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Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 12:56

Trabalho e Carreira Viih Tube e Eliezer encerram reality com empregados e pagarão R$ 350 mil por dano moral Após acordo com o Ministério Público do Trabalho, influenciadores retirarão do ar conteúdos considerados humilhantes para empregados domésticos e terão de cumprir uma série de obrigações previstas no TAC. Por Redação g1 — São Paulo

Os influenciadores Viih Tube e Eliezer firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e se comprometeram a encerrar o reality show "As Patroas", protagonizado por empregados domésticos do casal e exibido nas redes sociais.

Como parte do acordo, eles também pagarão R$ 350 mil por dano moral coletivo e retirarão do ar, em até 48 horas, os conteúdos considerados irregulares.

O programa colocava 11 funcionários da residência para disputar provas em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Em uma das dinâmicas, os participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.

O MPT abriu investigação para apurar se o reality violava direitos trabalhistas ao expor publicamente os empregados e utilizar sua imagem com finalidade comercial. Os influenciadores participaram de uma audiência no início de julho, em Barueri (SP), onde foi firmado o acordo.

Segundo a procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton, o TAC representa uma oportunidade de conscientização sobre os direitos dos empregados domésticos.

"O acordo é resultado do diálogo entre o Ministério Público do Trabalho e os influenciadores, que demonstraram compreender a gravidade da situação e se comprometeram a reparar os danos causados. Mais do que encerrar o caso, esse é um momento de conscientização, inclusive para o público", afirmou.

Pelo acordo, Viih Tube e Eliezer se comprometem a não produzir nem divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias, ainda que haja consentimento dos participantes.

Também fica proibido exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes.

Caso algum trabalhador participe de futuros conteúdos audiovisuais, a adesão deverá ser totalmente voluntária, formalizada por escrito e sem qualquer prejuízo para quem optar por não participar.

O TAC também proíbe qualquer forma de retaliação contra empregados que recusarem convites ou denunciarem irregularidades.

Além da indenização, os influenciadores terão de publicar três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos em suas redes sociais.

Em caso de descumprimento das obrigações previstas no acordo, a multa será de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.

"Esse é o reality, literalmente, da nossa casa." Foi assim que Viih Tube anunciou, nas redes sociais, o reality "As Patroas", programa em que 11 funcionários da influenciadora e ex-BBB e de seu marido, Eliezer, disputariam um prêmio de R$ 20 mil.

O primeiro episódio foi publicado no dia 30 de junho, no canal da influenciadora no YouTube e nas redes sociais do casal. Menos de 24 horas depois, o conteúdo foi retirado do ar no Youtube após uma série de críticas relacionadas à exposição da relação entre empregadores e empregados.

Embora tenha sido removido do YouTube, o conteúdo continua disponível no Instagram e no TikTok. Alguns dias depois, no dia 2 de julho, Viih Tube e Eliezer publicaram o segundo episódio do reality, que aborda temas como a precarização do trabalho e a escala 6×1.

A repercussão do reality levantou uma discussão sobre os limites legais quando a relação de trabalho se transforma em entretenimento.

Afinal, até onde um empregador pode expor seus funcionários? É possível exigir a participação? Um termo de uso de imagem é suficiente? E se o trabalhador desistir das gravações?

Para a advogada trabalhista Paula Borges, especialista em Direito do Trabalho do Ferraz dos Passos Advocacia e Consultoria, o caso envolve duas relações distintas: o contrato de trabalho e a participação em um produto de entretenimento.

Segundo ela, o vínculo empregatício, por si só, não autoriza a exploração comercial da imagem do trabalhador.Termo de imagem não basta

De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.

De acordo com a especialista, um simples termo de autorização de uso de imagem não é suficiente para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Segundo ela, seria necessário um contrato específico, separado do vínculo empregatício, prevendo a participação no reality, remuneração pelo uso da imagem, consentimento livre e informado do trabalhador e o cumprimento das regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Além disso, a participação deve ser efetivamente voluntária. "A atividade não faz parte das funções para as quais o trabalhador foi contratado. Por isso, a recusa não pode gerar punições, perda de benefícios ou até uma demissão. Qualquer consequência negativa na relação de emprego é ilegal", afirma.

Na avaliação da advogada, esse é justamente um dos pontos mais delicados do caso. "Na relação de trabalho, o funcionário pode sentir que precisa aceitar o convite por medo de desagradar o empregador ou sofrer alguma consequência, mesmo que ninguém faça uma ameaça direta. Por isso, a decisão de participar precisa ser realmente livre e sem qualquer tipo de pressão", completa.

Paula Borges afirma que o trabalhador pode desistir da participação a qualquer momento, já que o direito à imagem é um direito da personalidade e sua autorização pode ser revogada. Ela acrescenta que, caso o conteúdo exponha o funcionário a situações humilhantes ou constrangedoras, o empregador poderá responder judicialmente.

"A Justiça do Trabalho já possui entendimento consolidado de que obrigar empregados a participar de vídeos, brincadeiras ou situações potencialmente vexatórias extrapola os limites do poder diretivo do empregador e pode gerar indenização por danos morais", afirma.

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Alerta de alagamentos no RS: saiba se o seguro do seu carro cobre danos causados pela chuva

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 11:52

Carros Alerta de alagamentos no RS: saiba se o seguro do seu carro cobre danos causados pela chuva Alerta de inundações foi feito para o Rio Grande do Sul; segurados precisam estar atentos ao que diz a apólice para evitar perda de cobertura ou surpresas em caso de sinistro. Por Isabela Bolzani, g1

O CMDEC divulgou um Aviso Hidrometeorológico para inundações de cidades às margens de cinco rios do Rio Grande do Sul para os próximos dias.

O seguro automóvel é um tipo de proteção patrimonial, que pode ser contratada diretamente com uma seguradora, com uma corretora de seguros ou com um corretor registrado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Esse produto serve para proteger o carro segurado de eventuais prejuízos que possam acontecer no dia a dia, como uma colisão entre veículos ou casos de roubo, furto ou enchentes.

Existem vários tipos de cobertura que podem ser contratadas em um seguro automóvel. O seguro total (também conhecido pelo setor como seguro compreensivo) é a opção mais completa — e mais cara — oferecida pelo mercado.

É a cobertura contra desastres naturais que costuma indenizar os segurados nos períodos de chuva. Ela pode incluir proteção contra danos causados por enchentes, chuvas de granizo, quedas de árvores ou muros e ventos fortes, por exemplo.

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil Estadual (CMDEC) divulgou nesta terça-feira (28) um Aviso Hidrometeorológico para inundações de cidades às margens de cinco rios do Rio Grande do Sul para os próximos dias.

Existe a previsão de chuva moderada a forte que, associada às atuais condições dos rios, deve aumentar o risco de alagamentos e transbordamentos.

De acordo com a Defesa Civil, existe o risco de o nível dos rios ultrapassar temporariamente a marca de inundação em municípios localizados ao longo dos rios:

Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul;Taquari, entre Encantado e Taquari;Caí, entre São Sebastião do Caí e Montenegro;Sinos, entre Campo Bom e São Leopoldo;Gravataí, entre Gravataí e Cachoeirinha.

O g1 falou com especialistas para entender quais são os direitos do motorista ao acionar o seguro em casos de danos causados pela chuva e desastres naturais.

Para o mercado segurador, o período de chuvas é marcado por um aumento no volume de sinistros (casos em que ocorre um prejuízo ao bem segurado que esteja especificado na apólice) e de indenizações — principalmente no que diz respeito aos seguros de automóveis.

Mas alguns acidentes ou ocorrências podem não estar cobertos pelo seguro. Tudo depende do que o cliente contratou e de como o dano aconteceu.

