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Alvo de operação contra fraude em aposentadorias recebeu auxílio emergencial durante a pandemia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 09:42

São Paulo Alvo de operação contra fraude em aposentadorias recebeu auxílio emergencial durante a pandemia Dono da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Américo Monte Júnior mora em uma casa de alto padrão em Alphaville, conhecido por seus condomínios luxuosos na Grande SP. Defesa não foi localizada. Por Léo Arcoverde, Amanda Lüder, GloboNews, TV Globo e g1

Um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto realizada nesta quarta-feira (27), que mira um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, Américo Monte Júnior recebeu auxílio emergencial durante a pandemia.

Dono da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), ele mora em uma casa de alto padrão em Alphaville, conhecido por seus condomínios luxuosos em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A defesa dele não foi localizada pela reportagem.

Monte Júnior é apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas e foi alvo de busca e apreensão na casa dele.

Além disso, ele passará a ser monitorado eletronicamente por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

🔎 Investigações revelaram uma operação fraudulenta para realizar descontos irregulares de valores recebidos por aposentados e pensionistas do INSS, ocorridos no período de 2019 a 2024. Os desvios, conforme as apurações, podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

Segundo informações obtidas pelo blog da Camila Bomfim, no g1, essa nova etapa da operação, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), apura a atuação de três núcleos regionais envolvidos nas fraudes, com alvos distribuídos em diferentes regiões.

Forças de segurança cumprem 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas (como bloqueio de bens para garantir o pagamento de dívidas).

As medidas foram autorizadas pelo STF e miram alvos no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.

Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV são investigadas nesta fase. Em São Paulo, são cumpridos nove mandados. Entre os alvos estão quatro associações:

Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS que podem estar envolvidos no esquema.

Segundo informações obtidas pela TV Globo, os mandados são cumpridos contra os seguintes investigados:

Gutemberg Tito de Souza, apontado nas investigações como um dos articuladores ligados à gestão das associações UNIBAP e ABENPREV;Zacarias Canuto Sobrinho, citado como articulador ligado à administração das entidades investigadas;Cleiton dos Santos Medeiros, identificado nas apurações como operador ou intermediário ligado à estrutura financeira e operacional investigada;Daniel Gerber, citado como operador ou intermediário ligado ao funcionamento financeiro e operacional do grupo investigado;Alexandre Caetano, apontado como integrante da estrutura operacional e financeira investigada;Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, citado como intermediário ligado à estrutura operacional das entidades sob investigação;Américo Monte Júnior, apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas;Felipe Macedo Gomes, investigado por suposta atuação na estrutura e administração das entidades;Igor Dias Delecrode, citado como integrante da gestão das associações investigadas;Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontado como um dos responsáveis pela estrutura das entidades investigadas;Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Segundo as investigações, teria ligação com a ABAPEN;Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns e um dos alvos da investigação.

A ação tem o objetivo de investigar crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

O caso foi revelado em 23 de abril, após a primeira fase da operação da Polícia Federal. De acordo com as investigações, os suspeitos cobravam mensalidades irregulares, descontadas dos benefícios de aposentados e pensionistas, sem a autorização deles.

💰 O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.

A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias.

Além disso, políticos foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.

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Como a guerra no Irã afeta o real e outras moedas locais: veja quem são os ganhadores e os perdedores com o conflito

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 06:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%Oferecido por

Algumas moedas caíram, outras se mantiveram estáveis e algumas se mostraram mais resistentes – como o yuan chinês – durante a guerra do Irã. — Foto: Getty Images

Quando a guerra dos EUA e Israel com o Irã eclodiu no fim de fevereiro, não foi apenas o Oriente Médio que sentiu as consequências.

À medida que o conflito interrompeu o transporte comercial e o fluxo de mercadorias em todo o mundo, os preços do petróleo subiram, elevando a inflação e abalando os mercados globais.

Como costuma acontecer em tempos de incerteza, alguns investidores se afastaram de investimentos potencialmente mais arriscados em mercados emergentes, colocando seu dinheiro no dólar americano, que é tradicionalmente visto como um porto seguro.

Isso teve impacto sobre muitas moedas — algumas despencaram em valor, enquanto outras se mostraram mais voláteis e algumas até se valorizaram.

Embora o preço do petróleo "afete a todos… as flutuações cambiais podem amplificar ou amortecer esse efeito", diz o economista André Perfeito, da consultoria APCE.

Então, quando combinadas com outros fatores que também afetam a economia, o que essas flutuações cambiais significam para diferentes países e seus cidadãos?

O valor da moeda pode afetar o preço de itens do dia a dia, como alimentos — Foto: Bloomberg via Getty Images

Países que importam grande parte de sua energia, especialmente petróleo, estão entre aqueles cujas moedas sofreram pressão.

Eles incluem Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Egito, que enfrentaram novas pressões decorrentes do aumento dos custos de combustível e da persistente escassez de divisas.

À medida que os investidores transferiram dinheiro para dólares americanos, a demanda por essas moedas caiu e seu valor enfraqueceu, o que, por sua vez, elevou o custo do pagamento da dívida emitida em dólares.

O petróleo e outros produtos — que foram afetados pelo bloqueio do transporte no estreito de Ormuz — também são geralmente cotados em dólares.

À medida que uma moeda perde valor, as importações se tornam relativamente mais caras, afetando tudo, desde energia até plásticos e fertilizantes. Isso impacta o preço de alimentos e itens do dia a dia nas lojas.

Na Índia, a rupia caiu cerca de 5% em relação ao dólar americano desde o início da guerra e atingiu repetidas mínimas recordes com a subida dos preços do petróleo.

A moeda indiana já estava enfraquecendo antes do conflito, e o impacto da guerra intensificou essa tendência.

Alguns bancos centrais responderam aumentando as taxas de juros e vendendo algumas de suas reservas de dólares americanos para sustentar o valor de suas moedas.

O Banco da Indonésia tomou essas duas medidas, vendendo repetidamente dólares e comprando sua própria moeda, a rupia indonésia, para aumentar a demanda por ela.

Quando as taxas de juros sobem, isso significa que as pessoas obtêm um maior retorno sobre suas economias, mas isso também significa maiores pagamentos de dívidas, como empréstimos e prestações de imóveis.

O rublo russo tem sido uma das moedas com melhor desempenho em relação ao dólar americano desde o início da guerra com o Irã, em grande parte porque a Rússia é um grande produtor de petróleo — Foto: Bloomberg via Getty Images

Essas moedas frequentemente reagem de forma intensa ao humor do mercado global: enfraquecem quando investidores buscam refúgios seguros como o dólar, mas podem se recuperar rapidamente quando os preços das commodities sobem ou o apetite por risco retorna.

Alguns exportadores de energia, incluindo Brasil e Malásia, se beneficiaram parcialmente dos preços mais altos do petróleo, que aumentaram as receitas de exportação e sustentaram o interesse dos investidores.

Bancos, incluindo Goldman Sachs e Bank of America, destacaram a forte demanda por títulos do governo brasileiro e ações de empresas em relatórios para clientes em abril. O Goldman Sachs aponta o Brasil como sua principal escolha de mercado emergente.

No entanto, Martín Castellano, chefe de pesquisa da América Latina no Institute of International Finance, diz que os preços mais altos da energia podem aumentar a inflação no Brasil, atrasando os cortes nas taxas de juros e afetando os fluxos de capital.

