RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

UE diz que oferece proposta mais vantajosa ao Brasil na disputa por minerais críticos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 10:00

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

Minerais críticos: projeto aprovado na Câmara quer garantir que o Brasil não seja apenas exportador de matéria-prima — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Enquanto trabalha para diversificar suas fontes de suprimento de minerais críticos, a União Europeia aposta no Brasil como parceiro estratégico e afirma ter uma proposta mais "benéfica" do que a de outros atores na disputa por matérias-primas brasileiras, disse o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, à Reuters.

O comissário visitou no sábado o centro de pesquisa e processamento de terras raras da mineradora australiana Viridis Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG), um dos quatro projetos prioritários selecionados para acelerar a colaboração entre a UE e o Brasil. 

Síkela avalia que a abordagem europeia é um trunfo por priorizar a sustentabilidade do negócio e o incentivo ao processamento local de terras raras. Isso casa com uma diretriz do governo brasileiro, de produzir e exportar minerais processados, que agreguem tecnologias e valores à cadeia produtiva de um setor nascente no Brasil, que conta com a segunda maior reserva global de tais minerais críticos.

"É extremamente importante que o Brasil também avance além de negócios de baixa margem, ou seja, que o valor seja criado aqui no país", disse o comissário, em entrevista durante a visita à unidade da Viridis, destacando que o Brasil é hoje o parceiro mais estratégico da UE na América Latina e uma economia em expansão.

"Podemos cobrir, com base em acordos de compra, as nossas necessidades, e o Brasil terá sua própria capacidade de refino, novas tecnologias e, basicamente, avançará na cadeia de suprimentos para uma geração de margens mais altas." 

O projeto piloto mineiro da Viridis, inaugurado em maio, tem capacidade para processar 100 kg de minério por hora e produzir por ano até 2,92 kg de carbonato misto de terras raras (MREC, na sigla em inglês), um pó esbranquiçado que contém uma mistura dos elementos de terras raras ainda não separados.

A Viridis agora planeja investir US$360 milhões para construir sua planta comercial com capacidade para produzir 15 mil toneladas de MREC por ano a partir de 2028. O projeto Colossus da Viridis, em Minas Gerais, compreende um total de 228,62 km² de licenças.

"E é por isso que gosto tanto deste projeto (da Viridis) em particular, porque ele basicamente entrega objetivos: ele cria empregos, cria novas parcerias, traz novas tecnologias, educação e transferência de conhecimento, tudo com base nos padrões ambientais, sociais e técnicos mais avançados", afirmou Síkela.

Ele também destacou a carta de intenções não vinculante assinada neste mês entre a Viridis e a química belga Solvay, que prevê fornecimento de MREC e pode evoluir para uma parceria mais ampla, incluindo apoio tecnológico no processamento.

O presidente-executivo da Viridis, Rafael Moreno, afirmou à Reuters que discussões com a União Europeia sobre apoio ao projeto estão avançadas, e que um acordo com a Solvay pode ser fechado até o fim de julho. Segundo ele, a UE poderá ajudar com financiamento e mecanismos de proteção de preços para reduzir riscos e garantir competitividade.

"Um preço mínimo é importante, então concluir todos esses detalhes será importante para nós, e isso não está longe de acontecer", disse Moreno, sem falar em prazos.

Síkela afirmou que o seu papel é oferecer apoio político e instrumentos de mitigação de riscos, sem substituir o capital privado.

"Não estamos vindo para substituir o financiamento privado nem como provedores de capital próprio, mas nosso papel é ajudar a mobilizar investimentos privados", afirmou, sem dar detalhes.

O avanço da Viridis no Brasil ocorre em meio a uma corrida global por terras raras e minerais críticos, enquanto governos na Europa e nos Estados Unidos tentam reduzir sua dependência da China — maior produtor — para esses materiais, que são vitais para carros elétricos e sistemas de defesa.

Questionado sobre o cenário, Síkela afirmou que não se trata apenas da China e explicou que a estratégia europeia busca reduzir "dependências" na cadeia de suprimentos globais, após choques como a pandemia e a guerra na Ucrânia.

Além das terras raras, Síkela disse sem dar nomes que a UE vê como prioritários no Brasil projetos envolvendo outros minerais críticos, como níquel e lítio, e indicou que há planos para avançar em um memorando de entendimento entre o bloco e o governo brasileiro, embora os detalhes ainda estejam em negociação.

Questionado se pode estar chegando atrasado na disputa por ativos no Brasil, após Estados Unidos e China terem feito avanços importantes, o comissário disse que "nossa proposta de valor é mais benéfica do que a dos outros. Primeiro, é mais sustentável… A segunda coisa é criação de empregos e educação", afirmou.

"Não devemos esquecer que o Brasil é um ator ambiental global, com a floresta tropical, com a Amazônia, com os recursos. Então, o que quer que o Brasil faça, se fizer certo, terá impacto global. E, se fizer errado, terá um impacto negativo. Portanto, o que queremos fazer é ajudar com padrões ambientais, sociais e de governança, porque isso importa para nós", afirmou.

O presidente-executivo da Viridis, por sua vez, disse que a companhia está em linha com as orientações europeias, de pensar um mercado diversificado para a cadeia produtiva de terras raras. "Estamos adotando uma abordagem em que queremos que todos tenham direitos, seja na Argentina, no Paraguai, na Europa ou na Austrália… portanto, estamos satisfeitos em manter uma mentalidade europeia ou ocidental — ou, mais importante ainda, uma mentalidade ocidental", disse Moreno.

Ao final do mês passado, o executivo disse à Reuters que a Viridis estava em negociações avançadas com potenciais compradores de minerais críticos na Europa e nos EUA, acrescentando que a empresa não buscava compradores chineses.

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Dólar abre em queda, de olho no exterior

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 10:00

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O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (22) em queda e marcava um recuo de 0,14% perto das 9h, cotado a R$ 5,1582. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ As negociações entre os Estados Unidos e o Irã continuam a mexer com os mercados. As tensões voltaram a aumentar no final de semana, após Teerã alegar que Israel violou o memorando de entendimento assinado entre os presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian ao continuar os ataques ao Líbano. O líder americano também voltou a ameaçar novos bombardeios ao Irã.

Apesar das tensões, no entanto, os representantes dos EUA e do Irã conseguiram avançar com as tratativas na Suíça, o que ajuda a manter o preço do petróleo controlado. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,86% e era negociado a US$ 79,07. Já o West Texas Intermediate (WTI), principal referência nos EUA, tinha queda de 0,90%, para US$ 75,17.

▶️Também fica no radar a renúncia do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. O premiê vinha sendo pressionado dentro do próprio partido, após derrotas expressivas nas eleições locais de maio. Ele deve permanecer no cargo até a escolha de um novo líder.

▶️Ainda no exterior, as eleições da Colômbia também seguem na mira dos investidores. O candidato de direita, Abelardo de la Espriella, venceu o segundo turno presidencial realizado ontem, com 49,7% dos votos. Ele propõe uma reforma fiscal no país e defende acordos com os EUA para combater o crime organizado.

