RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Tarifaço de Trump pressiona setores, mas Brasil chega menos dependente dos EUA, dizem especialistas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 00:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%Oferecido por

As tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras entraram em vigor nesta quarta-feira (22), com impacto concentrado nos setores mais dependentes do mercado americano.

Economistas ouvidos pelo g1 avaliam que a medida não deve provocar uma crise na economia brasileira como um todo, mas pode pressionar parte das empresas, que terão dificuldade para encontrar novos compradores no curto prazo.

O efeito, porém, ocorre em um cenário diferente do de duas décadas atrás. Os EUA perderam participação no comércio exterior brasileiro. Em 2005, o mercado americano absorvia cerca de um quinto das exportações do país, o equivalente a aproximadamente 19% do total embarcado.

Em 2025, essa participação havia recuado para cerca de 12%. No primeiro semestre de 2026, a fatia caiu para 9,4%. Os dados são do Comexstat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No mesmo período, a China consolidou sua posição como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por mais de 30% das vendas ao exterior.

Para o Brasil, o principal desafio do tarifaço não está apenas na perda de vendas para o mercado americano, mas na capacidade de encontrar novos destinos para essas exportações sem trocar uma dependência por outra e, ao mesmo tempo, aumentar a competitividade da indústria brasileira.

Para Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV, a perda de protagonismo dos EUA era inevitável com a ascensão da China como principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.

Segundo ele, o Brasil aproveitou principalmente o crescimento econômico da China e a demanda por commodities agrícolas e minerais brasileiras.

Na mesma linha, Marcos Crivelaro, economista da Fundação Vanzolini, afirma que as tarifas representam "um choque para alguns segmentos da economia, mas não uma crise estrutural".

Para Crivelaro, o Brasil chega a esse momento com uma pauta exportadora mais diversificada e presença crescente em mercados asiáticos e outras economias emergentes.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em Washington — Foto: SAUL LOEB/Pool via REUTERS

A capacidade de substituir o mercado americano varia conforme o tipo de produto. Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), 57% das exportações brasileiras para os EUA permaneceram sem incidência das novas tarifas.

Ao todo, 2,4 mil empresas foram diretamente afetadas, e 74% delas já exportam para outros países. Os especialistas ressaltam, porém, que a diversificação, por si só, não compensa toda a perda no mercado americano.

Roberto Dumas, professor do Insper especializado em economia chinesa, explica que as commodities têm maior facilidade de redirecionamento porque são produtos padronizados e negociados globalmente. Já os bens industrializados enfrentam obstáculos maiores.

"Calçados, por exemplo, são muito mais difíceis de redirecionar", afirma. Segundo ele, produtos manufaturados costumam ser desenvolvidos para atender características específicas de cada mercado, o que dificulta encontrar novos compradores rapidamente.

Cerca de 18% das exportações brasileiras devem ser efetivamente atingidas pelas tarifas, e a abertura de novos mercados não acontece de forma imediata.

"O Brasil consegue abrir novos mercados? Sim. É o que ele está fazendo. Mas isso exige tempo", afirma Crivelaro.

Segundo o economista, esse processo envolve negociações sanitárias, homologações técnicas, adaptação logística, construção de cadeias de fornecedores e contratos internacionais. Em média, a entrada em um mercado completamente novo pode levar de 12 a 36 meses.

Entre os destinos com maior potencial, ele cita a Índia, países do Sudeste Asiático — como Indonésia, Vietnã, Tailândia, Filipinas, Malásia e Singapura —, além do Oriente Médio. Na África, vê oportunidades mais pulverizadas em economias como Angola, África do Sul, Nigéria e Egito.

Em 2025, mesmo com o tarifaço, as exportações brasileiras bateram recorde de US$ 348,7 bilhões (R$ 1,774 trilhão), e mais de 40 mercados registraram o maior volume de compras da série histórica. É o caso de Índia, Canadá, Turquia, Paraguai, Uruguai, Suíça, Paquistão e Noruega.

Os embarques para a China cresceram 6%, para a União Europeia, 3,2%, e para a Argentina, 31,4%, impulsionados principalmente pelo setor automotivo, segundo o MDIC.

Apesar do potencial, Dumas ressalta que diversificar não significa substituir uma dependência por outra.

"É sempre importante que os países diversifiquem suas exportações. Isso não significa que o Brasil deva ficar completamente dependente da China apenas porque a participação desse mercado nas nossas exportações passou de 28% para 32%, enquanto a dos Estados Unidos caiu de 12% para 9%", explica.