O Brasil também importa produtos refinados, como gasolina e diesel, elevando os custos de combustível no país.

O real brasileiro se fortaleceu em parte devido aos preços mais altos do petróleo — Foto: Getty Images

Além disso, a incerteza política antes da eleição presidencial de outubro “aumentará o prêmio de risco sobre a taxa de câmbio”, escreveu a economista da XP Luiza Pinese em um relatório recente.

A moeda chinesa permaneceu relativamente estável, sustentada em parte por controles de capital e intervenções políticas que limitam flutuações bruscas. Isso inclui restrições à entrada e saída de dinheiro do país e intervenções diretas do banco central para administrar de perto a taxa de câmbio do yuan.

O rublo russo, uma das moedas de melhor desempenho em relação ao dólar desde o início da guerra do Irã, também tem sido sustentado por altas receitas de energia e rígidos controles de capital, incluindo medidas que exigem que os exportadores convertam os lucros estrangeiros em rublos e limitem o fluxo de dinheiro para fora do país.

O dólar australiano tem sido menos volátil, em grande parte porque a Austrália é um grande exportador de commodities, particularmente de minério de ferro — Foto: Bloomberg via Getty Images

Moedas tradicionalmente consideradas portos seguros se fortaleceram no início da crise, à medida que investidores buscavam segurança. O dólar americano e o franco suíço atingiram picos antes de recuarem para níveis semelhantes aos vistos antes da guerra. Moedas ligadas ao petróleo, como a coroa norueguesa, receberam impulso significativo com a alta dos preços do petróleo bruto.

O iene japonês, no entanto, não se comportou como uma moeda típica de porto seguro e enfraqueceu, em parte porque o Japão depende muito da energia importada.

Os dólares canadense e australiano também se beneficiaram de preços mais fortes das commodities que seus países exportam, como petróleo bruto, gás, metais, minério de ferro e carvão, embora as preocupações com o crescimento global e as tensões comerciais tenham limitado esses ganhos.

O euro e a libra esterlina também tiveram seus próprios surtos de volatilidade, impulsionados por preocupações com os custos mais altos de energia, a inflação persistente e a desaceleração do crescimento em toda a Europa.

Economistas dizem que, embora os ataques aéreos iniciais ao Irã tenham levado os investidores a ativos mais seguros e fortalecido o dólar, a moeda americana enfraqueceu desde então, o que poderia ajudar os mercados emergentes.

“Um dólar mais fraco normalmente significa condições monetárias mais fáceis, mais espaço para cortes nas taxas de juros nos países em desenvolvimento e menor aversão ao risco — tudo favorável aos mercados emergentes”, dizem economistas da empresa de investimentos global britânica AllianceBernstein em um relatório recente.

Eles acrescentaram que o papel do dólar permanece central, já que grande parte da dívida das economias emergentes é emprestada em dólares americanos e as principais commodities também são cotadas em dólares, o que significa que um dólar mais fraco tende a melhorar suas perspectivas.

No entanto, o FMI alertou em abril que as interrupções contínuas da guerra do Irã estão empurrando a economia global para seu cenário “adverso”, marcado por uma combinação de crescimento fraco e inflação mais alta.

Nesse cenário — onde os preços do petróleo permanecem altos, a inflação se torna menos estável e as condições financeiras se tornam mais restritivas — o crescimento global pode cair para 2,5% com a inflação subindo para 5,4%, em comparação com a previsão atual do fundo de 3,1% com 4,4% de inflação.

O FMI também traçou um cenário mais severo, no qual o crescimento global cai para 2% e a inflação ultrapassa 6%. Espera-se que o FMI atualize suas previsões novamente em julho.

Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

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PF e CGU deflagram nova fase de operação que investiga fraudes em aposentadorias e pensões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 06:53

Política PF e CGU deflagram nova fase de operação que investiga fraudes em aposentadorias e pensões Ação cumpre 31 mandados de busca e apreensão e 8 medidas cautelares em 3 estados e no DF. Por Fábio Amato, Léo Arcoverde — Brasília

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, oito cautelares de monitoramento eletrônico e outras medidas constritivas, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.

A ação tem o objetivo de investigar crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.

Há 3 horas O Assunto PF ficou 3h em cobertura de ex-governador e levou dois celularesHá 3 horasAssédio e sobrecarga no radarO que muda para o trabalhador com a nova regra sobre saúde mental

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Enquanto Brasil discute fim da escala 6×1, Argentina vai na contramão do mundo com reforma que retira direitos e permite jornada de até 12 horas por dia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 06:53

Trabalho e Carreira Enquanto Brasil discute fim da escala 6×1, Argentina vai na contramão do mundo com reforma que retira direitos e permite jornada de até 12 horas por dia Em meio a altas taxas de informalidade, o país aprovou em fevereiro uma reforma que promete "modernizar" as relações, mas gerou protestos e críticas. Por BBC

Reforma foi contestada judicialmente e segue em debate em processos em tramitação, mas as mudanças aprovadas estão em vigor — Foto: Getty Images

Enquanto o Brasil discute a possibilidade de acabar com a escala 6×1 — em linha com a pressão que tem feito diversos países do mundo adotarem jornadas mais curtas em busca de maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal —, a Argentina caminha na direção oposta.

Em meio a altas taxas de informalidade e crescimento no desemprego, o país aprovou em fevereiro uma reforma que promete "modernizar" as relações trabalhistas, gerar investimentos e ajudar a recuperar a economia, como defende o governo de Javier Milei.

Fim da escala 6×1: 40 horas semanais, dois dias de folga, transição de até 14 meses; veja detalhes do parecer do relator

Do outro lado, trabalhadores e sindicatos protestam nas ruas contra as mudanças, que consideram um retrocesso e uma ameaça aos direitos e bem-estar dos argentinos, enquanto especialistas apontam que, embora seja bem-vinda uma atualização das normas que regem o mercado de trabalho, os efeitos positivos são mais limitados do que projeta a Casa Rosada.

A Lei de Modernização do Trabalho também tem sido contestada na Justiça, sem sucesso. Após uma ação coletiva apresentada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), um tribunal federal ratificou a reforma no início de maio. Mas há outros processos em tramitação. Até que sejam julgados, a nova lei está em vigor.

Entre as principais alterações, estão a redefinição do cálculo das indenizações por demissão sem justa causa, excluindo da base de cálculo do valor a ser pago aos trabalhadores itens como 13º salário e bônus, a possibilidade de fracionamento do período de 30 dias de férias e a classificação de motoristas e entregadores de aplicativos como "trabalhadores independentes" ou autônomos.

Uma das principais críticas dos sindicatos argentinos é contra a ampliação da lista de "serviços essenciais", que têm fortes restrições ao direito de greve, incluindo os setores da educação e alfandegário.

A nova lei também passou a permitir jornadas de até 12 horas diárias, mas com respeito ao limite máximo de 48 horas semanais.

Isto é, pelo novo texto, a jornada de trabalho da Argentina permanece a mesma (8 horas diárias e 48 horas semanais). O que muda é que empregador e empregado são autorizados a fazer acordos específicos em determinadas situações.

