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Entenda o que são o IBS e a CBS, novas siglas que chegam às notas fiscais a partir desta segunda-feira

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 11:54

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,0790,19%Dólar TurismoR$ 5,277-0,02%Euro ComercialR$ 5,8470,04%Euro TurismoR$ 6,082-0,28%B3Ibovespa177.514 pts-0,27%MoedasDólar ComercialR$ 5,0790,19%Dólar TurismoR$ 5,277-0,02%Euro ComercialR$ 5,8470,04%Euro TurismoR$ 6,082-0,28%B3Ibovespa177.514 pts-0,27%MoedasDólar ComercialR$ 5,0790,19%Dólar TurismoR$ 5,277-0,02%Euro ComercialR$ 5,8470,04%Euro TurismoR$ 6,082-0,28%B3Ibovespa177.514 pts-0,27%Oferecido por

A partir desta segunda-feira (3), empresas começam a adaptar as notas fiscais eletrônicas para incluir informações sobre dois novos tributos criados pela reforma tributária, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A medida faz parte da transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo e tem como objetivo preparar empresas e órgãos públicos para a substituição gradual dos impostos atuais.

Apesar de o cronograma ter começado nesta segunda, a Receita Federal informou que, neste primeiro momento, notas fiscais sem o preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS não serão rejeitadas automaticamente, enquanto os sistemas passam por adaptação.

A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) será um tributo federal que substituirá o PIS/Pasep e Cofins.Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) será compartilhado entre estados e municípios e substituirá o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).

Os dois tributos fazem parte do novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), criado pela reforma tributária para simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo.

Em 2026, as empresas que cumprirem as novas exigências da reforma tributária, como informar corretamente os dados nas notas fiscais, não precisarão pagar os novos tributos.

Caso seja necessário recolher os valores de teste — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS — a legislação prevê mecanismos de compensação com tributos federais, evitando aumento permanente da carga tributária nessa fase de transição.

A primeira etapa da implementação atinge empresas que não fazem parte do Simples Nacional e que emitem determinados documentos fiscais eletrônicos, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) e o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e).

Esses documentos passam a ter campos específicos para informar dados relacionados ao IBS e à CBS. A mudança envolve diferentes tipos de documentos fiscais usados pelas empresas para registrar vendas de produtos, prestação de serviços e operações de transporte.

A Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) é utilizada principalmente nas vendas de produtos entre empresas. É o documento emitido, por exemplo, quando uma indústria vende mercadorias para um supermercado ou quando uma empresa fornece produtos para outra empresa;Já a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) é a nota mais comum nas compras do dia a dia. Ela registra vendas feitas diretamente ao consumidor final, como a compra de alimentos em um supermercado, roupas em uma loja ou medicamentos em uma farmácia;O Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) não registra a venda de um produto, mas sim a prestação de um serviço de transporte de cargas. É o documento emitido por uma transportadora contratada para levar mercadorias de uma fábrica até uma loja ou outro estabelecimento.

O cronograma também contempla documentos utilizados em outras atividades, como transporte de passageiros, fornecimento de energia elétrica e cobrança de pedágios.

Segundo o advogado tributarista Mateus Pontalti, sócio do escritório Feitosa, Rodrigues e Pontalti, a principal mudança para as empresas é tecnológica.

"Os sistemas das empresas devem estar preparados para gerar os novos leiautes e informar corretamente os dados relativos ao IBS e à CBS."

A Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e), usada por empresas e profissionais que prestam serviços, como escritórios de advocacia, consultorias, clínicas médicas e empresas de arquitetura, segue um calendário diferente. Para a maior parte dos serviços atualmente tributados pelo ISS, a inclusão dos novos campos começa em 1º de outubro de 2026.

Embora o cronograma tenha entrado em vigor, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS anunciaram que a ausência ou inconsistência das informações sobre IBS e CBS não provocará, neste primeiro momento, a rejeição automática das notas fiscais.

Segundo os órgãos, um Ato Técnico Conjunto formalizará a suspensão temporária da obrigatoriedade do preenchimento dessas informações em documentos como NF-e, NFC-e, CT-e, BP-e, NF3-e e NFCom, além de atualizar as regras técnicas para a implementação da reforma.

"Embora já exista a obrigação de adaptação da Nota Fiscal Eletrônica, da Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, do Conhecimento de Transporte Eletrônico e dos demais documentos abrangidos por essa etapa, o contribuinte poderá, neste primeiro momento, continuar emitindo os documentos sem o preenchimento dos novos campos do IBS e da CBS, sem que o sistema os rejeite automaticamente."

🔎 Para o consumidor, neste primeiro momento, a principal mudança será na forma como os impostos aparecem na nota fiscal. Os documentos passarão a trazer informações sobre o IBS e a CBS, novos tributos criados pela reforma tributária. Isso não significa que o consumidor começará a pagar esses impostos imediatamente, já que a substituição dos tributos atuais ocorrerá de forma gradual até 2033. (veja mais abaixo o cronograma da reforma tributária)

Antes da flexibilização anunciada pela Receita, o principal risco era ter notas fiscais rejeitadas, o que poderia impedir vendas e outras operações. Agora, esse risco foi adiado. Segundo Pontalti, também não haverá aplicação imediata de multas.

Durante o período de adaptação, em 2026, empresas que deixarem de cumprir as novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS não serão multadas imediatamente.

Primeiro, serão notificadas pela Receita para corrigir o problema em até 60 dias. Se fizerem a regularização dentro desse prazo, a multa será cancelada.

