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Escala 6×1: CCJ da Câmara vota nesta quarta relatório que dá aval à tramitação de PECs

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/04/2026 04:53

Política Escala 6×1: CCJ da Câmara vota nesta quarta relatório que dá aval à tramitação de PECs Uma Comissão Especial e o plenário ainda precisarão discutir o assunto na Câmara. Depois, será a vez dos senadores analisarem a proposta. Por Paloma Rodrigues

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (22) parecer do deputado Paulo Azi (União-BA) favorável ao avanço da tramitação das Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que preveem o fim da escala 6×1.

Na semana passada, após a leitura do relatório de Azi, o deputado da oposição Lucas Redecker (PSD-RS), que é crítico ao fim da escala 6×1, apresentou um pedido de vista – mais tempo para análise do relatório.

Deputado federal Paulo Azi (União-BA), relator das PECs que preveem o fim da escala 6×1, na CCJ da Câmara — Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

👩‍🏭🧑‍🏭Atualmente, existem mais de uma proposta na Câmara que alteram a jornada de trabalho no Brasil, fixada na maioria dos casos em 44 horas semanais. Em fevereiro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB) determinou que as propostas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) passassem a tramitar juntas (veja mais detalhes abaixo).

Na CCJ, os deputados se limitarão a analisar a compatibilidade das propostas com a Constituição – a chamada admissibilidade.

A partir da aprovação na CCJ, as PECs passarão a tramitar como um texto só. A proposta será então analisada por uma Comissão Especial e pelo plenário da Casa.

Motta sinalizou que determinará a instalação da Comissão Especial logo após a validação da CCJ. Na Comissão Especial, o conteúdo poderá ser alterado.

Paralelamente à tramitação das PECs, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu enviar um projeto de lei próprio sobre o mesmo assunto.

A avaliação do governo é a de que a aprovação de um projeto de lei é mais fácil, já que demanda menos votos para ser aprovado e tem tramitação mais curta.

🔎Uma PEC precisa de aval de ao menos 308 deputados, enquanto um projeto de lei depende apenas da maioria dos presentes no momento da votação.

A decisão de Lula não agradou Motta, que disse que pretende seguir com a tramitação das PECs. Apesar disso, o presidente da Câmara afirmou que respeita a decisão do governo de enviar seu próprio texto após um almoço com o presidente Lula.

O objetivo central das PECs e do projeto enviado pelo Executivo é abolir o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso, mas existem diferenças entre os textos.

a PEC proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apresentada no ano passado, prevê a redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra;a PEC de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), apresentada em 2019, reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, com prazo, porém, de 10 anos para mudança entrar em vigor;o projeto de lei (PL) enviado pelo governo Lula nesta terça-feira (14), reduz a jornada de trabalho a 40 horas semanais. O texto do Executivo tramita sob urgência constitucional.

A equipe econômica do governo não pretende discutir contrapartidas financeiras às empresas caso prospere alguma das proposições, mas aceita debater uma regra de transição para o novo modelo.

O projeto enviado pelo Executivo não traz qualquer previsão de escalonamentos para a redução da jornada.

Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.

Estudo da Fecomércio estima em R$ 158 bilhões o custo sobre a folha de pagamentos de empresas do país, caso a redução da jornada legal de trabalho seja aprovada.

Na avaliação de economistas, o debate precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.

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Novas regras do Minha Casa, Minha Vida passam a valer nesta quarta; veja o que muda

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/04/2026 01:14

Economia MoedasDólar ComercialR$ 4,975-0,35%Dólar TurismoR$ 5,168-0,35%Euro ComercialR$ 5,879-0,06%Euro TurismoR$ 6,115-0,13%B3Ibovespa196.819 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 4,975-0,35%Dólar TurismoR$ 5,168-0,35%Euro ComercialR$ 5,879-0,06%Euro TurismoR$ 6,115-0,13%B3Ibovespa196.819 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 4,975-0,35%Dólar TurismoR$ 5,168-0,35%Euro ComercialR$ 5,879-0,06%Euro TurismoR$ 6,115-0,13%B3Ibovespa196.819 pts-0,46%Oferecido por

A Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil começam, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

Na prática, também elevam os limites de renda e de valor dos imóveis em todas as faixas do programa, facilitando a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros abaixo dos praticados no mercado.

Especialistas consultadas pelo g1 afirmam que as novas regras devem favorecer principalmente a classe média, permitindo que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis.

Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com taxas mais baixas.

A Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil começam, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil.

Na prática, também elevam os limites de renda e de valor dos imóveis em todas as faixas do programa, facilitando a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros abaixo dos praticados no mercado.

Especialistas consultadas pelo g1 afirmam que as novas regras devem favorecer principalmente a classe média, permitindo que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis. Até então, esse grupo enfrentava restrições maiores, diante de juros elevados e das limitações do MCMV. (leia mais abaixo)

Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com taxas mais baixas.

Faixa 1: passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200Faixa 2: passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000Faixa 3: passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600Faixa 4: passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000

📌 Os juros cobrados nos financiamentos dentro do programa aumentam gradualmente conforme a faixa de renda. Dessa forma, a ampliação dos limites beneficiou diretamente famílias que estavam próximas das faixas de corte e que passam a ter acesso a juros menores.

