RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

União Europeia acusa TikTok de expor menores a riscos online

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 08:54

Tecnologia União Europeia acusa TikTok de expor menores a riscos online O bloco afirmou que contas deveriam ser visíveis apenas para pessoas permitidas. Adolescentes acima de 13 anos podem usar a rede social. Por France Presse

A União Europeia acusou o TikTok nesta sexta-feira (24) de expor menores a riscos online, como cyberbullying, por falhas nas configurações de proteção das contas.

A responsável pela área de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, declarou que "um alto nível de proteção não deveria ser uma opção que precise ser ativada".

A investigação baseia-se na Lei de Serviços Digitais. O bloco constatou que menores conseguem tornar suas contas públicas ou são facilmente encontrados mesmo com perfis privados.

Um porta-voz do TikTok afirmou que as contas de menores de 18 anos são privadas por padrão e que o aplicativo possui mais de 50 recursos de privacidade.

Caso as conclusões da investigação sejam confirmadas, a União Europeia poderá aplicar uma multa de até 6% do faturamento anual global da empresa chinesa.

A União Europeia acusou o TikTok nesta sexta-feira (24) de não proteger os menores, uma vez que as configurações de suas contas os expõem a riscos como cyberbullying e comportamentos predatórios.

A UE afirmou que essas contas deveriam ser visíveis apenas para pessoas permitidas. Adolescentes acima de 13 anos podem usar o TikTok.

"Um alto nível de proteção não deveria ser uma opção que precise ser ativada; deveria ser a configuração padrão", declarou a responsável pela área de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, em comunicado.

A UE intensificou seus esforços para proteger os menores com novas normas previstas para o fim deste ano, que proibirão crianças menores de 13 anos de usar redes sociais.

Bruxelas abriu sua investigação sobre o TikTok, de propriedade do grupo chinês ByteDance, em 2024 com base na Lei de Serviços Digitais (DSA).

De acordo com a DSA, as configurações das contas de menores contam, por padrão, com medidas de segurança e proteção mais rigorosas.

"As configurações das contas do TikTok não cumprem essa norma", afirmou a UE em sua avaliação preliminar. Elas "continuam a expô-los a riscos, como contatos indesejados, cyberbullying ou comportamentos predatórios".

A UE constatou durante a investigação que os menores podem tornar sua conta pública, o que significa que qualquer pessoa, tenha ou não uma conta no TikTok, pode ver seu conteúdo.

Um porta-voz do TikTok afirmou que as contas de adolescentes contam com mais de 50 recursos de privacidade e segurança pré-configurados, e destacou que as contas de menores de 18 anos são privadas por padrão.

"Analisaremos essas conclusões preliminares enquanto seguimos colaborando de forma construtiva" com a UE, acrescentou.

Se confirmadas as conclusões da UE sobre o TikTok, o bloco poderá impor uma multa de até 6% do faturamento anual total da empresa em nível mundial.

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Por que a Ucrânia tem atacado a ‘Amazon russa’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 07:52

Mundo Por que a Ucrânia tem atacado a 'Amazon russa' Drones ucranianos causaram destruição e mortes em vários centros de distribuição da Wildberries, a maior varejista online da Rússia. Por BBC

Um dos quatro centros de distribuição da Wildberries atingidos nos ataques. A unidade de Nevinnomyssk foi atacada na madrugada de quarta-feira (22/7) — Foto: REUTERS

Em poucos dias, drones ucranianos atingiram vários centros de distribuição da Wildberries, a maior varejista online da Rússia, causando prejuízos a um grande número de pequenas e médias empresas.

Depois de meses atacando depósitos e refinarias de petróleo, a Ucrânia afirma que agora passou a mirar centros logísticos usados para comprar equipamentos militares, numa tentativa de interromper o abastecimento do Exército russo.

Mas a ofensiva também afetou centenas de vendedores russos que dependem de mercados virtuais (como a Amazon ou o Mercado Livre) para vender e sobreviver, fazendo a guerra chegar mais perto da rotina de muitos deles pela primeira vez em quase quatro anos e meio.

"Sou mãe de uma criança com deficiência e construí esse negócio sozinha", escreveu uma mulher em uma publicação repleta de palavrões nas redes sociais que acabou viralizando.

"Perdi 1 milhão de rublos [cerca de R$ 65 mil]… Como se já não estivéssemos sendo ferrados de todos os lados."

No primeiro ataque da Ucrânia contra a Wildberries, no fim de semana, dois centros de distribuição foram atingidos: um deles em Elektrostal, a leste de Moscou, e outro em Kotovsk, na região de Tambov, a cerca de 400 km da fronteira com a Ucrânia.

Sete funcionários que trabalhavam no turno da noite morreram em Kotovsk, e outro morreu em Elektrostal. Dezenas de pessoas ficaram feridas, e o prejuízo com mercadorias destruídas foi avaliado em cerca de R$ 5,1 bilhões.

Estima-se que entre 85% e 90% da população economicamente ativa da Rússia use a Wildberries ou sua concorrente, a Ozon. Em muitas regiões remotas, onde há poucas lojas físicas, essas plataformas são o principal meio de compras para produtos que vão de roupas a eletrodomésticos.

A Ucrânia afirmou ter atingido "importantes centros logísticos" usados para "fornecer componentes sujeitos a sanções destinados à produção de drones e equipamentos de navegação".

Outros centros logísticos foram atacados na madrugada de segunda-feira (20), entre eles mais um centro de distribuição da Wildberries em Koledino, ao sul de Moscou. Novos ataques, entre a noite de terça-feira (21) e a madrugada de quarta-feira (22), atingiram centros logísticos da empresa em Krasnodar e Nevinnomyssk, na região de Stavropol.

"Estamos, com toda razão, levando a guerra de volta para dentro da Rússia", afirmou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Desde o início da invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, a Rússia vem atacando cidades ucranianas com drones e mísseis. Nos últimos meses, ofensivas russas também atingiram armazéns e terminais de carga na Ucrânia.

Centros de triagem da Nova Poshta, a maior empresa privada de entregas da Ucrânia, foram alvo de ataques, assim como depósitos da rede varejista ATB e do grupo de confeitaria Roshen.

