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Croissant para cachorro? Mercado pet avança no luxo, com cafés exclusivos e doces gourmet de até R$ 30
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Croissant para cachorro? Mercado pet avança no luxo, com cafés exclusivos e doces gourmet de até R$ 30
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 03:47
Trabalho e Carreira Croissant para cachorro? Mercado pet avança no luxo, com cafés exclusivos e doces gourmet de até R$ 30 Estabelecimentos oferecem doces, cafés e petiscos especiais para cães em meio ao crescimento do mercado pet de luxo. Por France Presse
Entre doces gourmet e cafés pet friendly, cães ganham rotina cada vez mais “humana” — Foto: Photo by Xavier GALIANA / AFP)
Em um sofá confortável, uma parisiense elegante saboreia até a última migalha um biscoito macio em um café da moda na capital francesa. A cena só não é comum por um detalhe: a cliente tem quatro patas e late.
Loulou, uma Spitz Alemã anã de pelo branco esvoaçante, solta um “au-au” entusiasmado depois de devorar o “Merveilleux”, de cinco euros (R$ 29,55), um biscoito feito com finas camadas de purê de banana, cream cheese, maçã e carne bovina.
A cachorrinha de um ano é cliente assídua dessa confeitaria canina, onde os quitutes expostos em um balcão de vidro — como o “Le Mignon”, em formato de coração e preparado com batata-doce, cream cheese e mirtilos — poderiam dar água na boca até nos humanos.
A proprietária da confeitaria, a francesa Clara Zambuto, explica que adotar Hulk, seu Spitz Alemão anão de três anos, a inspirou a abrir o espaço, onde cães e tutores podem fazer uma refeição juntos.
“Muitas vezes eu saía para passear com ele (…) Entrávamos em um café, como uma boa parisiense, mas ele logo se entediava”, lembra a dona da Casa del Doggo, de 26 anos. “Pensei que era uma pena não haver lugares em Paris onde, enquanto você toma um café, possa oferecer um agrado ao seu animal de estimação”, diz.
“Hoje em dia, o cachorro é quase como um filho, e queremos levá-lo para todos os lugares”, acrescenta.
A confeitaria é um dos diversos estabelecimentos voltados para cães que vêm surgindo na capital francesa, onde se estima que vivam cerca de 100 mil animais.
A confeitaria é um dos diversos estabelecimentos voltados para cães que estão surgindo na capital francesa — Foto: (Photo by Xavier GALIANA / AFP)
Zambuto começou a preparar os petiscos em casa antes de contar com a ajuda de um confeiteiro profissional. Mas sem “nada de chocolate, nada de abacate, nada de uvas e nada de cebola”, ressalta, porque esses alimentos são tóxicos para os cães.
Assim como ocorre com os humanos, a moderação é essencial para evitar o ganho excessivo de peso, explica Lolita Sommaire, veterinária especializada em nutrição de cães e gatos.
“Se eles forem a uma confeitaria, é preciso ajustar a refeição seguinte, reduzi-la um pouco ou incentivar mais atividade física. Mas, se isso acontecer uma vez por mês, não há problema”, afirma.
Em outro café para cães, os animais circulam por um terraço com bancos, enquanto alguns mordiscam petiscos em forma de “croissant” e “baguette”, que custam quatro euros (R$ 23,24).
Marley, um pastor americano de boina vermelha, lambe uma sobremesa cremosa servida em uma taça prateada.
Para a americana Rebecca Anhalt, a decisão de abrir o café Bone Appart — onde “os cães são os reis” — surgiu após receber uma multa elevada por deixar Napoleão, seu whippet de cinco anos, solto em um parque.
“Eu queria criar um lugar onde as pessoas pudessem vir sem medo (…) de serem repreendidas por estarem com seu cão”, acrescenta a proprietária. O nome do estabelecimento faz um trocadilho com o sobrenome do imperador francês Napoleão Bonaparte.
Cerca de 100 mil animais vivem em Paris — Foto: Photo by Xavier GALIANA / AFP) Conteúdo relacionado
Embora Paris tenha cerca de cinquenta parques destinados a cães, onde eles podem circular sem coleira, o coletivo de associações Paris Condition Canine considera esses espaços “insuficientes, desigualmente distribuídos e, às vezes, pouco adequados”.
Os cães, inclusive, viraram tema de campanha nas eleições municipais de março: o novo prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, dedicou a eles uma conta no Instagram, enquanto a adversária dele, Rachida Dati, ofereceu “aperitivos caninos”.
Para Sarah Elgamal, que se autodenomina “mãe” de Loulou, as visitas à confeitaria vão além das guloseimas: são uma oportunidade de estreitar o vínculo com a cachorrinha. “Melhora nossa conexão, porque estamos em um ambiente que não é nem o trabalho, nem a casa”, afirma a farmacêutica de 32 anos.
Embora os cães sejam a prioridade no café, Anhalt destaca que muitos frequentadores também vão ao local para socializar com outros tutores: “Os cães são um ótimo ponto de encontro”.
Ela conta que um cliente habitual e o dachshund dele, de 17 anos, recém-chegados a Paris, vão todos os dias ao café para “conhecer gente”. Afinal, “você acaba conversando com qualquer pessoa por causa do seu cachorro”.
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