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Carteira de pedidos da Embraer soma 34,5 bilhões de dólares no 2º trimestre de 2026

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 13:51

Vale do Paraíba e Região Carteira de pedidos da Embraer soma 34,5 bilhões de dólares no 2º trimestre de 2026 De acordo com a empresa, é o sétimo recorde trimestral consecutivo da companhia. Por g1 Vale do Paraíba e região

A carteira de pedidos da Embraer foi de 34,5 bilhões de dólares no segundo trimestre deste ano. De acordo com a empresa, é o sétimo recorde trimestral consecutivo da companhia.

O resultado é 7% maior que no trimestre passado, em que foram 32,1 bilhões de dólares em pedidos. Se comparado com abril, maio e junho de 2025, quando a carteira totalizou 29,7 bilhões de dólares, o aumento foi de 16%.

A Embraer entregou 65 aviões no segundo trimestre deste ano. A maior parte foi para a aviação executiva, com 45 unidades. A estimativa da empresa é entregar entre 240 e 255 aviões até o fim de 2026.

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A invasão de vídeos feitos com IA para ‘hipnotizar’ crianças no YouTube: ‘Pode impactar pelo resto da vida’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 05:51

Tecnologia A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida' Pesquisadores identificaram que vídeos de baixa qualidade são sugeridos pelo algoritmo da plataforma e que criadores não avisam sobre o uso de tecnologia. Por Luiz Fernando Toledo

Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação, aparecem em vídeos de IA no Youtube — Foto: Bloomberg via Getty Images

Um urso panda reencontra um antigo cuidador e reage com surpresa, quase como se fosse um ser humano. A imagem é extremamente realista.

Músicas infantis que não têm refrão claro, trazem letras incompreensíveis e misturam trechos em mais de um idioma.

Personagens que mudam de nome, de voz e até de aparência ao longo da história, sem qualquer explicação.

Estes são alguns dos vídeos aparentemente criados com inteligência artificial e sugeridos pelo algoritmo do YouTube, inclusive após buscas relacionadas ao universo infantil.

Em um teste da BBC News Brasil, bastaram cerca de 15 minutos navegando pelos vídeos curtos da plataforma para que clipes desse tipo aparecessem. A busca inicial havia sido por temas como os jogos Roblox, Minecraft e vídeos de animais.

Produzidos em escala e replicados por diferentes canais, muitos desses conteúdos acumulam dezenas ou centenas de milhares de visualizações.

Criadores chegam a recomendar o nicho infantil como uma oportunidade de negócio e afirmam ser possível obter renda com esses vídeos.

Já especialistas ouvidos pela BBC News Brasil alertam que esse material pode levar as crianças a confundir realidade e ficção e afetar de forma significativa e permanente sua capacidade de atenção e seu desenvolvimento cognitivo e social.

O que explica essa invasão de vídeos gerados por IA no YouTube, o maior serviço de streaming do mundo?

O YouTube, por sua vez, diz priorizar o combate a conteúdos de IA de baixa qualidade e adotar regras mais rígidas para vídeos destinados a crianças.

Pesquisadores identificaram músicas, conteúdo religioso e cópias de personagens com direitos autorais em vídeos gerados por IA no Youtube — Foto: Reprodução/André Mintz/Youtube

A reportagem tentou estimar a frequência com que vídeos feitos com IA aparecem para o usuário, com base no alerta visual exibido pelo YouTube para conteúdos deste tipo.

A maioria, porém, não apresentava qualquer aviso, mesmo quando havia fortes indícios do uso da tecnologia, como vozes que não correspondiam aos personagens, desenhos que mudavam de forma entre uma cena e outra e gestos ou movimentos incomuns.

Pesquisadores ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que o YouTube não identifica automaticamente vídeos feitos com IA e que muitos criadores não informam quando recorrem à tecnologia.

Uma análise do jornal The New York Times feita manualmente e também com uma ferramenta de detecção ajuda a ilustrar a frequência com que esses vídeos aparecem.

Em uma sessão de 15 minutos realizada após a exibição de um vídeo do canal infantil CoComelon, mais de 40% dos vídeos assistidos pareciam conter imagens geradas por IA.

Mesmo com dificuldades na coleta de dados, um estudo conduzido por André Mintz, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pela estudante de graduação em Cinema de Animação e Artes Digitais Juno Bozzi buscou identificar a presença desse tipo de conteúdo em vídeos infantis em português e inglês no YouTube.

A pesquisa partiu de uma base com cerca de 17 mil vídeos encontrados por meio de buscas com palavras-chave relacionadas à inteligência artificial e conteúdo infantil.

Em seguida, os pesquisadores aplicaram novos filtros para identificar apenas vídeos efetivamente voltados às crianças.

Os vídeos infantis gerados por IA analisados apresentavam diferentes níveis de uso desta tecnologia. Alguns pareciam ter sido produzidos quase integralmente desta forma. Outros incorporavam apenas alguns elementos, como cenários das animações.

A maior parte dos conteúdos era musical, com imagens geradas por IA acompanhadas de canções infantis. O estudo também encontrou adaptações de histórias, vídeos educativos, como lições sobre o alfabeto, e conteúdos religiosos.

Uma categoria que chamou a atenção dos pesquisadores foi a dos vídeos de "transformação", nos quais personagens de desenhos animados são recriados por IA em versões com aparência de crianças. A pesquisa aponta que esses vídeos tendem a repetir imagens genéricas e estereotipadas.

"O que chama a atenção é um certo desprezo pelo espectador infantil, de colocar qualquer coisa e confiar que a criança vai aceitar", diz o professor André Mintz à BBC News Brasil.

Rachel Franz, diretora do programa Young Children Thrive Offline (Crianças pequenas se desenvolvem melhor longe das telas, em tradução livre) da organização americana Fairplay, explica que esse tipo de vídeo se enquadra no chamado "AI slop"

Essa expressão é usada para definir vídeos de baixa qualidade, produzidos em massa com o uso de softwares de inteligência artificial.

Segundo Franz, a preocupação é maior em relação aos efeitos disso nas crianças pequenas, em um período da vida em que o cérebro ainda passa por intenso desenvolvimento.

"O cérebro das crianças atinge cerca de 90% do tamanho adulto até os 5 anos, e o que elas encontram nesse período molda seu desenvolvimento e pode impactá-las pelo resto da vida", afirma Franz.

"Crianças pequenas não conseguem distinguir fantasia de realidade. Assistir a AI slop pode condicionar o cérebro delas a acreditar que algo é real quando não é."

Franz afirma que muitos desses vídeos são produzidos para capturar a atenção infantil, não para ensinar.

Segundo ela, a sucessão de imagens confusas também pode sobrecarregar a quantidade de informações que uma criança consegue processar de uma só vez.

"Quando o cérebro é sobrecarregado com informações, a criança não consegue aprender tão bem quanto ao vivenciar situações reais, no seu próprio ritmo e usando todos os sentidos."

Ela também relaciona o consumo prolongado desses vídeos ao tempo que deixa de ser dedicado a atividades como brincar, dormir e interagir com outras pessoas.

"Vídeos hipnotizantes de músicas infantis gerados por IA, por exemplo, podem moldar o cérebro das crianças no longo prazo, afetando sua capacidade de atenção, sua resiliência e sua habilidade de regular as emoções mais tarde na vida."

Especialistas sugerem que YouTube deixe de recomendar vídeos gerados por IA — Foto: AFP via Getty Images

Os possíveis efeitos do consumo deste tipo de vídeo gerado por IA já são percebidos em atendimentos, segundo Telma Pantano, fonoaudióloga e psicopedagoga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq/HCFMUSP).

"Há crianças que estão vindo com muitos medos, com muita dificuldade de definir o que acontece e o que não acontece."

Pantano afirma que a maturação das áreas pré-frontais do cérebro, relacionadas à capacidade crítica, à autorregulação e ao automonitoramento, começa por volta dos 6 anos e se estende até a vida adulta.

