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Pele de peixe gigante da Amazônia vira bolsa de luxo, mas ganho não chega a pescadores

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Meio Ambiente COP30 Pele de peixe gigante da Amazônia vira bolsa de luxo, mas ganho não chega a pescadores Modelo de preservação e manejo é visto como sustentável, mas associações reclamam de falta de competitividade e buscam negociações com preço que consideram mais justo. Por BBC

Um pescador carrega um pirarucu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, em Fonte Boa, estado do Amazonas — Foto: AFP via Getty Images/BBC

Bolsas de luxo e acessórios de couro que chegam a custar milhares de reais, no Brasil e em lojas nos Estados Unidos.

O uso da pele espessa e resistente do pirarucu, peixe que já foi considerado ameaçado de extinção e tem hoje sua pesca e comércio controlados, recebe apoio tanto da indústria da moda quanto de autoridades ambientais.

🔎 A pesca da espécie já foi proibida por causa da exploração predatória, mas hoje é vista como exemplo de manejo sustentável: o modelo atual envolve a contagem dos animais e a autorização da captura de apenas uma parte, garantindo a conservação das populações e remuneração para comunidades indígenas e ribeirinhas.

Marcas nacionais e internacionais enfatizam esses ganhos socioambientais a seus clientes. A Osklen, pioneira neste mercado, diz em seu site que a iniciativa colabora com a economia circular, "gerando renda para as populações ribeirinhas e contribuindo para a preservação da Amazônia."

Mas representantes de comunidades envolvidas no manejo e especialistas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, embora defendam que o modelo de fato ajudou a recuperar a população do peixe, a maior parte do dinheiro recebida com esse comércio da pele não chega a quem garante essa preservação.

O pescador amazonense e vice-presidente da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (Femapam) Pedro Canízio diz que se assustou ao ver o preço de um desses itens de luxo à venda, pela primeira vez, em uma viagem que fez ao Rio de Janeiro há alguns anos.

"O manejador [aquele que participa do plano de manejo do pirarucu] não chega nem perto de comprar um produto desse, porque é muito caro. Pescadores têm muito trabalho, mas o quilo do pirarucu [inteiro] é vendido por aqui, no maior valor, a R$ 11", diz Canízio.

A consultora Fernanda Alvarenga, autora de um estudo sobre o mercado do couro do pirarucu, diz que esse é um problema comum entre os produtos da Amazônia.

"Brincamos que, se o manejo do pirarucu não der certo como estratégia de conservação da Amazônia, nada vai. É a atividade econômica mais redonda em termos de maior número de benefícios socioambientais", continua a consultora.

"É importante que isso venha à tona não como uma maneira de destruir relações comerciais, mas de ter um olhar mais cuidadoso e consciente sobre a importância dessa atividade econômica como estratégia de conservação."

Empresas do setor ouvidas pela BBC News Brasil dizem que reconhecem os desafios, mas que buscam ativamente o fortalecimento dessas comunidades.

Afirmam também que o mercado de luxo representa só uma pequena parte da demanda e que o segmento teve papel fundamental como vitrine internacional do pirarucu (mais detalhes abaixo).

Acessórios com couro de pirarucu que custam milhares de reais são anunciados no site da marca Osklen — Foto: Osklen/Reprodução/BBC

O couro do pirarucu cumpre um papel considerado importante no mercado da moda, por passar essa mensagem de proteção ao meio ambiente.

Couros, em geral, são celebrados por sua durabilidade e também por uma questão cultural ligada à ancestralidade, diz Lilyan Berlim, especialista em sustentabilidade na moda e professora de gestão de luxo na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

"Foi uma das primeiras formas de roupa que tivemos. Há uma associação com qualidade e eficiência."

Mas a ligação com danos ao meio ambiente tem feito com que a indústria virasse alvo constante de críticas.

O pirarucu entrou como uma exceção. "Tem toda uma questão cultural. Ele é alimento das comunidades ribeirinhas da Amazônia. Quando você usa o couro do pirarucu, de certa forma está gerando renda para as comunidades", diz a professora.

Novas marcas surgem neste mercado a cada ano, sempre incorporando a ideia de sustentabilidade ao discurso.

Couro de pirarucu é usado por marcas de luxo, no Brasil e no exterior, para fazer acessórios como bolsas e botas — Foto: Bernardo Oliveira/Asproc/Divulgação/BBC

"Pensamos em um modelo de negócio que não fosse só sobre o couro, mas sobre sustentabilidade e impacto ambiental", diz Bruna Freitas, fundadora de uma dessas novas marcas no mercado nacional, a Yara Couro, baseada em Macapá (AP).

A ideia surgiu depois de ter tomado conhecimento da grande quantidade de resíduos da pesca em sua região. "Não há um aproveitamento tão grande da cadeia do pescado como já há na bovina", diz.

No caso do pirarucu, o peixe é consumido como alimento. Até pouco tempo atrás, sua pele era descartada. Com o crescimento desse mercado, essa parte do animal passou a ser reaproveitada.

Freitas diz que o pirarucu se destaca por possuir uma pele com um padrão difícil de ser imitado, além de ser um símbolo da Amazônia. "É um peixe que sobreviveu a muitas questões ambientais."

Para Pedro Canízio, falta valorização dos manejadores do pirarucu — Foto: Arquivo pessoal via BBC

A pesca do pirarucu ocorre em período fixo do ano nas chamadas áreas de manejo, no estado do Amazonas, e só 30 % dos adultos podem ser capturados; o restante fica para manter os estoques. O controle é do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

No sistema de manejo, as próprias comunidades ficam responsáveis por vigiar e proteger os lagos nas áreas em que vivem para evitar invasões. Com isso, também complementam suas rendas.

A espécie já esteve entre as ameaçadas com risco de extinção e, por isso, sua pesca extrativa foi proibida no Amazonas nos anos 1990. Com o desenvolvimento dos projetos de manejo, a população de peixes voltou a crescer.

Depois da autorização do Ibama, as comunidades se reúnem para organizar a pesca e a comercialização por associações comunitárias das áreas de manejo.

Vista aérea de barcos de pesca na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá, em Fonte Boa, estado do Amazonas, Brasil — Foto: AFP via Getty Images/BBC

Depois da pesca, a maior parcela do pirarucu vai para frigoríficos, onde pele e carne são separadas. Só então essas peles podem seguir para curtumes, onde são transformadas em couro para fabricantes de calçados, bolsas e outros acessórios.

É nesta última etapa que há a maior valoração do produto, segundo uma pesquisa conduzida pela organização sem fins lucrativos Operação Amazônia Nativa (Opan) e publicada em 2018.

O estudo explica que o processamento da pele é complexo e envolve várias etapas, como lavagem, molhos e banhos, retirada de escama, epiderme e gorduras, tingimento, secagem, recorte e costura. Também há uma série de exigências legais. Daí a dificuldade em se implementar a confecção desse material diretamente nas comunidades.

A pesquisa identificou uma concentração de mercado: 95% das peles foram comercializadas por sete frigoríficos e só 5% pelas associações comunitárias.

"O trabalho com as peles é difícil de aprender. Os manejadores estão aprendendo como fazer o corte. É um trabalho com muita tecnologia envolvida", diz Cristina Isis Buck Silva, responsável pela coordenação de uso sustentável da fauna e da biodiversidade do Ibama.

Pedro Canízio, da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá, diz que consideraria um sistema mais justo no qual os manejadores recebessem uma parte do que é ganho com a venda das peles.

"Mas, hoje, a gente não consegue. Com o pouco que lucramos com o manejo fazemos a vigilância [dos lagos]", afirma Canízio.

"O manejo do pirarucu deu certo. Falta o reconhecimento do pescador, tanto na venda da carne como dos subprodutos, como a pele. Para que as comunidades tenham qualidade de vida."

Há tentativas de fazer o processamento do couro de forma mais próxima às comunidades, mas os envolvidos dizem que faltam recursos.

"É uma indústria cara, seria um novo negócio. No futuro, talvez, além de vender a carne do peixe, também possamos processar o couro", diz Ana Alice Oliveira de Britto, da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), organização que representa 800 famílias em 55 comunidades ribeirinhas.

Uma das formas de fomentar e valorizar o trabalho dos manejadores foi a criação do Coletivo do Pirarucu, em 2018, que reúne comunidades locais, institutos de pesquisa e organizações governamentais, como o próprio Ibama.

O grupo lançou a marca Gosto da Amazônia, gerida pela Asproc, com venda para outras regiões do país, como sul e sudeste, mas com foco na carne.

"O pescador chega a receber 40 % a mais pelo peixe do que a média comercializada na região", diz Britto, da Asproc.

A entidade quer que futuramente esse modelo seja replicado para a pele do peixe. Para isso, Britto acredita que são necessárias políticas públicas que invistam no setor, que ajudem os próprios pescadores a desenvolver tecnologia para fazer a conversão em couro.

"Se essa atividade não remunerar com justiça e deixar de ser atraentes aos manejadores, a sociedade pode perder um importante aliado na conservação do território amazônico, que poderá migrar pra outras atividades mais danosas ao meio ambiente pra sustentar suas famílias."

'Não compramos peixe diretamente de pescadores nem definimos preços do peixe ou das peles'

Couro de pirarucu é usado por marcas de luxo, no Brasil e no exterior, para fazer acessórios como bolsas e botas — Foto: Getty Images via BBC

Dados da plataforma Panjiva, que contém informações sobre exportações, obtidos pela BBC News Brasil, mostram que 70% do valor exportado de pirarucu e seus derivados em 2024 e 2025 estava concentrado nesta empresa.

Um outro estudo, com dados do Ibama de 2011 a 2018, chegou a um número semelhante, de 68% das exportações.

A marca é fornecedora da maior parte das empresas que fabricam os acessórios com este tipo de couro. Em seu catálogo estão expostas peças de marcas de luxo como Giorgio Armani, Dolce & Gabbana e Givenchy.