▶️Na agenda de indicadores desta semana, destaque para novos dados de inflação no Brasil e nos EUA. Índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês), que servem como um termômetro da economia, também devem ser divulgados em diferentes países. A ata da última reunião de juros do Banco Central (BC) e dados de emprego brasileiros também ficam no foco.

As violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah e de Israel voltaram a aumentar as tensões no Oriente Médio ao longo do final de semana. A interrupção dos ataques era um dos pontos de acordo do memorando de entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã na última semana, e os novos ataques trouxeram preocupações sobre o acordo. Acompanhe todos os desdobramentos.

Em meio à ofensiva, o Irã chegou a declarar o fechamento do Estreito de Ormuz novamente. Pouco tempo depois, no entanto, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou à Suíça para a primeira rodada de negociações com os representantes iranianos.

Segundo um diplomata americano afirmou à Axios, as conversas com o Irã se concentraram em mecanismos para evitar uma escalada das tensões no Líbano e garantir o cumprimento do cessar-fogo. Além disso, houve avanços positivos nos esforços para assegurar que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação.

Nesta segunda-feira (22), o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que a primeira reunião entre Irã e EUA foi "concluída com sucesso" na Suíça:

"As discussões resultaram em acordo para o estabelecimento de um comitê de alto nível para supervisão política e início de novas negociações técnicas".

"Fizemos muitos progressos positivos e estabelecemos uma base muito sólida para um acordo final bem-sucedido. As conversas técnicas continuarão nos próximos dias", afirmou JD Vance.

A guerra no Oriente Médio provocou impactos significativos na economia global. A interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou o preço da commodity, pressionou os custos dos combustíveis e aumentou as preocupações com a inflação em diversos países.

Como consequência, consumidores enfrentaram preços mais altos, enquanto os mercados financeiros registraram perdas e o dólar ganhou força diante da maior aversão ao risco.

Com o fim do conflito, economistas agora acompanham quando a atividade econômica e os mercados começarão a dar sinais de normalização. O g1 reuniu os principais efeitos da guerra e as perspectivas para a recuperação.

Perto das 9h, a maior parte dos índices tinha alta, com o britânico FTSE 100 subindo 0,48%. O alemão DAX tinha avanço de 0,03% e o espanhol Ibex 35 com alta de 0,56%. O francês CAC-40 ia na contramão e tinha queda de 0,44% no mesmo horário.

Na Ásia os mercados fecharam mistos, com foco nos sinais de negociação entre EUA e Irã e após o Banco do Povo da China (PBoC) ter mantido as taxas de juros inalteradas pelo 13º mês seguido, em linha com o esperado pelos mercados.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, subiu 2,4% na sessão e atingiu o nível mais alto desde dezembro de 2021. Já o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,8%.

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Como a economia dos EUA continua superando seus rivais apesar de toda turbulência do governo Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 10:00

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

Como a economia dos EUA continua superando seus rivais apesar de toda turbulência do governo Trump — Foto: Getty Images via BBC

Em Dresden, no leste de Alemanha, um último automóvel fechou no ano passado a linha de montagem da "Fábrica Transparente" da Volkswagen, que foi uma espécie de símbolo do poderio industrial da Europa.

A milhares de quilômetros de distância, em Spartanburg, no Estado americano da Carolina do Sul, outra gigante alemã, a BMW, opera sua maior fábrica em todo o mundo.

O contraste entre ambas ajuda a explicar um enigma debatido há tempos pelos economistas: por que a economia americana continua superando muitos outros países, enfrentando os mesmos impactos globais?

As tarifas de importação de Donald Trump afetaram o comércio global. As deportações de imigrantes em massa estão mudando o mercado de trabalho. O conflito no Oriente Médio fez disparar os preços do petróleo.

Tarifaço de Trump: audiência decisiva sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona

Muitos economistas esperavam que os Estados Unidos fossem sofrer fortes abalos com o peso dessas pressões. Mas a economia do país continuou crescendo de forma estável.

A inflação persistiu em alguns momentos, mas a combinação entre o fraco crescimento e o contínuo aumento de preços, temida por muitos, acabou não acontecendo.

Joe Brusuelas, economista-chefe da consultoria britânica RSM, defende que a guerra comercial foi a prova mais forte da resiliência americana.

"As metas próprias impostas pelo governo Trump aos Estados Unidos, em relação ao comércio e à imigração, provavelmente são o exemplo mais claro do dinamismo que sustenta a economia americana", destaca ele.

Ao enfrentar a súbita taxação de componentes estrangeiros, as empresas americanas não se contentaram com a redução das margens e passaram a investir com mais força.

"O investimento de capital, neste momento, é de 13,9% do PIB americano", segundo Brusuelas. "Deveria estar diminuindo, considerando os diversos impactos sobre a oferta e a procura absorvidos pela economia, mas não é o que está acontecendo."

Por outro lado, grande parte das pressões foi compensada pelo notável aumento da produtividade. A economia americana como um todo continua se expandindo a um ritmo anual de cerca de 2%.

Os mercados de energia oferecem outra explicação. A guerra no Oriente Médio aumentou os preços do petróleo, o que, historicamente, teria representado uma ameaça considerável ao crescimento americano.

Mas a revolução do petróleo de xisto alterou fundamentalmente a vulnerabilidade dos Estados Unidos frente aos choques do setor energético.

Ao longo das últimas duas décadas, o país se tornou um dos maiores produtores de petróleo e gás do planeta, enquanto suas empresas reduziram progressivamente sua dependência do petróleo.

"O desenvolvimento do fracking (fraturamento hidráulico, técnica de mineração usada para extrair gás natural e petróleo de rochas de xisto localizadas a grandes profundidades) nos Estados Unidos, desde o início dos anos 2000, e a evolução dos combustíveis alternativos criaram condições para que a contribuição do petróleo para o PIB por unidade de energia caísse pela metade nos últimos 50 anos", explica Brusuelas.

Enquanto os Estados Unidos se concentraram na flexibilidade, aproveitando o fracking e permitindo que os preços reajam livremente ao mercado, a Europa depende de contratos de longo prazo e redes de abastecimento interconectadas para garantir sua segurança energética.

Esta estratégia deixou muitos países expostos a riscos com a interrupção do fornecimento de gás russo, após a invasão da Ucrânia. E, com as tensões atuais no Oriente Médio, a vulnerabilidade permanece.

Para Rebecca Christie, pesquisadora do centro de análises Bruegel em Bruxelas, na Bélgica, esta discrepância não se observa apenas nas decisões políticas, mas nas atitudes culturais em relação ao risco.

"Os americanos são muito voltados às soluções e muito mais cômodos ao assumir riscos imediatos, de olho em vantagens de longo prazo", explica ela. "Já a Europa é culturalmente mais relutante ao risco."

Christie conta que participou de um evento onde o próprio responsável de serviços financeiros da União Europeia declarou que os europeus não falam o suficiente sobre o risco de não assumir riscos.

As diferenças de estruturação das empresas e dos sistemas de aposentadoria nos dois lados do oceano Atlântico também refletem esta diferença de visão.

Em grande parte da Europa, as empresas dependem muito dos empréstimos bancários para seu financiamento e as pensões dos trabalhadores são frequentemente relacionadas a contratos de seguro garantidos, que estabelecem limites tanto para os prejuízos quanto para os lucros.