🏠 EXEMPLO 1: Quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil e se enquadrava na faixa 3 passa agora para a faixa 2. Esse grupo tinha acesso a juros de 8,16% ao ano. Agora, passa a ter taxas de 7% ao ano, explica a advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário.

🏘️ EXEMPLO 2: Quem tinha renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 e se enquadrava na faixa 4 passa agora para a faixa 3. Esse grupo tinha acesso a juros de cerca de 10% ao ano. Agora, passa a ter taxas de até 8,16% ao ano.

Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade;Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil;Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.

📌 O valor máximo dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida também aumentou, o que permite o acesso a unidades maiores ou melhor localizadas.

🏠 EXEMPLO 1: Quem se enquadra na faixa 3 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 400 mil dentro do programa, um aumento de R$ 50 mil em relação ao limite anterior. Na prática, isso amplia o leque de opções a uma nova prateleira de imóveis.

🏘️ EXEMPLO 2: Quem se enquadra na faixa 4 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 600 mil dentro do MCMV, um acréscimo de R$ 100 mil em comparação com o limite anterior. O efeito, nesse caso, é semelhante: amplia o acesso a imóveis de padrão mais elevado.

Na prática, as novas regras ampliam a capacidade de compra das famílias, afirma a advogada Daniele Akamine. Antes da atualização, os limites não acompanhavam a alta dos preços dos imóveis.

“Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas", diz.

Segundo o governo, a atualização das faixas inclui cerca de 31,3 mil famílias na faixa 3 do programa e outras 8,2 mil na faixa 4.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, afirma que o movimento ocorre em meio a um cenário desafiador para parte da classe média.

🔎 Sem acesso ao MCMV, essas famílias passaram a enfrentar juros elevados no financiamento imobiliário, diante de uma taxa básica (Selic) que permaneceu na casa dos 15% durante boa parte do ano passado. A taxa está agora em 14,75%.

“Pessoas que estavam logo acima da faixa de corte do programa agora passam a ser incluídas, ampliando o acesso da classe média à casa própria”, afirma a especialista.

Até abril de 2025, o MCMV alcançava, no máximo, famílias da faixa 3, com renda de até R$ 8 mil — limite ampliado para R$ 8,6 mil naquele mês. Em maio, foi criada a faixa 4, estendendo o programa a famílias com renda de até R$ 12 mil, com juros mais altos, mas ainda abaixo dos praticados no mercado.

As mudanças de abril de 2026 ampliaram o alcance do MCMV para rendas de até R$ 13 mil. Na prática, o teto de acesso ao programa saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.

Ana Castelo, do FGV Ibre, lembra que o MCMV atingiu um novo recorde de contratações em 2025. "Quem realmente sustentou o setor de construção no ano passado foi o programa", diz.

"Vivemos um contexto particularmente difícil para a classe média fora do programa. Foi um ano de bom desempenho nas pontas: no Minha Casa, Minha Vida e no nicho de imóveis de alto padrão — que não depende de financiamento", explica.

"No entanto, a renda média fora do programa sofreu bastante, porque as taxas de financiamento ficaram mais altas."

Dados do Ministério das Cidades, compilados por Ana Castelo, mostram que as contratações da faixa 3 dispararam nos últimos anos e ganharam mais relevância dentro do programa. Veja abaixo:

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Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam sete)

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/04/2026 01:14

Trabalho e Carreira Quais são os próximos feriados de 2026? (Spoiler: restam sete) Dos sete feriados restantes, seis podem render emendas com fins de semana e mais dias de descanso. Veja o calendário. Por Redação g1 — São Paulo

Depois do feriado de Tiradentes, que rendeu um feriadão de quatro dias para muitos trabalhadores, já há expectativa pelos próximos períodos de descanso ao longo do ano.

Em 2026, ainda restam sete feriados nacionais, sendo que seis podem ser emendados — o que torna o calendário um dos mais favoráveis dos últimos anos para quem planeja folgas prolongadas.

O próximo feriado será o Dia do Trabalhador, em 1º de maio, que cairá em uma sexta-feira e deve permitir descanso estendido para quem não trabalha aos fins de semana.

Apesar disso, nem todos são beneficiados: atividades essenciais podem funcionar normalmente, mas trabalhadores escalados têm direito a pagamento em dobro ou folga compensatória.

Depois do feriado de Tiradentes na última terça-feira (21), que garantiu a muitos trabalhadores um feriadão prolongado de quatro dias, já tem gente pensando no próximo período de descanso.

Agora, restam sete feriados neste ano, sendo que seis deles podem ser emendados para prolongar os dias de descanso.

O próximo feriado nacional será 1º de maio (Dia do Trabalhador), que cairá em uma sexta-feira e pode permitir a emenda para quem folga aos fins de semana.

Apesar de ser um feriado nacional, nem todos são beneficiados. A legislação trabalhista permite o funcionamento de atividades em setores considerados essenciais.

⚠️ Mas atenção: quem for escalado para trabalhar na data tem direitos assegurados, como remuneração em dobro ou folga compensatória.

Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.

A próxima possibilidade de emenda será no Corpus Christi, em 4 de junho, considerado ponto facultativo nacional. Ou seja, estados e municípios têm autonomia para decretar a data como feriado religioso, desde que haja regulamentação local.

Nas cidades onde a data é considerada feriado, a regra é a dispensa do trabalhador. Caso seja necessário trabalhar, há direito ao pagamento em dobro ou à folga compensatória.