"A flexibilização atual é apenas transitória. Em algum momento, o preenchimento correto dos campos do IBS e da CBS e a utilização dos novos leiautes serão exigidos de forma definitiva", afirma.

"A empresa que adiar a adaptação poderá ter de corrigir, em pouco tempo, sistemas, cadastros e processos internos, o que tende a gerar mais trabalho, custos adicionais e maior risco de erros no futuro."

3 de agosto de 2026: começam as novas regras para a maior parte dos documentos fiscais eletrônicos.1º de outubro de 2026: entram as Notas Fiscais de Serviços Eletrônicas (NFS-e).1º de dezembro de 2026: começam as mudanças para operações de locação de bens e administração de condomínios.1º de janeiro de 2027: empresas do Simples Nacional passam a informar IBS e CBS nas notas fiscais. Também entram em vigor a CBS em substituição ao PIS e à Cofins e o Imposto Seletivo.Entre 2029 e 2032: ocorre a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS.2033: o novo modelo da reforma tributária passa a funcionar integralmente, com a extinção do ICMS e do ISS.

Empresas começam 2026 com o desafio de se adaptarem às novas regras da reforma tributária — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

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Japão e EUA compram ienes para conter queda da moeda japonesa

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 11:54

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O Japão e os Estados Unidos entraram juntos no mercado para comprar ienes e tentar frear a queda da moeda japonesa, que ia rumo ao menor nível em 40 anos. Segundo o Ministério das Finanças do Japão, os dois países não hesitarão em tomar novas medidas.

A medida, considerada incomum, foi feita na última sexta-feira (31), e aconteceu com o objetivo de evitar que a forte queda do iene e dos título públicos japoneses causassem repercussões globais.

Analistas afirmam que uma forte desvalorização do iene pode provocar instabilidade nos mercados globais e elevar os custos de financiamento do governo dos Estados Unidos.

Essa foi a primeira ação coordenada entre Japão e Estados Unidos desde 2011, quando os dois países atuaram juntos após o terremoto e o tsunami que devastaram o leste japonês.

Dados divulgados pelo banco central do Japão indicam que o país pode ter gasto até US$ 36,58 bilhões (R$ 185,7 bilhões) na compra de ienes durante a operação de sexta-feira.

No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o apoio ao iene é um gesto de amizade ao Japão e uma forma de contribuir para a estabilidade da economia mundial.

Analistas afirmam que a medida beneficia um aliado estratégico dos Estados Unidos na Ásia e também ajuda Washington a lidar com a forte desvalorização do iene. Isso porque uma moeda japonesa mais fraca torna os produtos do país mais competitivos no exterior, reduzindo parte do efeito das tarifas adotadas por Trump.

Em comunicado, o Ministério das Finanças do Japão afirmou que a operação realizada em conjunto com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ajudou a conter as fortes oscilações do iene registradas nos últimos meses.

"Não hesitaremos em realizar novas ações conjuntas, se necessário", afirmou a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, nesta segunda-feira (3).

Após o anúncio, o iene se valorizou mais de 1% e passou a ser negociado a 155,20 por dólar, o nível mais forte desde o início de maio. A moeda se afastou da mínima de cerca de 40 anos registrada no mês passado, quando chegou perto de 164 ienes por dólar. Mesmo assim, investidores continuaram atentos à possibilidade de novas ações das autoridades.

Questionada sobre uma possível nova atuação do governo nesta segunda-feira, Katayama se recusou a comentar.

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Auxiliar de Flávio Bolsonaro para área econômica propõe cortes equivalentes a 1,5% do PIB

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 11:54

Eleições 2026 Auxiliar de Flávio Bolsonaro para área econômica propõe cortes equivalentes a 1,5% do PIB Daniella Marques falou ainda sobre revisão do arcabouço fiscal e modernização da administração pública como parte das propostas do candidato a presidente. Ela é cotada para vice de Flávio. Por Redação g1

Auxiliar da área econômica de Flávio Bolsonaro disse que candidato pretende cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, rever o arcabouço fiscal e enxugar a estrutura do governo, caso seja eleito presidente.

Para alcançar a meta, o plano prevê a criação de um Conselho Superior de Governança Fiscal e um “choque de gestão”.

Além disso, Daniella citou a securitização da dívida ativa, a antecipação de royalties e a criação de um fundo imobiliário com imóveis da União.

Daniella Marques, integrante da equipe econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro, durante entrevista ao programa Radar, da GloboNews, nesta segunda-feira (3) — Foto: Reprodução/GloboNews

Auxiliar de Flávio Bolsonaro (PL) para a área econômica, Daniella Marques disse nesta segunda-feira (3) que o plano do candidato do PL a presidente prevê cortar gastos equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), rever o arcabouço fiscal e enxugar a estrutura do governo.

“O Brasil precisa, antes de qualquer corte, recuperar a credibilidade”, disse Daniella em entrevista ao Radar GloboNews.

Segundo Daniella, o plano tem quatro etapas: criar um Conselho Superior de Governança Fiscal; rever o arcabouço para controlar a trajetória da dívida em relação ao PIB; promover o corte de 1,5%; e realizar um “choque de gestão”, com redução e modernização da estrutura administrativa.

Questionada sobre como pretende alcançar o corte, Daniella citou a securitização da dívida ativa, a criação de um fundo imobiliário com imóveis da União, a antecipação de royalties, a revisão das estatais dependentes e a ampliação de concessões e parcerias público-privadas.

