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Da indicação no Orçamento ao dinheiro na conta: veja as fases de execução de uma emenda parlamentar

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 19/07/2026 00:47

Política Da indicação no Orçamento ao dinheiro na conta: veja as fases de execução de uma emenda parlamentar Orçamento de 2026 tem R$61 bilhões em emendas parlamentares, das quais R$37,8 bilhões são de pagamento obrigatório. Transparência na destinação de verbas é investigada no STF. Por Luiz Felipe Barbiéri, g1 — Brasília

O Orçamento da União de 2026 reserva cerca de R$ 61 bilhões para emendas parlamentares. O montante é indicado por deputados e senadores para estados e municípios.

As emendas impositivas somam R$ 37,8 bilhões, sendo R$ 26,6 bilhões em emendas individuais e R$ 11,2 bilhões em emendas de bancada.

As emendas de comissão somam R$ 12,1 bilhões e passam por investigações do STF sobre transparência. Líderes partidários assinam as indicações, ocultando o autor real.

Nas emendas PIX, os recursos são transferidos diretamente sem a exigência de projetos. A falta de destinação detalhada motivou investigações de irregularidades pela PF.

A execução ocorre com o empenho, que reserva a verba após análise técnica. O pagamento é liberado em parcelas ou depositado diretamente aos beneficiados.

O Orçamento da União de 2026 tem cerca de R$61 bilhões para serem executados conforme indicação de deputados e senadores por meio das chamadas emendas parlamentares.

🔎As emendas parlamentares são um montante do Orçamento reservado para serem executados conforme a indicação dos congressistas.

🏗️Por meio delas, os deputados e senadores podem direcionar verbas para obras, compra de equipamentos, custeio de serviços e investimentos em estados e municípios de suas bases eleitorais.

📄A primeira etapa envolve o envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) pelo Executivo. As indicações dos parlamentares têm início durante a tramitação da proposta no Congresso.

As emendas individuais são impositivas, ou seja, o governo é obrigado a pagar. Elas são indicadas por cada parlamentar. Neste ano, o montante reservado para esta rubrica é de R$ 26,6 bilhões.

🧑🏻‍💼Cada deputado pode indicar cerca de R$ 40 milhões em emendas individuais, e cada senador, R$ 74 milhões.

💰O Orçamento reservou neste ano um total de R$ 11,2 bilhões para esta rubrica, ou seja, R$ 415 milhões para cada bancada.

Dessa forma, as emendas impositivas, aquelas que o governo é obrigado a pagar, somam R$ 37,8 bilhões.

Já as emendas de comissão não são de execução obrigatória. Em 2026, o montante total desta rubrica é de R$ 12,1 bilhões.

Esse total, porém, não é dividido igualmente entre as comissões. As comissões de Saúde da Câmara e do Senado concentram os maiores valores, enquanto alguns colegiados não receberam verba.

🧑🏻‍⚖️As emendas de comissão estão no centro de investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) acerca da transparência na execução.

Isso porque o real autor da emenda fica “escondido” atrás do líder partidário, que assina a emenda. Este é um mecanismo parecido com o que já era usado nas emendas de relator.

📘Um estudo da Organização Transparência Brasil afirma que, em 2025, a Câmara dos Deputados registrou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão em nome de líderes partidários sem identificar os parlamentares que efetivamente indicaram os beneficiários dos recursos.

🕵🏻‍♀️Segundo a organização, o montante representa 16% das indicações feitas pelas comissões da Casa no ano e reproduz a lógica do extinto "orçamento secreto".

Além desses três tipo de emendas que, somadas, chegam a R$ 49,9 bilhões, o Orçamento prevê R$ 11,1 bilhões como parcelas adicionais, para despesas discricionárias e para projetos selecionados no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

As indicações para execução da verba feita pelos parlamentares precisam respeitar as regras constitucionais e ser compatíveis com o Plano Plurianual (PPA) e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Depois de elaborado o texto final do PLOA, a proposta é votada na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e pelo Congresso. As emendas aprovadas passam a integrar a Lei Orçamentária sancionada pelo presidente da República.

📄Dependendo do tipo de emenda, o parlamentar indica o município, estado, entidade pública ou organização que receberá os recursos.