Com a linha de frente praticamente estagnada, a Ucrânia intensificou a sua campanha de ataques com drones de longo alcance contra rotas de abastecimento e instalações de energia. Na prática, a ofensiva isolou a Crimeia, anexada pela Rússia, e provocou escassez de combustível em diferentes regiões do país.

As empresas já vinham sofrendo os efeitos da guerra antes dos ataques aos centros de distribuição, mas algumas perderam grande parte de seus estoques de um dia para o outro.

A Rússia nega que plataformas de comércio eletrônico sejam usadas para abastecer o Exército. Ainda assim, nelas são vendidos diversos produtos de uso militar, como coletes balísticos, além de itens que podem ser usados tanto para fins civis quanto na fabricação de drones.

Blogueiros pró-guerra da Rússia afirmam que voluntários recorrem regularmente a essas plataformas para comprar equipamentos que depois são enviados às tropas na linha de frente.

Mas não há confirmação independente de que os centros de distribuição atingidos nos ataques armazenassem esse tipo de material.

Diferentemente da gigante americana Amazon, que vende produtos diretamente aos consumidores além de operar um marketplace (mercado virtual em que operam outros comerciantes), a Wildberries e a Ozon funcionam quase exclusivamente como plataformas que conectam vendedores independentes a compradores em toda a Rússia. Elas armazenam, entregam as mercadorias e processam os pagamentos.

Para uma vendedora de artigos de papelaria, a Wildberries é o único canal de vendas. Um dia depois de enviar sua mercadoria ao centro de distribuição de Elektrostal, nos arredores de Moscou, na sexta-feira passada (17), ela recebeu a notícia de que todo o estoque havia sido destruído pelo incêndio.

Imagem de satélite mostra a dimensão do incêndio que atingiu o centro de distribuição da Wildberries em Elektrostal, a leste de Moscou — Foto: Gallo Images/Orbital Horizon/Copernicus Sentinel Data 2026

Ela ainda tem outros produtos armazenados, mas esta é uma época importante para o negócio, quando pais e estudantes fazem as compras para o início do novo ano letivo no hemisfério norte.

Outra comerciante que atua na Wildberries, vendendo roupas para adolescentes, contou à BBC ter perdido um estoque avaliado em cerca de 1,4 milhão de rublos (aproximadamente R$ 91 mil). Ela decidiu suspender o envio de novos produtos por algumas semanas.

"As perspectivas de continuar trabalhando com a Wildberries são muito incertas", afirmou. "No momento, ainda tenho uma reserva financeira suficiente para absorver essas perdas. Mas se houver novos ataques, provavelmente não vou conseguir."

Nenhuma das duas espera receber indenização. No início deste mês, menos de duas semanas antes dos ataques, a Wildberries incluiu nos contratos uma cláusula que passou a considerar ataques com drones como casos de força maior, isentando a empresa de qualquer responsabilidade.

A proprietária da Wildberries, Tatiana Kim, prometeu "não abandonar" os vendedores. Algumas pequenas empresas já receberam compensações, e a companhia também concedeu descontos temporários e isenção das taxas de envio. No entanto, as medidas fizeram pouco para reduzir o receio de novos ataques.

Apoiar pequenas e médias empresas tem sido uma das prioridades declaradas de Vladimir Putin, presidente da Rússia, mesmo em tempos de guerra. O governo russo apresenta esse setor como um dos pilares da resistência do país às sanções impostas pelo Ocidente.

Mas, na prática, o Estado não conseguiu proteger essas empresas dos efeitos do conflito, e o setor vem enfrentando uma série de dificuldades desde o início do ano.

Em janeiro, o Imposto sobre Valor Agregado, o IVA, subiu de 20% para 22%, para ajudar a financiar os gastos com Defesa, e benefícios fiscais concedidos a parte das empresas foram extintos.

Segundo a plataforma de inteligência de negócios Kontur.Fokus, 209 mil pequenas e médias empresas encerraram suas atividades no primeiro trimestre de 2026. O número é 9% maior que o registrado no mesmo período de 2025.

Apagões frequentes na internet e a repressão a aplicativos de mensagens populares agravaram ainda mais a situação. Segundo algumas estimativas, empresas de Moscou perderam dezenas de milhões de dólares em apenas uma semana de março.

Depois veio a crise de combustíveis, desencadeada pelos ataques ucranianos a depósitos de petróleo, refinarias e rotas de abastecimento.

"Já há muitos pregos, e continuam martelando outros mais. [O ataque aos centros de distribuição da Wildberries] é mais um prego no caixão? Sim, sem dúvida", disse Ruben Enikolopov, professor da Universidade Pompeu Fabra, na Espanha, em entrevista à BBC.

As pequenas empresas russas já demonstraram capacidade de resistir a crises no passado. Mas a inflação continua elevada, o déficit orçamentário aumenta, e as receitas com petróleo e gás estão 23% abaixo das registradas nos seis primeiros meses do ano passado.

A Rússia ainda dispõe de grandes reservas financeiras acumuladas em tempos de paz. No entanto, a guerra na Ucrânia consome cada vez mais recursos, reduzindo a capacidade de crescimento da economia civil.

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Casca enrugada do ovo pode ser sinal de estresse nas galinhas; veja por que isso acontece

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 03:54

GLOBO RURAL Casca enrugada do ovo pode ser sinal de estresse nas galinhas; veja por que isso acontece Em uma fazenda, produtores passaram a pendurar CDs antigos no galinheiro. O reflexo da luz desperta a curiosidade das galinhas, que passam mais tempo bicando e interagindo com os discos. Por Redação g1, Globo Rural — São Paulo

Um ovo com a casca enrugada chamou a atenção de um produtor rurl de Vacaria (RS). Ao encontrar o alimento no galinheiro, ele ficou em dúvida sobre o que poderia ter causado a deformação.

Segundo o zootecnista Marconi Ítalo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), esse tipo de alteração costuma estar relacionado a algum fator de estresse sofrido pela galinha durante a formação da casca.

A produção de um ovo leva, em média, 25 horas. O processo começa com a liberação da gema pelo ovário. Em seguida, ela percorre o oviduto, onde é formada a clara, até chegar ao útero, onde permanece por cerca de 18 horas para a formação da casca de cálcio.

