimento de provedores americanos. Segundo o USTR, o BC atua ao mesmo tempo como regulador e operador do sistema, impondo seu uso e limitando as taxas cobradas por concorrentes.Regulação de redes sociais: o USTR afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA — em alguns casos, com alcance global —, além de proibirem a divulgação dessas decisões. O órgão também critica a aplicação de multas elevadas, restrições a ativos e contas bancárias e, em pelo menos um caso, o bloqueio completo de um site.Tarifas preferenciais desleais: o governo americano contesta os acordos comerciais mantidos pelo Brasil com México e Índia. Segundo o USTR, o país concede tarifas mais baixas a centenas de produtos desses mercados em setores nos quais ambos são considerados produtores avançados e competitivos globalmente;Desmatamento ilegal: o documento afirma que, embora o Brasil tenha um marco legal para combater o desmatamento ilegal, o país falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz, permitindo a continuidade do problema;Acesso ao mercado de etanol: o órgão americano argumenta que o Brasil interrompeu, de forma abrupta, em 2017, o tratamento tarifário equilibrado aplicado ao etanol e, desde então, não oferece reciprocidade às exportações do combustível vindas dos EUA;Proteção da propriedade intelectual: os EUA apontam falhas na aplicação de leis penais e aduaneiras contra a falsificação de produtos, além de lentidão na análise de patentes e de ações contínuas de combate à pirataria. O relatório também critica o tempo de análise de patentes pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), especialmente no setor biofarmacêutico, que pode chegar a 109 meses.Combate à corrupção: a representação americana concluiu que o Brasil não adota medidas suficientes para combater o suborno e a corrupção. O documento cita a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF em 2023, a renegociação "sem transparência" de acordos de leniência e a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.

A nova taxa ainda não está valendo. Pela legislação americana, a investigação formal precisa ser concluída e uma série de consultas públicas deve ser realizada antes que as medidas entrem em vigor.

Por que o Brasil virou alvo dessa investigação?O que é a investigação comercial dos EUA?Quais produtos que podem ficar isentos?Quais os próximos passos e prazos?Esse é um novo tarifaço?

Após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal o tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, a investigação comercial baseada na Lei de Comércio passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano.

Ela foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Trump. Uma semana antes, ele já havia mencionado a possibilidade na carta em que anunciou uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras.

Na época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que havia documentado "práticas comerciais desleais do Brasil que restringem o acesso de exportadores americanos ao seu mercado há décadas", mas não apresentou evidências para sustentar a acusação.

O documento reunia argumentos comerciais e políticos, incluindo a alegação de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil. No entanto, os americanos exportam mais para o mercado brasileiro do que importam desde 2009. (saiba mais abaixo)

Agora, Greer afirma que o governo americano mantém diálogo intenso com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que ainda existem divergências entre os dois países.

"Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação", afirmou.

Embora as negociações devessem terminar nesta sexta-feira (5), participantes das conversas afirmaram que não houve avanços suficientes para encerrar os trabalhos, segundo revelou o blog do Valdo Cruz nesta segunda-feira.

A nova decisão frustra os planos de Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à classificação do PCC e do CV como grupos terroristas.

A investigação contra o Brasil foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos.

A legislação dá ao USTR o poder de investigar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como a imposição de tarifas sobre produtos importados.

O mecanismo já foi utilizado em diferentes disputas comerciais, especialmente contra a China. Em 2019, durante o primeiro mandato de Trump, os EUA aplicaram tarifas sobre mais de US$ 120 bilhões em produtos chineses com base nessa legislação.

Apesar da proposta de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma série de itens deve ficar de fora da medida, como materiais informativos, doações e produtos incluídos em uma lista específica de exceções.

Entre os produtos isentos estão determinadas carnes, frutas e minerais, além de café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palha e forragem.

Aeronaves e peças produzidas no Brasil, terras raras, produtos químicos orgânicos, medicamentos e fertilizantes também estariam entre os itens isentos.

Durante a fase inicial da investigação, ainda em 2025, os EUA já haviam colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes da divulgação do parecer atual.

O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro ao presidente americano, em 7 de maio, na Casa Branca. Nas redes sociais, o USTR chegou a destacar o "engajamento construtivo" do governo brasileiro para avançar em questões comerciais e afirmou que aguardava a continuidade das discussões entre os dois países.

A conclusão da investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para as negociações do grupo de trabalho criado pelos governos do Brasil e dos EUA para discutir temas comerciais e tentar evitar a aplicação de novas tarifas.

