RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Agibank precifica IPO nos EUA a US$ 12 por ação e estreia na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A fintech Agibank comunicou nesta quarta-feira (11) que precificou sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos a US$ 12 por papel, movimentando US$ 276 milhões quando incluído lote adicional.

A operação contemplou 20 milhões de ações ordinárias Classe A e inclui uma opção de 30 dias para os coordenadores comprarem até 3 milhões de papéis adicionais ao preço do IPO.

Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup são os coordenadores globais do IPO, com o sindicato incluindo ainda Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Societe Generale e XP, além Oppenheimer & Co. e Susquehanna Financial Group.

O preço ficou no piso da faixa indicativa, de US$12 a US$13, que já havia sido reduzida da proposta inicial, de US$15 a US$18. A fintech também reduziu o tamanho da oferta.

O IPO do Agibank ocorre após o banco digital rival PicPay abrir seu capital na bolsa norte-americana Nasdaq no mês passado, na primeira oferta pública inicial de ações de uma empresa brasileira em mais de quatro anos.

A fintech Agibank informou nesta quarta-feira (11) que fixou o preço de sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos em US$ 12 por papel, movimentando US$ 276 milhões (R$ 1,4 bilhão) com a inclusão do lote adicional.

A empresa colocou à venda 20 milhões de ações e deu aos bancos responsáveis pela oferta um prazo de 30 dias para comprar até 3 milhões de ações a mais, pelo mesmo preço.

Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup atuam como coordenadores globais da oferta. O sindicato também conta com Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale e XP, além de Oppenheimer & Co. e Susquehanna Financial Group.

O preço foi definido no limite inferior da faixa indicativa, entre US$ 12 e US$ 13, que já havia sido revisada para baixo em relação à proposta inicial, de US$ 15 a US$ 18. A empresa também reduziu o tamanho da oferta.

O IPO do Agibank ocorre após o banco digital concorrente PicPay abrir capital na bolsa norte-americana Nasdaq no mês passado, na primeira oferta pública de uma empresa brasileira em mais de quatro anos.

As ações do Agibank começam a ser negociadas nesta quarta-feira na Bolsa de Valores de Nova York, sob o código “AGBK”.

A fintech havia protocolado o pedido de IPO com distribuição primária e secundária na Bolsa de Nova York (Nyse, na sigla em inglês) em 14 de janeiro deste ano.

A expectativa é que a empresa destine os recursos captados na oferta para "propósitos corporativos gerais", segundo informou em documento enviado à SEC (CVM americana), à época.

A companhia também informou que pode destinar parte do dinheiro para a compra ou investimento em novos negócios, produtos, serviços ou tecnologias. No entanto, destaca que "não tem acordos ou compromissos para aquisições ou investimentos materiais neste momento".

A origem do Agibank remonta a 1999, quando Marciano Testa, então estudante universitário, fundou a Agiplan com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito no Brasil.

Além de Testa, o Agibank tem como principais acionistas as gestoras brasileiras Vinci Compass e Lumina Capital Management.

A Lumina é presidida por Daniel Goldberg, ex-presidente do Morgan Stanley no Brasil e ex-integrante do conselho de administração do Nubank, segundo documentos apresentados ao regulador.

No acumulado de 2025 até o fim de setembro, o banco contava com cerca de 6,4 milhões de clientes ativos, carteira de crédito de R$ 34 bilhões, lucro líquido de R$ 875 milhões e retorno médio sobre o patrimônio líquido de 41%, segundo o balanço do terceiro trimestre divulgado em seu site de relações com investidores.

O número de funcionários era de 5.030, ante 4.700 no fim de 2024, de acordo com os documentos apresentados ao regulador.

O pedido de IPO amplia a lista de empresas brasileiras do setor financeiro que abriram capital nos Estados Unidos, da qual já fazem parte Nubank, XP, Inter, PagBank e StoneCo.

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BTG Pactual anuncia aquisição de até 48% da fintech meutudo

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A aquisição visa expandir a atuação do BTG Pactual no varejo, fortalecendo a oferta de empréstimos digitais para pessoas físicas.

Fundada em 2019, a meutudo já concedeu mais de R$ 20 bilhões em empréstimos, atendendo mais de 19 milhões de clientes no país.

A parceria já existia, com o BTG fornecendo mais de 80% dos recursos para os empréstimos da fintech, que vê a entrada do banco como fortalecimento.

Márcio Feitoza, CEO da meutudo, afirma que "o crédito, quando bem feito, ajuda as pessoas a alcançarem seus objetivos", ampliando o impacto da parceria.

O BTG Pactual anunciou que vai comprar até 48% da fintech meutudo, empresa que atua na oferta de crédito pela internet. A operação ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores.

O negócio faz parte da estratégia do banco para aumentar sua presença no atendimento a pessoas físicas, área conhecida como varejo. Com isso, o BTG quer ampliar a oferta de empréstimos digitais, usando a estrutura da meutudo, que já tem experiência nesse tipo de serviço.

Criada em 2019 por Márcio Feitoza, Marcelo Feitoza e Felipe Oquendo, a meutudo é uma plataforma que permite ao cliente contratar empréstimos de forma online.

A plataforma utiliza sistemas próprios para analisar o perfil dos clientes antes da concessão do crédito.

Desde que foi fundada, a fintech já concedeu mais de R$ 20 bilhões em empréstimos e atendeu mais de 19 milhões de clientes em todo o país, segudo informações da empresa.

Desse total, mais de R$ 10 bilhões foram liberados na modalidade de consignado privado, em que as parcelas são descontadas diretamente do salário de trabalhadores do setor privado.

A parceria entre o BTG Pactual e a meutudo já vinha acontecendo há alguns anos. Nesse período, o banco forneceu mais de 80% dos recursos usados para os empréstimos da fintech, ajudando a empresa a crescer com mais estabilidade.

