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Dólar abre em queda, com tensões no Estreito de Ormuz e alta do petróleo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O dólar opera em queda nesta terça-feira (14), com um recuo de 0,92% perto das 9h45, cotado a R$ 5,0842. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ As tensões no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional para cima. Na véspera, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio naval ao Irã a partir de hoje e que passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo canal, que é rota de cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.

As preocupações sobre o novo bloqueio do canal trazem mais um dia de alta para a commodity nesta terça-feira (13). Perto das 8h45, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 3,04%, cotado a US$ 85,83. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, subia 1,75%, cotado a US$ 79,51 por barril.

▶️ Na agenda econômica, investidores avaliam novos dados da inflação ao consumidor nos EUA. Os dados são importantes para esclarecer ao mercado financeiro quais devem ser os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. Segundo a XP, o choque no mercado de petróleo elevou as apostas para uma alta das taxas já neste mês.

A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, na véspera, um novo bloqueio naval no Estreito de Ormuz para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã. A expetativa é que a operação tenha início nesta terça-feira, às 17h.

A medida entra em vigor um dia após o presidente americano afirmar que pretende assumir o controle do canal — por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo — e volta a trazer preocupações sobre eventuais impactos na oferta da commodity no mercado internacional.

"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados ​​por isso", disse Trump, afirmando, pouco tempo depois, que pretende cobrar 20% sobre toda carga transportada pela rota.

Nos últimos dias, EUA e Irã voltaram a trocar ataques, colocando em xeque o frágil acordo de paz firmado no dia 17 de junho, que formalizou um cessar-fogo mais duradouro e um caminho para um tratado definitivo.

Na Ásia, a maioria das bolsas fecharam em alta, após dados sólidos de exportações melhorarem o ânimo dos investidores. Papéis de energia também tiveram ganhos, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 2,15%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve alta de 1,36%.

O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,52%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 0,74% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma valorização de 0,73%.

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Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Agro Guerra no Irã: empresa de fertilizante Mosaic reduz produção no Brasil por falta de enxofre Matéria-prima é fundamental para a produção de adubos fosfatados, usados em diversos plantios, como soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas. Por Redação g1, g1 — São Paulo

A Mosaic anunciou a redução da produção em fábricas no Brasil. A medida ocorre pela falta de enxofre para fabricar adubos fosfatados.

A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico. A região é a principal exportadora global do insumo.

O conflito internacional elevou os custos logísticos. A situação também dificultou a chegada da matéria-prima ao mercado brasileiro.

A empresa declarou que ainda não consegue prever a normalização das atividades. O retorno dependerá da queda nos preços do enxofre.

A Mosaic, uma das maiores empresas globais de fertilizantes, anunciou que vai reduzir a sua produção em algumas de suas fábricas no Brasil por falta de enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de adubos fosfatados, usados em plantios de soja, milho, trigo, café e arroz, além de hortaliças e frutas.

➡️ A guerra no Oriente Médio prejudicou o transporte marítimo no Golfo Pérsico, principal região exportadora de enxofre, elevando os custos e dificultando a chegada do insumo ao Brasil.

"São necessárias aproximadamente quatro toneladas do insumo [enxofre] para fabricar dez toneladas de fertilizantes DAP ou MAP, por exemplo. Diante da redução da oferta global e da alta dos preços do enxofre, a companhia revisou seu plano operacional para o segundo semestre de 2026 e decidiu ajustar temporariamente a produção em determinadas unidades", disse a companhia.

Candeias (BA) e Catalão (GO): as unidades de mistura terão as atividades temporariamente paralisadas, com possíveis impactos sobre os trabalhadores, ainda sujeitos às negociações com os sindicatos.Palmeirante (TO) e Sorriso (MT): a produção será reduzida com reflexos no quadro de funcionários.Tapira (MG) e Catalão (GO): as paralisações temporárias já anunciadas nas unidades de produção deverão ser prorrogadas.Uberaba (MG): o complexo será gradualmente paralisado a partir de setembro.Paranaguá (PR): o Porto da Fospar seguirá operando normalmente. A produção de fertilizantes deve continuar até o fim de setembro, quando os estoques de ácido sulfúrico devem se esgotar.Cajati (SP): a unidade continuará em operação, apoiada por importações de enxofre para manter a produção de nutrição animal.

Segundo a Mosaic, ainda não é possível prever quando a situação será normalizada. A empresa afirma que isso dependerá da queda nos preços do enxofre, da retomada das cadeias globais de suprimentos, da reabertura das rotas marítimas internacionais e da evolução do conflito no Oriente Médio.

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Oncoclínicas entra com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 5,1 bilhões em dívidas

Fonte: G1 Negócios | Publicado em: 14/07/2026 09:48

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

A Oncoclínicas entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta terça-feira (14). O objetivo é renegociar 5,1 bilhões de reais em dívidas financeiras.

O plano de reestruturação já possui adesão de credores que representam 37% das dívidas. A empresa tem 90 dias para obter o apoio necessário para homologação.

A companhia informou que o atendimento aos pacientes e pagamentos do dia a dia não serão afetados. As unidades seguem funcionando normalmente em todo o país.

Como parte da reestruturação, a empresa rescindiu 2 contratos de aluguel de imóveis. Uma das multas de rescisão está estimada em 76 milhões de reais.

O pedido ocorreu após o fim das negociações com a Porto Seguro e o Fleury. A parceria visava criar uma nova empresa para reorganizar a estrutura financeira.

A Oncoclínicas (ONCO3), uma das maiores redes de tratamento contra o câncer do país, informou nesta terça-feira (14) que entrou com um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras.

Segundo a empresa, o objetivo é criar um ambiente jurídico para negociar novas condições de pagamento com os credores, sem interromper as operações da companhia.

🔍 A recuperação extrajudicial é um mecanismo previsto em lei que permite a uma empresa renegociar dívidas com credores fora de um processo de recuperação judicial tradicional.

A Oncoclínicas informou que já conta com a adesão de credores que representam cerca de 37% das dívidas incluídas no plano, percentual suficiente para apresentar o pedido à Justiça.

Agora, a empresa terá até 90 dias para conseguir o apoio necessário para que o plano seja homologado e passe a valer para todos os credores envolvidos.

aporte de recursos pelos acionistas;conversão de parte da dívida em ações da empresa;troca de dívidas atuais por novos financiamentos;alongamento dos prazos de pagamento.

A empresa ressaltou que essas alternativas ainda serão negociadas e não necessariamente serão adotadas.

A Oncoclínicas afirmou que a recuperação extrajudicial não afeta o atendimento aos pacientes nem os pagamentos relacionados às operações do dia a dia, como fornecedores e parceiros considerados essenciais.

Como parte da reestruturação financeira, a empresa informou que rescindiu dois contratos de aluguel de imóveis.

