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Vacas leiteiras tiram férias? Entenda por que elas passam dois meses sem produzir leite

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/08/2026 04:55

Agro Vacas leiteiras tiram férias? Entenda por que elas passam dois meses sem produzir leite Especialistas explicam que interromper a ordenha permite que o animal concentre energia na gestação e na recuperação do organismo. Por Vivian Souza, g1

Ao fim de cada período de 10 meses de ordenha, as vacas leiteiras devem passar 60 dias longe da atividade.

Esse período é importante para descansar o úbere — que é a teta da vaca —, e permitir que o animal direcione sua energia para a própria saúde.

Normalmente, esse descanso coincide com o final da gestação das vacas, que dura cerca de 9 meses e 10 dias. Nos casos das fêmeas prenhas, ele também permite que o organismo concentre energia no crescimento do bezerro que irá nascer.

Da mesma forma, o especialista afirma que o recomendado é garantir à vaca 60 dias de descanso uterino após o parto. Isso significa evitar que ela fique prenha nesse período.

Já pensou tirar dois meses de férias do trabalho? Para as vacas leiteiras, isso é possível. Ao fim de cada período de 10 meses de ordenha, elas devem passar 60 dias longe da atividade.

Mas isso tem um motivo. Segundo Rui Verneque, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, esse período é importante para descansar o úbere — que é a glândula mamária —, e permitir que o animal direcione sua energia para a própria saúde.

O pesquisador recomenda que a pausa na ordenha seja feita mesmo que o animal ainda tenha leite. Isso permite que ele retome o trabalho com uma boa produtividade e também tenha maior expectativa de vida.

Normalmente, esse descanso coincide com o final da gestação das vacas, que dura cerca de 9 meses e 10 dias. Nos casos das fêmeas prenhas, ele também permite que o organismo concentre energia no crescimento do bezerro que irá nascer.

Da mesma forma, o especialista afirma que o recomendado é garantir à vaca 60 dias de descanso uterino após o parto. Isso significa evitar que ela fique prenha nesse período. Biologicamente, elas já conseguem engravidar cerca de 20 dias após o nascimento da cria.

Neste caso, essa fase ajuda o animal a recuperar o tecido uterino. Com esta pausa, o produtor ainda conseguirá que a vaca tenha cria uma vez ao ano.

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Pele de gente morta e DNA de salmão: clínicas cobram até R$ 2,7 mil por sessão de rejuvenescimento exótico

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 02/08/2026 03:51

Empreendedorismo Pele de gente morta e DNA de salmão: clínicas cobram até R$ 2,7 mil por sessão de rejuvenescimento exótico Tratamentos com tecidos humanos doados e ingredientes inusitados impulsionam nova onda da K-beauty. Empresa que lidera o segmento mais do que dobrou o valor de mercado em um ano. Por Redação g1 — São Paulo

Sara Yoon compartilhar sua rotina de cuidados com a pele para mais de 90 mil seguidores — Foto: Sara Yoon

Quando o dermatologista explicou que o novo tratamento da clínica era feito "de gente morta", Sara Yoon achou que tinha ouvido algo saído de um filme de ficção científica.

A influenciadora de 40 anos, que nasceu em Nova Jersey e mora em Seul desde 2023, logo entendeu que se tratava de uma das apostas mais recentes da indústria da beleza da Coreia do Sul: um procedimento que usa tecido humano doado para tentar reverter sinais de envelhecimento da pele.

Nas clínicas sofisticadas do bairro de Gangnam, um dos centros da estética sul-coreana, tratamentos desse tipo passaram a atrair pacientes dispostos a pagar caro pela promessa de uma pele mais jovem.

Uma sessão do Re2O, um dos produtos que lideram essa nova onda, custa entre 600 mil e 800 mil won sul-coreanos, o equivalente a cerca de R$ 2 mil a R$ 2,7 mil. O valor é aproximadamente quatro vezes maior do que o cobrado por tratamentos tradicionais de rejuvenescimento da pele, segundo a Bloomberg.

O crescimento da demanda também impulsionou empresas do setor. As ações da L&C Bio Co., empresa sul-coreana de biotecnologia que desenvolveu o Re2O, mais que dobraram no último ano.

O movimento mostra como a indústria da beleza da Coreia do Sul está ampliando os limites da chamada K-beauty, conhecida mundialmente por cosméticos, rotinas de cuidados com a pele e produtos voltados ao chamado "rosto de vidro".

O Re2O não é o único tratamento que chama atenção pelos ingredientes utilizados. Outro procedimento popular na Coreia do Sul é o Rejuran, um injetável feito com DNA de salmão. Há também o Laetigen, que utiliza colágeno de porco.

Esses tratamentos estimulam a produção natural de colágeno pela pele. A diferença do Re2O está na proposta de reconstrução.

O produto usa uma matriz extracelular (MEC), estrutura rica em proteínas como o colágeno e obtida a partir de pele humana processada. O material é injetado no rosto e no pescoço para criar uma espécie de suporte onde as células do próprio organismo possam se desenvolver.

Segundo a Bloomberg, a pele usada no produto vem de tecido humano doado nos EUA e certificado pela Association for Advancing Tissue and Biologics (AATB), entidade que estabelece padrões para o uso seguro de tecidos humanos doados.

“Trata-se simplesmente do tecido cutâneo sem nenhuma célula, para evitar rejeição imunológica e efeitos colaterais alérgicos”, afirmou Kim Han-saem, dermatologista-chefe da Clínica de Dermatologia do Departamento de Defesa de Seul, em entrevista à Bloomberg.

"Quando você injeta em uma pele envelhecida ou danificada, você não está estimulando, mas reconstruindo-a, e é por isso que se trata de uma abordagem completamente diferente", disse o médico.

A procura pelo tratamento cresceu mais rápido do que a capacidade de produção. Segundo Kim, entrevistado pela Bloomberg, alguns pacientes passaram a esperar até um mês por uma consulta.

A L&C Bio produz atualmente cerca de 80 mil frascos de Re2O por mês. O plano da empresa é elevar essa capacidade para 150 mil unidades mensais no segundo semestre e chegar a 300 mil nos próximos dois anos, segundo o presidente-executivo da companhia, Lee Whan Chul.

🔎 O crescimento já aparece nos resultados financeiros. O lucro operacional da empresa no primeiro trimestre aumentou 917% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a 6 bilhões de won, segundo a Bloomberg.

“Estamos recebendo consultas do mundo todo, também graças ao boom da beleza coreana”, afirmou Lee à Bloomberg.

O produto, cujo nome significa "Retorno aos 20 anos", já é exportado para países como Singapura e Japão. A empresa pretende ampliar as vendas para Austrália, Hong Kong, Malásia, Rússia e Tailândia, além de entrar no mercado americano no próximo ano, segundo o executivo.

A aposta das empresas ocorre em um mercado global que cresce com o envelhecimento da população e a busca por tratamentos capazes de retardar sinais visíveis da idade.

O mercado global de produtos e serviços antienvelhecimento deve quase dobrar até 2035, alcançando US$ 150 bilhões. A expansão é impulsionada principalmente pela Ásia, onde o aumento da renda, a influência das redes sociais e o envelhecimento da população ampliam a procura.

A mudança também aparece no setor médico sul-coreano. O número de cirurgiões plásticos em consultórios particulares quase dobrou na última década e ultrapassou 2.700 profissionais, segundo dados citados pela Bloomberg.