O seguro automóvel é um tipo de proteção patrimonial, que pode ser contratada diretamente com uma seguradora, com uma corretora de seguros ou com um corretor registrado na Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Esse produto serve para proteger o carro segurado de eventuais prejuízos que possam acontecer no dia a dia, como uma colisão entre veículos ou casos de roubo, furto ou enchentes.

Existem vários tipos de cobertura que podem ser contratadas em um seguro automóvel. O seguro total (também conhecido pelo setor como seguro compreensivo) é a opção mais completa — e mais cara — oferecida pelo mercado.

Colisão (perda total ou parcial);Colisão com seguro contra terceiros;Roubo e furto;Desastres naturais; entre outros.

E é a cobertura contra desastres naturais que costuma indenizar os segurados nos períodos de chuva. Ela pode incluir proteção contra danos causados por enchentes, chuvas de granizo, quedas de árvores ou muros e ventos fortes, por exemplo.

É preciso, no entanto, que o cliente esteja atento na hora da contratação do seguro para ter certeza de quais riscos e danos estão previstos na apólice.

“O mercado segurador cada vez mais tem os chamados produtos de entrada, que eventualmente têm algum tipo de restrição de cobertura, mas ajudam a resolver os problemas mais procurados pelos clientes”, disse o diretor de automóvel da Porto Seguro, Jaime Soares.

“Mas o preço do seguro às vezes fica muito barato exatamente porque vem com restrição de cobertura. Então é fundamental que o consumidor entenda qual oferta está recebendo”, acrescentou.

Os chamados seguros de entrada são produtos mais baratos, que possibilitam a personalização pelo cliente. Nesse caso, o segurado opta por quais coberturas gostaria de ter em seu veículo e paga o preço proporcional.

Os danos que podem ser indenizados pela apólice dependem das coberturas compradas pelo cliente na hora da contratação do seguro.

São chamados de sinistros todos os acidentes ou ocorrências que estejam especificados na apólice. É nesse documento que estão registrados os direitos e obrigações do segurado e da seguradora, bem como as informações do seguro contratado, as coberturas e franquias.

Caso o seu carro fique preso em uma enchente devido às chuvas e sofra algum dano, por exemplo, é preciso que você tenha contratado a cobertura contra desastres naturais para que seu caso seja considerado um sinistro e você possa pedir indenização à seguradora.

Mas, se o seu seguro só cobre casos de colisão entre veículos ou de roubo e furto, você pode ter que arcar com o prejuízo.

O cliente pode avisar a seguradora que houve um sinistro em até um ano da ocorrência. Depois desse prazo, o segurado perde o direito à indenização.

Além disso, há responsabilidade dos clientes em não gerar o chamado agravante de risco. Segundo a vice-presidente da comissão de seguro automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Keila Farias, agravar o risco é aumentar a probabilidade de ocorrência de dano no bem segurado.

“No caso de uma enchente, por exemplo, agravar o risco seria tentar passar com o carro em uma rua que está alagada e impedida para o trânsito”, exemplificou.

Nesses casos, ao tentar passar por uma rua alagada, que esteja com água na metade da altura do pneu para cima, o veículo tende a perder a aderência no asfalto, aumentando o risco de dano. Caso isso aconteça, o segurado corre o risco de ter que arcar com o prejuízo, mesmo tendo contratado a cobertura contra enchentes e inundações.

“Se você tenta passar o carro por uma rua que esteja alagada, primeiro você está colocando em risco sua própria vida. E, se for comprovado [que o cliente tentou passar pela via alagada], a pessoa acaba perdendo a cobertura, já que forçou uma situação [de dano]”, afirmou Soares, da Porto.

O preço desse produto varia conforme a quantidade de coberturas contratadas na apólice – assim, quanto mais coberturas, mais caro tende a ficar o seguro. Além disso, esse custo também pode variar a depender:

da idade e do gênero do condutor;da região em que ele mora e trabalha;do tipo de carro; entre outros condicionantes.

Em abril de 2026, os preços do seguro de automóveis recuaram 2,2% em comparação ao ano anterior. Os números são do Índice de Preços do Seguro de Automóvel (IPSA), elaborado pela TEx, plataforma de inteligência de dados.

A principal maneira de acionar o seguro do carro em caso de sinistro é contatando a seguradora por um de seus canais de comunicação. A forma mais comum é pelo telefone, disponibilizado no site oficial da seguradora ou na apólice.

Algumas seguradoras já fazem toda a comunicação com o cliente, incluindo o acionamento do sinistro, por meio de aplicativos de mensagem.

Nos casos em que o carro fica preso em uma enchente, os especialistas orientam a redobrar a atenção e tentar encontrar um lugar seguro para abrigo.

“A principal orientação é evitar regiões de risco e picos de alagamento”, disse Farias, da Fenseg.

“Mas se foi inevitável e a situação acabou acontecendo, a pessoa precisa tentar sair do carro em segurança, e esperar baixar a água em um lugar seguro. Ele pode até tentar avisar a seguradora na hora, mas dificilmente será possível tirar o carro antes de a água baixar”, completou. “Depois é só esperar o guincho chegar.”

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Brasil e Argentina já estiveram em guerra?

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 11:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%MoedasDólar ComercialR$ 5,1350,25%Dólar TurismoR$ 5,3340,16%Euro ComercialR$ 5,8490,28%Euro TurismoR$ 6,0870,16%B3Ibovespa175.270 pts-0,73%Oferecido por

Caçadores brasileiros repelindo a cavalaria argentina na Batalha de Passo do Rosário, em tela de José Washt Rodrigues de 1937 — Foto: Domínio público

A rivalidade entre brasileiros e argentinos é recheada de episódios que transcendem as piadas, as provocações de parte a parte e o mundo do futebol.

Muito antes das rusgas provocadas por declarações públicas do atual presidente de direita radical Javier Milei, os dois mais importantes países sul-americanos já lutaram em lados opostos em duas guerras, viveram tensões por conta de fronteiras e um século 20 de constantes estranhamentos e atritos — praticamente uma longa guerra fria, só plena e oficialmente pacificada com a assinatura do tratado que criaria o Mercosul, em 1991.

"Conflitos entre Brasil e Argentina remetem ao período em que ambos os países ainda não eram nações, quando portugueses e espanhóis, colonos, bandeirantes, jesuítas e povos originários, já conflitavam acerca de interesses principalmente na região da Bacia do Prata", lembra o historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie.

"Brasil e Argentina já estiveram em guerra, e foram duas", afirma o historiador Fábio Ferreira, professor na Universidade Federal Fluminense (UFF) e criador do canal no YouTube e da revista Tema Livre.

Mas ele faz uma ressalva importante: na época, a Argentina ainda não era um Estado nacional constituído como hoje — e o Brasil era um império.

A primeira guerra de fato entre os dois países remonta a uma época em que o Brasil era um império recém-independente de Portugal e a Argentina ainda não havia se organizado em um Estado federativo — vivia uma longa guerra civil, concluída apenas em 1861 em consequência da sua independência da Espanha. Desta forma, oficialmente a contenda foi protagonizada pelo Império do Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata.

Embarque da Divisão de Voluntários Reais para a Cisplatina em 1816, em tela de Debret feita em1825 — Foto: Domínio público

Esta pioneira disputa bélica entre Brasil e Argentina foi a Guerra da Cisplatina. Historiadores argentinos, aliás, costumam chamar o episódio de Guerra do Brasil ou de Guerra Argentino-Brasileira. O episódio ocorreu entre 1825 e 1828. Em disputa, estava o controle da Província Cisplatina, território hoje correspondente em grande parte ao Uruguai.

Em linhas gerais, a raiz da questão está no fato de que a Cisplatina havia sido incorporada pelo então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 1821.

