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‘Voltamos para o jogo’: setores do agro que ainda sofriam com tarifaço de até 50% esperam retomar vendas para os EUA
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‘Voltamos para o jogo’: setores do agro que ainda sofriam com tarifaço de até 50% esperam retomar vendas para os EUA
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/02/2026 00:44
Agro 'Voltamos para o jogo': setores do agro que ainda sofriam com tarifaço de até 50% esperam retomar vendas para os EUA Suprema Corte dos EUA derrubou sobretaxas impostas por Trump no ano passado que ainda afetavam café solúvel, mel, pescados e uvas. Presidente americano reagiu e implementou nova taxa global de 15%, mas associações dizem que, mesmo assim, situação é melhor do que antes. Por Paula Salati, Lara Castelo
A Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço de até 50% que incidia sobre produtos agrícolas brasileiros, como café solúvel, mel, frutas e pescados.
O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu à medida impondo uma nova tarifa global de 15%, prevista para entrar em vigor nesta terça-feira (24) para os mesmos setores.
Setores do agro que eram impactados pela tarifa de 50% veem com otimismo mudança para tarifa de 15%.
Segmentos falam sobre retomada de contatos com importadores dos EUA, aumento da produtividade e até abertura de novos postos de trabalho.
"Voltamos para o jogo". É assim que o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, define essa terça-feira (24), dia em que o tarifaço dos EUA sobre quase metade dos produtos brasileiros deixa de valer, graças a uma decisão da Suprema Corte americana, na sexta-feira (20).
Grandes produtos de exportação do Brasil para os EUA, como carne bovina e café em grão, já estavam isentos do tarifaço desde o final do ano passado, mas café solúvel, mel, frutas e pescados ainda sofriam com sobretaxas de 10% e 40%.
Horas após a decisão da Suprema Corte, o presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa global de 10% e, no dia seguinte, elevou a alíquota para 15%, que também entra em vigor nesta terça-feira.
O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, explica que a tarifa do produto brasileiro nos EUA estava maior em relação a outros competidores.
"Agora é 15% para o mel de todos os países. E se é para todo mundo, não tem problema, porque o nosso mel é muito competitivo", afirma.
➡️Nem todos os setores do agro sofrerão com a nova taxa global de Trump. Carne bovina, café em grão e suco de laranja estão isentos, segundo decisão da Casa Branca, publicada na sexta.
A seguir, veja como os setores que ainda estavam sobretaxados estão se preparando após a derrubada do tarifaço e a nova taxa de 15%.
A apicultura brasileira é, basicamente, formada por pequenos produtores que, para conseguirem exportar, vendem a produção para empresas de comércio exterior.
Azevedo conta que as empresas do setor já voltaram a conversar com os clientes americanos e que a expectativa é de que os contratos sejam retomados a partir de março.
"O mel que o Brasil vende para os EUA é o orgânico. Não tem concorrente no mundo que consegue fornecer na escala que a gente fornece. Então, com a tarifa igualada para todos [países], ficamos em vantagem", diz o presidente da Abemel.
Após o tarifaço, o setor conseguiu exportar para os EUA o que já estava previsto em contratos anteriores, mas não fechou novos negócios, diz Azevedo.
"Houve um grave problema de escoamento e desvalorização do mel no campo. A produção atrasou devido ao clima e, quando ficou pronta, encontrou o mercado travado pelo tarifaço", destacou.
"Muitos produtores operaram no prejuízo, tentando vender mel para o mercado interno, mas o Brasil não tem capacidade para absorver todo o volume".
"Cerca de 80% das exportações brasileiras de mel vão para os Estados Unidos, o que torna impossível substituir esse mercado rapidamente por outros países", acrescentou.
Azevedo afirma que um dos grandes receios do setor era que o consumidor americano deixasse de consumir o mel orgânico brasileiro para comprar o mel tradicional de outros países. Segundo ele, os EUA já estavam comprando mel tradicional de outros mercados.