Segundo ela, a distinção entre realidade e fantasia começa a se consolidar por volta dos 7 ou 8 anos, enquanto habilidades como tomada de decisão e resolução de problemas se desenvolvem mais tarde.

"Até os 10 anos, é uma idade de muito risco, porque a criança ainda não sabe separar a realidade da fantasia e não tem capacidade de tomada de decisão, organização e planejamento para resolver problemas."

Para a especialista, há ainda um custo no contato constante com imagens prontas, que exigem pouco da imaginação infantil.

"Sabe aquela sensação de quando a gente vai ver um filme depois de ler o livro? Normalmente não gostamos do filme porque ele vai contra a nossa imagem mental", diz.

"O que estamos fazendo com essa construção de vídeos? Estamos permitindo que crianças e adolescentes entrem em contato com a imagem sem antes fazer essa construção mental. As imagens vêm prontas, e a criatividade fica bastante restrita."

Pantano afirma que também não se pode esperar que as próprias crianças identifiquem e rejeitem vídeos de baixa qualidade.

Conteúdos com cores, movimentos e mudanças rápidas podem capturar a atenção mesmo quando não apresentam uma narrativa coerente ou informação confiável, diz.

"Mesmo conteúdos sem significado, sem base científica ou sem conhecimento vão atrair a criança da mesma forma. E, quanto menor a criança, mais atrativo aquilo fica."

André Mintz avalia que esse tipo de vídeo se aproveita da dificuldade de muitas famílias em controlar o consumo de conteúdo infantil online.

"Geralmente, quando você vê crianças que assistem muito conteúdo online, é essa situação do pai ou da mãe sem tempo para ficar com a criança, precisando entretê-la enquanto cuida da casa, trabalha ou faz outra coisa."

Para ele, o problema não está apenas na existência dos vídeos, mas na forma como esse tipo de conteúdo se encaixa no modelo das plataformas.

"Se tem gente assistindo, para o YouTube está bom. Vai ser recomendado, vai aparecer", diz Mintz.

Rachel Franz concorda que o impacto sobre as crianças é agravado pelo próprio modo de funcionamento das plataformas.

"Elas são projetadas para fisgar as crianças e mantê-las engajadas pelo maior tempo possível. Elas usam táticas deliberadas, como reprodução automática e recomendações algorítmicas, para alimentar as crianças com um vídeo atrás do outro", afirma.

"Quando acrescentamos AI slop, que hipnotiza ainda mais as crianças, essa se torna uma batalha perdida. Isso não apenas impacta o desenvolvimento infantil, como torna impossível exercer o papel de pai ou mãe quando a própria tela luta contra você."

O YouTube afirma que, embora seja permitido conteúdo gerado por IA, a plataforma tem padrões mais rígidos para o conteúdo voltado para espectadores mais jovens.

"Combater o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA é uma prioridade máxima para nós, e isso inclui esforços contínuos para remover conteúdo de IA marcado como 'feito para crianças' quando ele não atende aos nossos princípios de qualidade", diz a plataforma em nota à BBC News Brasil.

A empresa afirma que canais que usam IA continuam qualificados para monetização, ou seja, para exibir propaganda e serem pagos por isso, "desde que o produto final seja uma criação original que adicione uma perspectiva autêntica, siga nossas diretrizes de comunidade e de monetização, e divulgue adequadamente quando o conteúdo for alterado ou sintético".

Em uma entrevista ao canal Creator Inside, em julho, o vice-presidente de confiança e segurança do YouTube, Matt Halprin, disse que são considerados problemáticos vídeos em que o conteúdo seja genéricos ou repetitivo, que busquem manipular as emoções dos espectadores ou criem peronsagems com IA para abordar temas considerados mais sensíveis, como finanças, questões legais ou saúde.

Para João Victor Archegas, coordenador de direito e tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio), é positivo que o YouTube sinalize ao público o que caracteriza como um conteúdo que não seja autêntico, e que isso possa impedir sua monetização.

Isso permite que os criadores de conteúdo compreendam melhor os limites estabelecidos pela plataforma.

Para uma empresa que opera uma das maiores máquinas publicitárias do mundo, ressalta Archegas, é importante dar sinais claros a parceiros e anunciantes de que há uma preocupação com o uso dessa tecnologia, e que há alguma forma de controle pela própria plataforma.

Mas Archegas avalia que há uma contradição: o YouTube incentiva ativamente a adoção de ferramentas de IA para a criação de vídeos, enquanto tenta frear o "AI slop" (conteúdo de baixa qualidade) que essas mesmas tecnologias permitem escalar.

Isso tem, na prática, um efeito limitante sobre a capacidade do YouTube de conter a disseminação destes vídeos.

"A plataforma segue tendo o desafio imenso de identificar conteúdos gerados por IA e atuar quando eles são identificados", diz Archegas.

"Essas novas categorias podem ajudar o moderador a entender o que a plataforma considera prioritário, mas não dizem o que, de fato, o YouTube classifica como conteúdo gerado por IA ou quais são os parâmetros técnicos usados nessa moderação."

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Por que cada vez mais jovens dizem não a cargos de liderança

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 05:51

Trabalho e Carreira Por que cada vez mais jovens dizem não a cargos de liderança Pesquisas indicam que Geração Z e millennials priorizam equilíbrio, propósito e flexibilidade, tornando a liderança apenas uma entre várias possibilidades de sucesso profissional. Por Larissa Maia — São Paulo

Para jovens, crescer financeiramente e assumir um cargo de gestão deixaram de ser sinônimos — Foto: Christin Klose/dpa-tmn/picture alliance

Crescer na carreira, ganhar mais e conquistar bons benefícios é o sonho de praticamente todo trabalhador. Mas, para os mais jovens, esse caminho nem sempre passa por um cargo de liderança. É o que apontam pesquisas globais, como o levantamento da consultoria Deloitte, realizado em 2025.

Apenas 6% dos entrevistados da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e dos millennials, ou geração Y (nascidos entre 1978 e 1994), disseram que seu principal objetivo profissional era chegar a uma posição de chefia.

Por outro lado, o mesmo estudo revela uma preocupação crescente com as finanças. Entre os participantes, 48% da Geração Z e 46% dos millennials afirmaram não se sentir financeiramente seguros.

Em 2024, esses índices eram de 30% e 32%, respectivamente, o que representa uma piora expressiva em apenas um ano.

Nesse cenário, ganhar mais dinheiro e assumir um cargo de gestão deixaram de ser objetivos necessariamente interligados. Trata-se de uma tendência global que também já se reflete no Brasil.

A rejeição à liderança está longe de ser uma regra geral. Para Lina Nakata, professora e pesquisadora da FIA Business School e autora do estudo Lugares Incríveis para Trabalhar, é um mito dizer que as gerações mais novas não querem liderar.

No recorte do primeiro semestre deste ano da pesquisa que coordena, os jovens apresentam uma propensão 32% menor de desejar cargos de liderança em comparação à média dos profissionais. Entre os entrevistados de 18 a 22 anos, liderar é prioridade para 15%. Já entre aqueles de 33 a 39 anos — faixa etária que registra o maior interesse por cargos de gestão — o percentual sobe para 23%.

"À medida que avançamos na carreira dentro das empresas, essa expectativa de liderança aumenta", afirma. Segundo ela, no início da trajetória profissional, ocupar um cargo de gestão nem sempre está entre as principais ambições dos trabalhadores.

Para Nakata, os jovens não deixaram de querer liderar; eles apenas desejam fazê-lo sob determinadas condições. "Eles vão querer a liderança à medida que se identificam com a organização. Quando percebem que estão de acordo com aquilo que a empresa propõe e que o discurso institucional está alinhado às práticas da companhia", analisa.

A pesquisadora também lembra que rotular os mais jovens como "desinteressados" pela liderança está longe de ser uma novidade. A mesma crítica, afirma, foi direcionada aos millennials quando eles ingressaram no mercado de trabalho.