Com salários mais altos e demanda crescente, médicos de diferentes especialidades passaram a migrar para a medicina estética.

Críticos questionam se o uso de tecidos doados para fins cosméticos pode competir com aplicações médicas tradicionais, como a reconstrução mamária e o tratamento de queimaduras.

A popularização desses procedimentos mostra um dilema da nova era da beleza: até onde os consumidores estão dispostos a ir — e quanto estão dispostos a pagar — para tentar recuperar uma aparência mais jovem.

Para pacientes como Sara Yoon, a decisão passa pela confiança nos médicos e pela disposição de experimentar novidades.

"Passei a adotar mais essa mentalidade cultural de confiar bastante no médico", resumiu a influenciadora à Bloomberg.

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De saladas à feijoada vegana: restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 02/08/2026 02:52

Pequenas Empresas & Grandes Negócios De saladas à feijoada vegana: restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável Com pratos vegetarianos, ingredientes orgânicos e receitas acessíveis, negócio criado por Tia Nice e Thiago Vinícius virou referência gastronômica na Zona Sul de São Paulo e já recebeu chefs famosos. Por PEGN

Restaurante criado por mãe e filho no Campo Limpo, em São Paulo, virou referência em comida saudável e acessível na periferia.

O negócio começou com uma barraquinha e hoje fatura cerca de R$ 40 mil por mês, com pratos vegetarianos e ingredientes orgânicos.

A feijoada vegana é um dos maiores sucessos da casa e já atraiu chefs famosos, como Bela Gil e Alex Atala.

Além da gastronomia, o restaurante fortalece produtores locais e busca inspirar outros empreendedores da periferia.

O que começou com uma pequena barraquinha na Zona Sul de São Paulo se transformou em um restaurante conhecido por unir comida saudável, preço acessível e impacto social na periferia.

No Campo Limpo, bairro mais populoso da capital paulista, mãe e filho comandam um negócio que já recebeu chefs renomados e virou referência de gastronomia comunitária.

A ideia nasceu dentro de casa. Thiago Vinícius decidiu transformar os temperos naturais preparados pela mãe, conhecida como Tia Nice, em um empreendimento voltado para democratizar a alimentação saudável.

“Eu decidi democratizar o tempero da minha mãe, que era só meu, em casa. Agora, é de todo mundo no Campo Limpo, do Brasil e do mundo”, afirma o empreendedor.

Tia Nice cresceu cercada pela culinária e desenvolveu uma cozinha baseada em ingredientes frescos e naturais. Ela evita temperos industrializados e utiliza ervas e legumes cultivados na própria horta. “Eu sempre quis cozinhar sem temperos artificiais”, conta.

Antes de empreender, ela trabalhou em restaurantes vegetarianos de bairros nobres de São Paulo e chegou a ter um bar de petiscos no litoral. Mas foi perto de casa, com o apoio do filho, que conseguiu transformar a experiência em um negócio próprio.

O restaurante começou pequeno, com apenas duas mesas. Hoje, acomoda até 50 pessoas e atende clientes no salão, no delivery e em encomendas para eventos. O investimento inicial foi de R$ 80 mil, e o negócio alcançou faturamento mensal de R$ 40 mil, com ticket médio de R$ 19,90.

Entre os destaques do cardápio está a feijoada vegetariana, preparada com ingredientes orgânicos fornecidos por pequenos produtores da região. Aos sábados, o prato chega a vender cerca de 150 unidades.

Além da proposta gastronômica, o restaurante também movimenta a economia local. Segundo Thiago, empreender na periferia ainda envolve desafios estruturais, como dificuldade de acesso a crédito e falta de infraestrutura básica.

“A gente está o tempo todo desconstruindo a ideia de que a favela é um lugar de violência”, diz.

O sucesso do negócio ultrapassou os limites do bairro e chamou a atenção de nomes conhecidos da gastronomia brasileira. Chefs como Rodrigo Oliveira, Bela Gil e Alex Atala já visitaram o restaurante para provar os pratos da casa.

Para o futuro, a dupla quer expandir o impacto do negócio dentro da comunidade. “Que a gente possa ser um vetor de inspiração para outras quebradas”, afirma Thiago.

📍 Endereço: Rua Batista Crespo 105 – Vila Pirajussara – São Paulo/SP – CEP 05777-001📞Telefone: (11) 94885-6108📧E-mail: percursoproducoes@gmail.com📸 Instagram: https://www.instagram.com/organicamenterango

📍 Endereço: Rua Gastao Raul Forton de Bosquet ,401 – São Paulo/SP – CEP: 05797-000📞Telefone: (11) 98188-6448

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Comissão da Câmara aprova projeto que obriga envio de imagem em multas aplicadas por câmeras com IA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/08/2026 01:51

Carros Comissão da Câmara aprova projeto que obriga envio de imagem em multas aplicadas por câmeras com IA Texto determina que notificações incluam imagens da infração, como já ocorre com multas por excesso de velocidade. Proposta ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado. Por Redação g1 — São Paulo

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 544/2026, que exige a disponibilização de imagens que comprovem multas aplicadas por câmeras usadas para identificar motoristas ao celular ou sem cinto de segurança. Para virar lei, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Com a proposta, a autuação por esse tipo de câmera passaria a funcionar como a dos radares de velocidade, em que a notificação é enviada junto com uma foto do veículo.

“Essa ausência de comprovação visual imediata gera insegurança jurídica e desconfiança por parte do cidadão, que se vê penalizado sem ter acesso prévio aos elementos mínimos que evidenciem a ocorrência da infração”, diz Danilo Forte (União-CE), relator na proposta.

Ao g1, Marcelo Soletti, ex-secretário de Transportes de Porto Alegre, afirmou que, hoje, o motorista precisa passar por um processo burocrático para ter acesso às imagens registradas por essas câmeras.

Radares com IA ampliam fiscalização do uso de celular e da falta do cinto de segurança. — Foto: Reprodução/TV Globo

“Para obter as imagens, o proprietário do veículo ou o condutor deve solicitá-las junto ao órgão de trânsito responsável pela autuação. Essa solicitação faz parte do procedimento de defesa e deve ser feita de forma administrativa, mediante requerimento", apontou Soletti.

Esse tipo de câmera, usado para aplicar multas desde 2013, passou a contar com o auxílio da inteligência artificial para identificar motoristas que desrespeitam o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Essas câmeras com IA são instaladas em pontos estratégicos das rodovias e conseguem identificar detalhes mesmo em veículos a 300 km/h.

Elas operam dia e noite, mesmo com reflexos ou baixa luminosidade. A IA analisa as imagens em tempo real e sinaliza possíveis infrações.

"A gente apresenta um conjunto de dados para ela, para ela treinar e validar em cima daquilo, e depois ela consegue replicar esse conhecimento em imagens que ela não viu até então", explica Cassio Vinícius Carletti Negri, coordenador de gestão operacional.

"O que o policial faz é verificar se, de fato, não houve nenhum erro no trabalho da inteligência", explica Fábio Rocha de Souza, inspetor da PRF.

Em Ribeirão Preto (SP), onde uma das primeiras concessionárias adotou o sistema, os números chamam atenção: entre julho e novembro de 2025, foram registradas mais de 20 mil infrações, sendo mais de 1 mil por uso do celular e quase 17 mil por falta do cinto de segurança.

Segundo a concessionária, houve redução de 30% nos acidentes após a instalação dos equipamentos.