"A região estava em processo de intensa guerra civil desde 1810", diz Ferreira. O governo português havia conquistado a região porque se preocupava tanto com a navegação nos rios de lá quanto com a "própria integridade territorial" do Brasil, pontua o historiador. Os portugueses se aliaram com elites locais e puseram um governador em Montevidéu.

"Com a Independência do Brasil, houve uma divisão: para onde iria a Cisplatina", conta Ferreira. "Diversos grupos não queriam a manutenção do vínculo com o Império do Brasil."

Mas a anexação da região se manteve depois da independência brasileira de Portugal. Em 1825, contudo, uma insurreição sulista, organizada por um grupo chamado de Trinta e Três Orientais, proclamou a separação da província.

Ferreira explica que houve apoio do governo de Buenos Aires e campanhas militares buscando essa desvinculação do império brasileiro. Depois de apenas observar por um tempo, o imperador Pedro 1º (1798-1834) declarou guerra aos argentinos.

Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em tela de Eduardo de Martino feita em 1880 — Foto: Domínio público

Pesquisador do período imperial brasileiro e autor de livros sobre personagens dessa época, o youtuber Paulo Rezzutti acredita que "a rivalidade histórica entre Espanha e Portugal" pelo controle do Rio da Prata acabou sendo herdada pelos países sul-americanos — e isso incensou o início do conflito cisplatino. "É a mesma rivalidade geopolítica histórica que acabou sendo incorporada pelas populações em geral", comenta ele.

Houve batalhas terrestres e operações navais no Atlântico Sul e no estuário platino. O desfecho veio com a interferência britânica — os ingleses tinham interesses comerciais no equilíbrio de poder regional. O resultado foi a criação de um novo país, o Uruguai.

"O acordo de paz, em 1828, criou o que depois se tornaria a República Oriental do Uruguai", diz Ferreira.

"Muitos chamam a solução de 'criação de um país-tampão', justamente para estancar a rivalidade entre Brasil e Argentina pelo controle da região do Prata", comenta Missiato.

Para ele, embora nenhum dos dois países tenha conquistado o território em disputa, a situação foi mais benéfica para a Argentina, que não só afastou o Brasil daquele entorno como passou a ter uma proximidade cultural e linguística maior com o novo país.

A contenda foi desencadeada pela ascensão do oficial militar Juan Manuel de Rosas (1793-1877) como ditador argentino e sua vontade de manter Paraguai e Uruguai sob suas esferas de influência, deixando o Brasil de escanteio — no horizonte de seus planos estava a eventual recriação de uma unidade política regional semelhante ao antigo Vice-Reinado da Prata.

Sob o pretexto de que isso feria a soberania do império, já que tais planos incluiriam terras da então província do Rio Grande do Sul, a corte do Rio de Janeiro declarou guerra. Formou-se uma aliança com Uruguai, Paraguai e forças argentinas contrárias ao ditador.

"Essa aliança pretendia derrubar o governo de Rosas", resume Ferreira. Depois de diversas batalhas, a de Monte Caseros, em 1852, marcou o fim da guerra, com vitória para os aliados contra os argentinos.

"Com isso, o Brasil evitou uma expansão territorial argentina que estava no radar do presidente Rosas", diz Missiato. O ditador deposto conseguiu fugir e exilou-se no Reino Unido, onde passaria o resto da vida.

Na década seguinte, ambos os países estiveram no mesmo time. Era a Guerra do Paraguai, conflito que durou de 1864 a 1870, em que Brasil, Argentina e Uruguai lutaram contra o Paraguai. Missiato lembra, entretanto, que nem tudo foi amizade entre brasileiros e argentinos — "houve conflitos diplomáticos" em diversos momentos entre os países.

O outro grande incidente entre os dois países data de um período em que ambos já eram Estados plenamente constituídos e republicanos.

Ferreira salienta que, se for considerado esse período em que ambas as nações estavam plenamente constituídas, também é possível dizer que Brasil e Argentina nunca estiveram em guerra armada. "Isso não significa que não houve desconfianças múltiplas e interesses conflitantes", ressalta.

Neste terceiro episódio, portanto, o atrito não chegou às armas. Entre 1890 e 1895, Brasil e Argentina empreenderam uma disputa pela posse de parte dos hoje Estados brasileiros de Santa Catarina e Paraná. O episódio ficou conhecido como Questão de Palmas. "Os dois países discordavam quanto aos limites territoriais", contextualiza Ferreira. "As fronteiras ainda estavam indefinidas."

Na realidade, não havia consenso sobre uma extensa área de terras no oeste desses Estados. Argentinos citavam o Tratado de Madri, de 1750, para argumentar que a fronteira seria no curso dos rios Chapecó e Chopim. O Brasil não concordava. Para demarcar posição, o governo imperial de Pedro 2º (1825-1891) mandou fundar ali duas colônias militares em 1882.

Depois da proclamação da República, o então ministro das Relações Exteriores Quintino Bocaiúva (1836-1912) chegou a assinar um acordo que previa a divisão da região entre as duas nações. Mas o documento acabou rechaçado pelo Congresso, que entendia que o diplomata havia extrapolado suas atribuições e cedendo demais ao país vizinho.

O caso foi submetido à arbitragem internacional e o encarregado de decidir foi o então presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland (1837-1908). Para defender os interesses brasileiros, foi nomeado o diplomata e advogado José Paranhos Júnior (1845-1912), o Barão do Rio Branco. "Ele teve papel fundamental para essa conquista", ressalta Missiato.

Rio Branco preparou um amplo arrazoado em seis volumes em torno do argumento de que, a partir do princípio do uti possidetis — ou seja, quem de fato ocupa, tem a posse — aquelas terras deveriam ser consideradas brasileiras. Vitória do Brasil.

Passagem do Tonelero durante a Guerra do Prata (1851-52), em litografia de Alejandro Bernheim e Carlos Penutti — Foto: Domínio público

Ao longo do século 20 a relação entre os dois países também teve episódios de atritos mais intensos. "Mas as coisas ganharam contornos mais burocráticos e diplomáticos", diz Missiato.

"No início do século passado, quando o Brasil empreendeu seu rearmamento naval, houve insatisfação de setores políticos argentinos. Mas isso não significou rompimento nas relações", lembra Ferreira.

Mas quase houve guerra. Conforme conta a historiadora Érica Cristina Alexandre Winand, em sua tese de doutorado defendida em 2010 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o episódio ocorreu na presidência de Figueroa Alcorta, entre 1906 e 1910, quando foi ministério das Relações Exteriores da Argentina o jurista Estanislao Zeballos (1854-1923) — "declarado antibrasileirista", ressalta ela.

Utilizando-se do jornal do qual havia sido um dos fundadores, o La Prensa, ele patrocinou uma campanha de hostilidades ao Brasil, argumentando que o "ultraprotecionismo" econômico que estaria sendo praticado pelos brasileiros estava "desmoronando a economia" da Argentina.

Em carta do próprio Zeballos, ele admitia que havia sugerido ao governo argentino que formalizasse um pedido de "partilha da esquadra" brasileira e, em caso de negativa ou de não resposta em oito dias, o Rio de Janeiro seria invadido. "Segundo os ministros da Guerra e da Marinha era um ponto estudado e fácil, pela situação indefesa do Brasil", escreveu ele.

O ministro foi forçado a renunciar. "Até o apaziguador Rio Branco estava consciente de que a alternativa à saída de Zeballos era a guerra contra a Argentina", diz a historiadora, na tese.

Durante a Segunda Guerra, quando o Brasil se alinhou ao lado dos Aliados, em 1942, houve animosidades. Os argentinos desconfiavam que o Brasil fosse um títere dos norte-americanos a buscar influências no sul. A Argentina só deixaria a neutralidade na Segunda Guerra em 1944 — também contra o Eixo. "Eles nos viam como espécie de agentes dos Estados Unidos na América do Sul", comenta o historiador Ferreira.