"Quando há um fator de estresse, como uma chuva forte em galpões com telhado metálico, por exemplo, o útero da galinha se contrai. A casca acaba ficando enrugada e assume o formato dessas contrações", explica Marconi Ítalo.

temperaturas elevadas, acima de 25 °C;deficiência de cálcio e fósforo na alimentação;excesso de aves no mesmo espaço;idade avançada ou problemas de saúde da galinha.

Se os ovos deformados começarem a aparecer com frequência, a recomendação é procurar um médico-veterinário para avaliar a saúde das aves e identificar a causa do problema.

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Pequenas mudanças no ambiente podem ajudar a manter as aves mais tranquilas e estimular comportamentos naturais.

Uma alternativa simples é pendurar CDs antigos no galinheiro. O reflexo da luz chama a atenção das galinhas, que passam mais tempo interagindo com o objeto.

Outra recomendação é instalar poleiros, já que as aves têm o hábito natural de descansar em locais elevados.

"Elas gostam de se empoleirar porque conseguem observar melhor o ambiente ao redor, o que aumenta a sensação de segurança", explica o especialista.

Também é possível usar redes de frutas, como as de laranja, recheadas com feno ou capim seco. As galinhas costumam bicar o material por bastante tempo, o que ajuda a reduzir o estresse e o tédio.

Sim. Segundo o especialista, o ovo com a casca enrugada pode ser consumido normalmente, desde que a casca esteja íntegra, sem rachaduras, e o alimento tenha sido armazenado adequadamente. O problema é apenas estético e, em geral, não compromete a qualidade interna do ovo.

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Empreendedor cria papel sustentável para mechas e negócio fatura R$ 300 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 24/07/2026 02:53

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Empreendedor cria papel sustentável para mechas e negócio fatura R$ 300 mil por mês Após três tentativas frustradas de empreender, empresário desenvolveu uma alternativa ao papel-alumínio usado em salões de beleza. Produto já foi vendido para 19 países e evitou o descarte de milhões de quilos de alumínio. Por PEGN

Após três negócios sem sucesso, o empreendedor criou um papel sustentável para mechas de cabelo que substitui o tradicional papel-alumínio usado em salões de beleza.

Além de desenvolver a tecnologia, precisou convencer cabeleireiros a testar o produto e percorreu o país em busca de clientes para viabilizar a produção.

A estratégia de vender o produto para marcas de cosméticos permitiu montar a fábrica e acelerar o crescimento da empresa.

A empresa já vendeu mais de 260 milhões de folhas em 19 países, evitou o descarte de mais de 3 milhões de quilos de alumínio e fatura, em média, R$ 300 mil por mês.

A busca por soluções mais sustentáveis tem transformado diversos setores da economia. Em Londrina (PR), uma inovação criada para os salões de beleza mostra como uma ideia simples pode gerar impacto ambiental e abrir espaço para um negócio de alcance internacional.

Lucas Olivetti criou um papel sustentável para a aplicação de mechas e descoloração de cabelos, desenvolvido para substituir as tradicionais folhas de alumínio utilizadas nos procedimentos.

A solução nasceu da combinação entre experiência no setor gráfico, persistência empreendedora e a observação de um problema pouco discutido fora do universo da beleza. O caminho até a invenção, porém, esteve longe de ser linear.

Antes de lançar o produto que mudou sua trajetória, Olivetti acumulou três tentativas de empreender. Duas delas foram em negócios ligados ao segmento gráfico. Nenhuma prosperou da forma esperada. Ainda assim, ele nunca abandonou o sonho de construir uma empresa própria.

O contato com o empreendedorismo começou cedo. Ainda criança, acompanhava o trabalho do avô na feira e observava de perto os desafios e as oportunidades de quem vive do próprio negócio.

A ideia que deu origem à empresa surgiu durante uma conversa com um cabeleireiro. Na ocasião, Lucas ouviu relatos sobre limitações do alumínio utilizado nos processos de coloração e descoloração dos fios. A observação despertou sua curiosidade.

Com conhecimento prévio nas áreas de gráfica e celulose, ele começou a pesquisar alternativas. Descobriu que praticamente não existiam opções capazes de substituir o alumínio nos procedimentos de mechas sem gerar resíduos metálicos.

Empreendedor cria papel sustentável para mechas e negócio fatura R$ 300 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

Ao mesmo tempo, identificou o potencial ambiental da proposta. As pesquisas começaram em 2018. Durante cerca de um ano, o empreendedor realizou testes, protótipos e ajustes até chegar ao formato ideal.

Parte desse trabalho foi desenvolvida na gráfica do padrasto, utilizando equipamentos e matérias-primas já disponíveis no local. O resultado foi um papel capaz de auxiliar o processo de clareamento dos fios sem utilizar alumínio.

Além da proposta sustentável, o produto foi desenvolvido para oferecer maior segurança durante os procedimentos químicos realizados nos cabelos. Mas criar a solução foi apenas metade do desafio.

Quando chegou o momento de apresentar a novidade ao mercado, Lucas teve de enfrentar a resistência natural dos profissionais do setor. Sem experiência no universo dos salões de beleza, ele visitava estabelecimentos tentando convencer cabeleireiros a testar um produto completamente novo.

Muitas vezes, as amostras distribuídas sequer eram utilizadas. A virada aconteceu quando o empreendedor decidiu buscar validação não diretamente nos salões, mas junto às marcas de cosméticos.

Empreendedor cria papel sustentável para mechas e negócio fatura R$ 300 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

Foi então que adotou uma estratégia de produção para terceiros, aproveitando os canais de distribuição já consolidados dessas empresas. A aposta exigiu ousadia.

Antes mesmo de ter uma fábrica estruturada, Lucas e os sócios percorreram 12 estados brasileiros em busca de clientes. Em cerca de seis meses, conseguiram levantar quase R$ 2 milhões em antecipações de pedidos, recursos que permitiram montar a estrutura industrial e iniciar a produção.

O risco deu resultado. Atualmente, o papel sustentável para mechas está presente em diversos mercados internacionais. Segundo a empresa, mais de 260 milhões de folhas já foram comercializadas no Brasil e em outros 19 países.

O impacto ambiental também se tornou um dos diferenciais do negócio. A estimativa é que a substituição do alumínio pelo papel sustentável tenha evitado o descarte de mais de 3 milhões de quilos do metal.

O produto é comercializado em diferentes formatos. Pacotes com 30 folhas custam cerca de R$ 13, enquanto versões com 120 folhas são vendidas por aproximadamente R$ 44.