Segundo o presidente-executivo do BTG Pactual, Roberto Sallouti, a compra reforça os planos do banco de crescer no mercado de crédito para pessoas físicas.

“Essa transação amplia nossa capacidade de oferecer crédito acessível, responsável e de alta qualidade para milhões de consumidores”, afirmou.

Para Márcio Feitoza, CEO e cofundador da meutudo, a entrada do BTG como sócio fortalece o propósito da empresa.

“O crédito, quando bem feito, ajuda as pessoas a alcançarem seus objetivos. O BTG sempre foi o parceiro que mais acreditou nessa visão, e essa parceria amplia nosso impacto para melhorar a vida financeira dos clientes”, disse.

Na últim,a segunda-feira (9), o BTG Pactual divulgou seus resultados financeiros do 4º trimestre, com lucro de quase R$ 4,6 bilhões —- um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também bateu recorde de faturamento, com cerca de R$ 9,1 bilhões em receitas.

Os números vieram um pouco acima do que o mercado esperava, o que foi visto como positivo por analistas. O crescimento veio de várias áreas:

investimentos e operações na bolsa;crédito para empresas;gestão de recursos (fundos);e atendimento a clientes de alta renda.

Na bolsa, porém, a ação caiu no dia da divulgação do balanço, após duas altas seguidas. Ainda assim, o papel acumula forte valorização nos últimos anos.

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Fundador do Agibank, brasileiro entra na lista de bilionários após IPO em Nova York

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

O fundador do Agibank, Marciano Testa, entrou para a lista de bilionários da Bloomberg após a estreia da fintech na Bolsa de Nova York.

Sua fortuna, estimada em US$ 1,1 bilhão, foi consolidada pela fatia de 63% na empresa, apesar da queda inicial das ações.

O Agibank foca em crédito consignado e serviços para clientes de baixa renda, combinando atendimento digital e pontos físicos.

Testa também é cofundador e presidente do Instituto Caldeira, uma iniciativa privada para acelerar a transformação digital no Rio Grande do Sul.

A abertura de capital do Agibank é a segunda de uma empresa brasileira nos EUA desde 2021, sinalizando uma retomada de IPOs.

O fundador da fintech Agibank, Marciano Testa, é o mais novo brasileiro a entrar na lista de bilionários da Bloomberg após a estreia da empresa na Bolsa de Nova York. A companhia realizou uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nesta semana, a segunda de uma empresa brasileira desde 2021.

As ações do Agibank fecharam o primeiro dia com queda de cerca de 10%, depois que a empresa reduziu, de última hora, o preço e o número de papéis ofertados. Mesmo assim, a fatia de 63% de Testa passou a valer cerca de US$ 1,1 bilhão (aproximadamente R$ 5,6 bilhões), considerando o preço de fechamento de US$ 10,75.

Apesar disso, segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, o valor captado no IPO não reflete o tamanho total da empresa. As ações de classe A foram vendidas a US$ 12 cada, levantando cerca de US$ 240 milhões, mas esse montante corresponde apenas aos novos papéis colocados no mercado, e não ao conjunto de ações existentes do banco.

"Como o CEO tem cerca de 63% do banco, considerando o fechamento da ação a US$ 10,75, essa participação vale aproximadamente US$ 1,1 bilhão. Esse valor está principalmente em ações de classe B, que não são listadas e não têm liquidez. Então, teoricamente, sim, ele se tornou bilionário."

Natural do Rio Grande do Sul, Testa, de 49 anos, começou no setor financeiro ao criar a Agiplan, que deu origem ao Agibank. Sob sua liderança, a instituição uniu atendimento digital e pontos físicos e cresceu com foco no crédito consignado e em serviços voltados a clientes de renda mais baixa.

Além do banco, ele é cofundador e presidente do Instituto Caldeira, iniciativa privada voltada a acelerar a transformação digital no Rio Grande do Sul.

Formado em Ciências Econômicas pela Unisinos, com especialização em Finanças, Testa também participou do Executive Program da Singularity University e do programa Owner/President Management (OPM), da Harvard Business School.

No ano passado, Testa ficou em 97º lugar na lista de bilionários brasileiros (em reais) da Forbes, com patrimônio estimado em R$ 4,1 bilhões.

O IPO da fintech Agibank marca a segunda entrada de uma empresa brasileira na bolsa de valores desde 2021, em um movimento que indica a retomada das ofertas de companhias ligadas à maior economia da América Latina.

Em janeiro, outra fintech brasileira, o PicPay, abriu a fila e listou suas ações na Nasdaq, também nos EUA. Antes, o último IPOde uma empresa brasileira havia sido o do Nubank, em 2021.

Apesar da redução de sua participação após a oferta, Testa manteve o controle do Agibank por meio de ações especiais da classe B, que concentram quase todo o poder de voto. Essas ações não são negociadas em bolsa, mas podem ser convertidas em ações ordinárias caso o fundador decida vender parte da participação.

O Agibank opera com uma plataforma digital combinada a mais de 1 mil pontos físicos e tem mais de 6,4 milhões de clientes ativos, segundo o site oficial da empresa. O foco da instituição é oferecer crédito consignado a aposentados, com parcelas descontadas diretamente dos benefícios do INSS.

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Vale tem prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no 4° trimestre

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A Vale reportou um prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, ante prejuízo de US$ 694 milhões no mesmo período do ano anterior, com impacto de baixas contábeis, apesar de um sólido desempenho nas vendas de minério de ferro e cobre, informou a mineradora nesta quinta-feira (12).