"Quando cada grupo jovem chega ao mercado de trabalho, ele vai se adaptando. Estar naquele ambiente muda percepções e avaliações, e as pessoas passam a enxergar outras possibilidades. No início da carreira, pode haver menos interesse pela liderança, mas isso se altera com o tempo. Quando a geração Y chegou ao mercado, falava-se exatamente a mesma coisa", diz.

Embora situação financeira seja uma preocupação dos jovens, pesquisadora aponta que há uma preferência maior por benefícios e qualidade de vida — Foto: Viorel Kurnosov/Zoonar/picture alliance

Atualmente, segundo a pesquisa, 15% dos jovens veem a liderança como um fator de realização profissional, o que, para a professora, relativiza a ideia de que existe uma rejeição generalizada aos cargos de chefia.

"Não quer dizer que nenhum jovem queira ser líder. Significa apenas que existe uma proporção menor de jovens que busca essa liderança."

O primeiro ponto a entender, segundo Nakata, é que a queda no interesse por cargos de gestão não reflete falta de ambição, mas uma mudança nos critérios de sucesso.

"Não diria que é falta de ambição. São expectativas e crenças diferentes sobre o que é sucesso na vida. Décadas atrás, havia um modelo mais padronizado de sucesso profissional, baseado em alcançar cargos mais altos e salários mais elevados. Hoje, vemos que a percepção de realização e do que é considerado satisfatório para a vida e para a trajetória profissional mudou", explica.

A professora afirma que os jovens tendem a questionar as premissas que o próprio mercado de trabalho estabelece como sinônimo de sucesso. Para ela, isso é positivo porque evita a naturalização de ideias como a de que "ser workaholic é legal" ou de que "viver estressado faz parte da rotina". Além disso, temas como saúde mental passaram a ser discutidos mais abertamente.

O social media Mateus Araújo, de 28 anos, faz parte desse grupo. Ele recusou uma proposta para coordenar sua equipe por considerar que o novo cargo exigia um perfil diferente do seu.

"Eu não imaginava que fosse ser cotado como o próximo nome da sucessão. Apesar de desempenhar um bom trabalho, acredito que os perfis sejam diferentes."

Segundo ele, o principal motivo para recusar a proposta foi ter discernimento de que as responsabilidades do cargo oferecido eram bastante distintas das que exercia até então. Além disso, a mudança significaria abrir mão de uma rotina que já considerava consolidada e sob controle.

Hoje, suas prioridades profissionais incluem estabilidade, qualidade de vida e flexibilidade para realizar trabalhos como freelancer "em uma rotina tranquila". Ainda assim, ele não descarta assumir uma posição de liderança no futuro.

Jovens hoje em dia tendem a avaliar mais os prós e contras de assumir um cargo mais alto do que gerações anteriores — Foto: Channel Partners/Zoonar/picture alliance

Segundo Nakata, essa mudança também está relacionada ao aumento da expectativa de vida. A pesquisa da Deloitte mostrou que cerca de 40% da Geração Z e dos millennials se preocupam com a possibilidade de não conseguir se aposentar com conforto financeiro.

Com as pessoas vivendo mais — e, consequentemente, trabalhando por mais tempo — a qualidade de vida passou a influenciar as decisões de carreira desde cedo.

"Hoje temos uma expectativa de vida muito mais alta. Isso faz com que saibamos que teremos de trabalhar por mais tempo, independentemente do motivo. E também percebemos que os jovens querem uma carreira mais equilibrada, não necessariamente centrada na busca por um cargo de liderança. É uma tendência global", afirma.

Mudança nas necessidades de competências no mercado de trabalho também impulsiona crescimento de carreira mais horizontalizado — Foto: Benis Arapovic/Zoonar/picture alliance

Para a professora, os jovens avaliam mais cuidadosamente os prós e contras de assumir posições de gestão do que as gerações anteriores.

"Eles estão analisando o que é mais vantajoso, o que traz maior satisfação e o que compensa mais. Pensam nas suas demandas e obrigações e, ao mesmo tempo, no que recebem em troca."

"Quando comparamos a remuneração da base com a da liderança, muitas vezes compensa menos ser líder. São mais responsabilidades, mais riscos, mais recursos e orçamentos para gerenciar. Isso faz com que o jovem prefira buscar equilíbrio, qualidade de vida e flexibilidade, elementos que costumam ser mais difíceis de conciliar com a liderança", afirma.

"Ao aceitar a proposta, eu teria de lidar com demandas mais imprevisíveis, uma rotina presencial mais intensa e mais interações com colaboradores e parceiros. E, provavelmente, por uma remuneração que eu não considerava suficiente. Minha paz e uma rotina mais previsível têm muito mais peso para mim", diz.

A professora acrescenta que as prioridades variam conforme o momento da carreira. Dependendo da fase, fatores como propósito e busca por novos desafios podem ser mais relevantes — e nem sempre estão associados a um cargo de liderança.

Os dados da Deloitte reforçam essa percepção: para 89% da Geração Z e 92% dos millennials, ter propósito é importante para a satisfação e o bem-estar no trabalho.

A modernização do mercado também contribui para essa mudança. Com novas carreiras e especializações surgindo constantemente, cresce o interesse por trajetórias horizontais, nas quais é possível evoluir profissionalmente sem necessariamente subir na hierarquia corporativa.

"A liderança acaba sendo uma escolha para quem busca essa ascensão, que normalmente está associada a salários maiores, benefícios, privilégios e acesso a decisões mais complexas."

Por outro lado, ela avalia que a mudança de expectativas obriga as empresas a repensarem seus planos de carreira e estratégias de retenção. Em conversas com profissionais de recursos humanos, diz ouvir com frequência que integrantes da Geração Z valorizam cada vez mais benefícios e qualidade de vida, e não apenas aumentos salariais.

Para que os jovens se interessem por cargos de gestão, conclui a pesquisadora, as empresas precisam demonstrar que a liderança realmente vale a pena.

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Tarifaço: diplomacia vê possível recurso à OMC como ‘simbólico’ e para ‘marcar posição’ do Brasil diante dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 04:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%Oferecido por

Integrantes da diplomacia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que um eventual recurso do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço aplicado pelo governo americano a exportações brasileiras seria “simbólico” e para “marcar posição” diante dos Estados Unidos.

Na última quinta (23), o governo de Donald Trump anunciou a aplicação de um segundo conjunto de tarifas contra produtos brasileiros.

O primeiro, de 25%, tem relação com o entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos.O mais recente, de 12,5%, foi tomado com base na conclusão dos Estados Unidos de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas em locais onde há trabalho forçado.

Em resposta, o Palácio do Planalto disse que a medida tem “caráter completamente arbitrário e injustificado” e, por isso, o governo iniciará “imediatamente” os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e levará o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Diplomatas disseram, conteúdo, que o recurso à organização teria caráter “simbólico”, isto é, sem efeito prático.

"Mostra que é um recurso à mão. Simbólico, hoje em dia. Para marcar posição”, resumiu um integrante do governo a par da estratégia acerca do tarifaço.

Criada em 1995 para reduzir barreiras e estabelecer regras claras para o comércio internacional, a OMC busca garantir que países disputem o mercado global em condições justas, oferecendo um espaço para diálogo e solução de conflitos comerciais.

A OMC foi crucial para resolver conflitos no passado. Em 2004, o Brasil venceu uma disputa contra os subsídios recebidos por produtores de algodão dos EUA, ficando com o direito de impor sanções contra produtos norte-americanos no valor de US$ 830 milhões.

Desde 2019, porém, o órgão de apelação do principal mecanismo de resolução de disputas da OMC está paralisado, justamente por conta de Trump, que, ainda no seu primeiro mandato, barrou a nomeação de novos juízes.

Desde que o governo divulgou a nota de referindo à OMC e à Lei de Reciprocidade, entidades empresariais passaram a defender que o Brasil insista nas negociações em vez de uma retaliação, para não “escalar” a tensão com o governo de Donald Trump.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), por exemplo, divulgou uma nota na qual afirmou que vê a decisão americana com “preocupação”, mas que confia na capacidade da diplomacia brasileira para “construir soluções”.