Outro momento de intensas rusgas foi quando o Brasil construía a Usina de Itaipu, de 1975 a 1982. Nos escaninhos dos poderes, circulava o temor de que, em eventual conflito, os brasileiros poderiam abrir as comportas da usina completamente — e isso supostamente inundaria Buenos Aires.

Para o historiador Missiato, foi um momento de tensão diplomática que gerou uma corrida discursiva e tecnológica. Era um período em que ambos os países desenvolviam seus programas nucleares — para fins meramente de utilizar a tecnologia para obtenção de energia elétrica, ressalte-se.

Mas, nessa verdadeira guerra fria entre Brasil e Argentina, não faltavam desconfianças de parte a parte. Diversas tratativas diplomáticas e conversas entre lideranças foram necessárias. Como diz a historiadora Winand, "fazia-se premente ampliar as bases da confiança mútua e da transparência neste campo, a fim de eliminar suspeitas de agressão mútua". Em sua tese, ela classifica a questão nuclear entre os dois países de "sutil".

Ferreira ressalta que as disputas entre Brasil e Argentina também sempre tiveram em seu cerne o desejo de ambos os países de "influenciar os destinos dos vizinhos", assumindo posição de hegemonia no continente sul-americano.

"Tudo parecia resolvido com a redemocratização", afirma Missiato, lembrando que os então presidentes brasileiro José Sarney e argentino Raúl Alfonsín (1927-2009) iniciaram a aproximação que desencadearia no Mercosul na década seguinte.

A amizade entre Brasil e Argentina seria selada em 1991, finalmente. "A rivalidade histórica se diluiu após o tratado", afirma Missiato.

Resta saber se resistirá ao episódio desencadeado pelas farpas do atual presidente argentino. "Menos de 100 anos depois da Questão de Palmas houve a assinatura do Mercosul. Se analisarmos do ponto de vista historiográfico, em um período relativamente curto, passamos a estar unidos", analisa Ferreira. "Que a rivalidade entre Brasil e Argentina se restrinja apenas ao futebol."

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OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 11:52

Tecnologia OpenAI diz que ataque de sua IA atingiu mais alvos do que se sabia A inteligência artificial descontrolada encontrou quatro logins que lhe permitiram acessar diversos serviços online não identificados. Por BBC

A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou que o ataque cibernético realizado por alguns de seus modelos de inteligência artificial mais avançados atingiu mais de uma empresa.

Acreditava-se que a Hugging Face, uma espécie de biblioteca digital de tecnologia muito usada por desenvolvedores, era a única vítima do ataque sem precedentes. Mas a OpenAI agora admitiu que seu bot atacou diversos "serviços disponíveis publicamente".

A IA descontrolada encontrou quatro logins online que lhe permitiram acessar quatro serviços distintos e não identificados.

Enquanto isso, em uma reunião de emergência com centenas de profissionais de segurança cibernética, a Hugging Face descreveu como foi estar do outro lado do primeiro ataque de IA totalmente autônomo do mundo.

A empresa descreveu que a IA operou em velocidade sobre-humana, mas também tomou decisões estranhas e cometeu erros que nenhum hacker humano teria cometido.

A Hugging Face, que funciona como uma loja de aplicativos para ferramentas de IA, afirmou que os agentes hackers trabalharam incansavelmente com milhares de métodos diferentes testados simultaneamente.

A empresa revelou pela primeira vez que havia sido hackeada por alguém usando uma IA autônoma poderosa em 16 de julho e denunciou o caso à polícia.

Quase uma semana depois, a OpenAI admitiu que foi sua IA que escapou de um ambiente fechado e atacou a Hugging Face por conta própria durante um teste.

A IA estava tentando encontrar as respostas para um teste de hacking que havia sido elaborado pela OpenAI e atacou a Hugging Face.

Nesta quarta-feira (29/07), a OpenAI atualizou sua declaração para incluir o detalhe adicional de que o ataque foi além do que se pensava inicialmente.

"Os modelos identificaram e usaram credenciais expostas publicamente em nível de conta em outros serviços disponíveis publicamente. Isso inclui quatro contas em quatro serviços como parte do incidente com a Hugging Face", disse a empresa.

A OpenAI não esclareceu se, com "serviços disponíveis publicamente", estava se referindo a empresas.

Na terça-feira (28), a Cloud Security Alliance (CSA), associação do setor, publicou um relatório baseado em uma reunião de emergência com a Hugging Face realizada na semana anterior — relatório esse que a própria Hugging Face revisou.

"Os agentes seguiram rotas ineficientes e exibiram comportamentos desajeitados que nenhum humano escolheria", escreveu a CSA.

Ainda segundo o relatório, os agentes repetiram ações que já haviam concluído — um sinal de uma IA perdendo o fio da meada e o contexto.

Eles também teriam alucinado com uma série de comandos e textos incoerentes, agido de forma descuidada e não apagado seus rastros adequadamente.

Mas, em meio aos erros e comportamentos estranhos, a Hugging Face alertou que os agentes de IA também fizeram movimentos técnicos brilhantes e foram capazes de se adaptar rapidamente a novos cenários durante o ataque, que durou vários dias.

Foram necessários três dias para que os agentes fossem descobertos dentro da rede de TI da Hugging Face, e os especialistas em IA e segurança cibernética da empresa levaram várias horas para conter e expulsar os invasores — algo com que empresas comuns teriam dificuldades.

A empresa não revelou o custo do ataque, mas afirmou que a equipe trabalhou por muitas horas para reconstruir cerca de um terço de sua infraestrutura.

A Hugging Face foi elogiada por sua transparência ao relatar o ocorrido ao setor de IA e segurança cibernética.

A CSA alertou que o incidente demonstra que os agentes de IA "encontraram um meio" — uma referência à frase "a vida encontra um meio", dita pelo personagem Dr. Ian Malcolm, no filme Jurassic Park, em relação à capacidade da natureza de se adaptar.

"Eles são orientados por objetivos, definem suas próprias submetas, adaptam-se em tempo real para contornar defesas e operam com uma persistência na velocidade de uma máquina que pode sobrepujar operações manuais", diz o relatório.

O oficial de segurança cibernética Ritesh Patel, que participou da reunião de emergência da Hugging Face com cerca de 450 outras pessoas, afirma que o setor está trabalhando arduamente para lidar com a nova ameaça de agentes de IA maliciosos.

"Esta é a realidade dos agentes autônomos movidos por modelos de ponta: eles são implacavelmente persistentes, às vezes extremamente ruidosos e tentarão todos os caminhos possíveis para atingir seu objetivo, o que pode facilmente sobrecarregar as defesas tradicionais", disse ele.

A hacker ética Valentina Palmiotti — mais conhecida como Chompie — analisou o relatório da CSA e afirma que a maneira como os agentes hackeiam pode parecer aleatória, mas é claramente eficaz.

O relatório da CSA cita exemplos anteriores, como o de setembro de 2024, quando um modelo anterior do ChatGPT "escapou" para obter uma resposta necessária para outro teste.

Mas, segundo o documento, o comportamento "descontrolado" "é a norma, não a exceção".

O relatório também alerta os profissionais de segurança cibernética em todo o mundo sobre a necessidade de se adaptarem ao novo normal de enxames de agentes de IA trabalhando rapidamente de maneiras estranhas e desajeitadas, o que pode levar a mais violações de segurança.

O documento ainda instou pessoas que usam ou desenvolvem agentes de IA a serem responsáveis ​​na forma como os controlam, defendendo alguma maneira para que os defensores da segurança cibernética descubram quem é o proprietário final dos agentes, a fim de aumentar a transparência.