“As pessoas percebem que podem ser multadas e isso aumenta o nível de segurança para a rodovia”, afirma Ana Caetano, gerente de operações da concessionária.

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Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 100 milhões neste domingo; acompanhe ao vivo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/08/2026 00:51

Loterias Mega-Sena Oferecido por: Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 100 milhões neste domingo; acompanhe ao vivo ​Sorteio marca mudança de horário adotada pela Caixa. Apostas simples foram ser efetuadas até as 22h de sábado. Já os Bolões CAIXA nos canais eletrônicos ocorrem até as 10h45. Por Redação g1 — São Paulo

O concurso 3.033 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 100 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (1º), em São Paulo.

🔎 Na semana passada, a Caixa Econômica Federal alterou o calendário dos sorteios das loterias que tradicionalmente eram realizados aos sábados. Com a nova regra, os concursos da Mega-Sena, Loteria Federal, Lotofácil, Quina, Timemania, Dia de Sorte e +Milionária deixam de ocorrer na noite de sábado e passam a ser realizados aos domingos, às 11h.

O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.

A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.

As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.

Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.

Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.

A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.

O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.

A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.

Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

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Receita Federal emite o primeiro CNPJ alfanumérico do Brasil; entenda o que muda

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 01/08/2026 11:51

Empreendedorismo Receita Federal emite o primeiro CNPJ alfanumérico do Brasil; entenda o que muda A primeira inscrição no novo formato foi atribuída a uma filial do Banco do Brasil S.A., registrada sob o número 00.000.000/E08G-12. A mudança não afeta empresas já abertas, apenas novos cadastros. Por Redação g1 — São Paulo

Nesta sexta-feira (31), a Receita Federal informou que foi emitido o primeiro CNPJ alfanumérico do país. A primeira inscrição nesse novo formato foi atribuída a uma filial do Banco do Brasil S.A., registrada sob o número 00.000.000/E08G-12.

Desde julho, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passou a adotar o formato alfanumérico, permitindo a combinação de letras e números (tire dúvidas abaixo).

Segundo a Instrução Normativa RFB nº 2.229, publicada pela Receita Federal, a mudança não afeta empresas já abertas, apenas os novos cadastros.

⚠️ O órgão esclarece, no entanto, que a autorização para o uso do novo formato a partir de julho não significa que todos os CNPJs emitidos após essa data passarão automaticamente a ter letras. A implementação será gradual e progressiva.

As oito primeiras identificarão a raiz do novo número, compostas por letras e números; As quatro seguintes representarão a ordem do estabelecimento, também alfanuméricas;As duas últimas posições, que correspondem aos dígitos verificadores, continuarão a ser numéricas.

Ainda segundo a Receita, a implementação do CNPJ alfanumérico visa garantir a continuidade das políticas públicas e assegurar a disponibilidade de números de identificação, sem causar impactos técnicos significativos para a sociedade brasileira.

O que é o CNPJ alfanumérico?Quem vai receber CNPJ com letras?O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar?O que as empresas precisam fazer?Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo?O que muda no cálculo do Dígito Verificador?Qual a ligação com a reforma tributária?Haverá algum custo para as empresas com essa mudança?

É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres.

A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo)

De acordo com a Receita Federal, o número de combinações possíveis no modelo atual está próximo do limite.

Com o aumento no número de empresas e filiais, o órgão decidiu expandir o sistema para garantir sua viabilidade a longo prazo. A inclusão de letras amplia significativamente a quantidade de combinações possíveis.

Apenas novas inscrições a partir da data de início — como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais — receberão o CNPJ com letras.

O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais.

Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras.

Segundo a Receita, a partir de julho todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).

Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas.

Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias.

Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas.

O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo.

Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48.

Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48).

A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica.

A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que visam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.

Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários.

Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador.

Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados.

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No Brasil, 6 mil bebês foram registrados fora do estado de residência da mãe em 1 ano

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/08/2026 09:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%Oferecido por

Cinco rotas interestaduais concentraram 53,3% dos 6.105 registros analisados, com destaque para Goiás–Distrito Federal, responsável por 1.585 casos.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o deslocamento pode aumentar a segurança de mãe e bebê quando há avaliação no pré-natal, maternidade definida e transporte adequado.

Em um caso em que o deslocamento era previsto pela rede de saúde, uma mulher deu à luz em Fernando de Noronha, em 26 de julho, porque o trabalho de parto avançado tornou mais arriscada a transferência ao Recife.

Cinco rotas entre estados concentraram 53,3% dos registros de crianças realizados fora do estado onde a mãe nasceu e morava em 2024. O maior fluxo foi de Goiás para o Distrito Federal, com 1.585 casos, aproximadamente um em cada quatro dos 6.105 identificados pelo g1 (veja lista abaixo).

Os dados fazem parte da Pesquisa Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O recorte considera somente mulheres que nasceram e continuavam morando no mesmo estado, mas cujos filhos tiveram o nascimento registrado em outro estado.

Embora o estado do registro do bebê não corresponda necessariamente ao local do parto, há casos em que o deslocamento da gestante é conhecido e organizado pela própria rede de saúde. É o que ocorre em Fernando de Noronha, onde os partos programados deixaram de ser realizados em 2004, após a desativação da maternidade do Hospital São Lucas. As gestantes são levadas pelo poder público para dar à luz no Recife.

Em 26 de julho, porém, uma mulher teve um bebê no Hospital São Lucas depois de procurar atendimento com dores e descobrir que estava com 41 semanas de gestação. Como o trabalho de parto já estava avançado, a equipe considerou que não havia tempo seguro para transferi-la ao Recife.

O bebê foi levado para a capital pernambucana em uma UTI aérea no dia seguinte. Como esse deslocamento ocorre dentro de Pernambuco, os casos de Noronha não aparecem nos 6.105 registros interestaduais analisados pelo g1.

Infográfico – 6 mil bebês foram registrados fora do estado de residência da mãe em 1 ano. — Foto: Arte/g1

Goiás → Distrito Federal: 1.585 registrosBahia → Pernambuco: 701Pará → Amapá: 445Pernambuco → Bahia: 347Amazonas → Acre: 178

Juntas, as cinco rotas somaram 3.256 registros. Considerando todas as origens, o Distrito Federal foi o principal destino, com 1.795 crianças registradas cujas mães nasceram e moravam em outros estados.

Os 6.105 casos equivalem a cerca de 0,26% dos 2,3 milhões de nascimentos ocorridos no país em 2024. O recorte, porém, inclui apenas mães que nasceram e continuavam morando no mesmo estado, mas tiveram o filho registrado em outro.

Os números podem reunir encaminhamentos para maternidades de referência, proximidade com hospitais de estados vizinhos, viagens, escolhas familiares e particularidades do registro civil. A Lei nº 13.484, de 2017, permite ainda que a naturalidade declarada na certidão seja a do município de nascimento da criança ou a do município de residência da mãe.

Para os especialistas ouvidos pelo g1, encaminhar a gestante para outra cidade não significa necessariamente falta de assistência no local de origem. Em alguns casos, o deslocamento permite que mãe e bebê sejam atendidos em uma unidade com profissionais e recursos que não poderiam ser mantidos com segurança em municípios menores.

A condição é que esse trajeto seja definido durante o pré-natal, tenha um destino previamente estabelecido e possa ser realizado no momento adequado. Henrique Vitor Leite, obstetra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que essa organização, que envolve avaliar a gestante, definir previamente o serviço de destino e garantir transporte adequado, é chamada de “transporte responsável”.