1º de maio, Dia do Trabalhador (sexta-feira)7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)2 de novembro, Finados (segunda-feira)15 de novembro, Proclamação da República (domingo)20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)25 de dezembro, Natal (sexta-feira)

4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira)5 de junho (sexta-feira)28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)

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A crise do modelo econômico e a inteligência artificial – O Assunto #1704

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 22/04/2026 01:14

Podcasts O Assunto A crise do modelo econômico e a inteligência artificial – O Assunto #1704 O CEO da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta aos investidores com uma previsão: 'o velho modelo do capitalismo está se fragmentando'. Por Natuza Nery — São Paulo

Em março, o CEO da maior gestora de ativos do mundo, a BlackRock, enviou uma carta aos investidores com uma previsão: “o velho modelo do capitalismo está se fragmentando”. No comunicado, Larry Fink afirma que a riqueza está cada vez mais concentrada e aponta o risco de que a inteligência artificial amplie ainda mais a desigualdade. É uma ideia que está em linha com o relatório publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em dezembro de 2025: o texto indica que a IA deve gerar ganhos de produtividade de até 5% em alguns setores da economia nos próximos dois anos, mas alerta que a tecnologia pode impactar até 40% dos empregos no mundo e ampliar a desigualdade entre países e dentro das próprias sociedades.

Neste episódio, Natuza Nery entrevista Eduardo Giannetti da Fonseca para analisar o impacto dessa nova revolução tecnológica no modelo econômico e na ampliação da desigualdade. O economista explica o momento histórico que vivemos, que chama de “fim do ciclo da globalização”, e projeta mais pressões por políticas públicas.

Hora extra e almoço mais curto: medo da inteligência artificial leva profissionais a trabalhar mais;Chatbots já influenciam eleitores e desafiam regulação no Brasil;DeepSeek, ChatGPT e Gemini: o que cada IA faz melhor no dia a dia e as principais diferenças;Dona do Snapchat vai demitir 1.000 funcionários e cita eficiência com IA.

O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti e Stéphanie Nascimento. Colaborou neste episódio Nayara Felizardo. Apresentação: Natuza Nery.

Nos EUA, uso de inteligência artificial na guerra no Oriente Médio vira disputa na Justiça — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

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Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/04/2026 22:13

Jornal Nacional MoedasDólar ComercialR$ 4,974-0,18%Dólar TurismoR$ 5,168-0,24%Euro ComercialR$ 5,862-0,04%Euro TurismoR$ 6,103-0,15%B3Ibovespa196.132 pts0,2%MoedasDólar ComercialR$ 4,974-0,18%Dólar TurismoR$ 5,168-0,24%Euro ComercialR$ 5,862-0,04%Euro TurismoR$ 6,103-0,15%B3Ibovespa196.132 pts0,2%MoedasDólar ComercialR$ 4,974-0,18%Dólar TurismoR$ 5,168-0,24%Euro ComercialR$ 5,862-0,04%Euro TurismoR$ 6,103-0,15%B3Ibovespa196.132 pts0,2%Oferecido por

Pesquisares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a Embrapa, desenvolveram um biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes.

Que laranja aguentaria uma injeção de fungos – direto na casca? Depois de dez dias, olha como é que fica…. A não ser que a fruta receba este líquido contendo uma década de muita pesquisa científica.

"Eu vou fazer um revestimento em todo o fruto", diz Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.

É um biodetergente, sem agrotóxico, capaz de impedir a ação dos fungos. De cada 12 laranjas testadas 11 ficaram intactas, em media.

"Ele faz uma, como se fosse uma desarrumação na estrutura do fungo. Então ele não consegue se proliferar. A gente aumenta o tempo de prateleira desses produtos", afirma Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ).

Agora, tão interessante quanto o efeito da formula é o caminho que os cientistas percorreram pra chegar até ela. Tudo começou com uma gota de petróleo, em um estudo encomendado pela Petrobras em 2009.

"Com os avanços da tecnologia, a gente observou que existia um leque de possibilidades para a utilização do mesmo produto, produzido da mesma forma", conta Douglas Braga, engenheiro ambiental (LaBiM).

A parceria com a Embrapa começou em 2014 quando o laboratório de química da UFRJ venceu um edital para pesquisar conservação de alimentos.

"A gente viu nessa, nesse edital uma oportunidade da gente colaborar para desenvolver um produto biopesticida que não existe no mercado para aplicação em pós-colheita de frutas", relata Otiniel Freitas, pesquisador da Embrapa.

O trabalho foi publicado recentemente em uma importante revista científica internacional. O laboratório vai testar agora aplicações em proporções maiores.

"Um teste num número maior de frutas, aplicado não com pincel, mas aplicado em uma esteira, que é o que é o mecanismo industrial de aplicação, para a gente conseguir provar que o que funciona em laboratório também funciona em uma escala industrial", comenta Elisa Cavalcante, professora do Instituto de Química (UFRJ).

O grande trunfo dessa pesquisa é o impacto que ela pode ter em grande escala, na cadeia mundial de produção de alimentos, que todos os anos tem centenas de bilhões de dólares de prejuízos com alimentos que estragam depois de serem colhidos. Os pesquisadores agora estão tentando descobrir se o biodetergente funciona em outras frutas como morango, mamão, goiaba e em grãos como feijão e soja.