"Se você financiar a sua empresa com um empréstimo bancário, não terá a mesma flexibilidade oferecida pela venda de ações ou atraindo capital de risco", explica Christie.

Nos Estados Unidos, as empresas podem recorrer a investidores e ao mercado de ações para obter financiamento. Esta flexibilidade, mesmo com seus altos e baixos, oferece às companhias americanas uma vantagem sobre os modelos europeus, respaldados pelo Estado.

"Se você estiver em dificuldades, irá realmente enfrentar tempos conturbados, pois o mercado de trabalho não está aumentando muito, tudo está ficando mais caro e muitas cidades sofrem crises de moradia."

"Ter o dólar e os bancos bastante estáveis não irá ajudar se, na economia real, houver uma crise de empregos", explica a pesquisadora.

Na verdade, os empregadores americanos criaram 172 mil postos de trabalho em maio, contra todas as expectativas.

Mas os novos dados da inflação mostram o maior aumento dos preços ao consumidor dos últimos três anos.

A inflação anual ficou em 4,2% em maio, contra 3,8% em abril. Estes índices indicam que os Estados Unidos podem estar se aproximando do limite da sua resiliência.

A economia americana pode estar superando grande parte dos seus rivais, mas isso não significa que ela seja imune a pressões. Os altos preços dos combustíveis, a inflação persistente e a desigualdade cada vez maior trazem riscos que poderão reduzir a atual vantagem do país.

Ainda assim, em comparação com muitos outros países desenvolvidos, a economia dos Estados Unidos se mantém robusta.

Sua combinação de mercados flexíveis, investimentos rápidos, energia em abundância e tolerância ao risco ajudaram a nação a superar os impactos que atingiram outros países.

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Tarifaço de Trump: audiência decisiva para futuro das taxas sobre produtos brasileiros encerra inscrições; veja como funciona

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 05:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

Terminam nesta segunda-feira (22) as inscrições para as audiências públicas do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). As discussões podem ser decisivas para os próximos capítulos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos, após a proposta do governo Trump de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

🔎 O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.

Marcada para 6 de julho, a audiência integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem argumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump.

Antes da eventual adoção de sanções ou outras medidas corretivas, os EUA definiram um cronograma de consultas públicas para receber manifestações dos envolvidos.

Até 22 de junho: prazo para solicitar participação na audiência pública;Até 1º de julho: envio de comentários e manifestações por escrito;6 de julho: realização da audiência pública;15 de julho: prazo para a decisão final e eventual aplicação das medidas.

Segundo o professor de Relações Internacionais da Unicid, Sidney Leite, as audiências funcionam como uma consulta pública para que os setores afetados exponham suas posições.

"Os participantes previamente inscritos apresentam seus argumentos oralmente e, após as exposições, representantes do governo americano podem fazer perguntas. Todas as manifestações ficam registradas oficialmente e passam a integrar o processo administrativo", afirmou.

Empresas exportadoras e importadoras;Associações empresariais e industriais;Sindicatos;Universidades e centros de pesquisa;Organizações da sociedade civil;Representantes de governos estrangeiros.

"Tanto empresas americanas quanto governos estrangeiros podem apresentar argumentos favoráveis ou contrários às medidas propostas", disse.

Embora não determinem sozinhas o resultado da investigação, as consultas públicas costumam influenciar aspectos importantes da decisão final, como o alcance das tarifas, os produtos afetados, os prazos de implementação e possíveis exceções.

"O USTR não é obrigado a seguir as recomendações apresentadas durante as consultas públicas. Entretanto, os depoimentos e estudos apresentados costumam influenciar o valor das tarifas, os produtos atingidos, o cronograma de implementação e eventuais exceções", explicou Leite.

O especialista destaca que argumentos relacionados a impactos negativos para a própria economia americana costumam receber atenção especial durante o processo.

O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, conversa com repórteres na Casa Branca, em Washington, DC — Foto: REUTERS/Evan Vucci

Após a consulta pública, o governo americano ainda poderá receber documentos complementares, analisar dados econômicos e jurídicos e realizar negociações com os países envolvidos.

Recebimento de comentários adicionais;Análise técnica dos dados apresentados;Consultas diplomáticas entre os governos;Publicação da decisão final, com definição de tarifas, produtos afetados, exceções e data de entrada em vigor.

"As negociações políticas e diplomáticas são fundamentais e normalmente acontecem em paralelo à dimensão jurídica", afirmou Leite.

Segundo Jackson Campos, especialista em comércio exterior, apesar de existir um rito formal para esse tipo de investigação, o desfecho ainda é cercado por incertezas.

Isso porque a Seção 301 dá ao governo americano ampla liberdade para decidir se aplicará as medidas e de que forma elas serão implementadas.

"A regra permite que o representante comercial dos EUA adote tarifas ou outras restrições, mas também prevê que a ação pode seguir orientação específica do presidente", afirma o especialista.

"Isso significa que a audiência ajuda a construir o processo e pode influenciar alíquotas, exceções e cronograma, mas não elimina o peso da decisão política da Casa Branca."

Como o g1 mostrou anteriormente, Donald Trump tem usado com frequência a ameaça de impor tarifas como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas para ampliar o poder de barganha dos EUA.

Em diversos casos, incluindo o do Brasil, o governo americano anunciou as tarifas ao mesmo tempo em que divulgou uma lista de exceções e abriu um período para negociações.

A estratégia tem sido estabelecer prazos para um acordo e buscar concessões que ampliem o acesso da indústria americana a mercados estrangeiros e fortaleçam a posição dos EUA nas tratativas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro na Casa Branca, em Washington — Foto: RICARDO STUCKERT/DIVULGAÇÃO

O governo brasileiro tem apostado em uma estratégia que combina contestação técnica e negociação diplomática para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA.

Em nota ao g1, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que, desde a abertura da investigação, em julho de 2025, o Brasil “tem atuado de forma consistente em defesa dos interesses nacionais” e já apresentou duas manifestações formais ao USTR, nas quais buscou demonstrar que “as políticas e práticas brasileiras objeto da investigação são legítimas, não discriminatórias e não oneram o comércio dos Estados Unidos”.

Segundo o Itamaraty, o governo também realizou consultas presenciais com autoridades americanas em Washington, em abril deste ano, e mantém o diálogo em andamento.

A pasta informou ainda que estuda apresentar uma nova manifestação escrita durante o atual período de consultas públicas, que segue aberto até 1º de julho.

Sobre a audiência pública convocada pelo USTR para 6 de julho, o ministério afirmou que ela representa “um espaço para que empresas, associações e demais partes interessadas, brasileiras e norte-americanas, apresentem ao governo dos Estados Unidos os impactos concretos da medida proposta”.

Por esse motivo, acrescentou, o governo optou por concentrar sua atuação “nos canais próprios entre governos”, mantendo coordenação com o setor privado para apoiar sua participação no processo.

Paralelamente, o governo busca manter abertas as negociações com Washington. As conversas ocorrem no âmbito de um grupo bilateral criado após encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio.