Um deles é referente a um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa pela rescisão é estimada em R$ 76 milhões e foi incluída na renegociação das dívidas.

O outro contrato era para um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado.

O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração da companhia e ainda será submetido aos acionistas em assembleia. A empresa afirmou que continuará informando o mercado sobre o andamento da reestruturação.

O pedido de recuperação extrajudicial marca mais uma etapa da tentativa da Oncoclínicas de reorganizar sua situação financeira após meses de dificuldades.

A medida taobém corre cerca de três meses depois do encerramento das negociações com a Porto Seguro e o Fleury para a criação de uma nova empresa de oncologia.

As tratativas começaram em março e previam a transferência de clínicas da Oncoclínicas para uma nova companhia, que receberia um investimento de cerca de R$ 500 milhões da Porto Seguro e do Fleury.

O projeto fazia parte da estratégia para reduzir o endividamento da empresa e facilitar a renegociação de seus passivos, inclusive com a possibilidade de converter parte das dívidas em participação na nova companhia.

No entanto, as negociações foram encerradas em abril sem um acordo. Com o fim das tratativas, a Oncoclínicas passou a buscar outras alternativas para reestruturar suas dívidas, até chegar ao pedido de recuperação extrajudicial anunciado nesta terça-feira.

Em relatório publicado em fevereiro deste ano, o Santander afirmou que a companhia já vinha adotando medidas para tentar recuperar sua saúde financeira, como aumento de capital, venda de ativos considerados não estratégicos e mudanças no conselho de administração e na diretoria.

Para o banco, a troca na diretoria financeira, anunciada no início do ano, faz parte desse processo e pode ajudar a aproximar a empresa de investidores e credores.

Já o Citi avalia que as dificuldades da Oncoclínicas podem abrir oportunidades para concorrentes do setor.

Segundo o banco, que divulgou um relatório na semana passada, empresas maiores, como a Rede D’Or, podem atrair pacientes caso parte dos atendimentos oncológicos deixe de ser realizada pela companhia.

O Citi também aponta possíveis impactos para as operadoras de planos de saúde. A análise considera que a Oncoclínicas tem uma estrutura de custos mais baixa na área de oncologia e que uma migração de pacientes para redes mais caras poderia elevar as despesas das operadoras e pressionar seus resultados.

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Petróleo sobe e atinge o maior nível em um mês após tensão no Estreito de Ormuz

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 08:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O petróleo subiu nesta terça-feira (14) atingindo o maior nível em quatro semanas. A alta ocorre após o aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.

O barril do Brent subiu 4,48% para US$ 87,03, enquanto o WTI avançou 3,46% para US$ 80,84. Os valores são os maiores desde meados de junho.

O aumento ocorre após o governo de Donald Trump restabelecer o bloqueio naval ao Irã. Analistas temem interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

A elevação de preços gera receio de pressão na inflação dos Estados Unidos. O cenário pode dificultar o controle de preços pelo Federal Reserve.

O mercado financeiro registrou alta majoritária nas bolsas da Ásia nesta terça-feira (14). Em Wall Street, os contratos futuros operavam sem direção única.

Os preços do petróleo subiram nesta terça-feira (14) e atingiram o maior nível em cerca de quatro semanas, depois que a tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a aumentar.

O mercado teme que o conflito prejudique o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.

Por volta das 7h50 (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência internacional, subia 4,48%, para US$ 87,03. Já o WTI, referência nos EUA, avançava 3,46%, para US$ 80,84.

Com isso, o Brent atingiu o maior nível desde 12 de junho, enquanto o WTI alcançava o maior patamar desde 16 de junho, antes de EUA e Irã assinarem, em 17 de junho, um memorando de entendimento para encerrar o conflito. Na segunda-feira (13), os preços chegaram a subir quase 10% após a escalada das tensões no Oriente Médio.

O aumento no preço do petróleo acontece após o governo do presidente Donald Trump restabelecer um bloqueio naval ao Irã e intensificar os ataques militares contra o país, apesar de um memorando de entendimento assinado em junho que previa o fim das hostilidades.

Segundo analistas, o mercado passou a incorporar o risco de que o acordo entre os dois países não se sustente.

O principal motivo é o temor de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

Antes do conflito, cerca de 20% de todo o petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por essa rota.

Nos últimos dias, a região voltou a registrar episódios que aumentaram a preocupação dos investidores:

os EUA retomaram o bloqueio à navegação iraniana;o governo americano propôs cobrar uma taxa de 20% para proteger embarcações que cruzam o estreito;dois navios-tanque dos Emirados Árabes foram atingidos por mísseis iranianos, deixando um tripulante morto e oito feridos;o número de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses.

Na avaliação de analistas do ANZ, se as interrupções continuarem, o petróleo pode permanecer entre US$ 85 e US$ 90 por barril nas próximas semanas.

Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de combustíveis e de transporte em vários países. Isso pode encarecer produtos e serviços, pressionando a inflação.

Nos EUA, essa preocupação ganhou força justamente no dia em que investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação de junho. O receio é que uma nova alta da energia dificulte o trabalho do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, no controle dos preços.

Além disso, declarações recentes de dirigentes do Fed reforçaram a possibilidade de os juros permanecerem elevados — ou até voltarem a subir — caso a inflação continue acima da meta.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta. Na China, o índice de Xangai avançou 1,36%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng ganhou 0,52%.

No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 0,74%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,73%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 0,43%. Já em Taiwan, o Taiex caiu 1,42%, e a bolsa australiana encerrou o pregão praticamente estável.

Na China, o bom humor dos investidores também foi impulsionado pelo avanço de 27% das exportações em junho, na comparação anual em dólares, favorecidas pela forte demanda global por chips e equipamentos voltados à inteligência artificial.

Na Europa, o clima foi de cautela. Em Londres, o índice FTSE 100 recuava 0,3%, enquanto o FTSE 250 caía 0,7%. As perdas foram puxadas principalmente pelas ações dos setores financeiro e de viagens, que compensaram os ganhos das empresas de energia, beneficiadas pela alta do petróleo.

As ações da petroleira BP avançavam após a empresa sediada no Reino Unido afirmar que a alta do petróleo e o melhor desempenho de suas refinarias devem impulsionar o lucro do segundo trimestre.

No mercado de câmbio, o dólar permaneceu próximo das máximas em 13 meses com a expectativa de que a alta do petróleo volte a pressionar a inflação nos EUA e mantenha os juros elevados:

o euro subia 0,2%, para US$ 1,1399, a libra esterlina avançava 0,2%, para US$ 1,337. o iene japonês era negociado a 162,27 por dólar, perto do menor nível em cerca de 40 anos.

Em Wall Street, os contratos futuros das bolsas operavam sem direção única. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 0,2%, os do S&P 500 estavam próximos da estabilidade e os do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%.

