RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Huawei propõe novo caminho para desenvolver chips em meio a sanções dos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 23:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%Oferecido por

A Huawei espera projetar chips de ponta até 2031 com densidade de transistores equivalente a processos de 1,4 nanômetro.

A projeção foi feita em apresentação da Huawei sobre o que ela chama de "Lei de Escalonamento Tau" (Tau Scaling Law).

Estande da Huawei da World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025 — Foto: REUTERS/Go Nakamura

A companhia chinesa Huawei afirmou neste domingo (24, já segunda-feira, 25, em Xangai) que espera projetar chips de ponta até 2031 com densidade de transistores equivalente a processos de 1,4 nanômetro, apesar das sanções dos Estados Unidos. As sanções dificultam que a China obtenha os equipamentos necessários para fabricar esses chips.

A projeção foi feita em apresentação da Huawei sobre o que ela chama de "Lei de Escalonamento Tau" (Tau Scaling Law), um princípio para aprimorar chips em um momento em que a indústria já não pode depender da redução do tamanho dos transistores.

He Tingbo, presidente da divisão de semicondutores da Huawei e diretora do comitê científico da empresa, apresentou o conceito em um discurso intitulado “Novo Caminho dos Semicondutores na Prática”, durante o Simpósio Internacional IEEE sobre Circuitos e Sistemas (ISCAS) de 2026, em Xangai.

Embora a empresa não tenha apresentado dados independentes de desempenho, a meta é significativa porque o processo de 1,4 nm deve estar próximo da fronteira global da fabricação avançada de chips no fim desta década.

A Lei de Escalonamento Tau concentra-se em reduzir o tempo necessário para que sinais e dados se movimentem por chips e sistemas computacionais, afirmou a Huawei. Se tiver sucesso, ela poderá oferecer à empresa uma forma de melhorar desempenho e densidade dos chips apesar das restrições ao acesso da China aos equipamentos semicondutores mais avançados.

A Huawei afirmou que seus chips Kirin programados para serem lançados no segundo semestre de 2026 serão os primeiros a utilizar uma arquitetura relacionada chamada LogicFolding, que, segundo a empresa, reduzirá o comprimento das conexões internas dos chips e melhorará consideravelmente o desempenho.

A empresa informou que projetou e produziu em massa 381 chips nos últimos seis anos com base na Lei de Escalonamento Tau, para uso em setores como smartphones e computação de inteligência artificial.

A Huawei está sujeita a sanções dos Estados Unidos desde 2019. Na época, o governo americano disse haver risco de que a empresa atuasse em espionagem virtual para favorecer o governo chinês. No mesmo ano, o Google suspendeu seus principais acordos com a Huawei.

Washington restringiu o acesso da Huawei a ferramentas avançadas de litografia e a outras tecnologias-chave de semicondutores.

A companhia acabou desenvolvendo tecnologia própria para contornar sanções – a exemplo de um sistema operacional para celulares da marca.

De acordo com a última divulgação de resultados da empresa, a Huawei Technologies cresceu 2,2% em receita em 2025. O avanço foi impulsionado principalmente pelas áreas de infraestrutura de rede e de dispositivos de consumo, enquanto o negócio de computação em nuvem teve queda no faturamento.

A empresa, que tem sede em Shenzhen, alcançou receita de US$ 127,5 bilhões em 2025. O resultado mostra uma desaceleração significativa frente ao crescimento de 22,4% registrado em 2024.

O desempenho de 2025 representa a segunda maior receita anual da Huawei, abaixo apenas do recorde de US$ 128,9 bilhões obtido em 2020. O lucro líquido cresceu 8,6%, chegando a US$ 9,8 bilhões.

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Diretor de banco pede desculpas após chamar funcionários de ‘capital humano de menor valor’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 18:44

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,0090,17%Dólar TurismoR$ 5,2090,1%Euro ComercialR$ 5,8150,05%Euro TurismoR$ 6,0590,01%B3Ibovespa177.650 pts0,17%Oferecido por

Diretor-executivo do banco Standard Chartered, Bill Winters — Foto: Paul Yeung/Bloomberg via Getty Images

O diretor-executivo do banco Standard Chartered pediu desculpas após descrever funcionários cujos postos de trabalho poderiam ser substituídos por inteligência artificial como "capital humano de menor valor".

Durante uma conferência recente, ao falar sobre como a automação provavelmente provocará milhares de demissões no banco, Bill Winters afirmou que não se tratava de reduzir custos, mas de "substituir, em alguns casos, capital humano de menor valor por capital financeiro e capital de investimento que estamos aportando".

Posteriormente, ele tentou contextualizar os comentários em uma publicação no LinkedIn e lamentou suas palavras por terem "incomodado alguns colegas".

Ele acrescentou que está comprometido em ajudar os funcionários a "lidar com o ritmo acelerado das mudanças".

O avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) tem alimentado previsões de grandes perdas de empregos, especialmente entre trabalhadores do setor de tecnologia e recém-formados.

Amazon, Meta e Microsoft, assim como diversas empresas de serviços financeiros, já atribuíram à IA dezenas de milhares de demissões ao longo do último ano.

O Standard Chartered é um banco global com sede no Reino Unido e emprega, segundo estimativas, cerca de 82 mil pessoas, a maioria em funções de back-office (operações internas).

Na primeira publicação, Winters afirmou que queria esclarecer o que disse — e os motivos das expressões utilizadas — durante a conferência com investidores.

Ele explicou que o banco havia compartilhado sua previsão de que os cargos de back-office seriam reduzidos em cerca de 15% ao longo dos próximos quatro anos — o equivalente a aproximadamente 7,8 mil empregos.

Durante anos, o banco ajudou funcionários "cujos cargos poderiam ser deslocados pela automação a desenvolver as habilidades necessárias para acessar novas oportunidades dentro da nossa organização", afirmou Winters.

"Foi nesse contexto que mencionei que funções de menor valor são mais vulneráveis à automação e que temos a responsabilidade de ajudar nossos colegas a fazer a transição para funções de maior valor", escreveu.

"É isso que um empregador responsável deve fazer, e tenho orgulho de dizer que nosso histórico no apoio a transições internas é sólido."

Em uma publicação posterior, ele afirmou que, embora tenha recebido "muito apoio" em resposta à primeira mensagem, as pessoas ainda tinham dúvidas; por isso, decidiu compartilhar uma transcrição de seus comentários originais, para que pudessem entender melhor "o ponto importante que eu estava tentando fazer".

Segundo ele, o texto completo de suas declarações demonstrava que ele tem todos os colegas "na mais alta estima" e que a instituição está "totalmente comprometida em ajudá-los a se adaptar ao ritmo acelerado das mudanças pelas quais nossa indústria está passando".

Na seção de comentários da segunda publicação, uma pessoa disse ter dificuldade em perceber a diferença entre o que foi dito na conferência e as declarações escritas.

"Ou foi uma escolha de palavras infeliz, ou se tratava de uma convicção genuína expressa exatamente da forma como pretendia", escreveu.

Outro usuário comentou: "Ele será lembrado para sempre como o cara que acha que seus funcionários são de 'menor valor'".

Em um memorando interno enviado no início desta semana — e ao qual a BBC teve acesso —, Winters afirmou aos funcionários que entendia que a recente cobertura da imprensa pudesse ser "perturbadora quando reduzida a manchetes simples ou a uma frase tirada de contexto".

Após agradecer aos colegas, acrescentou que o banco dará prioridade à realocação "sempre que possível" e que, nos casos em que houver mudanças, "vamos administrá-las com reflexão e cuidado".

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Mega-Sena 30 anos: duas apostas dividem o prêmio de mais de R$ 336 milhões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 12:45

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena 30 anos: duas apostas dividem o prêmio de mais de R$ 336 milhões Veja os números sorteados: 03 – 30 – 33 – 35 – 45 – 47. Vencedores levam R$ 168.170.026,83, cada. Quina teve 590 ganhadores, com prêmio de R$ 13.890,02, cada. Por Redação g1 — São Paulo

O sorteio do concurso 3.010 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (24), em São Paulo. O concurso era especial de 30 anos da loteria e não acumulava. O prêmio foi de R$ 336.340.053,67.