Segundo interlocutores dos dois lados, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, sinalizou disposição para dar continuidade às negociações, enquanto o chanceler Mauro Vieira defendeu a intensificação das conversas após a divulgação dos relatórios finais do USTR.

Nos bastidores, a avaliação do governo é que ainda existe espaço para reverter parte das medidas propostas.

A estratégia tem sido negociar separadamente as investigações conduzidas pelos EUA, na tentativa de reduzir ou eliminar ao menos uma das sobretaxas anunciadas.

Ao mesmo tempo, autoridades brasileiras têm criticado o conteúdo dos relatórios. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, classificou a proposta americana como “injusta” e “descabida”.

Apesar do tom mais duro adotado publicamente, integrantes do governo afirmam que a prioridade continua sendo a busca por uma solução negociada antes da conclusão do processo de consultas públicas nos EUA.

Havia expectativa de um encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião do G7, realizada na última quarta-feira (17). No entanto, os dois apenas conversaram brevemente e não trataram do tema. As negociações permaneceram no âmbito ministerial.

No início de junho, o USTR concluiu uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" ao comércio americano. (veja mais detalhes sobre a investigação aqui)

🔎O relatório cita temas como o funcionamento do Pix, a regulação de plataformas digitais, acordos comerciais firmados pelo Brasil, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual e políticas anticorrupção.

Paralelamente, outra investigação conduzida pelos EUA concluiu que dezenas de países, incluindo o Brasil, não estariam fiscalizando adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Nesse caso, o governo americano propôs uma sobretaxa adicional de 12,5%.

A proposta tem como base a Seção 301, o mesmo instrumento legal utilizado para embasar a sugestão de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Antes de entrar em vigor, porém, a medida também passará por consulta pública. O governo americano receberá contribuições por escrito até 6 de julho de 2026 e realizará uma audiência pública em 7 de julho para discutir a proposta.

Na avaliação de órgãos do governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas, elevando a taxação total para até 37,5% sobre parte dos produtos exportados aos EUA.

A proposta ainda não entrou em vigor. Antes de qualquer medida ser implementada, o governo americano precisa concluir o processo de consultas públicas.

Caso sejam confirmadas, as tarifas poderão atingir parte das exportações brasileiras aos EUA, embora o governo americano já tenha sinalizado uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos.

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O economista que acreditava que trabalharíamos apenas 15h por semana — e por que sua previsão não deu certo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 03:55

Trabalho e Carreira O economista que acreditava que trabalharíamos apenas 15h por semana — e por que sua previsão não deu certo John Maynard Keynes previa jornadas de trabalho de apenas três horas por dia e sociedades oito vezes melhores do que há 100 anos. O que deu errado? Por BBC

Jornadas de trabalho de apenas três horas por dia, ou 15 horas semanais. Sociedades oito vezes melhores, economicamente, do que há 100 anos.

Não são delírios infundados, mas sim a crença futurológica de um dos maiores economistas da história, o britânico John Maynard Keynes (1883-1945).

Em 1930 ele publicou o ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, um texto em que procura desconstruir o pessimismo econômico de sua época— para ele, um exagero, uma "interpretação grosseiramente errônea" da realidade.

Diretora-adjunta do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), a economista Patrícia Pelatieri ressalta que se trata de um dos textos clássicos de Keynes.

"O ensaio foi apresentado em uma conferência em 1928, foi ampliado em uma palestra apresentada em Madri, em junho de 1930, e publicado em formato literário em outubro do mesmo ano, em pleno contexto da Grande Depressão", contextualiza ela, recordando da grande crise que abalou a econômica mundial no final daquela década de 1920.

Ensaio Possibilidades Econômicas para Nossos Netos, de Keynes, falava em jornadas de 3 horas por dia — Foto: Getty Images

Para o economista John Keynes, professor na Universidade de Cambridge, a crise e o desemprego das primeiras décadas do século 20 não indicavam um declínio permanente das sociedade capitalista, mas sim uma fase de transição precipitada pela rapidez das transformações tecnológicas e econômicas.

Keynes aponta que, durante milênios, o padrão de vida da humanidade havia mudado muito pouco — e a combinação entre acumulação de capital, juros compostos e avanços científicos acabou desencadeando um crescimento sem precedentes desde a Revolução Industrial — ocorrida na Inglaterra a partir da segunda metade do século 18.

Com base nessa tendência histórica, Keynes prevê que, em cerca de cem anos, os países mais desenvolvidos alcançariam um nível de riqueza muito superior ao de sua época.

O progresso tecnológico permitiria produzir muito mais com muito menos trabalho humano, embora isso criasse temporariamente o chamado "desemprego tecnológico".

No longo prazo, porém, ele acreditava que a humanidade resolveria seu principal problema histórico: a escassez econômica.

As necessidades materiais básicas seriam amplamente satisfeitas, reduzindo a centralidade da luta pela sobrevivência.

A parte mais original do ensaio é a reflexão sobre as consequências humanas dessa abundância. Keynes reflete sobre uma consequência imediata dessa transformação.

Quando o trabalho deixar de ser uma necessidade vital, as pessoas enfrentarão um novo desafio: encontrar propósito para suas vidas e usar bem o tempo livre.

Ele imagina jornadas de trabalho muito curtas, talvez de apenas quinze horas semanais, e uma sociedade menos obcecada pela acumulação de riqueza.

Nesse cenário, valores como cultura, prazer, convivência e desenvolvimento pessoal ganhariam mais importância do que o dinheiro, permitindo que os seres humanos se dedicassem à "arte de viver" em vez de apenas trabalhar para sobreviver.

John Maynard Keynes é considerado um dos maiores economistas da história — Foto: Domínio Público

Professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o sociólogo Paulo Niccoli Ramirez explica que a visão keyneseana confrontava o "dogma da economia clássica, de que quanto mais trabalho, mais riqueza". Isso porque ele percebeu o peso que a tecnologia tinha nessa equação.

"Para ele, na contramão do aumento da produtividade seria possível reduzir a jornada de trabalho e dar mais qualidade de vida ao trabalhador", comenta Ramirez.

O lazer não seria simplesmente a folga — também significava incremento do consumo, já que o trabalhador ganhava o "tempo do consumo", fazendo também a "economia girar", explica o sociólogo.

"Os aguerridos fazedores de dinheiro podem levar-nos todos nós junto a eles no colo da abundância econômica", pontua Keynes.

"Mas serão aquelas pessoas — que podem manter viva e cultivar em uma perfeição mais completa a arte da vida em si e não vender-se para os meios de vida — que poderão desfrutar a abundância quando ela vier."

"Para ele, a combinação entre a acumulação do capital e do progresso técnico no capitalismo permitiria um crescimento contínuo da capacidade produtiva. Os investimentos, sobretudo, no estrangeiro, mas não só, impulsionados pelos juros compostos, e os avanços científicos e tecnológicos decorrentes da Revolução Industrial haviam elevado significativamente o padrão de vida médio na Europa e nos Estados Unidos mesmo diante do crescimento da população."

Para Keynes, explica a economista, "essas forças permitiriam produzir cada vez mais bens e serviços com menos trabalho humano".