“A entidade ressalta que não apoia a adoção de medidas de retaliação comercial nem a aplicação da Lei de Reciprocidade como resposta às iniciativas adotadas pelos Estados Unidos”, afirmou a Abimaq.

Especialistas avaliam que, assim como no tarifaço de 2025, existe espaço para o Brasil negociar nesta nova ameaça tarifária dos EUA — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

“O momento exige a retomada do diálogo e o fortalecimento dos canais diplomáticos e institucionais entre Brasil e Estados Unidos, de modo a evitar a escalada de medida que possam agravar o ambiente”, completou a entidade.

Na mesma linha, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) divulgou um comunicado afirmando que a decisão dos EUA “agrava” as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, mas que não concorda com a reciprocidade.

“A AmCham Brasil reitera que medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”, afirmou a entidade.

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Da ostentação ao endividamento: a nova conversa sobre dinheiro entre jovens nas redes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 04:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%MoedasDólar ComercialR$ 5,081-0,06%Dólar TurismoR$ 5,282-0,19%Euro ComercialR$ 5,777-0,13%Euro TurismoR$ 6,020-0,24%B3Ibovespa174.042 pts-1,52%Oferecido por

Redes como TikTok e Instagram vêm sendo usadas por jovens para expor estratégias de economia, relatos de dívidas e o esforço para conquistar objetivos como a casa própria

O fenômeno não é exclusivo do Brasil: em vários países, movimentos semelhantes ganham força, como a trend "debt payoff journey", que significa em português "jornada de quitação de dívidas".

Esse compartilhamento de vulnerabilidades econômicas e metas financeiras ganhou até um nome no meio acadêmico: "loud budgeting", ou "orçamento em voz alta" em português.

A tendência incentiva as pessoas a declararem abertamente seus limites de gastos e suas prioridades financeiras seja nas redes sociais ou fora delas.

O contraponto é a exposição excessiva, que pode incluir a divulgação de dados privados sensíveis e sujeitar o criador de conteúdo ao julgamento público — incluindo o chamado "cancelamento" nas redes sociais.

Aos 23 anos, a empreendedora Camila Cordeiro acumulava uma dívida de mais de R$ 100 mil depois de um negócio que não deu certo. Em vez de manter o problema em segredo, ela decidiu documentar nas redes sociais o processo de reorganizar as finanças e voltar a ter o nome limpo.

"Eu estou um pouco receosa de fazer esse vídeo e começar a postar a minha jornada para pagar essas dívidas porque sei que tem família e amigos que vão ver, gente que me conhece, mas é sobre isso. Eu comprei uma franquia, mas eu quebrei", explica ela em um vídeo publicado no Tiktok que soma mais de 1,5 milhão de visualizações.

O relato de Cordeiro é parte de um movimento mais amplo: depois de anos associadas à ostentação financeira, redes como TikTok e Instagram vêm sendo usadas por jovens para expor o oposto — estratégias de economia, relatos de dívidas e o esforço para conquistar objetivos como a casa própria.

O fenômeno não é exclusivo do Brasil: em vários países, movimentos semelhantes ganham força, como a trend "debt payoff journey", que significa em português "jornada de quitação de dívidas".

Esse compartilhamento de vulnerabilidades econômicas e metas financeiras ganhou até um nome no meio acadêmico: "loud budgeting", ou "orçamento em voz alta" em português.

A tendência incentiva as pessoas a declararem abertamente seus limites de gastos e suas prioridades financeiras seja nas redes sociais ou fora delas.

David Spohn, professor da Lynn University, nos Estados Unidos, e pesquisador do tema, observa que os jovens de hoje rejeitam o consumo de luxo como aspiração e comunicam abertamente suas restrições em relação ao dinheiro para evitar pressões sociais.

Em vez de sentir vergonha por não poder gastar ou ir a algum lugar, ele diz que essa geração trata a limitação financeira como algo natural: algo que simplesmente não está (ou não cabe) no orçamento.

"Muita gente vê as redes sociais como o centro da questão, mas, nesse contexto específico, elas não são o foco. O que importa é que a Geração Z as usa para obter informação e tomar decisões mais acertadas", afirma Spohn.

Pesquisas que ele participou apontam que metade da educação financeira dos entrevistados vinha da escola, e a outra metade, da família.

Quando a família não aborda o tema, Spohn diz que a Geração Z busca preencher essa lacuna na internet, onde assuntos como salários, dívidas, desigualdade de gênero e investimentos são discutidos abertamente.

Para o professor, isso também reflete o cenário econômico herdado pelos mais jovens: "O mundo está muito caro. Para sobreviver e ganhar dinheiro, eles passaram a se envolver nessa conversa entre si e com qualquer pessoa disposta a conversar, de outras gerações inclusive, para aprender a navegar por essas águas turbulentas".

É o que também aponta a planejadora financeira Priscilla Mundim. Para ela, no país, a migração da ostentação digital para conteúdos mais autênticos é motivada, sobretudo, pelo cenário de endividamento das famílias brasileiras.

"A superexposição, o luxo, carro, casas, viagens, não têm combinado com o padrão de vida do brasileiro", afirma Mundim.

"Estamos no momento de maior endividamento de toda a história, e isso é um fator real dentro das famílias. Mesmo quem está em dia com todos os contratos tem um comprometimento elevado do orçamento mensal. Por isso, aquele consumismo hoje gera menos identificação entre os jovens", completa.

"Quando encontramos vozes reais e genuínas, a conexão e a empatia com quem está do outro lado com certeza vai ser maior e isso acaba aproximando as pessoas", acrescenta a planejadora.

Enquanto os jovens usam as redes para desabafar sobre a própria situação financeira, pesquisas apontam o peso da crise do custo de vida sobre as gerações mais novas — e a percepção de que dificilmente atingirão o mesmo patamar social dos pais, seja na compra da casa própria, do carro ou em outras conquistas.

Um levantamento da consultoria Deloitte com mais de 22 mil pessoas da geração Z e da geração millennial em 44 países mostrou que o custo de vida é a principal preocupação de ambos os grupos, à frente de temas como criminalidade, desemprego e geopolítica.

Segundo a mesma pesquisa, 51% da geração Z e 40% dos millennials afirmam não ter condições financeiras de comprar um imóvel.

Um estudo de 2026 do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, conduzido pelos pesquisadores Daniel Duque, Michael França e Fillipi Nascimento, comparou as condições econômicas e sociais da geração X (nascidos entre 1965 e 1980) e da geração millennial (1981–1996) aos 30 anos de idade.

O levantamento mostrou que a geração millennial chega à vida adulta com renda maior e mais acesso à educação do que a geração anterior teve na mesma idade, mas esse avanço não se traduziu em melhoria real nas condições de vida.

Os autores chamam esse fenômeno de ausência de "mobilidade intergeracional plena", indicador que mede a probabilidade de os filhos superarem a renda real dos pais.

Para a parcela dos jovens que escolhem compartilhar os relatos, mostrar vulnerabilidades financeiras virou uma forma de trocar o sentimento de culpa pelo endividamento por um caminho para a resolução e até para encontrar jovens em situações similares.

A ideia é mostrar "a vida real", que inclui contratempos financeiros, e não mais a ideia de ostentação ou vida inatingível.

"Cheguei a dever para agiota, bancos, tudo que vocês imaginarem. Juntando tudo, dava mais de R$ 150 mil. Hoje eu não devo isso tudo, mas ainda devo uma quantidade grande", diz outro vídeo do Tiktok de uma usuária chamada Jardielly.

Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa referentes a maio deste ano mostram que dos 83,5 milhões de brasileiros inadimplentes, 11% tinham entre 18 e 25 anos.

Embora o percentual de jovens inadimplentes nessa faixa etária tenha oscilado pouco, o valor médio das dívidas desse grupo aumentou de R$ 2 mil em maio de 2020 para R$ 3,6 mil em maio de 2026, segundo a Serasa.