6 acertos – 2 apostas ganhadoras, R$ 168.170.026,83.5 acertos – 590 apostas ganhadoras, R$ 13.890,02.4 acertos – 37.565 apostas ganhadoras, R$ 311,65.

O próximo concurso da Mega será realizado às 21h do dia 26 de maio. As apostas podem ser feitas até as 20h do dia 26 de maio pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país.

O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.

A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h — saiba como fazer a sua aposta online.

Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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Preços do café tradicional e gourmet caem, mas descafeinado e especial sobem mais de 15% em abril

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 05:45

Agro Preços do café tradicional e gourmet caem, mas descafeinado e especial sobem mais de 15% em abril Expectativa de crescimento da colheita em 2026 barateou a maior parte das categorias de café, diz Abic. Entenda por que alguns continuam em alta. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

O preço do café tradicional e extraforte caiu 15,5% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 55,34.

Já o descafeinado ficou 21% mais caro em relação a abril do ano passado, com o preço médio chegando a R$ 114,93.

Os preços de quase todos os tipos de café, como o tradicional e o gourmet, caíram em abril na comparação com o mesmo mês de 2025, com a expectativa de crescimento da colheita. O descafeinado e o especial foram exceções e subiram mais de 15%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

O preço médio do quilo do café tradicional e extraforte, por exemplo, caiu 15,5% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 55,34. O café superior recuou 12,6%, para R$ 70,37, enquanto o gourmet teve queda de 3,7%, para R$ 106,66.

O café em cápsula também ficou mais barato: o preço médio do quilo caiu 9,4%, para R$ 364,16. Já o drip coffee registrou queda de 5,2%, com preço médio de R$ 238,38.

Na contramão, o descafeinado ficou 21% mais caro em relação a abril do ano passado, com o preço médio chegando a R$ 114,93. Já o especial, segmento mais premium do mercado, teve alta de 16,8%, para R$ 161,26.

Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic, explica que o café descafeinado tem ficado mais caro porque grande parte das empresas brasileiras ainda não realiza o processo de descafeinação no país.

Segundo ele, esse processo, considerado bastante complexo, costuma ser feito na Suíça, e os custos de envio e processamento ainda não diminuíram.

“O café é enviado ao exterior para passar pelo processo de descafeinação e depois retorna ao Brasil”, detalha.

Segundo ele, o Brasil ainda tem poucas indústrias capazes de fazer a descafeinação de café em larga escala. Entre elas estão a Cocam, a Eisa e, mais recentemente, a DM Descafeinadores do Brasil, considerada hoje a maior do país.

Outro motivo para o encarecimento é o fato de o descafeinado ter um público mais restrito. Os cafés em cápsula, por exemplo, também são em grande parte importados, mas ficaram mais baratos após ganharem espaço no mercado brasileiro.

Os cafés especiais também são um caso à parte. Silva explica que o aumento de preço desse produto está relacionado aos custos de produção, ao consumo restrito e à baixa distribuição pelo Brasil.

"Para obter um café com a pontuação necessária para ser classificado como 'especial', o produtor precisa gastar muito mais do que gastaria com o café comum. Essa diferença de custo no campo se reflete diretamente no preço final", diz Silva.

Além disso, ao contrário dos cafés tradicionais, o café especial não é produzido em larga escala. Como o volume é menor, os custos de produção e manutenção não são diluídos da mesma forma que acontece nas grandes lavouras.

"Por ser um mercado muito restrito e com uma diferença de preço considerável em relação ao café do dia a dia, ele ainda não atingiu um patamar de distribuição que permita a redução dos preços", diz o diretor da Abic.

Segundo ele, a entidade tem trabalhado junto à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para ampliar a distribuição desses cafés pelo país.

Apesar das particularidades do descafeinado e do especial, o café do dia a dia tem ficado um pouco mais barato após anos de alta nos preços.

A disparada dos preços foi resultado de problemas climáticos que afetaram as lavouras entre 2021 e 2024, como secas, calor intenso e geadas, que reduziram a produção.

"Em 2024, o preço da matéria-prima (grão de café) teve um aumento severo, ultrapassando 120%. Isso resultou em um repasse direto de mais de 73% para as prateleiras em 2025, o que assustou o consumidor", lembra Silva.

De janeiro a abril de 2025, por exemplo, o consumo de café caiu 5% em relação ao mesmo período de 2024. Já nos quatro primeiros meses deste ano, a tendência começou a se inverter, com alta de 2,44% no consumo, segundo a Abic.

"A recuperação começou a se desenhar em setembro de 2025, quando a florada indicou uma boa produção para a safra seguinte", diz Silva.

"Até o momento, a produção de 2026 segue dentro do esperado, sem notícias de problemas climáticos graves. Se o clima permanecer favorável, a tendência é de maior crescimento no consumo e de manutenção da queda gradual dos preços ao longo do ano", diz.

Apesar disso, o diretor da Abic avalia que dificilmente os preços do café voltarão aos patamares de 2020, antes da disparada dos preços.

"Após quatro anos de dificuldades na produção, os estoques mundiais estão muito baixos e a disputa pelo produto aumentou devido ao crescimento do consumo global", diz.

"Para que os preços caiam drasticamente, seriam necessárias duas ou três safras muito boas consecutivas para reequilibrar os estoques", conclui.

Em 12 meses, preço do café moído registra alta de 0,54% ao consumidor. Inflação desacelerou, mas preços continuam altos nas prateleiras. — Foto: Divulgação

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Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas, mas acendem alerta sobre exposição indevida nas redes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 05:45

Tecnologia Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas, mas acendem alerta sobre exposição indevida nas redes Criadores tentam danificar o LED que mostra quando os óculos da Meta estão gravando para que não se perceba a filmagem. Vítimas de pegadinhas sem consentimento têm amparo em diferentes mecanismos legais, explica advogado. Por Darlan Helder, g1 — São Paulo

Óculos inteligentes, como o Ray-Ban Meta, estão sendo usados em pegadinhas com desconhecidos nas redes sociais.

Uso dos óculos e limites desse tipo de conteúdo ainda são discutidos na Justiça e em projetos de lei no Brasil.

A popularização dos óculos inteligentes tem impulsionado um novo tipo de conteúdo nas redes sociais: pegadinhas gravadas secretamente com pessoas desconhecidas. Os vídeos, porém, levantam preocupações sobre privacidade e exposição de pessoas sem consentimento.

Os óculos inteligentes são modelos com lentes de grau ou de sol que trazem câmeras, microfones e alto-falantes embutidos. Eles permitem gravar vídeos, tirar fotos e atender ligações sem precisar tirar o celular do bolso. Alguns incluem IA para traduzir textos em tempo real, responder dúvidas sobre o que o usuário está vendo e publicar conteúdo diretamente nas redes sociais.

Dispositivos como o Ray-Ban Meta, lançado no Brasil em setembro de 2025, têm uma luz que indica quando estão gravando. Mas alguns usuários danificam esse LED para que as pessoas não percebam que estão sendo filmadas.

Esse tipo de vídeo tem se tornado cada vez mais viral no Brasil e em outros países em plataformas como TikTok e Instagram. Alguns acumulam milhões de visualizações.

Há diferentes estilos de pegadinhas com óculos inteligentes nas redes sociais. Em uma das mais populares, a pessoa esconde um cartão de crédito ou débito com pagamento por aproximação dentro da embalagem de algum produto.

Ao passar no caixa do supermercado, ela aproxima o produto da maquininha e o pagamento é aprovado. Usando os óculos com câmera, o autor grava a reação de surpresa do funcionário ao ver a compra ser paga sem um cartão visível.

Em parte dos vídeos vistos pelo g1, o criador revela no fim que se trata de uma brincadeira e pede autorização para publicar nas redes. Em outros casos, não fica claro se houve consentimento das pessoas filmadas antes da postagem.

A advogada Patrícia Peck explica que ser filmado em público sem autorização não implica automaticamente crime ou indenização. Ainda assim, o risco legal aumenta quando não há aviso claro ou consentimento. (saiba mais abaixo)

"Por isso, mesmo que a gravação busque uma reação espontânea, é necessário obter consentimento específico antes da publicação", diz.