A aceitação entre profissionais da beleza ajudou a consolidar o crescimento da empresa. Cabeleireiros destacam a combinação entre sustentabilidade, eficiência técnica e praticidade como alguns dos fatores que impulsionaram a adoção da novidade.

Com faturamento médio mensal de cerca de R$ 300 mil em 2025, a empresa já estuda expandir o portfólio para outros produtos voltados ao mercado de beleza e cosméticos.

Empreendedor cria papel sustentável para mechas e negócio fatura R$ 300 mil por mês — Foto: Reprodução/PEGN

Para Lucas, o sucesso está diretamente ligado à capacidade de enxergar oportunidades onde poucos estão olhando.

A trajetória do empreendedor paranaense mostra que inovação nem sempre surge de grandes laboratórios ou tecnologias complexas. Às vezes, ela começa em uma conversa, identifica um problema cotidiano e encontra uma maneira diferente de resolvê-lo.

📍 Endereço: Av. Higienópolis, 32 – Sl 1601 – Centro Londrina/PR – CEP: 86020-080📞Telefone: (43) 99116-6244🌐Site: https://www.papelparamechas.com.br/📧E-mail: sac@papelparamechas.com.br📘Facebook: https://www.facebook.com/papelparamechas📸 Instagram: https://www.instagram.com/papelparamechas/

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Itamaraty vê tarifas cumulativas dos EUA e avalia que negociações foram para ‘cumprir tabela’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 00:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%Oferecido por

Diante do novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos nesta quinta-feira (23), o Ministério das Relações Exteriores chegou ao entendimento de que as tarifas americanas serão cumulativas sobre os produtos brasileiros, ficando fora os itens das listas de exceção.

O governo afirma, no entanto, que ainda não há uma lista completa dos produtos que sofrerão dupla tarifação.

Na semana passada, os EUA impuseram uma tarifa de 25% ao produtos brasileiros por entenderem que o Brasil adota práticas desleais na economia contra empresários americanos.

Nesta quinta-feira (23), o governo norte-americano alega que o Brasil e outras dezenas de países falharam no combate à importação de produtos feitos com base no trabalho forçado e, com isso, impuseram tarifa de 12,5%.

LEIA TAMBÉM: Brasil rechaça decisão dos EUA em impor tarifa sobre trabalho forçado e volta a falar em reciprocidade

A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o processo concluiu que o Brasil e outros 59 países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já esperavam, desde os últimos dias, o anúncio desse novo tarifaço, confirmado pelo governo do presidente Donald Trump.

Em relação às negociações para evitar esse tarifaço de 12,5%, o Itamaraty entende que as conversas serviram somente para “cumprir tabela”, ou seja, somente para deixar o registro de que aconteceram.

A percepção é que não houve uma intenção real por parte dos americanos de entender o que o Brasil faz para fiscalizar o trabalho forçado, uma vez que o país é referência na Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesse tema.

Nesse contexto, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República divulgou uma nota rechaçando a decisão dos EUA e disse ser um “absurdo” o governo americano relacionar a competitividade da economia brasileira à importação de mercadorias produzidas com base no trabalho forçado.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais. Ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho e Emprego prestou explicações e forneceu farta documentação sobre a legislação brasileira e da atuação das nossas autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”, afirmou o governo.

🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais "injustas", o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.

O Ministério do Trabalho diz que, embora tenha se colocado publicamente à disposição para prestar esclarecimentos, não foi procurado por autoridades americanas, somente pelo próprio Itamaraty durante as negociações.

No entendimento de integrantes do Ministério de Relações Exteriores, a de 12,5% foi o “plano B” ao tarifaço original, anunciado no ano passado e que foi barrado pela Justiça americana (leia mais abaixo).

Diplomatas entendem que há uma diferença deste tarifaço para o de 25%. Isso porque, embora a motivação do anterior fosse sabida — entendimento explicitado num pronunciamento do ministro Mauro Vieira —, neste caso não é somente para o Brasil, o que mostra a estratégia americana de usar as tarifas como instrumento político.

Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado.

A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24).

Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais.

A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

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Trabalho forçado é pretexto? O que está por trás da nova tarifa dos EUA contra o Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 00:51

Trabalho e Carreira Trabalho forçado é pretexto? O que está por trás da nova tarifa dos EUA contra o Brasil EUA dizem que medida busca combater a entrada de produtos ligados ao trabalho forçado, mas especialistas apontam contradições e questionam interesses comerciais por trás da tarifa. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Com a medida, a carga tarifária incidente sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode chegar a 37,5%, considerando também as tarifas anunciadas na semana passada.

A justificativa para a nova cobrança envolve um dos temas mais sensíveis do comércio global: a escravidão moderna.

Segundo os EUA, o Brasil não teria medidas suficientes para impedir a entrada desse tipo de produto em sua cadeia de importação. Outros 58 países e a União Europeia também foram taxados.

➡️ Mas será que a medida apresentada pelos americanos representa uma nova etapa do combate internacional ao trabalho forçado? Ou utiliza uma causa humanitária para justificar uma estratégia de política comercial e geopolítica? (Saiba o que está por trás)

Essa dúvida surge porque, ao mesmo tempo em que o governo americano afirma querer impedir que produtos associados ao trabalho escravo circulem nas cadeias globais de abastecimento, diversos elementos da própria investigação apontam em outra direção.

Especialistas em comércio internacional observam que a investigação americana foi concluída sem apresentar casos concretos de produtos brasileiros produzidos com trabalho forçado que tenham sido identificados no mercado dos EUA.

Além disso, analistas chamam atenção para um detalhe relevante: setores historicamente associados a um maior número de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, como a pecuária e a cafeicultura, ficaram fora das principais sobretaxas anunciadas pelos EUA.

A ofensiva comercial ocorre em um momento estratégico para Washington, segundo especialistas. A investigação foi aberta poucos meses depois de o governo americano enfrentar derrotas na Justiça relacionadas à política tarifária e faz parte de um movimento mais amplo: proteger a indústria dos EUA, reorganizar cadeias produtivas e ampliar a pressão sobre parceiros comerciais.

Para alguns analistas, a medida também está ligada à disputa econômica com a China. Nesse contexto, a regra sobre trabalho forçado serviria ainda para expandir globalmente critérios que os americanos já utilizam para restringir mercadorias vinculadas a determinadas regiões chinesas.