“Nessas situações de cidade que não tem uma maternidade em condição, [a gestante] procura o hospital, é avaliada pelo profissional e, no transporte adequado, vai ser transferida para um lugar que tem uma condição melhor”, afirma.

Foi essa avaliação que determinou a conduta adotada em Noronha. Como a gestante já estava em trabalho de parto avançado, transferi-la naquele momento poderia representar um risco maior.

“Tem condição de transferir? Tem. Não tem condição de transferir? Tem que nascer lá. Porque é melhor nascer e ser transportada a criança depois no avião do que essa criança nascer em cima do oceano, dentro do avião”, diz Leite.

A escolha da unidade de destino depende do risco da gestação, que pode mudar ao longo dos meses. Leila Katz, obstetra do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP) e doutora em Tocoginecologia pela Unicamp, explica que a avaliação deve começar na primeira consulta.

“Essa classificação começa a ser feita a partir do começo do pré-natal e vai sendo reavaliada a cada consulta.”

Quando o risco aumenta, o encaminhamento a um serviço mais estruturado pode ser uma medida de proteção.

“Muitas vezes, as pessoas são triadas para hospitais de maior risco não só pela gravidade da paciente, mas pela infraestrutura presente para fazer aquele atendimento”, diz Katz.

Mirela Foresti Jiménez, obstetra e professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), afirma que o encaminhamento pode ser a escolha mais segura quando a cidade não dispõe de uma equipe completa para responder a possíveis intercorrências.

“As pacientes deveriam ser referenciadas para um centro um pouco mais complexo, onde tivesse obstetra presencial, pediatra, neonatologista, anestesista e toda essa estrutura.”

Essa decisão, porém, depende de planejamento: é preciso considerar a distância, o tempo do percurso e assegurar transporte adequado. “Quanto maior a estrutura do hospital ou do local onde vai acontecer o parto, maiores são as chances de as coisas darem certo se complicarem”, afirma. “Mas, quando se vai transportar essas pacientes para terem o parto fora da sua cidade, é preciso fazer o planejamento.”

O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) segue a mesma linha. Em nota, a entidade afirmou que “nem todo município precisa — ou deve — manter uma estrutura hospitalar para a realização de partos”, porque cidades pequenas podem não ter demanda suficiente para manter equipes completas e experientes durante 24 horas.

Viabilizar que a gestante tenha o bebê em outra cidade ou estado, porém, não transfere a responsabilidade pelo atendimento. Segundo o conselho, “a gestão municipal de residência permanece responsável pela coordenação do cuidado da gestante e do recém-nascido”. Cabe ao município garantir o pré-natal, classificar o risco, vincular a mulher à maternidade e organizar o transporte para consultas, parto e urgências.

A estrutura necessária também varia conforme o atendimento. Em junho de 2026, 3.594 municípios, 64,5% do total, não tinham leitos cadastrados no CNES na categoria “obstetrícia cirúrgica”.

O Ministério da Saúde informou que “a classificação de leitos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, por si só, não determina se um estabelecimento pode realizar partos”. Segundo o ministério, essa categoria é obrigatória apenas para unidades habilitadas para atendimentos obstétricos de alta complexidade.

🔎 A assistência obstétrica no SUS é regulamentada por uma portaria de 2017, enquanto uma resolução da Anvisa, define requisitos de infraestrutura, equipamentos, insumos e equipes compatíveis com a complexidade do atendimento.

A Anvisa afirmou que “a existência ou ausência de um tipo específico de leito registrado no CNES, por si só, não permite concluir se um serviço pode ou não realizar partos”. É necessário avaliar o conjunto da estrutura, dos profissionais, dos processos assistenciais e da retaguarda disponível.

Um parto vaginal de risco habitual, por exemplo, não precisa ocorrer em uma sala cirúrgica. Leite explica que muitas maternidades utilizam o quarto PPP: pré-parto, parto e pós-parto, no qual a mulher permanece durante as diferentes etapas, com liberdade de movimento e equipamentos próximos para eventuais intercorrências.

Essa organização também busca preservar a fisiologia do parto e evitar intervenções desnecessárias. Renné Cosmo da Costa, enfermeiro obstetra e coordenador da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde da Mulher do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), destaca a importância de respeitar as escolhas da mulher.

“Como você quer parir, de que jeito e em que posição. Tudo isso é muito importante”, afirma Costa.

Mesmo um parto classificado inicialmente como de risco habitual, no entanto, pode exigir uma cirurgia caso algo se modifique ao longo do processo. Segundo Mirela, a unidade precisa ter acesso rápido a bloco cirúrgico, anestesista, equipe obstétrica, medicamentos, atendimento neonatal e sangue para transfusão.

“O parto é uma coisa bastante fisiológica na grande maioria das vezes, mas, quando complica, precisa de mãos experientes, de obstetras e neonatologistas treinados e capacitados.”

Katz acrescenta que a maternidade deve ter, ao menos, uma unidade transfusional com sangue disponível, porque intercorrências podem surgir mesmo sem fatores de risco prévios. Já um Centro de Parto Normal pode atender casos de risco habitual, desde que esteja vinculado a uma maternidade com retaguarda cirúrgica e transporte rápido.

É esse equilíbrio que define se o deslocamento amplia ou reduz a segurança: concentrar os partos em unidades mais estruturadas pode proteger mãe e bebê, mas somente quando o pré-natal identifica o risco, a maternidade está definida e o transporte funciona em tempo adequado.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

O Brasil tem margem para negociar o tarifaço de Trump?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/08/2026 05:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%Oferecido por

O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (22) que o Brasil segue negociando para reverter as tarifas de 25% impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros.

Especialistas apontam que a questão vai além da balança comercial. Ela envolve a influência geopolítica americana e o avanço da China na região.

Países como Reino Unido, Japão, Canadá e parceiros da União Europeia assinaram acordos com os EUA, mas ainda enfrentam incertezas e tarifas.

O professor Daniel Vargas explica que as tarifas buscam afirmar a autoridade americana. Carlos Poggio avalia que a medida reflete impulsos ideológicos do governo Trump.

O analista Gustavo Blum cita a lógica sem concessões de Trump. Já Poggio destaca que o Brasil não tem margem de negociação e os acordos são efêmeros.

Em uma cerimônia na última quarta-feira (22/07) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi categórico ao afirmar que o Brasil seguia na mesa de negociação para tentar reverter as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros.

"A gente não vai sair da mesa de negociação. Eles que digam que não querem negociar, porque nós vamos estar lá sentados na mesa, fazendo proposta toda vez e desafiando eles a provarem que eles tinham alguma razão de taxar o Brasil porque são deficitários conosco", disse Lula durante evento no Palácio do Planalto, lembrando que há décadas os EUA acumulam superávit com o Brasil.

Mas analistas apontam que a questão vai muito além da balança comercial. Em um momento em que os Estados Unidos buscam rever acordos multilaterais, combater o avanço da influência chinesa e se impor economicamente de forma mais agressiva, especialistas salientam que o Brasil não deveria encarar as tarifas somente como uma discussão puramente técnica. Haveria mais em jogo.

Reino Unido, Japão e a União Europeia assinaram acordos bilaterais com os Estados Unidos nos últimos meses, por exemplo.

Eles fizeram concessões importantes em troca de mais estabilidade na relação comercial com os americanos, mas ainda enfrentam incertezas, como o anúncio recente de tarifas sobre combate ao trabalho forçado.

