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Por que Casa Branca orientou funcionários a não fazerem apostas em mercados de previsões como Kalshi e Polymarket

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Por que Casa Branca orientou funcionários a não fazerem apostas em mercados de previsões como Kalshi e Polymarket

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 10/04/2026 17:23

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Funcionários da Casa Branca, sede do governo americano, foram alertados no mês passado para não usar informações privilegiadas em apostas em "mercados de previsões".

O alerta foi feito por email enviado em 24 de março, um dia depois de o presidente americano, Donald Trump, anunciar uma pausa de cinco dias em sua ameaça de atacar usinas e infraestrutura de energia do Irã.

O email enviado aos funcionários da Casa Branca faz referência a reportagens jornalísticas sobre o uso de informações que não vieram a público para apostar em plataformas como Kalshi e Polymarket.

Davis Ingle, porta-voz da Casa Branca, disse à BBC que "qualquer insinuação sem provas de que funcionários do governo estejam envolvidos em tal atividade é jornalismo infundado e irresponsável".

Ingle afirmou também que todos os funcionários federais dos EUA estão sujeitos às diretrizes de ética do governo, que proíbem o uso de informações privilegiadas para ganho financeiro. "O único interesse especial que sempre guiará o presidente Trump é o bem-estar do povo americano."

A BBC entrou em contato com a Kalshi e a Polymarket para comentar o assunto, mas não recebeu respostas ainda.

A empresa comandada por bilionária brasileira no centro de polêmicas sobre 'apostas em guerra'

A Polymarket passou a ser escrutinada em janeiro depois que um apostador ganhou quase meio milhão de dólares (cerca de R$ 2,5 milhões) por causa de uma aposta na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pouco antes do anúncio oficial.

Não está claro quem fez a aposta, já que a conta anônima tem um identificador de blockchain com letras e números.

O caso gerou preocupações acerca do eventual uso de informações privilegiadas de operações militares americanas.

A popularidade de mercados de previsões, que movimentaram mais de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 225 bilhões) no ano passado, tem crescido bastante.

As previsões podem estar relacionadas a praticamente tudo. Em geral estão ligadas a esportes, mas também podem envolver apostas, por exemplo, em decisões do Banco Central sobre a taxa de juros ou o resultado de eleições.

Essas empresas estão mudando o mercado de apostas nos EUA, onde até 2018 era proibido realizar apostas esportivas. Apostas em eleições eram proibidas até 2024.

Apostas no mercado de previsões sobre conflitos alimentaram também o debate sobre como esse setor da indústria deve ser regulamentado.

Diferentemente das bets (firmas de apostas tradicionais), em que as probabilidades são definidas pela própria empresa, as plataformas de mercados de previsão funcionam mais como uma bolsa de valores, permitindo que os usuários apostem uns contra os outros no resultado de eventos futuros por meio de algo chamado de "contratos de eventos". Esses eventos sempre têm como resultado um cenário de "sim" ou "não".

Esse modelo permitiu que essas empresas ficassem sob supervisão dos reguladores financeiros nacionais da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

Nesta semana, o congressista americano Ritchie Torres, membro do Partido Democrata que integra o Comitê de Serviços Financeiros, enviou um comunicado à CFTC solicitando uma investigação de apostas "suspeitas".

Em março, líderes do Partido Democrata (de oposição ao governo Trump, do Partido Republicano) apresentaram um projeto de lei para banir completamente o mercado de previsões de negociar apostas relacionadas a guerras ou ações militares.

Em teoria, essas apostas já infringem as regras financeiras dos EUA, que proíbem a negociação de contratos relacionados a guerra, terrorismo, assassinato, jogos de azar ou outras atividades ilegais. As apostas realizadas no âmbito das empresas desse mercado de previsões poderiam ser consideradas contratos desse tipo, perante a lei, argumentam os críticos.

"Corrupção e exploração estão prosperando neste momento por brechas nos mercados de previsões", afirmou o senador americano Andy Kim (Democrata por Nova Jersey). "Essa manipulação leva a uns poucos escolhidos a ganharem um monte, às custas dos trabalhadores americanos."

Críticos dos mercados de previsões afirmam que essas plataformas realizam, na verdade, operações de apostas esportivas e jogos de azar — e que estariam tentando se "disfarçar" como "bolsas de negociações" para evitar regras e impostos mais rigorosos enfrentados pelas bets, que são regulamentadas pelos Estados.

A divergência sobre quem deve fiscalizar os aplicativos gerou dezenas de batalhas judiciais nos EUA, à medida que os Estados começam a reivindicar seu direito de regulamentar essas empresas, em vez de deixar a supervisão a cargo da CFTC.

No Brasil, há relatos de que brasileiros conseguem usar essas plataformas usando remessas internacionais com criptomoedas ou cartões internacionais.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as plataformas de apostas tradicionais — as bets brasileiras — que pagaram por outorgas de R$ 30 milhões para operar no Brasil, vêm solicitando, em reuniões com o governo, que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda bloqueie a operação de plataformas como a Kalshi.

Elas argumentam que essas empresas não poderiam operar no Brasil por não terem sede no país e nem terem pago pela outorga. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a cofundadora da Kalshi, a mineira Luana Lopes Lara, disse que a empresa está em expansão e que estuda a possibilidade de abrir um escritório no Brasil.

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