"Se o modelo americano virar padrão, os EUA obrigam terceiros a adotar mecanismos equivalentes ao Uyghur Act. Na prática, é forçar Brasil e outros a bloquear componente chinês. É extraterritorialidade regulatória. Trabalho forçado é o instrumento, contenção da China é o objetivo", afirma Thiago de Aragão, CEO da Arko International.

⚠️ Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 28 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de trabalho forçado em todo o mundo. O debate, portanto, não está centrado na existência do problema, mas na forma escolhida para enfrentá-lo.

Representantes da OIT, integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT) e autoridades brasileiras questionam a eficácia, a coerência e até mesmo os reais objetivos da medida.

"A experiência internacional mostra que a efetividade dessas medidas não deve ser generalizada (…) Onde ela tem sido mais efetiva é quando ocorre de forma individualizada. Por exemplo, se uma empresa específica foi flagrada, ela deveria ser penalizada", afirma o diretor do escritório da OIT no Brasil, Vinícius Pinheiro.

O presidente dos EUA, Donald Trump,no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. — Foto: Evelyn Hockstein / Reuters

A nova tarifa está ligada a uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que avalia se os países possuem mecanismos para impedir a entrada de produtos feitos com trabalho forçado.

A tese adotada é que o Brasil, a União Europeia e outros 58 países falharam em criar ou aplicar mecanismos capazes de barrar a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em suas cadeias de importação.

Segundo o USTR, essa lacuna regulatória cria um ambiente de concorrência considerado desleal para empresas americanas, especialmente em setores expostos à competição internacional.

Dados da fundação Walk Free, no entanto, mostram que os próprios EUA não mantêm um controle rigoroso sobre o histórico dos produtos que recebem.

O país lidera o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões por ano em mercadorias associadas a esse risco. O Brasil aparece muito abaixo, com cerca de US$ 5,6 bilhões. Os dados são de 2023.

EUA lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, — Foto: g1

Outro fator que leva a questionamentos sobre a real preocupação dos EUA com o trabalho forçado são as exceções concedidas a produtos específicos em tarifas anteriores, como carne, café e suco de laranja.

Esses setores aparecem de forma recorrente nos registros do Ministério do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da chamada Lista Suja do Trabalho Escravo.

Segundo Aragão, os setores mais relevantes da pauta exportadora brasileira para os EUA ficaram de fora das medidas. Para ele, se a preocupação fosse realmente combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção, o desenho da política seria diferente.

"Uma política coerente trataria a questão como padrão horizontal e usaria critérios técnicos como due diligence [diligência prévia] de cadeia, rastreabilidade e certificação. O que se vê é uma medida que escolhe setores em função do impacto doméstico americano", afirma.

As isenções, inclusive, foram mantidas neste novo tarifaço. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação.

"Café mexe com a inflação de consumo nos EUA. Carne mexe com o preço do hambúrguer (…) Ou seja, ficaram de fora exatamente os setores cuja tarifação teria custo político imediato para o eleitor americano, e não aqueles selecionados por qualquer critério humanitário."

O relatório elaborado pelo USTR, por outro lado, não aponta nenhum caso concreto de mercadoria que o Brasil tenha importado de um terceiro país e que tenha sido produzida com trabalho forçado.

Para José Pimenta, diretor de comércio internacional da BMJ, a ausência de exemplos específicos enfraquece o argumento americano para justificar a aplicação das tarifas.

"A lógica é estrutural, não factual: o fato de o país não ter uma proibição à importação (diferente da proibição ao trabalho forçado doméstico, que o Brasil já possui e de forma robusta) já seria, por si só, irrazoável e oneroso para o comércio americano. É um argumento de omissão regulatória, não de prática comprovada."

Aragão aponta essa situação como o "calcanhar de Aquiles" do argumento americano em dois aspectos:

A Seção 301 exige demonstrar que a prática do parceiro comercial prejudica ou restringe o comércio americano. Sem um caso concreto, a relação de causa e efeito fica fragilizada.O Brasil pode argumentar que possui um dos sistemas mais avançados no combate ao trabalho escravo. O USTR responderia que a discussão diz respeito aos produtos que entram nos EUA, e não às condições de trabalho dentro do Brasil. Para os críticos, porém, essa separação é difícil de sustentar e deixa a impressão de uma acusação sem provas.

O diretor da OIT no Brasil confirma que o Brasil é frequentemente citado como referência global no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo. Para ele, um dos diferenciais brasileiros é justamente reconhecer a existência do problema e manter mecanismos permanentes de fiscalização, transparência e responsabilização.

"Brasil é referência internacional em termos de combate ao trabalho escravo. Primeiro por reconhecer e dar transparência ao tema, porque a atitude de outros países, por exemplo, é negacionista. Eles dizem que não existe".

O reconhecimento internacional, porém, não significa que não existam desafios. Segundo Luciano Aragão Santos, coordenador nacional de combate ao trabalho escravo (Conaete) do Ministério Público do Trabalho (MPT), há uma lacuna justamente na área utilizada pelos EUA para justificar a nova tarifa: o controle de produtos importados e o monitoramento de fornecedores estrangeiros.

Hoje, o Brasil não possui uma legislação específica que obrigue empresas a verificar se fornecedores internacionais utilizaram trabalho forçado na produção das mercadorias que entram no país.

Na avaliação do procurador, uma lei de devida diligência ajudaria a ampliar a rastreabilidade das cadeias produtivas, aumentar a transparência sobre a origem dos produtos e fortalecer a prevenção de violações trabalhistas.

É justamente essa lacuna regulatória relacionada às importações — e não a capacidade do país de combater o trabalho escravo internamente — que está no centro da discussão levantada pelos EUA.

Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Se a existência dessa lacuna regulatória ajuda a explicar o argumento jurídico utilizado pelos EUA, ela não encerra o debate sobre os motivos da nova tarifa. Pimenta explica que a investigação surgiu em um contexto especialmente favorável para Washington buscar novas bases legais para sua política tarifária.

Segundo ele, o processo foi aberto após dificuldades enfrentadas pelo governo americano para sustentar judicialmente outras medidas comerciais e acabou servindo como alternativa para manter instrumentos de pressão sobre parceiros econômicos.

