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‘Não queremos ser a última geração a comer esse queijo’: ondas de calor ameaçam a produção do Parmigiano Reggiano na Itália

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 05:46

Agro 'Não queremos ser a última geração a comer esse queijo': ondas de calor ameaçam a produção do Parmigiano Reggiano na Itália Temperaturas acima de 40°C fazem animais produzirem menos leite, elevam os custos de refrigeração e preocupam produtores do queijo italiano, cuja receita é preservada há mais de 800 anos. Por Sara Rossi, Oriana Boselli

As fortes ondas de calor na Itália estão ameaçando a produção do Parmigiano Reggiano. As temperaturas elevadas reduzem a produção de leite das vacas em até 10%.

Para proteger os animais, os agricultores da região da Emília-Romanha instalaram ventiladores e sistemas de nebulização. Essas medidas extras fizeram os custos de energia dispararem.

As altas contas de eletricidade também afetam os armazéns de maturação do queijo. Mais de 500 mil rodas de Parmigiano estão estocadas em depósitos climatizados.

A indústria do queijo gera uma receita anual estimada em 4,5 bilhões de euros. Em 2025, as exportações representaram mais de 50% das vendas globais do produto.

Um funcionário gira uma roda de queijo Parmigiano Reggiano dentro do cofre de queijos do Magazzini Generali delle Tagliate, do Credito Emiliano. Foto de 6 de julho de 2026 — Foto: Matteo Minnella/Reuters

Há cinquenta anos, os agricultores da região da Emília-Romanha, na Itália, costumavam abrir as janelas dos celeiros durante as noites de verão para refrescar o gado.

Hoje, com as ondas de calor elevando as temperaturas a níveis recordes, essas janelas permanecem abertas 24 horas por dia para proteger as vacas e, consequentemente, o leite que dá origem ao Parmigiano Reggiano, base de uma indústria centenária de queijo na região.

"O calor extremo afeta a qualidade e a quantidade do leite", afirmou Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, que também administra a fazenda leiteira fundada por sua família em 1895, nos arredores de Parma.

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Aspersores refrescam vacas, na fazenda leiteira Bertinelli, durante uma onda de calor em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026.á-las — Foto: Matteo Minnella/Reuters

Com temperaturas acima de 40°C, as vacas passam mais tempo deitadas, comem menos e produzem até 10% menos leite — um dos apenas três ingredientes do Parmigiano, ao lado do sal e do coalho.

A produção do autêntico Parmigiano Reggiano só é permitida em cinco províncias, a maioria delas na Emília-Romanha, e as vacas devem ser alimentadas exclusivamente com capim e feno produzidos nessa região.

"Se não chove, o capim não cresce, o feno não pode ser produzido e é impossível obter o leite necessário para fazer o queijo", disse Bertinelli, de 54 anos, à Reuters.

Ele e outros produtores também instalaram ventiladores e sistemas de nebulização de água, mas essas medidas extras de resfriamento fizeram os custos de energia dispararem.

As contas mais altas também atingem os administradores dos armazéns onde as rodas de queijo ficam armazenadas durante o processo de maturação, que dura pelo menos 12 meses e pode chegar a três anos ou mais.

Mais de 500 mil rodas de Parmigiano Reggiano, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, estão armazenadas nos dois depósitos operados pela Magazzini Generali delle Tagliate (MGT), unidade do banco Credito Emiliano, nas províncias de Reggio Emilia e Modena.

"Durante os picos de calor deste ano, nosso consumo diário de energia aumentou cerca de 30%", afirmou o diretor da MGT, Giancarlo Ravanetti.

"Para tornar nossas instalações o mais eficientes possível do ponto de vista energético, aprimoramos os sistemas de refrigeração e as caldeiras, melhoramos o isolamento dos edifícios e ampliamos a produção de energia renovável", acrescentou.

Nicola Bertinelli, presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, posa para uma foto no estábulo da fazenda leiteira de sua família, enquanto o calor extremo afeta a produção de leite, em Medesano, na Itália, em 7 de julho de 2026. — Foto: Matteo Minnella/Reuters

Os armazéns climatizados da região se tornaram instituições conhecidas coletivamente como o "Banco do Parmigiano". Atrás de seus muros, tecnologia e tradição caminham lado a lado.

Cada roda de Parmigiano Reggiano passa por rigorosas inspeções de qualidade, incluindo exames de raio X para identificar defeitos. Além disso, especialistas verificam semanalmente cada peça, batendo com pequenos martelos e ouvindo o som produzido para detectar possíveis falhas surgidas durante o envelhecimento.

"O fator humano continua sendo essencial e é a verdadeira força de todo o processo", afirmou Ravanetti.

Paolo Ganzerli, diretor internacional de vendas do grupo alimentício GranTerre, que registrou receita consolidada de 1,87 bilhão de euros em 2025, compartilha a preocupação com o aumento dos custos.

"Se os eventos climáticos extremos se tornarem mais duradouros e intensos, certamente terão impacto tanto na quantidade quanto na qualidade do leite, mas, acima de tudo, levarão a custos mais elevados", disse.

A indústria do Parmigiano Reggiano gera uma receita estimada em 4,5 bilhões de euros (US$ 5,15 bilhões) por ano, emprega milhares de pessoas e movimenta a economia local.

Em 2025, as exportações responderam por mais de 50% das vendas globais do Parmigiano Reggiano, sendo os Estados Unidos o principal mercado externo.

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Com guerra e alta dos combustíveis, transporte volta a ser ‘vilão’ do orçamento das famílias

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 04:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%Oferecido por

O que mais pesa no orçamento das famílias brasileiras no fim do mês? Em junho, os três principais gastos apontados pela população foram alimentação, contas de serviços públicos e aluguel ou financiamento da moradia.

Mas um item chamou atenção: o transporte passou a ocupar um espaço muito maior no bolso dos brasileiros em comparação com o mesmo período do ano passado.

Os dados fazem parte da 13ª edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem do Mercado de Trabalho do FGV Ibre, divulgada nesta terça-feira (14).