Já o Canadá, que assinou um amplo acordo comercial com os EUA de Trump em 2025, também foi alvo neste mês de um novo tarifaço por parte da Casa Branca, levando os canadenses a acusarem Washington de violar o tratado.

Ainda assim, o premiê do Canadá, Mark Carney, disse que pretende "intensificar" as negociações comerciais com Trump.

Para o professor de Daniel Vargas, da FGV Direito Rio, o primeiro passo é estabelecer as diferenças das negociações com os Estados Unidos durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.

Segundo ele, as tratativas agora também envolvem aspectos referentes à influência americana na região e a relação política entre os dois países.

“Esse não é apenas um diálogo negocial em sentido estrito. É uma disputa muito mais profunda que envolve tanto questões econômicas e políticas, mas sobretudo questões geopolíticas que se tornaram prioridade para os Estados Unidos”, afirma Vargas.

Ele explica que o caráter político da medida seria a construção de uma afinidade ideológica entre os dois países através de um possível impacto nas eleições brasileiras. O segundo, seria a utilização das tarifas para desincentivar que países mantenham uma relação comercial próxima à China.

"Não é uma tarifa cujo cálculo carrega consigo a esperança de ter um retorno econômico amanhã. É uma tarifa cujo cálculo tem a expectativa de afirmar a autoridade americana e a sua influência geopolítica sobre a região”, diz.

A posição é corroborada pelo professor de relações internacionais do Berea College Carlos Gustavo Poggio.

“É difícil negociar porque não se trata de uma questão técnica. A abertura da investigação no Brasil foi política. Ela começa quando Trump envia uma carta falando sobre Jair Bolsonaro, sobre o Supremo Tribunal Federal”, explica Poggio, em referência a primeira rodada de tarifas anunciadas pelo governo americano em julho de 2025.

A investigação aberta naquela ocasião visava responder a medidas econômicas de países que restringissem o comércio americano e foi encerrada com o anúncio recente de taxação de 25% de produtos brasileiros.

Para Poggio, porém, a aplicação de tarifas estaria mais ancorada em uma visão ideológica do governo Trump, encabeçada pelo Secretário de Estado Marco Rubio, do que uma estratégia de longo prazo que visa afastar a influência chinesa de parceiros comerciais estratégicos.

“O governo Trump não pensa dessa forma porque não existe estratégia, existem impulsos e emoção. Não é algo coerente”, afirma.

Rubio, que é filho de cubanos, é considerado integrante da ala mais ideológica do governo americano e tem tido papel central na relação do governo Trump com países da América Latina.

O Brasil não se absteve de negociar com os Estados Unidos, segundo o professor Daniel Vargas, mas a posição do governo brasileiro não tem levado em consideração os componentes políticos da medida.

“Acho que o governo está tentando negociar, mas de maneira muito estreita, mais do que de qualquer outra negociação em curso ou que aconteceu entre outros países e os Estados Unidos. A negociação com a Europa também envolveu um conjunto de componentes valorativos”, afirma.

Já Gustavo Blum, que é analista geopolítico e pesquisador convidado no Geneva Graduate Institute, defende que o país tentou negociar com os Estados Unidos, mas o processo não avançou por conta da lógica “maximalista” do governo Trump, onde há pouca ou nenhuma margem para concessões.

“O Brasil não fez uma abertura total e completa, o governo buscou encontrar soluções sem prejudicar setores estratégicos da economia brasileira”, afirma.

Blum defende que o tarifaço ocorre num contexto em que os Estados Unidos buscam aumentar sua influência na América Latina, mas questiona a efetividade da medida.

“Existe uma lógica neste processo, mas que é pautada pela inconstância”, afirma. Ele menciona que o recente telefonema entre Lula e o líder chinês Xi Jinping, onde um possível acordo entre o Mercosul e a China foi discutido, mostra como o tarifaço pode produzir um efeito reverso ao buscado pelos americanos.

O professor Carlos Poggio destaca que não é possível fazer uma comparação direta entre as outras negociações bilaterais dos Estados Unidos e um possível acordo com o Brasil, já que elas envolviam países com uma relação geopolítica e econômica muito mais importante com os americanos.

“Além disso, no caso de negociações com a Europa e Japão, por exemplo, não havia o componente político, que há no caso brasileiro”, ressalta.

Para Poggio, o país não tem margem de negociação, considerando que as tarifas são utilizadas pelo governo americano para conseguir concessões unilaterais e um alinhamento quase incondicional de outros países, além de serem pouco efetivas para manter as relações comerciais estáveis.

“Qualquer negociação com Trump é muito efêmera. Qualquer governo futuro pode anulá-la porque não tem nada que passa pelo Congresso”, explica.

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Berranteiro cruza as Américas com cão e volta ao Brasil montado em mulas após três anos na estrada

Engenheiro civil e tocador de berrante (instrumento usado por peões para conduzir o gado), Pedro Henrique viajou de Orindiúva (SP) aos EUA passando por 16 países. Agora com 1 milhão de seguidores nas redes sociais, o derradeiro destino é a Festa do Peão de Barretos.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Bons pagadores’ do Fies criticam o Desenrola e cobram no Congresso descontos iguais aos de inadimplentes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/08/2026 05:53

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%MoedasDólar ComercialR$ 5,0700,17%Dólar TurismoR$ 5,2780,14%Euro ComercialR$ 5,8450,17%Euro TurismoR$ 6,0990,13%B3Ibovespa177.999 pts0,47%Oferecido por

O Novo Desenrola Brasil voltou, neste ano, a incluir formalmente os estudantes com dívidas atrasadas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A medida reacendeu um antigo debate entre beneficiários do programa.

Enquanto estudantes inadimplentes tiveram acesso a descontos de até 99% para renegociar as dívidas, além de parcelamento em até 180 meses, os "bons pagadores" ficaram sem benefício equivalente.

A MP nº 1.373/2026, voltada aos estudantes que estão em dia com as parcelas, prevê desconto de apenas 12% para a quitação da dívida à vista e criou o Fies Empreendedor, uma linha de crédito para que egressos do programa abram ou ampliem negócios, com empréstimos de até R$ 80 mil para pessoas físicas e R$ 180 mil para empresas.

Com isso, estudantes adimplentes passaram a pressionar o Congresso por condições semelhantes às oferecidas aos inadimplentes.

Na Câmara, a principal proposta é o PL 1.306/2024, da deputada Dayany Bittencourt (União-CE), que prevê igualdade de tratamento entre beneficiários que mantiveram as parcelas em dia e aqueles que renegociaram dívidas em atraso.

A proposta foi aprovada por unanimidade na Comissão de Educação e recebeu parecer favorável na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), mas ainda aguarda inclusão na pauta do colegiado. Outros quatro projetos sobre o tema tramitam em conjunto. (saiba mais abaixo)

O Fies é um programa do Ministério da Educação (MEC) que financia cursos de graduação em instituições privadas. Para participar, o estudante precisa atender aos critérios de renda, ter média mínima de 450 pontos no Enem e nota superior a zero na redação.

Depois de concluir o curso, o beneficiário começa a quitar o financiamento. Nos contratos assinados até 2017, há cobrança de juros. Já no Novo Fies, voltado a estudantes de menor renda, a taxa real de juros é zero. (Confira respostas para essas e outras dúvidas sobre o programa)

O Desenrola Fies, segundo o governo, tem potencial para regularizar a situação de mais de 1 milhão de estudantes com contratos assinados até 2017 e que estavam na fase de amortização em maio de 2026. Contratos firmados a partir de 2018 não fazem parte do público-alvo desta etapa do programa.