A Nova Kaeru surgiu a partir de uma inovação tecnológica: Eduardo Filgueiras, um de seus fundadores, criou uma técnica para que diferentes tipos de materiais ou couros fossem soldados, criando superfícies amplas e contínuas.

"Ele é desses cientistas que transformam e criam coisas verdadeiramente novas", diz o gerente de marketing André de Castro. "O pirarucu já é um couro grande por si, mas conseguimos fazer algo único, de transformar várias peças em uma superfície muito maior."

A inovação, diz Castro, é o que explica esse pioneirismo. "O mercado demorou pra entrar no pirarucu, até por ser uma tecnologia que não existia."

A maior parte da produção da Nova Kaeru é voltada à exportação, tendo como maiores clientes os EUA e o México, onde são fabricadas botas do estilo country para o consumidor americano. O mercado de luxo, afirmam, representa só 5% da demanda.

Essa concentração de mercado é vista com ressalvas. Um dos críticos é Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes, organização sediada em Manaus (AM) que atua no apoio aos manejadores.

"O que mais nos incomoda no mercado da pele do pirarucu é a não concorrência", afirma Dias.

"Tem casos em que a pele é entregue e leva mais de seis meses para receber o pagamento. E não há outra opção. É um mercado pouco aquecido."

Ele acredita que, para que as empresas façam uso da imagem de sustentabilidade e responsabilidade social, devem dar maior visibilidade às demandas das comunidades.

"Se há uma comunicação sobre uma relação justa com a comunidade, essa relação deveria, de fato, acontecer. As empresas precisam acompanhar o que acontece em toda a cadeia produtiva."

José Leal Marques, diretor comercial da Nova Kaeru na Amazônia, diz que a empresa iniciou, na década passada, o processo de aproveitamento da pele, antes descartada. E que as comunidades ainda não têm capacidade técnica para fazer essa separação, algo que esperam viabilizar no futuro, permitindo compras diretas.

"Nosso papel não é só comprar a pele, mas investir na Amazônia, na qualificação de mão de obra, na pesca e captura do pirarucu", diz.

Ele ressalta que retirar a matéria-prima no Amazonas, transportá-la e transformá-la é um processo demorado e caro, envolvendo semanas de transporte e até seis meses de produção antes de gerar retorno financeiro. Segundo ele, diante desses custos, o preço pago pela Nova Kaeru é alto em comparação a outros couros e peles no mercado.

Marques avalia que há sim concorrência, mas que ela vem do exterior: "A Bolívia hoje pesca o ano todo, porque lá o pirarucu é considerado um peixe invasor [um organismo introduzido fora de sua área natural]".

"Eles concorrem conosco no mercado internacional com preços abaixo do que trabalhamos. Mesmo assim continuamos mantendo nosso preço de compra."

A Nova Kaeru também enviou, por e-mail, duas notas em que diz que não define preços do peixe ou das peles, e que os valores "são negociados localmente entre associações de pescadores e unidades de processamento."

Sempre defendeu a remuneração justa em toda a cadeia produtiva. "O preço da pele, quilo por quilo, é superior ao da carne, o que representou ganho real de renda para as comunidades envolvidas no manejo."A empresa compra peles há mais de uma década, antes de haver demanda, investindo em processamento e mercado.Destaca que não vê monopólio no mercado e que outros curtumes processam pirarucu, mas que a empresa se destaca pelo pioneirismo e qualidade.Processo envolve custos altos com logística, insumos importados, marketing e trabalho artesanal local.Segmento de moda de luxo representa menos de 5% da demanda do pirarucu. A maior parte vai para as botas do segmento country nos EUA, e que o preço de venda do couro é o mesmo em ambas as situações. "Os preços mais elevados do mercado de luxo não refletem qualquer diferença no valor recebido pela Nova Kaeru"Mercado de moda de luxo teve papel fundamental como vitrine internacional do pirarucu

Já a Osklen e o Instituto-E, organização sem fins lucrativos parceira da marca, disseram que atuam há mais de 20 anos em diferentes cadeias produtivas sustentáveis. A empresa, pioneira na utilização do couro do pirarucu, destacou que marcas como Rick Owens, Burberry, Giorgio Armani hoje utilizam essa matéria prima, além das nacionais.

Assim como a Nova Kaeru, a empresa destaca a complexidade do processo logístico e cita também os custos desenvolvimento, design, manufatura especializada, logística, dentre outros, para justificar o valor final do produto que é comercializado.

Diz ainda que reconhece que ainda existem "grandes desafios" e que procura fortalecer projetos que atuem na transparência da cadeia produtiva.

Destacou ainda que cadeias complexas como a do pirarucu precisam de "ações coletivas, que unam instituições não governamentais, poder público, pesquisas científicas e investimentos."

"Ainda existe um grande gap que só poderá ser ocupado de fato por políticas públicas para que os elos iniciais da cadeia consigam adquirir tecnologias de beneficiamentos e, dessa forma", finalizou.

Em nota, a Piper & Skye disse que "está profundamente comprometida com o fornecimento ético, a gestão ambiental e as parcerias justas". Ressaltou que trabalha exclusivamente com fornecedores confiáveis, como a Nova Kaeru, "cujas práticas são monitoradas pelo órgão ambiental brasileiro e que têm demonstrado apoio de longa data à pesca sustentável e às comunidades locais."

A marca diz que não está envolvida em preços ou negociações na cadeia de suprimentos, mas que apoia "firmemente nossos valores e a integridade de nossos parceiros, cujo compromisso com a inovação, a rastreabilidade e o fornecimento responsável reflete o tipo de colaboração em que acreditamos — uma colaboração que respeita as pessoas e o planeta."

"A Piper & Skye continua dedicada à transparência, à responsabilidade e aos mais altos padrões de ética nos negócios."

Outro problema que preocupa especialistas, além das desigualdades de mercado, é a falta de controle sobre o contrabando do pirarucu.

A investigação sobre a pesca ilegal no Amazonas estava entre as motivações do assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, mortos em 5 de junho de 2022, na região da Terra Indígena Vale do Javari. O crime mirava as atividades de Pereira em defesa dos povos indígenas para coibir violações ambientais.

Um levantamento feito pela BBC News Brasil nos dados do Ibama identificou 1,1 mil multas ambientais relacionadas ao pirarucu desde os anos 2000 — 70% delas no Amazonas.

Os casos mais comuns são relacionados à pesca ilegal e transporte do peixe sem autorização, mas a BBC também encontrou infrações por comércio não autorizado do couro.

O chefe do Núcleo de Fiscalização da Atividade Pesqueira do Ibama, Igor de Brito, diz que essa área do crime contra Phillips e Pereira tem apreensões constantes do peixe — uma operação foi instaurada depois dos assassinatos para investigar a atividade pesqueira no local.

"A gente tem feito operação lá todo ano e, praticamente em todas, apreende pirarucu, tanto no rio quanto no mercado local", afirma Brito.

"Em uma das ações chegamos a recolher cerca de uma tonelada, num mercado relativamente pequeno."

"Nos faltam pernas para poder combater toda a irregularidade. A falta de mão de obra e de fiscais com certeza dificulta muito o enfrentamento efetivo. Queria, por exemplo, poder realizar uma operação toda semana no mercado do peixe de Manaus. Mas não damos conta, dada a demanda."

Operação no Amazonas apreende toneladas de pescado ilegal na região do Médio Solimões, a 360km da capital. Dentre eles estava o pirarucu — Foto: Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) via BBC

Brito, do Ibama, avalia que o controle da cadeia produtiva do pirarucu está "muito aquém" do que o órgão gostaria. Um dos desafios é ter um sistema que acompanhe toda a cadeia produtiva, de ponta a ponta.

Ele explica que quando o peixe sai das áreas manejadas, acompanha uma guia de transporte e um lacre preso ao couro. O problema surge quando o pirarucu é fracionado. "Quando ele vira couro, carne ou língua, perco esse controle. Essa diversidade de usos dificulta um acompanhamento amplo", diz Brito.

Na prática, o trabalho vira uma investigação por etapas, sem um sistema que concentre os dados. "Se chego a uma loja, pergunto de onde veio o produto. Vou subindo: fábrica, distribuidor, até chegar ao pescador. É um processo precário, mas é o que temos."

Para Fernanda Alvarenga, autora do estudo sobre o mercado do couro do pirarucu no Amazonas, não há segurança de que o couro comprado pelas empresas do setor vem exclusivamente do manejo legal. E alerta para a falta de fiscalização nos rios e nos frigoríficos.

"Com tanto peixe ilegal sendo capturado, alguém está recebendo, processando, comprando esse peixe e essa pele".

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As investidoras que querem provar que empresas lideradas por mulheres dão mais lucro

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Empreendedorismo As investidoras que querem provar que empresas lideradas por mulheres dão mais lucro Erica Fridman e Jaana Goeggel se juntaram para levantar R$ 25 milhões e investir em empresas fundadas por mulheres — o primeiro fundo de 'venture capital' desse tipo no Brasil. Por Camilla Veras Mota

Erica Fridman e Jaana Goeggel são gestoras do fundo de capital de riscoSororitê, estabelecido no fim do ano passado com foco em startups que estejam em estágio inicial e que tenham pelo menos uma mulher entre os fundadores.

Segundo Fridman, 9 das 10 empresas de tecnologia que hoje são as maiores do mundo receberam investimento de fundos de venture capital.

As estatísticas mostram que startups lideradas só por mulheres receberam apenas 0,04% do capital investido em 2020 no Brasil – se incluídas as empresas com homens e mulheres entre os fundadores, o índice é de 2,2%.

No momento, o fundo está em fase de captação, ou seja, está aberto àqueles que quiserem aportar dinheiro na expectativa de que ele traga retorno quando as empresas que receberem o recurso crescerem e multiplicarem seu valor.

