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Dívida não some com liminar: entenda como ‘indústria do Limpa-Nome’ ilude devedores no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 10:19

Fantástico Dívida não some com liminar: entenda como 'indústria do Limpa-Nome' ilude devedores no Brasil O esquema envolvia associações de defesa do consumidor que acionam a Justiça para impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem as dívidas existentes. Por Fantástico

Uma investigação jornalística revela a "indústria do limpa-nome", esquema que usa liminares judiciais suspeitas para esconder temporariamente as dívidas de consumidores nos órgãos de proteção ao crédito.

Com quase 83 milhões de brasileiros inadimplentes, anúncios facilitados na internet prometem a retirada rápida do registro de restrição sem que as pendências financeiras sejam quitadas.

O esquema funciona por meio de associações de defesa do consumidor que acionam a Justiça para impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem as dívidas existentes.

Inicialmente concentradas em 3 estados do Nordeste em 2023, essas ações judiciais fraudulentas se espalharam para mais 6 estados brasileiros nos últimos 2 anos.

Ter o nome retirado dos cadastros de inadimplência não significa que a dívida deixou de existir. Essa é a principal diferença por trás da chamada "indústria do Limpa Nome", esquema investigado em diversos estados que promete devolver crédito a consumidores endividados por meio de liminares judiciais. Segundo investigadores, as decisões apenas ocultam temporariamente as restrições, enquanto os débitos permanecem ativos e podem voltar a aparecer posteriormente.

“Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia”, afirma André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil.

Promessas de limpar o nome em poucas semanas, ações judiciais coletivas e decisões liminares que fazem dívidas desaparecerem temporariamente dos cadastros de inadimplentes. Investigações conduzidas por Ministérios Públicos estaduais e órgãos do Judiciário apontam a existência de uma suposta "indústria do Limpa Nome", esquema que já teria ocultado cerca de R$ 130 bilhões em débitos nos últimos cinco anos.

O modelo funciona por meio de associações que se apresentam como defensoras dos direitos do consumidor. Elas ingressam na Justiça com ações coletivas pedindo que órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, deixem de exibir restrições financeiras de pessoas endividadas. Com isso, quem consulta o cadastro recebe a informação de que não há pendências registradas, mesmo quando as dívidas continuam existindo.

Segundo investigadores, o principal argumento utilizado nas ações é que os consumidores não teriam sido notificados sobre a negativação, exigência prevista no Código de Defesa do Consumidor. No entanto, as apurações indicam que, na maioria dos casos, a comunicação foi realizada regularmente.

Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes — Foto: Fantástico/ Reprodução

As investigações identificaram entidades registradas em municípios pequenos que concentraram milhares de beneficiários espalhados pelo país.

Em São Gonçalo do Piauí, cidade com menos de 5 mil habitantes, uma associação teria conseguido liminares que favoreceram cerca de 63 mil pessoas — número equivalente a mais de 13 vezes a população local. No endereço informado como sede, moradores afirmaram desconhecer a existência da entidade.

De acordo com promotores, listas de consumidores eram repassadas às associações, que passavam a representá-los judicialmente. Em alguns casos, os próprios beneficiários poderiam nem saber que haviam sido incluídos como associados.

A escolha de cidades menores também teria um objetivo estratégico: obter decisões judiciais mais rapidamente, já que essas comarcas costumam ter menor volume processual.

Uma das frentes investigadas envolve o Grupo Amigos do Consumidor (GAC), associação sediada em João Pessoa. Segundo o Ministério Público, a entidade mantinha uma filial formal em Caldas Brandão, município paraibano de cerca de 5 mil habitantes, mas moradores afirmaram nunca ter visto qualquer atividade da organização no local.

Promotores apontam que uma liminar favorável ao grupo foi concedida apenas 13 horas após o protocolo da ação. O juiz responsável pelo caso, Glauco Coutinho Marques, tornou-se réu em investigação que apura o recebimento de propina para favorecer a associação. O magistrado está afastado do cargo desde 2024. A defesa nega as acusações.

O Ministério Público denunciou sete pessoas ligadas ao esquema por crimes como corrupção, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os investigados negam irregularidades.

Outra frente de investigação ocorre em Caaporã, também na Paraíba. Segundo promotores, uma juíza teria concedido 19 liminares que beneficiaram milhares de devedores sem qualquer vínculo com o município. A magistrada é investigada e afirma ter atuado dentro dos limites de suas atribuições.

Especialistas alertam que a ocultação das dívidas pode gerar prejuízos para empresas e distorções no sistema de crédito.

Um empresário do setor de energia solar relatou prejuízo de aproximadamente R$ 3 milhões após conceder crédito a um cliente que aparecia com o nome limpo graças a uma decisão judicial, embora já possuísse registros de inadimplência que estavam ocultos.

Para investigadores, o efeito se espalha por toda a economia. Com mais risco de inadimplência, instituições financeiras elevam juros e endurecem critérios de concessão de crédito, o que acaba afetando consumidores que mantêm as contas em dia.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que monitora o crescimento de ações consideradas predatórias e fraudulentas e tem trabalhado com tribunais para identificar demandas repetitivas e abusivas.

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Como a Nvidia desafia Apple e Intel ao anunciar chip de IA para computadores pessoais

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 08:44

Tecnologia Como a Nvidia desafia Apple e Intel ao anunciar chip de IA para computadores pessoais O chefe da gigante da tecnologia, Jensen Huang, chamou a mudança de 'reinvenção do computador'. Por BBC

A Nvidia anunciou um novo chip para PCs em uma tentativa de ganhar espaço no mercado de dispositivos integrados com tecnologia de inteligência artificial (IA).

"Essa reinvenção do computador é tão significativa quanto foi a reinvenção do telefone no que hoje conhecemos como smartphone", afirmou o diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, ao apresentar o chip RTX Spark.

Huang fez o anúncio na segunda-feira (01/06), em discurso antes da abertura da feira de tecnologia Computex, em Taipei, Taiwan.

O RTX Spark é "um novo superchip… para a era dos agentes pessoais de IA — oferecendo uma nova classe de computador que passa de ferramenta a colega de trabalho", afirmou a Nvidia em seu site.

Ele será incluído em uma nova linha de PCs com Windows produzidos por Lenovo, HP, Dell, Microsoft Surface, Asus e MSI. Eles devem estar disponíveis na segunda metade do ano, com modelos da Acer e da Gigabyte na sequência.

A mudança representa um desafio para nomes de destaque no mercado de computadores, como Apple e Intel.

Lenovo, HP, Dell e Apple representaram quase 75% do mercado mundial de computadores pessoais nos três primeiros meses deste ano, de acordo com a empresa de pesquisa Gartner.

O boom em centros de dados que alimentam a IA ajudou a Nvidia a se tornar a empresa mais valiosa do mundo, com uma avaliação de mercado de mais de US$ 5 trilhões.

No domingo (31/05), os Estados Unidos agiram para fechar uma possível brecha no envio de chips como os processadores Blackwell da Nvidia para a China.

Orientações publicadas pelo Departamento de Comércio esclareceram que é necessária uma licença para exportar os chips de IA mais avançados para subsidiárias de empresas chinesas sediadas fora da China.

O governo americano vem tentando impedir que empresas chinesas comprem os chips de computador de ponta necessários para desenvolver tecnologias cruciais de IA.

Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Nvidia: o boom de IA ​​que impulsiona empresa mais valiosa do mundo apesar de tensões entre EUA e ChinaO imigrante ex-lavador de pratos que fundou a Nvidia, gigante dos microchips que vale mais que Google e Amazon

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Inadimplência no agronegócio do Brasil termina 2025 a 8,2%, aponta Serasa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 08:44

Agro Inadimplência no agronegócio do Brasil termina 2025 a 8,2%, aponta Serasa Levantamento da Serasa Experian mostra que produtores seguem pressionados por custos elevados, preços voláteis e crédito mais restrito. Por Reuters

Agronegócio bate recorde de empregos no Brasil com crescimento de vagas fora do campo — Foto: Jornal Nacional

A inadimplência no agronegócio brasileiro voltou a subir no quarto trimestre de 2025, encerrando o ano a 8,2%, alta de um ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior, em momento em que agricultores lidam com margens apertadas e diante de custos elevados, apontou nesta segunda-feira um levantamento da Serasa Experian.

Entre os fatores da elevação de custos mais recentes estão os fertilizantes e os combustíveis, que subiram pelos efeitos da guerra no Irã. Mas a inadimplência vem crescendo trimestre a trimestre pelo menos desde o final de 2024, segundo os dados da Serasa.

"Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo", disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, em nota.

O indicador apontou que a inadimplência rural está concentrada principalmente em dívidas contraídas com instituições financeiras (7,2%), afirmou a Serasa.

A inadimplência do agronegócio está entre os fatores que impactam os resultados do Banco do Brasil, o principal financiador do setor.

O índice de inadimplência considera dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio.

Na análise por porte, os dados mostram que produtores rurais sem informação de registro rural – possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos – registraram o maior nível de inadimplência (9,9%).

Na sequência, aparecem os grandes proprietários (9,8%), seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de pequeno porte (7,8%).