Mesmo assim, devem ser respeitados os intervalos mínimos de descanso: pelo menos 12 horas entre cada turno e 35 horas de descanso semanal. O texto também autoriza o uso do banco de horas para que as horas trabalhadas a mais em um dia possam ser compensadas com uma jornada mais curta em outro.

Para Miguel Ángel Maza, professor de Direito do Trabalho da Universidade de Palermo, não se trata de um aumento da jornada de trabalho, já que o limite máximo por semana permanece o mesmo, mas sim de uma flexibilização na divisão dos expedientes ao longo das 48 horas permitidas.

"Não acredito que essa mudança será muito utilizada pelas empresas, porque não é conveniente. A exceção talvez sejam grandes fábricas ou montadoras, que, trabalhando algumas horas extras por dia, possam encurtar a semana e economizar um dia de energia", diz Maza à BBC News Brasil.

"Mas, apesar de não se tratar de um aumento da jornada geral de trabalho, a mensagem que [a reforma] passa é de retrocesso."

Expectativa é que o texto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 avance ainda nesta semana no plenário da Câmara e siga depois para o Senado — Foto: Reuters

A reforma na Argentina chama atenção especial no Brasil, onde atualmente a Câmara de Deputados caminha para aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 com um período curto de transição.

Na segunda-feira (25/5), o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram a um acordo sobre o texto que será votado. A proposta de emenda à Constituição (PEC) estabelece a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga por semana.

A proposta em discussão também prevê uma redução da jornada de 44 horas semanais para 40 horas, que entraria em vigor em duas etapas. Primeiro, haveria a redução para 42 horas, também após os 60 dias. O limite de 40 horas seria alcançado após um ano. A mudança prevê que os trabalhadores beneficiados não sofrerão redução salarial.

A expectativa é que o texto avance ainda nesta semana no plenário da Câmara e siga depois para o Senado.

Se a PEC for promulgada, o Brasil entrará para a lista de países que instituíram reduções na jornada de trabalho na última década, entre eles vários da América Latina.

O Chile aprovou em abril de 2023 uma lei que determinou a redução gradual da jornada de 45 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário. Em 2024, a jornada foi para 44 horas. Em abril de 2026, baixou para 42, devendo chegar a 40 em 2028.

Na Colômbia, a diminuição da jornada de 48 para 42 horas semanais foi promulgada em julho de 2021 pelo então presidente Iván Duque. A primeira redução foi em 2023, quando caiu para 47. Em julho de 2026, deve chegar às 42 horas.

Em março, o México também alterou sua legislação para encurtar a jornada de 48 para 40 horas. A mudança começa a ser aplicada, sem redução de salário, em janeiro de 2027, de forma gradual, até chegar a 40 horas semanais em 2030.

Governo de Javier Milei defende a mudança na Argentina como uma modernização das relações trabalhistas — Foto: AFP via Getty Images

Na Europa, países como Holanda e Bélgica são frequentemente citados como parte de uma vanguarda em que jornadas mais curtas e até semanas com apenas quatro dias de trabalho estão se tornando realidade.

Na Bélgica, o primeiro país da Europa a legislar sobre o assunto, os trabalhadores ganharam em fevereiro de 2022 o direito de realizar uma semana de trabalho completa em quatro dias em vez de cinco, sem perda de salário.

No entanto, os belgas não têm a opção de trabalhar menos horas por semana. A lei permite apenas que eles condensem a carga horária semanal, que é de no máximo 38 horas, em menos dias.

A lei holandesa tem diversas particularidades, mas, de forma geral, os trabalhadores não podem trabalhar mais de 48 horas por semana em um período de 16 semanas.

Ainda assim, o país tem a média mais baixa de horas de fato trabalhadas por semana da Europa: 32,1 horas, segundo dados da Eurostat, agência de estatísticas oficial da União Europeia (UE).

Já na França, a jornada de trabalho padrão é fixada legalmente em 35 horas semanais, uma das menores do mundo.

Mesmo no Brasil, a redução da jornada de 48 para 44 horas foi realizada há 38 anos, durante a Constituinte de 1988.

Nesse sentido, a Argentina parece estar indo na contramão do mundo, aponta a economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo a especialista, especialmente na América Latina, o movimento tem acontecido impulsionado por governos de diferentes perfis ideológicos.

"É a Argentina que vai em direção oposta do resto do mundo, enquanto o Brasil abriu um debate para seguir os mesmos passos do Chile, da Colômbia e do México e se adequar às diretrizes de bem-estar da Organização Internacional do Trabalho [OIT]", afirma Beni.

A OIT recomenda a redução das jornadas para 40 horas semanais e tempo máximo de trabalho de até 48 horas por semana, desde que mediante pagamento de horas extras.

Miguel Maza concorda que a Argentina destoa da tendência global. "O limite de 48 horas semanais [estabelecido pela Argentina] ainda é muito alto para o mundo moderno", diz.

O especialista afirma, porém, que as mudanças aprovadas no país em fevereiro deste ano têm caráter mais simbólico do que prático. "São pequenos retrocessos no mercado de trabalho, mas não se trata de uma mudança grave", avalia.

Enquanto a Casa Rosada sinaliza vontade de mudança e comprometimento com a melhora da economia para o empresariado, os trabalhadores "enxergam uma lei retrógrada e que lhes tira direitos", resume.

O cenário macroeconômico e do mercado de trabalho argentino ajudou o governo de Javier Milei a conseguir a aprovação da reforma no Congresso, segundo os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

A taxa de desemprego no país subiu para 7,5% no fim do ano passado, o nível mais alto para um quarto trimestre desde a pandemia de covid-19.

Mas os níveis recordes de informalidade são apontados como o maior problema do mercado argentino, com quase metade dos trabalhadores sem direitos garantidos.

Segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o emprego informal atingiu 43% do total de empregos no segundo trimestre de 2025.

Esse número representa quase 6 milhões de pessoas que não têm seguro saúde, licença médica, indenização por demissão ou contribuições para a previdência.

Entre os menores de 29 anos, a taxa chega a quase 6 em cada 10, e esse número é ainda maior entre as mulheres jovens, segundo o Indec.

Os dados não são isolados, com a insegurança no trabalho aumentando nos últimos 13 anos, com mais trabalhadores em empregos informais, de acordo com dados do Sistema Integrado de Pensões da Argentina e da Pesquisa Permanente de Domicílios.

Soma-se a isso uma crise econômica duradoura e uma longa batalha do governo contra a alta da inflação (32,4% no acumulado de 12 meses até abril), que reduz o poder de compra.

Segundo Miguel Maza, o Executivo argentino conseguiu chegar a um acordo no Legislativo ao convencer aliados de que essa reforma trará investimentos.

"Para o governo, é um sucesso político apresentar o projeto à comunidade empresarial, ao Fundo Monetário Internacional [FMI] e ao governo dos Estados Unidos", diz.

O principal argumento de Milei e seus apoiadores é que a reforma tem a capacidade de gerar mais empregos formais devido aos menores custos para as empresas.

"Esta lei representa um ponto de virada na história trabalhista argentina", afirmou a Presidência da República em um comunicado à imprensa após a aprovação do projeto pelo Senado.

"Após anos de litígios trabalhistas que beneficiaram apenas alguns, burocracia excessiva e regulamentações obsoletas diante de profundas mudanças econômicas e tecnológicas, estamos agora diante de uma profunda transformação que restaura a previsibilidade, o dinamismo e a liberdade do mercado de trabalho."