Daniella estimou que a securitização, que permite antecipar o recebimento de dívidas devidas ao governo, poderia gerar de R$ 200 bilhões a R$ 400 bilhões. Ela também defendeu a exploração econômica de parte dos mais de 700 mil imóveis que, segundo ela, pertencem à União.

“A gente vai fazer um fundo imobiliário para conseguir monetizar parte desses ativos”, disse. “Por fim, [vamos] fortalecer a segurança jurídica e encurtar caminhos com um amplo programa de concessões e parcerias público-privadas.”

Ao defender a revisão das estatais, Daniella citou os Correios, que fecharam 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, segundo balanço divulgado pela empresa.

Ela, porém, não detalhou quanto cada medida contribuiria para o corte de 1,5% do PIB nem quais despesas permanentes seriam reduzidas.

Daniella é cotada para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Questionada sobre o assunto, disse ser "uma honra ter o nome lembrado". O candidato ainda não definiu que estará na vice dele.

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‘União Europeia não volta a comprar carne do Brasil antes de 2 anos’: bloqueio entra em vigor em um mês e segue sem acordo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Agro 'União Europeia não volta a comprar carne do Brasil antes de 2 anos': bloqueio entra em vigor em um mês e segue sem acordo UE excluiu o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Medida começa a valer dia 3 de setembro. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

Falta um mês para a União Europeia interromper as compras de produtos de origem animal do Brasil, e o impasse parece estar longe de ser resolvido.

A medida, que começa a valer em 3 de setembro, atinge principalmente carne bovina, frango e mel, os três principais produtos de origem animal vendidos ao bloco.

André Bartocci, presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, diz que a Europa não volta a comprar carne bovina antes de 2 anos.

Segundo ele, o entendimento é de que, se um animal começar a seguir, hoje, novos protocolos sobre antimicrobianos, ele vai levar cerca de 24 meses para ficar pronto dentro dos novos padrões.

UE excluiu o Brasil da lista de países que seguem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. — Foto: Reprodução

Falta um mês para a União Europeia interromper as compras de produtos de origem animal do Brasil. A medida, que começa a valer em 3 de setembro, atinge principalmente carne bovina, frango e mel, os três principais produtos de origem animal vendidos ao bloco.

A decisão foi anunciada em maio, após a UE excluir o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Nenhuma irregularidade foi encontrada na carne brasileira, mas a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.

🔎Antimicrobianos utilizados para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia (entenda aqui).

"A Europa diz que não volta a comprar carne [bovina] do Brasil antes de 2 anos", diz o pecuarista André Bartocci, que preside a Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura.

Ele conta que recebeu essa informação em uma reunião com integrantes do Ministério, há duas semanas, e explica que o período de 2 anos está ligado ao ciclo de vida do boi. O entendimento é de que, se um animal começar a seguir, hoje, novos protocolos sobre antimicrobianos, ele vai levar cerca de 24 meses para ficar pronto dentro dos novos padrões.

Ao g1, o escritório de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Europeia não citou o prazo de dois anos, mas confirmou que a retomada das exportações "dependerá dos ciclos de produção dos animais". O Ministério da Agricultura não respondeu a pedidos de entrevista da reportagem.

No caso do frango, o ciclo de vida é mais curto, já que ele leva cerca de 45 dias do nascimento ao abate.

Em uma coletiva de imprensa na terça-feira (28), o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, disse que uma missão da União Europeia virá ao Brasil no final de agosto verificar novos protocolos criados pelo governo brasileiro para atender às novas exigências.

Segundo ele, a diferença é que, a partir de agora, o governo vai aumentar o número de fiscalizações em fábricas de ração, granjas e frigoríficos, que já estão previstas pelo Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC).

“Vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, não usamos promotores de crescimento para a União Europeia nem antibióticos de uso humano. Empresas do Brasil não estão fazendo nada diferente do que sempre fizeram. Sempre segregamos", destacou Santin.

O pecuarista André Bartocci, que tem fazenda em Mato Grosso do Sul, disse que não usa antimicrobianos em seu rebanho há muitos anos porque exporta pela Cota Hilton, uma modalidade de exportação de carnes nobres com tarifa reduzida que proíbe o uso dessas substâncias durante toda a vida do animal.

"Quem faz cota Hilton não usa antimicrobiano há muito tempo. Mas a maioria da carne que vai para a Europa não é Hilton, é lista Trace, uma categoria [de exportação] onde o produtor só precisa comprovar que não usou antimicrobiano nos últimos 100 dias [de vida do animal]. Agora vai mudar, todo o ciclo vai precisar de comprovação", diz Bartocci.

Santin, da ABPA, disse que tem esperança de retomar as exportações de carne de frango ainda em setembro, após a visita da UE, no final de agosto.

No entanto, os relatórios produzidos nessa missão vão precisar ser analisados por um órgão da Comissão Europeia, conhecido como SCoPAFF (Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações), que só tem reunião marcada para novembro.

Caso o bloqueio não seja revertido ou se prolongue, Santin disse que tem como redistribuir a produção de frango destinada para a Europa para o consumo interno e para os cerca de 150 países para os quais o Brasil exporta.

"Já ficamos sem vender para a União Europeia quatro meses no ano passado [por causa da gripe aviária]. […] O difícil seria se a gente ficasse sem o Oriente Médio", destacou.

Antes de a UE anunciar o bloqueio ao Brasil, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria proibindo o uso de alguns antimicrobianos, como a avoparcina, virginiamicina e bacitracina. Em maio, o governo brasileiro chegou a propor para a UE um período de transição, mas o bloco recusou a proposta.

Em junho, o Ministério da Agricultura também criou um novo protocolo de controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Contudo, até o momento, a União Europeia, não reverteu a sua decisão.