"Não vejo um núcleo genuíno de preocupação com trabalho forçado, especialmente com relação ao timing da investigação coincidir com a expiração das tarifas horizontais de 10% da Seção 122", lembra.

Outro fator importante é o alcance da investigação. Além do Brasil, a decisão atingiu dezenas de economias, incluindo aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e Austrália, acrescenta Aragão.

"É pouco crível que o USTR considere sinceramente todos esses países como violadores relevantes em matéria de trabalho forçado. O que eles têm em comum não é o problema, mas a concorrência econômica ou industrial com os Estados Unidos", afirma.

Pimenta aponta que a própria estrutura adotada pelo USTR indica que a discussão não se limita aos direitos humanos. Isso porque países que já possuem acordos ou compromissos comerciais específicos com os EUA também foram alvo das medidas tarifárias.

📎 Ou seja, o tarifaço pode estar funcionando, ao mesmo tempo, como instrumento de pressão comercial, mecanismo de negociação diplomática e ferramenta para ampliar a influência americana sobre as regras que regem o comércio internacional.

Há ainda uma dimensão geopolítica. Segundo Aragão, o mecanismo pode ajudar os EUA a expandir internacionalmente regras semelhantes às que já utilizam para restringir produtos associados a determinadas regiões da China.

Na prática, isso aumentaria a pressão para que outros países adotem sistemas mais rigorosos de rastreamento e bloqueio de mercadorias ao longo das cadeias globais de fornecimento.

"Direitos humanos são o enquadramento. O motor é outro: reconstruir a política tarifária após a derrota na Suprema Corte, ganhar alavancagem bilateral e cercar a China por interposta pessoa", afirma Aragão.

Embora especialistas reconheçam a ausência de uma legislação específica para monitorar fornecedores estrangeiros, o Brasil é frequentemente apontado pela OIT como referência internacional no combate ao trabalho escravo.

Desde 1995, mais de 65 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país. Entre os mecanismos considerados referência estão os grupos móveis de fiscalização e a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, que divulga empregadores responsabilizados pela prática.Nos últimos anos, porém, o foco das autoridades também passou a se voltar para outro desafio: as cadeias produtivas.

Foi nesse contexto que surgiu o projeto Reação em Cadeia, do Ministério Público do Trabalho. A iniciativa busca rastrear relações comerciais entre grandes empresas e fornecedores envolvidos em violações de direitos humanos, ampliando a responsabilização para além do empregador diretamente flagrado.

Segundo o MPT, o programa já identificou mais de R$ 48 bilhões em negócios envolvendo fornecedores associados a casos de trabalho escravo em setores como pecuária, café, carvão vegetal, soja, etanol, construção civil e indústria têxtil.

Para o coordenador da Conaete, a iniciativa alinha o Brasil ao movimento global que busca responsabilizar as empresas por toda a cadeia de produção dos bens que comercializam.

"O foco do Ministério Público do Trabalho é garantir que empresas que adquirem produtos nos setores onde ocorre trabalho escravo adotem medidas para remediar a situação e prevenir novas violações de direitos humanos".

Na prática, o projeto aproxima o país de modelos de rastreabilidade e devida diligência adotados em legislações mais recentes da Europa. A diferença é que, no Brasil, esse monitoramento ainda depende principalmente da atuação dos órgãos de fiscalização, e não de uma obrigação legal imposta a todas as empresas.

Além disso, a OIT destaca que o combate ao trabalho forçado também tem sido incorporado aos acordos internacionais firmados pelo Brasil.

"Inclusive, o acordo do Mercosul com a União Europeia tem um anexo sobre sustentabilidade que trata do respeito aos padrões internacionais e às convenções de direitos", conclui Pinheiro.

O governo brasileiro rejeita as conclusões da investigação americana e afirma que não existe base factual para a aplicação da nova tarifa.

Em documento encaminhado ao USTR, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumenta que os EUA não conseguiram apontar um único caso em que uma ação ou omissão do Brasil tenha permitido a entrada de produtos feitos com trabalho forçado no mercado americano. A defesa também sustenta que a investigação ignorou parte das informações apresentadas pelo país sobre seu sistema de combate ao trabalho escravo, incluindo mecanismos de fiscalização, punição de empregadores e rastreamento de cadeias produtivas.Outro ponto destacado pelo governo é que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há anos, o que, na avaliação do Itamaraty, enfraquece a tese de que práticas brasileiras estariam causando prejuízos à economia americana.

Para o governo brasileiro, medidas tarifárias também não representam uma solução eficaz para enfrentar o problema do trabalho forçado.

Segundo a manifestação enviada aos EUA, tarifas não ampliam a fiscalização, não fortalecem a diligência das empresas nem atacam casos concretos de exploração laboral. Ao contrário, poderiam gerar custos para empresas e consumidores sem enfrentar as causas do problema.

"Medidas tarifárias não aumentam a capacidade de fiscalização, não incentivam diligência adicional nem atacam casos reais de trabalho forçado. Pelo contrário, elas podem desviar fluxos comerciais e impor custos econômicos amplos (inclusive para indústrias e consumidores dos EUA) sem tratar das questões centrais de direitos trabalhistas. Tarifas unilaterais também podem desestimular a cooperação entre governos, que é justamente necessária para combater o trabalho forçado de forma eficaz", diz a carta divulgada.

A posição brasileira é que o combate ao trabalho escravo exige cooperação internacional, troca de informações e fortalecimento dos mecanismos de rastreabilidade das cadeias produtivas, e não a adoção de barreiras comerciais unilaterais.

Desde março de 2025, o governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico, com autoridades americanas na tentativa de evitar a escalada tarifária e buscar uma solução negociada.

Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a decisão anunciada por Washington extrapola a discussão sobre trabalho forçado e reflete divergências mais amplas nas negociações entre os dois países.

"Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações", disse.

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Tarifaço de Trump: veja a cronologia e como ficam as novas tarifas para o Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 00:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%Oferecido por

O governo de Donald Trump confirmou nesta quinta-feira (23) que diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos enfrentarão uma nova tarifa de 12,5%. A medida passa a valer à 0h01 desta sexta (24), no horário de Washington.

A decisão é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. A apuração concluiu que o Brasil e outros países adotam práticas comerciais desleais ao não fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. (leia mais)

A medida veio poucos dias após outra tarifa, de 25%, entrar em vigor. Nesse caso, os EUA concluíram, com base na mesma lei, que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com o país. Entre os exemplos citados estão o PIX e a regulação de plataformas digitais.