Há 1 hora Carros Denunciado por mulheresCartolouco foi reconhecido e correu após agredir ex, diz testemunha

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Café: da bebida ‘do diabo’ aos best-sellers de autoajuda cristã

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 06:47

Agro Café: da bebida 'do diabo' aos best-sellers de autoajuda cristã O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs. Por BBC

O mercado editorial brasileiro registra uma onda de livros devocionais que usam a palavra "café" no título, impulsionada pelo sucesso de vendas de Junior Rostirola.

A relação histórica entre religião e café começou com polêmicas, incluindo a rejeição por cristãos que associavam a bebida de origem árabe ao diabo.

A aceitação católica do café expandiu-se no século 17, após o papa Clemente 8º aprovar o consumo da bebida para manter a sobriedade da população.

Atualmente, algumas denominações como os mórmons proíbem o café, enquanto adventistas apenas orientam evitar a cafeína por ser um estimulante que causa dependência.

Para muitos, o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre — Foto: GETTY IMAGES

Basta uma espiada naquelas estantes cheias de best-sellers das livrarias, bem no ponto em que os livros religiosos tangenciam a autoajuda. Naquele segmento que o jargão editorial costuma classificar como "devocionais", não faltam títulos com a palavra "café".

Na esteira do mega-sucesso editorial Café com Deus Pai — cuja primeira edição, em 2023, colocou o pastor evangélico, teólogo e escritor Junior Rostirola como o autor brasileiro mais vendido daquele ano —, outros escritores miram na mesma fórmula. Nas prateleiras, há títulos como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus, Café com os Santos, Café com as Mulheres da Bíblia, Café com Deus, Café com a Virgem Maria — e até mesmo Café com Exu, provando que o conceito transcende o cristianismo.

A ideia, que parte de um conceito simples, funciona. No dia a dia, afinal, "tomar um café" pode ser um sinônimo de encontro intimista entre pessoas que se dão bem. Ao mesmo tempo, para muitos o cafezinho é um ritual, um jeito de começar bem o dia ou aqueles minutinhos reservados para si no meio do corre-corre.

Alguns ainda percebem a palavra "fé" como a segunda sílaba de café. Quase uma brincadeira — fruto da síncope, da contração fonética, da elisão comum na língua coloquial em que "com a fé" vira simplesmente "ca fé".

Mas se a relação entre religiosidade e a bebida quase onipresente nos lares brasileiros — segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o país é o segundo maior consumidor de café, perdendo apenas para os Estados Unidos — nem sempre foi de amizade. O café já foi demonizado por católicos. E até hoje não é bem-visto por algumas denominações cristãs.

Os mais antigos registros escritos sobre o consumo de café são da segunda metade do século 6º, conforme explica a gastrônoma e historiadora Camila Landi, professora e coordenadora do curso de Tecnologia em Gastronomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Trata-se de um relato, com contornos lendários, de que um pastor de cabras na Etiópia teria notado os efeitos, em seus animais, a partir do consumo da planta.

"Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região", conta a professora. Segundo artigo sobre a história da bebida publicado pelo Yale Center for the Study of Globalization, o pastor teria notado "um frenesi" atípico no seu rebanho.

Já a torrefação teria sido iniciada bem depois. E já com pitadas de religiosidade. Landi diz que tudo indica que a prática tenha começado no século 14, "quando monges jogaram os frutos no fogo por os acharem muito amargos". Acabaram se surpreendendo com o aroma.

Esses religiosos, ao que tudo indica, seriam da Igreja Ortodoxa Etíope, uma das mais antigas dissidências orientais do cristianismo.

"Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente", pontua Landi. "Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares."

O cafezinho se espalharia por outras partes da África. No século 15, passou a ser largamente utilizada por muçulmanos sufistas do Iêmen, como um recurso para se manterem acordados durante as longas preces noturnas.

Logo, o mundo islâmico trouxe a bebida para o debate. Os árabes, afinal, já a chamavam de "qahwah" — daí a palavra café, aliás. O termo significa vinho. Justamente porque as propriedades estimulantes do café eram comparadas às de uma bebida alcoólica, cujo consumo é vetado pelos muçulmanos.

Mas os juristas islâmicos daquele tempo entenderam que o café não precisava ser proibido. Porque, ao contrário do álcool, não inebria, não prejudica o discernimento — mantém a clareza mental daquele que o ingere.

Ao que tudo indica apenas no século 16 o café chegaria à Europa, via Turquia — onde os registros mais antigos da presença do café são de 1453. A essa altura, cristãos já viam com maus olhos aquela bebida consumida pelos então adversários de fé do mundo árabe. Se eles a chamavam de vinho, aquilo só poderia ser o "vinho do diabo", a "bebida do satanás", detratavam os europeus.

A bebida teria chegado ao mundo ocidental por volta de 1570, em Veneza, importante entreposto comercial da época. Se alguns cristãos experimentaram aquele "vinho" árabe e gostaram, evidentemente que a questão se tornou tema de debate no outrora poderoso mundo católico.

Em uma história que mistura tanto fatos com lendas, efeitos e fés, destaca-se o que se conta sobre o papa Clemente 8º (1536-1605), que comandava a Igreja na virada do século 16 para o 17. Costuma-se dizer que ele "batizou" a bebida que, com isso, perderia o status de ser algo "do diabo" e então pôde ser consumida sem culpa pelos cristãos.

Outras narrativas enriquecem os detalhes da história: em 1600, teriam levado a ele o café, na esperança de seu veredito sobre ser ou não pecado tomá-lo. O papa teria experimentado e achado tão bom que, resignado, exclamou que aquela maravilha não poderia ficar restrita apenas aos infiéis.

Possivelmente essas versões são anedotas a partir do fato real de que a Igreja Católica parou de se opor ao consumo do café, abrindo as porteiras para sua expansão no mundo ocidental a partir do século 17. O artigo do Yale Center lembra que, em um contexto em que as pessoas consumiam majoritariamente bebidas alcoólicas, o papa aprovar o café era uma maneira de ajudar "a manter a sobriedade da população".

Referência nas sinopses biográficas de sumos pontífices da Igreja, o livro The Oxford Dictionary of Popes, do teólogo britânico John Norman Davidson Kelly (1909-1997), não aborda a querela sacro-cafeeira da gestão de Clemente.

Best-seller Café com Deus Pai deu origem a vários outros livros com temas semelhantes — Foto: Divulgação

Mas em épocas de extremo controle religioso sobre os hábitos sociais, o café despertava mesmo polêmicas no âmbito religioso. "Existem muitos indícios", comenta Landi. "O café foi alvo de muitas polêmicas religiosas. Registros históricos apontam proibições e restrições em diversas sociedades."

"Ainda hoje, existem restrições em algumas religiões ou ocasiões", acrescenta a historiadora.

Na seara cristã, dois casos destacam-se entre os mais emblemáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como igreja dos mórmons, proíbe que seus adeptos bebam café.