Segundo a empresa, o trimestre sofreu principalmente com impacto de "impairments" de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, diante de uma revisão das premissas de preço de longo prazo para o níquel, além de uma baixa de US$ 2,8 bilhões em imposto diferido de subsidiárias.

Ao excluir os itens não recorrentes, como as baixas contábeis, o lucro líquido proforma somou US$ 1,5 bilhão no quarto trimestre, alta de 68% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com impulso do aumento do Ebitda proforma e de impacto positivo da avaliação a mercado dos swaps cambiais.

Os fatores positivos foram, entretanto, parcialmente compensados por provisões adicionais relacionadas à Samarco, além da ausência de ganhos extraordinários registrados no quarto trimestre de 2024.

Apesar do prejuízo líquido, o Ebitda ajustado foi beneficiado por maiores volumes de vendas e preços de cobre e minério de ferro, além de receitas de subprodutos e melhorias operacionais, segundo o relatório da companhia.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$ 4,6 bilhões entre outubro e dezembro, contra US$3,8 bilhões no quarto trimestre de 2024.

No ano de 2025, a Vale registrou lucro líquido de US$ 2,35 bilhões, uma queda de 62% em relação ao ano anterior. O lucro líquido proforma, entretanto, cresceu 28% no período, para US$ 7,8 bilhões.

Ao longo do ano, a companhia elevou em 2,6% a produção de minério de ferro — seu principal produto —, a 336,1 milhões de toneladas em 2025, superando pela primeira vez desde 2018 o total produzido pela concorrente Rio Tinto em Pilbara, principal polo produtor da gigante australiana.

"Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances", disse o presidente Gustavo Pimenta.

"Em nossas operações, atingimos os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018 e entregamos crescimento de dois dígitos na produção de níquel. Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento, como Capanema, Vargem Grande, VBME e Onça Puma."

A receita líquida de vendas somou US$ 11,06 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 9% ante o quarto trimestre de 2024.

A produção da Vale no quarto trimestre somou 90,4 milhões de toneladas, avanço de 6% no comparativo anual, devido ao desempenho da mina Brucutu e pelo contínuo "ramp-up" dos projetos Capanema e VGR1.

No quarto trimestre, a dívida líquida da Vale totalizou US$ 11,2 bilhões, um aumento de 7% em relação aos US$ 10,5 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Já a dívida líquida expandida, que inclui provisões de Brumadinho, Samarco e swaps cambiais, somou US$15,6 bilhões ao final do trimestre, representando uma redução de 5% ante os US$16,5 bilhões de dezembro de 2024, principalmente pela maior geração de caixa livre das operações.

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Banco do Brasil: como calote bilionário e crise no agro reforçaram o alerta sobre inadimplência

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

Embora tenha encerrado 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, o Banco do Brasil passou a ser observado com mais cautela pelo mercado devido à alta da inadimplência.

O tema ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um calote de R$ 3,6 bilhões no balanço do quarto trimestre, causado por uma única empresa.

Segundo o banco, a operação com um cliente entrou em atraso no fim de 2025, durante uma negociação, foi regularizada em janeiro de 2026 e depois cedida a terceiros. Ainda assim, o episódio trouxe à tona um problema mais amplo: o aumento dos atrasos no pagamento de empréstimos em um cenário de juros elevados no Brasil.

De acordo com o balanço financeiro, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre, ante 4,51% no trimestre anterior e 3,16% um ano antes. Sem considerar o efeito desse calote específico, a taxa teria ficado em 4,88%.

Para o investidor comum, isso significa que aumentou a parcela de clientes que demora mais de três meses para pagar suas dívidas, o que eleva o risco de prejuízo para o banco.

Além disso, o Banco do Brasil terminou 2025 com a maior inadimplência entre os grandes bancos tradicionais, mesmo desconsiderando o evento isolado.

Banco do Brasil: 5,2% Itaú Unibanco: 2,4%Santander Brasil: 3,7%Bradesco: 4,1%Nubank: 6,6% (2º trimestre)

O principal fator continua sendo o agronegócio. O balanço mostra que o segmento rural foi o que mais se deteriorou em termos de qualidade de crédito. A inadimplência no agro chegou a 6,1% no quarto trimestre, com alta expressiva em relação ao ano anterior.

Esse desempenho reflete um cenário mais amplo de dificuldades financeiras no campo, marcado por perdas causadas por eventos climáticos adversos, como secas e enchentes, e pelo aumento do endividamento dos produtores.

O Banco do Brasil tem relação histórica com o agronegócio e é o maior financiador do setor no país, respondendo por quase metade do crédito concedido ao agro. Em dezembro de 2025, a carteira agro somava R$ 406,1 bilhões, o equivalente a 31,3% da carteira total.

Ou seja, ao mesmo tempo em que lidera o financiamento do setor, o banco também fica mais exposto quando a atividade rural enfrenta dificuldades. Hoje, a inadimplência do BB cresce principalmente na carteira de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e entre produtores rurais de médio porte.

Dados da consultoria RGF mostram que o número de empresas em recuperação judicial no Brasil atingiu recorde no quarto trimestre de 2025, com 5.680 companhias nessa situação.

Comércio e serviços concentram mais casos em números absolutos porque têm mais empresas ativas, mas o agronegócio é o principal ponto de alerta pela rapidez da piora.

Segundo o Monitor RGF, o setor tem hoje o maior índice proporcional de recuperações judiciais, com 13,53 empresas em recuperação judicial a cada mil ativas, bem acima da média nacional de 2,13.

“O que sentimos na pele é que o cliente do agro, diferentemente do varejo, não está acostumado a lidar com essa falta de liquidez súbita. Quando a crise bate, o rombo é fundo e sistêmico”, afirma Rodrigo Gallegos, sócio da RGF e especialista em reestruturação.