Na sondagem, o transporte apresentou a maior variação em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre quem apontou o transporte como uma das três despesas que mais pesam no orçamento, o percentual de entrevistados passou de 2% em junho de 2025 para 27,6% em junho de 2026, alta de 25,6 pontos percentuais.

Na avaliação de Rodolpho Tobler, superintendente adjunto do FGV Ibre, o avanço do transporte entre os principais gastos das famílias está relacionado ao aumento dos custos de deslocamento, especialmente dos combustíveis.

“Tínhamos um percentual baixo falando desse fator [o transporte] no ano passado e, agora, ele é um dos três maiores gastos mensais das famílias”, ressalta.

Segundo o pesquisador, a alta está ligada aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo.

“Isso faz com que haja mais ruídos e aumentos nos preços dos combustíveis e do transporte em si, seja individual ou coletivo. Esse é um fator que deve permanecer ainda em um patamar elevado”, explica.

Segundo Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, o comportamento acompanha a trajetória dos preços ao consumidor. “O subgrupo de transportes no IPCA segue entre os mais voláteis, fortemente influenciado pelos combustíveis, pelas tarifas de transporte público e pelo custo dos veículos”, diz.

Embora 69,1% dos entrevistados pela pesquisa afirmem ter conseguido pagar as contas essenciais nos últimos três meses — abril, maio e junho —, esse percentual vem caindo desde fevereiro, quando era de 72,4%. Isso significa que menos pessoas têm conseguido fechar o mês com as contas em dia.

Para Tobler, do FGV Ibre, o resultado mostra que o principal movimento não é necessariamente uma queda da renda, mas um aumento da pressão dos custos sobre o orçamento das famílias.

“Há duas óticas: ou as pessoas estão ganhando menos ou estão tendo mais custos. E me parece que é mais uma pressão de custos do que uma redução de ganhos”, explica.

Segundo o especialista, embora o crescimento da renda não esteja no mesmo ritmo de antes, o mercado de trabalho ainda permanece estável. O problema é que o aumento dos gastos reduz a percepção de bem-estar das famílias.

Para André Matos, CEO da MA7 Negócios, os dados mostram que o orçamento das famílias continua concentrado principalmente em despesas que não podem ser adiadas.

“Com 75% das famílias citando alimentação entre as maiores despesas, metade citando contas de serviços públicos e quase metade moradia, o orçamento brasileiro está concentrado no que é inadiável”, diz.

A pesquisa também avaliou a percepção dos trabalhadores sobre a satisfação com o emprego. No trimestre encerrado em junho, 64% dos entrevistados se declararam satisfeitos. O resultado, porém, representa uma queda em relação a janeiro deste ano, quando era de 68%.

Entre os fatores que explicam a insatisfação com o trabalho, a baixa remuneração aparece como o principal motivo apontado pelos entrevistados, citado por 57,9%.

Para Tobler, a satisfação está relacionada também ao fato de a renda não acompanhar o aumento dos custos. Segundo ele, a pesquisa mostra que o trabalhador continua inserido no mercado, mas sente uma pressão maior sobre o orçamento.

A mobilidade também dificulta uma melhora: 41% dos entrevistados consideram difícil conseguir emprego no Brasil.

“Se a desaceleração continuar na economia, as pessoas entendem que o mercado de trabalho pode piorar nesse cenário. Então, existe uma certa cautela dos trabalhadores olhando para frente”, reitera.

Na avaliação de Matos, da MA7 Negócios, essa combinação reflete um mercado em que o trabalhador acredita ser capaz de encontrar uma nova fonte de renda, mas não necessariamente conta com uma rede de proteção.

“Uma parcela grande dos brasileiros trabalha na informalidade ou por conta própria, e nesse tipo de ocupação conseguir uma nova fonte de renda, um bico, um serviço, uma entrega é o mais comum. Só que essa mesma facilidade de entrada é a marca do vínculo frágil, sem seguro-desemprego, sem FGTS, sem colchão”, afirmou.

Segundo ele, esse cenário gera uma percepção dupla: confiança na capacidade de encontrar alguma fonte de renda, mas insegurança diante de uma eventual perda de rendimento. “É um mercado que dá chão, mas não dá rede”, disse.

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Por que o Brasil mistura etanol na gasolina? História começa em 1930 e cresce com a crise do petróleo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 04:47

Carros Por que o Brasil mistura etanol na gasolina? História começa em 1930 e cresce com a crise do petróleo Mistura obrigatória começou com 2%, apenas para a gasolina importada. Após o choque do petróleo dos anos 1970, país ampliou a estratégia e criou o Proálcool para reduzir a dependência dos preços internacionais. Por Carlos Cereijo, g1 — São Paulo

Em 1979, o Fiat 147 feito no Brasil surgiu como primeiro carro no mundo a rodar com 100% de etanol. — Foto: Divulgação / Stellantis

Nesta terça-feira (14), o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.

A medida tem 180 dias de duração e é uma manobra para controlar os preços após a retomada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã atrapalharem o fornecimento global de petróleo e subirem o preço.

“Preço do barril do petróleo dispara e o governo brasileiro estuda alternativas”, parece até uma manchete deste cenário de 2026, não é? Na verdade, essa também era realidade na década de 1970, quando o preço do combustível fóssil disparou e causou uma crise mundial.

A presença do etanol na gasolina data dos anos 1930, mas foi a partir dessa turbulência, 40 anos depois, que o Brasil passou a incentivar o etanol como alternativa, inclusive misturado com gasolina em maiores proporções.

Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fechou as torneiras e forçou a escassez de barris. O preço foi US$ 1,90 em 1972 para US$ 11,20 por barril em 1974.

Em novembro de 1975, nasceu o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). A iniciativa agregava governos, fabricantes e pesquisadores do mundo acadêmico. (saiba mais abaixo)

A trajetória do etanol como combustível automotivo no Brasil vem de antes e é marcada por respostas a crises econômicas globais e iniciativas dos governantes.