"No curto prazo, isso poderia gerar, o que ele destaca como desemprego tecnológico, ou seja, resultado de descobertas que economizam trabalho em ritmo superior à criação de novas ocupações. No longo prazo, porém, a sociedade poderia manter ou até ampliar seu padrão de vida trabalhando muito menos horas", explica Pelatieri.

"A aposta de Keynes era que, uma vez resolvido o problema econômico fundamental, que é a luta pela subsistência, a humanidade teria de enfrentar a velha questão: como utilizar o tempo livre conquistado pelo avanço da produtividade. Considerando que ao longo de tantos séculos, fomos treinados a lutar e não a gozar, Keynes descreve este ponto como um problema permanente da raça humana, como vamos lidar com o tempo livre. Ou seja, quanto maior a nossa capacidade produtiva se multiplicasse, precisaríamos de apenas uma fração do tempo de trabalho anterior para garantir o mesmo nível de subsistência, como comida, moradia e roupas", detalha Pelatieri.

Foi nesse contexto que ele estimou as tais 15h semanais. Para o economista britânico, isso seria o suficiente para manter a sociedade em funcionamento e, ao mesmo tempo, garantir trabalho a todos.

O jurista Brasilino Santos Ramos, desembargador do trabalho aposentado e ex-integrante Conselho Superior da Justiça do Trabalho, ressalta que na época da proposição keynesiana, no panorama trabalhista predominavam jornadas extenuantes, que facilmente chegavam — e até superavam — as 10h por dia.

"Foi nesse cenário que Keynes formulou uma das previsões mais conhecidas da história da economia. Defensor da economia de mercado e da propriedade privada, ele acreditava que o capitalismo poderia ser preservado e aperfeiçoado por meio da atuação do Estado na correção de crises, na promoção do emprego e na redução das instabilidades econômicas", diz o especialista em legislações do trabalho.

"Antes de examinar as ideias de John Maynard Keynes sobre tecnologia, produtividade e redução da jornada de trabalho, é importante compreender sua trajetória intelectual e social", comenta Ramos.

"Oriundo da alta classe média intelectual britânica e formado nos mais prestigiados centros acadêmicos de sua época, Keynes dedicou-se a estudar os efeitos das crises econômicas, do desemprego e da desigualdade. Defensor da economia de mercado, mas também da intervenção estatal para corrigir suas falhas, tornou-se um dos economistas mais influentes do século 20 e formulou reflexões que permanecem atuais diante dos desafios impostos pela automação e pela inteligência artificial."

Membro do Partido Liberal, Keynes foi um dos principais pensadores a teorizar a respeito da macroeconomia.

Suas ideias também mudaram a maneira como as políticas econômicas passaram a ser instituídas pelos governos em boa parte do mundo — o que faz com que ele seja comumente listado entre as pessoas mais influentes do século 20.

A principal inovação de seu pensamento econômico está em refutar a ideia econômica neoclássica de que o livre-mercado ofereceria automaticamente empregos aos trabalhadores desde que estes demonstrassem flexibilidade quanto aos salários.

Para ele, o Estado precisa ser intervencionista, com medidas fiscais e monetárias que busquem evitar ou atenuar efeitos de recessão, depressão e booms econômicos. No cerne da escola keynesiana, este modelo de pensamento criado por ele, o Estado é visto como agente de controle econômico — em busca do pleno emprego.

Em sua concepção, o problema do livre-mercado é que o "espírito animal" dos empresários precisa ser domado, regulado. O antigo Partido Liberal britânico ao qual Keynes era filiado defendia o liberalismo social, com ênfase na construção de um estado de bem-estar social.

Mas se é nítido que o mundo experimentou avanços econômicos notáveis, principalmente com aparatos tecnológicos que vão da robotização das indústrias à consolidação da inteligência artificial, por que as jornadas de 3h diárias previstas por Keynes não estão nem sequer no horizonte?

O cientista político Christian Lohbauer, integrante de grupo de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) comenta que Keynes acertou "no aumento da produtividade" com a intensificação das tecnologias. A questão, segundo ele, é que ele não previu como o consumo também aumentou exponencialmente.

"As pessoas querem ter mais lazer e continuam consumindo", explica. "Querem mais acesso a bens e serviços. Para isso, precisam de mais horas de trabalho."

Para a fórmula keyneseana dar certo, Lohbauer argumenta que seria preciso que as pessoas quisessem "ter uma casa menor", "usar menos o carro", "comer menos fora", "fazer menos viagens por ano". E não é o que acontece — tanto entre os que efetivamente podem fazer isso quanto para a imensa maioria que apenas têm esses privilégios como objeto de desejo.

Pelatieri lembra que o próprio pensador britânico dividia entre dois tipos as necessidades humanas. De um lado estavam as básicas, necessárias à sobrevivência. De outro, as relativas, aquelas atreladas ao desejo de status e de reconhecimento social. Na perspectiva keynesiana, as do primeiro grupo seriam rapidamente supridas.

"O que ele não contava foi a capacidade do capitalismo de criar necessidades, ou seja, as necessidades básicas foram alteradas ao longo do tempo, como a necessidade de celulares, internet, serviços digitais entre outros, passaram a ser percebidos como essenciais para a vida cotidiana", comenta Pelatieri.

Ela lembra também que embora a produtividade global tenha crescido "de forma expressiva", os ganhos "gerados por esse avanço não foram distribuídos de maneira homogênea".

"Uma parcela significativa dos benefícios do progresso técnico foi apropriada na forma de lucros e rendimentos de capital", pontua.

A economista ilustra com o dado de que, em 2024, foram criados 204 novos bilionários — quase um por semana.

No fim das contas, "muitos trabalhadores continuaram dependentes de jornadas extensas para sustentar seu padrão de vida, mesmo que modesto", diz Pelatieri.

"Além disso, a decisão das empresas sobre utilizar toda a tecnologia disponível está diretamente condicionada à avaliação de custos: se será mais vantajoso investir em inovação tecnológica ou manter a dependência da mão de obra existente", afirma a economista.

"Em outras palavras, Keynes subestimou os conflitos em torno da distribuição dos ganhos de produtividade", acrescenta ela.

"O trabalho repetitivo foi superado pela automação. Prometia-se a ideia de que seria possível reduzir as jornadas de trabalho, mas o que veio foi a perda dos direitos trabalhistas", diz Ramirez. Para o sociólogo, seria contraditório aumentar a riqueza com menores jornadas.

Pelatieri concorda que, "do ponto de vista do raciocínio de Keynes" era de se esperar que com os avanços das novas tecnologias a humanidade ganhasse jornadas menores de trabalho.

"O problema, entretanto, não está na tecnologia em si, mas na forma como seus benefícios são distribuídos. A questão central é quem se apropria dos ganhos gerados pelo aumento da produtividade. Em vez de se converter automaticamente em mais tempo livre, o avanço tecnológico muitas vezes resulta em maior concentração de renda ou novas formas de intensificação do trabalho", diz ela.

"As tecnologias digitais, por exemplo, ampliaram as possibilidades de monitoramento, controle e disponibilidade permanente dos trabalhadores."

"Mais do que uma previsão econômica, o ensaio era uma reflexão sobre as consequências sociais, culturais e morais da abundância. Keynes imaginava uma sociedade em que os indivíduos pudessem dedicar mais tempo à educação, à cultura, ao convívio social e ao desenvolvimento pessoal", analisa Ramos.