O Palácio do Planalto rechaçou as novas tarifas e afirmou que vai iniciar os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade. O país também disse que levará os casos ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As duas novas taxas resultam em uma alíquota total de 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA.

Milhares de itens, porém, ficam isentos das cobranças. Entre eles estão produtos importantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de calçados, máquinas, equipamentos e peças passam a enfrentar a tarifa máxima de 37,5%.

Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que, com a nova rodada do tarifaço de Trump, passam a existir ao menos cinco situações diferentes para produtos brasileiros importados pelos EUA:

os que ficam isentos;os que passam a pagar tarifas de 12,5%;os que estão sujeitos à taxa de 25%;os que acumulam as duas cobranças, chegando a uma alíquota de 37,5%;os que já enfrentavam tarifas específicas, como aço e alumínio, com alíquota de 50% baseada em outra lei americana. (leia mais abaixo)

Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham), a nova tarifa de 12,5% alcançará cerca de 3 mil produtos brasileiros, correspondentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos EUA.

"Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% — um dos níveis mais elevados aplicados pelos Estados Unidos a seus parceiros comerciais".

O especialista em comércio exterior Jackson Campos avalia que, com as mudanças, o cenário tarifário para os produtos brasileiros fica ainda mais complexo.

"A partir de agora, será necessário analisar item por item. Além de vender o produto, o empresário brasileiro vai ter que entender de classificação fiscal nos EUA e ser bom em matemática", afirma.

A nova tarifa de 12,5% entra em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro deste ano, perde a validade. Na prática, o governo americano substitui uma cobrança pela outra.

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).Em junho, o republicano elevou as taxas sobre aço e alumínio para 50%, com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA de 1962.Em julho, o republicano impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total de diversos itens para 50%. A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.Já em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas.Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA invalidou o uso da IEEPA para tarifas amplas. Caíram, assim, a taxa “recíproca” de 10% e a sobretaxa de 40% sobre o Brasil. Aço e alumínio não foram afetados, pois se baseiam na Seção 232.No mesmo dia, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% por 150 dias, com base em um dispositivo da lei comercial de 1974, que se soma às tarifas já existentes.Em 22 de julho, entrou em vigor a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi anunciada após uma investigação dos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Milhares de produtos importantes para a economia americana ficaram isentos.Nesta sexta (24), passa a valer a nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A alíquota entra em vigor no mesmo dia em que a tarifa global de 10%, adotada por Trump em fevereiro, perde a validade.

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa ao chegar à Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, nos EUA — Foto: Evan Vucci / Reuters

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Imposto de Renda 2026: Receita abre consulta ao 3º lote de restituição nesta sexta; veja como fazer

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 00:51

Economia Imposto de renda Imposto de Renda 2026: Receita abre consulta ao 3º lote de restituição nesta sexta; veja como fazer Com mais de 2,7 milhões de contribuintes contemplados no lote, a Receita Federal pagará R$ 4,61 bilhões em restituições no final deste mês. Por Alexandro Martello, g1 — Brasília

A Receita Federal abre a consulta ao 3º lote de restituição do IRPF 2026 nesta sexta-feira (24). O pagamento de R$ 4,61 bilhões ocorre em 31 de julho.

Este lote vai beneficiar 2,74 milhões de contribuintes, a maioria sem enquadramento em categorias prioritárias.

A consulta pode ser feita no site da Receita Federal, acessando 'Meu Imposto de Renda'. O aplicativo para celulares e tablets também disponibiliza o serviço.

Se houver erro nos dados bancários, o contribuinte pode reagendar o pagamento pelo Banco do Brasil por até 1 ano. Pendências podem ser corrigidas no portal e-CAC.

A Receita Federal libera nesta sexta-feira (24), às 9h, a consulta ao terceiro lote de restituições do Imposto de Renda 2026.

Serão pagos R$ 4,61 bilhões a 2,74 milhões de contribuintes. O valores serão depositados em 31 de julho. (veja aqui como consultar)

839.464 restituições para contribuintes prioridade em razão da utilização da declaração pré-preenchida e/ou da opção de recebimento via PIX;507.262 restituições serão pagas a contribuintes enquadrados em diferentes critérios de prioridade;1.396.474 restituições referem-se a contribuintes sem enquadramento em categorias prioritárias.

Os pagamentos das restituições do IRPF 2026 serão feitos em quatro lotes, segundo informações da Receita. Veja as datas dos pagamentos:

O contribuinte pode verificar se vai receber neste lote por meio da página da Receita na internet. Basta clicar na opção "Meu Imposto de Renda" e, em seguida, em "Consultar a Restituição".

A página oferece orientações e os canais de prestação do serviço, permitindo uma consulta simplificada ou completa da situação da declaração, por meio do extrato de processamento, acessado no e-CAC. Caso identifique alguma pendência na declaração, o contribuinte pode retificá-la, corrigindo as informações.

A Receita Federal disponibiliza, também, aplicativo para tablets e smartphones que permite consultar diretamente nas bases da Receita Federal informações sobre liberação das restituições do IRPF e a situação cadastral de uma inscrição no CPF.

Em nota oficial, o Fisco afirma que "assume o compromisso de realizar pagamento de restituições apenas em conta bancária de titularidade do contribuinte". Assim, vale destacar que as rotinas de segurança da Receita impedem o pagamento caso ocorra erro nos dados bancários informados ou algum problema na conta de destino.

"Para não haver prejuízo ao contribuinte, a Receita oferece o serviço de reagendamento disponibilizado pelo Banco do Brasil pelo prazo de até um ano da primeira tentativa de crédito. Assim, o contribuinte poderá corrigir os dados bancários para uma conta de sua titularidade", afirma a nota.

Neste caso, o cidadão poderá reagendar o crédito dos valores pelo Portal BB, ou ligando para a Central de Relacionamento BB por meio dos telefones:

4004-0001 (capitais)0800-729-0001 (demais localidades)0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos)

Ao utilizar esse serviço o contribuinte deve informar o valor da restituição e o número do recibo da declaração. Depois, é só aguardar a nova tentativa de crédito. Caso o contribuinte não resgate sua restituição dentro do prazo, precisará fazer um requerimento pelo Portal e-CAC.