Para muitos setores da sociedade, a reforma representa ainda um debate há muito esperado na Argentina, um país com longa tradição sindical e amplos direitos trabalhistas que muitos consideram antiquados.

"Mesmo em um mundo e uma economia que estavam mudando, tínhamos leis trabalhistas dos anos 1970 que sofreram só algumas mudanças muito marginais", aponta Marina Dal Poggetto, diretora da área de Economia da Universidade Austral, em Buenos Aires, e professora da IAE Business School.

Segundo a economista, essa rigidez do mercado de trabalho contribuiu para o aumento da informalidade e do uso do chamado "monotributo", um regime tributário simplificado para pequenos contribuintes, criado para facilitar a formalização de autônomos — algo semelhante ao MEI e ao Simples Nacional no Brasil, mas que, diante da inflação alta, do câmbio e dos controles fiscais, virou uma peça central para trabalhadores independentes.

O monotributo gerou boa parte do crescimento do emprego na Argentina nos últimos anos, diz Dal Poggetto, mas é considerado "um problema fiscal a longo prazo", porque prevê uma contribuição para a previdência social mais baixa.

"São necessários algo como cerca de 26 monotributistas para pagar uma aposentadoria mínima", diz a economista.

Mas, em meio a acusações cruzadas e opiniões divergentes sobre o assunto, críticos não veem vantagens na reforma e os mais céticos acreditam que ela deve simplesmente manter o status quo.

Para Miguel Ángel Maza, da Universidade de Palermo, a reforma, além de representar um pequeno retrocesso para o trabalhador, não deve produzir mudanças suficientes para que os empresários se sintam motivados a investir no país, ampliar seus negócios ou contratar mais trabalhadores.

Ele argumenta que, para promover o investimento, é necessário mudar as condições do mercado e o sistema tributário argentino, que considera "muito oneroso".

A reforma inclui benefícios fiscais para incentivar as empresas a ampliarem o número de funcionários. As empresas que contratarem desempregados, trabalhadores autônomos ou ex-funcionários públicos receberão descontos nas contribuições previdenciárias patronais durante os primeiros quatro anos.

Em termos de redução do trabalho informal, Marina Dal Poggetto afirma que o impacto ainda precisa ser estudado. Mas afirma acreditar que a situação do mercado de trabalho argentino está muito conectada à estagnação no crescimento e à saúde da economia geral, algo que a reforma não resolve.

Inflação prejudica os salários reais dos trabalhadores e seu poder de compra — Foto: Bloomberg via Getty Images

Embora as leis trabalhistas possam ajudar "um pouco mais ou um pouco menos na margem", se a atividade econômica não crescer, é muito difícil haver aumento do emprego, diz a especialista.

Em governos anteriores, afirma Dal Poggetto, a condução de uma economia "fechada demais", com controle de capitais e grande desigualdade, impulsionou a informalidade, mas sem elevar as taxas de desemprego.

"Com Milei, estamos vendo as taxas de desemprego subirem, ainda que em níveis relativamente baixos", diz ela.

"Estamos vendo, por assim dizer, um processo de tentativa de aumentar a produtividade da economia, enquanto aumenta o desemprego. Mas ainda precisamos ver até que ponto a flexibilidade da mão de obra atenua esse processo", avalia.

Para Dal Poggetto, a alta no desemprego tende a levar mais argentinos à informalidade, especialmente diante da facilidade proporcionada por empresas como Uber e PedidosYa, um aplicativo de entrega de comida muito usado no país.

Outro problema que a reforma busca resolver, segundo o governo, são os altos custos que as empresas argentinas têm com processos judiciais trabalhistas, contribuições patronais e pessoais e indenizações em casos de demissão.

Com esse foco, a reforma transferiu parte das atribuições da Justiça Nacional do Trabalho para a Justiça comum ou federal.

O projeto também redefiniu a fórmula para o cálculo da indenização por demissão, restringindo o que constitui remuneração do empregado. Dessa forma, férias, bônus e outros itens não incluídos no salário mensal foram excluídos do cálculo.

A principal mudança é que a empresa não pagará diretamente para demitir um funcionário. Empresas grandes terão que pagar mensalmente valor equivalente a 1% dos salários ao novo Fundo de Assistência Laboral (FAL), enquanto empresas pequenas e médias pagarão 2,5% dos salários. O fundo será responsável por pagar as indenizações.

Marina Dal Poggetto reconhece que o país vive um problema nesse setor. "Na Argentina, com sua alta inflação, os mecanismos de indexação para ações trabalhistas, especialmente as multas impostas na década de 1990 para tentar formalizar o mercado de trabalho, acabaram sendo muito dispendiosos", afirma a economista.

"Muitas empresas, principalmente as pequenas, tiveram dificuldades para pagar indenizações ou resolver processos judiciais decorrentes de demissões."

Dal Poggetto afirma, porém, que ainda é muito cedo para avaliar se as medidas terão efeito prático. "E, obviamente, qualquer efeito vai estar muito associado à dinâmica da atividade econômica", pontua.

Miguel Ángel Maza vê a criação do FAL como um dos pontos da reforma com maior potencial de beneficiar o empresariado. Mas afirma que, ainda assim, o impacto será mínimo. "Tenho a impressão de que com esse 1% não se financiará muita coisa e que não terá sucesso", diz.

Para Carla Beni, da FGV, a reforma se baseia na ideia de que, com regras trabalhistas mais flexíveis, o empresário vai poder contratar mais.

"Mas isso não se comprova na realidade, porque quem faz a contratação é a demanda. Com uma atividade econômica forte, há mais contratações, independentemente do custo, inclusive trabalhista", diz Beni.

Críticos da reforma e sindicatos argentinos argumentam ainda que o FAL torna a demissão sem custos para a empresa, ao mesmo tempo em que passa a usar recursos que iriam para a Seguridade Social, prejudicando o sistema de previdência do país.

Há preocupação também de que a nova lei incentive a demissão de trabalhadores, porque os empregadores não hesitarão em usar o fundo criado especificamente para esse fim.

Além disso, a oposição aponta um esvaziamento da Justiça trabalhista e um enfraquecimento dos sindicatos, especialmente com as limitações impostas às greves.

"Longe de ser uma lei que moderniza, é uma lei que nos faz retroceder e não acrescenta nenhum novo direito aos trabalhadores. Pelo contrário, o que ela faz é gerar um processo regressivo em termos de direitos, sem precedentes na Argentina", disse o líder do bloco de oposição peronista, União pela Pátria, Germán Martínez, sobre a lei.

"Este projeto de lei nos faz retroceder 100 anos. Cem anos em direitos individuais, em direitos coletivos. É uma busca que se centra, essencialmente, na transferência de recursos econômicos dos trabalhadores para o setor empregador", afirmou ainda o cossecretário da CGT argentina, Jorge Sola.

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NR-1: o que muda para o trabalhador com a nova regra sobre saúde mental? Entenda impactos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 06:05

Trabalho e Carreira NR-1: o que muda para o trabalhador com a nova regra sobre saúde mental? Entenda impactos Atualização da norma torna explícita a obrigação das empresas de identificar, prevenir e reduzir riscos à saúde mental no ambiente de trabalho, como assédio, metas abusivas e jornadas excessivas. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

A nova atualização da NR-1, que entra em vigor em 26 de maio, passa a incluir oficialmente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, ampliando a responsabilidade das empresas sobre fatores como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral e sobrecarga.