A inserção regulamentada do etanol na gasolina teve início em fevereiro de 1931, com a assinatura do Decreto nº 19.717. A medida estabeleceu que toda a gasolina importada que entrasse no país deveria receber a adição de 5% de álcool.

Julho de 1931: início com 2% de mistura.Agosto de 1931: elevação para 3%.Setembro de 1931: subida para 4%.Outubro de 1931: consolidação do patamar de 5%.

Além do comércio geral, as frotas do próprio governo foram orientadas a priorizar o uso do biocombustível. O intuito principal, já naquela época, era diminuir a dependência de produtos estrangeiros e dar suporte à agricultura nacional.

Ainda na década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, o cenário ganhou um novo braço institucional: a fundação do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) em 1933.

O IAA passou a coordenar e regular o setor sucroalcooleiro, utilizando a produção de álcool como uma válvula de escape para os momentos de superprodução de açúcar.

Quando o preço do açúcar caía ou sobrava matéria-prima, o excedente de cana era direcionado para as destilarias.

O IAA também promoveu campanhas de divulgação do chamado "álcool-motor", chegando a testar e autorizar formulações com proporções significativamente maiores do combustível ecológico em períodos críticos.

Em 1938, um decreto estabeleceu que até a gasolina nacional deveria ter a adição de etanol e que os volumes seriam determinados pelo IAA e pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP).

O modelo baseado em aditivações e regulação de excedentes funcionou por décadas, mas o cenário mudou drasticamente nos anos 1970.

Com a crise internacional do petróleo, os preços do barril dispararam, pressionando fortemente a balança comercial do Brasil.

Em 1979, anúncio da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) celebra o Proalcool. — Foto: Reprodução

Em 14 de novembro de 1975, foi instituído o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) por meio do Decreto nº 76.539, que criou estímulos financeiros e promoveu a modernização e expansão de destilarias. A iniciativa buscava elevar rapidamente a fabricação do combustível vegetal.

A criação do Proálcool marcou o início da maior política pública de substituição parcial de combustíveis fósseis por um combustível renovável já implementada no mundo.

A mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina;A expansão da distribuição de etanol em postos de combustíveis em todo o país;O desenvolvimento e a produção de veículos movidos exclusivamente a álcool hidratado.

A estratégia buscava reduzir a dependência brasileira do petróleo importado em um momento em que a segurança energética havia se tornado uma preocupação global.

O petróleo deixou de ser apenas uma commodity e passou a representar um fator de risco econômico e geopolítico, sujeito às decisões dos países produtores e às crises internacionais.

O programa também impulsionou uma transformação da própria cana-de-açúcar. A cultura, antes voltada principalmente para a produção de açúcar, passou a assumir um novo papel como matéria-prima energética.

Nos primeiros anos, o sucesso do Proálcool esteve diretamente ligado ao preço internacional do petróleo. Enquanto o barril permaneceu caro, a política ganhou força.

As oscilações do preço do petróleo foram o principal parâmetro econômico da primeira fase do programa, influenciando seu ritmo de expansão e os investimentos realizados.

A iniciativa também ajudou a aproximar governo, universidades, centros de pesquisa, produtores de cana e a indústria automobilística.

Essa colaboração permitiu que, anos depois, o Brasil desenvolvesse tecnologias próprias para motores movidos a álcool e, posteriormente, para os veículos flex.

Antes mesmo de o governo federal oficializar o Proálcool, o ecossistema automotivo brasileiro já testava misturas e implementações em menor escala.

No começo da década de 1970, mecânicos de retíficas e estabelecimentos de reparação (que já estavam autorizados a modificar motores) ganharam sinal verde para colocar o derivado da cana diretamente nos tanques dos automóveis.

As conversões eram feitas de modo improvisado, limitando-se a adiantar o ponto de ignição, instalar velas novas, modificar carburadores para injetar mais volume e usar baterias mais robustas.

A estratégia não tinha metodologia estabelecida e gerava dores de cabeça frequentes aos motoristas. E também impedia que as qualidades energéticas do etanol fossem totalmente exploradas.

De acordo com relatos da diretoria técnica da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nem sequer as especificações químicas do álcool eram controladas naquele período, abrindo margem até para testes paralelos com metanol.

Essa falta de padronização refletia diretamente nas bombas, em que o teor do componente misturado à gasolina oscilava sem previsibilidade.

A proporção flutuava ao sabor do mercado, registrando saltos de 10% para 17%, recuos para 12% e novas altas até os 20%. As oscilações repentinas ocorriam sem o suporte de estudos científicos ou ensaios de longa duração.

Degradação interna de dutos;Vazamentos constantes de combustível;Severa dificuldade para dar a partida nas manhãs mais frias;e acúmulo de resíduos espessos que entupiam o carburador.

O maior desafio técnico, no entanto, residia na reação química dos materiais. O biocombustível reagia de forma agressiva com os componentes de alumínio e ligas dos sistemas de carburação.

A interação com tubulações de cobre criava um efeito semelhante ao de uma pilha eletroquímica, acelerando o desgaste das autopeças.

Nem mesmo os tanques de combustível saíam ilesos, já que as ligas metálicas utilizadas na fabricação dos reservatórios da época eram corroídas rapidamente pelo novo composto.

1979, linha de montagem do Fiat 147 movido a álcool em Betim (MG). — Foto: Divulgação / Stellantis

Foi só em 1979 que os engenheiros conseguiram entregar um veículo que podia rodar com 100% de etanol no tanque. O Fiat 147, apelidado de "Cachacinha", começou a ser desenvolvido em 1976 e já deu as caras como protótipo no Salão do Automóvel de São Paulo daquele ano.

A Fiat realizou vários testes em dezenas de milhares de quilômetros percorridos. O desafio era ajustar o carburador a trabalhar com etanol em diferentes cenários.

Foi justamente para provar que o “Cachacinha” estava pronto para tudo que a Fiat fez o teste final em 1978. O 147 percorreu 6,8 mil quilômetros em 12 dias e passou por variações de clima de mais de 30º graus centígrados.