"Então você imagina o quanto não se economiza você tendo uma fruta que sai do pé e chega ao consumidor e fica lá na prateleira do consumidor por muito mais tempo. Eu estimo, com o investimento do governo ou de empresas, que esse produto chegue ao mercado em 5 anos", completa Denise Maria Guimarães Freire, Professora titular do Instituto de Química (UFRJ).

Pesquisadores brasileiros desenvolvem biodetergente capaz de prolongar a vida útil de frutas e legumes — Foto: Reprodução/TV Globo

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O suco ‘misterioso’ que faz ambulante faturar R$ 140 mil e atrai até celebridades

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 21/04/2026 07:16

Pequenas Empresas & Grandes Negócios O suco 'misterioso' que faz ambulante faturar R$ 140 mil e atrai até celebridades Milton França, um vendedor ambulante em Salvador (BA), faz sucesso com seu suco de limão com coco, cuja receita é secreta. No verão, ele chega a vender 100 litros da bebida. Por Pegn

Com o sucesso, o empreendedor expandiu as vendas para outro ponto turístico famoso de Salvador: o Farol da Barra.

Em meio ao calor escaldante de Salvador (BA), uma bebida se destaca e conquista turistas e famosos: o suco de limão com coco de Seu Milton. Há mais de vinte anos, Milton França, vende essa refrescante combinação no Pelourinho, um bairro histórico da Bahia.

O empreendedor pernambucano começou sua jornada como vendedor ambulante aos 16 anos, quando se mudou para Salvador. (veja a reportagem no vídeo acima)

No inicio, Milton vendia cafés, lanches e até saquinhos de água. Foi nessa correria que ele teve a ideia de criar sucos diferenciados, como limão com hortelã e limão com gengibre. Mas foi a combinação de limão com água de coco que realmente conquistou o público.

"Um dia amargava, outro dia ficava assim… depois eu me aperfeiçoei, pronto: ficou só qualidade!", conta Milton, que passou dois anos aprimorando a receita até chegar ao ponto ideal.

No verão, Milton chega a vender 100 litros de suco por dia. O faturamento médio anual do negócio gira em torno de R$ 140 mil.

O sucesso é tanto que Milton e a filha dele, Ábia França, decidiram expandir as vendas para outro ponto turístico famoso de Salvador: o Farol da Barra.

A presença nas redes sociais também tem sido uma estratégia importante para atrair novos clientes.

"Muita gente chega aqui falando que veio pela rede social. Os vídeos circulam em várias redes sociais e isso acaba atraindo muita gente pra cá", diz Ábia.

"Se eu der o segredo, eu vou perder o meu cliente. Tem que ter um segredo, se não tiver um segredo não anda, não, pai!", brinca.

O suco de limão com coco de Seu Milton já conquistou até celebridades. Famosos como Péricles, Spike Lee e Regina Casé já provaram e aprovaram a bebida.

Endereço: Rua Jogo do Lourenço, 58, Saúde Salvador/BA – CEP: 40040-600 Telefone: (71) 99357- 2807 Site: https://vm.tiktok.com/ZMkvMJLKC/ E-mail: docenteabialimadefranca@gmail.com Facebook: https://www.facebook.comInstagram: https://www.instagram.com/sucodelimaocomcocooficial/

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Nem todo mel é igual: veja o que define a cor e o sabor do produto conforme a flor

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/04/2026 04:50

Espírito Santo Agronegócios Nem todo mel é igual: veja o que define a cor e o sabor do produto conforme a flor Diferenças vão além da aparência e revelam riqueza de sabores pouco explorados pelo consumidor. Tudo depende das plantas de onde é colhido o néctar usado pelas abelhas. Por Felipe Sena, g1 ES e TV Gazeta

A variação se dá devido à diferença entre as plantas de origem da colheita do néctar pelas abelhas.

No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos.

As plantas que dão origem aos produtos são a aroeira, o pé de café, pé de laranja, flores variadas – que resultam no "mel silvestre" – e a capuchinha.

O mel é um produto que pode chegar à mesa com diferentes sabores, cores e densidades. A variação se dá devido à diferença entre as plantas de onde é colhido o néctar usado pelas abelhas.

No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos. As plantas que dão origem aos produtos são a aroeira, o pé de café, pé de laranja, flores variadas – que resultam no "mel silvestre" – e a capuchinha.

Apesar de o consumidor brasileiro estar mais acostumado com o mel claro, que não cristaliza e é pouco denso, mais líquido, o apicultor de Domingos Martins, na Região Serrana do estado, Arno Wieringa, defende a riqueza das variedades.

“A gente, hoje em dia, tenta desmistificar e desafiar o consumidor a conhecer esses paladares diferentes.”

E ele explica: "a diferença começa na flor e continua no trabalho de quem acompanha cada etapa". Segundo o apicultor, geralmente o mel mais escuro contém mais sais minerais, é mais encorpado e de sabor marcante.

Méis tem diferentes sabores e cores a depender da planta polinizada pelas abelhas no Espírito Santo — Foto: Reprodução/TV Gazeta

🍯 Mel de capuchinha: mel suave, claro e pouco denso.🌸 Mel silvestre: mel suave, claro e de florada variada.🌱 Mel de café: mel com acidez, mais denso e de coloração média.🍊 Mel de laranja: mel com acidez, denso e escuro.🐝 Mel de aroeira: mel potente, escuro e denso.