Jaana Goeggel e Erica Fridman querem levantar R$ 25 milhões para investir em empresas fundadas por mulheres — Foto: BBC/ Reprodução

Microsoft, Amazon, Meta, Alphabet (controladora do Google), Nvidia e tantas outras. As empresas mais valiosas do mundo foram em sua grande maioria fundadas por homens e são lideradas por homens.

Não faltam mulheres talentosas capazes de serem CEOs, mas, quando decidem empreender, elas costumam esbarrar em uma sucessão de barreiras que muitas vezes as impede de chegar ao topo.

Foi essa avaliação que levou a brasileira Erica Fridman e a suíça Jaana Goeggel a uma empreitada que nos próximos anos vai investir R$ 25 milhões em empresas fundadas por mulheres.

Elas são gestoras do fundo de capital de risco (venture capital) Sororitê, estabelecido no fim do ano passado com foco em empresas de tecnologia inovadoras (startups) que estejam em estágio inicial e que tenham pelo menos uma mulher entre os fundadores — o primeiro fundo desse tipo no Brasil.

Segundo Erica Fridman, nove das dez empresas de tecnologia que hoje são as maiores do mundo hoje receberam investimento de fundos de venture capital, um recurso fundamental para acelerar seu crescimento: Apple, Microsoft, Nvidia, Amazon, Alphabet, Meta, Tesla, Broadcom e Tencent.

"Eu vejo o poder dessa indústria de gerar impacto econômico e social, o poder que tem uma Meta, um Google… tem gente que escolheu colocar dinheiro ali atrás, e não fomos nós, mulheres, porque a gente não está jogando este jogo", diz Fridman à BBC News Brasil.

'Usei aliança falsa para ser respeitada': mulheres contam como driblaram os julgamentosO que dizem maridos de mulheres CEOs

As estatísticas mais recentes disponíveis na plataforma Pitchbook mostram que startups lideradas só por mulheres receberam apenas 0,04% do capital investido em 2020 no Brasil – se incluídas as empresas com homens e mulheres entre os fundadores, o índice é de 2,2%.

Fridman, que durante muito tempo trabalhou para as multinacionais americanas Johnson & Johnson e Procter & Gamble antes de entrar no mundo do venture capital, diz que a razão por trás dos números ficou clara quando começou a ouvir os relatos de mulheres empreendedoras decepcionadas depois das reuniões com possíveis investidores.

"A fundadora está lá fazendo o 'pitch' [apresentação para vender o projeto], a pessoa vira e pergunta: 'Seu marido trabalha?', 'Você tem filhos?'… Ou então fala: 'Nossa, como você é bonita!'", ela exemplifica.

"Eu falo com fundadoras o dia inteiro e não tem uma que não me traz uma história triste de perguntas inapropriadas ou perguntas em que o investidor, em vez de abordar o potencial do negócio, coloca empecilhos, fica tentando achar o furo", conta Fridman, ao falar sobre os vieses conscientes e inconscientes que levam os gestores de recursos a achar que as mulheres não conseguem dar conta da pressão de empreender.

"Nunca alguém achou que eu era menos capaz do que um homem dentro de nenhuma das empresas em que trabalhei. Eu me deparei com isso quando fui pra indústria do venture", acrescenta a brasileira.

"É uma dúvida de competência e uma dúvida de resiliência. Será que ela vai conseguir enfrentar essa jornada tão dura e árdua? E, se ela é mulher, vai ser uma boa líder?"

Curiosamente, os números, segundo ela, mostram que as empresas lideradas por mulheres são, na verdade, mais lucrativas.

Informações reunidas pelo Pitchbook apontam que elas consomem 25% menos caixa por mês, e dados da Ewing Marion Kauffman Foundation apontam que dão retorno 35% maior sobre o investimento feito no negócio.

Fridman diz que são muitas as pesquisas nesse sentido, mas elas também são olhadas com ceticismo por quem toma a decisão sobre quem recebe investimento.

"Tem gente que não acredita. Como que a gente resolve isso? Eu não consigo resolver imediatamente, mas, a partir do momento em que o fundo começa a trazer liquidez, eu posso ir para o mercado e falar: 'Gente, eu investi em 22 startups lideradas por mulheres e fiz sete vezes o investimento'. Essa é a melhor forma de provar", ela argumenta.

"'Oh, essa daqui tá com um valuation [avaliação do valor da empresa] de US$ 1 bilhão'. Não tem o que questionar se ela tem filhos, se tem marido, se ela teve tempo. Então é isso que a gente quer fazer."

No momento, o fundo está em fase de captação, ou seja, está aberto àqueles que quiserem aportar dinheiro na expectativa de que ele traga retorno quando as empresas que receberem o recurso crescerem e multiplicarem seu valor. Até agora o Sororitê tem 43 cotistas, sendo 40 mulheres e três homens, e levantou R$ 13 milhões.

Mesmo antes de fechar os R$ 25 milhões, o fundo investiu em duas empresas no ano passado, uma de tecnologia do setor imobiliário (proptech) e outra de cibersegurança ligada ao Pix, e neste ano pretende investir em mais seis.

Meta tem programa de diversidade, equidade e inclusão, mas fundador enalteceu 'energia masculina' — Foto: REUTERS

O investimento acontece justamente em um momento em que cresce na política e no mundo corporativo e da tecnologia, especialmente nos Estados Unidos, uma reação contrária à diversidade, entre elas de gênero.

Em entrevista ao podcast de Joe Rogan em janeiro, o CEO da Meta e cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg, disse acreditar que as empresas precisavam de mais "energia masculina" e que a cultura corporativa teria se aproximado demais de algo "neutro".

Questionada pela reportagem sobre o episódio, Fridman resumiu dizendo que Mark Zuckerberg era "decepcionante em muitos níveis".

E, se existe uma "energia masculina", existiria também uma "energia feminina" no mundo dos negócios? A gestora responde que "cada pessoa tem seu estilo", mas que as mulheres de forma geral são mais perfeccionistas e inseguras, o que faz com que elas estudem e se preparem muito mais.

"Eu falo assim: a gente compra o livro, a gente lê, grifa, faz o resumo e mesmo assim acha que não está preparada o suficiente para falar sobre o livro", ela ilustra.

A falta de confiança, ela continua, está de certa forma ligada aos mesmos obstáculos que impedem muitas vezes as mulheres de se tornarem líderes — e que ela espera ver mudar quando mais mulheres alcançarem essas posições.

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Tarifaço de Trump leva empresas a adotarem férias coletivas; veja quais os direitos do trabalhador

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Empreendedorismo Tarifaço de Trump leva empresas a adotarem férias coletivas; veja quais os direitos do trabalhador Férias coletivas podem ser aplicadas em até dois períodos no ano, sendo que nenhum deles pode ser inferior a 10 dias. A empresa deve comunicar a adesão com pelo menos 15 dias de antecedência. Por Rayane Moura, g1 — São Paulo

Empresas do setor madeireiro no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso anunciaram que concederão férias coletivas aos trabalhadores em razão da tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Um exemplo é a indústria Randa, fabricante de portas, molduras e compensados em Bituruna, no sul do Paraná. A empresa informou que dará férias coletivas a todos os seus 800 funcionários.

Ao g1, o CEO da empresa, Guilherme Ranssolin, explicou que 55% da produção é destinada aos EUA — e que todos os pedidos do país foram cancelados por causa do tarifaço.

Segundo ele, 400 trabalhadores iniciaram o rodízio de férias coletivas há cerca de 15 dias, e os outros 400 sairão quando os primeiros retornarem ao trabalho. Com isso, metade da produção está paralisada.

Ranssolin afirma que a Randa acumula estoque parado por não conseguir embarcar seus produtos e, por isso, optou por conceder férias coletivas a todos os trabalhadores, na tentativa de evitar demissões.

Empresas do setor madeireiro no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso anunciaram que concederão férias coletivas aos trabalhadores em razão da tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Um exemplo é a indústria Randa, fabricante de portas, molduras e compensados em Bituruna, no sul do Paraná. A empresa informou que dará férias coletivas a todos os seus 800 funcionários.

Ao g1, o CEO da empresa, Guilherme Ranssolin, explicou que 55% da produção é destinada aos EUA — e que todos os pedidos do país foram cancelados por causa do tarifaço.

Segundo ele, 400 trabalhadores iniciaram o rodízio de férias coletivas há cerca de 15 dias, e os outros 400 sairão quando os primeiros retornarem ao trabalho. Com isso, metade da produção está paralisada.

Ranssolin afirma que a Randa acumula estoque parado por não conseguir embarcar seus produtos e, por isso, optou por conceder férias coletivas a todos os trabalhadores, na tentativa de evitar demissões.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo deve anunciar nesta quarta-feira (13) um pacote de medidas para apoiar exportadores brasileiros afetados pelo aumento de tarifas. As medidas devem incluir linhas de crédito, facilitação de comércio e descontos de impostos.

Enquanto isso, empresas de diferentes setores têm feito como a Randa e recorrido às férias coletivas para ajustar custos e se preparar para um cenário econômico incerto.

A medida, embora legal e prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), gera dúvidas: as empresas podem obrigar seus funcionários a participar das férias coletivas? Se sim, como é feito o cálculo? Os dias podem ser descontados das férias individuais ou da remuneração?

O que são as férias coletivas?Em quais situações a empresa pode conceder férias coletivas?Existe um limite de frequência ou de duração para férias coletivas?O trabalhador pode recusar as férias coletivas? As empresas podem obrigar a tirá-las?Já agendei férias individuais e até comprei passagens. E agora?Em situações como o tarifaço, qual é o papel das férias coletivas?Qual a diferença entre férias coletivas e programas de suspensão de contratos?A reforma trabalhista alterou as regras para férias coletivas?O que a lei poderia prever para proteger mais o trabalhador nesses casos?O que acontece se empresa utilizar as férias coletivas de forma irregular?