🔎 Um dos problemas mais comuns do etanol em motores é no momento da partida. O motor frio tem dificuldade em queimar o combustível quando o motorista vira a chave. Isso é ainda pior quando a temperatura ambiente é baixa. As paredes frias da câmara de combustão condensam o etanol e ele não queima. O carro fica, na linguagem popular, engasgado. A solução passa por ajustes na mistura e velas com centelha mais forte para o carro “pegar”. Depois, o próprio calor da queima do etanol deixa o motor em melhores condições. É por isso que carros flex no começo tinham um tanquinho com gasolina. Ela era usada na partida do motor frio. Hoje os carros flex usam aquecedores na linha de combustível para que o etanol entre quente na câmara e queime com mais facilidade.

O Proalcool enfrentou dificuldades na década de 1990, quando a queda do preço internacional do petróleo reduziu sua competitividade. O programa chegou perto de desaparecer.

A retomada ocorreu a partir de 2003, impulsionada pela parceria entre os produtores de etanol e a indústria automobilística, que lançou os primeiros veículos bicombustíveis em larga escala.

O Brasil se transformou no principal laboratório mundial de desenvolvimento dessa tecnologia. Segundo dados da Unica, hoje existem mais de 32 milhões de carros flex no Brasil, o que equivale a 85% da frota.

Os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso vinha acontecendo sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol.

🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público.

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional.

“A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época.

A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010.

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Como funciona o ‘Instagram chinês’, que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 03:48

Tecnologia Como funciona o 'Instagram chinês', que atraiu usuários do TikTok e fez turismo explodir Com mais de 350 milhões de usuários, o Xiaohongshu, também conhecido como RedNote, tem sido usado por turistas para postar fotos e planejar viagens. Serviço se prepara para abrir capital na bolsa de Hong Kong. Por France Presse

O Xiaohongshu, aplicativo de estilo de vida mais popular da China, se prepara para abrir capital ainda este ano. Conhecido como "Instagram chinês", ele permite que usuários publiquem fotos, vídeos e transmissões ao vivo.

O serviço é chamado no Ocidente de RedNote, tem um visual parecido com o da rede social americana Pinterest e chamou atenção depois de receber usuários do TikTok nos EUA, em meio à expectativa do bloqueio do aplicativo no país.

Agora, o Xiaohongshu também mostra seu impacto no turismo na China, onde os trajetos domésticos atingem níveis recordes. Viajantes usam o aplicativo para descobrir novos destinos e planejar roteiros em locais fotogênicos.

Um lago no bairro histórico de Shichahai, em Pequim, é um dos vários pontos "daka", isto é, que são considerados parada obrigatória na cidade, e que atraem cada vez mais pessoas por conta do Xiaohongshu.

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Por lá, há uma concorrência acirrada entre fotógrafos que fazem retratos de mulheres vestidas com trajes tradicionais. As imagens têm um destino: o Xiaohongshu.

Em uma segunda-feira recente, a fotógrafa Li Geng, de 18 anos, oferecia seus serviços aos turistas que passavam pelo local. Ela cobrava 10 yuans (cerca de R$ 7,60) por retrato.

A poucos metros dali, outros fotógrafos davam instruções a jovens com roupas elegantes, que faziam o sinal de vitória com os dedos e arqueavam as costas diante das câmeras.

Li contou à AFP que a disputa por clientes é intensa, já que muitos concorrentes têm forte presença nas redes sociais. Um deles tem 45 mil seguidores no Xiaohongshu e cobra preços mais baixos.

A China registrou um recorde de 6,5 bilhões de viagens domésticas em 2025, de acordo com a agência Xinhua. O resultado representou um aumento de 16% em relação a 2024.

No período, a base de usuários do Xiaohongshu também cresceu, passando de 300 milhões, em 2024, para 350 milhões de usuários ativos mensais, em 2025, segundo a plataforma de análise de dados Qiangua.

A rede social impulsionou negócios pouco conhecidos e levou multidões a destinos fora dos roteiros tradicionais, como Zibo, uma tranquila cidade industrial da província de Shandong, depois que seus espetinhos de churrasco baratos e marinados viralizaram.

A turista Mina Chen, que visitava Shichahai com a irmã, planejou toda a viagem a Pequim com base nas recomendações de outros usuários. "Hoje, ele é indispensável para mim", disse a estudante de 20 anos à AFP.

O Xiaohongshu é hoje o primeiro lugar onde "muitos viajantes jovens" buscam inspiração, disse Ming Yii Lai, consultora sênior de estratégia da Daxue Consulting.

Mas o turismo estimulado pelo Xiaohongshu também trouxe problemas, como o excesso de visitantes em locais que viralizaram e a dependência excessiva de empresas em relação ao tráfego gerado pela plataforma, explicou Lai.

Publicações patrocinadas por restaurantes e destinos turísticos também geraram críticas quando as recomendações não corresponderam às expectativas dos visitantes.

O aplicativo ganhou atenção internacional em 2025 quando o plano do governo americano de proibir o TikTok levou usuários dos Estados Unidos, apelidados de "refugiados", a migrar para o RedNote, versão ocidental do Xiaohongshu.

Nas últimas semanas, o "Instagram chinês" voltou às manchetes por seu preparativo para apresentar de forma confidencial uma oferta pública inicial de ações na Bolsa de Hong Kong, segundo veículos como o Wall Street Journal.

As mulheres jovens de cidades ricas da China são a principal base de usuários do Xiaohongshu, de acordo com a Qiangua. Mas a rede social também está atraindo falantes de chinês em países como Malásia e Singapura.

O aposentado singapurense Ernest Phua usou o aplicativo para planejar viagens a Cantão e Yunnan, buscando em mandarim "estratégias de viagem" e recomendações.

"Se queremos saber como é realmente a vida na China" e descobrir o que os moradores gostam de fazer, comer e visitar, "o Xiaohongshu tem muito conteúdo", afirmou.

Meng Jiaxuan, de 20 anos, vestida com um traje tradicional em Shichahai, contou que até as poses de sua sessão de fotos foram pesquisadas no aplicativo. "Não importa o que seja, eu simplesmente procuro no Xiaohongshu", disse.