Por estados, o Rio Grande do Sul teve melhor desempenho, com apenas 5,3% de taxa de inadimplência, seguido pelo Paraná e Santa Catarina.

"O desempenho do Rio Grande do Sul chama a atenção, especialmente diante das perdas climáticas recentes. Esse resultado pode ser explicado por fatores como a forte presença de cooperativas e sistemas integrados, além do uso mais expressivo do seguro agrícola e de linhas de crédito para renegociação de dívidas", comentou Pimenta.

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Pix ameaçado? O que é investigação do governo Trump sobre práticas comerciais no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 07:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

Lula anunciou acordo no mês passado para negociar impasse sobre tarifas e investigação comercial americana — Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Menos de um mês após os governos de Brasil e Estados Unidos terem chegado a um acordo para negociar um impasse envolvendo tarifas e uma investigação comercial americana, existe a expectativa de que a Casa Branca anuncie medidas que rompam esse acordo.

Segundo fontes ouvidas pela BBC News Brasil, o governo dos EUA estaria próximo de anunciar o resultado de uma grande investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado — na qual acusa o governo brasileiro de uma série de práticas comerciais desleais. As acusações serviram como base para o governo americano adotar uma série de tarifas contra produtos brasileiros.

Entre as acusações dos americanos estão tarifas preferenciais e injustas, proteção inadequada dos direitos de propriedade intelectual, falta de combate ao desmatamento ilegal e práticas que prejudicam a competitividade das empresas no setor de comércio digital e serviços de pagamento.

O amplo pacote de acusações vai de reclamações sobre o Pix, sistema de pagamentos do Banco Central, até queixas sobre o desmatamento ilegal.

No mês passado, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discutiram o tema em reunião de mais de três horas na Casa Branca.

Após o encontro, Lula disse que equipes dos dois governos deveriam fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos americanos contra o Brasil. Segundo Lula, os dois presidentes receberiam uma nova proposta para encerrar as desavenças em 30 dias — prazo que se encerraria no próximo domingo (07/06).

"Eu falei assim: 'Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo'", disse Lula a jornalistas logo após o encontro.

Na semana passada, os governos dos EUA e Brasil voltaram a entrar em atrito após o governo americano anunciar que passará a classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida foi anunciada por Trump dois dias após um encontro no Salão Oval com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — pré-candidato à Presidência nas eleições de outubro e rival de Lula.

"Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como uma republiqueta", disse Lula, sobre a decisão americana.

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil na época em que a investigação foi lançada, a visão geral era a de que a investigação tem caráter político e de proteção a empresas americanas, ao mesmo tempo em que traz muitas alegações que são contraditórias e imprecisas — embora algumas das acusações comerciais façam sentido.

"Para mim é claro que o governo Trump está tentando dar motivação econômica para que as tarifas impostas contra o Brasil não sejam ilegais", disse na época Guilherme Klein Martins, professor da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Segundo o economista, os argumentos apresentados pelo presidente americano na carta em que anunciou oficialmente a imposição da taxa de 50% às exportações brasileiras mostram claramente que seu descontentamento é com o fato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ter se tornado réu na ação que apura a tentativa de golpe de Estado e com outras decisões do Judiciário brasileiro. Bolsonaro acabou condenado em setembro do ano passado e está atualmente cumprindo pena de 27 anos, em prisão domiciliar.

A motivação puramente política, porém, "poderia gerar um problema interno nos Estados Unidos", diz Klein.

Lula disse na semana passada que Brasil não aceita "ser tratado como moleque", após anúncio da Casa Branca sobre classificação de facções criminosas como organizações terroristas — Foto: Ricardo Stuckert / PR

Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior dos primeiros governos Lula, afirma que o descontentamento americano com algumas das políticas comerciais brasileiras já existia há anos, mas foram usados no contexto atual para justificar uma investigação nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Esse trecho da legislação americana permite que o USTR realize apurações sobre práticas que supostamente prejudicam o comércio internacional americano e determine se há ou não irregularidades. A intenção é punir ações consideradas discriminatórias contra empresas americanas com sanções aos países-alvo.

"A relevância econômica de algumas dessas reclamações é muito pequena e boa parte, se não a maior parte delas, não têm justificativa fática nenhuma", afirma Barral.

Ainda segundo o especialista em comércio exterior, Trump já argumentou no passado que as tarifas anunciadas por seu governo nos últimos meses contra diversos países seriam uma tentativa de combater o déficit comercial dos EUA com essas nações. No caso brasileiro, porém, a balança comercial é positiva para os americanos.

"Usar a seção 301 é uma forma dos EUA se garantirem ao aplicar essas tarifas contra o Brasil", diz.

No documento divulgado pelo USTR sobre a investigação comercial, uma das áreas apontadas como foco da apuração é a de mídia social e serviços de pagamento eletrônico.

Segundo o órgão, existem evidências de que o Brasil se envolve em diferentes "atos, políticas e práticas que podem prejudicar a competitividade das empresas norte-americanas envolvidas em comércio digital e serviços de pagamento eletrônico" no país.

O USTR cita um julgamento do STF sobre regulamentação das plataformas digitais no país como um exemplo.

Segundo a instituição, a corte votou para "tornar as empresas de redes sociais responsáveis por postagens ilegais de seus usuários, mesmo na ausência de uma ordem judicial para remover esse conteúdo". A mudança descrita se refere ao recurso julgado pelo STF sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet.

O trecho original da lei previa que as plataformas digitais só seriam responsabilizadas por danos causados por conteúdos ofensivos se, depois de uma ordem judicial específica, não tomassem providências para retirar o material do ar.

A nova decisão da corte não invalidou totalmente esse entendimento, mas definiu que em casos de crimes, atos ilícitos e contas inautênticas (criadas por robôs, por exemplo), as empresas de mídia social se tornam responsáveis se, após serem notificadas extrajudicialmente (pela vítima ou advogado), não removerem o conteúdo e a Justiça considerar o material ofensivo posteriormente.

STF decidiu que as empresas de mídia social podem ser responsabilizadas por conteúdos criminosos postados por terceiros — Foto: Getty Images via BBC

Mas em outros tipos de infração, como nos crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), ainda é necessária uma ordem judicial para retirar o conteúdo do ar.

O USTR também afirma em seus documentos que a Justiça brasileira teria emitido "ordens secretas" instruindo companhias de mídia social americanas a "censurar centenas de postagens e retirar dezenas de críticos políticos, incluindo cidadãos dos EUA, de suas plataformas por discursos legais em solo americano".

A afirmação é uma referência à determinação do ministro Alexandre de Moraes para bloqueio de diversos perfis em redes sociais administrados por usuários acusados de atentar contra a democracia brasileira e o processo eleitoral, levando à invasão, em 8 de janeiro de 2023, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Para Bruna Martins dos Santos, gerente de políticas e advocacia da Witness, organização internacional sem fins lucrativos focada em tecnologia e direitos humanos, a União Europeia (UE) também enfrentou problemas semelhantes, quando o bloco também foi pressionado pelo governo Trump por suas regras digitais.

Desde que assumiu a Casa Branca pela segunda vez, o republicano repete que a regulação das big techs pela União Europeia é uma manobra para enfraquecer os negócios americanos nos 27 países do bloco.

"Vivemos em um momento de exportação de agenda doméstica dos EUA, de uma extrema proteção da atuação de empresas privadas e de relativização de obrigações que foram colocadas ao redor do mundo em torno da atuação desses atores", afirma Santos.

"Por isso mesmo esses os argumentos [apresentados na investigação] não têm sentido", opina. "Diversos países ao redor do mundo, enquanto nações soberanas, dedicaram anos à elaboração de regulações em torno do ambiente digital e de serviços digitais."

Ainda segundo a especialista, não houve censura na decisão judicial que determinou a retirada de postagens do ar e suspensão de contas nas redes sociais. Para Santos, os alvos das determinações eram reincidentes, possuíam seguidores fiéis envolvidos em incitação de violência e ameaçaram o próprio STF e seus ministros, levando à tomada de ações mais drásticas.

Ainda na área digital, o governo americano também colocou o Pix em sua mira, acusando o sistema de pagamentos desenvolvido pelo Banco Central de ser uma prática desleal, que prejudicaria empresas americanas que atuam no setor.

"O Brasil também parece envolver-se em uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a promover seu serviço de pagamento eletrônico desenvolvido pelo governo", diz um trecho do documento que não elenca a quais práticas supostamente ilegais ele se refere.

Pix foi lançado em 2020 e entrou na mira de uma investigação do governo americano — Foto: Getty Images via BBC

Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a inclusão do Pix na investigação seria uma forma de proteger as big techs e serviços de pagamentos americanos, como Whatsapp Pay, Apple Pay e Google Pay.

"Estamos falando aqui de uma competição tecnológica, onde os EUA visam tirar qualquer tipo de tecnologia que possa oferecer algum tipo de inovação e que não esteja sendo gerida dentro do próprio país ou que não esteja sob controle dos EUA", diz Bruna Martins dos Santos.

"A gente sabe que o Pix é um método de pagamento extremamente inovador e relevante para o contexto brasileiro, com grandes níveis de adesão. De nenhuma maneira ele deveria ser visto como uma prática desleal de serviço de pagamento eletrônico."