A regra consta do livro Doutrina e Convênios, uma espécie de catecismo da denominação, onde estão as chamadas revelações escritas pelo criador da igreja, o norte-americano Joseph Smith (1805-1844).

Em 27 de fevereiro de 1833 ele escreveu, contrariado pelo fato de que membros da igreja mascavam tabaco durante as reuniões: "condena-se o uso de vinho, bebidas fortes, tabaco e bebidas quentes".

De acordo com a interpretação dos religiosos, o café, assim como o chá preto, estava banido. Em 2023 o historiador Keith Erekson, diretor de pesquisas históricas e divulgação da igreja dos mórmons, conversou com a reportagem da BBC News Brasil e explicou que a dita revelação é um incentivo para que "as pessoas cuidem de seu corpo físico, a fim de que possam ser saudáveis e receber recompensas espirituais, como sabedoria e conhecimento". Nesse sentido, o consumo de café estaria dentro de "alguns comportamentos" nocivos à saúde.

Também surgida nos Estados Unidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem postura semelhante. Oficialmente, a denominação não proíbe o café — mas orienta que seus adeptos não o bebam.

Diretora associada do departamento de saúde da igreja para a América do Sul, a biomédica Lanny Cristina Burlandy Soares diz que a orientação é clara mas, "para compreendê-la bem" é preciso voltar à Bíblia. Segundo o entendimento religioso, Deus teria criado o ser humano à sua imagem e semelhança, confiando-lhe um propósito. "Nessa visão, o corpo não é um mero recipiente, mas é o templo pelo qual o ser humano exerce sua vocação. Cuidar dele é um ato de fidelidade ao propósito original de Deus", argumenta Soares.

Daí que os adventistas pregam um cuidado integral à saúde. A biomédica explica que, como a cafeína tem propriedades estimulantes e "com o uso regular, pode causar dependência", há a recomendação de evitá-la.

Ela relembra episódios do islã e do catolicismo em que o café também foi discutido. "Em 1511, em Meca, setores mais rigorosos proibiram o café com o argumento de que contrariava os preceitos do Alcorão", contextualiza. "Quando o café chegou à Europa, no século 17, enfrentou resistência semelhante."

"A Igreja Católica via a bebida com desconfiança por sua origem árabe-islâmica e chegou a ser chamada de 'vinho do diabo' por setores do clero", recorda. "A virada veio com o papa Clemente 8º. Segundo a tradição histórica, após provar o café pessoalmente, o pontífice decidiu 'batizá-lo', tornando-o aceitável para os cristãos. Com esse gesto papal, a resistência eclesiástica cedeu rapidamente."

O best-seller Junior Rostirola não é muito afeito a conceder entrevistas, segundo informa sua assessora de imprensa. Ele topou responder por escrito às questões da reportagem.

Rostirola já era muito conhecido pelo seu trabalho como pastor da Igreja Reviver, sediada em Itajaí, em Santa Catarina, quando a primeira versão do Café com Deus Pai explodiu. O livro de mensagens devocionais diárias transcendeu o meio evangélico — acabou caindo no gosto de cristãos de todas as denominações.

Ele gosta de café e explica que o título do livro veio da ideia de um espaço na correria para conversar com Deus. "O café simboliza uma pausa, um momento de conversa, acolhimento e proximidade", frisa. "A ideia sempre foi transmitir a mensagem de que Deus quer estar presente em nosso dia a dia, não apenas nos grandes momentos da vida, mas também nas pequenas pausas da rotina."

"Costumo dizer que o sucesso do livro não está na bebida, e sim no que ela representa. O café faz parte da cultura brasileira e geralmente está associado a momentos de conversa, acolhimento e relacionamento. Dentro do projeto, ele se tornou uma metáfora para essa pausa intencional diante de Deus. É um convite para desacelerar por alguns minutos e permitir que Ele fale ao nosso coração. Essa é a essência do Café com Deus Pai", completa Rostirola.

O teólogo diz ver "com naturalidade" o fenômeno cafeeiro-religioso nas capas de livros. "É um símbolo muito presente na vida das pessoas e remete a acolhimento, proximidade e conversa. É compreensível que diferentes autores utilizem essa linguagem para comunicar suas mensagens", pontua.

"Fico feliz em ver mais pessoas incentivando a leitura, a reflexão e a vida devocional. No fim das contas, o mais importante é que vidas sejam alcançadas e que as pessoas se aproximem de Deus", comenta o autor.

Especialista em marketing literário e fundadora de uma agência de divulgação de livros, a jornalista Lilian Cardoso lembra que toda vez que surge um grande best-seller "todo mundo quer saber o segredo, a fórmula". "E o Café com Deus Pai do pastor Junior Rostirola já vendeu mais de 10 milhões de exemplares", salienta ela, autora de O Livro Secreto do Escritor.

O pastor da Igreja Reviver Junior Rostirola fez sucesso com seu livro Café com Deus Pai — Foto: Divulgação

Para ela, além "da sacada do título", o sucesso também precisa ser atribuído à fama do autor, "que já tinha sua audiência" e seu público evangélico antes de publicar a obra. Mas ela reconhece que a ênfase no "momento com Deus, essa coisa da leitura diária" constitui a base para que o livro tenha se tornado um sucesso de vendagem.

Os números fizeram com que outros autores e editoras também quisessem abocanhar um naco do segmento. "Outros projetos e outras editoras foram surfando nessa onda dos devocionais. Isso é uma coisa comum no mercado do livro", analisa ela.

E às vezes a menção nem precisa ser direta. Fundadora da Cabana Church, a bispa Jeiza Pontes, por exemplo, acaba de lançar o livro Doses de Cura. Não tem café no título, mas fala em doses, em goles — porque também traz as mensagens bíblicas em forma de pequenos textos, pequenos ensinamentos.

Como o foco da obra é ajudar quem está com depressão, ela lembra que o título alude ao tratamento. "Dificilmente uma pessoa tem êxito com uma dose única. Imaginei exatamente assim. Não uma promessa de 'leia isso e pronto'", explica.

O fenômeno não se restringe ao cristianismo. O psicólogo Rubens Oliveira, por exemplo, buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu Café com Exu. "A ideia foi preencher uma lacuna editorial: a falta de obras de autoconhecimento e transformação pessoal a partir de referências ligadas a tradições afro-brasileiras", explica.

Ele diz que buscou no título a união de "dois elementos carregados de significado simbólico muito forte". O café seria "o encontro, a conversa, a pausa". Exu, por sua vez, é o orixá associado a "comunicação, caminhos, escolhas, movimento e tomadas de decisão".

"O título não foi pensado como referência religiosa no sentido tradicional, mas metáfora para uma conversa franca sobre a vida", resume.

O psicólogo Rubens Oliveira buscou nas religiões de matriz africana as reflexões para seu livro Café com Exu — Foto: CRÉDITO, EDITORIAL PLANETA BRASIL/ DIVULGAÇÃO

O recurso é simbólico, claro. Mas a ideia do café com religião funciona justamente pelo apelo que o momento do cafezinho tem na cultura brasileira.