Em nota, a Meta reforçou que há um alerta luminoso que indica quando os dispositivos estão gravando e que os usuários são "responsáveis por cumprir todas as leis aplicáveis e por usar os óculos de forma segura e respeitosa". A empresa não comentou os casos em que o LED do produto é danificado. (leia a íntegra ao final da reportagem)

A empresa afirma que os óculos não capturam imagens quando o LED está "tapado". Mas o g1 testou o dispositivo e, ao cobrir o LED com o dedo, os óculos continuaram gravando após um comando de voz. A mensagem para liberar o sensor só apareceu ao pressionar o dedo com mais força e direcionar os óculos para um ambiente mais escuro. (veja abaixo)

Já o TikTok afirmou que analisou alguns dos vídeos compartilhados pelo g1 e que "todos foram removidos por violarem as Políticas de Privacidade da plataforma".

Contas no Instagram e no TikTok fazem pegadinhas com anônimos usando óculos inteligentes. — Foto: Reprodução/TikTok

Em janeiro, o portal de tecnologia Mashable denunciou casos nos Estados Unidos de criadores de conteúdo usando esses dispositivos para assediar mulheres e tirar sarro de pessoas em situação de rua e trabalhadores — como no caso do supermercado.

Para especialistas, as discussões e regras sobre o uso de óculos inteligentes ainda estão em desenvolvimento. Mesmo assim, algumas empresas já começaram a rever a presença desses dispositivos em seus espaços.

Em 2025, a MSC Cruzeiros, por exemplo, passou a proibir o uso do equipamento em áreas comuns dos navios, como piscinas. O embarque, porém, continua permitido. Segundo a empresa, a medida busca "proteger a privacidade e a segurança de hóspedes e tripulantes".

"Eu não posso ter um passageiro no navio capturando imagem de terceiros e postando direto na internet. Considerando tanto regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como da Constituição Federal, você teria que fazer o aviso prévio da captura em si de imagens e deixar claro a finalidade", contou ao g1 Patrícia Peck, advogada especialista em direito digital, em 2025.

Óculos da Meta têm LED para indicar quando estão gravando ou tirando foto. — Foto: Darlan Helder/g1

Entre as formas de burlar o aviso de gravação, existem adaptadores à venda que cobrem a luz indicativa e até técnicas na internet que ensinam como desativar esse alerta de privacidade, conta Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio).

Isso ganha relevância porque o uso desses dispositivos é mais discreto do que o de um celular. No smartphone, é preciso tirar o aparelho do bolso e apontá-lo para alguém. Já com os óculos, esse gesto praticamente desaparece, analisa Lemos.

"Se o aparelho vem de fábrica com uma salvaguarda que avisa sobre a gravação, quem hackeia o aparelho para desabilitar esse aviso já adota uma conduta fraudulenta para ocultar a gravação. Isso traz uma responsabilidade jurídica adicional", completa o especialista.

Duas delas aceitaram dar detalhes sobre a produção dos vídeos: Juan Eugenio, que tem 67 mil seguidores no TikTok, e Rafael Rabyot, que soma 1.777 seguidores na plataforma, mas acumula milhares de visualizações em seus conteúdos.

Os dois confirmaram que é possível burlar o sensor dos óculos Ray-Ban Meta. Rafael Rabyot disse que preferiu não arriscar danificar o equipamento e que tenta disfarçar a gravação usando "um gorro, boné ou algo do tipo".

Já Juan Eugenio afirmou que danificou o LED dos próprios óculos. Segundo ele, foi usada uma ferramenta comum em consultórios odontológicos. Sem a luz indicativa de gravação, ele admitiu que registra as pegadinhas sem que a "vítima" perceba.

Juan e Rafael afirmam pedir autorização antes de publicar os vídeos, mas nem todos os conteúdos mostram esse momento.

Juan relatou, inclusive, um caso em que uma pessoa voltou atrás e pediu a exclusão do conteúdo depois de vê-lo nas redes sociais.

Embora o produto da Meta seja o mais comum no Brasil, com preços a partir de R$ 3.299, outros modelos de marcas desconhecidas também são encontrados na internet por valores mais baixos e com funções semelhantes.

Não há informações claras sobre se esses dispositivos oferecem recursos de privacidade semelhantes aos da Meta.

Óculos inteligentes de marcas desconhecidas são vendidos em site de varejo no Brasil. — Foto: Reprodução

Quem é alvo de pegadinhas sem consentimento está amparado por diferentes mecanismos legais, segundo especialistas consultados pelo g1.

➡️ Caso não haja autorização, o primeiro passo é reunir provas do ocorrido. Isso inclui registrar o vídeo (com prints ou até por meio de uma ata notarial online), guardar o link do conteúdo publicado, identificar a conta responsável e salvar eventuais comentários, orienta o advogado Ronaldo Lemos.

"O TikTok e o Instagram têm canais de denúncia para casos de violação de privacidade e de direitos de imagem. Outro caminho é enviar uma notificação extrajudicial e, se necessário, recorrer à Justiça com um pedido de indenização por danos morais e materiais, além da remoção do conteúdo", diz.

Lemos afirma que, dependendo da situação, também é possível registrar um boletim de ocorrência, principalmente quando há exposição difamatória, assédio, bullying, stalking ou outras condutas que possam configurar crime.

Segundo ele, o tema tem respaldo na Constituição, que garante a proteção à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem (art. 5º, X). O Código Civil também prevê indenização em casos de violação desses direitos (arts. 20 e 21).

Já a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) considera a imagem um dado pessoal e exige base legal para seu uso.

O Superior Tribunal de Justiça tem a Súmula 403, que estabelece que o uso não autorizado de imagem para fins comerciais gera dano moral presumido, independentemente de prova de prejuízo. A publicação de vídeos virais, como reels que geram engajamento e podem ser monetizados, pode se enquadrar nessa hipótese.

CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025. — Foto: REUTERS/Carlos Barria

Fabricantes costumam alegar que não respondem pelo uso indevido do equipamento, assim como uma empresa de câmeras não é responsabilizada por gravações feitas de forma ilícita, afirma Ronaldo Lemos.

"Esse argumento, no entanto, está sendo testado em ações judiciais em curso nos Estados Unidos, que vale acompanhar", diz.

Via de regra, a responsabilidade pela conduta recai sobre o usuário que grava e divulga imagens de terceiros sem consentimento, com fundamento na teoria do risco ou na culpa, a depender da relação jurídica estabelecida, afirma Patrícia Peck.

"Entretanto, sob a ótica do Direito do Consumidor, pode haver responsabilidade do fabricante se não houver mecanismos adequados de segurança para o uso do dispositivo", diz a especialista, destacando que, no caso da Meta, já existe uma medida de privacidade, como o LED nos óculos.

No Brasil, um projeto de lei (PL 19/2026), do deputado Carlos Zarattini (PT), propõe regulamentar o uso, a comercialização e a operação de óculos inteligentes, além de criar o crime de uso para vigilância ilícita.

"Ao contrário dos smartphones, nossos óculos têm uma luz LED que é acionada sempre que alguém captura conteúdo, deixando claro que o dispositivo está gravando. Nossos Termos de Serviço deixam claro que os usuários são responsáveis por cumprir todas as leis aplicáveis e por usar os óculos Ray-Ban Meta de maneira segura e respeitosa. E, como acontece com qualquer dispositivo de gravação, as pessoas não devem usá-los para se envolver em atividades nocivas, como assédio, violação de direitos de privacidade ou captura de informações sensíveis".

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Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no ES

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Espírito Santo Agronegócios Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no ES O produtor adquiriu produtos anunciados como frutas e verduras exóticas, mas nada do que foi prometido nasceu. Por g1 ES

Um produtor rural do Espírito Santo caiu em um golpe após comprar sementes de frutas e verduras pela internet.

A cunhada dele encontrou na internet anúncios de sementes exóticas, como tomate negro, tomate gigante e melancia roxa, e decidiu comprar para presentear o produtor.

Segundo a família, as embalagens pareciam confiáveis, com manual de plantio e até QR Code com orientações.

Um produtor rural do Espírito Santo caiu em um golpe após comprar sementes de frutas e verduras pela internet. Em vez das espécies anunciadas, o agricultor Aldaécio Bermagini viu nascer apenas capim, em São Mateus, no Norte do estado.