Uma pesquisa do Santander no Reino Unido com 2 mil jovens de 18 a 21 anos mostrou que quase um terço deles (31%) recorre a influenciadores digitais em busca de orientação financeira.

Embora a conversa sobre dinheiro tenha migrado das famílias para as plataformas digitais — e se ampliado para temas como endividamento e planejamento orçamentário —, especialistas alertam para os riscos de se informar sobre o tema nas redes sociais.

"Uma das coisas que me preocupa como educador é: você está seguindo o conselho correto? Algumas dessas postagens ou personalidades das redes sociais não precisam necessariamente seguir restrições porque não estão atuando como conselheiros pessoais de ninguém. Portanto, há muita informação disponível que pode ser correta para algumas pessoas, mas não para todas", diz o professor.

Para a planejadora financeira, esse tipo de exposição tem dois efeitos. O primeiro é positivo: ajuda o público a perceber que dificuldades financeiras são um problema real. O segundo é o risco de normalizar o endividamento ou usá-lo como justificativa para negligenciar as próprias finanças.

"Já que todo mundo está nessa situação, eu também posso estar e não vou me preocupar, porque o problema é do mundo. Aí a pessoa passa a jogar a responsabilidade para todos os lados e não assume a própria responsabilidade", explica.

Mundim também chama atenção ainda para o risco de comparações com realidades incompatíveis, já que cada pessoa tem uma situação financeira distinta, e qualquer plano para sair das dívidas ou atingir metas precisa ser individualizado.

Por outro lado, ela destaca um benefício comportamental: assumir um compromisso público — não necessariamente na internet, mas também com um amigo, um planejador financeiro ou um terapeuta — tende a aumentar o engajamento da pessoa com seu próprio plano financeiro, segundo estudos das finanças comportamentais.

O contraponto é a exposição excessiva, que pode incluir a divulgação de dados privados sensíveis e sujeitar o criador de conteúdo ao julgamento público — incluindo o chamado "cancelamento" nas redes sociais.

*Nomes de usuários nas redes sociais mencionados nesta reportagem correspondem a perfis públicos que compartilharam seus relatos online.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Geely EX2 é bom de dirigir e barato de manter, mas precisa corrigir 7 deslizes; VÍDEO

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 04:53

Carros Geely EX2 é bom de dirigir e barato de manter, mas precisa corrigir 7 deslizes; VÍDEO Hatch chinês tem boa lista de equipamentos, manutenção barata e será montado no Paraná, na fábrica da Renault. O g1 aponta o que precisa mudar no multimídia, ergonomia e mais pontos. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

A chinesa Geely e a francesa Renault são parceiras comerciais e já confirmaram que produzirão modelos no Brasil na mesma linha de montagem, em São José dos Pinhais (PR). Um deles é o Geely EX2, vendido por R$ 123.800 na versão Pro e por R$ 136.800 na versão Max.

Mesmo importado da China, o hatch já registra bons números de vendas e é o terceiro carro elétrico mais vendido do país — atrás apenas dos BYD Dolphin Mini e Dolphin. E esse desempenho pode melhorar ainda mais quando o modelo começar a ser produzido por aqui.

A fabricação nacional é uma ótima oportunidade para a Geely corrigir sete deslizes do modelo. O g1 testou o EX2 e mostra os pontos que precisam melhorar, além dos acertos que já ajudaram o compacto a conquistar o consumidor brasileiro.

Um dos pontos em que a Geely vai bem é o plano de manutenção. Normalmente, as revisões são feitas a cada 10 mil km, mas, no EX2, elas são realizadas a cada 20 mil km.

E os valores são mais baixos do que os de carros com bem menos tecnologia. São menos de R$ 5 mil gastos até a 7ª revisão, realizada aos 140 mil km.

O tempo de garantia também tranquiliza o consumidor. São seis anos para o carro e oito anos para a bateria.

O EX2 tem um interior que passa a sensação de carro moderno, mas também comete algumas derrapadas. Já está claro que o consumidor brasileiro gosta de telas, e as marcas chinesas entenderam que esse é um caminho sem volta para o interior dos carros.

O conjunto no Geely segue a receita já conhecida, com painel de instrumentos digital e central multimídia. Porém, o cluster atrás do volante é pequeno e simplório.

A grafia e os elementos exibidos não facilitam a visualização. A dica para a Geely é aumentar a tela ou trabalhar melhor a parte gráfica, para que as informações fiquem mais rápidas e fáceis de ler.

A central multimídia tem uma tela grande, de 14,6 polegadas. Mas a lógica de navegação não faz jus ao tamanho. Em alguns casos, é preciso executar dois ou três comandos para acessar uma função que poderia estar disponível de forma mais simples.

Ícones maiores, um menu mais intuitivo, atalhos mais bem definidos e a divisão de tela entre aplicativos deixariam a experiência melhor e reduziriam a necessidade de o motorista desviar a atenção da direção para encontrar um comando específico.

Essa é uma questão de software em que a montadora poderia investir mais. Quem sabe até pedir ajuda ao time da Renault, que resolveu isso melhor no SUV Boreal, por exemplo.

Falar de um carro "nacional" nos anos 1990 e no início dos anos 2000 costumava ser sinônimo de um modelo "abrasileirado": plásticos de qualidade inferior e simplificações adotadas por várias marcas ao adaptar veículos europeus para o mercado brasileiro.

Em comparação com o BYD Dolphin, por exemplo, o rival oferece acabamento de melhor qualidade. Há espaço para a Geely evoluir nesse aspecto — se der para manter o preço, claro.

Aproveitando uma possível atualização do acabamento, vale também dar atenção ao apoio lombar dos bancos dianteiros.

O EX2 é agradável de dirigir e tem bom equilíbrio dinâmico, mas os bancos poderiam oferecer mais sustentação para o corpo. A espuma é satisfatória, porém falta apoio lombar.

Para completar, a silhueta de prédios aplicada aos painéis de porta e ao painel pode ser dispensada. O detalhe passa uma impressão infantil e não reforça a sensação de tecnologia.

A lista de equipamentos, principalmente da versão Max, é bem extensa. O principal diferencial nessa faixa de preço, de quase R$ 137 mil, é o pacote de assistências à condução (ADAS).

O EX2 oferece controle de cruzeiro adaptativo, sistema de frenagem autônoma de emergência e outros recursos que fazem diferença no uso diário.

Vale destacar também a versão Pro, que custa R$ 126 mil e já vem bem equipada. Dentro dessa faixa de preço, o EX2 oferece um bom pacote de equipamentos.

Ainda assim, há algumas escolhas da Geely que poderiam ser revistas na futura versão produzida no Brasil.

O ar-condicionado, por exemplo, tenta transmitir uma aparência mais sofisticada ao exibir comandos e animações na tela da central multimídia, mas trata-se apenas de uma interface gráfica para um sistema de ar-condicionado convencional, sem funcionamento automático.

Outro ponto pior é a conectividade. Apesar de contar com carregador de celular por indução, o Android Auto e o Apple CarPlay ainda exigem conexão via cabo. A marca poderia aproveitar a produção nacional, no Paraná, para passar a oferecer os dois sistemas sem fio.

Entre os equipamentos de segurança, o EX2 traz de série o alerta sonoro emitido em baixas velocidades, recurso comum em carros elétricos e híbridos para alertar pedestres sobre a aproximação do veículo.

Porém, por causa da calibração desse som e do isolamento acústico mais simples, o ruído acaba invadindo a cabine.

Em deslocamentos curtos, isso não chega a incomodar. Mas, em congestionamentos longos, quando o carro permanece vários minutos em baixa velocidade, o som se torna cansativo.

A sensação é semelhante à de uma orquestra afinando os violinos antes de uma apresentação. Por enquanto, a solução é aumentar o volume da música.

