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Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP

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Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/06/2026 08:44

Sorocaba e Jundiaí Nosso Campo Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP Estabelecimentos preservam memórias, fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição que marcou gerações. Por Nosso Campo, TV TEM

Antigas vendinhas do interior de São Paulo resistem ao tempo e preservam tradições, memórias e laços comunitários diante das transformações do campo.

Na Estrada 12, em Três Fronteiras, a vendinha da família Scarabeli funciona há 40 anos e virou ponto de encontro de moradores e turistas.

O historiador Silvio Luiz Lofego explica que esses estabelecimentos representam espaços de resistência e símbolos de convivência para as comunidades rurais locais.

Em Nova Canaã Paulista, outra vendinha aberta há quase 70 anos preserva o costume do fiado e histórias de amizades de longa data.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Em meio às transformações do campo e aos avanços das grandes redes comerciais, antigas vendinhas do interior de São Paulo seguem resistindo ao tempo. Os estabelecimentos preservam memórias, fortalecem laços comunitários e mantêm viva uma tradição que marcou gerações.

Na Estrada 12, em Três Fronteiras (SP), próximo a Santa Fé do Sul, uma vendinha aberta há quatro décadas continua atraindo visitantes em busca de sabores e lembranças de um interior que parece ter parado no tempo.

Foi ali que o agricultor Antônio Scarabeli construiu a vida com a família. Segundo ele, a movimentação era intensa quando a região era ocupada principalmente por pequenos sitiantes e cafezais. “Tinha muita gente. Nós vendíamos de tudo. Depois foi acabando o café, entrando a cana e o povo foi indo embora”, relembra.

O filho, Dimar Aparecido Scarabeli, conta que o local chegou a funcionar como principal centro comercial da região. “A compra da semana, do mês, era tudo aqui. Chegamos a vender 100, 150 quilos de farinha e dezenas de fardos de açúcar por semana”, afirma.

Hoje, a função mudou. A vendinha deixou de ser um grande mercado rural, mas continua sendo ponto de encontro para moradores e turistas. Entre os produtos mais procurados estão conservas, queijos e doces artesanais produzidos por Nádia Maria Freitas Scarabeli.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Para muitos frequentadores, visitar uma vendinha é também revisitar a própria história. A cliente Mariene Maia frequenta o local desde a infância, quando acompanhava familiares que moravam na zona rural.

“Me faz sentir muita saudade daquele tempo que, infelizmente, não vai voltar. Mas estamos resgatando essas raízes e mantendo essa história viva”, diz Mariene.

Segundo o historiador Silvio Luiz Lofego, as vendinhas assumiram um papel importante na preservação da memória rural. “Elas representam espaços de resistência. Muitas comunidades rurais desapareceram ou perderam características ao longo das últimas décadas, mas as vendas permanecem como símbolos de convivência e identidade local”, explica.

Conservas, fiado e histórias: vendinhas resistem ao tempo e preservam tradição do interior de SP — Foto: Reprodução/TV TEM

Em Nova Canaã Paulista (SP), a cerca de 30 quilômetros dali, outra vendinha mantém viva a tradição. Localizada no Bairro do Louro, ela existe há quase 70 anos.

Há 42 anos, o espaço é administrado por Paulo Francisco Araújo e pela esposa, Sônia Maria Andrade Araújo. “Aqui tinha de tudo, igual a um mercadinho. Muitas vendas fecharam, mas nós continuamos”, conta Paulo.

Além das mercadorias, o local preserva um costume cada vez mais raro: a venda fiado. “Já ajudei a tratar de bastante família. Criei meus filhos aqui e melhorei minha vida trabalhando na venda”, lembra.

O estabelecimento também guarda uma história de amor. Paulo e Sônia se conheceram ali há mais de meio século e seguem recebendo clientes que, com o tempo, se tornaram amigos. “A clientela virou família. Temos amigos de 50 anos aqui”, afirma Sônia.

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