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Em audiência nos EUA, Flávio Bolsonaro diz que momento é o ‘pior possível’ para tarifaço e defende adiamento
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 07/07/2026 12:47
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O senador Flávio Bolsonaro discursou nesta terça-feira (7) em audiência nos EUA contra o novo tarifaço sobre produtos brasileiros, defendendo o adiamento da medida.
Os EUA decidem até 15 de julho se aplicarão tarifas adicionais ao Brasil, sob a justificativa de que o país adota práticas comerciais irrazoáveis.
O governo brasileiro contestou as acusações e defendeu que o PIX e as decisões do STF são políticas internas que não justificam sanções comerciais.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro também criticou o presidente Lula, rebateu acusações de corrupção e defendeu a criação do PIX no governo de seu pai.
A participação de Flávio ocorreu por inscrição aberta no órgão americano, enquanto o governo federal do Brasil enviou apenas observadores para acompanhar a audiência.
O pré-candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, discursou em audiência pública nos Estados Unidos nesta terça-feira (7) sobre o novo tarifaço.
Na ocasião, ele falou em inglês e estava acompanhado do irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro — que mora nos Estados Unidos.
"O Brasil realizará eleições presidenciais em outubro. Em apenas 90 dias, o cenário político do país mudará completamente, e impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter recompensaria os responsáveis pelas ações em questão", disse.
O senador também mencionou que esse é o "pior momento possível" para a aplicação da medida e defendeu o adiamento.
"Punir aqueles que já arcaram com as consequências seria o pior momento possível para agir. Respeitosamente, peço a este país: não imponha a suas tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta medida, cancele-a e vamos negociar", prosseguiu.
🔎Em 15 de julho termina o prazo para os EUA decidirem se vão colocar em prática tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro já tinha apresentado neste mês uma resposta formal a conclusão da investigação dos Estados Unidos sobre a proposta do novo tarifaço.
Na época, governo americano acusou o Brasil de práticas "irrazoáveis" que "oneram ou restringem" o comércio com os norte-americanos.
Em documento enviado ao governo americano e assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil argumentou que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) não comprovou que políticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA.
O Executivo também afirmou que críticas americanas ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não são questões comerciais, mas divergências sobre políticas internas brasileiras.
Segundo o Itamaraty, usar esses temas para justificar sanções comerciais ampliaria excessivamente o alcance da legislação americana usada na investigação.
Durante a audiência pública nesta manhã, Flávio Bolsonaro também falou sobre a corrupção, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu o PIX — sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central (BC).
"A corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro. Não há discordância quanto a isso. Mas a corrupção tem responsáveis identificáveis. Os quatro maiores escândalos de corrupção da história recente do Brasil — o esquema do Mensalão, o caso revelado pela Operação Lava Jato, a fraude envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na qual o próprio filho do presidente Lula está entre os investigados", frisou.
O senador mencionou ainda os benefícios do PIX — que sempre atribui a gestão de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro — a empresas americanas.
"O sistema de pagamentos instantâneos do Brasil foi criado durante a administração [Jair] Bolsonaro. O PIX não é o problema; é uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao integrar milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — à economia formal. Além disso, continua beneficiando diretamente empresas americanas" prosseguiu.
Flávio chegou ao segundo dia de audiência sobre o tarifaço nos EUA por volta das 11h — horário marcado para início das falas —, mas só começou a falar por volta das 11h45, pois havia uma ordem de falas listada.
A participação nas audiências públicas promovidas USTR é aberta aos interessados que se inscreverem — foi assim que Flávio Bolsonaro ganhou o espaço para falar no evento.
O senador enviou à autoridade americana um pedido de comparecimento e um resumo do depoimento que pretende fazer.
Nos documentos, Flávio pede cinco minutos para falar, tempo padrão para participação no evento, e informa que vai se pronunciar em inglês e presencialmente.
O político se apresenta como integrante do Senado Federal do Brasil e pré-candidato à Presidência da República. Relata ter se reunido pessoalmente com Trump para tratar dos temas da investigação.
Já o governo federal não mandou representantes para falar pelo Executivo, mas enviou observadores. Representantes de áreas técnicas e do setor produtivo apresentaram seus argumentos no primeiro dia.
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca no final de maio — Foto: Reprodução/Instagram/@FlavioBolsonaro via BBC
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