O conjunto mecânico também merece elogios. Pelo preço, pela capacidade da bateria e pela potência de 116 cv, o EX2 entrega um conjunto equilibrado.

Um dos destaques é a tração traseira, que proporciona um comportamento dinâmico diferente do encontrado na maioria dos concorrentes.

A diferença é sutil, mas quem gosta de dirigir percebe que direção e suspensão foram bem acertadas. O EX2 não tem proposta esportiva, mas oferece uma condução agradável e até divertida.

A conclusão é que o Geely EX2 é um bom produto para o mercado brasileiro. O modelo chega competitivo em preço e precisa de apenas alguns ajustes para evoluir ainda mais quando começar a ser produzido no Brasil.

No design, o carro também está alinhado ao gosto do consumidor. Tem visual moderno, iluminação em LED que transmite personalidade e características que fogem da aparência tradicional dos hatches vendidos no país.

Some a isso um bom porta-malas de 375 litros, um compartimento de carga dianteiro de 70 litros e um custo de aquisição e manutenção que certamente fará muitos consumidores pensarem duas vezes antes de escolher um hatch convencional nos próximos anos.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Vinho europeu deve ficar até 20% mais barato com acordo UE-Mercosul, mas redução ainda é tímida

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 03:53

Agro Vinho europeu deve ficar até 20% mais barato com acordo UE-Mercosul, mas redução ainda é tímida Importadoras reduziram preços entre 2% e 2,5% após o primeiro corte na tarifa de importação. Especialistas afirmam que os maiores efeitos devem aparecer à medida que as alíquotas continuarem caindo até 2034. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

O preço do vinho europeu caiu até 2,5% após redução de tarifa em maio. A queda deve atingir 20% até 2034 com o acordo Mercosul-União Europeia.

Em maio, a tarifa de importação de vinhos europeus caiu de 27% para 24%. A taxa recuará para 21% em 1º de janeiro de 2027.

Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, avalia que o efeito atual é limitado. Ele prevê que a redução será mais perceptível com a alíquota de 21%.

Altos estoques e margens apertadas dificultam novos cortes de preços. Apesar disso, Juliana La Pastina afirma que o interesse dos brasileiros por vinhos europeus cresceu.

Preço do vinho europeu caiu pouco após acordo UE-Mercosul, mas pode recuar 20% até 2034, diz executiva da World Wine — Foto: Kelsey Knight/Unplash

O preço do vinho europeu ainda não registra uma queda expressiva após a entrada em vigor, em caráter provisório, do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.

A expectativa é que essa redução se intensifique nos próximos anos e alcance cerca de 20% até 2034, quando a tarifa de importação será totalmente eliminada.

Na World Wine, uma das maiores importadoras de vinhos do Brasil, os preços para o consumidor caíram entre 2% e 2,5% em maio, quando a alíquota de importação dos vinhos europeus recuou de 27% para 24%.

O acordo prevê uma redução gradual da tarifa de importação. A próxima etapa reduzirá a alíquota para 21% em 1º de janeiro de 2027. (veja o cronograma abaixo)

"O que o acordo fez foi criar uma trajetória clara de redução, o que é muito bom porque nos permite planejar a precificação ao longo do tempo", afirma Juliana La Pastina, CEO do Grupo La Pastina, dono da World Wine.

Veja como ficam as taxas de importação de vinhos europeus e de champanhe até 2034. — Foto: Arte/g1

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Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, consultoria especializada no mercado de vinhos, avalia que a redução da alíquota de importação de 27% para 24% ainda tem impacto limitado sobre os preços.

Segundo ele, a reposição dos estoques com a tarifa de 21%, prevista para janeiro, deve tornar a redução de preços mais perceptível para o consumidor.

"O mercado brasileiro enfrenta atualmente um cenário de estoques elevados, compostos por produtos adquiridos sob uma taxa de câmbio significativamente superior à atual", afirma.

Galtaroça afirma ainda que as margens de lucro de importadores, distribuidores e varejistas já não têm espaço para novos reajustes.

Segundo ele, o alto volume de estoques, a ampla oferta de marcas e a redução dos investimentos do varejo, em razão do alto custo do crédito, aumentaram a concorrência entre fornecedores e dificultam novos cortes de preços.

Apesar dos desafios enfrentados pelo setor, Juliana La Pastina afirma que os dados da World Wine mostram um aumento do interesse dos brasileiros por vinhos europeus.

"Na Europa, no nosso caso, a gente tem a França como a origem de maior volume de importação, mas temos sentido cada vez mais um interesse maior por vinhos da Espanha, Itália, Portugal", afirma.

A World Wine atua tanto na venda direta ao consumidor quanto no abastecimento de restaurantes e supermercados.

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Ideia de mini mercado pet em condomínios vira franquia com mais de 60 unidades

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 25/07/2026 02:55

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Ideia de mini mercado pet em condomínios vira franquia com mais de 60 unidades Após enfrentar dificuldades para comprar produtos para os próprios animais, empreendedora criou rede de lojas de autoatendimento que já está em 13 estados e projeta faturar R$ 1,2 milhão em 2026. Por PEGN

A ideia surgiu depois que a empreendedora enfrentou dificuldades para comprar ração e outros produtos para os próprios pets fora do horário comercial. A solução foi criar um mini mercado pet de autoatendimento dentro de condomínios.

As lojas funcionam 24 horas por dia e oferecem itens como ração, petiscos, brinquedos e produtos de higiene. Antes da instalação, a empresa faz um levantamento para adaptar o mix de produtos ao perfil dos moradores.

O modelo virou franquia e, em menos de um ano, chegou a mais de 60 unidades distribuídas por 13 estados e no Distrito Federal. O investimento varia de R$ 15 mil a R$ 40 mil.

A rede projeta faturar R$ 1,2 milhão em 2026 e pretende expandir a operação, apostando no crescimento do mercado pet e na busca por mais praticidade para os tutores.

Quem tem animal de estimação em casa sabe que os imprevistos acontecem. A ração pode acabar tarde da noite, o petisco preferido desaparecer da despensa ou surgir a necessidade urgente de um produto de higiene.

Foi justamente para resolver situações como essas que nasceu uma franquia de minimercados pet de autoatendimento instalada dentro de condomínios residenciais.

A ideia surgiu da experiência pessoal do empreendedor Fabrini Moscattini. Tutor de dois pets, ele conta que frequentemente chegava em casa e percebia que algum item essencial havia acabado. Em muitos casos, as lojas já estavam fechadas.

“Eles precisam se alimentar, têm as necessidades deles. Foi aí que surgiu a ideia de criar uma loja de autoatendimento focada exclusivamente no mercado pet”, afirma.

Inspirado pelo modelo dos minimercados autônomos já presentes em condomínios, Moscattini decidiu adaptar o conceito para atender exclusivamente cães e gatos. As unidades funcionam 24 horas por dia e oferecem itens como rações, petiscos, brinquedos, tapetes higiênicos e areia para gatos.

Ideia de mini mercado pet em condomínios vira franquia com mais de 60 unidades — Foto: Reprodução/PEGN

O modelo chamou atenção pela praticidade. Sem a necessidade de sair do condomínio, os moradores têm acesso aos produtos a poucos passos de casa. A compra é feita por meio de um totem de pagamento, onde o cliente seleciona os itens e conclui a operação por cartão ou outras formas eletrônicas.

O bom desempenho da primeira unidade levou o empreendedor a apostar no franchising. Segundo ele, a aceitação dos moradores mostrou que o conceito poderia ser replicado em diferentes regiões do país.

Hoje, a rede soma mais de 60 lojas espalhadas por estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Pernambuco, Tocantins, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

A expansão foi alcançada em menos de um ano de operação. Antes da instalação de cada unidade, a franqueadora realiza um levantamento do perfil dos moradores. O objetivo é entender quantos possuem animais de estimação e quais produtos são mais consumidos.

A estratégia permite personalizar o mix oferecido em cada condomínio. “A gente escuta os moradores antes de colocar qualquer produto. Entendemos a necessidade real daquele condomínio para levar benefício aos tutores e também gerar resultado para o franqueado”, explica Moscattini.

