Imposto de Renda

Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais

RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/04/2026 08:57

Trabalho e Carreira Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais Profissionais estão fazendo mais horas extras, reduzindo pausas e tentando provar valor diante do avanço da IA, mas especialistas alertam que a estratégia pode não garantir proteção profissional. Por Rafaela Zem — São Paulo

O avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho e o aumento das demissões, especialmente no setor de tecnologia, têm levado trabalhadores a se esforçar para demonstrar sua própria relevância.

Uma pesquisa da plataforma Resume.io, com mais de 3 mil profissionais, indica que, para demonstrar valor, empregados têm trabalhado em média 2 horas e 24 minutos extras por semana — o equivalente a quase 125 horas a mais por ano.

Essa escolha se traduz em mais horas extras, almoços mais curtos e no chamado “teatro da produtividade” — quando trabalhadores se esforçam para parecer ocupados.

Segundo especialistas, essa reação ao avanço da tecnologia nem sempre é a mais eficaz. Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, afirma que aumentar o volume de trabalho não significa, necessariamente, maior proteção profissional.

A pesquisa também aponta que mais da metade dos entrevistados percebe mudanças na forma como o desempenho é avaliado desde a adoção de ferramentas de inteligência artificial.

O avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho e o aumento das demissões, especialmente no setor de tecnologia, têm levado trabalhadores a se esforçar para demonstrar sua própria relevância. Eles trabalham mais, fazem menos pausas e buscam estar sempre visíveis.

Uma pesquisa da plataforma Resume.io, com mais de 3 mil profissionais, indica que, para demonstrar valor, empregados têm trabalhado em média 2 horas e 24 minutos extras por semana — o equivalente a quase 125 horas a mais por ano.

Essa escolha se traduz em mais horas extras, almoços mais curtos e no chamado “teatro da produtividade” — quando trabalhadores se esforçam para parecer ocupados. (Entenda mais abaixo)

Segundo especialistas, essa reação ao avanço da tecnologia nem sempre é a mais eficaz e pode até causar efeito rebote.

Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, afirma que aumentar o volume de trabalho não significa, necessariamente, maior proteção profissional.

"Trabalhar horas a mais não garantirá postos de trabalho”, diz. Para ele, a insegurança diante da inteligência artificial tem levado parte dos trabalhadores a uma estratégia que pode não dialogar com as mudanças estruturais pelas quais o mercado passa.

Para ele, essas mudanças estruturais indicam que o mercado está trocando o "quanto se trabalha" pelo "como e para quê se trabalha".

Na avaliação do especialista em tecnologia da RS Systems, Emilio Salcedo, esse cenário de insegurança é agravado justamente pela forma como a tecnologia é incorporada no ambiente corporativo.

Ele afirma que, embora a IA possa reduzir tarefas repetitivas, também pode ampliar a pressão por produtividade quando não há revisão das metas e expectativas de desempenho.

A pesquisa da Resume.io sugere que essas mudanças de comportamento do trabalhador ocorrem por meio de ajustes contínuos no dia a dia.

Trabalhadores relatam responder a mensagens fora do expediente, reduzir pausas e assumir tarefas adicionais sem mudanças formais no contrato.

Um sinal claro dessa intensificação do trabalho aparece no tempo dedicado às pausas. Para 55% dos entrevistados, o intervalo de almoço diminuiu no último ano.

A maioria associa a redução à necessidade de se manter produtiva e visível. Em um ambiente em que a eficiência tecnológica redefine expectativas, o descanso passa a ser percebido como um risco.

Outro comportamento identificado pela pesquisa é o chamado “teatro da produtividade”, quando empregados sentem a necessidade de “parecer ocupados” para demonstrar valor.

Segundo os dados, 67% dos trabalhadores afirmaram sentir essa necessidade e adotar atitudes para se mostrar ocupados, como manter o status online constantemente ativo, responder a mensagens imediatamente e prolongar tarefas simples.