Férias coletivas são períodos de descanso concedidos, ao mesmo tempo, a todos os funcionários ou a um setor específico da empresa. Essa modalidade, com regras próprias e diferentes das férias individuais, está prevista no artigo 139 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O período concedido de férias coletivas é descontado do total de férias anuais a que o empregado tem direito. (entenda abaixo como funciona)

O pagamento segue as mesmas regras das férias individuais: o valor dos dias deve ter acréscimo de 1/3 constitucional e ser pago até dois dias antes do início.

🔎 Se o trabalhador ainda não tiver completado 12 meses de serviço, ele receberá férias proporcionais, conforme o artigo 140 da CLT. Para eles, um novo período aquisitivo começa após as férias.

As férias coletivas podem ser concedidas em qualquer época do ano, mas costumam ser usadas para reduzir custos e facilitar o planejamento em períodos de menor demanda.

De acordo com a advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho, do escritório Ferraz dos Passos, não se trata de um recurso para disfarçar demissões ou queda na produção, mas uma ferramenta de gestão para evitá-las.

“Quando usadas de forma estratégica, ajudam a manter empregos de profissionais já qualificados e familiarizados com a atividade, ao mesmo tempo em que cumprem a obrigação legal de conceder férias anuais aos empregados”, completa a especialista.

Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A.C Burlamaqui Consultores, as férias coletivas podem abranger todos os empregados ou apenas setores específicos.

O período pode ser de até 30 dias ou dividido em dois blocos, desde que nenhum tenha menos de 10 dias.

Comunicar o Ministério do Trabalho com, no mínimo, 15 dias de antecedência;Fixar aviso nos locais de trabalho;Notificar o sindicato da categoria.

A comunicação aos próprios empregados também deve ocorrer no mesmo prazo. Se as regras não forem seguidas, a empresa pode ter de pagar o período em dobro.

Além disso, os dias de descanso são contados de forma corrida. Assim, se coincidirem com Natal ou Ano Novo, essas datas não podem ser descontadas.

🚫 Durante as férias coletivas, como nas individuais, o contrato de trabalho fica suspenso e o empregado não pode ser demitido sem justa causa.

O empregado não pode se recusar a tirar férias coletivas, salvo em situações previstas em acordo ou convenção coletiva, ou em casos excepcionais. Ou seja, se a empresa decidir conceder férias coletivas a todos ou a um setor, todos os envolvidos devem participar.

Essas férias devem ser comunicadas com pelo menos 15 dias de antecedência. Se o prazo não for cumprido, a concessão pode ser considerada irregular e a empresa obrigada a pagar o período em dobro.

A notificação deve ser feita por escrito, por meio de comunicados internos, e-mails ou avisos nos murais da empresa.

“Cabe ao empregador, por seu poder diretivo, a escolha da data das férias. Vejo como insubordinação, sujeita às sanções disciplinares de praxe”, explica a advogada trabalhista Nathalia Sequeira Coelho.

Se a empresa decidir conceder férias coletivas, os funcionários que já haviam marcado férias individuais em outras datas podem ter o período alterado para coincidir com o coletivo.

Mesmo que o trabalhador já tenha comprado passagens ou feito reservas, a empresa pode determinar que as férias sejam tiradas no período coletivo, o que pode sobrepor-se ao planejamento individual.

“Nesses casos, é importante que o funcionário comunique à empresa os compromissos já assumidos para tentar negociar uma solução, mas a empresa não é obrigada a manter as férias individuais previamente agendadas”, diz a advogada trabalhista Luiza Carvalho.

💵 A advogada diz, porém que, caso as férias coletivas causem prejuízos comprovados ao empregado, o empregador poderá ser responsabilizado pelo ressarcimento.

Segundo Nathalia Sequeira Coelho, em cenários de crise, as férias coletivas podem funcionar como medida temporária de ajuste, especialmente diante da incerteza sobre a aplicação e o alcance da nova tarifa, por exemplo.

Essa estratégia permite à empresa ganhar tempo para planejar, evitar demissões em massa, reduzir custos operacionais de imediato e ajustar a produção à nova realidade, prevenindo acúmulo de estoque em períodos de queda nas vendas.

🔎 Em outras palavras, trata-se de uma ferramenta para atravessar momentos de instabilidade, adaptando-se ao mercado sem recorrer de imediato a cortes de pessoal.

As férias coletivas mantêm o vínculo empregatício, são pagas pelo empregador e descontadas do saldo anual de 30 dias. Essa modalidade também está prevista na CLT e não depende da decretação de estado de calamidade pública.

Já o Benefício Emergencial (BEm) permite suspender ou reduzir temporariamente a jornada e o salário mediante acordo, com compensação financeira paga pelo governo. O programa é uma medida emergencial voltada à preservação do emprego, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19.

Durante a suspensão do BEm, o empregador não paga salários, e o trabalhador recebe um valor calculado com base no seguro-desemprego. Esse período não é descontado das férias, mas também não conta para aquisição proporcional de novos direitos, salvo previsão legal ou acordo específico.

“As férias coletivas são um descanso remunerado, com ônus financeiro ao empregador. A suspensão de contrato é uma medida temporária excepcional, com custeio parcial pelo governo e suspensão das obrigações contratuais principais”, completa Nathalia Sequeira Coelho.

⚠️ IMPORTANTE: Não foi anunciada qualquer medida excepcional nesse sentido para o cenário do tarifaço.

Segundo Nathalia Sequeira Coelho, a reforma trabalhista não modificou diretamente as regras das férias coletivas, mas alterou as férias individuais, que agora podem ser divididas em até três períodos, com concordância do empregado.

Essa flexibilização não se aplica às férias coletivas, que continuam limitadas a, no máximo, dois períodos anuais, cada um com no mínimo 10 dias corridos.

A reforma também permitiu que acordos e convenções coletivas estabeleçam regras próprias para as férias coletivas, como definição de períodos, formas de pagamento e parcelamento do adicional de um terço. Na ausência de regras específicas, valem as disposições da CLT.

Embora a CLT já contenha regras para proteger o trabalhador nas férias coletivas, Nathalia Sequeira Coelho avalia que a legislação poderia avançar, garantindo mais previsibilidade e segurança financeira.

Ampliar o prazo mínimo de comunicação, tanto para o empregado quanto para o sindicato;Evitar que as férias coletivas reduzam de forma desproporcional o descanso anual individual;Exigir que o pagamento seja feito com antecedência maior, assegurando que o trabalhador tenha recursos disponíveis antes do início do período de descanso.

Se a concessão ocorrer de forma irregular — como ausência de comunicação ou fracionamento acima do permitido — o trabalhador pode requerer indenização, inclusive com pagamento em dobro.

As denúncias podem ser feitas ao sindicato, ao Ministério do Trabalho ou ao Ministério Público do Trabalho.

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Mães PJ enfrentam maternidade sem direitos: ‘Vamos te desligar porque você está grávida’

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Empreendedorismo Mães PJ enfrentam maternidade sem direitos: 'Vamos te desligar porque você está grávida' Enquanto o STF discute esse modelo de contratação, especialistas alertam para o risco que mulheres grávidas e mães fiquem ainda mais vulneráveis, sem acesso às garantias e proteções que a legislação trabalhista prevê para quem tem contrato formal. Por Mariana Rosetti, Paola Churchill — São Paulo

Cada vez mais brasileiros trabalham como PJ, mas, para mulheres, isso representa desafios adicionais quando engravidam — Foto: Getty Images via BBC

"Vamos te desligar porque você está grávida, e sua prioridade agora vai ser seu filho." A frase foi dirigida à fisioterapeuta Grace Venâncio de Brito Urbinati, de 31 anos, quando ela estava grávida de cinco semanas, em março deste ano.

Quem deu a notícia foi a diretora da clínica que a havia contratado como coordenadora dois meses antes. Assim que descobriu a gravidez, Grace conta que avisou os empregadores, que asseguraram: não seria problema. Mas a promessa durou pouco.

A demissão só foi possível porque Grace é microempreendedora individual (MEI). Embora tivesse horário de entrada e saída, além de outras características de um contrato de trabalho tradicional regido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), era uma prestadora de serviços contratada como pessoa jurídica (PJ).

Se estivesse no regime CLT, mesmo em período de experiência, teria estabilidade durante a gestação e até cinco meses após o parto, acesso à licença-maternidade remunerada e outros benefícios. Mas, para quem é PJ, esses direitos não se aplicam.

Com a demissão, a renda de Grace despencou: "A situação ficou desesperadora". Na busca por trabalho, ela "preferia falar a verdade, que estou grávida", mas o resultado era sempre o mesmo: silêncio dos processos seletivos.

Sem conseguir acesso ao mercado formal, passou a trabalhar como freelancer, atendendo pacientes em casa, mas "recebo menos da metade do que recebia antes".

"As pessoas invalidam a gestante. Me senti inválida. Pensei: não sou mais nada. Perdi minha identidade."

Grace conta que chegou a procurar um advogado para reivindicar na Justiça o reconhecimento do vínculo empregatício, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) havia suspendido a tramitação no país de todos os processos que discutem a legalidade da "pejotização".

Esse termo é usado para se referir a quando empresas contratam prestadores de serviços como pessoa jurídica, evitando arcar com os encargos trabalhistas do vínculo formal de emprego.

A decisão do ministro Gilmar Mendes de congelar os processos, em abril deste ano, veio após o STF ser sobrecarregado com demandas sobre o tema. Isso porque a Justiça do Trabalho, disse Mendes, "descumpre sistematicamente" a orientação do Supremo, que tem decidido pela legalidade da pejotização em casos recentes.

Em paralelo, um número crescente de pessoas têm optado por esse tipo de contrato de trabalho, em especial como MEIs, em busca de mais autonomia e flexibilidade, uma remuneração maior em comparação com os empregos com carteira assinada e também por vontade de empreender e ser dono do próprio negócio.