Entre os setores analisados, o agronegócio é o que apresenta maior risco financeiro: são 493 empresas em recuperação judicial, alta de 14,2% no trimestre, e o maior índice de risco (IRJ: 13,53), mais que o dobro do segundo setor mais vulnerável.

Dentro do agronegócio, o cultivo de soja concentra 217 empresas em recuperação judicial e é o quarto segmento com mais pedidos no país.

Esse contexto ajuda a explicar por que a inadimplência do BB aumenta quando o agronegócio entra em crise. Juros elevados, crédito mais restrito e dificuldades de caixa levaram muitos produtores e empresas ao limite financeiro no fim de 2025.

“O balanço do Banco do Brasil é apenas um reflexo de uma ‘febre’ que já se espalhou pela economia real. A sinalização de cortes graduais na taxa Selic é positiva, mas a redução até um patamar mais saudável ainda deve levar tempo”, afirma.

“Até lá, empresas muito endividadas tendem a sofrer mais, e o número de pedidos de recuperação judicial deve continuar a aumentar.”

O reflexo foi o aumento das provisões — reservas para cobrir possíveis perdas — que chegaram a R$ 10,5 bilhões no agronegócio apenas no quarto trimestre.

Helder Jhones, especialista em investimentos e educador financeiro, também destaca o aumento dos custos, a queda nos preços de algumas commodities em determinados períodos e o crédito mais restrito para as empresas.

“O calote reportado pelo banco no quarto trimestre afeta os resultados no curto prazo. Porém, como a operação já estava prevista nas contas do banco e foi renegociada, o risco de novas surpresas diminui. O principal ponto de atenção agora é a qualidade dos empréstimos daqui para frente”, diz.

Para tentar conter o avanço dos atrasos, o banco lançou o programa BB Regulariza Dívidas Agro, que permite renegociar débitos de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural, com prazos de até nove anos. Até dezembro, R$ 22,6 bilhões haviam sido renegociados com mais de 15 mil produtores.

Apesar das medidas, a expectativa é de melhora lenta. Analistas do BTG Pactual avaliam que a normalização da inadimplência no agronegócio deve ocorrer de forma gradual. O próprio banco projeta crescimento modesto da carteira agro em 2026, entre -2% e +2%.

Na avaliação do advogado e especialista em reestruturação empresarial Marcos Pelozato, o índice de inadimplência do Banco do Brasil no quarto trimestre precisa ser analisado com cautela.

“O episódio não representa um risco para todo o sistema financeiro, mas reforça a necessidade de atenção. Quando o índice de atrasos acima de 90 dias sobe de 3,16% para 5,17%, mesmo considerando um fator excepcional, isso indica que o crédito continua sob pressão”, afirma.

“Além disso, o custo do crédito praticamente dobrou no último ano, refletindo a necessidade de separar mais recursos para cobrir possíveis perdas e uma postura mais conservadora do banco — o que, do ponto de vista da gestão, é a decisão correta.”

Para ele, o caso deixa três lições principais: “Primeiro, a concentração de crédito exige acompanhamento rigoroso, porque um único cliente pode distorcer os números. Segundo, manter reservas adequadas é o que separa um problema controlável de uma crise de confiança. Terceiro, o mercado de crédito no Brasil ainda não voltou à normalidade.”

“Não vejo um risco generalizado neste momento. O que vejo é um sistema financeiro que ainda está se ajustando após anos de forte crescimento. A leitura correta não é de pânico, mas de atenção redobrada à qualidade dos empréstimos”, conclui.

Após a divulgação do resultado, as ações do Banco do Brasil chegaram a subir mais de 8% na bolsa. Nesta sexta-feira (13), o cenário já é outro: os papéis operam em queda de 3,38%, cotados a R$ 15,15.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Herançocracia’: por que gerações atuais dependem mais do patrimônio dos pais para seu sucesso financeiro

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A historiadora britânica Eliza Filby é autora de Inheritocracy: It"s Time to Talk About the Bank of Mum and Dad (""Herançocracia": está na hora de falar do banco da mamãe e do papai", em tradução livre).

O livro é best-seller no Reino Unido e analisa como a fortuna acumulada por uma geração específica (os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964) modelou o sistema econômico no qual as gerações posteriores precisaram se desenvolver.

Filby garante que este fenômeno tem imenso impacto sobre a vida da geração X (os nascidos entre 1965 e 1980) e os millennials (entre 1981 e 1986). E poderá continuar se expandindo no futuro para a geração Z (1997 a 2012) e alfa (2013 a 2024).

Para a autora, "o problema é que construímos um sistema em que 50% das pessoas não tinham uma forma alternativa clara rumo a uma vida segura".

Filby afirma que a herançocracia está reconfigurando a forma como as pessoas escolhem parceiros, planejam sua vida e entendem a segurança.

As pessoas que, hoje, têm menos de 45 anos têm mais possibilidade de comprar uma casa com a ajuda dos pais do que com a renda do seu trabalho, segundo a autora do livro 'Herançocracia'. — Foto: Getty Images via BBC

A historiadora britânica Eliza Filby conta que, sempre que uma empresa a convida para dar uma palestra, ela começa explicando aos empregadores um ponto que ela acredita ser fundamental para entender a dinâmica dos ambientes de trabalho modernos.

"Você percebe que, agora, seus empregados com menos de 45 anos têm mais possibilidade de comprar uma casa sendo leais aos seus pais e não ao seu chefe?"

Filby é autora de Inheritocracy: It's Time to Talk About the Bank of Mum and Dad ("'Herançocracia': está na hora de falar do banco da mamãe e do papai", em tradução livre).

O livro é best-seller no Reino Unido e analisa como a fortuna acumulada por uma geração específica (os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964) modelou o sistema econômico no qual as gerações posteriores precisaram se desenvolver.