"Sua mensagem central era que o progresso econômico poderia libertar a humanidade da luta permanente pela sobrevivência material, deslocando o desafio humano para a busca de propósito e realização além do trabalho e da acumulação de riqueza."

Ramos pontua que, se a produtividade realmente cresceu de forma extraordinária nas últimas décadas, "o que não se confirmou foi a conversão desses ganhos em uma drástica redução da jornada de trabalho."

"Entre as razões para isso estão o surgimento de novos padrões de consumo, o desejo permanente de ampliar renda e patrimônio, o aumento das desigualdades na distribuição dos ganhos de produtividade, a expansão do setor de serviços e do trabalho intelectual e a intensificação da competição econômica global", afirma Ramos.

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Austrália confirma 2º caso de gripe aviária no continente em menos de uma semana

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 03:11

Agro Austrália confirma 2º caso de gripe aviária no continente em menos de uma semana Até este ano, continente era o único sem registro do vírus. Por Redação g1

Um íbis empoleirado ao lado da sede do Banco da Reserva da Austrália , no centro de Sydney, Austrália — Foto: Daniel Munoz / Reuters

O Ministério da Agricultura da Austrália confirmou o segundo caso de H5 gripe aviária nesta segunda-feira (22). No sábado (20), o continente registrou o primeiro caso de infecção, um dia após o vírus ter sido detectado em uma região remota do sudoeste.

Até este ano, a Austrália era o único continente sem um caso confirmado no território continental, embora o vírus tenha sido detectado no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico localizado a cerca de 4.100 km da Austrália continental.

Ainda não foram divulgados detalhes sobre o novo caso. O primeiro registro, confirmado no sábado, ocorreu em Esperance, cidade localizada a cerca de 570 quilômetros a sudeste de Perth, capital da Austrália Ocidental. Segundo o governo, a ave infectada pela cepa altamente patogênica do vírus foi encontrada doente na região.

As infecções humanas permanecem raras, mas a influenza aviária altamente patogênica levou ao abate de centenas de milhões de aves nos últimos anos, afetando o abastecimento de alimentos e elevando os preços.

Na sexta, a ministra da Agricultura, Julie Collins, informou que o vírus ainda não havia sido detectado em granjas ou no sistema agropecuário australiano. No entanto, outra ave encontrada doente na mesma região — um petrel-gigante — também testou positivo.

Para enfrentar a gripe aviária, a Austrália reforçou medidas de biossegurança nas fazendas, ampliou os testes em aves costeiras, vacinou espécies vulneráveis e realizou simulações para preparação de respostas a surtos.

Na sexta-feira, as autoridades haviam informado que um mandrião-marrom migratório encontrado no Parque Nacional Cape Le Grand, na Austrália Ocidental, testou positivo para a doença, enquanto aguardavam a confirmação dos exames.

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Cachorro caramelo, filtro de barro e café coado: símbolos brasileiros ajudaram amigas a faturar R$ 1,5 milhão em um ano

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 22/06/2026 03:11

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Cachorro caramelo, filtro de barro e café coado: símbolos brasileiros ajudaram amigas a faturar R$ 1,5 milhão em um ano Inspiradas por elementos do cotidiano brasileiro, três amigas criaram uma marca de moda que transformou a brasilidade em produto e conquistou espaço na onda das referências nacionais. Por PEGN

Brasil Core impulsiona negócios: empreendedores faturam até R$ 1,5 milhão com produtos inspirados na brasilidade

A estética que transforma referências do país em tendência virou também uma oportunidade de negócio. E há empreendedoras surfando essa onda de um jeito diferente, indo muito além do verde e amarelo e apostando em uma brasilidade mais sutil, criativa e fora dos estereótipos.

É o caso de Sofia Kobayashi, que criou, ao lado de duas amigas, uma marca de moda inspirada no Brasil, mas não naquele retrato óbvio que costuma aparecer em camisetas e souvenires.

O negócio nasceu em 2021, quando as três ainda trabalhavam como advogadas e buscavam uma forma de expressar a criatividade que não cabia na rotina profissional. A ideia começou quase como um respiro, mas rapidamente ganhou forma e se transformou em empresa.

Desde o início, a proposta foi clara: mostrar um Brasil diferente, menos caricatural e mais conectado aos elementos do cotidiano.

Em vez de apostar apenas nas cores da bandeira ou em símbolos tradicionais, a marca se destaca por referências inesperadas, como bonés inspirados em filtro de barro, cadeira de praia e até no clássico cachorro caramelo. O objetivo é valorizar uma brasilidade que aparece nas entrelinhas e no dia a dia.

O negócio começou com a venda de biquínis, mas foi ao diversificar o portfólio que a marca encontrou seu principal produto: os bonés. Hoje, eles representam a maior parte das vendas e se tornaram o carro-chefe da empresa.

A escolha não foi por acaso. Além de versáteis e acessíveis, esses itens são mais fáceis de vender online, especialmente para uma marca nova, já que não exigem prova de modelagem como outras peças de roupa.

Outro ponto decisivo para o crescimento foi a estratégia de produção. Com um investimento inicial de R$ 36 mil, as sócias optaram por terceirizar a fabricação das peças. A decisão ajudou a reduzir custos e riscos no início da operação, permitindo que o negócio crescesse de forma mais sustentável.

Hoje, a marca segue com uma estrutura enxuta, tocada pelas três sócias, uma funcionária e parceiros na produção. Mesmo assim, os números chamam atenção: são cerca de R$ 1,5 milhão faturados em 2025.

O crescimento ganhou ainda mais força com grandes eventos esportivos. Aproveitando o clima da Copa do Mundo, a empresa lançou uma coleção especial de bonés e apostou no aumento da produção e nas vendas antecipadas pelas redes sociais.

O resultado esperado é um crescimento em torno de 20% no faturamento, impulsionado pelo evento, além da conquista de novos clientes atraídos pelo tema do futebol.

O bom momento também reflete o posicionamento da marca dentro de uma tendência global. Embora não tenha sido criada com esse objetivo, a empresa acabou se alinhando naturalmente ao movimento Brazil Core, que coloca o Brasil em evidência no cenário internacional.

Com a cultura brasileira em alta, o negócio encontrou um espaço relevante no mercado ao oferecer uma leitura diferente do que significa consumir moda com identidade nacional.

📍 Loja: Rua Harmonia, 255 – Vila Madalena, São Paulo/SP📍 Unidade: Rua Mateus Grou, 132 – Pinheiros, São Paulo/SP📞 Telefone: (11) 94197-9655📧 E-mail: atendimento@bossa.com.co🌐 Site: bossa.com.co📸 Instagram: https://www.instagram.com/bossa.brazil

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Lucro dos bancos bate recorde de R$ 255 bilhões em 2025, ano marcado por juros altos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

O lucro dos bancos brasileiros subiu e alcançou a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde. Os números são do Banco Central.

O aumento ocorreu em um ano no qual a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, subiu para 15% ao ano – o maior nível em quase 20 anos, e um dos mais altos do mundo em termos reais. O juro começou a recuar somente em 2026.