A mudança ocorre em meio ao avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil. Só no ano passado, o país registrou mais de meio milhão de licenças por ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos relacionados ao trabalho.

Trabalhadoras como Adriana, da enfermagem, e Alana*, do varejo, relatam rotinas marcadas por pressão constante, falta de apoio psicológico, escalas desgastantes e crises de ansiedade, mostrando como o ambiente profissional pode contribuir para o adoecimento mental.

Especialistas avaliam que a atualização da NR-1 fortalece a prevenção e pode facilitar denúncias e o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental, pressionando empresas a tratar saúde mental como questão de saúde e segurança do trabalho.

A nova atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrou em vigor nesta terça-feira (26) e aumenta a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem levar ao adoecimento mental dos trabalhadores.

A mudança obriga as empresas a identificar, prevenir e gerenciar situações que possam afetar a saúde mental dos funcionários, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio moral, sobrecarga e falhas na organização do trabalho.

Com isso, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma responsabilidade individual do trabalhador e passa a ser vista também como uma questão ligada às condições e à organização do ambiente laboral.

A atualização da NR-1 prioriza a prevenção e exige que empregadores adotem medidas concretas para reduzir fatores de risco.

A norma também reforça mecanismos de escuta dos trabalhadores, incentiva a participação dos funcionários na definição de metas e amplia a fiscalização sobre empresas com altos índices de afastamentos por transtornos mentais, além de fortalecer o combate ao assédio moral, sexual e outras formas de violência no trabalho.

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, um dos principais impactos da atualização da NR-1 é evitar o adoecimento do trabalhador por questões de saúde mental.

Como mostrou o g1, o Brasil bateu recorde no número de afastamentos por transtornos mentais por dois anos seguidos.

Outro levantamento, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em dados do INSS, mostra que mais de duas mil profissões registraram afastamentos por transtornos mentais no país.

No topo da lista aparecem ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório — trabalhadores que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam boa parte da rotina urbana.

Segundo especialistas, as profissões mais afetadas têm em comum vínculos mais frágeis, pressão por metas, jornadas extensas e maior exposição a riscos, como violência urbana e situações traumáticas — caso de técnicos de enfermagem, motoristas e vigilantes.

Com a atualização da NR-1, a expectativa é que esses números diminuam a partir da prevenção dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Segundo dados da Previdência Social, as mulheres representam mais de 60% dos afastamentos por saúde mental.

Adriana Fraga, de 51 anos e profissional da enfermagem há 25, é um exemplo. Ela se afastou da profissão após desenvolver um quadro de ansiedade, depressão, síndrome do pânico e fibromialgia, agravado ao longo de décadas de trabalho sob pressão.

“Eu amo a enfermagem, mas se eu voltar hoje, eu travo. Eu não estou bem para cuidar de outra pessoa”, afirma.

A trajetória de Adriana começou como agente comunitária em São Paulo. Ao longo dos anos, acumulou experiência em clínicas, hospitais e unidades básicas de saúde (UBSs), atuando principalmente em áreas de alta complexidade, como cardiologia e exames de risco.

No último emprego, em uma UBS na periferia da capital paulista, Adriana enfrentava jornadas de oito horas diárias — além de até quatro horas de deslocamento. A rotina incluía triagem, vacinação, coleta de exames, visitas domiciliares e atendimentos de emergência.

“É muito estressante. A gente atende todo tipo de paciente, em situações diversas, muitas vezes sem estrutura suficiente”, relata. Segundo ela, a pressão é constante. “Se o médico atrasa ou não consegue atender, a culpa cai na enfermagem. O paciente desconta na gente”, conta.

Os primeiros sinais apareceram há mais de uma década. Adriana começou a sentir dores intensas e ansiedade, que evoluíram para depressão. Em 2016, recebeu o diagnóstico de fibromialgia. O quadro piorou em 2022, após uma pneumonia. Na tentativa de voltar ao trabalho, sofreu uma crise severa.

“Não consegui sair de casa. Tive falta de ar, tremedeira, sensação de que ia morrer”, relembra a enfermeira, que foi diagnosticada com síndrome do pânico.

Adriana afirma que diversos episódios profissionais contribuíram para o adoecimento, incluindo casos de assédio moral e sexual no ambiente de trabalho.

Apesar da intensidade da rotina e da exposição frequente a situações traumáticas, como mortes de pacientes, ela diz que o acompanhamento psicológico não faz parte da realidade da maioria dos profissionais.

“Eu já vi paciente morrer e ninguém ofereceu apoio. Nem no público, nem no privado”, afirma. Segundo Adriana, diversos colegas também precisaram se afastar por problemas de saúde mental. “Tem muita gente na área da saúde adoecendo”, relata.

Atualmente afastada, ela enfrenta dificuldades para conseguir benefícios previdenciários. Segundo Adriana, transtornos como depressão e ansiedade ainda são subestimados em perícias. “Tenho laudos, acompanhamento médico, mas muitas vezes não reconhecem. Dizem que é frescura, mas não é”, afirma.

Apesar do vínculo afetivo com a profissão, Adriana diz que não pretende retornar à enfermagem. “Como eu vou cuidar de alguém sem estar bem? Posso errar uma medicação. E isso pode custar a vida de um paciente”, explica.

Outro caso semelhante é o da operadora de caixa Alana*, que prefere não ser identificada por medo de represálias no ambiente de trabalho. Aos 25 anos, ela trabalha em uma loja de roupas em um shopping de São Paulo.

A profissional vive uma rotina marcada por sobrecarga, instabilidade emocional e dificuldades para conciliar trabalho e maternidade. Mãe solo desde a adolescência, ela relata que o ambiente no varejo contribuiu diretamente para o agravamento de sua saúde mental.

“Eu começava a passar mal ainda no caminho para o trabalho. Era tremedeira, falta de ar, suor frio”, conta. "Eu chegava em casa tão cansada que, quando acordava, já estava na hora de trabalhar de novo", completa.

Formada em jornalismo pelo Prouni, Alana* entrou no mercado de trabalho ainda jovem e, após experiências na área de comunicação, migrou para o varejo diante da dificuldade de conseguir emprego na área e da busca por estabilidade financeira.

Além de uma maternidade precoce — ela teve o primeiro filho aos 17 anos —, o menino, de 8 anos, foi diagnosticado com autismo. Sem rede de apoio, o filho foi morar junto com a avó, no litoral.

A dificuldade de conciliar trabalho e maternidade gerou intenso desgaste emocional. “Eu só consigo ver meu filho poucas vezes por mês. Isso me afeta muito”, afirma.

Na empresa atual, Alana* descreve um ambiente de trabalho marcado por pressão por metas, competitividade e práticas consideradas abusivas. “Tudo era baseado em desempenho extremo. Até para conseguir folga, tinha que bater meta alta”, diz.

Segundo ela, colegas eram incentivados a competir entre si, e situações de exposição pública e comentários inadequados por parte da liderança eram frequentes. A funcionária também denuncia jornadas prolongadas, especialmente em datas como o Natal, com turnos até de madrugada.