No primeiro trimestre de 2025, o Brasil registrou a abertura de 1.407.010 novos CNPJs, dos quais 78% correspondem a MEIs, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Esse crescimento representa um aumento de 35% no número de MEIs em comparação ao mesmo período de 2024, enquanto as micro e pequenas empresas (MPEs) apresentaram uma alta de 28%.

Entre os segmentos que mais se destacaram em março, o setor de serviços liderou com 63,7% das novas aberturas, seguido por comércio (20,8%) e indústria da transformação (7,6%).

Diante do cenário, o Supremo discute se esse tipo de contratação pode ou não ser considerada fraude trabalhista, questão que gera controvérsia entre especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Enquanto uns alertam que a "pejotização" irrestrita torna esse modelo de trabalho quase obrigatório em alguns setores e não uma opção pelo empreendedorismo e também é usado para mascarar vínculos de emprego, prejudicando também mulheres grávidas e mães, outros a consideram uma realidade econômica inevitável, preferível ao desemprego.

Gilmar Mendes convocou uma audiência pública para 10 de setembro, a fim de discutir o modelo. No despacho, ele reforçou que o assunto ganhou relevância econômica e social por movimentar uma parte importante da economia nos dias de hoje.

Sendo assim, "a definição de critérios claros e objetivos para a caracterização de eventual fraude torna-se imprescindível para assegurar a transparência, a proteção das partes envolvidas e, sobretudo, a segurança jurídica nas contratações".

"Você vai dar conta com duas filhas?". Larissa, que preferiu ter sua identidade preservada nesta reportagem, conta que ouviu esse comentário do seu ex-chefe ao ter o contrato de prestação de serviços rescindido. Ela estava grávida de nove meses da segunda filha.

Larissa trabalhava como PJ para uma agência de marketing. Entretanto, a rotina tinha características de um contrato via CLT: batia ponto, tinha horário de entrada e saída, comparecia presencialmente uma vez por semana e respondia a uma hierarquia de cargos.

Meses antes, a empresa reestruturava a cultura interna e elaborava "uma cartilha de diversidade, com vários conceitos sobre como se posicionavam em relação a diversos assuntos, como homossexualidade e outros temas", explicou. Larissa foi convidada a escrever sobre maternidade.

Ela e uma das sócias eram as únicas grávidas da agência — outras três gestantes ou puérperas haviam sido demitidas, em diferentes momentos da gestação, conta Larissa.

Com medo do cenário incerto, ela passou a aceitar trabalhos como freelancer. "Entendia que, na agência, eu era contratada como PJ, então estava a serviço deles, mas não era funcionária", explicou.

A insegurança também se deu quando a sócia tirou quatro meses de licença, mas as outras "prestadoras de serviço tinham 15 dias e voltavam recebendo metade do salário". "Era a política deles", lembra Larissa.

Na conversa de demissão, o chefe pontuou: "Eu tenho dois filhos, e é muito difícil, é complicado trabalhar assim… Então, fico pensando se você realmente vai conseguir dar conta com duas crianças".

Larissa conta que sua resposta foi direta: "Se vou dar conta ou não, como vou me organizar com minhas duas filhas, é questão minha, né? Para vocês, tenho que entregar o que está acordado".

A saída financeira que encontrou foi transformar os freelas em fonte de renda principal. "Não era minha vontade, não era meu sonho empreender. É um lugar desconfortável para mim até hoje", afirma.

"Minha filha nasceu numa segunda-feira, dia 5 de agosto. Fiquei terça e quarta no hospital e, na quinta, já estava trabalhando", recorda. Sua empresa nasceu junto com o puerpério.

Para Bárbara Cobo, precarização do trabalho é um fenômeno que tem várias dimensões — Foto: Getty Images via BBC

Para Bárbara Cobo, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) especializada em desigualdades sociais e estudos de gênero, a precarização do trabalho é um fenômeno que tem várias dimensões.

"Você não tem uma única coisa que te diz que é precarizado, mas, em geral, é a falta de uma proteção ou garantias trabalhistas; falta de amparo quando está doente; acesso minimamente a uma aposentadoria no futuro; ficar grávida e ter filhos com algum amparo por lei", explica Cobo, que é doutora em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ).

A pesquisadora destaca que os sinais aparecem até mesmo em trabalhos formais. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, apenas 3% dos vínculos formais de mulheres em 2023 resultaram em pedidos de licença-maternidade.

"É um número tão pequeno que a gente nem consegue captar direito nas pesquisas por amostragem. Agora, imagina o que acontece no mercado informal, onde sequer há registro. É a mulher que negocia diretamente com o contratante, ou se desdobra para voltar ao trabalho poucos dias após o parto", aponta Cobo.

Se a entrada na maternidade é um ponto de inflexão, o retorno ao trabalho formal também não é simples. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese) mostram que uma em cada cinco mulheres é demitida até dois anos após a licença-maternidade.

Na modalidade CLT ou PJ, trabalhadoras podem ter acesso à licença maternidade, com algumas especificidades.

Para trabalhadoras CLT, o período é de 120 dias, que pode ser estendido em até dois meses pelas empresas que participam do programa Empresa Cidadã. Já servidoras públicas têm direito a seis meses.

Além disso, nos contratos CLT, as mulheres têm estabilidade desde a gravidez até cinco meses após o parto e, se demitidas depois, recebem aviso-prévio, FGTS, multa de 40% e seguro-desemprego.

Para gestantes PJ, a licença-maternidade é o único direito garantido, desde que contribuam regularmente com o INSS como contribuinte individual.

O valor do salário-maternidade para MEI corresponde a um salário mínimo — atualmente R$ 1.518 —, independentemente da renda da trabalhadora. A duração do benefício é de 120 dias. Há ainda uma carência: a MEI deve ter contribuído por pelo menos dez meses antes do pedir o benefício.

Trabalhadoras PJ podem ter o contrato rescindido a qualquer momento, sem aviso prévio ou indenização. Também não têm direito a 13º salário, férias remuneradas ou jornada controlada, ou seja, podem precisar trabalhar até o fim da gestação sem respaldo legal para se afastar antes do parto.​​​​​​​​​​​​​​​​

Para a advogada trabalhista Veruska Schmidt, diretora de comunicação do Movimento da Advocacia Trabalhista Independente, esse cenário contribui para que mulheres PJ fiquem mais vulneráveis, sobretudo no contexto de gravidez.

"Ela queria uma vaga CLT, mas não existe. A única oferta que aparece é PJ. E entre o desemprego e a PJ, ela escolhe a PJ", aponta a advogada.

Mas, é uma "percepção falsa que a mulher pejotizada conseguirá nesse contrato entre pessoas jurídicas garantir os seus direitos na via negocial".

"Minha filha nasceu numa segunda-feira, dia 5 de agosto. Fiquei terça e quarta no hospital e, na quinta, já estava trabalhando", diz uma autônoma — Foto: Getty Images via BBC

Valesca Luiza Rauber Grotmann chegou à empresa na quinta-feira anterior à Sexta-feira Santa carregando o filho de poucos meses no colo. Na bolsa, trazia o notebook corporativo e os uniformes que ainda não havia conseguido devolver porque suspeitava do que a aguardava.

A mensagem do seu superior havia sido direta: "Pode vir à empresa amanhã? Os números ainda não estão satisfatórios". Grotmann confirmou presença, mas alertou que precisaria trazer seu bebê, que ainda não frequentava creche.

A recepção na empresa foi protocolar. O superior que a havia convocado não compareceu. Um dos sócios — não o mesmo que a havia contratado — comunicou o desligamento. "Mesmo prevendo a situação, nunca se espera vivenciar isso na prática", recorda.

O episódio marcou o fim de uma trajetória que começara quando Valesca, então com poucos meses de gestação, decidiu deixar seu emprego formal para trabalhar como prestadora de serviços. Mantinha vínculo trabalhista com uma emissora de rádio local quando foi procurada pela nova empresa.

Durante o processo seletivo, informou sobre a gravidez. "A reação foi totalmente positiva. Disseram que não haveria impedimentos e que eu poderia prosseguir normalmente."

Publicitária com especialização em marketing digital, Valesca conta que aceitou o contrato PJ baseada em acordos verbais: trabalho presencial até o final da gestação, regime domiciliar nos últimos meses, um mês de licença após o nascimento e trabalho remoto até conseguir vaga em creche para a criança.

Ela rompeu o contrato CLT, abriu uma empresa individual e começou na nova função. Durante a gestação, cumpriu todas as responsabilidades até interromper as atividades em dezembro.

Seu bebê nasceu em 10 de janeiro. Exatamente um mês depois, ela voltou ao trabalho — mas diz ter encontrado um cenário completamente diferente: ausência de tarefas, reuniões canceladas e falta de planejamento.

Só depois da demissão ela enxergou o padrão: meses antes, uma colega do setor comercial — também mãe — havia sido dispensada sob circunstâncias similares. "Ela atingia todas as metas e apresentava resultados consistentes. Mas era mãe e, frequentemente, precisava trabalhar remotamente", lembra Valesca.

Embora contratada como pessoa jurídica, ela tinha uma rotina típica de CLT: horários fixos, presença obrigatória e estrutura hierárquica rígida. "Exigiam todas as obrigações de um emprego formal, mas sem conceder os direitos correspondentes."

A ausência de carteira assinada significou falta de acesso à licença-maternidade, estabilidade no emprego, FGTS e benefícios previdenciários.

O relato publicado por Valesca no LinkedIn teve muita repercussão, com centenas de comentários e depoimentos semelhantes de outras profissionais.

"É preocupante observar como as organizações mantêm percepções equivocadas sobre maternidade, presumindo que mães serão menos produtivas. A realidade demonstra o contrário."

Após o desligamento, Valesca optou por uma pausa na carreira. Com apoio do cônjuge, reorganizou o orçamento familiar para dedicar-se integralmente aos cuidados ao filho.

"Avaliamos que seria possível manter-nos com um único salário, ainda que isso exigisse ajustes. Decidi priorizar este período com meu filho."