E segundo Welber Barral, o argumento de que, por ser ligado ao Banco Central, o método de pagamento gera uma concorrência desleal, não é apropriado.

Segundo o ex-secretário, a Organização Mundial do Comércio (OMC) permite em suas normas que empresas públicas atuem em setores em que há falhas de mercado. "Temos uma população desbancarizada muito grande no Brasil. O Pix foi também uma forma de integrar essas pessoas no mercado financeiro", diz.

Além disso, afirma Barral, os EUA também possuem empresas públicas atuando para suprir falhas de mercado. "É o caso, por exemplo, do Serviço Postal dos Estados Unidos, que atua na área de correio. Mas isso não quer dizer que a UPS [empresa privada de transporte e logística] possa processar o governo americano", diz.

"E o Pix não proíbe a concorrência, quem quiser pode usar Apple Pay, PayPal, etc. Não há nenhuma proibição de concorrência."

O Escritório do Representante Comercial dos EUA também acusa o Brasil de reduzir tarifas de forma "injusta e preferencial" ao firmar acordos comerciais preferenciais de escopo parcial com parceiros comerciais globalmente competitivos, ao mesmo tempo em que aplica tarifas mais altas às importações americanas.

O órgão americano cita especialmente a Índia e o México como países que se beneficiariam dessas tarifas preferenciais.

"Este tratamento preferencial aplica-se a centenas de produtos em vários setores, como produtos agrícolas, veículos automotores e peças, minerais, produtos químicos e máquinas", diz o USTR.

Segundo o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, o Brasil tem, de fato, um acordo parcial com o México, focado nos setores automobilístico e químico.

Também existe, no âmbito do Mercosul, um tratado com a Índia. Em vigor desde 2009, ele prevê preferências tarifárias para 450 linhas tarifárias de cada lado.

Barral explica que, com essas tarifas preferenciais, produtos comprados do mesmo fabricante, mas originários de países distintos, podem ser taxados de forma totalmente diferente.

"Uma empresa como a Ford, por exemplo, tem fábricas tanto no México como nos Estados Unidos. Para exportar um modelo de carro para o Brasil, pode pagar tarifa zero se vier do México, e de 35% se vier dos Estados Unidos. É uma diferença grande", diz.

Produção de carros no México: Brasil tem, de fato, um acordo parcial com o país, focado nos setores automobilístico e químico — Foto: Getty Images via BBC

Outro ponto levantado pelo governo americano diz respeito ao combate à corrupção e à ideia de que empresas americanas poderiam estar em desvantagem em um ambiente com pouca transparência.

"As evidências indicam que a falta de aplicação de medidas anticorrupção e a falta de transparência no Brasil podem prejudicar empresas americanas envolvidas em comércio e investimentos no Brasil e levantam preocupações em relação às normas relativas ao combate ao suborno e à corrupção", diz a USTR.

O órgão ainda cita um protocolo de entendimento para comércio e cooperação econômica assinado por Brasil e Estados Unidos, assinado em 2021, que estabelece, entre outras coisas, que os dois países buscariam promover medidas anticorrupção.

Em 2024, o Brasil registrou sua pior nota e pior colocação na série histórica do Índice de Percepção da Corrupção da organização Transparência Internacional, considerado um dos principais indicadores de corrupção do mundo.

Segundo a organização, o Brasil estaria falhando em reverter a trajetória "de desmonte da luta contra a corrupção", levando a um "processo de captura do Estado pela corrupção" evidente principalmente por conta da presença "cada vez maior e explícita" do crime organizado nas instituições estatais.

Para Welber Barral, a ideia defendida pelos EUA em suas alegações "não está totalmente errada". O especialista afirma, porém, que a corrupção no Brasil não é uma questão que será resolvida com a aplicação de tarifas por Washington.

Os EUA ainda se queixam sobre o Brasil se envolver "em uma variedade de atos, políticas e práticas que aparentemente negam proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual".

O país se baseia principalmente na alegação de que o governo brasileiro estaria falhando em combater a venda de produtos falsificados e a pirataria em áreas como streamings e jogos eletrônicos.

O USTR cita também a rua 25 de Março, tradicional polo de comércio popular no centro de São Paulo, para criticar as supostas falhas na proteção e aplicação adequada e efetiva dos direitos de propriedade intelectual.

"O impacto da atual pendência média de pedidos de patente de quase 7 anos (e 9,5 anos para patentes farmacêuticas concedidas entre 2020 e 2024) é reduzir o prazo da patente", diz o órgão comercial americano.

Rua 25 de Março, tradicional polo de comércio popular no centro de São Paulo, também entrou na mira da investigação — Foto: Getty Images via BBC

Para Guilherme Klein Martins, da Universidade de Leeds, a inclusão das queixas sobre pirataria "servem muito mais como uma desculpa do que um fato" para sustentar as tarifas e a investigação.

"Pirataria e comércio ilegal são um problema do mundo inteiro, não apenas do Brasil", diz.

Um relatório de 2025 elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre as tendências em torno da pirataria identifica China, Bangladesh, Líbano, Síria e Turquia como as principais fontes desses produtos ilícitos.

Sobre a demora para a análise dos pedidos de patentes, o vice-presidente Geraldo Alckmin — que no ano passado ocupava o ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — afirmou que o Brasil estava se esforçando para se adequar ao padrão internacional.

No Brasil, o responsável pela concessão das patentes é o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

O órgão tem sido alvo de críticas e reclamações nos últimos anos. Titulares de invenções passaram a ir ao Judiciário para, caso a caso, buscar uma recomposição de prazo quando ficam anos esperando a decisão do órgão.

Em maio de 2021, o STF declarou inconstitucional o parágrafo único do artigo 40 da Lei de Propriedade Industrial (LPI), que previa prazo mínimo de patentes de 10 anos da concessão, para compensar demora na análise do pedido de patente superior a 10 anos da data do depósito.

"O INPI estava levando sete anos para registrar uma patente. Nós reduzimos para seis, para cinco, para quatro. No final do ano deve chegar a três. E o ano que vem, dois anos, que é o padrão internacional", disse Alckmin no ano passado, após as alegações americanas.

Welber Barral afirma ainda que, apesar da demora ser uma realidade, não há discriminação contra os EUA, o que torna a queixa ilógica. "Um inventor brasileiro ou uma empresa suíça também passam por esse problema. Não é algo direcionado contra os EUA", diz.

Segundo o USTR, o Brasil abandonou o tratamento recíproco e virtualmente livre de impostos para o etanol, que promovia o comércio bilateral, e impôs tarifas de importação íngremes e injustas sobre o etanol dos EUA.

O órgão comercial americano diz também que as exportações de etanol dos EUA para o Brasil caíram significativamente devido a essas tarifas, indicando uma desvantagem considerável para os produtores norte-americanos.

"Essa é uma reclamação americana de muito tempo. Já houve muitas negociações, implementação de cota e postergação das decisões", diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior.

Segundo o especialista, as taxas do Brasil ao etanol americano são, de fato, muito mais elevadas do que as encontradas pelos produtores brasileiros nos EUA. E a principal razão para isso, diz, é a necessidade de proteger as usinas no nordeste do país.

"Entra muito etanol americano na região, onde a produção é menos eficiente do que nos EUA", explica.

As importações do biocombustível americano estão sujeitas a uma tarifa de 18%, que é comum para todos os países membros do Mercosul. Já os EUA impõem atualmente uma tarifa de 2,5% sobre as importações de etanol brasileiro.

Durante as negociações, o Brasil chegou a propor que os EUA aumentassem a cota de importação de açúcar brasileiro para o país em troca de uma redução das tarifas ao etanol, de forma a recompensar os produtores brasileiros que fazem o etanol a partir da cana-de-açúcar. Mas o plano nunca foi considerado por Washington.

"Os EUA estão exigindo unilateralmente que o Brasil reduza a tarifa sem sequer responder à proposta brasileira", diz Barral.

Importações de etanol americano estão sujeitas à tarifa de 18% no Mercosul. Já os EUA impõem taxa de 2,5% sobre as importações de etanol brasileiro — Foto: Getty Images via BBC

Especialistas afirmam ainda que o etanol americano é resultado de uma produção viabilizada por subsídios ao milho, prática que influencia diretamente o preço do combustível.

Para alguns, portanto, a tarifa aplicada pelo Brasil ao etanol americano serviria como um mecanismo de defesa comercial.

"O Brasil também poderia alegar que se sente injustiçado porque o etanol nos EUA é produzido de uma maneira cheia de subsídios", avalia o economista Guilherme Klein Martins. "Isso abre espaço para uma discussão mais ampla sobre o que é uma tarifa justa ou injusta."

Os EUA também se queixam de que o Brasil não consegue aplicar suas próprias leis contra o desmatamento, prejudicando produtores agrícolas e de madeira americanos.

"A conversão de terras desmatadas ilegalmente para a produção agrícola proporciona uma vantagem competitiva injusta às exportações agrícolas, reduzindo custos e expandindo a disponibilidade de insumos agrícolas", alega o governo de Donald Trump, que ainda aponta o Brasil como grande concorrente dos EUA nas vendas globais de produtos agrícolas, "incluindo carne bovina, milho e soja".