A taxa Selic serve de base para os bancos em seus empréstimos, que, sem contar as linhas com taxas favorecidas (crédito direcionado), têm juros bem maiores do que a taxa básica da economia.

Em algumas linhas de crédito, como o cartão de crédito rotativo, mais utilizado no ano passado, e no cheque especial, os juros passam de, respectivamente, 400% e 100% ao ano.

Outra característica do setor bancário brasileiro é ser altamente concentrado, com os quatro maiores bancos abocanhando quase 60% do mercado de crédito em 2024.

Procurado pelo g1, o Banco Central avaliou que, em 2025, o crescimento do lucro líquido dos bancos brasileiros foi "mais moderado", e a "rentabilidade permaneceu relativamente estável".

"Esse comportamento reflete, sobretudo, o aumento das despesas com provisões, que compensou parcialmente o resultado de juros, cujo crescimento desacelerou em função da menor expansão do crédito. Assim, o crescimento do lucro manteve-se alinhado ao ritmo de expansão do ativo total do sistema financeiro nacional", diz o Banco Central.

Ao mesmo tempo, o chamado retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que mede quanto lucro uma empresa tem relação ao valor investido pelos acionistas, avançou para 16,76% em 2025.

De acordo com levantamento do Escritório do Superintendente de Instituições Financeiras (OSFI) do Canadá – uma agência federal independente responsável pela supervisão bancária –, a rentabilidade dos bancos brasileiros também está bem acima de seus pares em países desenvolvidos.

O OSFI ressaltou em seu estudo que comparações internacionais de rentabilidade bancária devem ser interpretadas com cautela, pois são influenciadas por diferenças de alavancagem, modelos de negócio, estruturas de mercado e regras regulatórias de cada país.

O diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, disse que o nível de rentabilidade do setor bancário brasileiro está alinhado com os demais países emergentes. Ele considerou dados da publicação The Banker (1000 maiores bancos do mundo, da Financial Times).

"O ROE médio dos bancos brasileiros da amostra é de 16,5%, para uma média do período entre 2020-24 (5 anos), abaixo de países como México, Peru e África do Sul (além de Argentina e Turquia, que possuem níveis de inflação mais elevados e podem distorcer a comparação)", diz Rubens Sardenberg, da Febraban.

Segundo Einar Rivero, especialista em dados financeiros e CEO da consultoria Elos Ayta, o sistema bancário encerrou 2025 em um novo patamar de lucratividade refletindo a capacidade de as instituições financeiras gerarem receitas de forma cada vez mais diversificada, combinando operações de crédito, serviços financeiros, gestão de recursos, seguros e mercado de capitais.

"Embora a taxa Selic tenha sido um componente importante dessa trajetória, atribuir o desempenho exclusivamente aos juros elevados seria uma simplificação excessiva", disse Einar Rivero.

"Os resultados de 2025 foram impulsionados pela combinação de spreads ainda elevados [valor que os bancos cobram acima do que pagam para captar recursos], redução gradual da inadimplência em relação aos anos anteriores, maior disciplina na concessão de crédito e avanços significativos em eficiência operacional", completou o especialista.

De acordo com ele, o setor financeiro também colheu os frutos de investimentos realizados nos últimos anos em digitalização, automação de processos e aprimoramento dos modelos de gestão de risco — fatores que contribuíram para elevar a produtividade e reduzir custos estruturais.

"Outro aspecto relevante é que o lucro recorde foi alcançado em um sistema financeiro mais diversificado do que no passado. O crescimento da participação de modelos de negócios voltados para gestão de patrimônio, mercado de capitais e clientes de alta renda tornou os resultados menos dependentes do ciclo tradicional de crédito", concluiu o analista.

Placa da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na Zona Sul de São Paulo, principal centro financeiro do país — Foto: David Irikura/TV Globo

Para Rubens Sardenberg, diretor da Febraban, é um "equívoco" afirmar que os bancos se beneficiam da elevada taxa Selic.

"Este ambiente tende a pressionar a inadimplência, ou seja, aumenta as perdas com as operações de crédito, faz com que as instituições financeiras sejam mais conservadoras no processo de concessão de crédito", disse Sardenberg.

"Isso limita o crescimento da carteira de crédito e limita o crescimento econômico do país, o que contém não só o avanço de receitas oriundas do crédito, mas também de receitas com serviços, como em operações de mercado de capitais", completou o diretor da Febraban.

Ele também cita um dado do BC, segundo o qual 80% do chamado "spread bancário" (valor cobrado além da taxa Selic nas linhas de crédito) é composto por custos como despesas com inadimplência (35,4%), administrativas (23,3%) e tributos (21%).

E avaliou que a "margem financeira" (20,3%) é a menor fração do spread das operações de crédito.

Diante da polêmica sobre o PIX com os Estados Unidos, o diretor observou que, de um lado, a ferramenta gera um aumento da bancarização, o que contribui para o crescimento e o fortalecimento do mercado financeiro e dos negócios.

Por outro, promove uma redução de custos para os clientes dos bancos (com queda potencial das receitas com este serviço)

"Difícil estimar o impacto líquido [do PIX para o sistema financeiro], que necessita de estudos mais aprofundados. Mas a nossa impressão inicial é que o resultado da implementação do PIX é positivo para os bancos", concluiu Rubens Sardenberg.

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São João é feriado? Veja onde a data garante folga e quais são os direitos dos trabalhadores

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Trabalho e Carreira São João é feriado? Veja onde a data garante folga e quais são os direitos dos trabalhadores Embora não esteja no calendário nacional, o 24 de junho, próxima quarta-feira, será folga garantida para trabalhadores de cinco capitais brasileiras. Por Redação g1 — São Paulo

O governo federal não considera o dia de São João, celebrado em 24 de junho, como feriado nacional nem ponto facultativo. Ainda assim, a data garante folga para milhares de trabalhadores em diferentes regiões do país, especialmente no Nordeste, onde as festas juninas têm forte tradição.

Isso acontece porque estados e municípios podem estabelecer feriados locais por meio de legislação própria. Neste ano, o dia de São João será feriado em pelo menos cinco capitais brasileiras:

Em João Pessoa, o período de descanso será ainda mais longo. Além do feriado de São João, a prefeitura decretou ponto facultativo nos dias 22 e 23 de junho para os servidores municipais, estendendo as comemorações na capital paraibana.

A data também será feriado em cidades que se destacam pelas tradicionais festas juninas, como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), além de Niterói (RJ) e Barueri (SP), onde São João é o santo padroeiro.

Em Pernambuco e Alagoas, o alcance da folga é ainda maior. Isso porque o dia 24 de junho é considerado feriado estadual, beneficiando trabalhadores de diversas cidades além das capitais.

Nas localidades onde o São João é oficialmente feriado, os empregados devem ser dispensados do trabalho. Caso sejam convocados para exercer suas atividades, têm direito ao pagamento em dobro pelas horas trabalhadas ou a uma folga compensatória, conforme prevê a legislação trabalhista.

O que é ponto facultativo? Sou obrigada a trabalhar durante o feriado ou ponto facultativo? Faltei ao trabalho, apesar de ter sido escalado. Posso ser demitido por justa causa?As regras são diferentes para empregado fixo e temporário? Qual é o próximo feriado de 2025?