"O uso da palavra café em livros de espiritualidade não acontece por acaso. Há um significado cultural muito forte que vai além da bebida. Está na socialização, na conversa, na escuta, no encontro e na circulação de ideias", analisa Oliveira.

Para o psicólogo, nos tempos atuais, marcados pela velocidade e pelo excesso de informações, é sedutora a ideia de um momento de pausa no dia com a sugestão de disponibilidade, de ouvir e de refletir.

Mesmo com a restrição ao consumo de café, a adventista Soares diz que não há problemas com livros religiosos com a bebida no título. Para ela, os adventistas veem "com interesse genuíno e admiração" o alcance que tais obras têm atingido.

"Para entender como os adventistas leem esse fenômeno, é útil separar dois planos. O primeiro é o do conteúdo espiritual: a proposta de uma devoção diária, de pausar para refletir e cultivar uma conversa íntima com Deus está completamente alinhada com os valores adventistas", argumenta ela.

"Os adventistas têm sua própria tradição de devocionais diários e valorizam profundamente a espiritualidade integrada ao cotidiano. O segundo plano é o da metáfora cultural. O café no título desses livros não é um endosso da bebida, mas uma imagem poderosa de acolhimento e conversa íntima. No Brasil, tomar café com alguém é um gesto de afeto e proximidade. Usar essa metáfora para falar da relação com Deus é uma escolha comunicativa sensível e criativa, que os adventistas reconhecem sem precisar endossar o uso da bebida."

"Nossa posição é simples: acolhemos com simpatia qualquer iniciativa que aproxime as pessoas de Deus e da leitura bíblica", resume Soares.

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Irã quer transformar conflito militar com EUA em guerra econômica, diz especialista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 06:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

O Estreito de Ormuz é hoje a principal fonte de influência estratégica e de dissuasão do Irã em seu conflito com os Estados Unidos e por isso Teerã tenta transformar o conflito militar em uma guerra econômica. A avaliação é de Mehran Kamrava, cientista político e professor da Universidade de Georgetown no Catar, em entrevista à BBC.

Kamrava afirma que o chamado "Eixo da Resistência" do Irã — que inclui grupos como o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen — está desarticulado, ou pelo menos militarmente enfraquecido, em consequência da guerra. Por isso, o Estreito de Ormuz ganhou importância estratégica para os iranianos.

"Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", disse Kamrava ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, nesta terça-feira (14/07).

Segundo o professor, o Irã "tem plena consciência" de que não pode enfrentar os EUA em condições de igualdade em uma guerra.

"Por isso, o Irã procura transformar um conflito militar em um conflito econômico. É justamente por essa razão que deseja manter sua influência sobre o Estreito de Ormuz."

Como resposta, Kamrava acredita que os EUA estão "determinados a retirar do Irã o controle do estreito", mas ele acha que ninguém sabe exatamente como isso pode ser feito — "nem mesmo os estrategistas do Pentágono".

"Já vimos o presidente dos EUA tentar diversas abordagens, e parece que os americanos agora estão adotando uma estratégia diferente. Eles estão atacando locais altamente estratégicos ao longo da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico", afirma o professor da Universidade de Georgetown

"Se isso poderá eventualmente levar a uma invasão terrestre da Ilha de Kharg ou de alguma outra ilha iraniana é algo que precisaremos acompanhar de perto."

O professor avalia que tanto o Irã quanto os EUA querem que o conflito chegue ao fim, mas ambos insistem que isso precisa acontecer nos seus próprios termos.

"Países como Omã, Catar e Paquistão estão fazendo o que podem para incentivar uma mediação. Seja por meio do memorando de entendimento já assinado ou de alguma versão dele, os dois países reconhecem a necessidade de chegar a algum tipo de solução negociada", diz Kamrava. "O que exatamente isso significará, no entanto, ainda está indefinido."

O conflito entre Irã e EUA está tendo repercussões negativas na região, segundo o professor. Ele afirma que países como Catar e Emirados Árabes Unidos passaram as últimas décadas construindo uma imagem de segurança, estabilidade e prosperidade.

"E tudo isso está sendo abalado pelo que parece ser uma escalada involuntária do conflito. A frente envolvendo a Arábia Saudita e os houthis voltou a se intensificar. Se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb [outra via marítima crucial para a economia global], poderemos estar diante de uma nova escalada significativa. Estamos vivendo um momento extremamente delicado."

Trump afirmou que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos. — Foto: Reuters via BBC

O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com o país.

Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que "navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam".

Em comunicado divulgado no X, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que o bloqueio entrará em vigor nesta terça-feira (14/7) às 17h (horário de Brasília).

Os EUA lançaram ataques contra o Irã pela terceira noite consecutiva na segunda-feira, em meio à escalada das hostilidades entre os dois países.

Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de um ataque "audacioso" a dois navios-tanque no Estreito de Ormuz, que deixaram um tripulante morto e oito feridos — quatro deles gravemente.

Trump também anunciou uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo estreito, mas não explicou como isso funcionaria. O dinheiro arrecadado, segundo Trump, seria para bancar a operação americana na via navegável essencial ao comércio de petróleo mundial.

"O Estreito de Ormuz está aberto, e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio ao Irã — assim chamado porque impede apenas que navios ou clientes do Irã entrem ou saiam", escreveu o presidente americano, em publicação na sua rede social Truth Social.

"Os EUA serão, daqui em diante, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz'; no entanto, nessa condição — e por uma questão de Justiça—, serão reembolsados (à taxa de 20% sobre toda a carga transportada) por todos e quaisquer custos necessários para garantir a segurança e a proteção desta região do mundo, que é extremamente instável", disse Trump.

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A mesma IA pode ter te avaliado mal e rejeitado seu currículo em várias empresas, diz pesquisa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 04:46

Trabalho e Carreira A mesma IA pode ter te avaliado mal e rejeitado seu currículo em várias empresas, diz pesquisa Pesquisa da Universidade Stanford analisou mais de 3,4 milhões de candidatos e identificou que empresas diferentes podem usar sistemas de IA com critérios semelhantes, repetindo padrões de aprovação e rejeição. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes.

A crescente adoção de sistemas de IA no recrutamento está tornando processos seletivos de empresas distintas mais parecidos do que parecem.

Segundo pesquisadores, algoritmos compartilhados por centenas de empresas podem ampliar o risco de rejeições sucessivas para os mesmos candidatos.

A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões.

Para alguns candidatos, enviar mais currículos já não significa enfrentar avaliações independentes, mas repetir o teste diante da mesma lógica automatizada.

Você envia currículo atrás de currículo. A resposta quase nunca chega. Quando chega, é automática, padronizada e fria: "não seguimos com sua candidatura". A sensação é de que centenas de empresas tenham chegado, ao mesmo tempo, à mesma conclusão sobre você.