Representantes do agro brasileiro viram na medida um ato protecionista, uma vez que a decisão foi anunciada dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul.

O tratado foi alvo de forte resistência de agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, sobretudo do Brasil, principal exportador agrícola do Mercosul para a União Europeia.

Os demais países do bloco — Argentina, Paraguai e Uruguai — seguem autorizados a exportar para os europeus.

Apesar de o mel não ser um grande produto de exportação para a União Europeia, as vendas para o bloco vinham crescendo por causa do tarifaço imposto por Donald Trump, diz o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo.

Como as exportações para os EUA ficaram mais caras por causa da sobretaxa, os produtores redirecionaram parte do mel para os europeus e, com isso, as exportações para o bloco dobraram no primeiro semestre deste ano, a US$ 6,3 milhões, diz Azevedo.

"O veto da UE acabou sendo um 'balde de água fria' nos esforços dos exportadores, que já estavam colhendo frutos de um trabalho de ampliação de mercado", afirma Azevedo.

"No caso específico do mel, não enxergamos risco desse controle encontrar problemas de contaminação. O mel brasileiro exportado é, em grande maioria, orgânico, que já conta com uma cadeia de certificação que tem por objetivo garantir um produto livre de resíduos e antibióticos", explica.

Segundo ele, o principal risco para o setor é a chamada "contaminação cruzada". "Se houver uma colmeia próxima a uma área de criação de gado, por exemplo, existe a possibilidade de resíduos chegarem ao mel. Por isso, o controle é importante para evitar esse tipo de contaminação", afirma.

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Petrobras anuncia descoberta de gás na Colômbia

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

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A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (3) uma nova descoberta de acumulação de gás natural no poço exploratório Sandia-1, localizado no bloco GUA-OFF-0, em águas profundas da Colômbia.

Segundo a companhia, a descoberta reforça os indícios de que a região tem potencial para produzir grandes volumes de gás natural. Se os estudos confirmarem esse potencial, o combustível poderá ajudar a aumentar a oferta de gás e fortalecer a segurança energética da Colômbia.

🛢️ A Petrobras atua na Colômbia na exploração de petróleo e gás natural. No bloco onde foi feita a nova descoberta, a estatal brasileira opera um consórcio com a Ecopetrol, do qual detém 44,44% de participação.

O poço Sandia-1 está localizado a cerca de 42 quilômetros da costa colombiana, em uma lâmina d'água de 1.251 metros.

A área fica próxima de outras descobertas feitas anteriormente pela Petrobras: está a 18 quilômetros dos poços Sirius-1 e Sirius-2 e a 9 quilômetros do poço Copoazu-1, o que, segundo a empresa, reforça o potencial exploratório da região.

De acordo com a Petrobras, os intervalos onde foi identificada a presença de gás passam por análises com perfis de poço e ainda serão submetidos a estudos laboratoriais para caracterizar o volume e as propriedades da descoberta.

No comunicado, a Petrobras afirma que a atuação no bloco GUA-OFF-0 faz parte da estratégia de recompor as reservas de petróleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, em parceria com outras empresas.

A companhia ressalta ainda que a iniciativa busca atender à demanda global por energia durante o processo de transição energética.

No bloco, a Petrobras atua por meio da subsidiária Petrobras International Braspetro B.V. – Sucursal Colômbia (PIB-COL), como operadora do consórcio, com participação de 44,44%. A parceira é a Ecopetrol, que detém os 55,56% restantes.

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‘Investimos anos para atender à Europa’, ‘é frustrante’: pecuaristas buscam novos mercados e correm para exportar antes do veto da UE

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Agro 'Investimos anos para atender à Europa', 'é frustrante': pecuaristas buscam novos mercados e correm para exportar antes do veto da UE UE retirou Brasil da lista de países que cumprem suas regras de antimicrobianos e vão interromper compras em 3 de setembro. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

A UE excluiu o Brasil da lista de países que seguem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Com isso, vai interromper as suas compras de produtores de origem animal a partir de 3 de setembro.

Com a decisão, pecuaristas estudam redirecionar vendas para o mercado interno e para outros países.

Mesmo que o embargo seja revertido, a retomada das exportações para a Europa pode demorar até dois anos devido ao ciclo de produção dos animais.

À esquerda, o pecuarista Rafael Andrade Asato; à direita, André Bartocci. Ambos têm fazendas em Mato Grosso do Sul. — Foto: Arquivo pessoal

As falas dos pecuaristas Rafael Andrade Asato e André Bartocci, do Mato Grosso do Sul, refletem o sentimento do setor a um mês de a União Europeia interromper as compras de produtos de origem animal do Brasil.

O bloco é destino de apenas 5,8% das exportações brasileiras de carne bovina, mas, na fazenda de Asato e Bartocci, 100% do rebanho é criado para atender às exigências do mercado europeu.

A UE tomou essa decisão após alegar que o Brasil não segue as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.

🔎Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia. (entenda aqui).

O embargo está previsto para começar em 3 de setembro, mas, mesmo que o bloco volte a autorizar o Brasil, as exportações não serão retomadas de imediato.

"A Europa disse que não volta a comprar carne [bovina] do Brasil antes de 2 anos", diz Bartocci, que também preside a Câmara Setorial da Carne Bovina, órgão consultivo do Ministério da Agricultura.

Ele conta que recebeu essa informação em uma reunião com integrantes do Ministério, há duas semanas, e explica que o período de 2 anos está ligado ao ciclo de vida do boi. O entendimento é de que, se um animal começar a seguir, hoje, novos protocolos sobre antimicrobianos, ele vai levar cerca de 24 meses para ficar pronto dentro dos novos padrões.