🏥Nas emendas com finalidade definida, é necessário especificar o objeto financiado, como construção de uma unidade de saúde, compra de ambulâncias, pavimentação de vias ou custeio de serviços hospitalares.

Já nas chamadas transferências especiais, conhecidas como "emendas PIX", os recursos são transferidos diretamente ao ente, que define como aplicar o recurso.

Esta modalidade de emenda já foi alvo de operações da Polícia Federal (PF) com o objetivo de apurar uso irregular de recursos públicos.

🔎Essas emendas foram criadas em 2019 e ficaram conhecidas assim pela dificuldade na fiscalização dos recursos, uma vez que os valores são transferidos por parlamentares diretamente para estados ou municípios sem a necessidade de apresentação de projeto, convênio ou justificativa – por isso, não há como fiscalizar qual função o dinheiro terá na ponta.

Após a indicação de quem vai receber a emenda, os ministérios fazem uma análise técnica e avalia aspectos como:

a regularidade do município ou da entidade beneficiada;documentação exigida;impedimentos técnicos;compatibilidade da emenda com o projeto proposto para sua aplicação.

O próximo passo é celebrar convênios ou outros instrumentos de transferência para permitir a correta aplicação da verba.

É nesta fase que o município ou entidade apresenta um plano de trabalho com o cronograma para a execução das verbas, metas e estimativas de custos.

Depois de avaliados os critérios e a documentação regularizada, a emenda é empenhada. Essa é a primeira fase da execução da despesa no Orçamento.

O empenho é uma espécie de “reserva” do recurso. É quando o governo assume formalmente o compromisso de efetuar aquele gasto.

💵Após o empenho e a fase da liquidação, que avalia o cumprimento das condições exigidas, ocorre a transferência dos recursos. Nos convênios tradicionais, o pagamento costuma ocorrer em parcelas, de acordo com o andamento do projeto.

💸Nas transferências especiais, os valores são depositados diretamente na conta do estado ou município beneficiado.

📃Encerrada a execução, o município precisa demonstrar como os recursos foram utilizados. A prestação de contas inclui documentação financeira, comprovação das despesas realizadas e evidências do cumprimento das metas estabelecidas.

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Quanto ganha o campeão da Copa do Mundo 2026? Veja premiação

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 19/07/2026 00:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1140,29%Dólar TurismoR$ 5,3220,31%Euro ComercialR$ 5,8480,26%Euro TurismoR$ 6,0980,27%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,1140,29%Dólar TurismoR$ 5,3220,31%Euro ComercialR$ 5,8480,26%Euro TurismoR$ 6,0980,27%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%MoedasDólar ComercialR$ 5,1140,29%Dólar TurismoR$ 5,3220,31%Euro ComercialR$ 5,8480,26%Euro TurismoR$ 6,0980,27%B3Ibovespa173.825 pts-1,24%Oferecido por

Neste domingo acontece a grande final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina. Para além do prestígio de atingir o degrau mais alto do futebol mundial e entrar para a história, espanhóis e argentinos também estarão disputando uma premiação milionária.

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A Fifa distribui valores progressivos de acordo com a campanha de cada seleção no Mundial, com as equipes que avançam às fases decisivas acumulando quantias cada vez maiores. O campeão da Copa do Mundo de 2026 receberá US$ 51,5 milhões (cerca de R$ 263,5 milhões), a maior premiação da competição.

Já o vice-campeão ficará com US$ 34,5 milhões (R$ 176,5 milhões). A disputa pelo terceiro lugar também vale cifras expressivas: o vencedor do duelo entre França e Inglaterra receberá US$ 30,5 milhões (R$ 156 milhões), enquanto o quarto colocado embolsará US$ 28,5 milhões (R$ 146 milhões).

Antes mesmo da decisão, as seleções eliminadas nas quartas de final já haviam garantido os maiores valores entre os times que não chegaram às semifinais. Noruega, Bélgica, Marrocos e Suíça receberam US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões) cada pela campanha no torneio.

As equipes que se despediram nas oitavas de final ficaram com US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões). Foi o caso do Brasil, eliminado pela Noruega por 2 a 1, além de Paraguai, Egito, Canadá, Portugal, Estados Unidos, Colômbia e México.

Nas fases anteriores, a Fifa pagou US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões) para as seleções eliminadas nos 16 avos de final e US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões) para aquelas que não conseguiram avançar da fase de grupos.