Segundo ele, o ideal seria manter os EUA como um parceiro relevante, enquanto o Brasil amplia sua presença em outros mercados.

Nem todos, porém, acreditam que a diversificação geográfica seja suficiente para compensar as perdas. Fabrizio Panzini, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Amcham Brasil, afirma que a principal diferença está no perfil dos produtos vendidos aos americanos.

Enquanto cerca de 80% das exportações brasileiras para os EUA são compostas por produtos industriais, a pauta destinada aos demais mercados é mais concentrada em commodities.

Por isso, o Brasil não consegue simplesmente compensar uma eventual perda no mercado americano com mais vendas de soja para a China. São produtos diferentes, produzidos por setores distintos da economia.

Enquanto exportadores de commodities, como carne e café, buscam ampliar as vendas para outros mercados, indústrias de máquinas, equipamentos, madeira, móveis, cerâmica e calçados afirmam que o redirecionamento é mais complexo, porque seus produtos atendem a cadeias produtivas específicas e exigem novos processos de homologação, certificação e negociação com compradores.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, avaliou que a sobretaxa agrava um cenário que já pressionava as vendas brasileiras para os EUA e aumenta a insegurança para empresas dos dois países. (leia mais nesta reportagem)

"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira", afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Para os especialistas, aproveitar novos mercados depende menos das tarifas e mais da capacidade de o país resolver problemas internos de competitividade.

Leonardo Paz defende uma política industrial baseada em inovação, produtividade e contrapartidas para empresas beneficiadas por incentivos públicos, como metas de exportação, investimentos em tecnologia e manutenção de empregos.

Ele também cita a necessidade de simplificar o sistema tributário, reduzir a burocracia no comércio exterior, melhorar a infraestrutura logística e ampliar os investimentos em educação e tecnologia.

"Na minha opinião, tornar o Brasil mais competitivo depende muito mais das mudanças internas do que do cenário externo", explica Paz.

A avaliação é compartilhada por José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Para ele, o principal obstáculo continua sendo o Custo Brasil.

"O tarifaço apenas agravou uma situação que já não vinha evoluindo. O custo de produzir no Brasil vem aumentando ao longo dos últimos anos e, com as tarifas, houve um salto repentino."

Segundo Castro, o país é competitivo em commodities, mas enfrenta dificuldades para exportar produtos manufaturados. Por isso, defende reduzir custos estruturais antes de ampliar acordos comerciais.

Uma estimativa do Movimento Brasil Competitivo (MBC), em parceria com a FGV, mostra que empresas brasileiras têm maior dificuldade para competir internacionalmente em produtos de maior valor agregado devido ao Custo Brasil: cerca de R$ 1,7 trilhão por ano — o equivalente a 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — é gasto com sistema tributário, burocracia, infraestrutura e insegurança jurídica.

Para Constanza Negri Biasutti, diretora de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, as tarifas americanas aceleraram uma agenda que já era necessária: ampliar e qualificar os parceiros comerciais.

"O que estamos vivenciando neste momento é uma pressão maior para que esse movimento aconteça porque, de alguma maneira, era uma tarefa pendente do Brasil."

O desafio também é reconhecido pelo governo federal. No Plano Plurianual (PPA) 2024-2027, um dos indicadores estratégicos da política industrial é elevar as exportações brasileiras de produtos manufaturados de média-alta e alta intensidade tecnológica, que passaram de US$ 31,2 bilhões (R$ 158,8 bilhões) em 2020 para US$ 49,2 bilhões (R$ 250,42 bilhões) em 2022.

A meta é alcançar cerca de US$ 54,3 bilhões (R$ 276,38 bilhões) até 2027, refletindo a necessidade de ampliar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Donald Trump, presidente dos EUA, durante evento da Fifa em Nova York, em 17 de julho de 2026 — Foto: Reuters/Evan Vucci

Ela ressalta, porém, que diversificar não significa fechar acordos indiscriminadamente. O objetivo, segundo ela, é buscar parceiros estratégicos e aproveitar acordos recentes, como o firmado entre Mercosul e União Europeia.

"A indústria apoia essa agenda de diversificação, mas com uma premissa: exportar mais e exportar melhor", diz.

Segundo Constanza, setores industriais mais sofisticados terão maior dificuldade para substituir o mercado americano, porque dependem de exigências regulatórias específicas de cada país.

Ela cita como exemplo o setor de madeira: cerca de 45% das exportações têm os EUA como destino, e aproximadamente 80% dos embarques deverão enfrentar as novas tarifas.

Mesmo com o avanço da diversificação, os especialistas afirmam que isso não reduz a importância estratégica do mercado americano para parte da indústria brasileira.