Aldaécio Bergamini cultiva café, pimenta e mantém uma horta com variedades exóticas. Apaixonado por plantas diferentes, o agricultor costuma testar novas espécies na propriedade.

Entre os cultivos, ele já plantou berinjela branca, quiabo rosa, abacaxi sem espinho e até uma variedade de mandioca que pode ser consumida crua.

Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Dessa vez, no entanto, a novidade veio acompanhada de frustração. A cunhada dele, Lucineia Souza Pinheiros, encontrou na internet anúncios de sementes exóticas, como tomate negro, tomate gigante e melancia roxa, e decidiu comprar para presentear o produtor.

“Eu vi a semente diferente e comprei para ele plantar lá na roça. Mas, quando chegou, já achei suspeito”, contou Lucineia.

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Segundo a família, as embalagens pareciam confiáveis, com manual de plantio e até QR Code com orientações. Apesar disso, após o plantio, nenhuma das espécies prometidas se desenvolveu. No lugar, cresceram apenas mato e capim.

Após perceber o golpe, Aldaécio gravou um vídeo nas redes sociais para alertar outras pessoas. A publicação repercutiu e, segundo ele, vários usuários relataram ter passado pela mesma situação.

De acordo com a legislação brasileira, sementes comercializadas precisam seguir regras do Ministério da Agricultura, como identificação do produtor, CNPJ, nota fiscal e certificado de conformidade que comprove a qualidade do produto.

Produtor compra sementes pela internet, cai em golpe e recebe capim no Espírito Santo — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Depois do prejuízo, a família afirma que não pretende mais comprar sementes pela internet. "Na internet, não mais. Não recomendo", disse Lucineia.

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A paulistana filha de faxineira e pintor de paredes que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida: ‘Não acredito em fazer dinheiro e sair do país’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Trabalho e Carreira A paulistana filha de faxineira e pintor de paredes que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida: 'Não acredito em fazer dinheiro e sair do país' Rosana Paulino foi por muito tempo 'a única negra da sala', mas nunca se conformou com isso. Fez da falta de dinheiro na infância motor da criatividade por trás de obras que questionam a posição da mulher negra e o racismo e tornaram uma referência global da arte contemporânea. Por BBC

Rosana Paulino, a filha de faxineira que se tornou artista plástica mundialmente reconhecida — Foto: Raoni Maddalena / BBC News Brasil

No último Dia da Consciência Negra, Rosana Paulino chegou ao Museu de Arte do Rio de Janeiro, o MAR, não apenas como uma artista visual consagrada, mas também como curadora.

Era o lançamento de uma série de minidocumentários sobre 20 artistas brasileiros negros e negras que desenvolvem trabalhos "de excelência", como ela destacou ao lado do diretor Fabiano Maciel.

"Isso não é uma onda passageira. São artistas muito bem formados, com produções muito fortes e bem fundamentadas e que simplesmente não eram conhecidos", ressaltou Paulino perante a plateia. "Estamos dentro de um momento histórico."

O momento prolífico vem de caminhos abertos pela própria artista. Filha de um pintor de paredes e de uma faxineira, a paulistana é referência na arte brasileira e representa o país na 61ª Bienal Internacional de Veneza, ao lado da carioca Adriana Varejão.

No palco do MAR, estava à vontade no papel de decana da arte afro-brasileira. Voltar holofotes para o trabalho de outros artistas simboliza a generosidade dos seus 30 anos de carreira — e o contraste com o início de sua trajetória.

"Trabalhei praticamente dez anos sozinha quando comecei", conta a artista e educadora de 59 anos à BBC News Brasil, lembrando a ausência de artistas negros na cena contemporânea em meados dos anos 1990.

"Agora, a proliferação de artistas, críticos e curadores [afro-brasileiros] que temos… Esse é um panorama que eu não esperava ver em vida", comemora.

'Comigo Ninguém Pode', nome da exposição do Pavilhão do Brasil em Veneza, surge da obra à direita, da série Senhora das Plantas, de Paulino. À esquerda, Monocromo Maragogipinho, de Adriana Varejão — Foto: Rafa Jacinto/Fundação Bienal de São Paulo

Paulino vem enfileirando feitos nos últimos anos. Teve exposições individuais em cidades como Buenos Aires, Bruxelas e Nova York, onde descortinou um painel de nove metros de altura na High Line.

Teve obras compradas pela Tate Modern, em Londres, e pelo MoMA (o Museu de Arte Moderna de Nova York), além de ter recebido prêmios como o Munch Award (que a destacou como "voz de liderança do feminismo negro" em sua primeiríssima edição, em 2024) e o Jane Lombard de Arte e Justiça Social (em reconhecimento por História Natural, de 2016, livro em que explora as histórias entrelaçadas da ciência e da violência racial).

Em um país com mais de 55% da população negra e parda, fingir que a visualidade brasileira é só aquilo que está nos museus, seguindo os critérios europeus ou o americano, é uma "sandice", diz Paulino.

"Não podemos ter um sistema de artes visuais como tínhamos, ou ainda temos. Isso é uma aberração. O Brasil é um país que não olha para si mesmo, que não se enxerga. A entrada de negros e negras no panorama do país é salutar. Temos uma visualidade muito forte, e boa parte vem das produções negras e indígenas."

A instalação Tecelãs (2003) recebe os visitantes na entrada do Pavilhão do Brasil em Veneza, com pequenas esculturas feitas com faiança, terracota, algodão e fios sintéticos — Foto: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

Ao lado de Adriana Varejão, Rosana Paulino comanda o pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, em uma edição composta apenas de mulheres, sendo duas negras — a curadoria deste ano coube a Diane Lima, a primeira mulher negra alçada a este cargo.

"É uma oportunidade de discutir a formação do país de uma maneira sofisticada, apresentando para o mundo, junto com a Varejão, um Brasil diferente, que muita gente não sabe que existe e que é fortemente marcado pela questão negra e pela relação com a natureza", diz Paulino.

O título da mostra, "Comigo Ninguém Pode", vem de uma das obras de Paulino, da série Senhora das Plantas, em que retrata mulheres com galhos, folhas e raízes em plena metamorfose com plantas de poder.

Popular e com potencial tóxico, a comigo-ninguém-pode fala de "proteção, resiliência e estratégias de sobrevivência em contextos hostis", descreve Paulino.

Não é a primeira vez de Paulino na Bienal de Veneza. Em 2022, ela foi convidada pela curadoria internacional para a mostra principal.

"É muito simbólico que Rosana esteja no pavilhão brasileiro depois de estar na exposição principal", diz Igor Simões, que foi cocurador de sua mostra individual no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, o Malba, em 2024.

"A curiosidade estrangeira veio antes de o Brasil entender o quão gigante é a sua produção. Tê-la no pavilhão faz crer que o país esteja interessado em olhar para si mesmo, e para a matéria da qual é feito."

Trabalhando com desenhos, pinturas, bordados, gravura, colagem, escultura e instalações, Paulino desenvolve obras que refletem sobre a posição da mulher negra, a ancestralidade e as marcas do colonialismo e da escravidão na sociedade brasileira.

Ela desconstrói imagens e teorias racistas de pseudociências que propagavam a inferioridade do negro para justificar a escravidão. "O racismo científico foi pouco estudado, mas é fundamental para entender a desumanização e a desvalorização desse corpo, a ponto de ser totalmente descartável", afirma.

"Sem isso, a gente não entende como a polícia mata do jeito que mata. A gente não entende como 117 pessoas foram mortas no Rio de Janeiro naquele massacre [nos complexos do Alemão e da Penha]. A morte do cachorro Orelha causou mais comoção do que 117 mortos enfileirados."

Em Aracnes, Paulino costura retratos de mulheres negras com fios que remetem a teias de aranhas — Foto: Rafa Jacinto / Fundação Bienal de São Paulo

Paulino nasceu e cresceu na Freguesia do Ó, na Zona Norte de São Paulo, à época ainda um bairro rural, onde a mãe criava galinhas e mantinha uma horta. O pai começou a vida descarregando caminhão de açúcar, até aprender o ofício de pintor de paredes. A mãe foi faxineira durante boa parte da vida e bordava para complementar a renda.