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O setor de pescados está otimista em deixar para trás a tarifa de 50% e encarar a nova taxa de 15%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca).
Os norte-americanos são um importante mercado para o segmento. Em 2024, o país comprou quase metade de todo o pescado brasileiro vendido para o exterior, segundo dados do governo federal. Além disso, os EUA são os principais compradores da tilápia, pescado brasileiro mais exportado em volume.
A tarifa de 50% fez com que o setor perdesse contratos internacionais, diminuísse a produção e tivesse que cortar postos de trabalho, segundo Eduardo Lobo, presidente da Abipesca.
"A expectativa da entidade é que a normalização parcial das condições comerciais permita a retomada do crescimento já ao longo de 2026, com a recuperação estimada de mais de 5 mil postos de trabalho e recomposição da capacidade produtiva do setor ", afirma a Abipesca.
Nesse cenário, a entidade prevê também que as "exportações brasileiras de pescado alcancem cerca de US$ 600 milhões no mercado global, com destaque para produtos como a tilápia, principal item embarcado para os EUA".
Além disso, a nova tarifa de 15% deixará o pescado brasileiro, em especial a tilápia, mais competitivo no exterior, segundo Francisco Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a Peixes Br.
"O motivo é que nosso principal concorrente, a Colômbia, agora estará submetido à mesma taxa que o Brasil", afirma.
Para a indústria de café solúvel, a derrubada do tarifaço de 50% representou um “alívio” após seis meses seguidos de perdas nas exportações, diz o diretor-executivo da Abics, Aguinaldo Lima.
“Os Estados Unidos são o maior comprador do café solúvel brasileiro há mais de 60 anos. […] Nesse período de agosto a janeiro do tarifaço, o volume das exportações caiu 50% e as perdas aumentavam a cada mês”, afirma.
Lima explica que, assim como para os exportadores de mel, a tarifa global de 15% imposta por Trump coloca o Brasil em pé de igualdade com outros competidores.
"Nós voltamos para o jogo. É como se, agora, tivesse tarifa zero para todos. Com todo mundo no mesmo patamar, a gente entra com as mesmas condições de competitividade”, comenta.
“Durante o tarifaço, o volume dos contratos foi reduzido e alguns foram efetivamente rompidos. Como os importadores americanos não conseguiam arcar com os custos extras [da taxação do produto brasileiro], eles foram para concorrentes, como México, Colômbia, Vietnã, Equador e alguns países europeus”, diz Lima.
“A expectativa é retomar contratos. As empresas brasileiras e os clientes americanos se conversam todos os dias, alguns mantêm laços de amizade, porque é uma relação comercial de longo prazo.
O diretor esclareceu que não houve demissões durante o período do tarifaço. O setor é formado por seis grandes empresas e o fato de elas exportarem para mais de 100 países ajudou a equilibrar as perdas para os EUA.
As frutas mais exportadas pelo Brasil para os EUA são a manga e a uva. A primeira já tinha ficado isenta no final do ano passado, mas deverá voltar a ter tarifa de 15% nesta terça, explica o diretor-executivo, Eduardo Brandão.
Já a uva, que vinha sofrendo com uma sobretaxa de 50%, será beneficiada com a decisão da Suprema Corte dos EUA. A taxação, agora, cairá para 15%, o que também traz alívio para o setor.
“Tanto os produtores do Vale do São Francisco quanto os distribuidores e parceiros americanos estão aguardando a situação se definir melhor antes de retomar as conversas e contratos”, afirmou.
A uva foi o produto mais prejudicado pelo "tarifaço", sofrendo uma redução de 73% no volume enviado para os EUA em 2025, segundo Brandão.
“Alguns envios foram feitos porque estavam programados e a gente não queria perder o cliente. Então, mesmo perdendo, a gente mandou”, disse Brandão.
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