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, fala à imprensa no dia em que participa de um almoço de trabalho com ministros do comércio da UE, em Bruxelas, Bélgica, 24 de novembro de 2025. — Foto: Piroschka van de Wouw/Reuters

Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, o governo dos EUA definiu um cronograma de audiências e consultas públicas para receber manifestações de interessados:

Até 22 de junho de 2026: prazo para o envio de pedidos de participação na audiência pública, acompanhados de um resumo do depoimento.Até 1º de julho de 2026: prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR.6 de julho de 2026: realização da audiência pública do USTR para debater as medidas propostas.15 de julho de 2026: prazo legal para a definição e eventual aplicação de medidas corretivas contra o Brasil.

O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta o dedo durante uma reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Evan Vucci

Em 20 de fevereiro deste ano, a maioria dos juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), usada por Trump, não autoriza o presidente a impor tarifas por conta própria.

Em resposta à decisão, Trump anunciou o uso de outro instrumento legal para impor uma tarifa global de 10%, com algumas exceções. A medida entrou em vigor na semana seguinte e permanece válida até 24 de julho.

Isso inclui as chamadas tarifas recíprocas de 10%, anunciadas em abril do ano passado.Também a sobretaxa de 40% sobre diversos itens brasileiros, anunciada por Trump em carta enviada ao presidente Lula, em julho de 2025.

Na época, o governo Trump já havia indicado que poderia recorrer a outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos relacionados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais.

Algumas dessas alternativas chegaram a ser mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh, da Suprema Corte. Entre elas estava justamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao governo impor tarifas sem limite de valor ou duração, desde que haja uma investigação formal e a realização de consultas públicas.

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Planalto reconhece revés e prevê impacto político similar ao de 2025 em caso de novas tarifas dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 11:48

Política Blog do Camarotti Por Gerson Camarotti

Gerson Camarotti é comentarista da GloboNews e do Jornal Hoje, da TV Globo. Titular desta coluna desde 2012.

O Palácio do Planalto já avalia que será forte o impacto político interno diante da proposta do Escritório do Representante de Comércio americano de aplicar uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.

A ordem no Poder Executivo é manter negociações, mas há o reconhecimento de que a situação é adversa.

Caso essa nova tarifa seja confirmada no próximo mês pelo governo Donald Trump, a percepção é que isso irá recriar internamente ambiente semelhante ao do tarifaço anunciado em julho do ano passado.

Até porque a investigação de práticas comerciais desleais começou dentro do mesmo contexto das sanções políticas ao Brasil, em julho de 2025, com o cenário de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

De outro lado, temendo consequências negativas eleitorais, o senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), fez uma declaração preventiva na manhã desta terça-feira (2), afirmando que pediu a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que não taxasse as empresas brasileiras.

"Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.

Entre os aliados de Flávio, também há a preocupação com o desgaste eleitoral com um eventual novo tarifaço, já que a família Bolsonaro articulou e defendeu a medida do governo Trump no ano passado.

Na ocasião, houve uma pressão política do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em favor das retaliações para tentar reverter o julgamento contra o pai, Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o tarifaço de 50% foi uma decisão política do governo americano, mesmo o Brasil sendo deficitário no comércio com os Estados Unidos. Houve forte reação por aqui, especialmente do setor produtivo, num ato de unidade do país contra a ação americana.

Sobre as acusações de práticas comerciais desleais, os argumentos americanos foram todos rebatidos pelo governo Lula, inclusive em temas como PIX, preservação ambiental, pirataria e em relação as multas aplicadas às grandes plataformas.

A ordem no Palácio do Planalto é negociar até julho e fazer uma reação técnica e diplomática. Vai repetir o roteiro que deu certo no ano passado.

O cuidado é para evitar um discurso mais bélico por parte do próprio presidente Lula, para evitar uma resposta fora do tom diplomático.

“As empresas brasileiras e os empregos ficam ameaçados com novas tarifas. Por isso, a resposta tem que ser técnica, mostrando a injustiça de uma eventual decisão americana”, observou um auxiliar direto do presidente Lula.

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Imposto de Renda 2026: Receita Federal estima que 2,2 milhões de declarações caíram na malha fina

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 10:44

Economia Imposto de renda Imposto de Renda 2026: Receita Federal estima que 2,2 milhões de declarações caíram na malha fina Quando declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco por conta de pendências relativas a discrepância de dados. Contribuinte deve entrar no centro virtual de atendimento da Receita e verificar qual o problema encontrado. Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

A Secretaria da Receita Federal informou nesta terça-feira (2) que 5% das declarações do Imposto de Renda de 2026, ano-base de 2025, caíram na chamada malha fina do Leão. São cerca de 2,2 milhões de documentos com pendências.

O percentual de declarações em malha fina, divulgado pelo supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, se assemelha ao registrado nos últimos anos.

🔎Quando a declaração do IR cai na malha fina, significa que ela está retida pelo Fisco por conta de pendências relativas a discrepância de dados (veja o que fazer mais abaixo nessa reportagem).