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Por que o brasileiro parcela tudo? Entenda como o cérebro influencia as compras e evite armadilhas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 03:48

g1 explica Por que o brasileiro parcela tudo? Entenda como o cérebro influencia as compras e evite armadilhas No g1 Explica, a repórter Renata Ribeiro explica e simplifica os temas que dominam o noticiário econômico e mexem diretamente com o nosso bolso. Por Renata Ribeiro, TV Globo — São Paulo

Após décadas de inflação alta, renda apertada e dificuldade para poupar, o parcelamento ampliou o acesso ao consumo no Brasil e levou muitos consumidores a priorizar o valor da prestação em vez do preço total da compra.

Segundo a economia comportamental, dividir o pagamento reduz a percepção do gasto. Com isso, o cérebro tende a dar mais peso ao valor da parcela do que ao custo total da compra, influenciando a decisão do consumidor.

Apesar de ser uma ferramenta útil, o parcelamento exige atenção. O acúmulo de prestações pode comprometer o orçamento e, em alguns casos, os juros elevam ainda mais o valor final. Por isso, a recomendação é considerar o custo total da compra antes de fechar o negócio.

Toda semana, o g1 Explica descomplica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando o impacto de tudo isso no seu bolso.

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Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 15/07/2026 03:47

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês Empreendedora transformou a paixão pelo teatro e pela comida em um negócio cultural na Zona Leste de São Paulo. Casa une esfirras, mamulengos e programação artística. Por PEGN

Artista e empreendedora transformou a paixão pelo teatro e pela comida em um restaurante cultural na Zona Leste de São Paulo. O espaço mistura culinária árabe, mamulengos e programação artística.

A ideia do negócio surgiu após Natália perceber, durante apresentações teatrais em periferias, a importância da comida como forma de acolhimento e conexão com o público.

O restaurante começou com a venda de esfirras feitas artesanalmente e hoje fatura cerca de R$ 60 mil por mês, apostando no boca a boca e em experiências culturais.

Além da gastronomia, a casa promove oficinas, apresentações e exposições de cultura popular, com um modelo de gestão voltado ao bem-estar dos funcionários.

O que começou nos palcos do teatro virou também um negócio de gastronomia e cultura na Zona Leste de São Paulo.

Inspirada pelo universo dos mamulengos — bonecos típicos do Nordeste brasileiro —, a artista e empreendedora Natália Siufi criou o restaurante Mamulengo, que mistura culinária árabe, cultura popular nordestina e experiências artísticas em um mesmo espaço.

Hoje, a casa fatura cerca de R$ 60 mil por mês. A relação de Natália com a arte começou cedo. Ela saiu do interior para estudar Artes Cênicas na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e passou anos viajando pelo Brasil em projetos culturais.

Mas foi justamente durante uma apresentação teatral em periferias de São Paulo que percebeu que havia algo além da arte em jogo. Depois de encenar uma peça para crianças, Natália distribuiu sanduíches ao público e percebeu uma mudança imediata no comportamento delas.

“Eu entendi que elas estavam com fome”, relembra. Desde então, decidiu que nunca mais faria uma atividade cultural sem oferecer comida gratuitamente.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A conexão entre alimentação e acolhimento acabou abrindo caminho para o empreendedorismo. Em uma festa no Teatro Arthur Azevedo, em 2014, Natália decidiu vender esfirras feitas ao lado da tia. A dupla produziu 800 unidades — todas vendidas rapidamente.

O sucesso inesperado revelou uma oportunidade de negócio. Pouco tempo depois, com a diminuição dos projetos culturais, Natália resolveu investir na gastronomia. Ela mandou construir um carrinho em uma serralheria e começou a vender esfirras nas ruas da capital paulista.

O restaurante veio depois, com investimento inicial de cerca de R$ 150 mil. O espaço foi montado inicialmente entre cinco sócios, mas, atualmente, Natália segue à frente do negócio sozinha.

Ao longo da trajetória, contou com apoio de profissionais da gastronomia para estruturar cardápio e operação, mas decidiu manter uma proposta mais afetiva e artesanal na cozinha.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A culinária árabe faz referência às raízes familiares da empreendedora. Já a decoração, os bonecos e a programação cultural refletem anos de pesquisa sobre cultura popular nordestina e teatro de mamulengo.

“Eu acredito que tanto a comida árabe quanto o brinquedo popular são formas de resistência”, afirma Natália. Para ela, há semelhanças entre as culturas árabe e nordestina, como o hábito de compartilhar comida, a resistência diante das dificuldades e o acolhimento familiar.

Além da proposta cultural, o restaurante também aposta em um modelo de gestão voltado ao bem-estar da equipe. Atualmente, os funcionários trabalham em escala 4×3, com pausas maiores durante o expediente. “Hoje eu consigo lucrar sem explorar”, diz a empresária.

No início da operação, Natália também apostou em uma estratégia simples para atrair clientes: distribuir esfirras gratuitamente. Durante três meses, quem passava pelo restaurante podia experimentar o carro-chefe da casa sem pagar nada.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

A ideia ajudou a transformar os clientes em divulgadores espontâneos do negócio. “Minha maior propaganda é o meu cliente”, afirma. Segundo ela, o boca a boca foi essencial para manter o restaurante funcionando ao longo dos últimos seis anos.

Hoje, além da comida, o espaço também recebe oficinas, apresentações culturais e exposições de bonecos populares. O restaurante abriga uma das maiores coleções de mamulengos em exposição no estado de São Paulo e virou ponto de encontro para artistas, famílias e amantes da cultura popular.

Para Natália, o maior objetivo nunca foi transformar a empresa em uma grande rede. “Eu tenho muito prazer em ter uma pequena empresa e isso, para mim, é um grande negócio”, resume.

