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ENTREVISTA: Baldy diz que BYD quer ser líder de mercado até 2030 e vê ‘medo’ na reação de rivais
RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica
ENTREVISTA: Baldy diz que BYD quer ser líder de mercado até 2030 e vê ‘medo’ na reação de rivais
Fonte: G1 Economia | Publicado em: 13/05/2026 04:47
Carros ENTREVISTA: Baldy diz que BYD quer ser líder de mercado até 2030 e vê ‘medo’ na reação de rivais Vice-presidente sênior da BYD concedeu entrevista exclusiva ao g1. Executivo afirma que estratégia de preços e expansão das importações provocou reação das montadoras tradicionais no Brasil. Por André Fogaça, Raphael Martins, g1 — São Paulo
Em entrevista exclusiva ao g1, o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, foi direto ao ponto: a meta é vender 600 mil carros por ano e colocar a marca no topo das vendas no Brasil até o fim desta década.
A declaração é ousada, mas o desempenho recente da empresa indica que a meta não deve ser subestimada. A BYD iniciou as vendas de carros no Brasil em 2022, com os modelos Tan e Han, e sequer figurava entre as 21 fabricantes que mais venderam veículos no país.
Com pouco mais de 100 mil unidades vendidas no ano passado, a BYD precisa multiplicar seus emplacamentos por seis para atingir a meta da diretoria. A Fiat, líder em 2025, registrou 533.710 veículos emplacados — volume 4,7 vezes maior que o da chinesa.
Aos poucos, porém, a montadora vai incomodando as líderes: nas vendas no varejo — quando o carro é vendido com intermediação da concessionária — o BYD Dolphin Mini foi o veículo mais vendido do Brasil neste ano, superando modelos populares como Volkswagen Tera e Hyundai Creta.
Em entrevista exclusiva ao g1, o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, foi direto ao ponto: a meta é vender 600 mil carros por ano e colocar a marca no topo das vendas no Brasil até o fim desta década.
A declaração é ousada, mas o desempenho recente da empresa indica que a meta não deve ser subestimada. A BYD iniciou as vendas de carros no Brasil em 2022, com os modelos Tan e Han, e sequer figurava entre as 21 fabricantes que mais venderam veículos no país.
Em 2023, foram 17.937 unidades vendidas e o 15º lugar, à frente de RAM (16.951) e BMW (15.108).Em 2024, a marca registrou 76.811 emplacamentos e alcançou o 10º lugar, superando Caoa Chery (60.929), Ford (48.311) e Citroën (33.885).Em 2025, foram 112.814 unidades vendidas e o 8º lugar, à frente de Honda (103.460) e Nissan (77.808).
Com pouco mais de 100 mil unidades vendidas no ano passado, a BYD precisa multiplicar seus emplacamentos por seis para atingir a meta da diretoria. A Fiat, líder em 2025, registrou 533.710 veículos emplacados — volume 4,7 vezes maior que o da chinesa.
Aos poucos, porém, a montadora vai incomodando as líderes: nas vendas no varejo — quando o carro é vendido com intermediação da concessionária — o BYD Dolphin Mini foi o veículo mais vendido do Brasil neste ano, superando modelos populares como Volkswagen Tera, Chevrolet Onix e Hyundai Creta.
BYD Dolphin Mini: 18.052 emplacamentos;Hyundai Creta: 17.197 emplacamentos;Volkswagen Tera: 15.495 emplacamentos;Fiat Strada: 14.461 emplacamentos;Chevrolet Tracker: 14.349 emplacamentos;Volkswagen Nivus: 13.683 emplacamentos;BYD Song: 13.495 emplacamentos;Volkswagen Polo: 12.778 emplacamentos;Hyundai HB20: 11.217 emplacamentos;Chevrolet Onix: 11.142 emplacamentos.
“Quando a gente fala que vai fabricar 600 mil carros em solo brasileiro, é para atender a América Latina, sim, mas o nosso objetivo é que a gente possa chegar até 2030 como marca número 1 de vendas de carros aqui no mercado brasileiro”, afirma Baldy.
No Brasil, apenas um complexo industrial tem capacidade semelhante: a fábrica da Stellantis, em Betim (MG), que pode produzir até 650 mil veículos por ano e reúne marcas como Fiat e Peugeot. Além de atender ao mercado interno, o complexo também exporta para mais de 30 países.
Ao g1, o político que virou executivo também faz críticas a concorrentes e à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com quem trava uma disputa sobre carga tributária e concorrência desde a chegada da empresa ao país.
Embate com a Anfavea sobre Importação;Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor;BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto;Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel;Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância".
Até a publicação desta reportagem, a BYD concentra a produção em kits que chegam quase prontos do exterior. Esses conjuntos são montados na fábrica da empresa na Bahia e, depois, os veículos são entregues aos clientes.
“É impraticável qualquer indústria automobilística vir para o Brasil investir bilhões de reais e não começar pelo regime de montagem. Não existe, não existiu”, aponta Baldy.