"'Herançocracia' é um título intencionalmente provocador", declarou a autora ao apresentador do podcast Radical, da BBC Rádio 4, Amol Rajan. "É o oposto da meritocracia, a crença de que o trabalho árduo resultará em sucesso e oportunidades."

"A herançocracia é uma sociedade na qual o importante não é o quanto você ganha, nem o que você aprendeu", prossegue ela, "mas sim se você tem acesso ao banco da mamãe e do papai, que é o que define suas oportunidades, sua rede de segurança e sua plataforma para a vida adulta."

Filby garante que este fenômeno tem imenso impacto sobre a vida da geração X (os nascidos entre 1965 e 1980) e os millennials (entre 1981 e 1986). E poderá continuar se expandindo no futuro para a geração Z (1997 a 2012) e alfa (2013 a 2024).

A ideia existente na sociedade sobre 'mérito' é prejudicial para o restante do sistema econômico, segundo Filby — Foto: Getty Images via BBC

Filby destaca que o conceito de meritocracia nasceu como uma advertência. O sociólogo britânico Michael Young (1915-2002) cunhou o termo em 1958 como uma sátira, não como um ideal.

No seu livro The Rise of the Meritocracy ("A ascensão da meritocracia", em tradução livre), Young descreveu uma sociedade em que o sucesso era moralmente justificado pelo talento e pelo esforço, enquanto o fracasso era culpa exclusiva do indivíduo.

"A ideia de que o trabalho árduo deveria trazer recompensas é fundamental para qualquer democracia", declarou ela à BBC. "O problema é que reduzimos o mérito a passar nos exames, acumular credenciais e seguir um único caminho educacional."

A escritora explica que, em parte, a ideia do mérito se popularizou entre os baby boomers porque foi um conceito que serviu bem a muitos deles.

Foi uma época em que se tornaram comuns as histórias de pessoas que conseguiram sair de casa com pouca idade e, pelo caminho da educação superior, construíram seu próprio futuro.

Mas Filby recorda que os reais motivos que fizeram com que este caminho funcionasse tão bem para os baby boomers estão menos concentrados no mérito e mais nas características sem precedentes do mundo do pós-guerra, com crescimento econômico sustentado, impulsionado pela "paz" frágil, mas consistente, oferecida ao mundo pela Guerra Fria (1947-1991).

Com maiores receitas, os governos buscaram formas de democratizar as oportunidades para os jovens da zona rural ou da classe trabalhadora e encontraram um caminho para isso, com a educação superior.

Filby reconhece que a intenção foi boa e que, em termos sociais e culturais, o envio de mais pessoas para a universidade trouxe benefícios reais.

Mas ela também defende que, a partir dos anos 1990, este impulso ajudou a consolidar uma narrativa única do significado do sucesso: estudar, ir para a universidade, conseguir um diploma e atingir uma carreira profissional estável.

Ocorre que o sistema não tinha condições de garantir este mesmo sucesso para todos os que ingressassem na universidade.

Para a autora, "o problema é que construímos um sistema em que 50% das pessoas não tinham uma forma alternativa clara rumo a uma vida segura".

Para muitos jovens, não ir para a universidade deixou de ser uma opção legítima. E, para os que cursaram o ensino superior, o valor monetário de um título universitário começou a cair, enquanto os custos para consegui-lo disparavam.

Muito mais pessoas — especialmente mulheres — conseguiram ter acesso à universidade a partir da segunda metade do século 20 — Foto: Getty Images via BBC

O resultado foi uma geração que se endividou para ter acesso a uma promessa que não garantia mais a estabilidade.

Em muitos casos, os mais afetados foram jovens de famílias mais modestas, motivados pelo desejo de ganhar mais dinheiro para ajudar em casa.

Ele foi construído em torno de uma ideia limitada do que constitui inteligência e sucesso, herdada do século 19, uma época em que a economia e a tecnologia viviam uma transformação radical.

A autora afirma que essa rigidez se torna ainda mais problemática em uma época em que a inteligência artificial ameaça até mesmo as funções de escritório.

"A educação não pode terminar aos 21 anos", orienta ela. "E não pode recair apenas sobre as pessoas."

"Durante décadas, as empresas terceirizaram a formação universitária. Antes, se aprendia no trabalho. Hoje, as empresas esperam empregados 'prontos' e investem muito pouco no seu treinamento."

Muitos pais decidiram ajudar seus filhos devido às dificuldades que precisaram enfrentar — Foto: Getty Images via BBC

Nas condições atuais, Filby afirma que o "banco da mamãe e do papai" se transformou em uma fonte de estabilidade maior do que o próprio trabalho. Isso está alterando a dinâmica em diferentes áreas da sociedade.

Mas a autora destaca que, na maioria dos casos, o que ocorre não são atos de avareza ou irresponsabilidade juvenil, mas sim de adaptação.

"A família está intervindo porque o Estado se retirou e o mercado ficou disfuncional em áreas fundamentais", explica ela. "Em muitos sentidos, é uma história de amor parental."

Filby conta que a expressão "banco da mamãe e do papai" começou a surgir no Reino Unido perto de 2013. Ela descreve o fenômeno cada vez mais comum que leva pais e avós a usarem seu patrimônio para ajudar seus filhos e netos a pagar estudos, aluguel, hipotecas, creches ou simplesmente para poderem chegar ao final do mês.

Depois da crise financeira de 2008, o panorama econômico para as pessoas que entravam na idade adulta mudou repentinamente.

Algumas coisas passaram a ser mais baratas, como a tecnologia, viagens e alguns luxos do dia a dia. Mas outras começaram a subir, como a moradia, educação, o cuidado com as crianças e, em alguns países, a assistência médica.