Para além da produção de méis com sabores e cores diferentes, o trabalho das abelhas desempenha um papel fundamental para a sobrevivência da flora.

"O papel mais importante da abelha é a fecundação das flores, a polinização. Se a gente não tem esses insetos, grande parte dessa produção (de flores e frutos), a gente não teria mais", explicou Wieringa.

No Espírito Santo, é possível encontrar desde méis escuros e densos até os mais claros e líquidos — Foto: Reprodução/TV Gazeta

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Segundo SUV mais vendido do país, Volkswagen Tera vai bem na cidade, mas não anima na estrada

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/04/2026 04:50

Carros Segundo SUV mais vendido do país, Volkswagen Tera vai bem na cidade, mas não anima na estrada Modelo da Volkswagen se destaca no uso urbano e nas vendas, mas deixa a desejar na retomada de desempenho e em alguns detalhes de acabamento; veja o teste. Por André Fogaça, g1 — São Paulo

Lançado em meados de 2025, o Volkswagen Tera já conseguiu ultrapassar rivais como Jeep Renegade, Fiat Pulse e Renault Kardian em vendas mensais, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Só no primeiro trimestre deste ano, o SUV compacto registrou mais de 18 mil unidades emplacadas, conquistando o segundo lugar entre os mais vendidos do país.

Com preços a partir de R$ 107,2 mil, o Tera foi o primeiro modelo totalmente inédito da Volkswagen desde o lançamento do Nivus, em 2020. O g1 passou uma semana com o SUV, testando-o em uso urbano e durante uma viagem de 120 km, e descreve agora seus principais acertos e limitações.

O visual do Tera merece atenção especial. Nesse aspecto, a marca alemã corrige escolhas anteriores e aprimora soluções que já vinham funcionando bem.

O interior do Tera não segue exatamente o padrão conhecido do chamado “plástico Volkswagen”, presente em modelos como Polo, T-Cross, Nivus e Taos. Ainda assim, o carro não deve ser visto como um SUV compacto capaz de rivalizar com os modelos chineses no quesito acabamento macio ao toque.

A comparação mais direta é com a Fiat. Assim como a marca italiana faz em modelos como Argo e Pulse, a Volkswagen adotou plásticos com diferentes texturas e acabamentos em áreas distintas da cabine. A estratégia adiciona contraste ao interior e afasta o Tera da sensação de que, “do Polo ao Taos, por dentro tudo é sempre igual”.

Em termos de equipamentos, o Tera não traz grandes novidades. Volante, câmbio, comandos do ar-condicionado e outros botões são muito semelhantes ou quase idênticos aos que existem em diversos modelos da Volkswagen, assim como o painel de instrumentos digital, que se destaca pela ampla possibilidade de personalização.

A central multimídia, no entanto, chama atenção por ficar destacada do console central, o que reforça ainda mais seu visual de “tablet”. Os ícones e aplicativos seguem o mesmo padrão gráfico, aproximando a experiência da de um iPad ou de um tablet Android dentro do carro.

Essa proposta se estende aos aplicativos que podem ser instalados diretamente no sistema, sem a necessidade de parear com um celular. Entre eles estão Spotify, Waze, PlayKids, SemParar, Estapar e até o iFood.

Além disso, o modelo conta com uma inteligência artificial embarcada chamada Otto. No dia a dia, o sistema ajuda a explicar trechos do manual do Tera, indica necessidades de manutenção, informa a previsão do tempo e até sugere rotas.

É importante destacar que, ao contrário das inteligências artificiais disponíveis em celulares, o Otto não é gratuito. Para ter acesso ao assistente, é necessário pagar uma mensalidade de R$ 59,90.

Apesar do conjunto tecnológico ser positivo, dois pontos desagradaram na cabine. O primeiro está ligado à tecnologia e envolve o freio de mão manual. Ele ajuda a manter o preço mais baixo nas versões de entrada, mas perde o sentido no modelo mais completo, que foi o avaliado pelo g1.

O segundo ponto negativo é o apoio de braço do motorista. Pequeno e fixado ao assento, ele indica a ausência de um compartimento para objetos entre os bancos. Com isso, o descanso fica restrito apenas ao condutor, algo que não ocorre, por exemplo, no Fiat Pulse.

Por fora, o visual também foge do padrão seguido por outros modelos da Volkswagen, embora o Tera ainda transmita a sensação de ser “um Polo mais alto”.

Essa possível falta de criatividade, no entanto, desaparece na dianteira, que traz um desenho exclusivo nas luzes diurnas em LED. Com isso, quem vê o carro de frente identifica rapidamente que não se trata de um Polo, de um Nivus ou de um T-Cross.

O Tera testado pelo g1 também herdou o motor 1.0 turbo do Polo. Como as dimensões dos dois modelos são muito próximas — incluindo o peso —, o conjunto mecânico transmite ao volante uma sensação bastante semelhante.

Essa percepção é positiva graças ao bom acerto da suspensão, à direção bem calibrada e à posição de condução típica dos modelos da Volkswagen.

Ela envolve a forma como o motorista se senta, a disposição dos comandos, a visibilidade da estrada e o conforto em viagens mais longas. No Tera, tudo isso funciona bem.

No entanto, assim como ocorre no Polo, há um atraso perceptível entre o momento em que o motorista pisa no acelerador e a resposta do carro em ganho de velocidade. Em arrancadas no semáforo, esse comportamento é menos evidente, mas na estrada ele se torna incômodo.