Relatórios anteriores sugerem que a OpenAI levou quatro dias para perceber que sua IA havia hackeado a Hugging Face.

A OpenAI afirmou que divulgará em breve as conclusões de sua própria investigação para ajudar as pessoas a aprenderem com o ocorrido.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Anac limita venda de passagens de empresa argentina após cancelamento de 79% dos voos no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 10:06

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%Oferecido por

A Anac limitou a venda de passagens da Flybondi nesta quarta-feira (29). A medida ocorre após a aérea argentina cancelar 79% de seus voos no Brasil.

A fiscalização apontou indícios de deterioração operacional da companhia aérea. Com a restrição, a Flybondi fica impedida de vender bilhetes para novos destinos e ampliar sua malha.

A agência determinou a suspensão das vendas para a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro a partir de 3 de agosto de 2026. A aérea deve comprovar os ajustes antes.

O monitoramento identificou divergências em voos e aumento de reclamações. Os problemas incluem dificuldades nos canais de comunicação, atrasos em reembolsos, alterações de voos e falta de assistência.

Passagens já compradas não são afetadas e reembolsos devem ocorrer em até 7 dias. A restrição poderá ser suspensa se a Flybondi restabelecer a regularidade de suas operações.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta quarta-feira (29) ter limitado a venda de passagens da companhia aérea argentina Flybondi no Brasil após identificar uma sequência de cancelamentos de voos, redução das operações e problemas no atendimento aos passageiros.

A decisão foi tomada por meio de medida cautelar e entrou em vigor nesta quarta. Segundo a agência, entre 1º e 27 de julho, a empresa cancelou 79% dos voos registrados no país.

De acordo com a Anac, a fiscalização apontou indícios de deterioração da capacidade operacional da companhia e riscos de prejuízos aos consumidores.

Com a medida, a Flybondi fica impedida de vender passagens para destinos brasileiros ainda não atendidos efetivamente por sua operação: Florianópolis (SC), Maceió (AL) e Salvador (BA) (leia mais abaixo).

Além disso, a empresa não poderá ampliar a malha aérea cadastrada junto à Anac. Na prática, a companhia está proibida de incluir novos destinos, frequências ou operações no Brasil.

A agência também determinou a suspensão da venda de passagens para a rota Buenos Aires-Rio de Janeiro (Galeão) a partir de 3 de agosto de 2026, caso a empresa não comprove, até essa data, a adoção de ajustes operacionais capazes de garantir a regularidade do serviço.

Segundo a Anac, o monitoramento das operações identificou uma sequência de cancelamentos de voos, divergências entre a programação cadastrada e os voos efetivamente realizados e aumento no número de reclamações de passageiros.

Os dados analisados pela agência também indicam queda contínua na quantidade de operações realizadas pela companhia ao longo de 2026 e aumento dos cancelamentos.

A fiscalização apontou ainda problemas relacionados ao atendimento aos consumidores, incluindo dificuldades nos canais de comunicação, reclamações sobre reembolsos, alterações de voos e assistência a passageiros afetados.

Em caso de cancelamento de voo, a Flybondi continua responsável pela assistência aos clientes e por oferecer opções de reacomodação gratuita ou reembolso integral. Segundo a Anac, o reembolso deve ser feito em até sete dias após a solicitação.

A Anac informou que a restrição poderá ser revista ou revogada caso a companhia apresente medidas capazes de restabelecer a regularidade das operações e afastar os riscos identificados pela fiscalização.

Segundo a agência, a análise levará em conta documentos e informações que comprovem capacidade operacional, atendimento adequado aos passageiros e cumprimento das obrigações regulatórias.

A Flybondi é uma companhia aérea de baixo custo da Argentina e opera rotas entre cidades argentinas e destinos brasileiros.

A empresa já foi alvo de medidas da Anac anteriormente relacionadas a atrasos e cancelamentos em suas operações no Brasil.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Dólar abre em queda, com foco em nova decisão de juros do Fed

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 10:06

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%Oferecido por

O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (29) em leve queda, com um recuo de 0,03% perto das 9h10, cotado a R$ 5,1201. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.

▶️ A nova decisão de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) é o principal destaque da sessão. A expectativa é que a instituição mantenha as taxas inalteradas na reunião desta quarta-feira, em meio a um mercado de trabalho ainda forte nos Estados Unidos e inflação acima da meta.

▶️ As tensões no Oriente Médio também seguem no radar. Na véspera, o Irã acusou os EUA de ter bombardeado o seu território. A acusação acontece um dia após a guarda Revolucionária iraniana ter lançado um ataque surpresa contra uma base americana na Jordânia.

Com o novo aumento das tensões, os preços do petróleo voltaram a subir. Perto das 8h45, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 4,98%, cotado a US$ 88,28. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 4,73% no mesmo horário, a US$ 83,01 o barril.

O Irã acusou os Estados Unidos de ter lançado um bombardeio contra seu território nesta quarta-feira (29). Caso confirmado, o ataque seria o primeiro feito pelos EUA contra o Irã nesta semana. Segundo Teerã, a cidade de Piranshahr, no noroeste, foi atingida.

A acusação ocorre um dia após a Guarda Revolucionária iraniana ter lançado um ataque surpresa contra uma base americana na Jordânia, rompendo um período de alguns dias sem ataques no Oriente Médio. Segundo o Exército dos EUA, todos os mísseis iranianos foram interceptados.

"Às 17h45 ET de hoje (18h45 em Brasília), forças da Guarda Revolucionária Islâmica lançaram vários mísseis balísticos a partir do Irã em uma tentativa de ataque surpresa contra forças dos EUA baseadas no Oriente Médio. Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso. As forças dos EUA permanecem vigilantes e em alto estado de prontidão", disse uma nota divulgada pelo Comando Central (CentCom) americano.

Em resposta, os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques em conjunto contra militantes pró-Irã baseados no Iraque. Na madrugada desta quarta (29), a Autoridade de Mobilização Popular do Iraque disse que registrou diversas mortes e feridos nos ataques.

Com isso, as preocupações sobre os efeitos diretos e indiretos da guerra voltam a tomar conta dos mercados. O principal temor é que o conflito continue a limitar o tráfego no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo —, limitando a oferta global da commodity.

Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, conforme investidores passaram a se concentrar em setores voltados para o consumo.

O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, subiu 2%, enquanto o Índice de Xangai, o SSEC, avançou 0,70%.

Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 2%. Na contramão, o Nikkei, do Japão, recuou 1,49% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 5,89%.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Mais de mil profissionais da indústria de IA pedem freio no avanço da tecnologia; temor é perder o controle

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 10:06

Tecnologia Mais de mil profissionais da indústria de IA pedem freio no avanço da tecnologia; temor é perder o controle Documento assinado por mais de mil funcionários das principais empresas de inteligência artificial, entre elas OpenAI, Google DeepMind, Meta e Anthropic, pede que o governo dos EUA ajude a desacelerar o desenvolvimento dos modelos mais avançados para que sua evolução não supere a capacidade humana de compreendê-los e controlá-los. Por France Presse

Mais de 1.000 funcionários de empresas de Inteligência Artificial assinaram petição pedindo ao governo dos Estados Unidos para ajudar a frear a publicação de modelos avançados de IA.

Entre os signatários estão o CEO da Anthropic, Dario Amodei, o diretor de pesquisas da OpenAI e líderes da DeepMind e da Meta AI.

Recentemente, a OpenAI revelou que dois de seus modelos saíram de seu ambiente de confinamento, se conectaram à internet e invadiram o Hugging Face.

Mais de mil funcionários das principais empresas de Inteligência Artificial, incluindo o CEO da Anthropic, Dario Amodei, assinaram uma petição para que o governo dos Estados Unidos ajude a frear a publicação dos modelos mais avançados de IA.