O documento inicial da investigação comercial reconhece que "as taxas de desmatamento diminuíram nos últimos anos" no país, mas afirma que o patamar atual ainda é alto.

O Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2024) do MapBiomas, divulgado em maio deste ano, revelou uma redução de 32,4% na área desmatada no Brasil em 2024 em comparação com 2023.

A área total desmatada no acumulado dos últimos seis anos (2019-2024), porém, atinge a marca alarmante de 9.880.551 hectares, uma área comparável ao tamanho da Coreia do Sul.

Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, o combate ao desmatamento no país tem se mostrado instável ao longo dos últimos anos, a depender do governo. O especialista faz críticas contundentes às políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro, que segundo ele "era omisso em relação à questão" e "impulsionou o crime ambiental".

Segundo governo americano, dificuldade do Brasil em combater o desmatamento prejudica produtores agrícolas e de madeira americanos — Foto: Getty Images via BBC

"E Donald Trump, em seu primeiro mandato, manteve relações estreitas e de apoio com o governo Bolsonaro", aponta Astrini, que vê as acusações americanas neste momento como uma demonstração de hipocrisia.

O secretário do Observatório do Clima afirma ainda que a gestão do republicano abandonou qualquer tipo de ajuda ao controle do desmatamento na Amazônia, ao contrário de outros presidentes americanos, e que a forma como o tema está sendo tratado nesse momento pode ser entendida como uma ameaça à soberania.

"O combate ao desmatamento deve ser realizado única e exclusivamente pelo governo brasileiro de forma autônoma. Ajudas externas são bem-vindas, mas elas não devem ameaçar a soberania brasileira", opina ainda o especialista.

Para Guilherme Klein, da Universidade de Leeds, as alegações sobre desmatamento são as que mais poderiam fazer sentido entre todas apresentadas pelo USTR.

Segundo ele, aumentar tarifas de importação ou restringir a importação com base em deflorestamento ou emissões de carbono é uma tendência, com, por exemplo, a implementação de mecanismos pela União Europeia.

O chamado Mecanismo de Ajustamento de Carbono nas Fronteiras (CBAM) da UE estabelece um preço para o carbono emitido durante a produção de bens com elevado teor de carbono importados para o bloco.

O economista afirma, porém, que essas taxações ocorrem de maneira muito diferente da adotada pelos EUA com o Brasil. "Não cabe como justificativa para aumentar em 50% a tarifa de todas as importações", diz. "Está muito fora do tom."

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Quanto custam as chuteiras dos jogadores da Seleção Brasileira?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 06:45

Guia de Compras Lazer | Esporte Quanto custam as chuteiras dos jogadores da Seleção Brasileira? Preços vão de R$ 800 a R$ 2.300, mas nem todas as patrocinadoras dos jogadores anunciaram ainda seus modelos oficiais para a Copa de 2026. Por Henrique Martin, g1

As chuteiras podem ser o item mais caro da lista de quem quer montar um uniforme completo de jogador brasileiro na Copa do Mundo de 2026.

Os modelos mais baratos encontrados nas lojas da internet no final de maio saíam a partir de R$ 800 e chegavam até R$ 2.300.

Mas esses valores podem ficar ainda mais altos, já que essas chuteiras não são necessariamente as que os 26 convocados vão usar em campo.

A chuteira Nike Mercurial Vapor 16 Vini Jr, por exemplo, já é considerada um modelo "antigo". Em campo, o atacante vai usar uma nova da linha Elite, ainda indisponível no Brasil.

Casemiro, Raphinha e Luiz Henrique durante a goleada do Brasil por 6 a 2 contra o Panamá — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Algumas fabricantes, como Adidas e Nike, ainda devem anunciar suas "coleções 2026" para a Copa nos próximos dias, o que pode deixar esses valores ainda maiores.

Apenas quatro marcas dominam os pés dos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol: Nike (11 jogadores), Adidas (8), Puma (4) e New Balance (1).

No levantamento feito pelo Guia de Compras com os fabricantes, apenas dois atletas estão sem patrocínio de chuteiras. Por fotos em redes sociais, deu para perceber que Ibañez usa produtos da Adidas, e Igor Thiago, da Nike.

Veja a seguir as chuteiras usadas pelos convocados e alguns dos modelos disponíveis nas lojas on-line.

Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. 

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Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 06:18

Fantástico Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes Quase 83 milhões de brasileiros estão endividados, a metade da população adulta do país. E a taxa média de inadimplência atingiu o maior nível desde 2011. Por Fantástico

Uma investigação jornalística revela a "indústria do limpa-nome", esquema que usa liminares judiciais suspeitas para esconder temporariamente as dívidas de consumidores nos órgãos de proteção ao crédito.

Com quase 83 milhões de brasileiros inadimplentes, anúncios facilitados na internet prometem a retirada rápida do registro de restrição sem que as pendências financeiras sejam quitadas.

O esquema funciona por meio de associações de defesa do consumidor que acionam a Justiça para impedir que órgãos como Serasa e SPC divulguem as dívidas existentes.

Inicialmente concentradas em 3 estados do Nordeste em 2023, essas ações judiciais fraudulentas se espalharam para mais 6 estados brasileiros nos últimos 2 anos.

Os anúncios estão por toda parte e prometem limpar o nome de devedores em tempo recorde. Mas a dívida não é cancelada. Ela apenas some temporariamente dos registros dos órgãos de proteção ao crédito. Como isso é possível? Associações de defesa do consumidor, advogados e juízes estão sendo investigados. O esquema envolve a concessão de liminares suspeitas e se chama "indústria do limpa-nome". É o que mostra a reportagem especial de Mauricio Ferraz e Evandro Siqueira.

Uma pesquisa recente mostrou: quase 83 milhões de brasileiros estão endividados, a metade da população adulta do país. E a taxa média de inadimplência atingiu o maior nível desde 2011.

“A gente vai entrar com uma ação judicial. Você vai ter o poder novamente de empréstimo, financiamento, cartão.”

Com tanta gente endividada, anúncios com esse tipo de promessa viralizaram na internet. Mas como isso é possível? E, o principal: é tudo dentro da lei? O Fantástico foi ao Nordeste, uma das regiões que mais concentram ações judiciais coletivas de quem está negativado, em busca de informações sobre a chamada "indústria do limpa-nome".

“No começo, achávamos que era um movimento pontual, mas ele está se voltando quase que a um movimento sistêmico. Significa que ele acaba se replicando”, afirma Elias Sfer, presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito.

As investigações mostram que essa "indústria" depende de associações que dizem defender os direitos dos consumidores. São elas que entram com as ações coletivas exigindo que órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, não divulguem que a pessoa tem dívidas pendentes, que está com o nome sujo. Quando alguém consulta o cadastro, a resposta deve ser que "nada consta", não há nenhuma restrição.

“Um dos principais argumentos ali é de que eles não receberam a comunicação de negativação, que é uma obrigação legal, está no Código de Defesa do Consumidor”, diz o advogado Armin Lohbauer.

Mas as investigações revelam: a grande maioria recebeu, sim, a notificação da dívida e da negativação.

“Não tem fórmula mágica. Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente ser camuflada e desaparecer da noite para o dia”, afirma André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil.

Limpa-nome: esquema de fraude milionário envolve endereços fantasmas e até juízes — Foto: Fantástico/ Reprodução

Quem aceita a proposta de anúncios como os que mostramos na reportagem tem o nome repassado para uma associação. São várias agindo da mesma forma.

“Havia uma comercialização de listas de nomes que a associação recebia. Inseria essas pessoas, esses nomes como associados para representá-los judicialmente nos processos", afirma Jamile Lemos, promotora de Justiça de PB.

"É uma comercialização de uma liminar. A gente está diante de um processo fraudulento, um processo falso, não autêntico. É um processo fake, feito para ganhar dinheiro”, diz o advogado Armin Lohbauer.

Em 2023, as ações judiciais de limpa-nome se concentravam no Piauí, Paraíba e Pernambuco. Dois anos depois, elas se espalharam para mais seis estados. As liminares – que chegam com frequência aos cartórios de protestos – proíbem a divulgação de que a pessoa está com nome sujo, mas não cancelam as dívidas. Elas continuam existindo até que sejam pagas ou negociadas. A soma das contas atrasadas de quem já se beneficiou dessas liminares dá um valor gigantesco.

“Ao longo de cinco anos, já se chegou a uma marca de aproximadamente R$ 130 bilhões em créditos que foram camuflados. Pessoas que têm dívidas e que estão se apresentando diante do mercado com o nome limpo e, com isso, contraindo novas dívidas", diz André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil.

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Haddad defende a ‘taxa das blusinhas’ mesmo após recuo de Lula: ‘Eu não mudei de opinião’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 06:18

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

Em campanha para o governo de São Paulo, Fernando Haddad manteve sua defesa à taxação de compras internacionais de até US$ 50, alegando isonomia tributária com o comércio físico.