💰 Segundo dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que atua como agente operador do Fies, até o fim de julho, o programa havia realizado 113.444 renegociações, envolvendo R$ 5,92 bilhões em dívidas. Após a aplicação dos descontos, o saldo dos débitos caiu para R$ 1,28 bilhão, uma redução superior a R$ 4,65 bilhões.

O advogado Nathã Balbinot recorreu ao Fies para concluir a graduação em Direito e manteve o contrato em dia.

Segundo ele, o movimento de estudantes surgiu depois que as renegociações iniciadas em 2023, ainda no primeiro Desenrola, concederam descontos de até 99% aos inadimplentes.

🔎 Em dezembro de 2023, o Governo Federal lançou o Desenrola Fies, uma iniciativa específica para renegociar dívidas de estudantes do financiamento, separada do Desenrola Brasil. O programa permitiu a regularização de contratos firmados até 2017 e com parcelas em atraso até 30 de junho daquele ano, com descontos de até 99% do saldo devedor para inscritos no Cadastro Único ou beneficiários do Auxílio Emergencial de 2021.

Três anos depois, o grupo reúne mais de 2 mil participantes no WhatsApp e quase 9 mil seguidores no Instagram. O movimento reivindica condições semelhantes de renegociação para estudantes que mantiveram os pagamentos em dia.

Movimento Adimplentes do Fies reúne estudantes que defendem condições iguais de renegociação para quem manteve os pagamentos em dia. — Foto: Reprodução/Instagram

“O pessoal não quer fazer um novo financiamento. Queremos nos livrar do financiamento estudantil”, afirma Nathã. “Queremos os mesmos descontos, de 77% a 99%, e o parcelamento do saldo remanescente após o abatimento.”

Na avaliação do movimento, as renegociações criaram uma "sensação de injustiça" entre os estudantes que continuaram pagando as parcelas.

Lucas Garcia, formado em Engenharia da Computação, paga uma parcela mensal de R$ 767 do Fies — Foto: Arquivo Pessoal

O programador Lucas Garcia, de 28 anos, de Belém (PA), integra o movimento Adimplentes do Fies. Formado em Engenharia da Computação em 2019, ele ainda tem cerca de oito anos de financiamento pela frente e paga uma parcela mensal de R$ 767.

"Quem deixou de pagar ganhou até 99% de desconto e ainda pôde parcelar o restante da dívida. Já quem honrou os compromissos recebeu apenas 12% de desconto para pagamento à vista."

Ele afirma que não pretende aderir ao Fies Empreendedor. "O governo ofereceu uma nova dívida para quem já está pagando uma."

Garcia diz que se esforçou para não atrasar as parcelas porque tem uma fiadora e não queria transferir a ela a responsabilidade pelo contrato. Durante a pandemia, logo após o fim da carência de 18 meses do financiamento, ficou desempregado.

"Eu não trabalhava. Tive que pedir dinheiro emprestado para não ficar em débito com o Fies. Depois consegui arrumar um emprego e continuei honrando as parcelas."

Segundo ele, foram cerca de seis meses até conseguir uma nova oportunidade profissional. Hoje, há quatro anos empregado como programador, afirma que o financiamento continua limitando seus planos.

"Ainda moro com meus pais. A parcela compromete uma parte importante da minha renda e atrasa objetivos como comprar um imóvel."

A médica Flávia Raiane Ottobelli, de 31 anos, moradora de Medianeira (PR), também integra o grupo de estudantes que defendem condições semelhantes de renegociação para quem manteve o Fies em dia.

“Muita gente imagina que, depois de formado, a situação financeira se resolve rapidamente, mas a realidade é diferente. A parcela do Fies compromete uma parte importante da renda.”

Atualmente, Flávia paga cerca de R$ 2,8 mil por mês pelo financiamento. Desse total, aproximadamente R$ 1,2 mil correspondem à amortização da dívida e R$ 1,6 mil, aos juros. Ela se formou em 2019, mas o contrato vai até 2044.

Segundo Flávia, o saldo devedor atualizado com juros supera R$ 650 mil. Ela afirma que o valor considera a atualização contratual do financiamento ao longo dos anos. Já a proposta para a liquidação antecipada da dívida é de cerca de R$ 451 mil.

“Entendo que quem passou por dificuldades graves precisa de apoio. O que considero injusto é que quem fez sacrifícios para pagar em dia não receba tratamento semelhante.”

Além do PL 1.306/2024, que tramita na Câmara, o senador Jayme Campos apresentou uma emenda à MP nº 1.355/2026 para estender aos adimplentes as condições de renegociação oferecidas aos estudantes inadimplentes.

Já a MP nº 1.373/2026, que criou o Desenrola Adimplentes e o Fies Empreendedor, recebeu 32 emendas no Congresso. Entre as sugestões apresentadas, há propostas para alterar as condições oferecidas aos beneficiários adimplentes do Fies.

Segundo representantes do movimento, a adesão ao programa foi baixa. Em uma enquete organizada pelo grupo, com 1.356 participantes, 98% afirmaram que não pretendem aderir à medida.

Para o advogado e especialista em direito do consumidor Stefano Ribeiro, programas de renegociação podem ajudar consumidores que enfrentam dificuldades financeiras, mas não resolvem o problema estrutural do endividamento.

“Muitas vezes as pessoas acham que estão resolvendo a vida, mas, na verdade, estão só trocando uma dívida por outra. É importante entender que isso não substitui o planejamento financeiro.”

Segundo Ribeiro, a criação de condições mais vantajosas para estudantes inadimplentes, por outro lado, também pode gerar uma percepção de desequilíbrio entre os beneficiários que mantiveram os pagamentos em dia. "Isso desestimula quem honra os compromissos."

Sobre o Fies Empreendedor, o especialista afirma que os estudantes devem avaliar com cautela a contratação de uma nova linha de crédito, considerando não apenas as condições oferecidas, mas também a capacidade de pagamento e o custo total do empréstimo.

O movimento "Adimplentes do Fies" reúne mais de 2 mil participantes em grupos de WhatsApp — Foto: Reprodução

Em nota ao g1, o Ministério da Fazenda afirma que a diferença entre as condições oferecidas aos estudantes inadimplentes e aos adimplentes decorre da natureza dos contratos.

Segundo a pasta, dívidas com longo período de inadimplência já são tratadas pelas instituições financeiras como perdas esperadas.

🔎 Nesses casos, a recuperação de parte dos valores por meio de programas de renegociação representa a entrada de recursos para a União. Já os contratos que seguem em dia fazem parte da receita prevista pelo governo.

"Descontos ou perdões maiores do que os concedidos sobre essas dívidas configurariam renúncia de receita, com impacto direto no resultado primário", informou o ministério.

A Fazenda afirmou, porém, que o governo buscou criar, por meio do Fies Empreendedor, um benefício específico para os estudantes que mantiveram o financiamento em dia.

Segundo a pasta, a linha de crédito terá juros inferiores a 1% ao mês e oferecerá financiamento de até R$ 80 mil para pessoas físicas e de R$ 180 mil para pessoas jurídicas vinculadas a egressos adimplentes do programa.

De acordo com o ministério, a economia proporcionada pelas condições da linha de crédito pode chegar a cerca de R$ 145 mil em relação a financiamentos equivalentes disponíveis no mercado.