"Nunca passamos fome, mas não tínhamos luxos", lembra Paulino, uma entre quatro irmãs. Ela passou uma infância de interior, brincando na rua, subindo em árvore, fazendo experimentos com cupim, coisa de quem logo cedo decidiu que iria estudar biologia, e juntou dinheiro na adolescência para assinar a revista Ciência Hoje.

Ao lado do fascínio pela natureza, havia o gosto pelo que podia criar com as mãos. Com barro tirado de um braço de rio perto de casa, sua mãe modelava mesinhas e cadeiras para as bonecas das filhas, que entravam no jogo. Adoravam desenhar e brincavam com personagens que criavam no papel.

"Uma coisa que poderia ser um empecilho, que era falta de dinheiro para comprar brinquedo, ela acabou transformando em um motor para criatividade", diz Paulino sobre a mãe, que até então só havia completado a terceira série, mas tinha forte intuição para educação. "Acho que o germe da escolha pela profissão de artista vem muito da minha infância."

Quando a mãe descobriu um curso de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, incentivou a filha então com 15 anos a se matricular. Chegou ao vestibular com o coração bifurcado. Passou em biologia na Unicamp e em artes visuais na Universidade de São Paulo (USP). Nunca fez o primeiro curso, mas acabou entrelaçando os dois campos, trazendo a natureza para sua obra.

Paulino chegou ao doutorado na Escola de Comunicações e Artes Visuais da USP e se especializou em gravura no London Print Studio, em Londres, com uma bolsa da Capes, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

A temporada na Inglaterra foi essencial para acompanhar o que estava acontecendo e sendo debatido fora do país, em uma época em que a internet engatinhava.

Na primeira semana do bacharelado na USP, em uma das primeiras aulas, ouviu do professor: "Esqueçam tudo que vocês aprenderam. Agora vocês serão artistas eruditos".

"Tá, agora eu faço o quê? Tiro minha pele e largo lá na porta?", ela rememorou no Canal Curta!. "Porque não é tema, é vivência. Não é tema, é necessidade. Não é tema, é ancestralidade."

A escultura Crisálida (2026) foi feita por Rosana Paulino especialmente para a Bienal de Veneza, em bronze, dando forma ao desenho de uma gravura que fez 20 anos atrás — Foto: Rafa Jacinto/ Fundação Bienal de São Paulo

Depois de desbravar os espaços elitizados da arte contemporânea, Paulino ajudou a puxar uma geração de artistas negras e negros, muitos amadrinhados por ela, que carinhosamente a chamam de "dinda".

Alguns são retratados nos minidocumentários da série Raiz, do Canal Curta!, como o artista Dalton Paula e o curador Igor Simões.

Simões ressalta seu papel de professora, orientadora e abre-alas para inserir "vozes negras no cubo branco da arte brasileira", tomando emprestado o nome do ciclo de debates que o aproximou de Paulino, uns 15 anos atrás, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul — e que acabou virando um marco em sua carreira e ensejando sua tese de doutorado.

"Rosana nunca se contentou com a possibilidade de ser a única negra da sala. Ainda mais uma sala repleta de pensamentos, ideologias e imaginários brancos. Ela fez de sua trajetória uma porta aberta para que outras pessoas pudessem chegar", afirma o curador, que agora comanda uma mostra de artistas afro-brasileiros em Nova York.

Paulino conta que optou por não ter filhos porque não queria renunciar à carreira. Foi então que os afilhados começaram a chegar. "Eles que me escolhem como madrinha, não sou eu que adoto", diverte-se.

Ela responde como a orientadora generosa que muitos pós-graduandos sonham em ter, mostrando o caminho das pedras. "Eu digo: 'Você vai ler isso, você precisa falar com fulano e beltrano, você precisa ir para tal museu, você precisa desenvolver isso no seu trabalho'. Começo a dar uma série de referências de artistas e teóricos. Uns dizem que sou a mãe de santo das artes", conta ela, filha de Ogum com Iansã.

Paulino desenvolveu Parede da Memória ainda como estudante na USP. A obra foi decisiva em sua carreira, hoje parte do acervo da Pinacoteca de São Paulo — Foto: Isabella Matheus

O reconhecimento na esfera internacional proporcionou a Paulino "muitas cantadas" para sair do país, "sobretudo de universidades americanas".

No entanto, ela permanece com os pés fincados na Zona Norte paulistana, onde nasceu. Seu ateliê, uma casa de três andares com luz natural e paredes verde claro, fica em Pirituba, bairro de classe média cortado pela Linha 7 do Trem Metropolitano de São Paulo.

"Não acredito em fazer dinheiro e sair do país, ou em fazer dinheiro e sumir da minha região", diz ela.

Em Pirituba, ela comprou uma casa em frente ao seu ateliê. Basta atravessar uma praça, onde há sempre crianças brincando e onde sua equipe distribui cachos de bananas que crescem no quintal.

Sua ideia é transformar o espaço em um centro de pesquisas para receber estudantes e jovens artistas, com uma biblioteca especializada em arte, diáspora, questões afro-brasileiras e bibliografia da América Latina, Ásia, Oriente Médio, como uma tentativa de preencher lacunas de uma formação centrada na Europa e nos Estados Unidos.

"Tenho que ter uma ação comunitária além da produção de arte, senão minha vida não teria sentido", afirma.

No amplo quintal da nova casa, há espaço para suas plantinhas e uma horta que quer plantar, mas ainda não teve tempo, e um horizonte livre com vista para o verde da mata e o Pico do Jaraguá.

"O meu temperamento sempre foi assim, muito inquieto. Essa coisa de ficar parada, reclamando, chorando, não funciona comigo", diz Paulino. "Não que transformar o status quo seja fácil. Não é."

"Mas temos que arregaçar as mangas e ir em frente", ela afirma. "Gosto de mudança. Gosto de ver o país se olhando, se reconhecendo e avançando.

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‘Personal organizer’: como o serviço de organização exclusiva virou negócio que rende até R$ 20 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 24/05/2026 04:47

Empreendedorismo Guia do empreendedor ‘Personal organizer’: como o serviço de organização exclusiva virou negócio que rende até R$ 20 mil por mês Profissão surgiu nos anos 1980, nos Estados Unidos, chegou ao Brasil há cerca de 15 anos e ainda não é regulamentada. Associação pede CNAE próprio desde 2019. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

O serviço de personal organizer vai além da organização visual, foca em funcionalidade, bem-estar e rotina personalizada — e pode gerar faturamento mensal de até R$ 20 mil.

A atividade chegou ao Brasil há cerca de 15 anos, ganhou força na pandemia e ainda não é regulamentada, apesar do crescimento acelerado do mercado.

O público inclui famílias, profissionais em home office, empresas e pessoas em momentos de transição, como mudanças ou luto; os valores variam conforme o projeto.

A formação é essencial, os ganhos não são imediatos e o trabalho exige preparo técnico, físico e emocional, além de visão empreendedora para crescer na área.

Imagine ter um guarda-roupa organizado por cores, tipos de peças, alturas e estações, ou uma cozinha em que cada item está exatamente onde faz sentido para o uso diário. Essa rotina, antes associada quase exclusivamente às celebridades, tornou-se cada vez mais comum graças ao trabalho das personal organizers — ou organizadoras pessoais, em português.

Essas profissionais organizam ambientes de forma funcional, com foco na otimização de espaço, praticidade na rotina e bem-estar do cliente. O serviço é personalizado, varia conforme o perfil do cliente e, em alguns casos, pode render até R$ 20 mil por mês, embora os ganhos dependam da experiência da profissional, da região e do tipo de projeto realizado.

Segundo Ana Alarcon, presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), a atuação vai muito além da estética. “O trabalho começa entendendo a rotina e as necessidades de cada cliente. Não existe organização padrão, porque cada casa e cada pessoa funcionam de um jeito”, afirma.

De acordo com o Sebrae, a maior parte das personal organizers atua em residências, organizando desde um único cômodo até imóveis inteiros. O mercado, no entanto, também alcança nichos específicos, como organização de closets, assessoria de mudanças e até ambientes corporativos, incluindo escritórios, consultórios e lojas.