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford sugere uma explicação técnica para essa experiência, cada vez mais comum e já apontada pelo g1 em abril. Talvez você não esteja sendo rejeitado por várias empresas diferentes, mas, na prática, pelo mesmo sistema repetidas vezes.

A pesquisa, intitulada "Algorithmic Monocultures in Hiring", é a mais abrangente já realizada sobre recrutamento mediado por inteligência artificial. Os pesquisadores analisaram uma base inédita de dados reais, com mais de 3,4 milhões de candidatos e cerca de 4 milhões de candidaturas avaliadas em 156 empresas de 11 setores da economia.

O volume de dados já chama atenção, mas há um detalhe ainda mais relevante: todas essas candidaturas foram avaliadas por algoritmos desenvolvidos por um mesmo fornecedor de tecnologia.

Isso permitiu observar um fenômeno que costuma passar despercebido por candidatos, empresas e até pesquisadores do mercado de trabalho. Quando muitas organizações utilizam sistemas semelhantes para selecionar profissionais, as decisões deixam de ser totalmente independentes.

🔎 Os autores chamam esse fenômeno de "monocultura algorítmica". O conceito foi emprestado da agricultura, em que grandes áreas são ocupadas por uma única espécie de cultivo. Embora esse modelo possa trazer ganhos de eficiência, também cria vulnerabilidades, já que qualquer problema tende a se espalhar rapidamente.

Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes. — Foto: Pexels

No mercado de recrutamento e seleção, o que está sendo padronizado não é a produção, mas os critérios usados para decidir quem avança ou não em um processo seletivo.

Durante décadas, as decisões de contratação ficaram nas mãos de recrutadores, gestores e equipes com visões próprias. Mesmo diante de currículos semelhantes, era comum que chegassem a conclusões diferentes.

Com a expansão dos sistemas automatizados, parte dessa diversidade tende a desaparecer. Empresas diferentes podem acabar utilizando modelos que analisam candidatos de forma muito parecida, reproduzindo os mesmos padrões em larga escala.

Na prática, quem procura emprego pode se deparar com várias portas de entrada aparentemente independentes, mas abertas ou fechadas pela mesma lógica.

🔎 Essa possibilidade levou os pesquisadores a investigar um fenômeno chamado "rejeição sistêmica". O termo descreve situações em que um candidato se inscreve em várias vagas e é rejeitado em todas elas. Esse tipo de experiência sempre existiu, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a frequência com que isso ocorre quando os processos seletivos são influenciados pelos mesmos sistemas.

Os dados mostram que cerca de 10% dos candidatos que se inscrevem em quatro vagas são rejeitados em todas elas. O padrão se mantém mesmo quando o número de candidaturas aumenta. Entre os candidatos que se inscrevem em 10 vagas, aproximadamente 4% acumulam 10 rejeições consecutivas.

À primeira vista, os percentuais podem parecer modestos. Do ponto de vista estatístico, porém, eles revelam um padrão importante: as rejeições se acumulam com uma frequência maior do que a esperada em decisões independentes.

Para verificar se esse comportamento poderia ser explicado apenas pelo acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e com evidências de estudos anteriores sobre processos de recrutamento sem centralização algorítmica.

A conclusão foi clara: as rejeições sucessivas não são apenas fruto do azar ou da coincidência. Elas refletem uma lógica de avaliação que se repete entre diferentes empresas.

Essa dinâmica ajuda a explicar outra característica cada vez mais comum nos processos seletivos. Na maioria dos casos, os algoritmos não tomam a decisão final de contratação. Eles atuam antes, como um filtro inicial que define quais candidatos avançam e quais são eliminados.

Assim, muitos profissionais podem ser eliminados antes mesmo de um recrutador analisar seus currículos. Do ponto de vista do candidato, a experiência é silenciosa: não há entrevista, contato com a empresa nem, muitas vezes, uma explicação para a rejeição.

Parte da frustração de quem busca emprego pode estar ligada justamente a essa etapa oculta do processo. O currículo é enviado, mas não chega a disputar a vaga de fato.

A chamada "monocultura algorítmica" faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões. — Foto: Pexels

Os pesquisadores encontraram evidências de que candidatos com características semelhantes tendem a receber avaliações parecidas, mesmo quando se candidatam a empresas diferentes.

🔎 Quando um sistema considera um perfil pouco adequado, há uma chance significativa de que outros sistemas semelhantes cheguem à mesma conclusão. E vice-versa.

O ponto central é que os modelos de IA compartilham critérios semelhantes de classificação. Com isso, uma avaliação inicial, que pode ser limitada ou imperfeita, ganha peso ao ser reproduzida em diferentes processos seletivos.

Diante desse cenário, os pesquisadores testaram uma questão prática: enviar mais candidaturas ainda aumenta as chances de conseguir uma vaga?

Nas simulações, um candidato precisaria se inscrever em cerca de 10 vagas para ter uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva em um cenário de decisões independentes.Quando os processos são influenciados por sistemas centralizados, esse número sobe para cerca de 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.

Os resultados do estudo não dizem respeito apenas aos algoritmos. Eles também levantam questionamentos sobre a estrutura do mercado de tecnologia aplicada ao recrutamento.

Hoje, muitas empresas utilizam soluções desenvolvidas por um número relativamente pequeno de fornecedores. Alguns atendem organizações de diferentes setores e operam em grande escala.

Quando um único sistema influencia decisões em dezenas ou centenas de empresas, eventuais falhas deixam de ser casos isolados. O mesmo vale para limitações ou vieses incorporados aos modelos.

Por isso, os pesquisadores defendem que a concentração tecnológica merece atenção não apenas do ponto de vista concorrencial, mas também pelos impactos sobre as oportunidades profissionais.

Apesar da crescente influência da inteligência artificial nos processos seletivos, o setor ainda opera com pouca transparência, segundo os pesquisadores.

Os próprios autores destacam que estudos independentes em larga escala são raros. A principal razão é que as plataformas raramente disponibilizam seus dados para análises externas.

Isso cria obstáculos tanto para a fiscalização quanto para o avanço do conhecimento. Sem acesso às informações, torna-se mais difícil identificar falhas, medir vieses e entender como esses sistemas afetam diferentes grupos.

O desafio é especialmente relevante porque essas decisões têm impacto direto sobre o acesso ao emprego, à renda e às oportunidades de carreira.

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Supermercados fechados aos domingos: estudo aponta queda de faturamento das lojas no ES

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 04:46

Espírito Santo Supermercados fechados aos domingos: estudo aponta queda de faturamento das lojas no ES Levantamento da Scanntech indicou que receita do varejo alimentar no Espírito Santo caiu 1,3% em março e abril, enquanto o restante do país registrou alta de 0,7%. Por g1 ES

Estudo da Scanntech aponta queda no faturamento de supermercados e atacarejos do Espírito Santo após o fechamento obrigatório aos domingos.