A petição, com o título "Pacing the frontier", solicita que "o governo dos Estados Unidos apoie um esforço internacional para desenvolver as ferramentas técnicas e de governança necessárias para controlar deliberadamente o ritmo da fronteira do desenvolvimento da IA automatizada".

OpenAI diz que sua IA agiu por conta própria e lançou um ataque cibernético 'sem precedentes'

Entre os signatários estavam o diretor de pesquisas da OpenAI, o líder de estratégia da DeepMind, empresa de IA subsidiária do Google, e o cientista-chefe da Meta AI.

"As empresas líderes em IA no mundo acreditam que podem estar perto de automatizar a pesquisa em IA. É difícil prever exatamente o quanto isto vai acelerar o progresso da IA, mas há um risco real de que a capacidade de desenvolvimento avance além da nossa habilidade de compreender ou controlar os sistemas resultantes", afirma a petição.

➡️Embora Sam Altman, CEO da OpenAI, não tenha assinado a petição, ele afirmou em uma entrevista publicada na terça-feira que os desenvolvedores de modelos de IA terão que frear voluntariamente os rápidos avanços para que a sociedade possa acompanhá-los.

A empresa de Altman, que desenvolveu o ChatGPT, observou recentemente dois de seus modelos executando ciberataques de forma autônoma, contornando os protocolos de segurança concebidos para evitar tais incidentes.

A OpenAI revelou na semana passada que, durante testes recentes, dois modelos saíram de seu ambiente de confinamento, conectaram-se à internet e invadiram o Hugging Face, um repositório de código compartilhado de IA.

"Talvez precisemos controlar o ritmo do desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente para que a sociedade se consolide em torno de alguns destes novos níveis de capacidade" declarou Altman no podcast "Invest like the best", publicado na terça-feira.

"Este é o primeiro tipo de incidente de segurança que eu senti de forma muito visceral", declarou sobre o ciberataque. Relembre o caso na matéria abaixo:

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 07:52

Carros BMW vai cortar milhares de empregos na Alemanha até 2027 Programa de demissão voluntária faz parte de plano para reduzir custos em meio à queda dos lucros, demanda fraca na China e desafios do setor automotivo. Por Reuters

A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que cortará milhares de empregos na Alemanha até 2027 por meio de demissão voluntária. A medida visa conter a queda dos lucros.

O programa, negociado com trabalhadores, focará nas áreas de administração e desenvolvimento. Segundo uma fonte, a redução deve atingir cerca de 8 mil postos de trabalho.

Outras marcas alemãs também cortam vagas devido aos custos com elétricos. Na segunda-feira (27), a Porsche anunciou plano para reduzir 20% da sua força de trabalho.

Trabalhadores da Audi protestaram nesta quarta-feira (29) contra fechamentos. Enquanto isso, a BMW já havia reduzido sua previsão de lucro em junho.

O executivo-chefe Milan Nedeljkovic afirmou que as medidas são necessárias para aumentar a lucratividade. A montadora divulgará seus resultados financeiros nesta quinta-feira (30).

Logotipo da BMW em veículo exibido no Salão Internacional do Automóvel de Pequim (Auto China), em Pequim, na China. — Foto: Reuters

A BMW anunciou nesta quarta-feira (29) que vai cortar milhares de empregos na Alemanha até o fim de 2027 por meio de um programa de demissão voluntária.

A empresa é a mais recente montadora alemã a reduzir seu quadro de funcionários diante da queda dos lucros e da demanda fraca.

O programa de desligamento, negociado entre a montadora e o conselho de trabalhadores, será direcionado às áreas de administração e desenvolvimento, sem atingir as operações de produção, informou um porta-voz da empresa.

Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o número total de funcionários deve ser reduzido em cerca de 8 mil pessoas.

Outras montadoras alemãs, como Volkswagen e Mercedes-Benz, também anunciaram acordos para eliminar dezenas de milhares de postos de trabalho.

O setor automotivo do país enfrenta pressão devido aos altos custos da transição para veículos elétricos, à forte concorrência das fabricantes chinesas e às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Na segunda-feira (27), a Porsche, que faz parte do Grupo Volkswagen, ampliou seu plano de reestruturação e anunciou que pretende reduzir cerca de 20% de sua força de trabalho até 2035.

Também nesta quarta-feira, milhares de trabalhadores protestaram na fábrica da Audi em Neckarsulm, outra marca do Grupo Volkswagen. A unidade está entre as quatro fábricas alemãs ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da empresa.

Trabalhadores protestam em fábrica da Audi, em Neckarsulm, na Alemanha, uma das unidades ameaçadas de fechamento pelos planos de reestruturação da controladora Volkswagen. — Foto: Reuters

A BMW, que até recentemente era vista como uma das montadoras mais estáveis do setor, reduziu em junho sua previsão de lucro para este ano, citando um desempenho na China abaixo do esperado. As vendas de veículos no país vêm caindo acentuadamente nos últimos meses.

Após esse anúncio, o presidente-executivo, Milan Nedeljkovic, afirmou que a empresa aceleraria e intensificaria seus esforços para reduzir custos.

Nesta quarta-feira, durante uma assembleia de trabalhadores em Munique, Nedeljkovic disse aos funcionários que as regras do setor automotivo mudaram de forma significativa e, com isso, também mudou a base do modelo de negócios da BMW, segundo um participante da reunião.

O executivo alertou que a empresa enfrentará um período desafiador, mas afirmou que as medidas são necessárias para tornar a BMW mais lucrativa, de acordo com a fonte.

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Benefícios do PIX superam custos impostos ao Brasil pelas tarifas de Trump, diz Nobel de Economia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 06:55

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%MoedasDólar ComercialR$ 5,1220,2%Dólar TurismoR$ 5,3250,17%Euro ComercialR$ 5,8320,35%Euro TurismoR$ 6,0780,32%B3Ibovespa176.565 pts0,7%Oferecido por

O economista Joseph Stiglitz afirmou que as tarifas dos EUA contra o Brasil punem a independência do PIX. Para ele, os benefícios do sistema superam as taxas.

O Nobel de Economia parabenizou o Brasil por não capitular às pressões de Donald Trump. Stiglitz classificou as justificativas do governo americano como uma "farsa desonesta".

O economista avalia que o impacto das barreiras comerciais será pequeno. Como as exportações brasileiras são commodities, os fluxos comerciais serão facilmente redirecionados.

Stiglitz alertou que a estratégia de tarifas enfraquece a posição global dos Estados Unidos. Segundo ele, as medidas acabam fortalecendo a influência econômica da China.

Joseph Stiglitz foi economista-chefe do Banco Mundial e ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001 — Foto: AFP VIA GETTY IMAGES

Para o economista americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia e professor da Universidade Columbia, as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil são motivadas por uma tentativa de punir o país por buscar maior independência digital e por resistir a pressões políticas externas.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirma que o governo de Donald Trump se opõe ao avanço da autonomia tecnológica e financeira brasileira e, mais especificamente, ao PIX.

Segundo Stiglitz, Washington "não gosta da ideia de que o Brasil tenha seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard", e está, na prática, defendendo os interesses corporativos americanos ao incluir o PIX na lista de motivos para taxar as exportações brasileiras.

Apesar da escalada das tensões, ele avalia que os custos econômicos das tarifas tendem a ser limitados e faz uma defesa enfática do PIX, afirmando que os benefícios proporcionados pelo sistema de pagamento brasileiro são "quase certamente muito maiores" do que os prejuízos decorrentes das medidas americanas.

O Nobel de Economia afirma ainda que o presidente americano está usando barreiras comerciais para pressionar países que resistem aos seus interesses políticos e econômicos, entre eles o Brasil.