"Uma empresa que vende para os EUA abre portas no Canadá, no México, na Alemanha ou na Espanha porque demonstra que atende às exigências técnicas de um dos mercados mais rigorosos do mundo", explica o economista da Fundação Vanzolini.

Por isso, mesmo que reduzam investimentos ou adaptem suas operações, empresas que já atuam nos EUA dificilmente abandonarão completamente esse mercado.

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O ‘plano Trump’: como empresas brasileiras tentam driblar o tarifaço e reduzir a dependência dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 23/07/2026 00:58

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%MoedasDólar ComercialR$ 5,051-0,43%Dólar TurismoR$ 5,260-0,3%Euro ComercialR$ 5,764-0,35%Euro TurismoR$ 6,015-0,23%B3Ibovespa177.548 pts2,44%Oferecido por

Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

As tarifas de 25% recentemente anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil têm levado empresas brasileiras a buscar alternativas ao mercado americano.

Uma estimativa recente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicou que cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA devem ser afetadas pelo novo tarifaço, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (R$ 37,7 bilhões).

Para representantes de diferentes setores da economia ouvidos pelo g1, porém, diversificar mercados leva tempo, exige investimentos e não evita os impactos imediatos sobre exportações, empregos e faturamento.

Além disso, empresários defendem uma redução da carga tributária e medidas para conter o avanço das importações, ampliando o espaço da indústria nacional no mercado interno como forma de amenizar os efeitos do tarifaço.

O vaivém das tarifas americanas tem provocado uma enorme instabilidade para os setores exportadores desde o ano passado. Veja a cronologia das tarifas.

Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, muitas empresas que ainda tinham fôlego financeiro no ano passado conseguiram negociar com seus importadores e dividir o custo da tarifa adicional.

“Mas essa estratégia começou a ficar mais difícil neste ano com a nova rodada de tarifas”, afirma.

Setores afetados pelas novas tarifas estão se reunindo com representantes do governo para apresentar as principais demandas de cada segmento e discutir medidas de apoio.

Ainda assim, alguns demonstram preocupação com os efeitos financeiros das novas tarifas e defendem que a negociação diplomática para reduzir ou retirar a alíquota continua sendo a melhor alternativa.

É o caso, por exemplo, do setor moveleiro. Segundo Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), cerca de 30% das exportações do segmento têm como destino os EUA.

“Já enfrentamos um impacto muito grande em polos industriais de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais, que registraram uma forte onda de demissões”, afirma a executiva, reiterando a estimativa de cerca de 10 mil desligamentos desde o ano passado.

Cervieri ressalta que, embora as empresas estejam buscando novos mercados, essa estratégia leva tempo para produzir resultados.

“Existe todo um processo de construção de confiança entre parceiros comerciais, e cada mercado tem características próprias. Além disso, o mundo inteiro está lidando com as tarifas impostas por Trump e buscando novos mercados, o que aumenta a concorrência global”, completa.

Sapatos em uma linha de produção na fabricante brasileira de calçados Kissol, em meio à imposição de novas tarifas americanas sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a indústria calçadista, que tem os EUA como seu principal mercado externo. — Foto: Joel Silva/Reuters

Representantes da indústria destacam a importância de manter o diálogo diplomático com o governo americano e com interlocutores brasileiros que atuam nos EUA.

Essa discussão também envolve a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo brasileiro adotar medidas de resposta contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil.

“Precisamos manter as portas abertas para o diálogo e seguir negociando. É preciso reconhecer que a política comercial dos EUA é injusta, mas é o cenário atual. Precisamos encontrar pontos de convergência para buscar uma solução favorável para os dois lados”, afirma o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.

Além das negociações, diversos setores da economia já apresentaram propostas ao governo para fortalecer a indústria brasileira diante das novas tarifas.

Na terça-feira, por exemplo, o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, reuniu-se com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, para discutir medidas emergenciais voltadas à preservação da competitividade das exportações brasileiras.

o fortalecimento do Reintegra, programa que devolve às exportadoras parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva; um crédito-prêmio à exportação, que geraria créditos tributários para compensar impostos; e a adoção de um regime especial de diferimento de tributos federais, permitindo que empresas tenham mais prazo para pagar impostos.

“Outro desafio que discutimos com o governo é a adoção de medidas complementares que utilizem os instrumentos já previstos na legislação para conter o avanço das importações”, diz Ferreira, da Abicalçados.

Segundo os executivos, o mercado interno, visto como uma alternativa para compensar parte das perdas nas exportações, enfrenta forte concorrência de produtos importados.