Neste panorama, muitos jovens passaram a se concentrar nos gastos pequenos e visíveis, como o café, uma viagem ou o telefone celular. Já os grandes feitos da vida adulta começaram a ficar inatingíveis sem a ajuda da família.

É daí, segundo a autora, que nasce o estereótipo do millennial que gasta em "torradas com abacate", uma caricatura que ignora o contexto estrutural por trás daquela imagem.

O estereótipo dos millennials, segundo Filby, vem das condições econômicas em que eles precisaram se desenvolver — Foto: Getty Images via BBC

Filby também afirma que o banco da mamãe e do papai não é um conceito válido apenas para a classe média acomodada.

Ela explica que, na verdade, a maioria dos jovens que moram com seus pais com perto de 30 anos de idade vem de famílias da classe trabalhadora.

Nestes casos, o apoio não se traduz em depósitos para financiamento imobiliário, mas sim em teto, comida e cuidados mútuos.

São os avós que cuidam dos netos para que seus filhos possam trabalhar. Pais que abrigam filhos adultos para que eles economizem. Famílias que funcionam como redes de segurança frente a um sistema cada vez mais frágil.

O problema, segundo a autora, é que nem todas as famílias podem fazer isso. Ela destaca que, em uma sociedade em que a estabilidade depende da família, o nascimento passa a ser decisivo.

O divórcio, as famílias misturadas, os conflitos familiares ou simplesmente a pobreza estrutural se transformam em profundas desvantagens.

O resultado é uma economia em que a lealdade à família é mais importante que a lealdade ao empregador e a riqueza não se acumula pelo salário, mas principalmente pelos bens, explica Filby.

E o trabalho, mesmo que bem remunerado, não consegue garantir o acesso aos pilares básicos da vida adulta.

A herançocracia influencia até mesmo o tipo de parceiro ou parceira que as pessoas escolhem, segundo a autora — Foto: Getty Images via BBC

Filby afirma que a herançocracia está reconfigurando a forma como as pessoas escolhem parceiros, planejam sua vida e entendem a segurança.

Ela cita como exemplo a escolha seletiva de parceiros, que é a tendência a formar casais entre pessoas com origens e recursos similares.

Durante o século 20, grande parte da mobilidade social feminina ocorreu pelo casamento. Hoje em dia, o padrão é diferente.

Filby explica que, inicialmente, a formação de casais se dava entre formandos universitários. Mas, desde a crise de 2008, a variável decisiva passou a ser outra: o acesso ao patrimônio familiar.

"Não é que as pessoas se casem pelo salário do outro", afirma ela. "É que duas pessoas com banco de mamãe e papai tendem a se encontrar e se unir."

A autora menciona pesquisas que indicam que mais da metade dos jovens da geração Z consideram a compatibilidade financeira um fator central em uma relação. Esta é uma proporção muito maior do que nas gerações anteriores.

As condições atuais deixaram muitas pessoas da geração X como cuidadores dos filhos e dos pais ao mesmo tempo — Foto: Getty Images via BBC

Filby indica que, embora a riqueza extrema tenha aumentado, a maior parte do patrimônio privado permanece concentrada em amplos setores da população mais idosa.

Paralelamente, ela descreve uma "classe média espremida", especialmente na geração X, entre o apoio aos filhos adultos e o cuidado com os pais envelhecidos.

Para Filby, este fenômeno está levando as gerações atuais a perder a fé na ideia de que o Estado moderno pode proporcionar um sistema em que eles e seus filhos possam ter uma vida melhor no futuro, rompendo a promessa básica inculcada pelos seus pais.

Isso faz com que o mundo viva um período similar à década de 1970, ou seja, uma etapa de desilusão, que obriga as pessoas a reformular as bases do contrato social.

"Escrevi este livro porque precisamos falar disso", afirma ela. "Não se trata de 'bebês nepotistas'. Trata-se de como as oportunidades são distribuídas."

Filby deixa claro que entender como a herançocracia funciona não garante que iremos escapar dela, mas permite tomar decisões pessoais e coletivas mais bem informadas.

Ela adverte que o risco é não o fazer. Afinal, quando uma sociedade deixa de acreditar que o esforço vale a pena, algo mais profundo que a economia começa a desmoronar.

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UE investiga Shein por venda de produtos ilegais e design viciante

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia Negócios UE investiga Shein por venda de produtos ilegais e design viciante Medida é baseada em uma lei local que exige que as plataformas online ajam para combater conteúdos ilegais e prejudiciais Por Reuters

A União Europeia abriu uma investigação formal sobre a varejista online chinesa Shein nesta terça-feira (17), por venda de produtos ilegais e preocupações com o design potencialmente viciante da plataforma. A decisão intensifica o escrutínio sob a rigorosa Lei de Serviços Digitais do bloco.

A medida é baseada na lei que exige que as plataformas online ajam para combater conteúdos ilegais e prejudiciais. A decisão veio após a França ter instado o órgão executivo da UE, em novembro do ano passado, a reprimir a venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma da Shein.

A empresa e sua rival chinesa Temu se tornaram os símbolos mais notórios das preocupações mais amplas com o fluxo de produtos chineses baratos para a Europa.

“A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade”, disse a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, em um comunicado.

A Shein afirmou que continuará a cooperar com o órgão regulador da UE e que investiu significativamente em medidas para reforçar a conformidade com a legislação da UE, incluindo a realização de avaliações de risco sistêmico e estruturas de mitigação, e o reforço da proteção dos usuários mais jovens.

“Além do aprimoramento das ferramentas de detecção, também aceleramos a implementação de salvaguardas adicionais em torno de produtos com restrição de idade”, afirmou a empresa, incluindo medidas de verificação de idade para impedir que menores visualizem ou comprem conteúdo e produtos com restrição de idade.