"Assim, por exemplo, o dentista recém-formado pode abrir seu consultório, o veterinário pode investir em equipamentos: demanda real de milhares de jovens que estão agora dando o primeiro passo na vida profissional", diz a pasta.

O Ministério da Educação afirmou que o Fies Empreendedor é uma iniciativa inédita voltada a estudantes que concluíram a graduação com apoio do Fies e mantiveram os pagamentos em dia.

Segundo a pasta, o programa busca incentivar o empreendedorismo, ampliar a geração de renda e facilitar a inserção profissional dos egressos.

O MEC informou que a linha de crédito terá orçamento de até R$ 1 bilhão e poderá beneficiar entre 50 mil e 125 mil pessoas. Os empréstimos serão oferecidos pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal para a abertura, expansão ou fortalecimento de negócios.

Ao g1, a ABMES afirmou que considera positivas as iniciativas de renegociação de dívidas para estudantes inadimplentes, por permitirem que pessoas em dificuldade financeira reorganizem a vida econômica.

A entidade, porém, defendeu que eventuais mudanças no Fies também considerem os estudantes que mantiveram os contratos em dia.

“O pagamento regular das parcelas não deve ser interpretado como uma penalização, mas como um dos pilares que garantem a continuidade do Fies e a possibilidade de que novas gerações também tenham acesso ao financiamento estudantil.”

Segundo a associação, o desafio é equilibrar o apoio aos inadimplentes com mecanismos que valorizem os estudantes que conseguiram honrar seus compromissos.

Prazo para renegociar dívidas no Desenrola Brasil termina nesta segunda (20) — Foto: Luis Lima Jr./Fotoarena/Estadão Conteúdo

"A ABMES avalia de forma positiva as iniciativas governamentais de renegociação de dívidas de pessoas em situação de inadimplência. Políticas públicas dessa natureza cumprem um importante papel social ao permitir que indivíduos que enfrentam dificuldades financeiras possam reorganizar sua vida econômica.

É preciso considerar que, na maioria dos casos, a inadimplência não decorre de uma escolha, mas de circunstâncias que comprometem a capacidade de pagamento.

No caso específico do Fies, também é importante reconhecer que muitos dos estudantes financiados possuem perfil socioeconômico que, idealmente, deveria ser atendido pela política de bolsas, ou seja, pelo ProUni.

Entretanto, limitações no número de vagas ou no atendimento aos critérios de acesso fazem com que parte desses estudantes recorra ao financiamento estudantil como única alternativa para realizar o sonho de ingressar na educação superior.

Ao mesmo tempo, a ABMES entende que o compromisso assumido pelos estudantes que mantiveram seus contratos em dia é fundamental para a sustentabilidade do programa.

O pagamento regular das parcelas não deve ser interpretado como uma penalização, mas como um dos pilares que garantem a continuidade do Fies e a possibilidade de que novas gerações também tenham acesso ao financiamento estudantil.

Contudo, somos favoráveis que eventuais aperfeiçoamentos na política de financiamento estudantil busquem equilibrar o necessário apoio aos inadimplentes com mecanismos de valorização daqueles que conseguem honrar seus compromissos, preservando a justiça e a sustentabilidade do programa".

"É prática consolidada no sistema financeiro que créditos com longo período de inadimplência sejam classificados como perda esperada e baixados do balanço das instituições — deixando de compor o ativo.

Nesse cenário, qualquer recuperação de valores, ainda que parcial, representa entrada líquida de recursos ao credor.

Situação distinta é a dos contratos adimplentes, cujos pagamentos futuros integram a receita projetada da União. Descontos ou perdões maiores do que foram concedidos sobre essas dívidas configurariam renúncia de receita, com impacto direto no resultado primário.

Ainda assim, o governo federal reconhece e valoriza o histórico de bom pagador dos adimplentes do Fies. Por essa razão, foi estruturado o Fies Empreendedor como o passo seguinte da política pública na vida do estudante que se graduou com apoio do Fies: os egressos que honraram seus contratos passam a ter acesso a uma das linhas de crédito mais competitivas do mercado, com juros abaixo de 1% ao mês, financiamento de até R$ 80 mil para pessoa física e R$ 180 mil para pessoa jurídica vinculada a um egresso adimplente do Fies.

A linha pode representar uma economia de cerca de R$ 145 mil em relação a equivalentes de mercado – mais que o triplo do desconto médio concedido aos inadimplentes.

Assim, por exemplo, o dentista recém formado pode abrir seu consultório, o veterinário pode investir em equipamentos: demanda real de milhares de jovens que estão agora dando o primeiro passo na vida profissional.

Neste momento, não estão previstos novos benefícios relacionados aos contratos do Fies para esse público. A adesão ao Desenrola Fies tem apresentado resultados positivos, e o Fies Empreendedor tem previsão de iniciar suas operações no começo de agosto".

"O Fies Empreendedor é uma iniciativa inédita do Governo Federal que amplia as oportunidades para estudantes que concluíram sua graduação com apoio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e mantêm seus pagamentos em dia.

Voltado aos egressos adimplentes que estão na fase de amortização do financiamento, o programa oferece uma nova linha de crédito para incentivar o empreendedorismo, apoiar a consolidação da trajetória profissional e ampliar a geração de renda e empregos no país.

Com orçamento previsto de até R$ 1 bilhão, a iniciativa poderá beneficiar entre 50 mil e 125 mil brasileiros, permitindo que recém-formados tenham acesso a recursos para abrir, expandir ou fortalecer seus negócios.

As operações serão realizadas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, com condições específicas para pessoas físicas e jurídicas.

Além de estimular a atividade empreendedora, a medida também contribui para promover a educação financeira, ampliar a inclusão produtiva e apoiar jovens profissionais que, após conquistarem o acesso ao ensino superior, passam a contar com melhores condições para desenvolver seus projetos e contribuir para o crescimento econômico e social do país". 

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Os biscoitos realmente eram melhores antigamente? Entenda por que tanta gente tem essa impressão

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/08/2026 04:57

Agro Os biscoitos realmente eram melhores antigamente? Entenda por que tanta gente tem essa impressão Mudanças nas receitas, busca por produtos mais saudáveis, aumento dos custos de produção e até a memória afetiva ajudam a explicar por que consumidores dizem que produtos clássicos mudaram ao longo dos anos. Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

A disputa entre "bolacha" e "biscoito" divide o Brasil há décadas, mas um consenso parece ter surgido entre os consumidores: a sensação de que os biscoitos de antigamente eram melhores.

Nas redes sociais, relatos de consumidores se repetem. Eles dizem perceber mudanças no recheio, na textura e até no sabor de produtos que fizeram parte da infância. Mas os biscoitos realmente pioraram?

Especialistas em ciência dos alimentos explicam que a resposta não é tão simples. Não há evidências de que os produtos antigos eram melhores em qualidade. Mas é fato que, ao longo dos anos, houve mudanças nas receitas, nos processos industriais e no perfil dos consumidores.

Também entraram em cena fatores econômicos que pressionaram a cadeia de produção, como a alta das matérias-primas, a inflação dos alimentos e estratégias adotadas pelas empresas para manter preços e margens, como a redução do tamanho das embalagens e ajustes na formulação dos produtos. (entenda mais abaixo)

Foi essa sensação de piora que levou Henrique Lira, de 44 anos, a revisitar alguns dos biscoitos que marcaram sua infância. Personal e professor de educação física escolar, ele conta ao g1 que percebe diferenças em produtos tradicionais, principalmente na textura, no recheio e na quantidade encontrada nas embalagens.