"Na visão de Trump, é uma audácia se levantar e dizer 'não vamos abrir mão da nossa democracia só para obter melhores condições tarifárias, não vamos capitular'. E ele espera que todos, internacionalmente e internamente, capitulem", diz o economista.

Preciso parabenizar o Brasil por não ter cedido às pressões de Trump, disse Nobel de Economia — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images/BBC

Na conversa com a BBC News Brasil, Joseph Stiglitz ainda classificou as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump como uma "farsa desonesta" e sustentou que a estratégia tarifária americana pode acabar enfraquecendo a posição dos Estados Unidos e fortalecendo a influência da China na economia global.

BBC News Brasil – Na sua visão, as tarifas implementadas pelos Estados Unidos contra o Brasil são baseadas nas conclusões pragmáticas obtidas por meio das investigações sobre práticas comerciais e combate ao trabalho forçado ou existem também motivações políticas?

Joseph Stiglitz – É tudo uma questão política. Não se trata, especialmente, da suposta questão do trabalho forçado, que é uma vergonha para os Estados Unidos. Enquanto alguns países tiveram aumento de 1%, outros tiveram redução de 1% ou 2% [em relação às tarifas impostas previamente, derrubadas pela Suprema Corte]. É incrível que haja esse grau de correlação entre o extenso trabalho forçado ao redor do mundo e as tarifas que Trump impôs, que não têm nada a ver com trabalho forçado. É uma farsa. Uma farsa desonesta que deveria ser motivo de vergonha.

Há outros aspectos interessantes: grande parte do trabalho forçado está associado à importação de mercadorias da China, na região de Uigur, mas a China não teve um aumento significativo ou maior que o de outros países, foi de 1% ou 2%. Seria de se esperar que, se a preocupação fosse realmente com o trabalho forçado, as tarifas mais altas fossem contra a fonte do trabalho forçado na China. Mas não foi o caso.

Há ainda mais constrangimento: os Estados Unidos submetem cidadãos americanos a trabalho forçado em larga escala, utilizando prisioneiros. Isso é permitido pela 13ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, e é algo muito extenso e significativo. No entanto, ele [Trump] não está fazendo nada a respeito. Portanto, fica muito claro: não se trata de trabalho forçado. Trata-se da agenda política de Trump associada à imposição de tarifas em todo o mundo.

Agora, no caso do Brasil, há alguns aspectos específicos. Ele [Trump] não gosta da ideia de que o Brasil deseje ter, digamos… independência digital. Ele não gosta da ideia de que o Brasil tenha seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard. Ou seja, ele está simplesmente servindo aos interesses corporativos americanos. Novamente, é constrangedor.

[As tarifas] não se baseiam nos princípios comerciais estabelecidos há muito tempo, são apenas um ataque ao Brasil porque, assim como a Índia e vários outros, o país decidiu que é bom ter meios de pagamento de baixo custo disponíveis para seus cidadãos.

Há outro elemento no Brasil, que remonta às tarifas impostas originalmente e que é totalmente político. Trump queria apoiar Jair Bolsonaro, que em 8 de janeiro [de 2023] fez algo análogo ao que ele fez em 6 de janeiro [de 2021], tentando impedir a transição pacífica de poder, o elemento essencial de uma democracia. Então, Trump está mais uma vez dizendo que não acredita realmente na democracia.

BBC News Brasil – Essa combinação de fatores também fez com que o Brasil fosse o primeiro país a ser atingido por essa nova onda de tarifas?

Stiglitz – Sim, acho que demonstra animosidade contra o Brasil. Pode-se dizer que, na visão dele [Trump], é uma audácia se levantar e dizer 'não vamos abrir mão da nossa democracia só para obter melhores condições tarifárias, não vamos capitular'. E ele espera que todos, internacionalmente e internamente, capitulem. Nos Estados Unidos, minha própria universidade capitulou. Harvard não. Alguns escritórios de advocacia capitularam, outros não. E eu preciso parabenizar o Brasil por não ter capitulado.

BBC News Brasil – Nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que as tarifas seriam consequência do comportamento do presidente Lula, que teria priorizado o seu próprio ego em detrimento de um acordo. Qual a sua opinião sobre esses comentários?

Stiglitz – Bem, Rubio está defendendo Trump. Mas, de certa forma, [as tarifas] foram uma consequência do Brasil se opor a Trump. E Trump não gosta que as pessoas o enfrentem. Ele atacou [a universidade de] Harvard quando ela se opôs, quando não capitulou.

Mas, por outro lado, ele não atacou a China, porque a China estava disposta a enfrentá-lo e, pode-se dizer, tinha as cartas na manga no controle das terras raras e minerais, e estava disposta a usar essas vantagens estratégicas.

Mas eu acho que o mundo como um todo, a União Europeia [UE], o Reino Unido, o Japão, cometeram um grande erro ao capitular aos caprichos de Donald Trump. Isso é ruim para a nova ordem nacional. Aqui na Europa, o único país que não capitulou fortemente foi a Espanha. Ele ameaçou aplicar tarifas especiais, mas não o fez, pois é muito difícil para ele fazer isso, por causa da participação da Espanha na UE. Mas esse tipo de protesto contra aqueles que não capitulam é o que se espera de uma figura autoritária como Donald Trump.

"Os benefícios do sistema de pagamentos que ele quer destruir [Pix] são quase certamente muito maiores do que os custos que estão sendo impostos ao Brasil", diz Stiglitz sobre tarifas dos EUA — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

BBC News Brasil – Quais poderiam ser as consequências econômicas dessa nova onda de tarifas para o Brasil?

Stiglitz – Na maior parte dos casos, não acho que haverá um impacto tão grande quanto os Estados Unidos esperam e quanto Trump deseja. O motivo é que grande parte das exportações brasileiras são commodities e, quando um país aplica tarifas contra commodities, estas são redirecionadas. Então, se os EUA não compram determinada commodity do Brasil, o Brasil envia mais para outro país, e esse país compra um pouco menos de um terceiro país. Portanto, trata-se de um rearranjo dos fluxos comerciais. Isso interfere na eficiência global, mas o efeito líquido é relativamente pequeno. E é por isso que o Brasil não deve se preocupar demais.

E os benefícios do sistema de pagamentos que ele quer destruir [PIX] são quase certamente muito maiores do que os custos que estão sendo impostos ao Brasil. E não há a menor possibilidade de um país abrir mão da sua democracia simplesmente porque uma figura autoritária como Donald Trump diz que, a menos que você faça isso, ele vai impor tarifas. A democracia é muito mais importante. E sabemos que Donald Trump está atropelando o Estado de Direito e a democracia, tanto em âmbito nacional quanto internacional.

BBC News Brasil – E considerando que agora outros 59 parceiros comerciais dos EUA também foram alvo de tarifas, quais poderiam ser as consequências em todo o mundo?

Stiglitz – Se observarmos o padrão das tarifas impostas, veremos que, com algumas exceções, como o Brasil, há pouca diferença em relação ao que já existia antes, o que não representará um trauma adicional para a ordem global.

Trump minou a arquitetura econômica global e a ordem global, e acho que isso tem um custo enorme. Aliás, devo acrescentar que não apenas as tarifas originais foram declaradas ilegais nos Estados Unidos pela Suprema Corte, mas também as tarifas que ele impôs posteriormente, que expiraram agora, e para as quais as novas tarifas servem de substitutas, também foram declaradas ilegais. E eles persistiram porque o processo piloto continuou.