Neste ano, o prazo de entrega do IR começou em 23 de março e se estendeu até 29 de maio. Foram entregues 44.393.571 declarações dentro do prazo legal.

"A gente começou o período de declarações com quase 10% de diferença nas retenções em malha em relação aos anos anteriores. A gente tinha um volume bem alto, no final de março, quase 11% retidas em malha, quando o normal era 8%, 9%", disse José Carlos da Fonseca ao g1.

"No final do prazo, esse número se equilibrou. O percentual de declarações em malha neste ano ficou muito semelhante ao do ano passado. Ele veio se ajustando por conta das retificações feitas pelas empresas", prosseguiu.

O supervisor do IR classificou 2026 como sendo um "ano de superação", pelo fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), que era usada há décadas na declaração do IR.

Nesse documento, as empresas informavam ao Fisco e aos trabalhadores as informações sobre rendimentos.

Com o fim do uso da Dirf em 2026, a Receita passou a buscar as informações em outras bases de dados: o e-Social, que concentra informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias ligadas ao empregado; e EFD-Reinf.

Essa mudança ocasionou erro de informações prestadas pelas empresas e milhares de contribuintes caíram na malha fina.

"Isso acabou fazendo com que muitas declarações ficassem em malha, e a declaração pré-preenchida apresentasse informações divergentes. Mas porque as informações que haviam sido enviadas pelas empresas para a Receita Federal continham classificações erradas. Não podemos generalizar que todas empresas tivessem problemas, mas um bom número de empresas teve de retificar informações", disse o supervisor do IR.

De acordo com a Receita Federal, o procedimento, para quem caiu na malha fina, é o mesmo dos últimos anos: o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet.

Acesso se dá mediante o uso da conta "gov.br", nos níveis prata ou ouro.Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos".Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026.

➡️Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema.

Nesse caso, segundo o supervisor do IR, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços).

No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina.No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.Porém, se a empresa não corrigir a informação enviada, o contribuinte não sai da malha e poderá enviar seus comprovantes a partir de janeiro de 2027 por meio do e-CAC.Antes disso, não é possível enviar os documentos pois as empresas ainda estarão corrigindo as informações, caso no qual o trabalhador pode sair da malha.

"Normalmente, 80% dos casos de malha são resolvidos até o fim do ano. De agora, até o fim do ano, 80% desses 2,2 milhões que vão ficar em malha ou por retificação de empresa ou por ajustes do próprio contribuinte. Se o contribuinte acha que não errou e a empresa não corrigiu, a partir de janeiro de 2027 ele pode anexar todos documentos, comprovantes, pelo e-CAC de tudo o que ele declarou", explicou José Carlos Martins, da Receita Federal.

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Trump assina proclamação que altera tarifas sobre importações de aço, alumínio e cobre

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 10:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,014-0,16%Dólar TurismoR$ 5,212-0,19%Euro ComercialR$ 5,840-0,04%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.246 pts0,61%MoedasDólar ComercialR$ 5,014-0,16%Dólar TurismoR$ 5,212-0,19%Euro ComercialR$ 5,840-0,04%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.246 pts0,61%MoedasDólar ComercialR$ 5,014-0,16%Dólar TurismoR$ 5,212-0,19%Euro ComercialR$ 5,840-0,04%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.246 pts0,61%Oferecido por

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (1º) uma proclamação que altera parte das tarifas aplicadas com base na Seção 232, mecanismo utilizado pelo governo americano para impor taxas sobre importações consideradas estratégicas para a segurança nacional, informou a Casa Branca.

A medida reduz de 25% para 15% as tarifas incidentes sobre alguns produtos derivados de aço e alumínio, incluindo determinados equipamentos agrícolas e sistemas residenciais de aquecimento, ar-condicionado e ventilação.

A nova regra também estabelece uma tarifa de 15% para equipamentos industriais móveis, como escavadeiras e empilhadeiras, quando importados de países que possuem acordos comerciais com os Estados Unidos e se enquadram nas condições previstas pelo governo.

Além disso, empresas estrangeiras poderão se qualificar para uma tarifa reduzida de 10% caso seus equipamentos contenham, em peso, pelo menos 85% de aço ou alumínio produzidos e processados nos Estados Unidos.

A proclamação ainda acrescenta duas novas categorias de produtos à lista de itens sujeitos à tarifa de 25%: racks de aço e chapas litográficas de alumínio.

As mudanças passam a valer para mercadorias importadas ou retiradas de armazéns alfandegados a partir de 8 de junho e permanecerão em vigor até 31 de dezembro de 2027.