Na prática, foram cerca de três segundos entre o acelerador totalmente pressionado e a reação do Tera. Em uma ultrapassagem em velocidade mais alta, na estrada para Santos (SP), foi preciso antecipar a manobra para realizá-la com segurança.

Esse atraso na resposta do motor não é exclusividade da Volkswagen, mas, entre todos os carros testados pelo g1, o Tera está entre os que apresentam maior intervalo entre o acelerador totalmente pressionado e a reação do veículo.

O g1 apurou, junto a outras fabricantes, que esse atraso na resposta do motor está ligado à redução das emissões de gases. O comportamento é resultado direto do Proconve L8, fase atual do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, em vigor desde 1º de janeiro de 2025.

Deixando de lado o atraso na resposta do acelerador, o Volkswagen Tera se saiu bem no trânsito urbano de São Paulo (SP), onde a velocidade máxima raramente ultrapassa os 60 km/h. Na experiência ao volante, ele está muito mais próximo do que o Polo oferece do que do T-Cross.

Isso também se reflete no porta-malas, que oferece 350 litros de capacidade. O volume está dentro da média dos concorrentes diretos, com bom desempenho no segmento. Veja abaixo:

Fiat Pulse: 370 litros;Renault Kardian: 358 litros;Citroën Basalt: 490 litros;Jeep Renegade: 320 litros.

Após uma semana com o carro, foi possível perceber que a Volkswagen finalmente começou a acertar no acabamento. Ainda assim, o modelo testado — a versão topo de linha — segue atrás de concorrentes chineses mais baratos nesse quesito.

Chevrolet Spark: a partir de R$ 144.990;BYD Dolphin: a partir de R$ 149.990;Geely EX2: a partir de R$ 123.800;GAC GS3: a partir de R$ 129.990;Caoa Chery Tiggo 5X Sport: a partir de R$ 124.990.

Todos os modelos listados oferecem acabamento mais confortável, melhor qualidade geral e uma lista de equipamentos mais completa. Com exceção do GAC GS3 e do Tiggo 5X Sport, todos são elétricos.

Por outro lado, nenhum deles tem o mesmo tempo de mercado da Volkswagen no Brasil, nem a estrutura de pós-venda já consolidada. Também é mais fácil encontrar mecânicos familiarizados com o motor três cilindros do Tera.

Se a ideia for buscar um SUV mais econômico e permanecer em uma marca já consagrada no Brasil, sem se aventurar muito fora do uso urbano, o Volkswagen Tera entrega exatamente a experiência que quem já dirigiu um modelo da marca espera.

Já para quem está mais aberto a experimentar outras marcas, o GAC GS3 se destaca por oferecer mais espaço, melhor acabamento e um conjunto mecânico superior. O Tiggo 5X Sport segue a mesma linha, e ambos custam menos que o Tera topo de linha já nas versões de entrada.

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Diploma na mão, mas trabalho fora da área: como a falta de vagas tem levado jovens ao subemprego nos EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/04/2026 02:53

Trabalho e Carreira Diploma na mão, mas trabalho fora da área: como a falta de vagas tem levado jovens ao subemprego nos EUA Alta do subemprego entre recém-formados reflete excesso de diplomados, menos vagas de entrada e mudanças no mercado de trabalho, segundo análise da Bloomberg Por Redação g1 — São Paulo

Nos EUA, falta de vagas empurra jovens com diploma para trabalhos em lojas, bares e serviços — Foto: Freepik

Jovens americanos seguiram o roteiro esperado: entraram na universidade, assumiram dívidas, passaram anos entre provas e trabalhos e saíram com um diploma nas mãos. Ainda assim, para muitos, o início da vida profissional está longe do que imaginaram.

Em vez de atuar na área de formação, muitos acabam atendendo clientes em lojas, preparando cafés ou aceitando trabalhos temporários para pagar as contas.

Uma reportagem da Bloomberg mostra que esse cenário está longe de ser pontual. Em dezembro de 2025, quase 43% dos americanos entre 22 e 27 anos com ensino superior estavam subempregados, ou seja, em ocupações que não exigem diploma.

O dado é da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de Nova York, e representa o nível mais alto desde o início da pandemia, além de um salto de mais de três pontos percentuais em apenas um ano.

Embora a taxa ainda esteja abaixo do pico registrado na Grande Recessão, o ritmo recente de crescimento acende um alerta, segundo a Bloomberg.

Por trás desse movimento, há um desequilíbrio que vem se acumulando ao longo dos anos. Dados da Lightcast mostram que, entre 2004 e 2024, o número de pessoas que concluíram o ensino superior nos Estados Unidos cresceu 54%. No mesmo período, as vagas de nível inicial avançaram bem menos, cerca de 42%.

Na prática, isso significa mais pessoas qualificadas disputando um número proporcionalmente menor de oportunidades compatíveis com a própria formação.

O problema não se resume à quantidade de vagas. Em 22 das 35 áreas analisadas, a relação entre empregos de entrada e número de formados piorou nas últimas duas décadas.

“Nunca vimos tantas mudanças simultâneas e nessa velocidade. Esta é a primeira vez que o caminho da educação para o emprego está, de certa forma, interrompido”, afirmou Elena Magrini, da Lightcast, em entrevista à Bloomberg.