Restaurante mistura cultura nordestina e culinária árabe em SP e fatura R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

📍 Endereço: Rua Guaimbé, 419 – Mooca – São Paulo/SP – CEP: 03118030📞Telefone: (11) 2606-6898📞Whatsapp: (11) 96305-6305🌐Site: www.amelhoresfihadomundo.com.br📸Instagram: https://www.instagram.com/zakiesp/📘Facebook: https://www.facebook.com/zakie.cozinha.arabe/📧 E-mail: pedido@zakie.com.br

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Nova Zelândia confirma primeiro caso de gripe aviária

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 01:47

Agro Nova Zelândia confirma primeiro caso de gripe aviária Confirmação ocorre semanas após a Austrália registrar os primeiros casos da doença em seu território continental, ambos em aves migratórias. Por Redação g1

A Nova Zelândia confirmou nesta quarta-feira (15) seu primeiro caso de gripe aviária H5N1 de alta patogenicidade em uma ave marinha migratória, segundo informou o ministro da Biossegurança, Andrew Hoggard.

A confirmação ocorre poucas semanas depois de a Austrália registrar os primeiros casos da doença em seu território continental, encerrando uma condição que fazia do continente australiano a única grande massa continental sem registros do vírus.

Segundo o governo neozelandês, o caso foi identificado em uma ave marinha migratória. As autoridades afirmam que, até o momento, não há evidências de transmissão entre aves silvestres no país nem registros de surtos em granjas comerciais.

"Não há evidências de mortalidade em massa na vida selvagem ou de transmissão entre aves silvestres na Nova Zelândia. Não houve detecção em aves domésticas", disse Hoggard em comunicado.

A descoberta reforça a preocupação das autoridades da Oceania com a chegada da cepa H5N1 por meio de aves migratórias.

Em junho, a Austrália confirmou dois casos da doença em menos de uma semana no estado da Austrália Ocidental. O primeiro foi identificado em um mandrião-pardo migratório. O segundo ocorreu em um petrel-gigante-do-norte encontrado doente em uma praia próxima à cidade de Esperance, a cerca de 570 quilômetros de Perth.

Até então, a Austrália era considerada o único continente sem registro da gripe aviária H5N1 em seu território continental. O vírus havia sido detectado apenas no fim de 2025 na Ilha Heard, território subantártico australiano localizado a cerca de 4 mil quilômetros da costa australiana.

Após os registros, autoridades australianas reforçaram protocolos de biossegurança em fazendas, ampliaram a testagem de aves costeiras e intensificaram medidas de vigilância para impedir que o vírus chegasse aos sistemas de produção comercial.

Apesar do avanço da doença entre aves selvagens em diferentes partes do mundo, as infecções humanas continuam sendo consideradas raras. Ainda assim, a disseminação global da gripe aviária levou ao abate de milhões de aves nos últimos anos, afetando cadeias de abastecimento e pressionando preços de alimentos, especialmente ovos e carne de frango.

Por enquanto, tanto a Nova Zelândia quanto a Austrália afirmam não ter identificado transmissão do H5N1 para aves de criação nos casos mais recentes.

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Investimento em saneamento cresce 51% mas segue abaixo do necessário para cumprir Marco Legal

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 01:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%MoedasDólar ComercialR$ 5,078-1,05%Dólar TurismoR$ 5,279-1,1%Euro ComercialR$ 5,798-0,74%Euro TurismoR$ 6,043-0,78%B3Ibovespa176.641 pts0,51%Oferecido por

O investimento anual por habitante em saneamento cresceu 51% desde 2020. O ritmo de aplicação, contudo, é insuficiente para universalizar os serviços até 2033.

A legislação brasileira estabelece que 99% da população deve ter água potável e 90% coleta e tratamento de esgoto. Atualmente, milhões de brasileiros carecem desses serviços.

Os projetos estruturados de saneamento em execução ou já contratados movimentam mais de R$ 420 bilhões. Eles têm potencial para beneficiar mais de 100 milhões de pessoas.

Os investimentos continuam concentrados geograficamente, com o Sudeste recebendo a maior fatia. Menos da metade da população é atendida por agências que seguem normas federais.

Saneamento impulsiona o desenvolvimento sustentável e melhor a vida em municípios por todo o Brasil. — Foto: Divulgação

Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, o Brasil ampliou os investimentos no setor e avançou na estruturação de concessões, privatizações e projetos de regionalização. Apesar disso, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a universalização dos serviços até 2033, meta prevista na legislação.

Levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados mostra que o investimento médio anual por habitante cresceu 51% entre 2020 e 2024, passando de R$ 90,54 para R$ 137,02. O valor, porém, segue distante dos cerca de R$ 225 por habitante por ano estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para atingir as metas de universalização.

✍️ A lei estabelece que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto.

Hoje, o país ainda está longe desse cenário. Segundo os dados usados pelo estudo, 15,9% dos brasileiros seguem sem acesso à água potável e 43,3% não contam com coleta de esgoto. Na prática, isso representa dezenas de milhões de pessoas sem acesso a serviços básicos de saneamento.

Os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões entre 2020 e 2024.O investimento por habitante cresceu 51% no período, alcançando R$ 137,02 em 2024.O valor considerado necessário para cumprir as metas do Marco Legal é de cerca de R$ 225 por habitante por ano.O setor precisa manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões anuais até 2033.Ainda faltam aproximadamente R$ 431 bilhões em investimentos para universalizar os serviços.

"O desafio da universalização permanece enorme. Precisaremos manter um ritmo de R$ 48 bilhões em investimentos ao ano — algo ainda inédito", afirma Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

Sancionado em julho de 2020, o Marco Legal do Saneamento foi criado para ampliar os investimentos no setor, incentivar a participação da iniciativa privada, fortalecer a regulação e acelerar a universalização dos serviços.

Segundo o estudo, o principal efeito observado nos últimos seis anos foi a expansão dos projetos estruturados.

Os contratos já assinados têm potencial de beneficiar mais de 100 milhões de pessoas distribuídas em 2.460 municípios. Além disso, há projetos em preparação com previsão de R$ 58,4 bilhões em investimentos adicionais, que poderão atender mais 18 milhões de habitantes em 625 municípios.