“Havia dias em que entrávamos à tarde e saíamos depois da 1h da manhã”, relata. Ela afirma ainda que havia orientação para não registrar corretamente o ponto e que horas extras nem sempre eram devidamente compensadas.

Com o acúmulo de situações, Alana* desenvolveu crises de ansiedade e depressão. “Eu não conseguia nem chegar. Quando estava perto, começava a passar muito mal”, afirma. O quadro levou ao afastamento por 30 dias, determinado por uma psiquiatra após agravamento do estado emocional.

Após o período de afastamento, a jovem voltou ao trabalho, mas afirma que as condições permaneceram as mesmas. “A única diferença é que passaram a perguntar se eu estava tomando remédio. Mas o ambiente continuou igual”, relata.

A atualização da NR-1 fortalece o entendimento de que saúde mental também é uma questão de saúde e segurança do trabalho. Na prática, trabalhadores passam a ter mais respaldo para denunciar condições consideradas adoecedoras, como pressão excessiva, jornadas abusivas, metas inalcançáveis e assédio moral.

Segundo a juíza do trabalho Mirella Cahú, a principal mudança é que o foco deixa de estar apenas no indivíduo e passa a incluir a forma como o trabalho é organizado. “O risco psicossocial não é do sujeito, é da atividade de trabalho”, afirmou.

Isso significa que situações que antes muitas vezes eram tratadas como “fragilidade individual” passam a ser analisadas também como consequência da dinâmica de como trabalho é gerenciado dentro das empresas.

Especialistas avaliam que a norma também pode facilitar o reconhecimento do nexo entre trabalho e adoecimento mental em casos de afastamento ou ações judiciais. “Já reconhecemos transtornos mentais como acidente de trabalho quando há relação com a organização do trabalho”, afirma a magistrada.

Outra mudança prática é que empresas poderão ser cobradas antes mesmo de existir um trabalhador afastado. Ou seja, a fiscalização poderá exigir mudanças ao identificar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, mesmo sem casos formalmente registrados de adoecimento.

Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, a expectativa é que a atualização da NR-1 pressione empresas a tratar saúde mental com o mesmo nível de atenção dado hoje a acidentes físicos e outros riscos ocupacionais.

Para o auditor-fiscal do Trabalho Rogério Araújo, a entrada em vigor das mudanças na NR-1 representa um avanço importante na prevenção dos problemas de saúde mental relacionados ao trabalho.

De acordo com ele, a Inspeção do Trabalho está preparada para esse novo momento, tanto com a chegada de novos auditores quanto com a capacitação técnica para fiscalizar os riscos psicossociais nas empresas.

“O adoecimento mental relacionado ao trabalho cresceu de forma significativa, especialmente após a pandemia, e agora passa a receber um tratamento mais estruturado e obrigatório dentro da gestão de riscos das empresas. Estamos falando de fatores ligados ao ambiente e à organização do trabalho que precisam ser identificados, monitorados e prevenidos”, afirma.

Existem diversos canais para denúncias trabalhistas em casos de riscos psicossociais no ambiente de trabalho:

Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;Canal do Ministério Público do Trabalho: O MPT tem um canal de denúncias e atua para combater o assédio moral nas relações de trabalho;Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.

O denunciante não precisa se identificar. A orientação é fornecer o maior número possível de informações para que os órgãos possam analisar se o caso configura assédio moral e realizar verificações no local de trabalho.

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Neymar, Endrick ou Ancelotti: veja quem ganhou mais seguidores após a convocação para a Copa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 04:45

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%MoedasDólar ComercialR$ 5,0270,18%Dólar TurismoR$ 5,2310,37%Euro ComercialR$ 5,8480,1%Euro TurismoR$ 6,0970,27%B3Ibovespa176.589 pts-0,69%Oferecido por

A convocação dos 26 jogadores que vão representar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 movimentou as redes sociais dos atletas, da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do treinador italiano Carlo Ancelotti.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o megaevento de anúncio dos craques, realizado em 18 de maio, impulsionou a imagem dos nomes ligados à convocação. O efeito pode se refletir em contratos publicitários e maior visibilidade durante a Copa, que começa em 11 de junho. (leia mais abaixo)

O principal destaque nas redes sociais foi Neymar. A convocação rendeu ao atacante 2,1 milhões de novos seguidores no Instagram até a última quarta-feira (20). O jogador lidera a lista de ganhos, seguido pelo perfil oficial da CBF (+684 mil) e pelo de Endrick (+620,6 mil).

Dados levantados pela consultoria de dados Bites mostram que a convocação rendeu oito milhões de publicações sobre o assunto em diferentes redes sociais, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. O número de interações superou 372 milhões.

"Na prática, isso mostra como o futebol ainda é um dos grandes motores das redes. Ele ainda chama mais atenção do que política, cinema e, muitas vezes, até TV", analisa André Eler, diretor técnico da Bites.

Ele afirma que, além do potencial comercial, a convocação reforça o poder de influência dos atletas, que passam a ter maior engajamento do público nas redes — com impactos também no longo prazo.

Idel Halfen, especialista em marketing esportivo, reforça que os valores pagos por vídeos publicitários nas redes dependem, principalmente, da quantidade de seguidores e de interações.

"Então, quando você é convocado, aumenta seu engajamento e seu número de seguidores. Isso tem um preço", conclui.

O próprio formato de divulgação dos nomes relacionados à Copa do Mundo, realizado pela CBF em 18 de maio, foi um indicativo do que o esporte se transformou quando o assunto é marketing e engajamento de empresas.

Em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — com estimativa de mais de mil convidados e cerca de 700 jornalistas credenciados — diversas companhias aproveitaram para ativar suas marcas e surfar a onda do ato inicial do maior torneio esportivo do mundo.

O movimento, claro, também ocorreu na televisão e nas redes sociais. Neymar, o jogador mais midiático do futebol brasileiro, foi o grande destaque em ações de marketing, em meio a dúvidas sobre a presença do atacante do Santos na lista de Ancelotti.

🔎 Além dele, outros três convocados participaram de iniciativas publicitárias, mostra levantamento da consultoria de análise de dados Bites (veja abaixo). O recorte considera o período entre segunda-feira (18), dia do anúncio, e quarta (20).

O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, anuncia a convocação do atacante Neymar para a Copa do Mundo, no dia 18 de maio de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Sozinho, Neymar emplacou seis posts no Instagram com cinco marcas diferentes logo após o anúncio: Red Bull (dois vídeos), Canção Alimentos, Mercado Livre, Puma e Loovi. Além disso, publicou um story da Blaze. Todas já mantinham parceria com o atleta.

O jovem talento Endrick, por sua vez, fez uma ação no Instagram com a Neosaldina — marca com a qual também já possui contrato — logo após a divulgação da lista.

Enquanto isso, a novidade veio do volante Casemiro, homem de confiança de Carlo Ancelotti, anunciado como embaixador da companhia aérea Azul ao longo da Copa.

O jogador repostou, nos stories, uma publicação da empresa sobre a parceria. Além de escolher o atleta como embaixador, a companhia já havia anunciado, em abril, acordo de patrocínio com a CBF até 2030.

