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Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, morre aos 100 anos

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Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, morre aos 100 anos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 10:00

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O economista Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, morreu nesta segunda-feira (22) aos 100 anos. Ele faleceu em casa devido a complicações de Parkinson.

Nascido em 1926, ele se formou na Universidade de Nova York. Atuou como consultor e governista antes de assumir o banco central em 1987.

Ele comandou o Fed por quase 19 anos sob 4 presidentes americanos. Sua gestão evitou fortes aumentos de juros e priorizou o crescimento econômico.

Sua defesa da autorregulação do mercado foi criticada após a crise financeira de 2007-2008. Investigações apontaram que menos regras no sistema ajudaram no colapso.

Após sua saída, ele continuou ativo na economia. Greenspan assinou uma carta em defesa da autonomia do Fed e criticou pressões sobre a instituição.

Alan Greenspan, economista que comandou o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) por cinco mandatos consecutivos e conduziu a política monetária do país sob quatro presidentes, morreu aos 100 anos. A informação foi divulgada pela NBC News nesta segunda-feira (22).

Segundo sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell, Greenspan morreu em casa em decorrência de complicações da doença de Parkinson. Os dois eram casados havia 29 anos.

“Alan faleceu em nossa casa esta manhã, aos 100 anos de idade, devido a complicações da doença de Parkinson”, afirmou Mitchell em comunicado.

“Ele era um gigante que ajudou a moldar a economia dos EUA por décadas, sob presidentes de ambos os partidos, mas sempre foi honesto ao reconhecer seus erros”, disse ela.

“Para mim, ele era meu marido, que moldou minha vida desde o nosso primeiro encontro em 1984. Ele tinha uma paixão desmedida por beisebol, pelo Washington Commanders, tênis, golfe e música, especialmente jazz”, acrescentou Mitchell. “Ele será lembrado por sua inteligência e sua bondade. Ser sua companheira de vida foi a maior alegria da minha vida.”

O ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, discursa durante a reunião anual da SIFMA em Nova York, em 23 de outubro de 2012 — Foto: REUTERS/Lucas Jackson

Nascido em 6 de março de 1926, no bairro de Washington Heights, em Nova York, Alan Greenspan construiu uma das trajetórias mais influentes da história da política monetária dos EUA, tornando-se uma das principais referências da economia americana no século XX e início do XXI.

Formado em economia pela Universidade de Nova York, onde concluiu graduação e mestrado, iniciou a carreira no setor privado como consultor, ganhando espaço no mercado financeiro ainda jovem.

Na década de 1950, aproximou-se do debate intelectual ao se conectar com a escritora Ayn Rand, cuja defesa do livre mercado e do individualismo influenciou parte de sua visão econômica.

🔍 Livre mercado é a ideia de que a economia funciona melhor quando empresas e pessoas podem comprar, vender e competir com pouca interferência do governo. Em teoria, os preços e a produção são definidos pela oferta e pela demanda. A lógica é que essa “competição livre” ajuda a economia a se organizar de forma mais eficiente.

Em 1968, já consolidado como consultor, participou da campanha presidencial de Richard Nixon e, posteriormente, integrou o governo de Gerald Ford como chefe do Conselho de Assessores Econômicos, contribuindo para políticas econômicas em um período marcado por inflação alta.

Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (à esquerda), faz declaração em 10 de julho de 1991 após o presidente George H. W. Bush (à direita) anunciar sua indicação para um segundo mandato no cargo. — Foto: Reuters

Depois de voltar ao setor privado no fim dos anos 1970, Alan Greenspan foi escolhido em 1987 pelo presidente Ronald Reagan para comandar o banco central dos EUA.

À frente da política econômica do país, ele ficou conhecido por evitar aumentos fortes de juros mesmo quando havia o temor de novos aumentos nos preços. Essa postura ajudou a sustentar um longo período de crescimento da economia americana e fez com que ele ganhasse destaque público.

Logo no início do mandato, Greenspan enfrentou a queda histórica da Bolsa em 1987 (conhecida como 'segunda-feira negra') e agiu rapidamente para evitar a propagação da crise, o que fortaleceu sua reputação.

Nos anos seguintes, ele também apostou na ideia de que o aumento da produtividade da economia — principalmente a partir dos anos 1990 — ajudaria a segurar a inflação, o que influenciou muitas decisões do banco central.

Greenspan ficou quase 19 anos no comando do Fed, passando por cinco mandatos e quatro presidentes dos Estados Unidos: Ronald Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Isso fez dele um dos chefes mais duradouros da história da instituição.

Durante esse período, ele lidou com vários momentos importantes da economia, como o crescimento forte dos anos 1990, a expansão da internet e da globalização, o estouro da bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000 e os impactos dos ataques de 11 de setembro.

Sua gestão ficou associada a um período de crescimento e estabilidade, mas também a uma maior confiança de que o mercado poderia se regular sozinho, com menos intervenção do governo.

Estudos e investigações apontaram que a defesa de menos regras para o sistema financeiro e a tolerância a investimentos mais arriscados podem ter contribuído para a crise imobiliária que levou ao colapso do sistema financeiro dos EUA.

Depois de sair do Fed em 2006, ele passou a trabalhar como consultor e escritor, seguindo ativo em debates sobre economia por muitos anos.

Mais recentemente, em meio a debates sobre a independência do Federal Reserve e a pressões políticas sobre o banco central dos EUA, Greenspan foi um dos ex-presidentes da instituição que assinaram uma carta em defesa da autonomia do órgão.

O documento pedia que a Justiça mantivesse a diretora Lisa Cook no cargo enquanto a legalidade de uma eventual destituição era analisada, alertando para riscos à credibilidade do Fed e à estabilidade econômica.

Entre os signatários estavam também ex-dirigentes como Janet Yellen e Ben Bernanke, além de ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner e Lawrence Summers.

No texto, os economistas afirmaram que preservar a independência do banco central é essencial para evitar danos à economia americana.

O episódio ocorreu em meio a discussões recorrentes sobre a autonomia do Fed e reforçou o arcabouço institucional criado desde a fundação do banco central, em 1913, para reduzir interferências políticas em sua atuação.

Jerome Powell, que comandou o Federal Reserve e concluiu seu mandato à frente da instituição, também contou com apoio público de Greenspan em diferentes ocasiões.

Em um outro episódio recente, o Departamento de Justiça investigou os custos das reformas na sede do Fed durante a gestão de Powell, investigação que foi encerrada em abril.

Nesse contexto, os três últimos ex-presidentes do Federal Reserve — Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan — classificaram as pressões sobre Powell como algo sem precedentes.

Eles também compararam esse tipo de interferência a práticas observadas em economias emergentes, onde a independência dos bancos centrais tende a ser mais vulnerável.

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