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Comprar passagens de avião agora ou esperar?
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Comprar passagens de avião agora ou esperar?
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 02/04/2026 16:46
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O reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira não deve demorar a ser repassado para os passageiros.
Desde o início da ofensiva americana e israelense contra o Irã já havia a expectativa de alta nos preços de combustíveis em geral.
No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de especialistas.
A alta anunciada nesta semana segue a tendência de março, quando o preço do combustível subiu 9,4%. Os valores estão em tabela disponibilizada pela Petrobras.
Avião decolando da pista do Aeroporto Internacional de Cumbica — Foto: Sidnei Barros/Prefeitura de Guarulhos
Quem está planejando viajar de avião deve comprar a passagem o mais cedo possível, avaliam especialistas. Isso porque o reajuste de 55% para o preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras nesta quarta-feira (1°/04) não deve demorar a ser repassado para os passageiros.
Desde o início da ofensiva americana e israelense contra o Irã já havia a expectativa de alta nos preços de combustíveis em geral.
No caso do querosene de aviação, cuja produção ainda depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto deve chegar em até três meses, na avaliação de Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
"Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma.
"As aéreas fecham os contratos de combustível com seis meses de antecedência, mas, com a chegada das férias e segundo semestre – que sempre registra preços maiores –, o repasse do aumento deve chegar antes deste prazo", avalia.
A alta anunciada nesta semana segue a tendência de março, quando o preço do combustível subiu 9,4%. Os valores estão em tabela disponibilizada pela Petrobras.
Falcão projeta uma alta de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses apenas refletindo o aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação corresponde a cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas.
Com os reajustes de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a representar em torno de 45% destes custos.
O valor do aumento de até 20% é esperado também pelo economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires.
"A gente vai ter que se adaptar a essa conjuntura negativa que o mundo está vivendo, a gente não pode isolar o Brasil do que está acontecendo no mundo, e as pessoas têm que entender que, infelizmente, tem uma conta pra pagar", diz.
Para ele, a alta do combustível pode levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos – uma tendência já observada em outros países.
Pires compara o momento à pandemia de covid-19. "Quando a companhia área compra o combustível, depois isso tem um preço de reposição. Ela vai ter que colocar isso na passagem aérea, mas claro que ela não vai colocar na integridade”, explica o economista, ressaltando que parte desses custos tende a ser absorvida pelas próprias companhias aéreas, com impacto negativo para essas empresas.
Com as companhias aéreas nacionais já retomando o volume de passageiros de 2019, porém com menos aeronaves em operação após pandemia, o resultado deve ser voos ainda mais lotados.
Segundo Falcão, as três empresas que dominam o mercado brasileiro operam hoje com uma ocupação média de 90% dos assentos, acima do estimado como mínimo para a viabilidade da operação.
O preço do querosene de aviação segue a tendência da valorização do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã.
A subida no valor do QAV acompanha o mercado internacional, apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene de aviação utilizado no país.
"Essa guerra tem uma particularidade, diferente de outros momentos quando se teve elevações substanciais no preço do barril do petróleo. É que essa guerra está proporcionando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que a gente não teve em outros momentos”, comenta Pires em relação a ausência do que chamou de "sobra de oferta”.
Pires explica que o querosene, assim como a gasolina, o diesel e o petróleo, é uma commodity. Isso significa que o preço dele reflete o mercado internacional.
Nesse sentido, o economista ressalta que em regiões como Europa, Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul essas commodities relacionadas ao petróleo já vêm sofrendo aumento de preços há tempo, acompanhando a valorização do petróleo, o que não ocorreu no Brasil.
No mesmo dia que publicou os novos preços para o QAV, a Petrobrás anunciou que irá oferecer condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível que fornecem para a aviação comercial.
A proposta é que essas distribuidoras, inicialmente, comprem o combustível com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a contar do mês de julho de 2026. O termo para aderir à medida deve ser disponibilizado pela Petrobras até a próxima segunda-feira (06/04).
Para o viajante, isso pode significar uma diluição no aumento do preço das passagens aéreas. A professa da UFPE, no entanto, se preocupa com a viabilidade da operação. Com o aumento dos preços, existe a possibilidade de a Petrobras não ser capaz de manter este repasse "a conta gotas".
"Fazendo esse processo de repassagem em gotas homeopáticas, certamente a Petrobras pode vir a sofrer, e não sabemos até quando ela consegue aguentar; ela pode segurar agora, mas mais adiante vai depender muito da conjuntura geopolítica internacional, ainda muito incerta”, afirma.
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações destinadas a aliviar a pressão sobre o setor aéreo. O documento, preparado pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), reúne sugestões.
Entre elas, estão a redução temporária de tributos que incidem sobre o querosene de aviação; a diminuição do IOF aplicado às operações financeiras das companhias aéreas; e a queda do Imposto de Renda cobrado sobre contratos de leasing de aeronaves.
Segundo a pasta, essas medidas ajudariam a manter a competitividade das empresas, evitariam aumentos excessivos nas tarifas para os passageiros e garantiriam a continuidade da malha aérea nacional.
Além disso, apurou-se que está em análise a criação de uma nova linha do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiar a compra de combustível, também com caráter temporário.
Para Pires, voar de avião é um serviço "sem substituto” no Brasil, já que a população não dispõe de trens para viagens longas. Soma-se a isso a condição das estradas e a inviabilidade delas como em boa parte da região norte, ainda muito dependente do transporte fluvial.
O resultado, segundo Falcão, é a população acabar pagando o preço por décadas de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado.
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