O especialista em marketing esportivo Idel Halfen explica que é difícil mensurar os ganhos nesses casos, já que, na prática, pode haver diferentes formas de remuneração — a depender do que consta em cada contrato. Alguns já preveem, por exemplo, gatilhos por performance.

"Pode até ser que já exista algum tipo de bonificação pelos resultados obtidos. Uma coisa é a marca patrocinar um jogador que não vai ser convocado e outra, um que vai para a Copa. Em muitos casos, há uma premiação por isso", diz.

Os gatilhos contratuais estão relacionados, principalmente, à grande exposição do atleta em eventos como a Copa. "Na prática, a convocação gera exposição, crescimento digital e, consequentemente, maior interesse comercial", acrescenta.

O movimento também encarece a imagem do atleta, o que pode garantir maior rentabilidade em futuras parcerias.

Apesar de o destaque publicitário inicial ter ido para Neymar, Vinícius Júnior e Endrick — que estão, atualmente, entre os atletas mais midiáticos da seleção brasileira —, os outros jogadores também deverão ser beneficiados pela visibilidade.

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Curtidas não pagam as contas: como transformar seguidores e views em faturamento

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 03:53

Empreendedorismo Guia do empreendedor Curtidas não pagam as contas: como transformar seguidores e views em faturamento Especialistas explicam como facilitar o contato e usar estratégias simples para aumentar a conversão nas redes sociais. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Ter muitos seguidores já não garante faturamento. Para empreendedores, o desafio agora é transformar curtidas e visualizações em vendas.

📱🛒 Segundo o Sebrae, vivemos em um mundo "phigital", que mistura o físico e o digital. Isso significa que postar conteúdo bonito não basta. O que faz diferença é facilitar o próximo passo: o contato.

Links de compra visíveis, respostas rápidas nas mensagens e canais diretos aumentam as chances de conversão. Mas há outras estratégias. Neste vídeo, o g1 mostra o que faz diferença na hora de converter audiência em faturamento.

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Tilápia pode entrar em lista de espécies invasoras e preocupa produtores; entenda o caso

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 03:53

Agro Tilápia pode entrar em lista de espécies invasoras e preocupa produtores; entenda o caso Apesar de preocupação dos criadores, governo nega que cultivo será banido. Espécie é considerada invasora quando começa a aparecer em lugares em que não é nativa. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

A Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que inclui a tilápia, deve ser apreciada entre a quarta e a quinta-feira desta semana.

A proposta gerou preocupação entre os produtores, em novembro do ano passado, quando a inclusão foi divulgada. Eles temem que a aprovação gere novas restrições à criação, que é o peixe mais cultivado do Brasil.

Uma espécie é considerada invasora quando ela começa a aparecer em lugares em que não é nativa. Nesse caso, a tilápia tem aparecido em rios fora das áreas de produção, o que causa desequilíbrios ambientais, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Já a característica "exótica" é porque a tilápia não é nativa do Brasil, mas do continente africano, da bacia do rio Nilo. Por isso ela é chamada de “Tilápia-do-Nilo” e o nome científico é Oreochromis niloticus.

A medida, porém, não implicaria em banimento do uso ou cultivo da tilápia, informou o Ministério do Meio Ambiente no ano passado.

A Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), que inclui a tilápia, deve ser apreciada a partir desta quarta-feira (27).

A proposta gerou preocupação entre os produtores, em novembro do ano passado, quando a inclusão foi divulgada. Eles temem que a aprovação gere novas restrições à criação, que é o peixe mais cultivado do Brasil.

Uma espécie é considerada invasora quando ela começa a aparecer em lugares em que não é nativa. Nesse caso, a tilápia tem aparecido em rios fora das áreas de produção, o que causa desequilíbrios ambientais, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

Já a característica "exótica" é porque a tilápia não é nativa do Brasil, mas do continente africano, da bacia do rio Nilo. Por isso ela é chamada de “Tilápia-do-Nilo” e o nome científico é Oreochromis niloticus.

❗A medida, porém, não implicaria em banimento do uso ou cultivo da tilápia, informou o Ministério do Meio Ambiente no ano passado. Ou seja, ainda vai dar para comer tilápia no Brasil, mesmo que ela entre na lista de espécies invasoras.

A instituição ressalta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é responsável por autorizar o cultivo de espécies exóticas e que ele permite a criação da tilápia.

“Não há, portanto, qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, disse o ministério em nota ao g1 na ocasião.

❓ Mas o que muda, na prática, com a inclusão do peixe na lista? Segundo o ministério, ela serve como uma referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle ambiental.

Mesmo assim, o setor teme novas exigências do Ibama, que podem atrasar o início da criação e dificultar o acesso ao mercado externo, disse Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das indústrias de pescado (Abipesca).

O tema também gerou divergência dentro do governo. Os ministérios da Agricultura e da Pesca e Aquicultura discordam do Meio Ambiente. O da Pesca avalia que a medida pode dificultar ou encarecer a produção.

“Estarem na lista a tilápia e o javali é desproporcional”, disse a diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União da Secretaria Nacional de Aquicultura, Juliana Lopes da Silva.

Na última quinta-feira (21), a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna obrigatório o aval do Ministério da Agricultura ou do Ministério da Pesca antes da edição de qualquer norma federal com impacto sobre espécies vegetais, animais, aquícolas, florestais ou organismos usados em atividades produtivas. O texto vai agora para o Senado.

Apesar de as características do peixe serem avaliadas apenas no momento em que se definem as estratégias de controle, pesquisas demonstram que a tilápia possui características que a fazem ser consideradas uma ameaça para ambientes em que não é nativa.

O professor de Ecologia do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista no assunto, Jean Vitule, listou algumas em entrevista anterior ao g1. Confira abaixo.

🐟 Mudanças no ecossistema: a tilápia pode afetar a quantidade de nutrientes e produtividade nos lagos.

🐟Escapes das áreas de produção: as tilápias que escapam dos criadouros já foram encontradas em áreas de preservação, como as do Rio Guaraguaçu, no Paraná, onde Vitule trabalha há 30 anos.

O biólogo da UFPR também publicou um estudo que identificou a tilápia, que é um peixe de água doce, no mar. O peixe é muito resistente, inclusive em ambientes poluídos, e conseguiu se adaptar à água salgada.

“Mesmo que eu faça um tanque 100% seguro, vai acontecer o que aconteceu, por exemplo, no Rio Grande do Sul, na cheia do ano passado. Escaparam milhares de tilápias de cultivos muito bem-feitos”, afirma.

Saiba mais: de água doce, tilápias encontradas no mar podem causar doenças e mortalidade de peixes; entenda riscos

O Ministério da Pesca afirma que o licenciamento ambiental já prevê medidas para evitar fugas, como a reversão sexual dos peixes em machos.

Segundo a diretora Juliana Lopes da Silva, quanto menos fêmeas escapam, menor é o risco de reprodução na natureza. Mas ela reconhece que nem todos os peixes passam pela reversão.

O pesquisador Jean Vitule, porém, diz que já encontrou várias fêmeas com ovos. Segundo ele, isso ocorre porque elas são menores que os machos e conseguem escapar com mais facilidade.

criação em tanque-rede: o método usa gaiolas dentro de reservatórios, lagos ou rios. Elas precisam ficar fechados o tempo inteiro; criação em viveiro escavado: a técnica usa tanques cavados no solo, usando a água acumulada a partir de nascentes, poços, córregos, rios ou da chuva. Para evitar escapes são implementadas lagoas de decantação e barreiras físicas.