O investimento parte de R$ 15 mil para aquisição da franquia. Com estrutura, equipamentos, produtos e instalação, o valor pode chegar a cerca de R$ 40 mil.

Ideia de mini mercado pet em condomínios vira franquia com mais de 60 unidades — Foto: Reprodução/PEGN

Além da praticidade para os clientes, o modelo também atrai empreendedores pela operação enxuta. Como não há necessidade de funcionários permanentes na loja, os custos operacionais são reduzidos.

O controle de estoque e o monitoramento são feitos por sistemas digitais. Um dos franqueados da rede é Michell Cristian, que já atuava no setor pet antes de investir no formato. Atualmente, ele administra oito unidades.

“Por ser uma loja menor, mais prática e com menor dependência de mão de obra, resolvi apostar nesse mercado. É um modelo promissor e bastante rentável”, afirma.

Segundo a rede, o faturamento mensal das unidades varia entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, com ticket médio de aproximadamente R$ 50.

O sucesso do formato também pode ser medido pela percepção dos moradores. A aposentada Solange Lourenço, tutora do cão Luke, diz que a loja instalada em seu condomínio já evitou diversos transtornos.

“Já aconteceu de a ração acabar e eu precisar sair correndo para comprar. Agora é só descer e resolver tudo aqui dentro. Facilitou muito a minha vida”, conta.

Além das compras emergenciais, a moradora afirma que brinquedos e petiscos estão entre os produtos mais procurados. E, segundo ela, Luke já transformou a loja em parada obrigatória durante os passeios.

Com o mercado pet brasileiro em expansão e consumidores cada vez mais atentos à conveniência, Moscattini acredita que ainda há espaço para um crescimento expressivo. De acordo com ele, o Brasil possui cerca de 300 mil condomínios residenciais, um universo que representa o principal alvo da rede.

“Mais do que um negócio rentável, é um projeto que nasceu da paixão pelos animais e da vontade de facilitar a vida dos tutores”, afirma o empreendedor.

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Tarifa dos EUA pode agravar trabalho forçado que diz combater, alertam especialistas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 00:53

Trabalho e Carreira Tarifa dos EUA pode agravar trabalho forçado que diz combater, alertam especialistas EUA dizem que tarifa de 12,5% busca combater produtos ligados ao trabalho forçado, mas especialistas alertam que a medida pode agravar o problema. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Os Estados Unidos justificaram a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros como uma forma de combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

Segundo o governo americano, o Brasil e outros 85 países não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada, em seus mercados, de mercadorias produzidas sob esse tipo de exploração.

Mas especialistas, o governo brasileiro e organismos internacionais fazem um alerta que parece contradizer a lógica da medida: dependendo da forma como são aplicadas, as restrições comerciais podem acabar agravando justamente o problema que pretendem combater.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a explicação está na relação entre pobreza, vulnerabilidade e exploração.

"Em alguns casos, inclusive, a restrição do acesso a mercados pode piorar, porque aí você aumenta a pobreza, e a pobreza é uma das principais causas por trás desse tipo de violação", afirma o diretor do escritório da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro.

A avaliação também aparece na manifestação enviada pelo governo brasileiro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação que deu origem à nova tarifa.

No documento, o Brasil afirma que barreiras comerciais não fortalecem a fiscalização, não ampliam a rastreabilidade das cadeias produtivas e podem até dificultar a cooperação internacional necessária para enfrentar o problema.

Quando a punição é direcionada a empresas específicas ou a mercadorias comprovadamente produzidas com trabalho forçado, ela pode gerar incentivos para mudanças de comportamento, aumento da fiscalização e maior controle das cadeias produtivas.

Já medidas amplas, que atingem países inteiros ou setores econômicos sem distinguir empresas que cumprem ou não as regras, tendem a produzir efeitos menos previsíveis. O novo tarifaço dos EUA se enquadra nessa categoria.

"A experiência internacional mostra que a efetividade dessas medidas não deve ser generalizada. Onde ela tem sido mais efetiva é quando ocorre de forma individualizada. Por exemplo, se uma empresa específica foi flagrada, ela deveria ser penalizada."

🔎 Quando as exportações diminuem, empresas podem reduzir investimentos, cortar empregos ou diminuir a renda. Em regiões marcadas por pobreza, informalidade e baixa proteção social, isso amplia justamente as condições que favorecem o aliciamento de trabalhadores para situações degradantes.

"Nós não queremos diminuir o comércio, mas queremos que esse comércio ocorra sobre bases justas, com respeito aos direitos fundamentais", resume o diretor da OIT.

Na manifestação enviada ao USTR, o Itamaraty afirma que a medida pode gerar consequências econômicas amplas sem enfrentar as causas do problema.

"Medidas tarifárias não aumentam a capacidade de fiscalização, não incentivam diligência adicional nem atacam casos reais de trabalho forçado. Pelo contrário, elas podem desviar fluxos comerciais e impor custos econômicos amplos (inclusive para indústrias e consumidores dos EUA) sem tratar das questões centrais de direitos trabalhistas. Tarifas unilaterais também podem desestimular a cooperação entre governos, que é justamente necessária para combater o trabalho forçado de forma eficaz", diz a carta divulgada.

Para o governo brasileiro, combater o trabalho forçado exige cooperação entre países, troca de informações, fortalecimento da rastreabilidade das cadeias produtivas e atuação coordenada dos órgãos de fiscalização.

Trabalho Forçado/ Escravidão Moderna/ Trabalho Análogo à Escravidão — Foto: Organização Internacional do Trabalho/ Kazi Salahuddin Razu/ Getty Images

A crítica à tarifa não significa negar a existência do problema. Segundo a OIT, cerca de 28 milhões de pessoas vivem hoje em situação de trabalho forçado em todo o mundo.

O próprio Brasil convive com essa realidade. Desde 1995, mais de 65 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão. Nos últimos anos, porém, o combate deixou de se concentrar apenas nos empregadores flagrados e passou a alcançar toda a cadeia produtiva.

É justamente essa lógica que orienta iniciativas como o projeto Reação em Cadeia, do Ministério Público do Trabalho (MPT), que rastreia relações comerciais entre grandes empresas e fornecedores envolvidos em violações de direitos humanos.

O programa já identificou mais de R$ 48 bilhões em negócios envolvendo fornecedores ligados a casos de trabalho escravo em setores como pecuária, café, soja, carvão vegetal, etanol, construção civil e indústria têxtil.

A iniciativa se soma a outros mecanismos do Brasil, como os grupos móveis de fiscalização e a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, que divulga empregadores responsabilizados.

Essas ferramentas colocam o Brasil como referência global no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo, segundo Pinheiro. Para ele, um dos diferenciais brasileiros é justamente reconhecer a existência do problema e manter mecanismos permanentes de fiscalização, transparência e responsabilização.

"O Brasil é referência internacional em termos de combate ao trabalho escravo. Primeiro, por reconhecer e dar transparência ao tema, porque a atitude de outros países, por exemplo, é negacionista. Eles dizem que não existe."

O reconhecimento internacional, porém, não significa que não existam desafios. Segundo Luciano Aragão Santos, coordenador nacional de combate ao trabalho escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), há uma lacuna justamente na área utilizada pelos EUA para justificar a nova tarifa: o controle de produtos importados e o monitoramento de fornecedores estrangeiros.

🔎 Hoje, o Brasil não possui uma legislação específica que obrigue empresas a verificar se fornecedores internacionais utilizaram trabalho forçado na produção das mercadorias importadas. É justamente essa lacuna regulatória relacionada às importações — e não à capacidade do país de combater o trabalho escravo internamente — que está no centro da discussão levantada pelos EUA.

Segundo o USTR, essa lacuna regulatória cria um ambiente de concorrência considerado desleal para empresas americanas, especialmente em setores expostos à competição internacional.