A Comissão Europeia disse que investigaria os sistemas que a Shein implementou na UE para limitar a venda de produtos ilegais, incluindo possíveis materiais de abuso sexual infantil.

A investigação também se concentrará no design viciante da Shein, incluindo a concessão de pontos ou recompensas pelo engajamento, que podem ter um impacto negativo no bem-estar dos usuários.

A transparência dos sistemas de recomendação que a Shein utiliza para propor conteúdos e produtos aos usuários também será alvo de escrutínio por parte da UE.

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Natura vende operações da Avon na Rússia por 26,9 milhões de euros

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

A Natura informou nesta quinta-feira (19) que concluiu a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest. A transação foi realizada por meio de sua subsidiária indireta integral, a Avon Netherlands Holdings II B.V..

O negócio foi fechado por cerca de 26,9 milhões de euros (aproximadamente R$ 166,2 milhões). Os recursos foram recebidos pela companhia em 17 de fevereiro de 2026.

Segundo a Natura, a operação encerra a estratégia de simplificação corporativa e reforça o foco no crescimento dos negócios na América Latina.

Em setembro do ano passado, a empresa já havia anunciado a venda das operações da marca Avon em seis países da América Central — Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana — por US$ 22 milhões. O acordo foi firmado com o Grupo PDC, que atua na região e no Peru.

Na ocasião, a Natura afirmou que a iniciativa também visava simplificar a estrutura do grupo e concentrar esforços na integração das marcas Natura e Avon na América Latina.

Mesmo após a operação, a companhia manteve o fornecimento de produtos à Avon Card e o licenciamento da marca na região, com conclusão prevista para outubro de 2025.

A empresa informou ainda que segue avaliando alternativas estratégicas para os ativos da chamada Avon Internacional, que reúne operações fora da América Latina.

A Natura iniciou, em 2012, um ambicioso projeto de expansão internacional com a compra da marca australiana Aesop, seguido pela aquisição da britânica The Body Shop e, em 2019, pela fusão com a americana Avon, que a transformou em um dos maiores grupos globais de beleza.

A estratégia buscava ampliar escala, diversificar mercados e consolidar a companhia entre as líderes mundiais do setor.

Com a criação da holding Natura&Co, o grupo passou a reunir quatro marcas presentes em mais de 100 países e com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões.

Apesar do crescimento, a expansão trouxe desafios relevantes. As aquisições foram feitas em um período de ativos valorizados, elevando o endividamento da empresa, enquanto a integração de culturas, modelos de negócio e operações em diferentes regiões se mostrou complexa.

A pandemia de Covid-19 agravou o cenário, afetando o consumo de cosméticos, pressionando receitas e dificultando a geração de sinergias entre as marcas.

Diante desse quadro, a Natura iniciou um processo de simplificação e redução de riscos. Em 2023, vendeu a Aesop por US$ 2,5 bilhões e, no mesmo ano, a The Body Shop por um valor bem inferior ao pago na aquisição. Restava a operação internacional da Avon, considerada deficitária e onerosa.

Em 2025, a companhia anunciou a venda da Avon International por valor simbólico, encerrando o projeto de se tornar uma gigante global da beleza.

Segundo analistas, a decisão representou uma mudança estratégica: a empresa optou por concentrar esforços na América Latina, onde suas marcas têm maior participação de mercado e vantagem competitiva.

A saída das operações internacionais permitiu reduzir custos, diminuir a queima de caixa e oferecer uma trajetória mais previsível aos investidores, marcando o fim do ciclo de expansão global e o início de uma fase focada em rentabilidade e simplificação operacional.

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Nestlé vai deixar o negócio de sorvetes e focar em áreas mais lucrativas

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia Negócios Nestlé vai deixar o negócio de sorvetes e focar em áreas mais lucrativas Companhia informou que vai vender negócios remanescentes para a Froneri, joint venture criada em 2016 entre a Nestlé e a PAI Partners. Por Isabela Bolzani, g1 — São Paulo

Logotipo da Nestlé em uma de suas fábricas em Konolfingen, na Suíça. — Foto: Arnd Wiegmann/Reuters

A Nestlé informou na última quinta-feira (19) que vai deixar o negócio de sorvetes para concentrar suas operações nos segmentos de Café, Nutrição e Cuidados com Animais de Estimação — que, juntos, somam mais de 70% das vendas da companhia. A empresa também pretende ampliar sua presença regional na área de Alimentos e Lanches.

A medida faz parte dos esforços do presidente da Nestlé, Philipp Navratil, para melhorar o desempenho da companhia.

"Estamos acelerando a nossa estratégia e concentrando nosso portfólio em quatro negócios, liderados por nossas marcas mais fortes, com recursos priorizados e uma organização mais simplificada", afirmou o executivo em nota.

A empresa registrou lucro líquido de US$ 9 bilhões (R$ 47 bilhões) em 2025, uma queda de 17% em relação ao ano anterior, quando havia somado US$ 10,9 bilhões (R$ 56,9 bilhões). As vendas também recuaram no comparativo anual, passando de US$ 91,4 bilhões (R$ 477,6 bilhões) para US$ 89,5 bilhões (R$ 467,7 bilhões), uma redução de 2%.

Segundo Navratil, a empresa iniciou, em janeiro, as conversas com a Froneri para a venda dos negócios remanescentes no setor de sorvetes. A Froneri foi criada em 2016 como uma joint venture entre a Nestlé e a PAI Partners.

De acordo com o jornal britânico Financial Times, a Nestlé já vendeu a maior parte de suas operações de sorvetes para a Froneri. Os negócios que ainda não foram negociados estão no Canadá, Chile, Peru, China, Malásia e Tailândia.