A inteligência artificial entra nessa equação, mas não explica tudo. Estudos de pesquisadores da Universidade Stanford e da Universidade Harvard indicam que setores como desenvolvimento de software, atendimento ao cliente e marketing já vinham reduzindo contratações de iniciantes à medida que ferramentas de IA se tornaram mais comuns.

Ao mesmo tempo, outros fatores ajudam a compor esse cenário. Juros elevados, mudanças nas políticas comerciais e menor rotatividade nas empresas têm reduzido a abertura de vagas para quem está começando.

“Em um mercado de trabalho competitivo, os empregadores conseguem encontrar profissionais mais experientes para preencher vagas de nível júnior”, disse Shawn VanDerziel, da Associação Nacional de Faculdades e Empregadores, à Bloomberg. “E a inteligência artificial fez com que muitos repensassem um pouco as contratações.”

A reportagem também aponta um desalinhamento entre o que as universidades formam e o que o mercado demanda. Na área da saúde, por exemplo, havia cerca de 1,9 milhão de vagas de entrada em 2024, enquanto o número de formados cresceu apenas 5% na última década, segundo dados da Lightcast.

Já em ciência da computação, o movimento foi o oposto. O número de graduados aumentou 110% no período, mas as vagas cresceram apenas cerca de 6%.

Empresas como Amazon, Atlassian e Block chegaram a citar a inteligência artificial ao anunciar demissões recentes. Ainda assim, um relatório da Forrester indica que muitos desses cortes tiveram origem em questões financeiras, em um movimento que a consultoria descreve como uma espécie de “lavagem de imagem com IA”.

No meio dessa transformação estão histórias como a de Cody Viscardis, de 29 anos. Formado em ciência da computação em 2023, ele enviou quase mil currículos e conseguiu apenas seis entrevistas, todas para vagas com salários iniciais em torno de US$ 60 mil por ano. Diante da dificuldade, acabou aceitando um trabalho como eletricista.

“A faculdade deveria, no mínimo, garantir um emprego decente”, afirmou à Bloomberg. “Eu esperava não continuar nesse ciclo de ser forçado a trabalhar na construção civil.”

Mesmo com jornadas que chegam a 60 horas semanais, ele segue fazendo cursos online para tentar uma recolocação em tecnologia.

A Bloomberg destaca que momentos como esse não são inéditos. Jovens costumam ser os mais afetados em períodos de transição econômica ou tecnológica, como ocorreu nos anos 1990 e após a crise financeira de 2008.

Há, porém, algum alívio possível. Estudos citados pela reportagem indicam que muitos conseguem, com o tempo, migrar para funções compatíveis com a formação, geralmente em até cinco anos.

“Não é incomum que recém-formados tenham dificuldade em encontrar um emprego que exija formação superior ao ingressarem no mercado de trabalho”, disse Jaison Abel, do Fed de Nova York, à Bloomberg. “Para muitos, trabalhar em um emprego que não exige diploma é apenas uma fase.”

Ainda assim, o cenário atual reforça uma mudança importante. Ter um diploma, por si só, já não garante mais um lugar no mercado, especialmente no início da carreira.

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Brasil tenta emplacar fim da escala 6×1 desde os anos 1980

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 21/04/2026 02:53

Trabalho e Carreira Brasil tenta emplacar fim da escala 6×1 desde os anos 1980 Proposta de reduzir a jornada para 40 horas semanais não é nova, tendo sido aprovada há quase 40 anos por uma comissão no Congresso durante a elaboração da Constituição. Por Fábio Corrêa

Primeiros movimentos para maior descanso laboral para 40 horas surgiram nas fábricas, no movimento sindical dos anos 1980 — Foto: VW do Brasil/dpa/picture alliance

As demandas para a redução da jornada de trabalho no Brasil tiveram um novo capítulo nesta semana, com o anúncio de um envio, pelo governo federal, de um projeto de lei ao Congresso que busca reduzir a jornada de 44 horas e, consequentemente, acabar com a escala 6×1 dos empregados.

Diferentemente da proposta anterior, da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), que prevê reduzir a semana laboral de 44 para 36 horas, implementando uma escala de quatro dias de trabalho e três dias de folga, o texto do governo Lula busca um meio-termo – 40 horas de trabalho por semana, ou seja, uma escala 5×2. Isso, sem redução de salários.

Contudo, a ideia de reservar dois dias na semana para a folga dos trabalhadores brasileiros não é nova. Na verdade, a proposta de reduzir a jornada para 40 horas na semana chegou a ser aprovada em uma comissão, no Congresso, em 1987, durante a elaboração da Constituição Federal de 1988. Ou seja, há quase 40 anos.

À época, milhões de trabalhadores enfrentavam uma realidade ainda mais pesada que a atual, de 48 horas semanais, regulamentadas em 1943, na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), durante o primeiro governo Getulio Vargas.

No cálculo atual, as 44 horas preveem cinco dias de oito horas de trabalho, um com quatro e outro de folga remunerada. Na maior parte das vezes, isso significa, para os empregados, apenas um dia e meio de folga no fim de semana.

Até 5 de outubro de 1988, quando a Constituição atual entrou em vigor, os trabalhadores submetidos ao regime geral da CLT tinham, na prática, apenas um dia de descanso remunerado, já que as 48 horas determinavam o trabalho integral de segunda a sábado – com uma hora de intervalo para o almoço.