Ao realizar a consulta, o contribuinte também poderá saber se há alguma pendência em sua declaração que impeça o pagamento da restituição, ou seja, se ele caiu na chamada "malha fina".

Para saber a situação de sua declaração do IR, o trabalhador deve buscar o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) da Receita Federal na internet.

Acesso se dá mediante o uso da conta gov.br, nos níveis prata ou ouro.Contribuinte deve procurar, no serviço, por "declarações e demonstrativos".Em seguida deve buscar o "Meu Imposto de Renda", e consultar a declaração de 2026.

No caso de haver pendência, isso quer dizer que a declaração caiu na malha fina do leão, ou seja, foi retida por conta de divergências de dados com aqueles que o Fisco possui sobre o contribuinte.

Nesse caso, a inconsistência pode ser resultado de uma informação errada informada pelo próprio contribuinte, pela empresa na qual trabalha (fonte pagadora) ou até mesmo terceiros (prestadores de serviços).

Ao entrar no Centro Virtual de Atendimento, a Receita Federal informará qual a divergência na declaração retida em malha fina, e como resolver o problema.

No caso de o trabalhador ter informado um dado errado, ele deve enviar uma declaração retificadora para corrigir a informação. Assim que a isso for feito pelo trabalhador, sua declaração sai da malha fina.No caso de a fonte pagadora, ou de uma prestadora de serviços (da qual o contribuinte incluiu uma nota fiscal em sua declaração) ter errado, o contribuinte deve aguardar a retificação da informação.

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Governo Trump aplica novo tarifaço para Brasil e outros 59 países; veja a lista dos afetados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 24/07/2026 00:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%MoedasDólar ComercialR$ 5,0840,65%Dólar TurismoR$ 5,2920,61%Euro ComercialR$ 5,7850,37%Euro TurismoR$ 6,0350,34%B3Ibovespa176.724 pts-0,46%Oferecido por

O presidente dos EUA, Donald Trump, em reunião com o presidente libanês, Joseph Aoun (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington. — Foto: Evelyn Hockstein / Reuters

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) que vão aplicar uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A taxa corresponde ao teto previsto nesta etapa da investigação comercial sobre trabalho forçado e entra em vigor à 0h01 desta sexta-feira (24). Para além do Brasil, outros 59 países também serão afetados pela nova medida de Donald Trump.

Nesta fase, os EUA estabeleceram duas alíquotas. Países que, na avaliação do governo americano, adotaram medidas para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado pagarão 10%. Já aqueles considerados insuficientes nesse combate, caso do Brasil, estarão sujeitos à taxa de 12,5%.

A decisão é resultado de uma apuração conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo o governo americano, o processo concluiu que esses países adotam práticas comerciais desleais ao não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil podem passar a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%.

Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciaisTarifa de 12,5% (54 economias)

Argélia — 12,5%Angola — 12,5%Argentina — 12,5%Austrália — 12,5%Bahamas — 12,5%Bahrein — 12,5%Bangladesh — 12,5%Brasil — 12,5%Camboja — 12,5%Chile — 12,5%China — 12,5%Colômbia — 12,5%Costa Rica — 12,5%República Dominicana — 12,5%Egito — 12,5%El Salvador — 12,5%Guatemala — 12,5%Guiana — 12,5%Honduras — 12,5%Hong Kong — 12,5%Índia — 12,5%Iraque — 12,5%Israel — 12,5%Japão — 12,5%Jordânia — 12,5%Cazaquistão — 12,5%Kuwait — 12,5%Líbia — 12,5%Malásia — 12,5%Marrocos — 12,5%Nova Zelândia — 12,5%Nicarágua — 12,5%Nigéria — 12,5%Noruega — 12,5%Omã — 12,5%Peru — 12,5%Filipinas — 12,5%Catar — 12,5%Rússia — 12,5%Arábia Saudita — 12,5%Singapura — 12,5%África do Sul — 12,5%Coreia do Sul — 12,5%Sri Lanka — 12,5%Suíça — 12,5%Taiwan — 12,5%Tailândia — 12,5%Trinidad e Tobago — 12,5%Turquia — 12,5%Emirados Árabes Unidos — 12,5%Reino Unido — 12,5%Uruguai — 12,5%Venezuela — 12,5%Vietnã — 12,5%

Canadá — 10%Equador — 10%União Europeia — 10%Indonésia — 10%México — 10%Paquistão — 10%

No documento divulgado nesta quinta-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirmou que o Brasil está entre os países que "falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado".

O órgão acrescentou que a decisão levou em conta as conclusões da investigação, as contribuições recebidas durante a consulta pública e as orientações do presidente Donald Trump.

Conforme o documento, tanto a cobrança quanto as exceções previstas são "apropriadas para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas" identificados ao longo da apuração.

Na prática, isso significa que alguns produtos permanecerão isentos da tarifa. Segundo o governo americano, ficarão de fora da cobrança itens considerados estratégicos para a economia dos EUA ou cuja tributação poderia comprometer os objetivos da própria investigação.

matérias-primas cuja taxação possa provocar escassez no mercado americano;produtos que possam causar impactos econômicos amplos caso sejam tributados;itens que não possam ser produzidos ou cultivados em quantidade suficiente nos EUA nem obtidos de outros fornecedores;produtos cuja isenção possa incentivar outros países a adotar medidas para proibir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado; eprodutos para os quais a tarifa adicional não contribuiria de forma significativa para combater as práticas investigadas pelos Estados Unidos.

De acordo com um relatório divulgado no início de julho pelo USTR, a prática foi considerada "irracional" e prejudica o comércio americano ao criar condições de concorrência consideradas desleais para empresas e trabalhadores dos EUA.

"A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável", afirmou o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, na época. "Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais."

A investigação concluiu que a entrada desses produtos nos mercados globais não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos.

Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno.

O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países.

Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado.

A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra nesta sexta-feira (24).

Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais.

O governo brasileiro já esperava a aplicação da nova tarifa de 12,5% e agora mantém conversas com representantes dos setores afetados para definir uma resposta à medida.

A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados.

Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas.

Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa em um comício para dar início à Great American State Fair (Grande Feira Estadual Americana) em celebração ao 250º aniversário da independência dos EUA, no National Mall, em Washington, D.C., EUA, 24 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evan Vucci

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