"Muitos mudaram. Começando pela quantidade: vários produtos perderam peso e, se você perceber, parece que alguns pacotes ficaram com quatro ou cinco unidades a menos. Também sinto diferença na composição e na experiência de consumo", afirma.

Lira cita como exemplo biscoitos que consumia nos anos 1990 e diz perceber alterações nas características sensoriais dos produtos ao longo do tempo.

"Antes, alguns recheios tinham outra textura, eram mais cremosos e tinham uma sensação diferente na boca. Hoje, em alguns casos, parecem mais secos e menos intensos no sabor", relata.

Para entender por que um biscoito pode parecer diferente mesmo mantendo a mesma marca na embalagem, é preciso olhar para o que acontece dentro da fábrica.

Cristiane Ruffi, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), explica que alterações em ingredientes, processos de fabricação, embalagens e fornecedores podem modificar características como sabor, aroma, textura e crocância. Segundo ela, a percepção dos consumidores tem fundamento.

As mudanças também podem ocorrer por fatores econômicos, como redução de custos, diminuição das porções para manutenção do preço de venda ou estratégias das empresas para ampliar seus portfólios.

As diferenças percebidas pelos consumidores não significam necessariamente que os biscoitos antigos eram melhores. Elas refletem um período de transformação da indústria, com mudanças nas receitas, nos processos de fabricação e nos critérios usados para desenvolver os produtos.

A professora Fernanda Vanin, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, explica que a indústria evoluiu junto com a ciência dos alimentos e que os produtos atuais passam por controles mais rigorosos de segurança.

Nos últimos anos, fabricantes passaram a reformular produtos para reduzir nutrientes considerados críticos, como açúcar, sódio e gordura saturada, além de atender à rotulagem nutricional frontal, conhecida pela lupa com alertas de "alto em".

Segundo ela, ingredientes como esses ajudam a definir características como textura, aroma, cor, crocância e conservação dos alimentos. Por isso, quando esses componentes são reduzidos ou substituídos, a experiência sensorial pode mudar.

Vanin ressalta que a evolução dos alimentos industrializados também trouxe avanços na segurança. Segundo a pesquisadora, os produtos atuais passam por controles microbiológicos e químicos mais rigorosos, além de monitoramento de substâncias indesejadas.

"Tenho muito mais segurança em consumir os produtos hoje do que antigamente", afirma Fernanda Vanin.

A professora explica que um dos avanços está no controle de substâncias que passaram a ser monitoradas pela ciência dos alimentos. Um exemplo é a acrilamida, uma substância química que pode se formar naturalmente durante o aquecimento de alimentos ricos em carboidratos, como biscoitos, pães e batatas, principalmente em temperaturas elevadas.

A preocupação com a acrilamida existe porque estudos apontam que a exposição a níveis elevados da substância está associada ao desenvolvimento de câncer em animais. Por isso, órgãos internacionais de segurança alimentar recomendam o monitoramento e a redução da sua formação nos alimentos.

Segundo Vanin, esse tipo de controle mostra uma diferença importante entre os produtos atuais e os antigos. Embora os biscoitos de décadas atrás também estivessem sujeitos à formação da substância, hoje a indústria trabalha com processos mais controlados para reduzir sua presença nos alimentos.

Na esteira desses novos cuidados, Cristiane Ruffi explica que o desafio da indústria passou a ser equilibrar dois objetivos: criar produtos considerados mais adequados do ponto de vista nutricional sem perder características valorizadas pelo consumidor.

"Hoje, o grande desafio da indústria de alimentos é introduzir ingredientes cada vez mais saudáveis sem que o consumidor precise abrir mão do prazer em comer, da indulgência", afirma.

Ela cita como exemplo consumidores que utilizam medicamentos da classe dos GLP-1, conhecidos como "canetas emagrecedoras", além de pessoas que passaram por cirurgia bariátrica ou buscam maior consumo de proteínas.

Além das mudanças reais nas receitas, especialistas apontam outro fator que ajuda a explicar por que tantos consumidores sentem falta dos biscoitos antigos: a memória afetiva.

Aline Garcia, pesquisadora do Ital, explica que muitas vezes o consumidor compara o produto atual não com a fórmula original, mas com uma lembrança construída ao longo dos anos.

Ela relaciona esse fenômeno ao chamado efeito "Ratatouille", em referência ao filme da Pixar em que um sabor desperta uma memória marcante da infância.

"Existe uma mudança real somada a uma idealização emocional na mente do consumidor", afirma Aline.

Fatores econômicos também ajudaram a transformar os produtos. Matérias-primas importantes para a indústria de biscoitos, como trigo, açúcar, óleo vegetal e cacau, passaram por períodos de alta nos últimos anos.

Segundo o economista Valter Palmieri Jr., autor de um estudo sobre inflação dos alimentos, parte desse movimento está relacionada ao conceito de "inflação invisível".

Nesse cenário, o consumidor pode não perceber apenas um aumento direto no preço. A alteração também pode aparecer na quantidade, na composição ou na qualidade percebida do produto.

Um dos fenômenos associados é a chamada shrinkflation, conhecida no Brasil como "reduflação". Nesse caso, a receita permanece praticamente igual, mas a quantidade do produto diminui. Um pacote que antes tinha 200 gramas, por exemplo, pode passar a ter 180 gramas, enquanto o preço permanece semelhante.

A prática passou a receber mais atenção dos órgãos de defesa do consumidor nos últimos anos. Em 2021, o Ministério da Justiça e Segurança Pública publicou uma regra específica para aumentar a transparência em casos de redução de quantidade de produtos já conhecidos no mercado.

A norma determina que, quando houver alteração quantitativa, o fabricante deve informar a mudança de forma clara ao consumidor, com destaque na embalagem ou por outros meios de comunicação, durante um período determinado após a alteração.

A medida busca evitar que produtos mantenham uma aparência semelhante nas prateleiras enquanto passam a oferecer uma quantidade menor sem que o consumidor perceba.

Outro fenômeno associado é a chamada skimpflation, quando empresas substituem ingredientes mais caros por alternativas de menor custo para preservar margens sem repassar todo o aumento ao consumidor.

Há ainda a cheapflation, caracterizada pelo crescimento de produtos mais simples e baratos para o consumo cotidiano, enquanto versões premium concentram ingredientes considerados de maior valor agregado.

Questionada pelo g1, a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) afirma que as alterações nas receitas ocorreram principalmente para atender novas exigências regulatórias e acompanhar mudanças no comportamento dos consumidores.

Segundo a entidade, fabricantes reduziram níveis de açúcar e sódio, substituíram aditivos e ampliaram o portfólio com produtos enriquecidos com fibras, proteínas e versões voltadas para pessoas com restrições alimentares

Apesar das transformações percebidas pelos consumidores, os biscoitos continuam entre os alimentos mais presentes na rotina dos brasileiros. Segundo a Abimapi, a categoria está presente em 99% dos lares do país.

A entidade afirma que o avanço das embalagens menores acompanha mudanças no perfil das famílias e nos hábitos de compra. Pacotes de até 150 gramas já representam cerca de 42% do mercado.

Ao mesmo tempo, cresce um comportamento chamado pelo setor de "efeito ampulheta": consumidores economizam em produtos básicos do dia a dia, mas continuam dispostos a pagar mais por itens considerados especiais em momentos de indulgência.

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