Em junho de 1987, um anteprojeto propondo a jornada de 40 horas foi aprovado pela Comissão de Ordem Social da Constituinte, colegiado que era responsável pela redação da legislação trabalhista.

A proposta foi encampada principalmente pelos deputados dos partidos de esquerda (PT, PCB, PC do B, PTB, PDT) e rejeitada pelo PFL e pelo PDS, de direita. O PMDB se dividiu.

Na verdade, a luta pela mudança na semana laboral vinha do movimento sindical do início dos anos 1980. Em 1985, os metalúrgicos do ABC Paulista, por exemplo, já tinham conquistado avanços nesse sentido, pressionando para a aprovação de convenções sindicais que já haviam imposto as 44 horas semanais nas fábricas.

Na Constituinte, um dos principais defensores da redução para 40 horas foi o atual presidente da república e então deputado Lula. Na tribuna do Congresso, ele citava medidas similares em outros países e criticava aqueles que diziam que era preciso fazer o contrário – ou seja, aumentar a carga de trabalho.

Cartaz de campanha sindical alemã no 1° de Maio de 1956: "No sábado, o papai pertence a mim" — Foto: DGB via DW

"Dizer que este país está precisando de uma jornada mais longa é, no mínimo, querer submeter a classe trabalhadora a uma jornada de escravidão. O que precisamos fazer, e outros países já o fizeram, é diminuir a jornada de trabalho, para que as empresas contratem mais trabalhadores, a fim de que haja um aumento da produção não pela escravidão, mas pela duplicação da mão de obra", declarou o ex-líder sindical, em citação reproduzida pela Agência Senado.

Na Alemanha Ocidental, a implementação da semana 40 horas surgiu no pós-guerra. Em 1956, uma campanha sindical pleiteava que os pais tivessem todo o fim de semana para lazer e a família. Cartazes pelo país retratavam uma criança abaixo do slogan "Samstags gehört Vati mir" ("No sábado, o papai pertence a mim") e levaram à aprovação de convenções sindicais que levaram, na prática, à escala 5×2 em todo o país a partir dos anos 1960.

No Brasil, contra o argumento patronal de que a medida geraria mais custos para as empresas e, assim, consequente inflação e desemprego, os deputados favoráveis defendiam um argumento econômico. Segundo eles, reduzir a escala abriria mais espaço para contratar outros funcionários que, com maior tempo de descanso, teriam melhor produtividade – levando a um menor desemprego.

Um dos contrários a isso era José Serra, então deputado do PMDB de São Paulo. "Uma mudança mais violenta para baixo, em termos de horas trabalhadas, poderia trazer efeitos extraordinariamente pervertidos sobre essas empresas", alegava.

Luís Roberto Ponte, também do PMDB, mas do Rio Grande do Sul, chegou a sugerir o aumento da jornada para até 52 horas semanais, "até que o último dos brasileiros tivesse o que comer, onde morar e onde tratar-se". Na opinião dele, só quando isso fosse alcançado seria possível reduzir a escala laboral.

Mas nem todos os deputados da direita eram contra. Um deles era Geovani Borges, PFL do Amapá, que criticava a falta do direito ao lazer aos trabalhadores brasileiros e considerava justa a proposta de 40 horas.

Durante a tramitação do anteprojeto da proposta pela Comissão de Sistematização, última etapa antes da redação da Constituição, os deputados acabaram encontrando um meio-termo: a jornada de 44 horas semanais.

A demanda pelas 40 horas continuou, com novas emendas apresentadas, mas no fim o Plenário aprovou a Constituinte com a redação atual. No PFL, o senador Afonso Arinos, que tinha presidido a Comissão de Sistematização e apoiava a escala 5×2, resolveu nadar contra a corrente do seu partido, majoritariamente contrário, e proferiu: "Já estou muito velho para votar contra o povo".

Lula defendia a redução para 40 horas durante a Constituinte — Foto: picture alliance/dpa Fotografia

Além da redução de 48 para 44 horas, a Constituição de 1988 determinou, entre outros, a ampliação da licença-maternidade de 90 para 120 dias, a imposição do adicional mínimo de 50% para horas extras e o aumento da multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) do empregador de 10% para 40%.

Em 2003, um artigo intitulado "Os Efeitos da Redução da Jornada de Trabalho de 48 para 44 Horas Semanais", assinado pelos pesquisadores Gustavo Gonzaga, Naércio Aquino Menezes Filho e José Márcio Camargo, foi publicado na Revista Brasileira de Economia. O estudo analisou os impactos da medida durante os trabalhadores que tiveram a jornada reduzida de acordo com a nova legislação.

Embora os pesquisadores tenham afirmado que os encargos com medidas como a licença-maternidade tenham aumentado o custo do trabalho no Brasil, eles ressaltam que a semana de 48 horas era "excessivamente alta" e que, em 1988, "quase metade dos trabalhadores já trabalhava menos de 48 horas por semana".

Além disso, os resultados indicaram que, entre 1988 e 1989, não houve mudanças negativas significativas – não aumentaram a probabilidade de o trabalhador ficar desempregado, diminuíram a probabilidade de eles saírem dos empregos e ainda implicaram em um aumento do salário real por hora.

Segundo a pesquisa, 60% dos funcionários que tinham jornadas entre 40 e 48 semanais em 1988 continuaram empregados em 1989, mas tiveram redução nessas jornadas para a nova regra, de 40 a 44 horas.

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