“O escape de alguma forma vai acontecer, mas o que eu posso te garantir é que não é isso que o produtor quer. Porque cada tilápia que escapa é o dinheiro do produtor indo embora”, diz a diretora.

Vitule acrescenta que é possível criar tecnologias, como barreiras elétricas, para reduzir as fugas, mas isso exige grandes investimentos.

O Ministério do Meio Ambiente aponta que a lista foi montada a partir de um extenso trabalho de pesquisa científica.

“Com um total de 247 artigos, livros e publicações científicas avaliados, todos com referências na identificação ao nível de espécie. Outra fonte utilizada é a Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras (Instituto Hórus 2021)”, explica em nota ao g1.

O órgão também disse que considerou as relações comerciais do Brasil com países que têm espécies capazes de se adaptar aos biomas brasileiros.

Segundo o ministério, foram feitas duas consultas públicas com participação de especialistas e instituições da sociedade civil. Nessas consultas, houve sugestões para incluir ou retirar espécies da lista.

“Estes foram só alguns dos processos de coleta e checagem de dados de forma criteriosa e técnica para todas as espécies, incluindo a tilápia”, diz a nota.

Já Jairo Gund, diretor executivo da Abipesca, afirmou em novembro que a associação não teve acesso às informações e não foi consultado.

A lista inclui 60 espécies de peixes, além de dezenas de outras categorias, como a abelha africanizada, a manga, a goiabeira e os javalis selvagens.

Ainda no governo Bolsonaro, em maio de 2022, o Ministério da Agricultura publicou uma lista de espécies domesticadas, que inclui a tilápia. Para a diretora do Ministério da Pesca, uma mesma espécie não pode estar nos dois grupos.

Contudo, o pesquisador da UFPR discorda da lista da Agricultura: “Quase todas as espécies de peixe não são domesticadas como galinha, por exemplo. A tilápia nunca será galinha”, afirma.

A diretora, por sua vez, lembra que muitas espécies produzidas no Brasil são exóticas, ou seja, vieram de outros países.

“Não é porque a gente escolheu a tilápia em detrimento de outro peixe nativo do Brasil. É que ela tem viabilidade econômica, social e tem viabilidade de cultivo”, afirma.

Veja abaixo algumas das consequências que os produtores e o Ministério da Pesca acreditam que a medida pode causar.

➡️Atrasar a abertura de novos mercados: para a diretora, a medida fere a imagem do Brasil na hora de negociar a exportação.

➡️Insegurança jurídica: Silva se preocupa por não existir uma legislação que trate de produção comercial de espécies invasoras. “Então, existe uma lacuna aí no meio que pode gerar uma insegurança jurídica”, diz.

Gund, da Abipesca, concorda: "Essas listas vão inviabilizando as exportações, vão criando amarras e burocracias. Isso causa um desestímulo e uma insegurança jurídica muito grande no setor”.

Ele defende que o governo publique no Diário Oficial da União uma garantia de que a produção não será proibida.

“Embora o Ministério do Meio Ambiente tenha publicado que não será erradicada […], o setor não confia mais nessas conversas, porque o que vale é o que é publicado no Diário Oficial da União”, afirma.

“Todos os regramentos sanitários e ambientais estão sendo cumpridos, então não justifica flertar com esse tipo de situação”, completa.

➡️Demora para iniciar a criação: para o diretor executivo da Abipesca, a nova lista deve atrasar ainda mais a liberação das licenças de criação.

“Hoje, em questão de dois, três anos, o que já é um absurdo, você consegue ter o licenciamento para começar a produzir”, afirma.

Segundo ele, o produtor precisa de várias autorizações, como da Agência Nacional de Águas (ANA), da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do órgão ambiental estadual, da outorga de uso da água da União e do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Leia também: Sorvete de tilápia pode ajudar pacientes com câncer; saiba se receita tem gosto de peixe

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Crédito fácil pode sair caro: entenda as diferenças entre cheque especial, consignado e empréstimo pessoal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 03:53

g1 explica Crédito fácil pode sair caro: entenda as diferenças entre cheque especial, consignado e empréstimo pessoal No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

As opções de crédito variam principalmente pelos juros e pelas garantias exigidas pelos bancos. Antes de emprestar dinheiro, as instituições analisam renda, histórico de pagamentos e bens que possam servir como garantia em caso de inadimplência.

Cheque especial e cartão de crédito estão entre as modalidades mais caras e devem ser usados apenas em emergências rápidas. Empréstimo pessoal e consignado têm juros menores, enquanto o financiamento imobiliário é considerado o mais seguro para os bancos por ter o imóvel como garantia.

Especialistas alertam que o crédito pode ajudar a organizar a vida financeira, mas recomendam evitar dívidas longas para pagar gastos passageiros, porque o consumo acaba — e a parcela continua.

Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

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Funcionários da Samsung aprovam bônus individual de R$ 1,7 milhão com lucros de IA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 27/05/2026 01:54

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Mais de 45 mil trabalhadores da Samsung poderiam aderir à paralisação prevista — Foto: REUTERS/Kim Hong-Ji/File Photo

Os trabalhadores sindicalizados da gigante sul-coreana Samsung Electronics aprovaram um acordo que prevê vultosos bônus anuais atrelados aos lucros gerados pela inteligência artificial (IA), segundo os resultados de uma votação eletrônica concluída nesta quarta-feira (27).

A Samsung e o sindicato chegaram a esse acerto na semana passada para evitar uma greve geral, com um compromisso que prevê prêmios individuais de até 338 mil dólares (R$ 1,7 milhão) neste ano para 78 mil funcionários da divisão de chips, de um total de 125 mil na Coreia do Sul.

Dos aproximadamente 62.600 votos registrados, mais de 73% apoiaram o pacto, informou o sindicato em comunicado. A votação começou na sexta-feira e se estendeu até as 10h locais desta quarta (22h de terça no horário de Brasília).

O acordo fechado de última hora na semana passada ocorreu em meio a um boom global da IA que impulsionou o negócio de chips de memória de alta largura de banda da Samsung, crucial para os centros de dados dessa tecnologia.

Pelo acordo de 10 anos, atrelado a ambiciosas metas de desempenho, os bônus anuais corresponderão a 10,5% do lucro operacional da divisão de chips e serão pagos em ações, juntamente com um adicional de 1,5% em dinheiro.

A Samsung registrou um aumento de aproximadamente 750% em seu lucro operacional no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, enquanto seu valor de mercado superou 1 trilhão de dólares (R$ 5 trilhões) no início de maio.

A possibilidade de uma greve havia despertado grande preocupação na Coreia do Sul, onde só a Samsung responde por cerca de 12,5% do PIB e os chips de memória representam aproximadamente 35% das exportações.

Esse conflito trabalhista também reacendeu o debate sobre como os ganhos da IA devem ser distribuídos.

Um alto funcionário da Presidência chegou até a sugerir a ideia de um "dividendo nacional", argumentando que o excedente de receitas fiscais relacionadas à IA poderia ser usado para financiar programas de bem-estar social.

R$ 3 bilhões por dia: o que está por trás da ameaça de greve na Samsung e por que ela preocupa tanto

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