O Supremo Tribunal Federal discute se esse tipo de contratação, via PJ, pode ou não ser considerada fraude trabalhista — Foto: Getty Images via BBC

Antes de 2017, o Tribunal Superior do Trabalho estabelecia uma distinção clara entre atividades-meio e atividade-fim na terceirização, permitindo apenas a contratação externa de serviços auxiliares — como segurança e limpeza em uma fábrica de sapatos — mas proibindo a terceirização da atividade principal do negócio.

Esse cenário mudou com a Reforma Trabalhista de 2017, que eliminou essas restrições e autorizou a terceirização de qualquer tipo de atividade empresarial.

A transformação legal foi consolidada pelo STF no ano seguinte, quando confirmou a constitucionalidade da terceirização ampla e irrestrita.

Muitos contratos PJ são, na verdade, "CLT disfarçado", com características típicas de vínculo empregatício — Foto: Getty Images via BBC

O STF deu um passo ainda mais significativo em 2022 ao validar pela primeira vez a pejotização em um caso que envolveu médicos de um hospital baiano, estabelecendo assim um novo marco na flexibilização das relações trabalhistas brasileiras.

Contudo, diz o professor de Direito Amauri César Alves, da Universidade Federal de Ouro Preto, a discussão vai muito além do senso comum.

"A questão não é simplesmente que o contrato PJ seja firmado 'livremente'. O erro está em tratar essa relação como se fosse entre dois capitais iguais — duas empresas com a mesma força de negociação", explica Amauri.

Segundo ele, a realidade é outra: mesmo quando um trabalhador é contratado como MEI, com CNPJ, ele não detém o mesmo poder de barganha que uma grande empresa. "Essa suposta liberdade de escolha é, na prática, uma ilusão", diz Alves.

Alves detalha que muitos contratos PJ são, na verdade, "CLT disfarçado", com características típicas de vínculo empregatício — subordinação, controle de jornada, exclusividade e proibição de prestar serviços para outras empresas.

"Entre duas pessoas jurídicas, tudo pode ser contratado: 24 horas por dia, 7 dias por semana. Para o Supremo, isso é liberdade contratual. Mas só uma das partes está realmente livre."

Para o advogado Almir Pazzianotto Pinto, ex-ministro do Trabalho e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho, é fundamental compreender a origem da pejotização antes de julgar o fenômeno.

"É importante entender como surgiu a PJ. Ela foi uma criação patronal ou um fenômeno da economia? Se surgiu naturalmente com uma necessidade da economia, temos que vê-la de uma maneira diferente", argumenta.

Pazzianotto aponta que a busca por liberdade no trabalho também impulsiona a escolha pelo regime PJ.

"A pessoa não quer trabalhar registrada com a dedução para a previdência social. Ela não quer ser ligada à previdência, porque o desconto é grande e a expectativa é pequena", explica, destacando que muitos trabalhadores optam conscientemente por esse modelo.

Segundo sua análise, existe uma conexão direta entre terceirização e pejotização. "A terceirização surgiu de uma necessidade econômica. E a terceirização produziu a PJ", afirma, sugerindo que o fenômeno tem raízes estruturais na economia.

Pazzionoto critica ainda o que considera uma interferência do STF na questão. Para ele, há uma "radicalização da Justiça do trabalho contra terceirização" e, por isso, o STF entrou na discussão. "Eu acho que essa questão de uma decisão do Supremo nem deveria ser decisão do Supremo", conclui.

Para a advogada Veruska Schmidt, o impacto da pejotização é maior entre determinados grupos, inclusive mulheres.

"Já estávamos vulneráveis mesmo com carteira assinada, mas vendo avanços em diversidade, equidade salarial. Agora, lutamos pelo básico: o emprego", afirma Schmidt.

Sem vínculo empregatício, desaparecem as obrigações legais das empresas em contratar mulheres, mães e pessoas LGBT+, acrescenta a advogada trabalhista.

"Os contratos passam a ser cíveis, entre empresas. Não existe fiscalização sobre quem está por trás daquele MEI. Quem paga por isso são as mulheres, principalmente as mães trabalhadoras."

Alves enfatiza que o debate do STF não considera essa perspectiva a partir das diferenças entre os gêneros, ainda que a pejotização seja vista por muitas mulheres como uma forma aparente de flexibilização para conciliar trabalho e cuidados domésticos.

"Do ponto de vista jurídico, um CNPJ não tem gênero, mas a realidade social é diferente". Para ele, a decisão do STF será decisiva.

Schmidt alerta que a insegurança trabalhista também interfere em outras violações de direito, como o medo de denunciar assédios, discriminação ou condições precárias vivenciadas no ambiente profissional.

"Atendi duas mulheres da mesma empresa vítimas do mesmo assediador. Uma, ficou anos em silêncio, a outra, falou e foi demitida. É um ciclo de silenciamento que a pejotização só vai aumentar."

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Faturamento de até R$ 100 mil: prêmio elege a melhor franquia do Brasil

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Faturamento de até R$ 100 mil: prêmio elege a melhor franquia do Brasil Rede de bijuterias e outra de limpeza venceram a 22ª edição do prêmio 'As Melhores Franquias do Brasil', da revista PEGN. Saiba quanto investir e qual o faturamento médio em cada uma delas. Por Pegn

A Morana Acessórios foi eleita Franquia do Ano na 22ª edição do prêmio As Melhores Franquias do Brasil, realizado pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN).

O prêmio destaca redes que se sobressaem em desempenho, suporte ao franqueado e potencial de crescimento.

O investimento inicial para abrir uma franquia da Morana é de aproximadamente R$ 200 mil, com faturamento médio mensal de R$ 100 mil por loja.

A franquia da Doutor Sofá exige um investimento inicial a partir de R$ 30 mil, e cada unidade tem faturamento médio de R$ 10 mil por mês.

Uma rede de bijuterias e outra de limpeza se destacaram na 22ª edição do prêmio As Melhores Franquias do Brasil, realizado pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN).

O prêmio destaca redes que se sobressaem em desempenho, suporte ao franqueado e potencial de crescimento. Neste ano, os vencedores foram a Morana Acessórios, eleita Franquia do Ano, e a Doutor Sofá, vencedora na categoria Melhor Microfranquia.

➡️ Abaixo, conheça as histórias por trás dessas duas redes premiadas, os diferenciais de cada uma e o faturamento médio mensal dos franqueados.

À frente da marca está o empresário Jae Lee, imigrante sul-coreano que chegou ao Brasil ainda criança.

Sua família abriu, nos anos 70, uma loja de bijuterias na Rua Augusta, em São Paulo. Foi ali, ajudando no caixa e no atendimento, que Jae deu os primeiros passos no mundo dos negócios.

Após se formar em Administração de Empresas, Jae chegou a investir no setor de alimentação. Mas foi ao assumir o comando da loja da família que decidiu apostar em um novo caminho: transformar o negócio em uma rede de franquias.

💸 O investimento inicial para abrir uma franquia é de aproximadamente R$ 200 mil, com faturamento médio mensal de R$ 100 mil por loja.

“Ele conhece o sotaque, os hábitos da região, está todos os dias na loja. É um modelo em que todos ganham”, afirma.

A Doutor Sofá nasceu de uma necessidade comum: manter o sofá limpo com crianças pequenas em casa. A ideia surgiu entre três amigos de Joinville (SC), que decidiram criar um serviço profissional de limpeza de estofados.

O primeiro franqueado chegou em 2015. Hoje, a rede já conta com quase 300 unidades, sendo 20 delas no exterior.

A proposta da marca é colocar o franqueado em primeiro lugar desde o início: "Ele precisa se sentir parte da rede", explica Raphael Quadros, fundador da empresa.

💸 A franquia exige um investimento inicial a partir de R$ 30 mil, e cada unidade tem faturamento médio de R$ 10 mil por mês.

Entre os franqueados de destaque estão Elaine e Kauan Oliveira, mãe e filho que operam duas unidades em São Paulo e já estão a caminho da terceira.

“Eu vi na franquia uma oportunidade de negócio que cabia na nossa rotina. Não é algo que você olha e acha impossível de entrar”, conta Elaine. Eles realizam de três a quatro atendimentos por dia e dividem bem as funções: ela no atendimento e ele na operação.

O suporte da franqueadora também é um diferencial: os franqueados têm acesso a treinamentos, roteiros prontos e auxílio prático no dia a dia.

📍 Alameda Ásia, 382 – Centro Empresarial Tamboré, Santana de Parnaíba/SP – CEP: 06543-312📞 Telefone: (11) 2110-3300✉️ E-mail: sac@morana.com.br🌐 Sites: morana.com.br | moranablog.com.br/seja-franqueado📱 Instagram: @moranaoficial📘 Facebook: MORANA Oficial

📍 Rua Nove de Março, 820 – Joinville/SC📞 Telefone: (47) 98926-0042🌐 Site: doutorsofa.com.br✉️ E-mail: expansao@doutorsofa.com.br📘 Facebook: Doutor Sofá Franchising📱 Instagram: @doutorsofa.franchising

🌐 Site: doutorsofa.com.br/santana✉️ E-mail: elaosantos@hotmail.com📱 Instagram: @nane_elaine_santos📞 Telefones: (11) 98176-8290 | (11) 91606-7028

📍 Travessa Casalbuono, 120 – Vila Guilherme, São Paulo/SP – CEP: 02047-050📞 Telefone: (11) 2224-5959📱 WhatsApp: (11) 94075-9256🌐 Site: centernorte.com.br✉️ E-mail: atendimento@centernorte.com.br📱 Instagram: @centernorte_📘 Facebook: Center Norte

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Conheça os farejadores profissionais pagos para criar aromas do dia a dia (e não são perfumes)

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Empreendedorismo Conheça os farejadores profissionais pagos para criar aromas do dia a dia (e não são perfumes) Profissionais desenvolvem aromas para produtos variados, como amaciantes, cremes dentais e salgadinhos, e passam por um rigoroso treinamento para reconhecer até 1 mil cheiros diferentes, mesmo com os olhos vendados. Por France Presse

Os "narizes" da Symrise, uma gigante alemã de fragrâncias e sabores, moldam a conexão que milhões de consumidores têm com itens do dia a dia.