Esse tipo de montagem tinha carga tributária menor em comparação aos impostos pagos por outras montadoras no Brasil, o que gerou atritos no setor. O tema motivou uma carta assinada por fabricantes, com apoio da Anfavea.
“O presidente da Anfavea esteve lá na nossa inauguração. Eles sabe o tamanho do nosso investimento. Então, quer dizer, nós somaremos à Anfavea sendo contrários ao regime de montagem”, disse
A pressão surtiu efeito: o governo antecipou a recomposição do imposto de importação, que passou a 35% para todos. A BYD afirma que pretende avançar para a fabricação completa dos veículos, mas ainda não informou quando isso deve ocorrer.
“Você começa com o regime de montagem, como é conhecido como SKD. Aí você ultrapassa esse momento e vai para um regime de mais a fabricação de alguns componentes, até você chegar na fabricação completa, e esta é a motivação do nosso investimento no Brasil”, aponta o executivo.
Segundo Baldy, os kits devem chegar cada vez menos prontos, com a inclusão gradual de etapas realizadas no Brasil, como soldagem, moldagem de peças e pintura.
Baldy afirmou que a chegada da BYD ao Brasil provocou reação das montadoras tradicionais, principalmente por causa da estratégia de preços mais baixos. Na prática, o lançamento do Dolphin desencadeou um “efeito dominó” nos preços de alguns carros elétricos.
Baldy deu outro nome ao fenômeno. “Eu não vou dizer que seja de indignação, isso é medo, porque quando nós chegamos no Brasil, foi um tapa na cara, promovido pelos nossos concorrentes”, disse Baldy.
Renault Kwid E-Tech: de R$ 149.990 para R$ 99.990;JAC E-JS1: de R$ 164.900 para R$ 154.900;Caoa Chery iCar: de R$ 149.990 para R$ 139.990;Peugeot e-2008: de R$ 259.990 para R$ 159.990.
“Qual que é a sensação do consumidor em relação a esse tipo de atitude. Então nós promovemos no Brasil um verdadeiro chacoalho na indústria automobilística”, aponta Baldy.
Em uma das declarações mais polêmicas da entrevista, Baldy afirmou que o Dolphin Mini tem custo de uso menor do que motocicletas populares.
“O nosso BYD Dolphin Mini, é mais econômico que andar numa moto. Se você comparar com uma moto, seja uma Honda Biz ou uma Honda CG, é mais barato você dirigir um BYD Dolphin Mini. Você gasta com 20.000 km R$ 380 para fazer uma revisão”, apontou o executivo.
O carro, porém, exige um investimento inicial muito mais alto: o Dolphin Mini custa R$ 119.990 — valor suficiente para comprar nove unidades da Honda Biz zero quilômetro, cada uma por R$ 13.240.
O Salão do Automóvel de São Paulo ficou sete anos sem ser realizado e retornou em 2025 com formato semelhante ao das edições anteriores, mas com menos marcas de destaque do setor.
Participaram empresas como BYD, Denza, Caoa Chery e Changan, além de Fiat, Jeep, Peugeot, RAM, GAC, Geely, Honda e Hyundai, mas as ausências chamaram ainda mais atenção.
Ficaram de fora marcas tradicionais como Ford, Chevrolet, Volkswagen, Nissan, Audi, Porsche, Mercedes-Benz e BMW.
Para Baldy, a postura de grandes marcas — que pedem mudanças fiscais ao governo e depois não participam do evento — foi “ridícula”.
“Quando é para reclamar em benefício de proteção própria, tudo se une ali na Anfavea e correm para fazer os pleitos que são necessários no governo. Então, acho que isso é um pouco desleal”.
Até fevereiro de 2026, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta a existência de 21.061 eletropostos no Brasil. Desse total, 14.582 são de recarga lenta, em que um carro elétrico leva cerca de oito horas para completar a carga.
Os carregadores rápidos representam menos da metade do total, com 6.479 pontos no país. Neles, os veículos conseguem recarregar em menos de uma hora.
Apesar do crescimento no número de pontos, ainda há grandes regiões sem infraestrutura de recarga, e poucas marcas investem na expansão da rede.
Na década passada, o grupo Volkswagen criou rotas com carregadores, como na Rodovia Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Mais recentemente, a Volvo avançou ao conectar outros centros urbanos.
Baldy rebate as críticas de que a BYD não investiu. “aqueles que comentam ou que fazem esse tipo de comentário ou desconhecem a tecnologia ou são ignorantes”, disse.
Ele destacou a chegada de carregadores ultrarrápidos ao Brasil, com a promessa de recuperar cerca de 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga.
“As nossas concessionárias Denza terão os carregadores super rápidos instalados já nesse ano de 2026 e outros pontos que nós estamos hoje discutindo para serem hubs de carregamento para oferecerem inclusive este nosso carregador super rápido”, disse Baldy.
Os modelos da Denza, submarca de luxo da BYD, são compatíveis com esses carregadores ultrarrápidos.
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