Ao g1, o escritório de Saúde e Bem-Estar Animal da Comissão Europeia não citou o prazo de dois anos, mas confirmou que a retomada das exportações "dependerá dos ciclos de produção dos animais". O Ministério da Agricultura não respondeu ao pedido de entrevista da reportagem.

Desde maio, quando a UE anunciou a decisão, o governo brasileiro negocia com os europeus para reverter a medida. Em junho, o Ministério da Agricultura criou novas regras para atender às exigências do bloco, mas, até o momento, os europeus não voltaram atrás. Enquanto isso, o prazo aperta para os exportadores, que precisam colocar a carne no navio bem antes do dia 3 de setembro.

"Se eu conseguir vender os animais para o frigorífico até 21 de agosto, ainda recebo o prêmio pago pelo boi padrão Europa. A partir do dia 22, esse prêmio deixa de existir", conta Asato, diretor da Fazenda Campanário.

O prêmio a que ele se refere é o quanto se paga a mais por um boi criado para atender às normas da UE em relação à cotação nacional. "Geralmente um boi Europa recebe até 10% de premiação", diz Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do mercado de pecuária do Cepea.

Tudo isso porque além de a União Europeia ser um destino de cortes nobres, como filé-mignon e alcatra, as normas para exportar para lá são mais exigentes em comparação a outros mercados. Exemplo disso é a obrigatoriedade de rastrear cada boi individualmente.

"Aqui na fazenda, cada animal recebe um brinco com chip na orelha e isso permite acompanhar toda a vida dele, incluindo o registro de cada medicamento aplicado, o manejo realizado e a dieta", conta Asato.

Inclusive, tanto ele como Bartocci afirmam que não usam antimicrobianos em seus rebanhos há anos porque exportam pela Cota Hilton, uma modalidade de exportação de carnes nobres com tarifa reduzida que proíbe o uso dessas substâncias durante toda a vida do animal.

"Quem faz cota Hilton não usa antimicrobiano há muito tempo. Mas a maioria da carne que vai para a Europa não é Hilton, é lista Trace, uma categoria [de exportação] onde o produtor só precisa comprovar que não usou antimicrobiano nos últimos 100 dias [de vida do animal]. Agora vai mudar, todo o ciclo vai precisar de comprovação", diz Bartocci.

Sem expectativa de que a União Europeia volte a comprar carne do Brasil tão cedo, pecuaristas já começam a redesenhar seus planos para reduzir os impactos do embargo. Rafael Asato, por exemplo, conta que tem conversado com frigoríficos próximos para tentar não perder o prêmio pago pelo boi Europa.

A ideia dele é encaixar o gado de padrão europeu em programas de exportação para os Estados Unidos ou em protocolos de carnes nobres voltados para o consumo interno, como o mercado de carne Angus.

"Temos uma conversa bem aberta com os frigoríficos porque isso impacta não só a nossa margem de lucro, como a margem deles também", diz o pecuarista.

Além disso, ele estuda redirecionar parte da produção para a China e aproveitar as cotas de importação com isenção de tarifa no próximo ano. "Como o transporte para a China demora entre 60 e 70 dias, a ideia é retomar os abates com força na segunda quinzena de setembro para a carne chegar ao destino em janeiro", afirma.

Caso o mercado não pague um valor adicional pelo seu rebanho, Asato diz que vai parar de seguir os protocolos da Europa.

"Não faz sentido eu agregar um custo de rastreabilidade, de chip, se eu não tiver um prêmio por isso", diz.

Já André Bartocci afirma que pretende manter os protocolos de rastreabilidade por pelo menos seis meses, enquanto acompanha o andamento das negociações entre o governo brasileiro e a União Europeia. A avaliação dele é que, quando a UE voltar a importar carne brasileira, quem já estiver preparado terá vantagem para conquistar os melhores contratos.

"Em vez, por exemplo, de terminar os animais em 6 meses, a gente pode passar a terminá-los em 10 meses. A ideia é não acelerar muito a produção justamente para esperar essa reabertura da Europa", destaca.

Caso o bloqueio se prolongue, porém, ele cogita voltar a utilizar antimicrobianos como a monensina, substância permitida no Brasil e em diversos mercados, mas proibida pela União Europeia como promotora de crescimento.

Segundo ele, a medida aumentaria a produtividade e ajudaria a recuperar parte da rentabilidade perdida.

Bartocci afirma que o veto frustra um momento em que o Brasil negocia para ampliar o acesso a mercados internacionais. "A gente tinha tudo para acessar os grandes mercados hoje. Então esse veto da Europa frustra", diz.

"Estar no mercado europeu funciona como um selo de qualidade para abrir portas em outros mercados de elite, como o Japão e a Coreia do Sul", explica.

Para os dois pecuaristas, a decisão da UE vai além da discussão sobre o uso de antimicrobianos e tem motivação política.

Na avaliação dele, a medida funciona como um pretexto comercial após o acordo entre Mercosul e União Europeia. "Eu realmente acho que a questão dos antimicrobianos é um pano de fundo. É uma estratégia para segurar essa carga", afirma.

"A gente acredita que é algo parecido com o que aconteceu com a imposição de cotas por parte da China. É uma questão política, é um protecionismo dos produtores", acrescenta Asato.

O pecuarista também questiona o fato de a União Europeia manter outros países entre seus fornecedores de carne. "Não faz muito sentido você ter países como o Irã [na lista de fornecedores] e tirar o Brasil", afirma.