A profissão começou a se estruturar na década de 1980, nos Estados Unidos. Embora não haja registros históricos precisos sobre esse início, a atividade foi ganhando espaço em outros países ao longo dos anos. No Brasil, o movimento começou por volta dos anos 2000 e passou a se consolidar há cerca de 15 anos, ainda de forma pouco conhecida no início.

O boom mais recente ocorreu durante a pandemia, quando a casa passou a concentrar trabalho, escola e convivência. A sobrecarga dos ambientes escancarou a desorganização de muitas rotinas domésticas. Ao mesmo tempo, vídeos de “antes e depois” no Instagram e no TikTok impulsionaram o interesse pelo serviço e ajudaram muitos profissionais a iniciar carreira durante o isolamento.

Hoje, a demanda vem principalmente de famílias com jornadas intensas, trabalhadores em home office, pessoas em processo de mudança, clientes que acumulam objetos ou que simplesmente não conseguem manter uma rotina funcional sozinhas.

Em momentos mais delicados, o serviço também é procurado em situações de divórcio ou luto, quando a reorganização da casa acompanha a reorganização da vida. Para se profissionalizar na área, não há exigência de formação superior específica.

O g1 ouviu especialistas do setor, profissionais de referência e representantes de instituições para explicar o universo das personal organizers a partir de seis pontos:

Do CLT para o negócio próprio Profissão não regulamentadaCursos e formaçõesQuem são os clientes?Quanto custa contratar um personal organizer?Dicas para quem quer começar

O caminho para o empreendedorismo costuma se repetir: mulheres sobrecarregadas pela rotina corporativa, apaixonadas por organização e que encontram na profissão uma forma de empreender — muitas vezes faturando mais do que no trabalho com carteira assinada.

É o caso de Cora Fernandes, de 38 anos, personal organizer desde o fim de 2016. Antes da mudança de carreira, ela trabalhou por anos em uma concessionária, onde começou como auxiliar financeira e chegou ao cargo de coordenadora de atendimento ao cliente.

Apesar da estabilidade no trabalho por meio do regime CLT, já não se identificava com a vida corporativa. Mãe de três filhos, Cora sempre teve facilidade para organizar a casa e estruturar rotinas.

A virada aconteceu quando uma colega percebeu esse talento e sugeriu que ela conhecesse o mercado de organização profissional. Curiosa, ela pesquisou a profissão, fez um curso no Senac São Paulo e começou a atender os primeiros clientes.

No início, a empreendedora ingressou na atividade impulsionada por indicações no boca a boca e pelas redes sociais, em um período em que a profissão ainda era pouco conhecida no Brasil.

Cora Fernandes atua como personal organizer há cerca de dez anos. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Com o tempo, Cora consolidou a marca e passou a atuar exclusivamente como personal organizer. Ao atender celebridades como Fernanda Souza e Sheron Menezzes, ela ganhou visibilidade nas redes e percebeu a necessidade de profissionalizar a comunicação.

“Hoje eu digo que não consigo viver apenas da organização. Passei a trabalhar também com comunicação voltada à organização. Sou personal organizer, mas entendi a necessidade de me formar em marketing, porque além dos atendimentos, eu tenho uma rede com mais de 200 mil seguidores. Falar sobre organização também faz parte do meu trabalho". resume Cora Fernandes.

Trajetória semelhante é a de Josilene Maria Martins, a Josi Martins, que trabalha há 11 anos na área. Atualmente com 37 anos, ela teve o primeiro contato com o universo da organização enquanto atuava no setor de marketing de uma indústria metalúrgica que fabricava organizadores.

No dia a dia, percebeu como os produtos eram adaptados para diferentes usos, o que despertou seu interesse pelo segmento. A princípio, a ideia era entender melhor esse público para contribuir com a empresa.

Mas o que começou como pesquisa virou mudança de carreira. Em busca de renda extra, Josi passou a atender clientes à noite e nos fins de semana. Em três meses, já faturava o dobro do salário CLT. A decisão veio naturalmente: pediu demissão e passou a se dedicar integralmente ao novo negócio.

Desde então, investiu em formação e se especializou em nichos como organização pós-mudança e marcenaria, o que abriu portas para trabalhos com arquitetos e projetos de alto padrão.

Hoje, lidera uma equipe, atua em diferentes estados e diversificou a atuação com cursos, mentorias, venda de produtos e produção de conteúdo, alcançando faturamento mensal em torno de R$ 20 mil.

Josi Martins atua como Personal Organizer há 11 anos, além de ter uma loja de organizadores. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Já Isabela Sekulic, de 29 anos, começou durante a pandemia. Natural de Curitiba (PR), ela atravessava um período de incertezas profissionais e trabalhava como gerente na loja da mãe. “Eu estava cansada, nada me brilhava os olhos”, lembra.

Com o isolamento social, Isabela retomou um hobby de infância: organizar o guarda-roupas. Ao compartilhar a organização da própria casa nas redes sociais, os vídeos começaram a viralizar. Incentivada pela família, decidiu se profissionalizar e começou um curso on-line de personal organizer.

Enquanto aprendia as técnicas e estudava edição de vídeo, o perfil nas redes continuavam crescendo. Ainda durante a formação, surgiu o primeiro trabalho remunerado: uma amiga pediu que ela organizasse seu guarda-roupa. “Foi ali que tudo começou”, conta.

A partir desse momento, Isabela passou a unir o conhecimento teórico à prática diária. As redes sociais seguiram como principal vitrine – e também como acelerador da carreira. O método visual que adotou, inspirado no estilo norte-americano "The Home Edit", com organização por cores, tornou-se sua marca registrada.

Com o aumento da visibilidade, ampliou os atendimentos, formou equipe e passou a atuar em diferentes cidades. A demanda crescente a levou também ao ensino, com a criação de um curso profissionalizante focado no chamado “método arco-íris”, que hoje representa um dos principais pilares financeiros da empreendedora.

Atualmente, ela vive exclusivamente da profissão e fatura, em média, R$ 10 mil por mês apenas com projetos de organização – valor que cresce quando somado à venda de organizadores e ao curso on-line, que reúne alunas de diversas regiões do país.

Multifacetado, o negócio de Isabela envolve organização profissional, produção de conteúdo e ensino. No centro de tudo, porém, permanece a mesma motivação que surgiu ainda na infância: transformar o caos em funcionalidade e beleza por meio da organização.

Isabela Sekulic, de 29 anos, tem como foco o “método arco‑íris” – a organização por cores. — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

Na prática, o trabalho do personal organizer começa com a compreensão da rotina e das necessidades de quem utiliza o espaço. A partir disso, são realizadas etapas como triagem, categorização, redefinição de fluxo e implantação de sistemas que permitam manter a organização no longo prazo.

A própria associação do setor define a atividade como a criação de sistemas personalizados a partir da análise da rotina diária do cliente, com o objetivo de promover bem-estar físico e psicológico.

“No nosso trabalho, é essencial respeitar o estilo de vida e a individualidade de cada cliente. Cada casa tem sua história e cada pessoa, necessidades únicas”, resume Ana Alarcon.

No dia a dia, isso se traduz em serviços que vão da organização de um closet ou cozinha até casas inteiras, escritórios e projetos pós-mudança, incluindo o treinamento de famílias e equipes de apoio, como diaristas, empregadas domésticas e babás.

Apesar da expansão do mercado, a profissão ainda não é regulamentada. A ocupação foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022 e, desde 2019, a associação do setor acompanha um pedido para a criação de uma Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específica.

Especialistas e profissionais ouvidos pelo g1 ressaltam que a formação é uma etapa fundamental para quem deseja ingressar na carreira. Gostar de organizar não é suficiente: é preciso aprender métodos, técnicas e processos para atuar de forma profissional.

Como não há curso técnico ou universitário específico, todas as formações disponíveis no mercado se enquadram como cursos livres, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), mas sem caráter de graduação.

Essas capacitações são oferecidas por escolas independentes, instituições de ensino e, em muitos casos, por profissionais experientes da área. Algumas faculdades também disponibilizam a formação no formato de cursos de extensão.