O petista criticou duramente a gestão de Tarcísio de Freitas, apontando irregularidades na privatização da Sabesp e a suposta ligação de aliados com fraudes no Banco Master.

Para a segurança pública paulista, Haddad planeja focar na cooperação com órgãos federais de inteligência, criticando o boicote do atual governador à PEC proposta pelo presidente Lula.

Projetando o futuro do PT após a provável última candidatura de Lula em 2026, Haddad sugeriu a realização de prévias internas para definir o próximo candidato presidencial.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) está em uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, mas, fiel a seu estilo e orgulhoso de sua coerência, não teme seguir abraçando um tema impopular como a chamada "taxa das blusinhas", a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50.

Fazia poucos dias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dito, no programa Sem Censura, da TV Brasil, que Haddad acreditava que a taxa, criada em 2024 e revogada agora em ano eleitoral, "realmente era uma coisa boa", "para proteger a indústria nacional", e que havia transmitido a ele essa "convicção".

Haddad tinha errado na avaliação lá atrás, então? "Não mudei de opinião", disse ele em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5).

"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", diz, em consonância com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) — que afirmou, em abril, quando a medida ainda estava valendo, que foram preservados 135 mil empregos graças a ela — e com os governos estaduais, que mantiveram os impostos estaduais, o ICMS, sobre essas compras internacionais.

"Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando."

A mira contra o Tarcísio de Freitas (Republicanos) se repetiria muitas vezes na entrevista por motivos óbvios. Haddad quer convencer o eleitor de que é capaz de entregar um governo melhor que o do adversário em áreas como segurança, por exemplo.

Segundo levantamento realizado pela Quaest e divulgado no fim de abril, Tarcísio tem até 38% das intenções de voto para a reeleição, e Haddad, até 26%, dependendo do cenário, uma disputa considerada dificil.

Embora o período oficial de campanha não tenha começado, Haddad já está em campo, viajando pelo interior e visitando especialmente universidades.

Ainda não há definição sobre quem será candidato a vice na chapa do petista, algo que ele afirma que deve ser decidido "até dia 10, 15 de junho".

Outro assunto ainda está para ser decidido, segundo ele, é de que forma o PT fará sua grande sucessão, uma vez que é provável que 2026 seja a última disputa eleitoral presidencial de que Lula participa.

"Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual", afirma Haddad, sobre a 'taxa das blusinhas', que foi revogada — Foto: Victor Parolin/BBC News Brasil

Haddad é o único petista que já disputou uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2018, quando o atual presidente estava preso, Haddad perdeu para Jair Bolsonaro (PL).

"Não dá para planejar desse jeito", disse, ao ser perguntado se está preparado para receber o bastão de Lula. "Tem muita coisa para acontecer no Brasil."

Mas, no fim, levanta uma possibilidade. "Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo."

O partido tradicionalmente realiza votações internas com seus filiados para decidir quem disputará governos municipais e, mais raramente, estaduais.

Nos 46 anos de história do PT, houve eleição prévia para presidente uma única vez, em 2002, quando o hoje deputado estadual Eduardo Suplicy manteve sua pré-candidatura e forçou eleições internas. Lula venceu com 84% dos votos contra 15% de Suplicy, sendo depois eleito presidente, pela primeira vez, naquele ano.

"Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito", disse Haddad.

BBC News Brasil – Estamos quase em junho e três pessoas ainda disputam a candidatura ao Senado em São Paulo, no campo da centro-esquerda: Simone Tebet, Marina Silva e Marcio França. O que falta para decidir? Falta a palavra de quem?

Fernando Haddad – Eu vejo com uma certa naturalidade essa situação, até porque, se você for ver do outro lado, também tem mais de dois candidatos. E é natural que haja um processo de decantação. Nós estamos falando de três pessoas com uma trajetória incrível.

Simone foi prefeita da cidade dela, senadora da República, ministra do Planejamento, Márcio França foi governador de São Paulo, ministro da Micro e Pequena Empresa, de Portos e Aeroportos. A Marina tem uma trajetória internacional incrível, foi senadora da República, candidata a presidente.

Nós estamos falando de três pessoas muito valorosas e é normal que isso aconteça. Imaginar que, arbitrariamente, alguém vai decidir uma composição em uma conversa… O presidente Lula está muito envolvido no tema, mas ninguém está preocupado porque é um problema bom para resolver. Seria ruim se ele não tivesse figuras de tanta expressão política como eles são.

BBC News Brasil – Mas esse impasse envolve também a discussão do seu vice, por exemplo. Qual seria uma chapa dos sonhos?

Haddad – Eu não vou dizer isso pelo seguinte: eu não quero arbitrar, não quero ser parte de uma atitude desrespeitosa em relação a nenhum dos três. São meus colegas de ministério, são parceiros, são amigos, além de termos uma visão de mundo comum em relação à democracia, à justiça social.

São pessoas de altíssima respeitabilidade e sobre as quais não paira dúvida sobre conduta ética.

Haddad – Até dia dez, dia 15 de junho, a gente resolve. Eu fui resolver isso em 2022, era final de julho.

BBC News Brasil – Agora falando da sua pré-candidatura ao governo de São Paulo: por que um produtor de Barretos ou de Jaguariúna deveria votar no senhor e não no Tarcísio?

Haddad – Infelizmente, eu me deparei com uma realidade em São Paulo que eu não esperava. Eu discuti longamente com o presidente [Lula] qual deveria ser minha função em 2026. Inicialmente, nós divergimos sobre o que seria o melhor a fazer.

E uma das razões pelas quais eu topei foi que ele começou a me expor o que estava se passando em São Paulo, pelos dados que ele recebia. Efetivamente, nós estamos diante de um governo muito precário, em várias áreas.

Na área de finanças, como há muito tempo não se vê. O crescimento do Estado é medíocre. No ano passado, São Paulo ficou para trás num patamar inaceitável. A situação das escolas públicas paulistas é muito precária.

O que se tornou a Sabesp é um escândalo. Desde o começo, foi tudo mal feito: a venda de uma das maiores companhias de saneamento do mundo com um único interessado, aquela venda de ações, a chamada segunda tranche, a preços muito abaixo do mercado, o envolvimento do complexo [do Banco] Master na compra da Emae [Empresa Metropolitana de Águas e Energia], depois na compra de títulos de CDBs do próprio Banco Master… Tudo muito mal explicado. A própria doação de campanha [de R$ 2 milhões feita à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022 por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e também preso no âmbito das investigações do Banco Master]…

Marina Silva (Rede) disputa a candidatura ao Senado da centro-esquerda em São Paulo — Foto: Sergio Lima / AFP via Getty Images

[Nota da redação: Em julho de 2024, o governo de São Paulo vendeu cerca de 32% das ações da Sabesp na bolsa, passando o comando à privada Equatorial. Paralelamente, o governo estadual também privatizou a Emae em abril de 2024, vendendo o controle ao fundo Phoenix, cujo principal investidor apontado pela imprensa é o empresário Nelson Tanure, apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal como sócio oculto do Banco Master. Pouco mais de um ano depois, já privatizada, a própria Sabesp comprou cerca de 70% da EMAE.

Procurada, a Sabesp afirmou que a desestatização seguiu a lei e foi conduzida com transparência. Destacou que a Justiça de São Paulo julgou improcedente a ação que questionava a venda de ações. Disse ainda que a compra da EMAE atende a critérios técnicos e classifica de "leviana e irresponsável" qualquer ligação com o caso Master.]

A Sabesp foi privatizada em 2024, com uma cerimônia na B3, tendo a maior parte das suas ações sendo vendidas para a Equatorial — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Haddad – Não, na realidade do produtor de Barretos chega que nós estamos no terceiro recorde de produção agrícola da história do Brasil, porque o Ministério da Fazenda fez os três maiores Planos Safra da história.

Nunca o agro foi tão atendido por um governo. Aliás, não é a primeira vez que o presidente Lula faz isso. Quantos mercados nós abrimos para os produtos de São Paulo? Quantos mercados o Bolsonaro e Tarcísio abriram? Nenhum.

Como foi o enfrentamento do tarifaço do Trump? Como nós lidamos com o suco de laranja, com a carne? Com os produtos de São Paulo que são vendidos fora, com o café?

Enquanto Eduardo Bolsonaro estava do lado dos Estados Unidos, defendendo a retaliação ao Brasil em virtude do julgamento do pai, nós estávamos lutando pelos interesses nacionais.

Aí me aparece o Tarcísio dizendo "vamos entregar alguma coisa para satisfazer o presidente americano". E nós ali, muito sobriamente, com a melhor diplomacia do mundo, ganhando o terreno nas negociações até a rendição dos Estados Unidos.

Se deixar o preconceito de lado, se a pessoa se debruçar sobre números, sobre política pública, inclusive sobre o desbaratamento dessas quadrilhas todas que a nossa Polícia Federal está fazendo… O caso Master é todo ligado ao bolsonarismo. Quatro ex-ministros do Bolsonaro envolvidos, o presidente do Banco Central do Bolsonaro [Roberto Campos Neto] foi totalmente leniente com a escalada de emissões de CDBs impagáveis.

Qualquer criança sabe que aquilo era insustentável e o BC do Bolsonaro soltando a rédea para o banco crescer.