Dados da Walk Free, no entanto, mostram que os próprios EUA não mantêm um controle rigoroso sobre o histórico dos produtos que importam. O país lidera o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões por ano.

EUA lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, — Foto: g1

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o objetivo de impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado é legítimo, mas questionam se esse é, de fato, o real objetivo da medida. Diversos elementos da própria investigação apontam em outra direção.

O relatório não apresenta casos concretos de mercadorias brasileiras produzidas sob essas condições que tenham chegado ao mercado americano.

Outro ponto que alimenta críticas é o desenho das tarifas. Produtos como carne bovina, café e suco de laranja permaneceram fora das sobretaxas, apesar de esses setores aparecerem com frequência em registros oficiais brasileiros relacionados ao trabalho escravo contemporâneo.

Thiago de Aragão, CEO da Arko International, afirma que os setores mais relevantes da pauta exportadora brasileira para os EUA ficaram de fora das medidas. Para ele, se a preocupação fosse realmente combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção, o desenho da política seria diferente.

"Uma política coerente trataria a questão como um padrão horizontal e usaria critérios técnicos, como due diligence [diligência prévia] de cadeia, rastreabilidade e certificação. O que se vê é uma medida que escolhe setores em função do impacto doméstico americano", afirma.

Também pesa o contexto em que a investigação foi aberta. Analistas apontam que o processo ocorreu em um momento em que Washington buscava novas bases legais para sustentar sua política tarifária e ampliar sua capacidade de pressão comercial sobre parceiros estratégicos.

Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A investigação do USTR foi aberta após dificuldades enfrentadas pelo governo americano para sustentar judicialmente outras medidas comerciais e acabou servindo como alternativa para manter instrumentos de pressão sobre parceiros econômicos.

"Não vejo um núcleo genuíno de preocupação com trabalho forçado, especialmente porque o timing da investigação coincide com a expiração das tarifas horizontais de 10% da Seção 122", lembra José Pimenta, diretor de comércio internacional da BMJ.

Pimenta aponta que a própria estrutura adotada pelo USTR indica que a discussão não se limita aos direitos humanos. Isso porque países que já possuem acordos ou compromissos comerciais específicos com os EUA também foram alvo das medidas tarifárias.

"É pouco crível que o USTR considere sinceramente todos esses países como violadores relevantes em matéria de trabalho forçado. O que eles têm em comum não é o problema, mas a concorrência econômica ou industrial com os Estados Unidos", afirma.

📎 Ou seja, o tarifaço pode estar funcionando, ao mesmo tempo, como instrumento de pressão comercial, mecanismo de negociação diplomática e ferramenta para ampliar a influência americana sobre as regras que regem o comércio internacional.

Há ainda uma dimensão geopolítica. Segundo Aragão, o mecanismo pode ajudar os EUA a expandir internacionalmente regras semelhantes às que já utilizam para restringir produtos associados a determinadas regiões da China.

Na prática, isso aumentaria a pressão para que outros países adotem sistemas mais rigorosos de rastreamento e bloqueio de mercadorias ao longo das cadeias globais de fornecimento.

"Direitos humanos são o enquadramento. O motor é outro: reconstruir a política tarifária após a derrota na Suprema Corte, ganhar alavancagem bilateral e cercar a China por interposta pessoa", conclui Aragão.

O governo brasileiro rejeita as conclusões da investigação americana e afirma que não existe base factual para a aplicação da nova tarifa.

Em documento encaminhado ao USTR, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumenta que os EUA não conseguiram apontar um único caso em que uma ação ou omissão do Brasil tenha permitido a entrada de produtos feitos com trabalho forçado no mercado americano.A defesa também sustenta que a investigação ignorou parte das informações apresentadas pelo país sobre seu sistema de combate ao trabalho escravo, incluindo mecanismos de fiscalização, punição de empregadores e rastreamento de cadeias produtivas.Outro ponto destacado pelo governo é que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há anos, o que, na avaliação do Itamaraty, enfraquece a tese de que práticas brasileiras estariam causando prejuízos à economia americana.

Para o governo brasileiro, medidas tarifárias também não representam uma solução eficaz para enfrentar o problema do trabalho forçado.

A posição brasileira é que o combate ao trabalho escravo exige cooperação internacional, troca de informações e fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade das cadeias produtivas, e não a adoção de barreiras comerciais unilaterais.

Desde março de 2025, o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico, com autoridades americanas na tentativa de evitar a escalada tarifária e buscar uma solução negociada.

Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a decisão anunciada por Washington extrapola a discussão sobre trabalho forçado e reflete divergências mais amplas nas negociações entre os dois países.

"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações", disse.

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Como é feito o foie gras, alimento que foi proibido por Lula e reacendeu a tensão comercial com a França

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 25/07/2026 00:53

Agro Como é feito o foie gras, alimento que foi proibido por Lula e reacendeu a tensão comercial com a França Embora o mercado brasileiro de foie gras seja pequeno, a decisão repercutiu imediatamente na França, maior produtora mundial da iguaria. Por Redação g1

Método para produção de foie gras, com tubo enfiado na garganta da ave, é considerado cruel — Foto: Bebeto Matthews/Arquivo/AP Photo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (24) o projeto de lei que proíbe a produção e a venda de produtos obtidos por meio da alimentação forçada de animais. Entre eles, está o foie gras, produto da culinária francesa feito com fígado gordo de pato ou ganso.

A norma, publicada no Diário Oficial da União, especifica que a proibição inclui a produção e a comercialização de foie gras, tanto in natura como enlatado.

Quem descumprir a regra poderá ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais.

Traduzido como "fígado gordo" em português, a produção do foie gras envolve uma técnica conhecida como gavage, na qual patos ou gansos recebem grandes quantidades de alimento por meio de um tubo metálico introduzido no esôfago.

O procedimento é realizado nas últimas semanas de vida das aves e tem como objetivo provocar o aumento do fígado. O processo costuma durar de duas a três semanas, com duas ou três sessões diárias.

"Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal", explica George Sturaro, diretor de políticas públicas da ONG Mercy For Animals.

Segundo Sturaro, o fígado pode crescer até dez vezes além do tamanho normal, o que pode causar dor, alterações no metabolismo e estresse térmico nas aves.

Além disso, há outro agravante: muitas vezes o processo não é feito corretamente, o que provoca ainda mais ferimentos nos animais.

"Você vê que as aves já até fogem quando chega o funcionário, porque já vira um manejo violento, não toma cuidado na hora de fazer a sondagem", afirma Patrycia Sato, presidente e diretora técnica da Alianima.

Embora seja tradicionalmente consumido como uma iguaria em países como a França, o método de produção é alvo de críticas de entidades de proteção animal, que apontam sofrimento e impactos ao bem-estar das aves.

A nova medida do governo brasileiro reacendeu a tensão entre os governos do Brasil e da França. Isso porque os franceses são os principais produtores mundiais de foie gras.

Segundo o Comitê Interprofissional de Aves Aquáticas para Foie Gras (Cifog), o Brasil representa um mercado anual de aproximadamente 1 milhão de euros, concentrado em restaurantes de alto padrão e importadores de grandes cidades.

Antes mesmo da sanção presidencial, a entidade francesa havia pedido uma intervenção diplomática da União Europeia (UE) para tentar barrar a medida. Em maio, o Cifog classificou a futura proibição como uma “primeira violação” do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, firmado em dezembro após 25 anos de negociações.

Mais do que o impacto econômico imediato, os produtores franceses temem o precedente que a decisão pode criar para outros produtos agrícolas europeus. O setor argumenta que o foie gras integra uma lista de indicações geográficas protegidas reconhecidas pelo acordo entre os dois blocos.

A controvérsia se torna ainda mais sensível porque toca em um tema frequentemente defendido pelos próprios agricultores europeus: as chamadas “cláusulas-espelho”, que exigem que produtos importados respeitem padrões ambientais, sanitários ou de bem-estar animal semelhantes aos adotados pela União Europeia.

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