Ao todo, os projetos em execução ou contratados movimentam mais de R$ 420 bilhões em investimentos previstos.

O estudo cita como exemplos processos de concessão e privatização realizados ou estruturados após o novo marco, incluindo projetos em estados como São Paulo, Pará, Sergipe, Paraíba e Rondônia.

Apesar dos avanços financeiros, os pesquisadores destacam que parte importante dos entraves está na governança e na regulação.

De acordo com o levantamento, cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em 963 municípios que ainda não possuem agência reguladora cadastrada na Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

Iniciativa da companhia Aegea impulsiona o saneamento básico no Rio de Janeiro. — Foto: Divulgação

O problema não se limita à ausência de cadastro. Entre as entidades registradas, apenas 29 agências comprovaram aderência integral às normas de referência da ANA. Juntas, elas atendem 2.809 municípios e cerca de 92 milhões de habitantes — o equivalente a 43% da população brasileira.

Na avaliação dos autores, esse cenário pode dificultar a fiscalização dos contratos e reduzir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos de longo prazo.

Boa Vista tem segundo melhor saneamento básico entre capitais do Norte, aponta estudo — Foto: Yasmim Trindade/Caer

O Sudeste recebeu mais da metade dos recursos aplicados desde 2020, impulsionado principalmente por São Paulo. Já a Região Norte, que concentra alguns dos piores indicadores de atendimento do país, recebeu apenas R$ 5,3 bilhões no período analisado.

Segundo os pesquisadores, a diferença ajuda a explicar por que os indicadores de saneamento seguem avançando em velocidades distintas entre as regiões brasileiras.

Na avaliação do Instituto Trata Brasil, o país avançou na criação de projetos e na atração de investimentos, mas os próximos anos serão decisivos para transformar contratos em obras e ampliar efetivamente o acesso à população.

manutenção do crescimento dos investimentos;fortalecimento das agências reguladoras;ampliação da adesão às normas da ANA;avanço da regionalização dos serviços;execução dos projetos já contratados.

Seis anos depois da aprovação do Marco Legal, a conclusão dos pesquisadores é que o setor avançou, mas ainda precisa acelerar significativamente o ritmo para que a universalização dos serviços se torne realidade dentro do prazo previsto pela lei.

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Tarifaço de Trump: EUA definem nesta quarta se aplicam novas taxas ao Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 00:47

Agro Tarifaço de Trump: EUA definem nesta quarta se aplicam novas taxas ao Brasil Decisão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) encerra um processo que começou há um ano, e incluiu investigação, consulta pública, audiências e negociações entre os dois países. Por Micaela Santos, g1 — São Paulo

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump. — Foto: Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images

Termina nesta quarta-feira (15) o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgue a decisão final sobre a investigação comercial e uma eventual aplicação de medidas contra produtos brasileiros.

O processo abriu uma disputa entre Brasília e Washington e mobilizou setores da economia brasileira, que participaram de audiências públicas para apresentar argumentos contra as medidas.

Com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o governo americano avalia a aplicação de duas sobretaxas sobre produtos brasileiros.

A primeira é uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada também a mais de 60 países, sob a justificativa de que essas nações não adotaram medidas consideradas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. A segunda prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo do Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com empresas americanas.

A seguir, entenda como a disputa começou, como funcionaram as audiências públicas, quem participou e qual foi a atuação do governo brasileiro ao longo do processo.

Em junho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA concluiu uma investigação aberta quase um ano antes, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar possíveis barreiras comerciais em outros países. (saiba mais abaixo)

No relatório final, o órgão afirmou que algumas políticas brasileiras seriam "irracionais" ou "restritivas" e poderiam prejudicar empresas e exportadores dos EUA.

PIX e serviços de pagamento: o USTR afirma que o sistema brasileiro favorece o PIX em detrimento de empresas americanas.Regulação de plataformas digitais: o órgão questiona decisões judiciais brasileiras envolvendo redes sociais e empresas de tecnologia dos EUA. Acordos comerciais: os americanos criticam tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a parceiros como México e Índia.Desmatamento ilegal: o relatório aponta falhas na fiscalização ambiental.Mercado de etanol: os EUA alegam falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro.Propriedade intelectual: o documento cita problemas no combate à pirataria e demora na análise de patentes.Combate à corrupção: o USTR critica medidas adotadas pelo Brasil e cita decisões relacionadas à Operação Lava Jato.

PIX, STF, redes sociais: entenda as críticas dos EUA para propor tarifa de 25%Investigação dos EUA contra o PIX expõe disputa global por controle dos pagamentos digitais

Paralelamente, os EUA concluíram uma investigação sobre produtos fabricados com trabalho forçado e incluíram o Brasil entre os países que, segundo o governo americano, não fiscalizariam adequadamente a entrada dessas mercadorias.

Na avaliação do governo brasileiro, as duas medidas podem ser aplicadas de forma cumulativa, levando a uma tarifa total de até 37,5% sobre parte das exportações brasileiras aos EUA.

A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite ao governo dos EUA investigar políticas e práticas de outros países que possam prejudicar empresas ou exportadores americanos.

🔎 O mecanismo dá ao Escritório do Representante Comercial dos EUA poder para apurar possíveis barreiras comerciais e, caso conclua que elas existem, recomendar medidas de retaliação, como tarifas sobre produtos importados.

O processo envolve investigação, análise técnica, consulta pública e, só depois, uma decisão sobre a aplicação das medidas. O instrumento já foi usado em disputas comerciais, principalmente contra a China, durante o primeiro governo de Donald Trump.

A Seção 301 se diferencia de mecanismos como a Seção 232, usada com justificativa de segurança nacional. Enquanto a 232 mira riscos à indústria americana, a 301 é voltada a práticas consideradas comerciais desleais.

Antes disso, Trump tentou impor tarifas ao Brasil usando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), com sobretaxa de até 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, que decidiu que a lei não autorizava o presidente a criar tarifas de importação.