De acordo com Pimentel, da Abit, as importações cresceram neste ano, tanto no comércio tradicional, realizado por contêineres, quanto nas compras feitas por plataformas internacionais de comércio eletrônico, as chamadas pequenas encomendas.

“Temos de buscar uma internacionalização cada vez maior, mas também precisamos enfrentar o custo Brasil e outros fatores que ainda dificultam o crescimento das empresas nacionais. Precisamos encontrar um equilíbrio nesse processo”, conclui.

Na semana passada, o governo americano confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).

A medida, porém, conta com uma extensa lista de exceções. O governo brasileiro reagiu afirmando que a decisão não tem justificativa econômica e teria sido motivada por razões políticas. A tarifa entra em vigor nesta quarta-feira (22).

Além disso, na terça-feira (21), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou, em entrevista à CNBC, que o governo americano deve anunciar novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias.

Nesse caso, a alíquota adicional deve variar entre 10% e 12,5% e seria aplicada a países que, segundo o governo americano, falharam em proibir ou fiscalizar adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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Receita Federal tira sistema do CNPJ do ar até segunda para implementar novo modelo com letras

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/07/2026 00:58

Empreendedorismo Receita Federal tira sistema do CNPJ do ar até segunda para implementar novo modelo com letras Sistema ficará limitado ou indisponível entre quinta (23) e segunda-feira (27) durante migração tecnológica. O primeiro CNPJ no novo formato, com letras e números, está previsto para ser emitido em 31 de julho. Por Redação g1 — São Paulo

A Receita Federal anunciou uma parada programada nos sistemas do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para concluir a implantação do CNPJ Alfanumérico, novo padrão de identificação das pessoas jurídicas no Brasil que passará a combinar letras e números.

A interrupção está prevista para ocorrer entre as 21h desta quinta-feira (23) e as 7h da próxima segunda-feira (27). Durante esse período, diversos serviços relacionados ao CNPJ terão funcionamento limitado ou ficarão temporariamente indisponíveis.

🔎 A mudança faz parte do processo de modernização dos cadastros da Receita e busca ampliar a quantidade de combinações disponíveis para novos registros, diante do crescimento contínuo de inscrições no país.

Fase de consulta exclusivaDas 21h do dia 23 de julho até as 7h do dia 25 de julho;A base do CNPJ funcionará apenas para consultas;Não será possível realizar inscrições, baixas, alterações ou atualizações cadastrais.Indisponibilidade totalA partir das 7h do dia 25 de julho;O sistema ficará totalmente indisponível para conclusão da migração tecnológica;Serviços integrados, como o Portal Único Siscomex, também serão afetados.

A previsão é que todos os sistemas sejam restabelecidos às 7h de segunda-feira (27), já adaptados para operar com o novo modelo alfanumérico.

O primeiro CNPJ no novo formato está previsto para ser emitido em 31 de julho. Apesar da novidade, a Receita esclarece que a adoção será gradual e que nem todos os cadastros realizados após essa data receberão automaticamente números com letras.

Para evitar transtornos, o Sebrae orienta que empreendedores antecipem procedimentos cadastrais, atualizações de registros e operações que dependam da consulta à base do CNPJ antes do início da paralisação.

As oito primeiras identificarão a raiz do novo número, compostas por letras e números; As quatro seguintes representarão a ordem do estabelecimento, também alfanuméricas;As duas últimas posições, que correspondem aos dígitos verificadores, continuarão a ser numéricas.

No caso dos dígitos verificadores, para manter os algarismos nos futuros CNPJs, os valores numéricos e alfanuméricos serão substituídos pelo valor decimal correspondente ao código da tabela ASCII (Código Padrão Americano para Intercâmbio de Informações), usada pela maior parte da indústria de computadores.

Do código da tabela ASCII, será subtraído o valor 48. Dessa forma, a letra A equivalerá a 17, B a 18, C a 19 e assim por diante.

O que é o CNPJ alfanumérico?Quem vai receber CNPJ com letras?O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar?O que as empresas precisam fazer?Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo?O que muda no cálculo do Dígito Verificador?Qual a ligação com a reforma tributária?Haverá algum custo para as empresas com essa mudança?

É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres.

A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo)

Apenas novas inscrições a partir da data de início — como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais — receberão o CNPJ com letras.

O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais.

Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras.

Segundo a Receita, após atualização, todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).

Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas.

Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias.

Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas.

O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo.

Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48.

Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48).

A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica.

A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que visam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.

Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários.

Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador.

Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados.

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