"Nosso negócio de sorvetes remanescente é forte, mas pequeno e nos distrai", afirmou Navratil na véspera, segundo a Reuters.

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Empresas americanas comemoram vitória sobre as tarifas de Trump, mas reembolsos levarão tempo

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 23/02/2026 20:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%MoedasDólar ComercialR$ 5,168-0,14%Dólar TurismoR$ 5,368-0,18%Euro ComercialR$ 6,095-0,04%Euro TurismoR$ 6,344-0,07%B3Ibovespa188.876 pts-0,87%Oferecido por

Milhares de empresas americanas obtiveram uma vitória nesta sexta-feira (20) quando a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu derrubar as tarifas de emergência impostas pela Casa Branca. O processo de reembolso, no entanto, está apenas começando.

Em uma decisão que pode ter efeitos na economia global por anos, a corte determinou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não podia usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) de 1977 para aplicar tarifas amplas sobre importações.

Nos últimos meses, o mundo corporativo precisou se ajustar à política comercial em constante mudança de Trump e ao uso centralizado de tarifas, que serviam tanto para lidar com questões comerciais quanto como instrumento político diante de outros governos.

Agora, milhares de empresas — não apenas aquelas que processaram o governo — devem decidir se solicitarão reembolsos, o que pode envolver mais de US$ 175 bilhões em tarifas já arrecadadas, segundo economistas do Penn-Wharton Budget Model.

Os mercados de ações reagiram positivamente nos EUA e na Europa, com alta em empresas afetadas, incluindo marcas de luxo europeias como LVMH, Hermes e o grupo italiano Moncler.

“Não temos todos os detalhes, mas estávamos esperando por essa decisão, assim como muitas outras empresas, então é um dia esperado”, disse Michael Wieder, cofundador da Lalo, empresa norte-americana de produtos infantis, que planeja solicitar cerca de US$ 2 milhões em reembolsos. O processo, porém, deve ser lento.

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por TrumpQuais os próximos passos e como a decisão pode afetar o Brasil?Relembre a judicialização do caso que chegou à Suprema Corte dos EUA

Empresas dos setores de bens de consumo, automotivo, manufatura e vestuário foram particularmente afetadas, pois dependem da produção de baixo custo na China, Vietnã, Índia e outros centros de abastecimento.

As tarifas de Trump aumentaram o custo de importação de produtos acabados e componentes, pressionando margens e desorganizando cadeias de abastecimento globais.

Desde abril, mais de 1.800 ações judiciais relacionadas a tarifas foram movidas no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, responsável por questões alfandegárias, em comparação com menos de duas dúzias de casos em todo o ano de 2024.

Entre os demandantes estão subsidiárias do Grupo Toyota, a varejista Costco, a fabricante de pneus Goodyear Tire & Rubber, a Alcoa, a Kawasaki Motors e a EssilorLuxottica.

Muitos advogados esperam que outras empresas ao redor do mundo se juntem às ações, aguardando a decisão para não atrair atenção da Casa Branca. Empresas que aguardam o reembolso podem levar meses ou anos para recuperar os bilhões pagos em impostos de importação.

“Reunir dados detalhados de importação para calcular as tarifas pagas sob diferentes regimes e períodos é um desafio, mesmo para multinacionais”, explicou Nabeel Yousef, do escritório Freshfields. A decisão da corte não significa que os cheques começarão a chegar imediatamente.

As tarifas elevaram os custos para os consumidores, que já enfrentam inflação persistente. O Federal Reserve de Nova York informou que 90% das tarifas de Trump foram pagas por consumidores e empresas norte-americanas, contrariando a argumentação da Casa Branca de que seriam arcadas por estrangeiros.

Em novembro, a alíquota efetiva das tarifas dos EUA era de 11,7%, ante uma média de 2,7% entre 2022 e 2024, segundo o Yale Budget Lab.

A logística dos reembolsos ficará a cargo do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, o que deve tornar o processo administrativamente complexo, segundo John Denton, secretário-geral da Câmara de Comércio Internacional. A corte não detalhou como será essa operação.

O governo Trump informou que poderá usar outras autorizações legais para impor tarifas, incluindo leis que permitem proteger os EUA contra práticas comerciais desleais ou setores estratégicos para a segurança nacional. Empresas e advogados alertam que isso manterá a incerteza nos próximos meses.

“As chances de que as tarifas reapareçam de forma revisada continuam significativas. Somando isso aos reembolsos, surge uma confusão operacional e jurídica que aumenta a incerteza econômica”, disse Olu Sonola, da Fitch Ratings.

A associação alemã VDMA, representando empresas de engenharia mecânica afetadas, afirmou que a decisão não elimina a insegurança, pois Trump ainda tem opções legais para impor tarifas.

O setor automotivo seguirá sujeito a tarifas que não dependem da IEEPA, como a de 25% sobre veículos importados do México e Canadá, baseada em motivos de segurança nacional.

Advogados apontam que milhares de peças automotivas enviadas aos EUA de países sujeitos às tarifas recíprocas ainda são afetadas, elevando custos para fornecedores e fabricantes.

Algumas empresas norte-americanas decidiram vender seus direitos de reembolso a investidores externos, recebendo cerca de 25 a 30 centavos por dólar adiantado, abrindo mão do restante caso as tarifas sejam revogadas. A DHL disse que usará tecnologia para garantir precisão e eficiência no reembolso, se autorizado.

Não está claro se os preços ao consumidor serão reduzidos para aliviar famílias de renda média e baixa, que já ajustaram gastos devido aos custos mais altos.

“Solicitaríamos o reembolso, como outras empresas, mas duvido que os preços caiam. Isso raramente acontece”, disse Jason Cheung, CEO da fabricante de brinquedos Huntar Co, uma das demandantes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Kylie Cooper

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