Em dias de ponto facultativo, funcionários públicos são dispensados do serviço sem prejuízo da remuneração. A medida é decretada em dias úteis de trabalho, geralmente entre feriados e fins de semana.

No setor privado, ao contrário do que acontece nos feriados, os empregadores não têm a obrigação de dispensar os colaboradores, pagar o salário em dobro ou oferecer folgas compensatórias.

A legislação trabalhista proíbe o exercício de atividades profissionais durante feriados civis e religiosos. No entanto, há exceções.

A lei autoriza o trabalho em alguns setores, que são classificados como essenciais. É o caso de indústrias, comércios, transportes, serviços funerários, atividades ligadas à segurança, entre outros.

Além disso, o empregador pode solicitar que o funcionário trabalhe durante o feriado quando houver uma convenção coletiva de trabalho, que é um acordo antecipado feito entre empregadores e sindicatos.

Depende. A falta, diante da determinação do empregador para o comparecimento, poderá ser entendida como insubordinação, que é a desobediência a um superior.

"Mas a dispensa por justa causa, em geral, não decorre de um fato isolado, mas de um comportamento faltoso de forma reiterada", afirma Ana Gabriela Burlamaqui, advogada trabalhista.

Com isso, a demissão por justa causa geralmente segue um processo que deve incluir uma soma de advertências escritas e tentativas de correção de comportamento.

As regras básicas sobre trabalho em feriados aplicam-se tanto a empregados fixos quanto temporários, incluindo o direito ao pagamento em dobro ou folga compensatória.

Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso.

O próximo feriado nacional, porém, só acontecerá daqui a três meses: o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cai em uma segunda-feira e pode render folga prolongada para quem não trabalha aos fins de semana.

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China proíbe exportações para 10 empresas dos EUA e amplia retaliação comercial; veja lista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/06/2026 00:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%MoedasDólar ComercialR$ 5,165-0,17%Dólar TurismoR$ 5,354-0,51%Euro ComercialR$ 5,9280,02%Euro TurismoR$ 6,159-0,36%B3Ibovespa168.334 pts0,03%Oferecido por

A China adicionou 10 empresas dos Estados Unidos à sua lista de controle de exportações. Segundo o comunicado chinês, as empresas possuem vínculos com as Forças Armadas americanas. Entre elas estão duas empresas do setor de terras raras. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (22) e ocorre em resposta à decisão de Washington de impor restrições a diversas companhias chinesas no início do mês.

Entre as empresas afetadas estão as produtoras de terras raras MP Materials e USA Rare Earth, além da fabricante de motores para aplicações críticas Aveox. Com a inclusão na lista, ficam suspensas as exportações chinesas de itens de dupla utilização para essas companhias.

🔎 Itens de dupla utilização são bens e tecnologias desenvolvidos para uso civil, mas que também podem ser empregados em aplicações militares.

A MP Materials, apoiada pelo Pentágono e operadora da única mina ativa de terras raras dos Estados Unidos, e a USA Rare Earth participam da cadeia produtiva que vai da extração mineral à fabricação de ímãs.

Em comunicado, o Ministério do Comércio da China afirmou que as medidas são uma resposta às “práticas maliciosas do governo dos EUA” e foram adotadas para proteger a segurança e os interesses nacionais, além de cumprir obrigações internacionais relacionadas à não proliferação.

Segundo o ministério, organizações e indivíduos de qualquer país ou região estão proibidos de transferir ou fornecer às entidades listadas itens de dupla utilização originários da China. As atividades de exportação em andamento devem ser interrompidas imediatamente.

Na prática, a decisão representa uma proibição total das exportações desses produtos para as empresas citadas, endurecendo as regras anteriores, que exigiam apenas a obtenção de licenças de exportação.

Em uma medida separada, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções contra outras 46 empresas americanas. Compradores chineses passam a estar impedidos de adquirir produtos fabricados por essas companhias, embora empresas financiadas por capital dos EUA que operam na China continuem autorizadas a fazê-lo.

Há duas semanas, os Estados Unidos incluíram as empresas chinesas Alibaba, Baidu, BYD e NIO em uma lista de companhias que, segundo Washington, estariam auxiliando atividades militares de Pequim.

Aveox, Inc.Red Cat Holdings, Inc.Teal Drones, Inc.IMSAR, LLC (EUA)Jaia Robotics, Inc.Ball Aerospace & Technologies Corp.Oshkosh Defense, LLCL3 Harris Maritime Services, Inc.MP Materials Corp.USA Rare Earth, Inc.

Em 8 de junho, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou a relação de empresas que, segundo o governo americano, colaboram com militares chineses. A versão da lista tem 188 empresas e incluiu mais nomes do setor de tecnologia.

Entre elas, estão o buscador Baidu, as fabricantes de robôs Unitree e Robosense Technology, a gigante do comércio eletrônico Alibaba e as fabricantes de chips CXMT e YMTC.

O documento passou a apresentar ainda a montadora BYD, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells.

Por conta de uma lei recente, a partir do final de junho, o Departamento de Guerra não poderá contratar diretamente de empresas presentes no documento. E, a partir de 2027, o órgão não poderá comprar seus produtos e serviços por meio de terceiros.

Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026 — Foto: Reuters/Maxim Shemetov

No documento, o Departamento de Guerra afirmou que as empresas "se qualificam para a designação de 'empresas militares chinesas'" e operam nos EUA. Elas poderão pedir a remoção da lista, segundo o órgão.

Embora o documento não imponha sanções formais às companhias chinesas, elas poderão sofrer danos concretos com a decisão. A inclusão na lista também dá uma mensagem prejudicial sobre essas companhias para fornecedores do governo americano.

A Embaixada da China nos Estados Unidos disse que o governo chinês se opõe à "criação de listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas" e que elas cumprem leis e regulações locais.

"Os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas", afirmou a embaixada em nota, segundo a Reuters.

À Reuters, a BYD disse acreditar que sua inclusão na lista de empresas ligadas às forças armadas da China "carece de fundamento factual".

O Alibaba afirmou à Reuters que não há fundamento para sua inclusão na lista. Em nota, a empresa disse que "não é uma companhia militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre setores civil e militar" e que adotará as medidas legais disponíveis para contestar a classificação.

A WuXi AppTec também contestou a decisão e disse que sua inclusão na lista é equivocada. A empresa afirmou que tomará medidas imediatas para reverter a designação.

Já a Baidu rejeitou "categoricamente" sua inclusão. Em declaração à Reuters, a companhia disse que a alegação de que seria uma empresa militar é "totalmente infundada" e disse que utilizará todos os recursos disponíveis para ser retirada da relação.

Até a última atualização desta reportagem, as outras empresas não tinham respondido aos pedidos de posicionamento feitos pela Reuters.

A decisão atualiza uma lista do início de 2025 e é anunciada menos de um mês após o presidente americano Donald Trump se encontrar com seu correspondente chinês Xi Jinping em Pequim.

O encontro teve troca de elogios, mas terminou com impasses em temas sensíveis como Taiwan, considerado pela China como parte de seu território.

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