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UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Agro UE compra pouco da carne bovina do Brasil, mas paga mais e abre portas para outros mercados UE excluiu o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Medida começa a valer dia 3 de setembro. Por Paula Salati, g1 — São Paulo

A partir do dia 3 de setembro, a União Europeia prevê interromper as suas compras de produtos de origem animal do Brasil.

No caso da carne bovina, a suspensão não preocupa pelo volume, mas pelo peso estratégico do bloco para pecuaristas e frigoríficos nacionais.

A UE é destino de apenas 3,7% do volume total que o Brasil exporta em carne bovina, mas compra cortes nobres e é considerada uma espécie de "vitrine" para o mundo.

Atender às exigências dos europeus é visto como um selo de qualidade que ajuda a abrir portas em outros mercados.

UE excluiu o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Medida começa a valer dia 3 de setembro. — Foto: Foto de David Foodphototasty na Unsplash

A partir do dia 3 de setembro, a União Europeia vai interromper as suas compras de produtos de origem animal do Brasil e, no caso da carne bovina, a suspensão não preocupa pelo volume, mas pelo peso estratégico do bloco para pecuaristas e frigoríficos nacionais.

➡️A UE excluiu o Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne nacional, mas porque a União Europeia considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias.

A UE é destino de apenas 3,7% do volume total que o Brasil exporta em carne bovina – e por 5,8% do valor –, mas compra cortes nobres e é considerada uma espécie de "vitrine" para o mundo: atender às exigências dos europeus é visto como um selo de qualidade que ajuda a abrir portas em outros mercados, afirmam especialistas ouvidos pelo g1.

"A Europa é uma vitrine seja por causa das exigências em termos de rastreabilidade, seja pela remuneração. Ela compra praticamente só cinco cortes do nosso boi, só que paga bem", ressalta Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do mercado de pecuária do Cepea-USP.

Segundo Carvalho, enquanto a China paga, em média, US$ 6,50 pelo quilo da carne bovina brasileira, a União Europeia desembolsa cerca de US$ 10 pelo mesmo volume.

A preferência europeia é por cortes do traseiro do boi, como filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, mas também pelo filé de costela, que é retirado do dianteiro. O restante da carne desses animais é comercializado no mercado brasileiro, como a picanha.

Veto à carne do Brasil: UE proíbe promotores de crescimento em animais e antiobióticos de uso humano; entenda

Como maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, o Brasil segue padrões sanitários rigorosos para abastecer todos os mercados em que atua, inclusive o interno. Mas, no caso da União Europeia, o processo de habilitação de fazendas e frigoríficos é mais complexo.

Para começar, nem todos os estados brasileiros podem exportar carne para a UE. Hoje, apenas Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm essa autorização.

Além disso, estar em um desses estados não garante venda para os europeus. As fazendas interessadas precisam receber uma comitiva da UE, que avalia se a propriedade cumpre os requisitos sanitários, veterinários e de bem-estar animal exigidos pelo bloco.

Outro detalhe é que cada boi que vira carne para a União Europeia precisa ser rastreado individualmente.

É justamente essa série de exigências que faz da UE um mercado vitrine. "Se um país recebe o aval para exportar para a Europa, ele está recebendo um certificado de alto padrão regulatório", comenta Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado.

Adaptar-se ao rigoroso sistema europeu também facilita o acesso a outros países exigentes, como o Japão e a Coreia do Sul, países com os quais o Brasil negocia a abertura no setor de carne bovina.

Por trabalhar com a União Europeia há mais de 20 anos, o pecuarista André Bartocci, de Mato Grosso do Sul, diz que está preparado para atender a esses mercados quando eles forem abertos. Ele lamenta, contudo, que o bloqueio da UE possa desestimular outros pecuaristas a manter os padrões de rastreabilidade.

O economista do Cepea-USP tem a mesma preocupação. Segundo ele, como o boi padrão Europa é mais caro de produzir, uma boa parte dos produtores pode acabar deixando os protocolos de lado. "É natural que isso ocorra porque eles não estarão recebendo a mais por isso", diz Carvalho.

"Geralmente um boi Europa recebe até 10% de premiação", afirma Carvalho, explicando que o prêmio é o valor extra pago por um boi criado para atender às regras da UE em relação à cotação nacional.

A estratégia de pecuaristas entrevistados pelo g1 é negociar essa premiação em outros mercados. A ideia do pecuarista Rafael Andrade Asato, que também é do MS, é encaixar o gado de padrão europeu em programas de exportação para os EUA ou em protocolos de carnes nobres voltadas para o consumo interno.

Caso o mercado não pague um valor adicional pelo seu rebanho, Asato diz que vai parar de seguir os protocolos europeus. "Não faz sentido eu agregar um custo de rastreabilidade, de chip, se eu não tiver um prêmio por isso", afirma.

Carvalho, do Cepea-USP, lembra que, mesmo que a UE volte a liberar as exportações do Brasil, ainda leva um tempo para que os produtores voltem a vender para o bloco. Isso porque a UE vai passar a exigir comprovações de que um boi não usou antimicrobianos durante toda a sua vida.

"Um bezerro que nascer em agosto ou setembro de 2026, por exemplo, só vai estar pronto para o abate por volta de 2028 ou início de 2029", explica.

O pecuarista André Bartocci explica que seu rebanho já não usa antimicrobianos há muitos anos porque exporta pela Cota Hilton, uma modalidade de exportação de carnes nobres com tarifa reduzida que proíbe o uso dessas substâncias durante toda a vida do animal.