Enquanto em marcas de perfumes de luxo artistas olfativos criam fragrâncias para sprays corporais sofisticados, os "farejadores" trabalham em produtos cotidianos.

O olfato e o aroma muitas vezes determinam qual alimento ou bebida, produto de limpeza ou de higiene pessoal acaba no carrinho de compras.

Ser um “nariz” é um trabalho em tempo integral e envolve um programa de treinamento de três anos.

O cheiro de um amaciante de roupas pode ser composto por 80 compostos, muito mais do que um perfume corporal premium, e os melhores narizes conseguem identificar mais de 1.000 odores diferentes mesmo vendados.

A perfumista júnior Shangyun Lyu cheira uma tira olfativa usada para avaliar fragrâncias na empresa Symrise — Foto: MICHAEL MATTHEY / AFP

Nos laboratórios da gigante alemã de fragrâncias e sabores Symrise, um aroma cítrico impregna os jalecos dos trainees — os "narizes" que estão aprendendo a arte de fazer as coisas cheirarem bem.

Esses heróis atarefados do mundo dos cheiros e aromas moldam a conexão que milhões de consumidores têm com itens do dia a dia.

Enquanto em marcas de perfumes de luxo artistas olfativos criam fragrâncias para sprays corporais sofisticados, os especialistas em aromas trabalham em produtos cotidianos que vão desde creme dental com sabor de hortelã até salgadinhos de churrasco.

O olfato, um sentido poderoso que pode desencadear emoções e memórias, e o aroma muitas vezes determinam qual alimento ou bebida, produto de limpeza ou de higiene pessoal acaba no carrinho de compras.

Na sede da Symrise, em Holzminden, uma cidade tranquila ao sul de Hanover, o dia na escola interna de perfumaria da empresa começa sempre da mesma forma: farejando aromas de dezenas de pequenos frascos enquanto estão vendados.

“É como afinar um instrumento musical antes de tocar,” disse Alicia De Benito Cassado, uma ex-pianista profissional espanhola de 32 anos.

A mudança de carreira para o desenvolvimento de aromas foi um passo natural: ela fazia seus próprios perfumes na adolescência para combinar com a poesia e a música que escrevia.

"Para mim, nem tudo precisa cheirar bem" disse ela. "O horror do cheiro também nos ajuda a nos descobrir".

"No final, precisamos criar aromas que sejam fortes, bonitos, poderosos — e acessíveis".

Ser um "nariz" é um trabalho em tempo integral e envolve um programa de treinamento de três anos.

O cheiro de um amaciante de roupas pode ser composto por 80 compostos, muito mais do que um perfume corporal premium, e os melhores farejadores conseguem identificar mais de 1 mil odores diferentes mesmo vendados.

Shangyun Lyu, 31 anos, veio da China para estudar na escola e diz que um farejador profissional consegue se virar conhecendo cerca de 500 aromas.

"Quando criança, eu só sentia jasmim ou gardênia como flores", disse ele. "Agora, reconheço os químicos: é uma mistura de muitos elementos".

Os estudantes pesam os ingredientes até o miligrama, misturam, cheiram e começam de novo, frequentemente replicando odores existentes para entender sua estrutura e, a partir daí, inovar.

“Quando desenvolvemos um perfume, é muito importante que várias pessoas o cheirem,” disse Marc vom Ende, mestre perfumista de 56 anos e chefe da escola.

O Lilial, uma substância química antes valorizada por suas notas florais e doces de lírio-do-vale, foi banida na União Europeia desde 2022 por temores de que possa causar irritação na pele e prejudicar o sistema reprodutivo.

Fragrâncias aplicadas diretamente no corpo têm regulamentações mais rígidas que detergentes, disse Attiya Setai, trainee sul-africana de 27 anos.

"Estamos mais restritos nos matérias-primas e devemos substituir ingredientes proibidos por outros que estejam em conformidade", afirmou.

Os gostos também variam nos mercados globais, com Shangyun citando o exemplo dos shampoos chineses que fazem sucesso com o público jovem na China, mas teriam dificuldade na Europa.

O custo também faz parte da equação. A Symrise extrai compostos aromáticos da resina da madeira, um subproduto da indústria papeleira, em uma iniciativa “que faz sentido econômico e ambiental,” disse vom Ende.

Cerca de 500 perfumistas trabalham na indústria, 80 deles na Symrise, que possui 13 mil funcionários.

A empresa comercializa cerca de 30 mil produtos para clientes que vão de confeiteiros a fabricantes de ração para animais e protetores solares.

Os concorrentes da Symrise incluem a DSM-Firmenich, com sede na Suíça e Holanda, além da Givaudan, outra empresa suíça.

A inteligência artificial tem ganhado espaço, com programas de computador prevendo quais fragrâncias vão fazer sucesso.

Ainda assim, as máquinas não conseguem — pelo menos ainda não — cheirar, mesmo que possam entender fala e ler textos.

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Mãe e filha investem R$ 300 em marmitas e hoje faturam R$ 40 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Mãe e filha investem R$ 300 em marmitas e hoje faturam R$ 40 mil por mês O negócio familiar nasceu na pandemia e hoje vende 2 mil marmitas por mês. Por Pegn — São Paulo

Com apenas R$ 300, a fisioterapeuta Laís Almeida e sua mãe, Euriza Carvalho, deram início a um negócio de marmitas saudáveis em Uberaba (MG).

A ideia, que começou de forma despretensiosa durante a pandemia, hoje se transformou em uma empresa consolidada, com produção de cerca de 2 mil refeições por mês e faturamento médio de R$ 40 mil.

“Ela dizia que essas panelas eram sagradas e iam me trazer muita sorte. Quando a gente começou, eu senti que tinha que usá-las”, conta.

“Eu estava sozinha na cidade, procurando trabalho, e minha mãe também. Resolvemos unir forças e vender comida aqui no prédio”, relembra Laís. O prato de estreia foi a feijoada, preparada em versão mais saudável, sem carnes embutidas.

A primeira compra foi simples: arroz, feijão e embalagens. O investimento inicial de R$ 300, planejado para durar dois finais de semana, rapidamente se multiplicou.

Logo vieram pedidos maiores. Uma cliente sugeriu que as marmitas fossem congeladas, para facilitar a rotina corrida. A observação virou um divisor de águas: mãe e filha passaram a estudar técnicas de congelamento, ampliaram o cardápio e profissionalizaram a operação.

“A crise gerou oportunidade. A gente começou com o que tinha em mãos e até ganhou panelas de outras pessoas”, diz Laís.

Além do sabor, o crescimento do negócio foi impulsionado pelo marketing gastronômico. Enquanto Laís organiza divulgação e vendas, Dona Euriza garante o tempero e a qualidade. O segredo, segundo ela, é “fazer tudo com delicadeza, selar bem as verduras e degustar sempre a comida”.

“Ela funciona como um e-commerce 24 horas. Mesmo quando não estamos atendendo, o cliente pode agendar as marmitas da semana inteira. Isso facilitou a compra e ajudou a organizar métricas e processos”, explica Laís.

Atualmente, as refeições são vendidas em média a R$ 25 cada. Os combos também se tornaram uma estratégia importante para fidelizar clientes e incentivar hábitos alimentares saudáveis.

Agora, mãe e filha sonham ainda mais alto: ter uma fábrica de três andares, pontos de distribuição em outras cidades e ampliar a produção. Mas, até lá, seguem investindo em aprendizado e constância.

Conhecer bem o produto e o público – entender qual problema seu negócio resolve.Precificação correta – calcular custos, insumos e margem de lucro para garantir renda.Divulgação – colocar o produto para aparecer, oferecer amostras e ouvir os clientes.

“Ainda bem que é com a minha mãe”, resume Laís sobre a parceria que transformou a cozinha de família em uma empresa de sucesso.

Mãe e filha investem R$ 300 em marmitas e hoje faturam R$ 40 mil por mês — Foto: Dona Razão/ Divulgação

📍 Rua Colômbia, 30 – Bairro Fabrício, Uberaba/MG – CEP: 38067-090📞 Telefone: (34) 99653-2972🌐 Site: donarazao.com.br✉️ E-mail: donarazaouberaba@gmail.com📘 Facebook: Dona Razão📱 Instagram: @donarazaouberaba

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Você sabia que a Barbie nasceu de uma boneca erótica alemã?

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Empreendedorismo Você sabia que a Barbie nasceu de uma boneca erótica alemã? Há 70 anos, um cartunista alemão criava a personagem Lilli. Depois, uma empresária transformou a personagem das fantasias sexuais dos homens em Barbie, que ficou famosa em todo o mundo. Por Deutsche Welle

A personagem era uma secretária "atrevida" que se vestia de forma provocante e tinha um senso de humor ácido.

Em 1953, o Bild lançou uma boneca de plástico representando Lilli, que se tornou um presente popular entre os homens.

A personagem Lilli, que aparecia em histórias em quadrinhos de antigamente no jornal alemão Bild, inspirou a criação da Barbie — Foto: Patrick Othoniel/JDD/Abaca/picture alliance

As frases da personagem Lilli de uma história em quadrinhos de antigamente do jornal alemão Bild até parecem ter saído de um script de um filme erótico.

Em um dos quadrinhos, a personagem fala de um caminhoneiro que "lhe deu uma mãozinha" quando o carro dela quebrou e que as mãos cheias de óleo do homem deixaram marcas em seu vestido.

Em um outro quadrinho, Lilli zomba de um policial na praia, onde biquínis são proibidos, com a pergunta: "que parte eu devo tirar?".