Nos meses de janeiro e fevereiro, o faturamento capixaba subiu 3%. Contudo, registrou queda de 1,3% nos meses de março e abril.

Com a mudança, os consumidores passaram a concentrar suas compras em outros dias. O maior crescimento ocorreu nas terças-feiras (25,3%) e quintas-feiras (34,3%).

Produtos de perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas tiveram desempenho inferior. Consumidores passaram a buscar esses itens em comércios especializados.

Os atacarejos foram o formato mais afetado, com queda de 5,8% no faturamento. Supermercados de menor porte também sentiram mais os impactos.

O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já apresenta impacto no faturamento das empresas, segundo um estudo da Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado.

Segundo o levantamento, o estado capixaba vinha registrando crescimento acima da média nacional no início do ano, mas passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a entrada em vigor da medida. Parte da queda pode estar atrelada ao fechamento das lojas aos domingos.

Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,3%. Ou seja: o estado apresentava crescimento acima da média nacional.

Já em março e abril, o cenário mudou. Enquanto o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo caiu 1,3%, a média nacional registrou crescimento de 0,7%, segundo a Scanntech. Ou seja: mesmo com crescimento menor na média nacional, no estado capixaba houve retração no setor.

A empresa informou que o estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos e representa cerca de 64% do mercado capixaba no setor.

VEJA OS HORÁRIOS: Supermercados vão abrir mais cedo e fechar mais tarde para compensar os domingos fechados no ESMUDANÇA NA ROTINA: trabalhadores comemoram mais tempo com a família e o alívio de não pegar ônibus – mas perdem folga em dia útilLOJAS FECHADAS: veja regras para shoppings, mercearias, açougues e materiais de construçãoENTENDA: Por que ES é o único estado a fechar supermercados aos domingos? Mão de obra, faturamento e escala são desafios para empresas

O levantamento apontou que, com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias da semana.

Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%).

Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina.

Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e aos sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos.

O estudo também identificou que algumas categorias foram mais afetadas do que outras. Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país.

Para Passareli, isso ocorre porque os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados.

"Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café", afirmou.

De acordo com a pesquisa, os atacarejos foram o formato de loja mais afetado pela mudança. No Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%.

O levantamento também apontou que os supermercados de menor porte sentiram mais os efeitos do fechamento aos domingos:

Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país;entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais;Já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual.

O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

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‘Necromancia digital’: como a IA está recriando pessoas mortas e dividindo opiniões

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 03:48

Tecnologia 'Necromancia digital': como a IA está recriando pessoas mortas e dividindo opiniões Após a morte de Sam Neill, imagens criadas por inteligência artificial voltaram a viralizar nas redes. Especialistas alertam para os dilemas éticos de recriar vozes, imagens e personalidades de pessoas falecidas. Por Guilherme Gama, g1 — São Paulo

A morte de Sam Neill, nesta segunda-feira (13), voltou a inundar a internet com imagens e vídeos criados por inteligência artificial para retratar o ator após a morte.

Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia "Jurassic Park", o ator foi "recriado" como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio às nuvens.

Imagem de IA cria o ator Sam Neill ao "chegar no céu" com o portão do Jurassic Park — Foto: Reprodução/ X

O mesmo aconteceu em maio, após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Entre os vídeos criados por IA, um mostra sua "chegada ao céu" em uma "academia nas nuvens".

As "homenagens" reacenderam o debate sobre a manipulação da imagem de pessoas mortas e os limites do uso da IA. O fenômeno tem um nome: "necromancia digital".

🔎 A "necromancia" é popularmente conhecida como a prática de se comunicar com os mortos ou invocar seus espíritos. A versão digital descreve o ato de manipular vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas falecidas para gerar conteúdos produzidos com IA.

A tendência é cercada de controvérsias, pois o conteúdo feito por IA pode transformar o luto em um produto e criar "fantoches digitais" de pessoas que não podem mais se defender.

É o que explica Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro "All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data" ("Todos os fantasmas na máquina: a vida após a morte digital dos seus dados pessoais", em tradução livre).

A grande novidade é que a criação dos avatares deixou de depender de pessoas com conhecimento técnico avançado. Hoje em dia, a criação dos chamados "grief bots", ou "robôs de luto", tornou-se mais comum com a popularização das ferramentas de IA.

Plataformas como ChatGPT e Claude, por exemplo, podem ser usadas para transformar os "restos digitais" — mensagens, áudios e vídeos de uma pessoa falecida — em avatares.

Esse uso indiscriminado de ferramentas para "reviver" personalidades também pode distorcer a memória dessas pessoas. Essa é a reclamação de Flávia Christina, filha de Pelé. Recentemente, ela criticou vídeos desse tipo e afirmou ficar desconfortável com imagens do pai: "não são atitudes normais dele".

O assunto talvez chamasse menos atenção quando era usado com mais parcimônia ou quando não havia alternativa. Em Hollywood, dublês e computação gráfica foram usados para concluir as cenas do ator Paul Walker em Velozes e Furiosos 7, lançado em 2015.

No ano seguinte, a franquia Star Wars também recriou digitalmente o ator Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars.

No Brasil, o caso de maior repercussão ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou IA para criar um dueto entre a cantora Elis Regina, morta há 44 anos, e sua filha, Maria Rita. A montadora utilizou tecnologia de deepfake para recriar Elis na campanha.

O Conar chegou a abrir uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Além disso, um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha estabelecer diretrizes para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por meio de IA. Ambos acabaram arquivados.

Segundo Kasket, a regulamentação não avança com rapidez suficiente para reduzir os riscos do uso inadequado da IA após a morte, e figuras influentes podem se tornar alvo de interesses políticos ou comerciais.

“Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, afirma a professora.

Ela observa ainda que alguns governos são fortemente influenciados por empresas de tecnologia, o que pode ainda comprometer a proteção da privacidade dos cidadãos.

Como solução, a especialista defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física e limite legalmente o uso de restos digitais para replicação ou personificação.

Pessoalmente, Kasket já tomou precauções: "Coloquei uma cláusula de 'não me transforme em bot' no meu testamento, embora isso ainda não seja legalmente aplicável no Reino Unido".

Além da vulnerabilidade de quem morreu, especialistas também apontam a exploração dos familiares. No setor conhecido como "grief tech", ou "tecnologia do luto", empresas passaram a criar versões virtuais de pessoas falecidas para que amigos e parentes possam interagir com esses clones digitais.

Essa prática também ganhou espaço entre pessoas comuns com a popularização dos "grief bots", ou "robôs do luto". Como qualquer pessoa pode criar clones digitais, também pode oferecer esse tipo de serviço a famílias enlutadas.

Foi nesse contexto que surgiram casos polêmicos. No ano passado, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN nos Estados Unidos, entrevistou um avatar criado por inteligência artificial de Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018.