"Quem faz cota Hilton não usa antimicrobiano há muito tempo. Mas a maioria da carne que vai para a Europa não é Hilton, é lista Trace, uma categoria [de exportação] onde o produtor só precisa comprovar que não usou antimicrobiano nos últimos 100 dias [de vida do animal]. Agora vai mudar, todo o ciclo vai precisar de comprovação", diz Bartocci.

O veto da União Europeia chega em um momento sensível para o Brasil, que também lida com a imposição de cotas de exportação de carne bovina por parte da China, maior comprador do produto nacional, diz Juliana Torres, analista de inteligência de mercado da StoneX Brasil.

"O primeiro semestre foi marcado por uma aceleração das exportações para a China para atender às cotas e talvez, agora, o Brasil olhasse mais para os países europeus. Historicamente o Brasil exporta mais para a União Europeia no segundo semestre", diz Torres.

Sem China e UE, a analista diz que dificilmente o volume de carne será totalmente absorvido por outros países e a tendência é que ocorra um aumento da oferta de carne no mercado interno brasileiro nos próximos meses.

"Os cortes mais nobres que tradicionalmente vão para a União Europeia podem ficar mais baratos. Claro que não é volume tão grande, mas podemos encontrar preços mais reduzidos", afirma Carvalho.

Apesar da perspectiva de maior oferta, Juliana Torres ressalta que o Brasil atravessa uma virada do ciclo pecuário, marcada por uma diminuição da oferta de animais para abate, que deve evitar quedas muito expressivas de preços.

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Truth Social, de Trump, começa a vender acesso antecipado a publicações da plataforma

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Tecnologia Truth Social, de Trump, começa a vender acesso antecipado a publicações da plataforma Ferramenta oferece acesso acelerado às publicações mais influentes da plataforma. Por Redação g1 — São Paulo

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião de cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, em 8 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O Truth Social, rede social criada pelo presidente americano, Donald Trump, lançou o Truth API, um serviço pago que oferece acesso mais rápido às publicações das contas mais influentes da plataforma. A ferramenta passou a ser disponibilizada para clientes institucionais no último sábado (1º).

Segundo a Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora do Truth Social, a empresa já havia fechado contratos com clientes antes do lançamento do produto.

"O Truth API oferece um feed direto, licenciado e em tempo real das publicações com maior potencial de movimentar os mercados na plataforma, ao mesmo tempo em que avança nossa estratégia de monetizar ativos proprietários por meio de uma fonte de receita recorrente e com alta margem", afirmou o CEO interino da TMTG, Kevin McGurn, em comunicado divulgado no anúncio do serviço.

"À medida que a adoção cresce, esperamos que o Truth API se torne uma fonte relevante e contínua de receita para a empresa, gerando valor duradouro para os acionistas", acrescentou.

Segundo a empresa, o Truth API foi desenvolvido para "organizações mais impactadas pelo custo de atrasos no acesso à informação" e utiliza métodos de distribuição capazes de entregar as publicações da Truth Social em "milissegundos".

A expectativa é que o serviço ofereça cobertura contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana, além de incluir um arquivo histórico de publicações que remonta a 2022. Segundo a Reuters, a Trump Media chegou a discutir a cobrança de até US$ 100 mil por mês pelo acesso ao Truth API.

Após o anúncio do serviço, em julho, senadores democratas solicitaram à SEC, órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, que investigasse o Truth API. Segundo os parlamentares, a ferramenta ampliaria riscos legais, políticos e regulatórios.

"Isso parece ser um abuso escandaloso do cargo de presidente para benefício pessoal, que prejudica os investidores comuns e a integridade dos mercados, ao mesmo tempo em que enriquece Wall Street e outros participantes privilegiados e abastados", escreveram os senadores Elizabeth Warren e Adam Schiff em carta dirigida ao presidente da SEC, Paul Atkins.

O lançamento chamou a atenção de analistas porque publicações de Trump nas redes sociais frequentemente provocam oscilações em ações, moedas e títulos públicos, especialmente quando tratam de tarifas comerciais, política econômica ou relações internacionais.

Um porta-voz da SEC e o próprio Atkins confirmaram o recebimento da carta, mas se recusaram a comentar o assunto. Indicado por Trump, o republicano é defensor do livre mercado e tem adotado uma postura considerada mais branda em relação à regulação do setor financeiro.

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Brasil bate recorde na produção de petróleo em junho, diz ANP

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 10:52

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,067-0,06%Dólar TurismoR$ 5,270-0,15%Euro ComercialR$ 5,842-0,07%Euro TurismoR$ 6,091-0,13%B3Ibovespa177.705 pts-0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,067-0,06%Dólar TurismoR$ 5,270-0,15%Euro ComercialR$ 5,842-0,07%Euro TurismoR$ 6,091-0,13%B3Ibovespa177.705 pts-0,17%MoedasDólar ComercialR$ 5,067-0,06%Dólar TurismoR$ 5,270-0,15%Euro ComercialR$ 5,842-0,07%Euro TurismoR$ 6,091-0,13%B3Ibovespa177.705 pts-0,17%Oferecido por

Uma vista de drone mostra uma plataforma de petróleo offshore na Baía de Guanabara, em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. — Foto: Pilar Olivares / Reuters

A produção de petróleo do Brasil em junho somou um recorde de 4,475 milhões de barris ao dia (bpd), alta de 4,0% ante o mês anterior e de 19,1% no comparativo com o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados publicados pela agência reguladora ANP nesta segunda-feira.