Quem diria que essa personagem sexualizada, com seus seios fartos e lábios sensuais, chegaria um dia a fazer parte da vida de milhões de meninas? Certamente não o seu criador Reinhard Beuthien, que desenhou Lilli em 40 minutos como personagem de quadrinhos para a primeira edição do Bild em 1952.

A ideia, na época, era apenas preencher um espaço vazio que havia no jornal. Anos mais tarde, a Lilli do Bild se tornaria a Barbie, provavelmente a boneca mais famosa do mundo até hoje.

Segundo a empresa que publica o tabloide mais vendido na Alemanha, a Axel Springer, Lilli era uma "secretária atrevida". Mas há quem diga que a personagem estava mais para uma prostituta de luxo.

Funcionária ou garota de programa, uma coisa é certa: Lilli não foi concebida para ser um brinquedo infantil. Com suas curvas e quase nua, seu cabeço loiro preso no alto da cabeça e seu salto alto, Lilli parecia ter saído de um poster daqueles que se via nas paredes das oficinas de carros na década de 1990, exibindo fotos de mulheres.

Atualmente, podemos dizer que a figura se encaixava no olhar masculino daquele tempo. Tratava-se de uma personagem representada como objeto de desejo, reduzida ao seu corpo, totalmente de acordo com as necessidades de seus criadores e espectadores masculinos. Mesmo assim, o jornal alemão ainda a descreve com as palavras "ousada, sexy, independente".

A empresária e criadora da Barbie, Ruth Handler, recebe um beijo da atriz Kristi Cooke — Foto: Robert Clark/AP/picture alliance

Lilli se tornou tão popular entre os leitores – em sua maioria homens – do jornal sensacionalista que o Bild chegou a criou uma boneca de plástico representando Lilli, em 1953.

Segundo a imprensa, na época era um presente muito popular entre os homens, principalmente nas despedidas de solteiro. Lilli era vendida em bares e bancas de jornais e revistas.

Entre 1955 e 1964, o Bild lançou cerca de 130 mil bonecas Lilli no mercado. Desta vez, acompanhadas de roupas e acessórios para que pudesse atingir também o público feminino. Em pouco tempo, a boneca se tornou um sucesso de vendas. Até em outros países.

Talvez, nos dias de hoje, Lilli ainda apareceria seminua nas páginas do jornal alemão, se não fosse Ruth Handler mudar o rumo desta história. A cofundadora da empresa de brinquedos Mattel descobriu Lilli por acaso, em 1956, em uma vitrine, durante férias em Lucerna, na Suíça.

Ruth e sua filha Barbara ficaram tão encantadas com a boneca que a empresária enviou várias delas para Los Angeles e comprou os direitos de fabricação do "brinquedo".

Em 1959, a Barbie foi lançada no mercado. Ela recebeu o nome de Barbie em homenagem à filha de Ruth que se chama Barbara. O rosto da boneca continuava sendo o da Lilli. Desde então, mais de um bilhão de unidades foram vendidas.

À direita, a boneca alemã Lilli. À esquerda, a primeira Barbie, criada em 1959. — Foto: Reprodução

Hoje, a boneca é muito mais que um brinquedo. Ela inflama debates, seja sobre empoderamento ou obsessão pela beleza.

A Mattel foi moldando sua estratégia de marketing ao espírito da época. Só tem uma coisa que a Barbie até hoje ainda não conseguiu: envelhecer. Independente da cor da pele, a Barbie é "eternamente jovem".

Mas, então, o que aconteceu com a Lilli das histórias em quadrinhos de antigamente do tabloide alemão? A secretária "ousada e independente" se casou com seu namorado Peter em 1961 e desapareceu completamente de cena.

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De hobby a carreira: conheça o confeiteiro por trás do bolo mais comentado de ‘Vale Tudo’

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios De hobby a carreira: conheça o confeiteiro por trás do bolo mais comentado de 'Vale Tudo' Antônio Maciel começou fazendo bolos para as filhas e hoje atende artistas e grandes produções da TV. Conheça a trajetória empreendedora por trás do bolo de “Vale Tudo”. Por Pegn

O bolo do casamento de Maria de Fátima, no remake de "Vale Tudo", se tornou símbolo de luxo e ostentação da trama.

Por trás dessa obra de arte, está o confeiteiro Antonio Maciel, de Niterói (RJ), que conquistou espaço no mercado de festas de alto padrão.

Os bolos assinados por Maciel custam entre R$ 4 mil e R$ 7 mil. Para chegar a esse patamar, o empresário investiu cerca de R$ 300 mil no negócio.

O casamento mais comentado das últimas semanas não aconteceu na vida real, mas parou o país como se fosse. Na cena do remake de "Vale Tudo", a entrada triunfal de Maria de Fátima gerou debates nas redes sociais. Porém, um detalhe específico uniu todos os olhares: o bolo.

Escultural e exuberante, o doce se tornou símbolo de luxo e ostentação da trama. E, por trás dessa obra de arte, está o confeiteiro Antonio Maciel, de Niterói (RJ), que conquistou espaço no mercado de festas de alto padrão.

Os bolos assinados por Maciel custam entre R$ 4 mil e R$ 7 mil. Para chegar a esse patamar, o empresário investiu cerca de R$ 300 mil no negócio.

Conheça a trajetória de Antônio Maciel, empreendedora por trás do bolo de “Vale Tudo”. — Foto: Reprodução/Tv Globo

Ele começou por acaso, preparando bolos para as filhas. Os elogios e pedidos de amigos não pararam de chegar. Pouco tempo depois, Maciel passou a cobrar, estruturou a empresa e buscou capacitação — inclusive no exterior.

O trabalho de Antonio já apareceu em outros programas da TV Globo, como atrações comandadas por Luciano Huck e eventos corporativos da emissora. A clientela também inclui artistas e empresas renomadas.

Para quem quer empreender no segmento, ele recomenda participar de feiras, acompanhar tendências e investir em aperfeiçoamento constante.

“O diferencial está nos detalhes: técnicas, flores, brilhos e proporção. É isso que dá imponência e transforma um bolo em uma experiência visual e gastronômica”, afirma.

O confeiteiro segue celebrando a repercussão do bolo de Vale Tudo e espera adoçar muitas outras histórias — na ficção e na vida real.

Conheça a trajetória de Antônio Maciel, empreendedora por trás do bolo de “Vale Tudo”. — Foto: Reprodução/Tv Globo

📍 Rua Murilo Portugal 36 – Casa 01 – São Francisco – Niterói/RJ – CEP: 24.360-410📞 Telefone: (21) 99772-7676✉️ E-mail: contato@antoniomacielcakes.com.br🌐 Site: www.antoniomacielcakes.com.br📱 Instagram: https://www.instagram.com/antoniomaciel.cakes

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‘Rainha da maçã do amor’: como empreendedora transformou doces em negócio de R$ 10 mil por mês

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 23/02/2026 19:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios 'Rainha da maçã do amor': como empreendedora transformou doces em negócio de R$ 10 mil por mês Tradicional nas festas juninas, a maçã do amor ganhou versões coloridas, acabamento perfeito e se tornou protagonista em eventos de Araraquara (SP). Por Pegn

Em Araraquara, no interior de São Paulo, a confeiteira encontrou na simplicidade da maçã uma receita de sucesso.

Especialista no preparo da tradicional maçã do amor, ela se tornou referência em festas e eventos da cidade, faturando cerca de R$ 10 mil por mês.

A história começou de forma inesperada. Prestes a se casar, buscava uma fonte extra de renda para custear a festa e decidiu vender doces.

O sucesso maior veio com a maçã do amor. Insatisfeita com as versões tradicionais, ela se juntou a um grupo de confeiteiras em busca do “caramelo perfeito”.

Em Araraquara, no interior de São Paulo, a confeiteira encontrou na simplicidade da maçã uma receita de sucesso.

Especialista no preparo da tradicional maçã do amor – agora com cores e acabamentos personalizados –, ela se tornou referência em festas e eventos da cidade, faturando cerca de R$ 10 mil por mês.

A história começou de forma inesperada. Prestes a se casar, buscava uma fonte extra de renda para custear a festa e decidiu vender doces.

“Me encantei com o suspiro, fui na internet, peguei uma receita e executei. Não casei, mas ganhei uma nova profissão”, lembra. O doce leve e de baixo custo foi o impulso para mergulhar no empreendedorismo, levando-a a fazer cursos e investir R$ 10 mil no negócio.

O sucesso maior, no entanto, veio com a maçã do amor. Insatisfeita com as versões tradicionais, ela se juntou a um grupo de confeiteiras de várias partes do Brasil em busca do “caramelo perfeito” – aquele que não derrete e mantém o brilho por mais de 24 horas.

Confeiteira fatura R$ 10 mil por mês com receita especial de maçã do amor — Foto: Reprodução/Tv Globo

Após muita pesquisa e testes, a receita ideal foi alcançada. Hoje, oferece maçãs personalizadas nas cores que o cliente quiser, e seu nome virou sinônimo do doce na cidade.

Para impulsionar as vendas, aposta nas redes sociais e parcerias com influenciadores locais. Também surfa em novas tendências, como o “morango do amor”, que rendeu vídeos com mais de meio milhão de curtidas.

Além da produção, aprendeu a precificar de forma estratégica, levando em conta todos os custos e insumos para garantir lucro.

O próximo passo é conquistar seu próprio ateliê, ampliar a produção e oferecer cursos para outras mulheres que desejam independência financeira.

“Eu busco muito. Parece que o que eu tenho ainda não é suficiente. Quero mais”, diz a confeiteira, que há quase uma década transforma açúcar, cor e criatividade em inspiração – e em um negócio cada vez mais doce.

Confeiteira fatura R$ 10 mil por mês com receita especial de maçã do amor — Foto: Reprodução/Tv Globo

📍 Rua Francisco Nobile, 21 – Parque Res. Vale do Sol, Araraquara/SP – CEP: 14804-127📞 (16) 98201-8266✉️ docesararaquara7@gmail.com📘 Facebook📸 Instagram

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