Há opções de cursos básicos e especializações em nichos específicos, como organização pós-mudança, closets, cozinhas e ambientes corporativos. Profissionais relatam que o investimento inicial costuma variar entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, valor que pode aumentar ao longo da carreira com congressos, certificações, mentorias e deslocamentos.

Segundo Ana Alarcon, o mercado foi estruturado, em grande parte, por escolas pioneiras que surgiram há mais de uma década e formaram a base dos profissionais que atuam hoje. Após a pandemia, houve uma explosão de novas ofertas, ampliando tanto o acesso a cursos de qualidade quanto a presença de formações superficiais.

Diante disso, a associação passou a desenvolver critérios objetivos para orientar quem deseja se qualificar. A recomendação é avaliar quem é o formador, há quanto tempo atua no mercado, quantas turmas já formou e qual a experiência prática oferecida.

A ANPOP prepara para 2026 o lançamento de um selo de recomendação para cursos que atendam a critérios mínimos de qualidade. Ana ressalta ainda que nem todos que buscam uma formação pretendem atuar profissionalmente.

Ana Alarcon atua como personal organizer e é presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP). — Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução Redes Sociais

O serviço de organização profissional deixou de ser restrito à classe alta. Hoje, clientes da classe média também contratam personal organizers por falta de tempo, sobrecarga de trabalho ou picos de desorganização após reformas e mudanças.

Casais jovens, mães com rotinas intensas, aposentadas e homens solteiros estão entre os principais perfis atendidos, além de empresas, clínicas e estoques comerciais. Segundo a associação, a procura vem, em geral, de pessoas que não conseguem, sozinhas, colocar a própria casa em ordem.

“A organização deixou de ser vista como algo exclusivo de celebridades. Hoje existem diferentes formatos de atendimento, como diárias, projetos completos ou consultorias, o que amplia o acesso”, explica Ana Alarcon.

Quanto à sazonalidade, o pico de demanda costuma ocorrer entre novembro e dezembro, quando clientes buscam preparar a casa para festas e férias. Janeiro e fevereiro tendem a ser meses mais fracos, embora profissionais consolidadas mantenham a agenda cheia ao longo do ano.

Não existe tabela nacional nem piso salarial. As profissionais podem cobrar por hora, diária, ambiente ou projeto fechado. Os valores dependem do volume de itens, do número de cômodos, da necessidade de assistentes, do deslocamento e da compra de organizadores.

“Já realizei projetos de mudança que duraram 36 horas e outros que se estenderam por dois meses. Os valores podem variar de R$ 800 a R$ 100 mil”, afirma Ana Alarcon. Segundo ela, o preço é definido pela complexidade do projeto, tempo envolvido, tamanho da equipe e nível de dedicação exigido.

Entre os principais desafios da profissão estão a desvalorização do ofício, a resistência dos clientes às mudanças, o esforço físico e as dificuldades logísticas. Outro obstáculo comum no início da carreira é a instabilidade de renda.

“É extremamente raro alguém recém-formado alcançar faturamentos altos logo no primeiro mês”, afirma Ana Alarcon. No começo, os ganhos podem girar em torno de R$ 4 mil mensais, a depender da região e da capacidade de captação de clientes.

➡️ Ir além da técnica: buscar formações que incluam atendimento ao cliente, ética, precificação, marketing e gestão — não apenas organização prática.➡️ Construir portfólio: começar por ambientes próprios ou de pessoas próximas para gerar antes e depois consistentes e divulgar nas redes sociais.➡️ Atuar como assistente: trabalhar em equipes mais experientes ajuda a acelerar o aprendizado e garante maior segurança financeira no início.➡️ Encontrar um nicho: áreas como mudanças, closets, brinquedotecas, cozinhas, marcenaria ou empresas facilitam o fechamento de projetos mais complexos.➡️ Precificar com método: considerar mão de obra (própria e da equipe), custos fixos e variáveis, materiais, deslocamento e margem de lucro, fechando projetos conforme o domínio do tempo de execução aumenta.

“Quem quer trabalhar como personal organizer precisa entender que é uma atividade de prestação de serviço. É preciso gostar de pessoas, ter neutralidade e respeito ao entrar na casa do cliente”, afirma Ana Alarcon.

A professora Caroline dos Santos Simões, do Senac São Paulo, afirma que apesar dos desafios, o mercado segue em expansão, impulsionado pela busca por bem-estar, produtividade e otimização dos espaços.

"Trata-se de uma profissão com baixo investimento inicial, grande possibilidade de personalização dos serviços e potencial de crescimento, seja por meio da ampliação da atuação presencial, da oferta de consultorias on-line ou do desenvolvimento de produtos e treinamentos", finaliza.

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De ‘carro de patrão’ a esquecido: por que os sedãs estão sumindo do Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 03:47

Carros De ‘carro de patrão’ a esquecido: por que os sedãs estão sumindo do Brasil Em 10 anos, sedãs deixaram de ser quase 30% dos emplacamentos para chegar a 12%. Nesse intervalo, os SUVs dispararam em vendas: passaram de 14% para quase 55% do mercado. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Hoje pode soar estranho, mas o tipo de carro mais vendido no Brasil em 2015 era o sedã. Em 10 anos, porém, o mercado passou por uma transformação profunda, e o modelo preferido dos consumidores mudou: agora, é o SUV.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 29% dos carros zero quilômetro vendidos em 2015 eram sedãs. Em 2025, a participação desses modelos caiu para 12%.

Nesse mesmo intervalo de tempo, os SUVs dispararam em vendas: passaram de 14% para quase 55% do mercado.

“Eu vejo a queda dos sedãs muito mais como uma perda de protagonismo do que um abandono. O SUV virou o ‘carro padrão’ da família brasileira”, afirma Murilo Briganti, sócio da Bright Consulting.

Segundo ele, a diferença cada vez menor de preços entre SUVs e sedãs influenciou a escolha do consumidor. Na faixa dos R$ 110 mil, convivem modelos como Volkswagen Virtus e T-Cross. Já na casa dos R$ 200 mil, estão Toyota Corolla e Corolla Cross.

Milad Kalume Neto, consultor automotivo, pensa parecido e avalia que a chegada de vários SUVs de entrada — como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Chevrolet Sonic e outros — tende a reduzir ainda mais o espaço dos sedãs no mercado.

“Provavelmente teremos picos de vendas com 50% de participação ao longo do ano”, afirma Kalume Neto.

Embora o mercado de sedãs tenha encolhido bastante, ainda existe um público cativo, quase de nicho, que ajuda a evitar o desaparecimento desses modelos das ruas brasileiras.

Para Kalume Neto, o segmento conhecido como “carro de patrão” foi o menos afetado. “Aquela imagem do CEO de uma empresa saindo de um Fiesta Hatch? Não, né! O cara sai de Mercedes Classe C, E, SL… todos sedãs!”, diz.

Na avaliação do consultor, a exclusividade dos sedãs mais caros faz com que esses modelos praticamente não disputem espaço com os SUVs de luxo.

Essa diferença fica clara no gráfico abaixo. Os sedãs grandes, que normalmente concentram os modelos mais caros e voltados ao público executivo, mantiveram uma trajetória mais estável nos últimos 10 anos.

Já os modelos pequenos despencaram, passando de 17% para menos de 3% das vendas — queda de quase 83% em uma década.

“Chegou a ter uma certa competição com as SUVs, mas em geral é inatingível numa série de aspectos, entre os quais, a exclusividade”, diz Milad sobre a preferência pelos sedans mais corporativos.

Kalume Neto e Briganti também concordam que taxistas e motoristas de transporte por aplicativo ajudam a sustentar o volume de vendas dos sedans.

“Frotas, locadoras, motoristas de app e taxistas valorizam espaço interno, conforto e custo operacional”, diz Briganti.

O espaço do porta-malas também é um fator relevante para sustentar as vendas entre consumidores que transportam mais bagagem ou costumam fazer viagens mais longas.

“Existe um público mais tradicional que ainda prefere o sedan pela dinâmica: carro mais baixo, centro de gravidade mais próximo do solo, melhor estabilidade em estrada”, aponta o especialista.

Não há como falar de sedã sem citar o Toyota Corolla. Por isso, o g1 passou uma semana a bordo da versão Altis Hybrid para entender se a escolha ainda faz sentido.