Mas, assim como as primeiras tarifas tiveram que ser reembolsadas, as segundas tarifas também terão que ser reembolsadas. E há muitos questionamentos, processos já foram movidos… É muito claro que essas tarifas não seguem as intenções da Seção 301, ele está usando isso como uma lenda. Mas espero que os tribunais percebam que, ao fazer isso, ele não está realmente administrando a lei da maneira correta. É mais um exemplo de Trump atropelando o Estado de Direito.

BBC News Brasil – A atual estratégia americana pode estar empurrando os parceiros comerciais dos EUA para a China?

Stiglitz – Ela está mudando a ordem global, não apenas a econômica, mas também a política, e está fortalecendo a posição da China, sem dúvida. Os Estados Unidos não são mais um aliado confiável ou um parceiro comercial confiável. Quanto mais dependente dos Estados Unidos um país está, mais vulnerável se torna aos caprichos de Donald Trump. Portanto, nenhum país racional desejaria se tornar dependente dos Estados Unidos, seja para insumos, produtos ou qualquer outro propósito. Ironicamente, na área de relações internacionais, a China provou ser mais estável e mais aderente ao Estado de Direito.

BBC News Brasil – O fato de essas tarifas serem relativamente menos agressivas do que as que ele anunciou no ano passado diz algo sobre o poder e os limites da estratégia do governo Trump?

Stiglitz – A maioria dos americanos agora acredita, corretamente, que as tarifas são pagas pelos próprios consumidores americanos. Isso significa que, ao contrário de Trump, que diz que são os outros países que estão pagando, eles sabem que estão pagando por isso. Considerando o aumento de preços resultante da guerra com o Irã, os americanos não estão satisfeitos com as políticas econômicas do governo Trump.

Portanto, obviamente houve uma ampla reação negativa. Da mesma forma, o Congresso, pela Constituição, tem o direito exclusivo de impor impostos — e tarifas são impostos, são impostos para produtos importados. E ele [Trump] está tentando fingir que essa autoridade foi delegada a ele, o que não é verdade. Isso também limita seu poder.

Então, acho que tanto a economia quanto a política estão militando contra esse abuso de poder presidencial por Donald Trump.

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Brasil faz primeira operação usando vacas monitoradas por IA como garantia para empréstimos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 29/07/2026 05:56

Agro Brasil faz primeira operação usando vacas monitoradas por IA como garantia para empréstimos Rebanho tokenizado foi usado como garantia em uma operação registrada na B3. Com dados de saúde e localização dos animais, bancos conseguem reduzir riscos e ampliar o acesso ao crédito rural. Por Vivian Souza, g1 — São Paulo

O Brasil realizou a primeira operação de crédito na B3 com garantia de vacas monitoradas por inteligência artificial.

Colares monitoram comportamento, saúde e localização do gado leiteiro. Uma inteligência artificial prevê doenças e acompanha o tratamento dos animais em tempo real.

A tokenização em blockchain gera um código inviolável para rastreamento dos ativos. O registro impede que o mesmo animal seja ofertado como garantia em empréstimos diferentes.

Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil — Foto: Divulgação Cowmed

Para quem é do campo, usar animais como garantia em empréstimos bancários não é novidade. Mas uma nova tecnologia pode tornar esse modelo mais atrativo para as instituições financeiras: o monitoramento de vacas leiteiras.

O Brasil realizou a primeira operação de crédito registrada na B3 com um rebanho tokenizado como garantia.

Com o token, o banco passa a ter acesso às informações coletadas por um colar que monitora a saúde e a localização de cada vaca, o que dá mais segurança ao credor, explica Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, empresa responsável pela operação.

No empréstimo pioneiro no país, 10 animais foram avaliados em R$ 120 mil, permitindo a liberação de R$ 100 mil para a fazenda Engenho Velho, em Belo Horizonte (MG).

O especialista explica que operações com animais sempre foram "um patinho feio dentro do sistema financeiro". Segundo ele, uma vaca avaliada em R$ 20 mil costumava equivaler a apenas R$ 8 mil em garantia, por causa dos riscos atribuídos.

"O agente financeiro não tinha como saber onde estava aquele animal nem qual era a condição sanitária dele. Por conta dessas incertezas, ele começa a aplicar penalidades à operação, seja reduzindo o valor da garantia, seja aumentando o custo, como forma de compensar o risco", explica.

O uso de animais como garantia costuma ocorrer em empréstimos menores, voltados ao custeio da safra ou ao capital de giro, por exemplo. "O produtor rural prefere deixar a propriedade como garantia em operações maiores. Não faz sentido usar uma matrícula que vale R$ 10 milhões em uma operação de capital de giro de R$ 300 mil", afirma.

Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimos em operação inédita no Brasil — Foto: Divulgação / Cowmed

O colar com inteligência artificial foi desenvolvido pela Cowmed e é o primeiro voltado para vacas leiteiras. O equipamento monitora o comportamento do animal, incluindo alimentação, descanso, ruminação, respiração, temperatura e localização.

Com base nesses dados, a inteligência artificial consegue prever se o animal está saudável ou desenvolvendo alguma doença. Em caso de enfermidade, também é capaz de identificar se ele está sendo tratado e se apresenta melhora ou piora do quadro.

"É como um smartwatch no pescoço da vaca, só que muito mais avançado", explica Thiago Martins, CEO da Cowmed.

Embora as informações também sejam utilizadas pelo banco, o produto é contratado pelo pecuarista para auxiliar no manejo dos animais.

João Guilherme Brenner, proprietário da fazenda Engenho Velho, afirma que usa o colar nos animais há 10 anos. Segundo ele, os dados são consultados diariamente pelos veterinários. A novidade, agora, foi a tokenização.

"O proprietário seleciona os animais, envia para a tokenização e as informações seguem automaticamente para a plataforma. Dentro da blockchain, é criado um código único e inviolável, que permite à instituição financeira acessar os dados e rastrear esse ativo", informa o CEO da Cowmed.

O token registrado na B3 também impede que o mesmo animal seja usado como garantia em empréstimos diferentes.

"Nós entendemos que, para o produtor ter o máximo de eficiência, ele precisava escutar a vaca. É a vaca que tem que nos dizer se ela está apta a reproduzir, se ela está saudável ou não, se ela está gostando da comida ou não", diz Martins.

O colar também permite rastrear a produção de leite, pois reúne todo o histórico da vida produtiva do animal.

Leia também: Arroz, café, trigo e mais: como a crise dos fertilizantes — em ano de El Niño — pode pressionar preços

O banco tem acesso ao painel com informações sobre a saúde do gado. Se um animal morrer, a instituição é informada, e cabe ao produtor repor a cabeça, dependendo do quanto da dívida já foi quitado.

Brenner, diretor da Target FIDC, explica que o contrato estabelece uma razão de garantia de 1,2. Por isso, foi necessário oferecer R$ 120 mil em animais para obter um empréstimo de R$ 100 mil.

Assim, conforme a dívida é quitada, é preciso manter a equivalência de 1,2 em relação ao saldo devedor. Por isso, se uma vaca morrer depois de parte da dívida já ter sido paga, talvez não seja necessário repor o animal.

"A minha visão é que o mercado financeiro vai compreender que essa operação é muito melhor do que uma garantia com automóvel e até do que uma garantia com imóvel", afirma Brenner.

Segundo ele, no caso do automóvel, o banco não sabe onde o bem está nem em que estado de conservação se encontra. Além disso, se o veículo for retomado pela instituição financeira, pode permanecer por muito tempo em um pátio, deteriorando-se até ser leiloado.

Já o imóvel, apesar de ser considerado um "padrão ouro de garantia", exige que o banco tome o bem do proprietário, e dificilmente surgem compradores em leilões dispostos a pagar seu valor de mercado.

"O gado tem uma liquidez muito maior. Como é praticamente uma commodity, basta reduzir um pouco o preço para vender, com todo o histórico de sanidade. Então, fica muito mais fácil", diz.

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