“A família de Jennifer Ann Crecente pouco pôde fazer quando alguém utilizou o Character.AI para representar a jovem assassinada. Chegou-se a comentar que um autor que cria um personagem fictício tem mais controle sobre a forma como outras pessoas representam esse personagem do que os familiares de uma pessoa falecida têm sobre a imagem de seu ente querido”, disse Elaine Kasket.

A professora ressalta que o luto é uma experiência individual. Por isso, é impossível prever o efeito que uma inovação tecnológica terá sobre quem enfrenta uma perda. “O que uma pessoa experimenta como algo bem-vindo ou útil pode ser inútil ou até traumático para outra”, afirma.

A maior preocupação, segundo a especialista, é a tentativa da indústria de tecnologia de tratar o luto como um "problema" que precisa ser resolvido. Para ela, o luto não é uma patologia, mas uma parte fundamental da experiência humana.

"A ideia de 'resolver' experiências humanas como o luto mostra a extensão em que ele está sendo plataformizado", explica, acrescentando que usar robôs para isso pode ser prejudicial ao processo natural de perda.

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Como o ‘novo normal’ no Estreito de Ormuz impacta o petróleo e vira pedra no sapato de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 14/07/2026 00:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%MoedasDólar ComercialR$ 5,1310,45%Dólar TurismoR$ 5,3380,45%Euro ComercialR$ 5,8410,16%Euro TurismoR$ 6,0900,17%B3Ibovespa175.739 pts-1,2%Oferecido por

A crise no Estreito de Ormuz criou um "novo normal" para o mercado de petróleo. Ameaças militares, decisões geopolíticas e disputas pelo controle da passagem passaram a afetar preços, transporte e cadeias globais de abastecimento — mesmo sem um bloqueio completo da rota.

A região também se tornou uma importante ferramenta de pressão do Irã no conflito com os Estados Unidos e um desafio para Donald Trump, que enfrenta os efeitos econômicos da escalada às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro. (leia mais abaixo)

Nos últimos dias, ofensivas dos dois países colocaram em xeque o cessar-fogo anunciado em junho e reacenderam as preocupações sobre a segurança da navegação na região, pressionando novamente os preços do petróleo.

Nesta segunda-feira (13), o barril do tipo Brent, referência internacional do petróleo, chegou a subir mais de 9%, a US$ 83,04 o barril, após Trump anunciar que os EUA pretendem controlar o Estreito de Ormuz e cobrar 20% sobre as cargas que passarem pela rota.

🔎 O estreito liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. Ao todo, passam por ali cerca de 20% do petróleo consumido globalmente.

No início da guerra, o temor era de que uma interrupção no fornecimento provocasse uma disparada do petróleo. Agora, o novo normal é o sobe e desce, com oscilações mais bruscas nas cotações mesmo sem uma interrupção efetiva da oferta.

"A principal característica desse novo cenário é a volatilidade e a incerteza", resume Jackson Campos, especialista em comércio exterior.

"Não se trata da falta de petróleo em si, porque isso não tem acontecido. Mas a possibilidade de interrupção faz com que armadores, seguradoras e refinarias reajam de forma preventiva, elevando os custos em um 'efeito chicote' mesmo antes de um bloqueio de fato", acrescenta.

Segundo Campos, o mundo passou a monitorar a rota com maior atenção. Com isso, qualquer declaração política ou ameaça envolvendo EUA e Irã pode provocar uma reação imediata nos preços, incorporando o risco geopolítico ao custo diário do frete e do seguro marítimo.

O economista Adriano Pires, sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), afirma que o Estreito de Ormuz se tornou a principal referência para a formação dos preços do petróleo no curto e médio prazo.

Ele acrescenta que os conflitos recentes, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia, mostraram uma relação cada vez mais estreita entre segurança energética, segurança alimentar e inflação.

"O novo normal vai além do Estreito de Ormuz. Existem duas áreas do mundo que estão passando por processos complicados e que levam a esse cenário", diz.

Rússia e Oriente Médio são regiões estratégicas para a oferta global de energia e fertilizantes — com papel relevante na produção de petróleo, gás natural e insumos agrícolas.

"A briga atual é quem vai mandar no Estreito de Ormuz. Enquanto isso não for resolvido — o que acredito que irá demorar — vamos viver períodos mais tensos e menos tensos", acrescenta.

A volatilidade do petróleo representa um desafio adicional para Donald Trump, que tem defendido preços mais baixos de energia como forma de estimular a economia americana e conter a inflação.

Nos EUA, uma alta do barril tende a chegar rapidamente aos combustíveis, já que o governo não controla os preços da gasolina — diferentemente do que ocorre no Brasil, onde a Petrobras tem papel relevante na formação dos preços.

Para Gunter Rudzit, professor de Relações Internacionais da ESPM, o Irã identificou justamente esse ponto de vulnerabilidade dos EUA: o impacto da energia sobre a economia e o consumidor.

Ele avalia que, ao usar o Estreito de Ormuz como instrumento de pressão, Teerã atinge diretamente um tema sensível para Trump.

"O Irã ganhou a guerra justamente porque entendeu que o Estreito de Ormuz fechado faria com que o preço do petróleo e dos combustíveis subisse nos EUA. Isso afeta o eleitor, atingindo até mesmo a base 'MAGA' do presidente Trump", afirma.

Segundo a associação automobilística AAA, a média nacional do combustível chegou a US$ 3,84 por galão em 9 de julho, alta de 5 centavos em um dia — embora ainda abaixo do pico de US$ 4,56 registrado em maio.

O movimento aumenta a preocupação da Casa Branca com a proximidade das eleições de meio de mandato (midterms), em novembro. Além de governadores, os americanos vão escolher as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Hoje, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso.

Adriano Pires, do CBIE, avalia que um petróleo acima de US$ 90 por barril seria um problema político para Trump às vésperas das eleições. Por isso, o presidente americano deve tentar evitar que os preços ultrapassem esse nível para reduzir impactos sobre os combustíveis e a inflação.

"Até novembro, acho que não vai ter petróleo acima de US$ 90. Sabemos que terá eleição americana, e petróleo muito caro aumenta o preço da gasolina e dos derivados nos EUA", afirma.

No auge da crise do petróleo causada pelas tensões no Estreito de Ormuz, entre março e abril, a commodity chegou a encostar nos US$ 120 por barril.

Do ponto de vista do mercado, o especialista em comércio exterior Jackson Campos afirma que a previsão é de adaptação a essa nova realidade.

"A tendência é o mercado se adaptar a essa nova realidade, diversificar fornecedores e buscar contratos mais flexíveis para tentar até fugir de Ormuz enquanto a situação não se estabiliza", conclui.

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Segundo ‘The New York Times’, Mossad tentou recrutar Mahmoud Ahmadinejad para derrubar regime dos aiatolás. Missão secreta falhou.

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