O Corolla oferece acabamento com materiais macios ao toque em grande parte da cabine, deixando o uso de plástico rígido restrito a poucos pontos.

Entre os SUVs concorrentes, esse nível de cuidado com os materiais não é tão presente quanto no sedã da Toyota. Modelos como Volkswagen Taos, Nissan Kicks e Hyundai Creta, por exemplo, utilizam muito mais plástico rígido na cabine.

O Corolla conta com uma central multimídia satisfatória, de 10,1 polegadas, com espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de teto solar. O modelo também oferece piloto automático adaptativo, que consegue manter o carro centralizado mesmo em trechos sem faixas pintadas.

Comparado ao Corolla Cross, SUV que herdou seu nome, as diferenças ficam mais evidentes no espaço interno. O sedã tem cerca de seis centímetros a mais de entre-eixos, o que se traduz em maior conforto para passageiros mais altos no banco traseiro.

O porta-malas também é maior, mas apresenta a limitação comum aos sedãs: a altura é restrita pela carroceria e pelo vidro traseiro. Para quem precisa transportar objetos mais altos, o SUV continua sendo a alternativa mais indicada.

Para não dizer que o sedã leva vantagem em todos os aspectos, o Toyota Corolla Cross adota uma solução mais moderna ao oferecer freio de estacionamento eletrônico. Além de manter o carro parado no semáforo sem a necessidade de pressionar o pedal ou acionar uma alavanca, o sistema permite que o piloto automático adaptativo pare o veículo completamente.

Esse é um detalhe relevante para quem procura um pacote mais completo. Ainda assim, no sedã, a posição de dirigir mais baixa transmite maior sensação de segurança em curvas e reforça um caráter esportivo que o SUV não oferece.

Dessa forma, o Corolla sedã oferece uma condução mais interessante, reforçada pelo desenho mais aerodinâmico da carroceria.

Já o Corolla Cross aposta em linhas mais retas e se destaca ao enfrentar lombadas e valetas. Nos testes, não foram raras as situações em que o sedã raspou o para-choque ao entrar em rampas de estacionamento ou ao circular por vias com muitas valetas.

Com isso, fica claro que o sedã continua sendo uma ótima aposta em dirigibilidade para quem gosta de estar ao volante. Mas o SUV virou mania nacional, faz sentido para quem prioriza conforto no uso urbano e precisa de mais altura para transportar volumes maiores no porta-malas.

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Ex-modelo conta como Jeffrey Epstein usava falsas propostas de trabalho para atrair vítimas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/05/2026 03:47

Trabalho e Carreira Ex-modelo conta como Jeffrey Epstein usava falsas propostas de trabalho para atrair vítimas Investigações apontam que a rede explorava a vulnerabilidade profissional de modelos com promessas de carreira internacional. Por RFI

A ex-modelo francesa Juliette posa durante uma sessão de fotos em Paris em 10 de março de 2026 — Foto: Joël Saget / AFP

Após a procuradora Laure Beccuau revelar à rádio RTL que novas potenciais vítimas de Jeffrey Epstein procuraram a promotoria de Paris, a ex‑modelo francesa Juliette, hoje com 43 anos, decidiu contar como escapou há mais de 20 anos.

Seu relato surge enquanto duas investigações avançam na França sobre violência sexual e aspectos financeiros ligados à rede do milionário.

Quatro meses após a divulgação dos “Epstein Files” pela justiça dos EUA, novos testemunhos continuam emergindo. Na França, ao menos dez potenciais vítimas se apresentaram à promotoria de Paris, segundo informou a procuradora Laure Beccuau, em entrevista à rádio RTL.

Entre elas está Juliette, ex‑modelo francesa que, aos vinte e poucos anos, cruzou o caminho de Jeffrey Epstein – sem saber quem ele era – e conseguiu escapar antes de ser capturada pela engrenagem de exploração sexual que hoje é investigada em vários países.

Juliette guardou quase tudo daquela época: o book, e‑mails, anotações e até a agenda onde escreveu à mão os contatos de Epstein e de Daniel Siad, um recrutador de modelos.

Anos depois, descobriria que Siad era suspeito pelo FBI de identificar e recrutar jovens para o milionário. Foi ele quem a abordou em Paris, em 2004, entre dois castings, oferecendo “oportunidades” em Nova York. Sua agência confirmou que Siad era “confiável”. Juliette aceitou.

“Me deram o endereço de um apartamento em Nova York. Não sabia se era ligado a uma agência. Não me deram detalhes, nem horários, nada. Presumi que era profissional. Se não me davam informações, era porque não havia perguntas a fazer.”

O primeiro encontro: passaporte retido e mal‑estar  Ao chegar a Nova York, Juliette encontrou Epstein rapidamente. Ele não tinha “tempo para recebê‑la”, tomou seu passaporte e marcou para o dia seguinte.

Sua mãe, desconfiada, ligou para alertá‑la sobre o risco de uma rede de tráfico sexual. Juliette hesitou, mas decidiu voltar: “Nada tinha acontecido. Eu tinha um objetivo: conseguir contrato.”

Epstein tentou deixá‑la à vontade, mostrou o apartamento, apresentou um estúdio que não parecia profissional. Fotos de close de partes íntimas de mulheres cobriam paredes.

“Olhei com curiosidade e pensei: que fascinação é essa? Achei inadequado. Comecei a me sentir mal.”

Ele a conduziu por um corredor com quartos. Sentou‑se na cama e fez sinal para que ela se aproximasse. Juliette parou na porta:

“Te aviso, não vou fazer nada.” Epstein recuou, disse que só queria “avaliar” se poderia apresentá‑la às agências. Ela entrou. Ele pediu que ficasse de roupa íntima – comum no meio – mas também que tirasse o sutiã, o que não era.

Epstein a examinou, tocou suas coxas, quadris, nádegas. Disse que ela “não estava pronta”, que precisava perder peso e que levaria três meses até ser apresentada às agências. Ofereceu acesso a academias e “pequenos trabalhos” enquanto esperava: aeromoça em jato privado, acompanhante à noite. Foi aí que Juliette entendeu o risco.

“Acho que ele sentiu que eu não ia permitir, ou que eu tinha entendido como funcionava”, relembra a jovem. Ela ficou mais alguns dias em Nova York, fez castings, mas percebeu que estava “queimada” em todas as agências. “É uma loucura.”

“Vergonha se fosse uma oportunidade de trabalho que perdi. Vergonha se fosse uma rede criminosa, por ter acreditado que podia ser outra coisa.”

Em 2019, ao ouvir o nome de Epstein no rádio, Juliette entrou em choque. Só então compreendeu o que havia escapado. Sua história, reconstruída com base nos documentos que guardou e no depoimento prestado à polícia francesa em 2019, revela como funcionava o processo de aliciamento do predador. (Entenda mais abaixo)

Epstein já tinha sido condenado em 2008 por solicitação de prostituição e incitação de menores, cumprindo apenas 13 meses. Em 2019, foi preso novamente e encontrado morto na cela um mês depois.

Juliette prestou depoimento à polícia francesa em 2019. Seu nome aparece nos “Epstein Files”, os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro de 2026. Ela acredita que o milionário a expor a “níveis de submissão” para medir até onde iria em troca de trabalho.

As investigações abertas na França – uma sobre violência sexual, outra sobre aspectos financeiros – buscam entender como funcionava a rede de Epstein em Paris, onde ele viveu por anos.

Recrutadores identificavam jovens modelos, mas também algumas em fim de carreira, oferecendo contratos internacionais. A vulnerabilidade profissional era explorada como porta de entrada.

Juliette reconhece hoje os sinais: a falta de informações, o visto inadequado, o apartamento sem vínculo com agência, o controle do passaporte, a pressão psicológica, a promessa de “oportunidades” nebulosas. “Ele testava limites. Era um processo.”

“Eu não sabia quem ele era. E tinha vergonha.” Hoje, aos 43 anos, ela tenta reconstruir a narrativa da própria vida. “Passei anos revendo a cena. Só em 2019 entendi de verdade.”

Seu testemunho, agora público, ajuda a mapear o funcionamento da rede e a compreender como tantas jovens foram capturadas por um sistema que misturava glamour, poder e violência.

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