Segundo a Casa Branca, o objetivo é estimular investimentos de curto prazo e fortalecer a base industrial americana.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Petrobras ajusta preços do diesel em R$ 1,12; distribuidoras não terão impacto

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 10:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,019-0,11%Dólar TurismoR$ 5,212-0,17%Euro ComercialR$ 5,8450,01%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.152 pts0,55%MoedasDólar ComercialR$ 5,019-0,11%Dólar TurismoR$ 5,212-0,17%Euro ComercialR$ 5,8450,01%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.152 pts0,55%MoedasDólar ComercialR$ 5,019-0,11%Dólar TurismoR$ 5,212-0,17%Euro ComercialR$ 5,8450,01%Euro TurismoR$ 6,0840,000%B3Ibovespa173.152 pts0,55%Oferecido por

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (1º) um novo ajuste de R$ 1,12 por litro nos preços do diesel A, de uso rodoviário, a partir de amanhã. A empresa também informou que oferecerá um desconto no mesmo valor — o que mantém os preços de venda para as distribuidoras.

O desconto oferecido pela Petrobras ocorre no âmbito da subvenção para refinarias nacionais e importadoras, prorrogada pelo governo federal no último sábado (30), que estabeleceu um subsídio de R$ 1,12 por litro. Na prática, isso significa que o governo bancará parte do preço do combustível.

No caso do diesel vendido nas bombas, o governo criou uma subvenção de R$ 0,35 por litro para substituir a desoneração de impostos federais que venceu no último domingo (31).

Segundo a petroleira, o ajuste permite que a companhia usufrute da subvenção econômica, mas sem alterar os preços para distribuidoras.

A iniciativa faz parte do pacote de ações do governo para reduzir os efeitos da escalada dos preços internacionais do petróleo sobre o mercado doméstico, em meio às tensões no Oriente Médio.

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Governo vê espaço para negociar após tarifa dos EUA, mas vai culpar Flávio Bolsonaro se ela falhar por motivos políticos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/06/2026 10:09

Política Blog do Valdo Cruz Governo vê espaço para negociar após tarifa dos EUA, mas vai culpar Flávio Bolsonaro se ela falhar por motivos políticos EUA concluíram investigação que alegam práticas 'irrazoáveis' por parte do Brasil, e determinaram tarifa de 25% sobre mercadorias nacionais.Governo anunciou sanção com uma lista de exceções. Por Túlio Amâncio, Valdo Cruz

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperava uma recomendação de aumento de tarifa de importação pelos Estados Unidos por alegadas práticas desleais da parte do Brasil, como anunciado na madrugada desta terça-feira (2).

Mas, acredita haver espaço para negociação, e recebeu com alívio a lista de exceções. Nela, estão incluídos café e carne, além de aeronaves e peças.

Por outro lado, se as negociações falharem, o presidente Lula vai responsabilizar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela medida, e usar o PIX para defender a posição brasileira.

Na avaliação da equipe presidencial, incluir o PIX ajuda o discurso do Brasil de perseguição política por parte de uma ala do governo Trump.

Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana — Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Segundo assessores de Lula, além do PIX, incluir acordos comerciais do Brasil com México e Índia não faz nenhum sentido. Como também não faz alegar falhas no combate à corrupção no momento em que a Polícia Federal faz várias investigações sobre fraudes bancárias e roubo de aposentados.

Integrantes do governo brasileiro afirmaram ao blog que já havia a expectativa de alguma medida por parte dos Estados Unidos no âmbito da investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

O que ainda não era conhecido pelas autoridades brasileiras era o percentual da tarifa que seria anunciado por Washington.

Nesta terça-feira, o governo americano informou a recomendação de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros no contexto da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que as negociações recentes foram positivas e ressaltam que representantes dos Estados Unidos fizeram referências aos contatos realizados nos últimos dias, incluindo reuniões envolvendo o presidente Lula.

Segundo fontes do governo, as tratativas mantidas nas últimas semanas com autoridades americanas indicavam que alguma recomendação poderia surgir no início da semana. Apesar disso, em reservado, a avaliação interna é que o resultado poderia ter sido mais duro para o Brasil.

A leitura dentro do governo é que a decisão é política, mas preserva espaço para a continuidade do diálogo entre os dois países. Por isso, a orientação é seguir apostando na negociação para tentar reduzir os impactos da medida e buscar alternativas para reverter ou amenizar as tarifas.

Nos bastidores, integrantes do governo também criticam parte dos argumentos apresentados durante a investigação americana.

Segundo esses interlocutores, referências ao PIX e a supostos acordos preferenciais foram recebidas com estranheza e consideradas desconectadas da discussão comercial que levou à abertura da investigação.

A expectativa do governo brasileiro é manter os canais diplomáticos abertos e intensificar as conversas com a administração americana nas próximas semanas.

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