A nova melhor marca da produção de petróleo supera a registrada em abril, quando o país produziu 4,340 milhões de bpd.

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Após acordo com MPT, Viih Tube e Eliezer publicam primeiro vídeo sobre trabalho doméstico

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 03/08/2026 09:51

Trabalho e Carreira Após acordo com MPT, Viih Tube e Eliezer publicam primeiro vídeo sobre trabalho doméstico Além de pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo, influenciadores terão de divulgar três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos. Por Redação g1 — São Paulo

Os influenciadores Viih Tube e Eliezer publicaram neste domingo (2) o primeiro de três vídeos educativos sobre os direitos dos empregados domésticos. A iniciativa integra o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Trabalho (MPT) após as polêmicas envolvendo o reality show "As Patroas".

Na legenda, os influenciadores explicam o que caracteriza o trabalho em condições análogas à escravidão e citam casos em que trabalhadores domésticos passam anos sem salário, férias ou jornadas de trabalho adequadas.

"'Ela era praticamente da família'. Essa é a frase mais usada por quem explora trabalhadoras domésticas por décadas para justificar a ausência de salário, férias ou uma jornada de trabalho digna. Mas será mesmo que algum desses empregadores exploraria em condições análogas às de escravidão alguém de sua própria família? Se você reconhece essa história em alguém perto de você, denuncie ao @mptrabalho pelo site: www.mpt.mp.br", diz a publicação.

Além da divulgação dos três vídeos educativos, o casal também se comprometeu a pagar R$ 350 mil por dano moral coletivo e a retirar do ar todos os conteúdos relacionados ao reality show.

O programa colocava 11 funcionários da residência para disputar provas em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Em uma das dinâmicas, os participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.

O MPT abriu uma investigação para apurar se o reality violava direitos trabalhistas ao expor publicamente os empregados e utilizar a imagem deles com finalidade comercial. No início de julho, os influenciadores participaram de uma audiência em Barueri (SP), quando foi firmado o TAC.

Segundo a procuradora do Trabalho Patrícia Mauad Patruni Isotton, o acordo também tem caráter educativo ao ampliar a conscientização sobre os direitos dos empregados domésticos.

"O acordo é resultado do diálogo entre o Ministério Público do Trabalho e os influenciadores, que demonstraram compreender a gravidade da situação e se comprometeram a reparar os danos causados. Mais do que encerrar o caso, esse é um momento de conscientização, inclusive para o público", afirmou.

Pelo acordo, Viih Tube e Eliezer se comprometeram a não produzir nem divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias, ainda que haja consentimento dos participantes.

O TAC também proíbe exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes. Caso algum trabalhador participe de futuros conteúdos audiovisuais, a adesão deverá ser voluntária, formalizada por escrito e sem qualquer prejuízo para quem optar por não participar.

Além disso, o acordo veda qualquer forma de retaliação contra empregados que recusarem convites ou denunciarem irregularidades. Em caso de descumprimento, a multa será de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.

Após o acordo com o MPT e em meio à repercussão negativa do caso, Viih Tube publicou um vídeo nas redes sociais para explicar o TAC e pedir desculpas a quem se sentiu ofendido.

“Quero muito pedir desculpas para vocês que se sentiram ofendidos. A gente entende todos os questionamentos, todas as denúncias, tudo que todo mundo falou”, afirmou pelo Instagram.

O reality passou a ser alvo de críticas após exibir funcionários da casa participando de provas e dinâmicas consideradas potencialmente constrangedoras, o que levou o MPT a abrir investigação.

A indenização de R$ 350 mil não será paga diretamente aos trabalhadores envolvidos. O valor será destinado a um fundo público, como o Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), para financiar projetos de interesse coletivo e prevenir novas violações.

O acordo encerrou a investigação aberta pelo Ministério Público do Trabalho para apurar possíveis violações relacionadas ao reality “As Patroas”.

O programa colocava 11 empregados domésticos do casal em uma competição com provas e desafios em troca de prêmios, como dinheiro e redução da jornada de trabalho. Entre as dinâmicas exibidas, havia uma prova em que participantes precisavam procurar moedas de plástico dentro de vasos sanitários e lixeiras.

Para o MPT, a exposição pública dos trabalhadores e o uso da imagem deles em uma produção com finalidade comercial levantaram questionamentos sobre possíveis violações de direitos trabalhistas.

não produzir ou divulgar conteúdos que exponham empregados domésticos ou outros trabalhadores a situações humilhantes ou vexatórias;não exigir ou incentivar a participação de funcionários em realities ou produções semelhantes;garantir que futuras participações de trabalhadores em conteúdos audiovisuais sejam voluntárias e formalizadas por escrito;não praticar retaliações contra empregados que recusem convites ou denunciem irregularidades.

Em outro story publicado após o pronunciamento, a influenciadora respondeu dúvidas dos seguidores sobre o pagamento da indenização e sobre a relação com as funcionárias.

Além de explicar que o dinheiro do dano moral coletivo não será repassado às trabalhadoras, Viih Tube também informou que o casal não poderá mais gravar ou publicar conteúdos mostrando a rotina com as empregadas domésticas, uma das medidas previstas no acordo.

“Não poderemos mais mostrar/gravar nossa rotina com elas, como um dos ajustes de conduta. Sei que amavam acompanhar e dávamos muitas risadas, mas preferi avisar para que não achassem que a gente que não quer mais gravar algo com elas”, afirmou.

Segundo ela, as funcionárias continuam bem e entenderam a decisão, embora tenham ficado tristes com o encerramento do reality.

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