Antes da decisão final, o governo americano abriu uma consulta pública para receber manifestações sobre a proposta de tarifas.

O cronograma previu inscrições para as audiências até 22 de junho, envio de contribuições por escrito até 1º de julho e a realização das audiências públicas nos dias 6 e 7 de julho. As manifestações passaram a integrar a análise que embasou a decisão final.

As audiências do USTR reuniram representantes da indústria, do agronegócio e de outros setores brasileiros que tentaram evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados aos EUA.

O principal argumento foi que a medida elevaria custos não apenas para empresas brasileiras, mas também para consumidores e cadeias produtivas americanas.

💰 Entre os principais argumentos apresentados estiveram a integração das economias dos dois países, a ausência de práticas comerciais desleais e o risco de aumento de custos para empresas dos EUA que dependem de produtos brasileiros. (leia os argumentos da indústria)

Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e representantes dos setores de café, mel, pescados e ferro-gusa defenderam negociações em vez da adoção de novas barreiras comerciais.

O senador Flávio Bolsonaro também participou da audiência por iniciativa própria. Em seu discurso, afirmou que a aplicação das tarifas naquele momento seria "o pior momento possível" e pediu que os EUA adiassem a medida para permitir novas negociações.

A participação dele ocorreu de forma independente, sem representar o governo brasileiro, que enviou observadores ao encontro e manteve as negociações por canais diplomáticos e técnicos.

O governo brasileiro adotou uma estratégia em duas frentes para tentar evitar a aplicação das tarifas propostas pelos EUA:

Em resposta à investigação, o Itamaraty afirmou que as acusações americanas não comprovam que políticas brasileiras prejudiquem empresas dos Estados Unidos ou criem barreiras ao comércio.

O governo argumenta que temas como o PIX, a regulação de plataformas digitais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) estão relacionados a escolhas internas do país e não podem ser usados como justificativa para medidas comerciais.

No documento enviado ao USTR, o Brasil rebateu ponto a ponto as críticas americanas. Sobre o PIX, afirmou que o sistema é uma infraestrutura pública aberta a empresas nacionais e estrangeiras e citou a atuação de companhias americanas no mercado brasileiro.

Em relação às redes sociais, defendeu que as decisões judiciais seguem as leis brasileiras e se aplicam igualmente a empresas nacionais e estrangeiras.

O governo também argumentou que os acordos comerciais firmados pelo Brasil com outros países seguem regras internacionais, que as políticas de combate ao desmatamento e à corrupção foram fortalecidas nos últimos anos e que o país possui mecanismos de fiscalização contra o trabalho análogo à escravidão.

Além da defesa formal, o Brasil buscou articulação com empresas e entidades dos dois países. O governo identificou manifestações de companhias americanas contrárias às tarifas.

Como o g1 mostrou, empresas americanas que dependem de importações brasileiras pressionaram Washington a retirar produtos do Brasil da lista de sobretaxas.

🔎 Em manifestações enviadas ao USTR, companhias e entidades de setores como construção, mineração, pisos, educação e habitação afirmaram que muitos produtos brasileiros não têm substitutos equivalentes e alertaram que a medida aumentaria os custos para empresas e consumidores dos EUA, sem fortalecer a produção doméstica.

Após as audiências, o governo passou a trabalhar com a possibilidade de as tarifas entrarem em vigor, mas ainda avaliava a chance de mudanças no texto final, como a ampliação da lista de produtos isentos da sobretaxa. A expectativa era de uma última rodada de conversas antes do anúncio.

Segundo integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil mantivesse as negociações até o fim do prazo, sem aceitar as justificativas apresentadas pelos EUA para impor as tarifas.

Se a medida entrar em vigor, a reação inicial deverá ser uma manifestação oficial de "indignação" com a decisão da Casa Branca, segundo interlocutores do presidente.

A nota deve reforçar os argumentos apresentados ao longo da investigação, de que as medidas são injustificadas e de que a estrutura tarifária brasileira já favorece as exportações americanas.

Depois disso, o governo pretende analisar a lista final de produtos atingidos para definir os próximos passos, incluindo a continuidade das negociações ou a eventual adoção de medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica, que permite responder a barreiras comerciais impostas por outros países.

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Abono salarial PIS/Pasep 2026: novo lote de pagamento acontece nesta quarta; veja quem recebe

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 15/07/2026 00:47

Trabalho e Carreira Abono salarial PIS/Pasep 2026: novo lote de pagamento acontece nesta quarta; veja quem recebe Benefício no valor de até um salário-mínimo é concedido anualmente a trabalhadores e servidores que atendem aos requisitos do programa; entenda. Por Redação g1 — São Paulo

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá novo pagamento nesta quarta-feira (15).

Desta vez, o benefício será destinado aos trabalhadores que nasceram nos meses de setembro e outubro.

Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026.

Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93.

O pagamento do abono salarial PIS/Pasep 2026, referente ao ano-base 2024, terá novo pagamento nesta quarta-feira (15). Desta vez, o benefício será destinado aos trabalhadores que nasceram nos meses de setembro e outubro.

Os valores ficarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário em 30 de dezembro de 2026.

➡️ O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (Pasep) que atendem aos requisitos do programa.

Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa ter recebido, no ano-base de 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.765,93.

O banco de recebimento, data e os valores, inclusive de anos anteriores, estão disponíveis para consulta no aplicativo Carteira de Trabalho Digital e no portal gov.br.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, a estimativa é de que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados em 2026, com um total de R$ 33,5 bilhões em pagamentos.

A partir deste ano, o pagamento do PIS/Pasep passa a seguir datas fixas. Os valores serão liberados sempre no dia 15 do mês correspondente ao mês de nascimento — ou no primeiro dia útil seguinte, caso a data caia em fim de semana ou feriado.

O encerramento anual dos pagamentos ocorrerá no último dia útil bancário do ano, conforme as regras do Banco Central, que passa a ser a data-limite para o saque do abono.

O abono salarial é um benefício no valor de até um salário-mínimo concedido anualmente a trabalhadores. — Foto: Marcello Casal Jr.

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