É a maior fraude bancária da história. E poderia ter sido evitada com muita facilidade. Corromperam diretores do Banco Central que hoje estão com tornozeleira eletrônica. Quando você vai imaginar um diretor do Banco Central ser corrompido?

Haddad – Acho que o foco está fora do BC, e na minha opinião o foco deveria ser o BC. O que aconteceu para um Banco Central, qualquer que seja, não só ser corrompido, mas não ter mecanismo de reação?

Foram feitas várias reuniões de alerta com o Roberto Campos Neto e com o diretor da área. Houve muitos alertas feitos pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos], grandes bancos, FGC, e esses alertas foram ignorados.

A minha equipe do Tesouro descobriu em duas semanas, sendo que não é competência do Tesouro ver isso, algo que o Banco Central não viu em seis anos.

PT só teve eleições prévias para presidente em 2022, quando seus filiados escolheram Lula, que concorreu com Eduardo Suplicy — Foto: MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images

BBC News Brasil – O senhor acabou de lançar um livro que trata das classes sociais e relações de trabalho. O governo não conseguiu aprovar um projeto para regulamentar a situação dos entregadores de aplicativo, encontrando resistência, inclusive, da própria categoria. O PT perdeu a linguagem de falar com essa classe trabalhadora, o precariado, como o senhor diz no seu livro?

Haddad – O PT é um partido da classe operária tradicional, chão de fábrica, nascido no ABC industrializado…

É muito interessante que a tua pergunta tenha sido precedida de um comentário sobre o meu livro, porque um dos recados do meu livro é o seguinte: não existe uma classe social que represente os interesses de toda a humanidade, como se pensou no século 19.

O marxismo, por exemplo, pensava que a classe operária era portadora dos interesses emancipatórios de toda a humanidade.

Hoje você tem, dentre os não proprietários do meio de produção, um conjunto de cientistas e técnicos e programadores e formuladores que são contratados pelo capital como força criativa. Você tem o velho proletariado, que é contratado como força produtiva, e você tem muita força destrutiva das relações e da proteção social.

Um partido que se pretenda representante de um projeto emancipatório, com uma dimensão utópica, um horizonte mais generoso, tem que partir do pressuposto de que isso mudou e ele tem que se abrir para esses novos segmentos sociais.

Haddad – Eu acredito que está, pelo fato de ter voltado ao poder agora e ter se deparado com uma realidade muito diferente da sua origem.

Por exemplo, a última iniciativa teve uma adesão da categoria muito legal, a ponto de subirem no palanque para defender o presidente.

[Nota da redação: O governo Lula anunciou neste mês uma nova linha de crédito de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem veículos]

Nós estamos tateando. Não tenho a menor dúvida de que o PT quer entender essa categoria, ajudar. E não vai aparecer um [outro] partido, na minha opinião, com essa preocupação. Só que o PT precisa dominar uma tecnologia que ele não domina hoje. Ele precisa aprender.

A melhor coisa que nós podemos fazer é aprender com esses novos atores, chamados na literatura de precariado, que são essas pessoas que não têm relações estabelecidas de uma maneira tradicional, são novas relações que estão surgindo de vínculo de trabalho e que não têm a cabeça do proletariado tradicional.

Se eles não forem convidados a participar da política, não vão construir uma visão de sociedade mais interessante.

BBC News Brasil – Críticos dizem que a segurança pública é um dos calcanhares de Aquiles da esquerda. Ceará e a Bahia têm índices muito ruins nessa área. E São Paulo é um Estado totalmente infiltrado pelo crime organizado, de acordo com os próprias autoridades. Se o senhor for eleito, qual seria a medida número um 1 para a segurança pública?

Haddad – Eu comecei a ouvir muito as pessoas para entender quais são as prioridades do Estado. E o que eu posso te assegurar é que a segurança pública vai estar no alto das minhas prioridades. E eu vou dizer, nas próximas semanas, o que eu vou fazer, com começo, meio e fim.

Eu já tenho um plano muito adiantado de segurança pública que faz um balanço crítico da atual gestão, que desmontou uma série de mecanismos e não colocou nada no lugar.

Meu plano de trabalho tem uma dimensão que é o andar de cima, que é muito desassistido pelo governador.

São Paulo tem uma deficiência muito grande no combate ao andar de cima. Modéstia à parte, eu acho que aprendi muito com a Receita Federal atual, que começou a desbaratar os grandes esquemas de corrupção, que foram desbaratados pelo governo federal, Polícia Federal, Receita Federal e Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras].

Haddad – Eu diria para você que eu já até tenho nome. Mas não posso dar pista nenhuma ainda. Talvez eu antecipe o lançamento do plano de segurança, porque, como vai ser uma prioridade absoluta, talvez eu antecipe o anúncio dele.

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera as pesquisas para a reeleição no Estado — Foto: Victor Moriyama/Bloomberg via Getty Images

Uma das coisas mais erradas que o Tarcísio fez foi boicotar a PEC de Segurança Pública do presidente Lula.

O constituinte de 88 falhou no capítulo sobre segurança pública, porque só tem um artigo ali na Constituição, o 144. E nada mudou de 88 para cá. O presidente Lula foi o único presidente que teve a coragem de reconhecer que a Constituição tem uma falha genética, que ele queria corrigir.

O objetivo da PEC era fazer da cooperação entre os órgãos de inteligência a regra, e não a exceção. Compartilhamento de dados, compartilhamento de informações, acesso a sistemas de informação, isso tem que ser a regra, senão você não combate crime nenhum.

[Tarcísio] manda o secretário da Segurança Pública [deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP)] desfigurar a Lei Antifacção justamente no capítulo da cooperação, que era o mais importante, eu diria. Todo o resto era mais do mesmo. Mas o eixo da ação é a cooperação, não pode ser outro. Porque o crime está organizado e o Estado não. É isso que está acontecendo.

O que o presidente Lula fez foi de muita coragem. Tanto é que ele não criou o Ministério da Segurança Pública porque o ministro da Segurança vai fazer o quê se ele não tiver os dados? Se ele não tiver uma inteligência?

[Procurado, Derrite disse, por meio de nota, que "Haddad entende tanto de segurança pública quanto entende de economia: absolutamente nada" e que mudou o PL Antifacção pra "para torná-lo o mais duro já debatido no Congresso".]

BBC News Brasil – O PCC cresceu durante o governo de Geraldo Alckmin (PSB) em São Paulo. Ele falhou nisso?

Haddad – Nós não tínhamos um diagnóstico preciso sobre por qual razão a segurança pública não andava bem no Brasil. Foi isso que o governo Lula fez. O diagnóstico não anda por falta de integração, então vamos fazer uma PEC para integrar.

BBC News Brasil – Sim, mas que o crime organizado estava avançando, esse diagnóstico já existia há muito.

Haddad – Mas qual era o antídoto para isso? Com essa experiência que nós acumulamos, eu estou muito seguro de que se eu for eleito governador, eu vou fazer o oposto do que o Tarcísio fez, que é buscar a cooperação com a Polícia Federal, com a Receita Federal, com o Coaf, entregar informações, receber informações, montar um núcleo duro de combate ao crime organizado. O governo de São Paulo não realiza essa cooperação.

BBC News Brasil – Analistas consideram que a gente está num momento de rombo fiscal, com o maior déficit nominal da série histórica, de R$ 1,2 trilhão. Se Lula for reeleito, ele vai ter que fazer um ajuste fiscal, como a Dilma fez em 2015?

Eu recebi um projeto de lei orçamentária com mais de R$ 60 bilhões de rombo, desconsiderado o reajuste do Bolsa Família, que era de R$ 52 bilhões, desconsiderado o calote dos precatórios, que era de R$ 44 bilhões, desconsiderando a indenização dos governadores por conta do ICMS de combustível, que era de R$ 45 bilhões, e eu fiz acordo para baixar para R$ 27 bilhões.

Você soma isso, dá R$ 200 bilhões, fora a inflação de quatro anos. Além disso, eu recebi um BPC [Benefício de Prestação Continuada] desorganizado, e um Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] que foi multiplicado por três.

Soma tudo isso. Qualquer que seja o presidente eleito, ele vai receber uma situação fiscal infinitamente melhor.

Haddad – É só ver as contas públicas. Pega a despesa primária como proporção do PIB. É assim no mundo inteiro.

Haddad – Não aconteceu nada. Eu tenho uma relação de independência. Não existe no Brasil, há muito tempo, sintonia entre a Fazenda e o Banco Central. São visões diferentes sobre como lidar com o problema. Poucas vezes na história do Real, você teve momentos de sintonia fina entre a política monetária e a política fiscal.

BBC News Brasil – Eu volto à pergunta inicial então: Lula vai ter que fazer um ajuste no ano que vem se ele for reeleito?

Haddad – Todo ministro da Fazenda tem que entrar com o plano de trabalho. Eu recebi o orçamento com R$ 200 bi de déficit, conforme eu relatei aqui para você, e já me coloquei à disposição para conversar com qualquer ex-ministro da Fazenda, do [Pedro] Malan para cá, para bater esses dados, porque não é possível a gente discordar sobre um número.