“Com o avanço da inteligência artificial, as métricas de avaliação de desempenho tendem a ser cada vez mais sofisticadas e detalhadas (…) essas métricas irão identificar trabalhadores e setores com baixo engajamento e baixa produtividade”.

A pesquisa também aponta que mais da metade dos entrevistados percebe mudanças na forma como o desempenho é avaliado desde a adoção de ferramentas de inteligência artificial. Para 16%, a principal alteração está no ritmo: se a tecnologia realiza tarefas mais rapidamente, o trabalhador passa a ser cobrado a acelerar.

Sobre esse ponto, Genaro afirma que a eficiência técnica tende a se tornar um critério básico de avaliação.

Com a inteligência artificial assumindo tarefas repetitivas, sobra menos espaço para atividades mecânicas e mais demanda por análise, tomada de decisão e criatividade.

Salcedo reforça essa mudança ao afirmar que a IA não substitui categorias inteiras de forma imediata, mas elimina tarefas específicas, o que exige readequação constante das funções. Nesse contexto, ganham relevância profissionais que conseguem usar a tecnologia como apoio para análise, automação e tomada de decisão.

Isso muda também a forma de avaliação: em vez de horas extras ou presença constante, ganham peso as entregas, o impacto e a capacidade de usar a tecnologia a favor do trabalho.

“Mas a IA não se emociona com um xeque-mate.” Segundo ele, ainda há um conjunto de competências que permanece restrito à experiência humana.

“O lado humano da experiência, da emoção e da criatividade ainda não entra no conjunto de competências da IA. E é nesse rol de competências que o trabalhador deve investir e se destacar no mundo corporativo.”

Apesar disso, o medo da substituição direta segue como a principal preocupação dos entrevistados. Para 34%, essa é a maior ameaça percebida. Outros 30% temem uma substituição gradual, enquanto 20% receiam que a IA seja usada para justificar cobranças mais intensas.

Já 14% afirmam temer ficar para trás em relação a colegas que dominam melhor as novas ferramentas tecnológicas.

“O desenvolvimento de novas habilidades, em sintonia com as ferramentas da IA, me parece o melhor caminho para o trabalhador no século XXI”, afirma.

Segundo Salcedo, compreender o básico da tecnologia, mapear tarefas automatizáveis e desenvolver pensamento crítico já são diferenciais importantes nesse novo contexto.

Ele também chama atenção para os efeitos emocionais dessa transição. Segundo o especialista, a pressão por produtividade pode aumentar a sensação de insegurança e sobrecarga, especialmente quando a adoção da tecnologia não vem acompanhada de ajustes claros nas expectativas de desempenho.

“O maior risco não é a tecnologia em si, mas a forma como ela é implementada sem suporte adequado”, resume.

Há 33 minutos Eleições 2026 43% temem volta da família Bolsonaro; 42% têm medo de Lula seguir no poderHá 33 minutos52% desaprovam o governo Lula; 43% aprovam

Há 54 minutos Política 29% dos brasileiros afirmam ter muitas dívidasHá 54 minutosAção em 9 estadosPoze do Rodo e MC Ryan são presos em operação contra lavagem de dinheiro

Há 1 hora São Paulo MC Ryan SP já esteve envolvido em série de ocorrências policiaisHá 1 horaPF acha colar com imagem de Pablo Escobar em mapa de SP na casa de MC Ryan

Há 1 hora Rio de Janeiro Guerra no Oriente MédioIrã diz que navios iranianos atravessam Ormuz mesmo com bloqueio dos EUA

Há 50 minutos Mundo Trump diz acreditar que guerra contra Irã acabará ‘muito em breve’Há 50 minutosIrã usou satélite espião chinês para atacar bases dos EUAHá 50 minutosImpasse nuclear: as divergências de EUA e Irã sobre o urânioHá 50 minutosExclusivo FantásticoObjetos de crianças mortas em ataque a escola viram memorial no Irã

Há 1 hora Fantástico Trump volta a criticar a Otan e ‘cutuca’ papa Leão XIVHá 1 horaVendidas nas redesAnvisa proíbe marcas de canetas emagrecedoras trazidas do Paraguai