O próximo presidente, seja quem for, e eu espero que seja o presidente Lula, vai receber um Brasil muito melhor do ponto de vista das finanças. O que está fora do lugar é a taxa de juro. Agora teve a guerra no Irã, que, na minha opinião, atrapalhou muito o ciclo de corte. Mexeu com o mundo inteiro essa bobagem que foi atacar o Irã.

Mas talvez a gente pudesse ter chegado num patamar de juros menor do que os 15%. Talvez a gente pudesse ter começado a cortar antes. Mas enfim, está contratado o ciclo de corte, que eu acho que vai ser um ciclo longo, e o corte do juro vai acertar o déficit nominal, porque o déficit primário também depende da queda do déficit nominal. Porque se você quer rotear o crescimento econômico, você vai ter impacto fiscal também.

Haddad – Essa questão da rede social…. Quando você faz uma pessoa tomar detergente, você está lidando com um universo novo.

Estou falando de uma pessoa, um adulto, que, por fidelidade canina, uma seita, se filma tomando detergente porque a Anvisa preveniu a população sobre um lote de um produto que poderia estar contaminado.

Nós estamos numa situação grave. Quando pessoas agem dessa maneira, elas não estão mais se importando com nada. E a atuação dessas pessoas na rede social confunde a opinião pública.

Nunca se vendeu tanto apartamento e casa, nunca se vendeu tanto carro, nunca se vendeu tanta moto. O IDH do Brasil é o maior da história, a distribuição de renda é a maior da história, o desemprego está na mínima histórica, a inflação de quatro anos é a menor do Plano Real.

Haddad – Mas aí você está jogando uma responsabilidade em cima das pessoas também, que eu não acho justo. Há falhas de percepção, falhas de comunicação, fatores sociais que não estão sendo considerados.

Não pense você que o vício em jogos online afeta pouco a vida das famílias. Oficialmente, os cassinos online estão levando R$ 50 bilhões em apostas. Fora o universo digital não oficial, que, dizem, leva outros R$ 50 bilhões. Estou falando de perto de 1% do PIB.

Outra coisa é a educação financeira. Nós ainda temos uma cultura de crédito que precisa ser muito aperfeiçoada. Não é porque a prestação cabe no seu bolso que você tem que tomar o crédito.

O mundo digital envolve muita coisa. Envolve crédito, compra online, jogos, envolve quase que um universo paralelo. Nós vamos ter que fazer um trabalho de educação.

Eu sou do tempo em que você entrava em dez lojas antes de comprar uma camisa para saber qual era a mais barata.

BBC News Brasil – Pois, falando em camisa, vamos falar da taxa das blusinhas. O presidente Lula disse nesta semana que o senhor acreditou que a taxa das blusinhas era uma coisa boa.

Haddad – Você acha que todas essas pessoas erraram? Sabe o que é interessante? Nenhum órgão de imprensa escreveu um editorial sobre o tema. Nem contra, nem a favor. O que está por trás disso? Por que ninguém se manifestou sobre isso?

Afinal de contas, o certo é o comércio eletrônico pagar o mesmo imposto do comércio presencial, ou não? Do meu ponto de vista, deveria ser uma regra só. Uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual.

BBC News Brasil – Mas o discurso virou uma guerra de rico contra pobre. O rico pode viajar e comprar lá fora, enquanto o pobre não pode comprar.

Haddad – Mas estou falando de um conceito. Uma loja aberta tem que pagar mais ou menos impostos que uma loja virtual?

O Confaz [Conselho Nacional de Política Fazendária, responsável, dentre outras coisas, pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS] está cobrando o ICMS até hoje.

Não revogou a taxa das blusinhas. Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor o ICMS que ele está cobrando.

Porque há, efetivamente, uma coisa que está por trás disso. Como isso não ficou na conta dos governadores, nem do Congresso, nas redes sociais estava ficando na conta do presidente, que foi levado a revogar, porque ele é o único que não queria [a taxa das blusinhas]. A única pessoa que não queria era ele.

BBC News Brasil – Aí ele jogou na sua conta, dizendo que "o Haddad acreditava que era uma coisa boa".

Haddad – E eu não mudei de opinião. Eu não mudei de opinião porque eu ouvi todos os governadores, todos os líderes partidários, a indústria, o comércio e cheguei a essa conclusão.

Haddad, na eleição municipal de 2012 em que foi eleito prefeito de São Paulo — Foto: YASUYOSHI CHIBA/AFP via Getty Images

BBC News Brasil – Sobre a redução da jornada 6×1, alguns críticos dizem que é uma mudança muito brusca, que a proposta é que seja feita a redução de jornada de um jeito muito rápido. Qual é a opinião do senhor?

Haddad – A redução da jornada de trabalho é uma demanda histórica, que ganhou tração social agora, e é natural que as pessoas queiram uma regra de transição. E quem tem que estabelecer essa regra de transição é o Congresso Nacional.

Agora, o que a direita está pedindo? O Tarcísio, o Flávio? Dez anos de transição. Aí é um pouco demais.

Haddad – Mas eles pediram isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 10 mil, quando a gente apresentou até R$ 5 mil. Isso é um jogo de cena para confundir a opinião de novo.

Eu negociei durante meses o Imposto de Renda para chegar a um consenso e todo mundo votar a favor. Todo mundo votou a favor, não teve um voto contra. Porque houve negociação.

A Fazenda aprovou 77 projetos de lei na minha gestão, sendo que 40 estruturais. Estou fazendo a maior reforma tributária da história do Brasil. Tudo passou porque foi negociado.

BBC News Brasil – Mas para negociar é preciso ter interlocução com o Congresso. O senhor acha que neste momento, depois que o Senado não aprovou a indicação do Jorge Messias para o Supremo, há interlocução?

Haddad – Quando caiu a medida provisória da desoneração, nós fomos para o Supremo Tribunal Federal e ganhamos. Quando eles derrubaram o decreto do presidente do IOF, nós fomos para o Supremo e ganhamos.

E todo mundo dizia "agora acabou", "não tem mais clima para nada". Eu aprovei tudo. Você reconstrói o clima. Isso depende da sua capacidade de reconstruir a ponte.

BBC News Brasil – O presidente Lula está com 80 anos e provavelmente essa é a última eleição que ele disputa. O senhor está preparado para receber esse bastão daqui a quatro anos?

Haddad – Mas não existe isso. Quatro anos no Brasil são 40 anos em qualquer lugar do mundo. É muito tempo.

Quem imaginou que o Flávio Bolsonaro, que até outro dia estava ameaçado de prisão por rachadinha, por compra de imóvel sem fonte de renda, por vender chocolate, agora estaria disputando a Presidência da República?

Tem como planejar alguma coisa? Agora, se eu ganhar o governo do Estado, vou trabalhar bem, vou fazer um bom governo. E aí o destino encaminha.

Quando fui ministro da Educação, eu não pensava em ser candidato. E acabei sendo candidato a prefeito e ganhando a eleição. Podia ter perdido, mas não dá para planejar desse jeito.

BBC News Brasil – Não parece que o PT está trabalhando para a sucessão de Lula. Quais são os nomes, quem são os quadros que estão sendo preparados?

Haddad – O Rafael Fonteles [governador do Piauí] é um quadro que vai despontar no Brasil, por exemplo, para citar um. Mas você está pedindo nomes, os outros vão ficar com ciúmes…

Haddad – Todo governador ou ex-governador do Estado pode ser candidato. Todo senador pode ser candidato.

Haddad – Mas nem o Lula vai dizer isso, porque o Lula sabe da complexidade do processo. Não são processos simples.

Mas eu acho que pode ser divertido esse processo. Se ele for arejado, participativo, ele pode ser muito legal. Pode ser uma excelente oportunidade para o PT de se repensar, se reavaliar, discutir programa, discutir futuro. Se o PT fizer um processo aberto, menos fechado, pode ser celebrativo até.

Eu acredito que, se tivesse uma prévia no PT — e estou te respondendo assim porque nem sei se vai ter —, poderia ser um negócio muito bonito.

Tem gente muito boa no PT com boas ideias, com boas cabeças. E se você numa prévia envolve a militância, já na escolha do nome você já dá impulso à campanha. Pode ser uma coisa muito legal.

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Por que anúncios de bets com Kane e Haaland foram vetados do Instagram: ‘Irresponsáveis’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 03:52

Harry Kane (à esquerda) e Erling Haaland em um jogo do Tottenham contra o Manchester City em 2023 — Foto: PA Media via BBC

A Advertising Standards Authority (ASA) disse que os anúncios, que eram de um site de apostas online, violaram o seu código porque Kane e Haaland têm um "forte apelo junto de menores de 18 anos".

A Oddschecker, que publicou as imagens, afirmou que elas eram "principalmente de natureza editorial, e não anúncios" e que havia configurado a conta para ser acessada apenas por maiores de 18 anos.

No entanto, a ASA disse que existe "um número significativo de crianças que não usam sua data real de nascimento ao se inscreverem" no Instagram.

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A ASA investigou os anúncios em questão após uma queixa de um pesquisador da Universidade de Bristol.

Um deles mostrava uma imagem de Kane com a legenda: "Harry Kane é o jogador com mais apostas para vencer a Bola de Ouro em 2026 (32% das apostas)", com um emoji de troféu.

O outro mostrava Haaland e trazia a legenda: "Nas últimas 24 horas, a Noruega vencer a Copa do Mundo de 2026 é a aposta mais feita através do oddschecker."

A Cyan Blue Odds Ltd, empresa que opera a Oddschecker, disse reconhecer que exibir grandes jogadores de futebol pode atrair crianças e que havia configurado a conta para que apenas maiores de 18 anos pudessem visualizá-la.

Argumentou que as postagens não eram publicitárias, mas sim conteúdo “editorial” mais geral, razão pela qual não havia nenhum aviso de idade ou mensagem promovendo o jogo responsável.

A ASA rejeitou a defesa, considerando Kane e Haaland "como apresentando alto risco de forte apelo junto a menores de 18 anos".

Em outra investigação, a ASA concluiu que um outro anúncio no Instagram com um jogador de futebol não violou suas regras.

O anúncio da Betway mostrava uma foto do ex-atacante do Arsenal e agora analista Thierry Henry, mas a ASA disse que é improvável que ele atraia fortemente os menores de 18 anos e, portanto, não violou seu código.

Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

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Bolsa Família 2026: veja calendário de pagamentos em junho

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 00:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,0420,21%Dólar TurismoR$ 5,2460,24%Euro ComercialR$ 5,8810,36%Euro TurismoR$ 6,1330,38%B3Ibovespa173.787 pts-0,73%Oferecido por

A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de junho do Bolsa Família no dia 17. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1. (veja mais abaixo o calendário completo)

O dinheiro será disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados.

🤔 Para saber a data correta de recebimento, a família deve verificar o último dígito do NIS, impresso no cartão do programa. Assim, é possível consultar o dia correspondente no calendário oficial de pagamentos.

Final do NIS: 1 – pagamento em 17/6Final do NIS: 2 – pagamento em 18/6Final do NIS: 3 – pagamento em 19/6Final do NIS: 4 – pagamento em 22/6Final do NIS: 5 – pagamento em 23/6Final do NIS: 6 – pagamento em 24/6Final do NIS: 7 – pagamento em 25/6Final do NIS: 8 – pagamento em 26/6Final do NIS: 9 – pagamento em 29/6Final do NIS: 0 – pagamento em 30/6

Julho: de 20/7 a 31/7;Agosto: de 18/8 a 31/8;Setembro: de 17/9 a 30/9;Outubro: de 19/10 a 30/10;Novembro: de 16/11 a 30/11;Dezembro: de 10/12 a 23/12.

Para se enquadrar do programa, é preciso somar a renda total e dividir pelo número de pessoas. Caso o valor fique abaixo dos R$ 218, a família está elegível ao Bolsa Família.

manter crianças e adolescentes na escola;fazer o acompanhamento pré-natal (no caso de gestantes);manter as carteiras de vacinação atualizadas.

O Bolsa Família prevê o pagamento de, no mínimo, R$ 600 por família. Há também os adicionais de:

R$ 150 por criança de até 6 anos;R$ 50 por gestantes e crianças e adolescentes de 7 a 17 anos;R$ 50 por bebê de até seis meses.

Os beneficiários precisam se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) — principal instrumento do governo federal para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais — e aguardar uma análise de enquadramento.

Estar no Cadastro Único não significa a entrada automática nos programas sociais do governo, uma vez que cada um deles tem regras específicas. Mas o cadastro é pré-requisito para que a inscrição seja avaliada.

Os beneficiários recebem e podem movimentar os valores pelo aplicativo Caixa TEM e internet banking. Assim, não é necessário ir até uma agência da Caixa Econômica Federal — que é responsável pelo pagamento do Bolsa Família — para realizar o saque.

Segundo a Caixa, os beneficiários também podem utilizar o cartão do programa para realizar compras nos estabelecimentos comerciais, por meio da função de débito.

Além disso, há a opção de realizar saques nos terminais de autoatendimento, casas lotéricas e correspondentes Caixa Aqui, além das agências da Caixa.

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Quando cai Corpus Christi? Entenda por que a data muda todo ano

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 01/06/2026 00:46

Trabalho e Carreira Quando cai Corpus Christi? Entenda por que a data muda todo ano Celebração católica não tem data fixa no calendário e é definida a partir da Páscoa; neste ano, Corpus Christi será celebrado na próxima quinta-feira, 4 de junho. Por Redação g1 — São Paulo

Corpus Christi é uma data móvel da Igreja Católica e, por isso, muda de dia todos os anos. O cálculo também influencia datas como carnaval e Páscoa.

A definição da data leva em conta fatores astronômicos, como as fases da Lua e a posição do Sol, usados para calcular o domingo de Páscoa.

O Corpus Christi é celebrado sempre 60 dias após a Páscoa, enquanto o carnaval acontece 47 dias antes da celebração cristã.

Em 2026, o Corpus Christi cai em 4 de junho, uma quinta-feira. A data é ponto facultativo nacional, mas pode virar feriado local conforme decisão de estados e municípios.

É uma dúvida comum entre quem quer comprar passagens ou programar viagens com antecedência: afinal, quando cai o Corpus Christi neste ano? 🤔

A pergunta faz sentido. A celebração da Igreja Católica é considerada uma “data móvel” — ou seja, não tem um dia fixo no calendário e muda a cada ano.

O mesmo acontece com outras datas religiosas, como o carnaval e a Páscoa. E isso não é coincidência: todas seguem um cálculo definido há séculos, que combina tradição religiosa e até fenômenos astronômicos.

Sim, a conta envolve elementos como as fases da Lua, a posição do Sol e o calendário lunar. Parece complicado, mas dá para entender seguindo um passo a passo.

🕊️ Primeiro, define-se a data da Páscoa: a celebração acontece sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio de março. (veja como é feito cálculo)✝️ Depois, basta contar 60 dias a partir do domingo de Páscoa para chegar ao Corpus Christi, celebrado sempre em uma quinta-feira.🎉 O carnaval também depende dessa lógica. A terça-feira de carnaval acontece 47 dias antes da Páscoa — ou, de forma mais precisa, 40 dias antes do Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa.

A expressão vem do latim e significa “Corpo de Cristo”. A data celebra, segundo a tradição católica, a presença de Jesus Cristo na eucaristia — representada pelo pão e pelo vinho.

De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a celebração marca a “presença real de Jesus Cristo no pão e no vinho”.

Neste ano, o Corpus Christi será celebrado em 4 de junho, uma quinta-feira. A data é considerada ponto facultativo nacional.

Isso significa que estados e municípios podem transformá-la em feriado religioso por meio de regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso para quem também folga na sexta-feira ou no fim de semana.

Nas cidades onde o Corpus Christi é feriado, a regra geral é a dispensa do trabalho. Caso o funcionário seja convocado para trabalhar, ele tem direito a receber em dobro ou a uma folga compensatória.

Das 27 capitais brasileiras, 20 decretaram Corpus Christi como feriado, quatro adotaram ponto facultativo e três ainda não publicaram decretos sobre o assunto. (veja a lista abaixo)

Aracaju (SE)Belo Horizonte (MG)Boa Vista (RR)Brasília (DF)Campo Grande (MS)Cuiabá (MT)Curitiba (PR)Florianópolis (SC)Fortaleza (CE)Goiânia (GO)Macapá (AP)Maceió (AL)Manaus (AM)Natal (RN)Rio de Janeiro (RJ)Salvador (BA)São Luís (MA)São Paulo (SP)Teresina (PI)Vitória (ES)

Em dias de ponto facultativo, os servidores públicos são dispensados do trabalho sem prejuízo na remuneração. Essa medida costuma ser adotada em dias úteis que ficam entre feriados e fins de semana.

No setor privado, como a data é considerada ponto facultativo e não feriado, as empresas não são obrigadas a dispensar seus funcionários.

Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.

Depois de Corpus Christi, que é ponto facultativo nacional, os próximos feriados são 7 de setembro (Independência do Brasil) e 12 de outubro (Nossa Senhora Aparecida).

Ambos caem em uma segunda-feira e podem render um descanso prolongado para quem folga aos fins de semana.

7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)2 de novembro, Finados (segunda-feira)15 de novembro, Proclamação da República (domingo)20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)25 de dezembro, Natal (sexta-feira)

4 de junho, Corpus Christi (quinta-feira)5 de junho (sexta-feira)28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)

*Com colaboração de g1 Acre, g1 Alagoas, g1 Amapá, g1 Amazonas, g1 Bahia, g1 Ceará, g1 Distrito Federal, g1 Espírito Santo, g1 Goiás, g1 Maranhão, g1 Mato Grosso, g1 Mato Grosso do Sul, g1 Minas Gerais, g1 Pará, g1 Paraíba, g1 Paraná, g1 Pernambuco, g1 Piauí, g1 Rio de Janeiro, g1 Rio Grande do Norte, g1 Rio Grande do Sul, g1 Rondônia, g1 Roraima, g1 Santa Catarina, g1 São Paulo, g1 Sergipe e g1 Tocantins.

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