Dessa forma, além da taça e da chance de eternizar seus nomes na história do futebol, Espanha e Argentina entram em campo sabendo que o título mundial também representa a maior recompensa financeira oferecida pela Fifa na competição.

1 – US$ 51,5 milhões (R$ 263,5 milhões)2 – US$ 34,5 milhões (R$ 176,5 milhões)3 – US$ 30,5 milhões (R$ 156 milhões)4 – US$ 28,5 milhões (R$ 146 milhões)

5 – Noruega – US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões)6 – Bélgica – US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões)7 – Marrocos – US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões)7 (empate) – Suíça – US$ 20,5 milhões (R$ 105 milhões)

9 – México – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)10 – Colômbia – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)11 – Brasil – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)12 – EUA – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)13 – Portugal – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)14 – Canadá – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)15 – Egito – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)16 – Paraguai – US$ 16,5 milhões (R$ 84 milhões)

17 – Holanda – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)18 – Alemanha – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)19 – Costa do Marfim – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)20 – Croácia – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)21 – Japão – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)22 – Austrália – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)23 – RD Congo – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)24 – Gana – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)25 – Equador – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)25 (empate) – África do Sul – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)27 – Suécia – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)28 – Áustria – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)29 – Bósnia e Herzegovina – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)30 – Argélia – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)31 – Senegal – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)32 – Cabo Verde – US$ 12,5 milhões (R$ 64 milhões)

33 – Irã – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)34 – Coreia do Sul – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)35 – Turquia – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)36 – Escócia – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)37 – Uruguai – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)38 – Arábia Saudita – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)39 – República Tcheca – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)40 – Nova Zelândia – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)41 – Qatar – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)42 – Curaçao – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)43 – Panamá – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)44 – Jordânia – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)45 – Haiti – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)46 – Uzbequistão – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)47 – Tunísia – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)48 – Iraque – US$ 10,5 milhões (R$ 54 milhões)

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Por que estrangeiros estão comprando tantos imóveis no Brasil

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 16:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O Brasil "estar na moda" já tem reflexos no mercado imobiliário do país. Regiões como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina registram têm registrado um aumento robusto na busca de imóveis por estrangeiros nos últimos anos.

O interesse vai além de uma mera busca por um lugar onde se hospedar e tem sido encarado por vários compradores como um investimento. Mas o fenômeno também tem gerado efeitos indesejados, ajudando a alimentar uma alta do preço de aluguéis, o que deve elevar a pressão por regulações.

Em 2025, o Brasil registrou um recorde de 9,2 milhões de visitantes estrangeiros. E os cinco primeiros meses de 2026 já somaram 4,9 milhões.

Em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, o período foi marcado por uma maior busca de imóveis por profissionais trabalhando em home office e os chamados nômades digitais. No caso carioca, a prefeitura local chegou a lançar em 2021 um programa visando atrair esse tipo de profissional.

"Os avanços nas vendas são identificados principalmente nos imóveis compactos recém-lançados. Em Ipanema e no Leblon, pesquisas mostram que 30% dessas unidades foram comercializadas para estrangeiros", afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin.

O diretor regional de relações internacionais do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC), Marco Aurélio Lievore, apontou que, num levantamento de uma imobiliária em Florianópolis, 83% das vendas foram para clientes argentinos buscando apartamentos na planta.

"Os empreendimentos buscados em sua grande maioria são estúdios. Há muitos estrangeiros que passam férias aqui e depois vem procurar um lugar para morar ou investir", conta.

Entre as nacionalidades, americanos e argentinos se destacam entre os investimentos. Europeus de uma série de países, como França e Suíça, aparecem também entre os principais compradores, enquanto há registro ainda de um interesse crescente de cidadãos dos Emirados Árabes Unidos.

Plataformas também tornaram mais atrativa a ideia de comprar um imóvel em outro país e obter renda à distância. Além disso, empresas vêm focando na oferta de serviços para o público externo, como na gestão destas propriedades.

A Lobie, empresa especializada na área, aponta que a participação de estrangeiros em sua carteira passou de cerca de 2% para 18% em três anos. Hoje, a companhia administra aproximadamente 1.620 estúdios de investidores de fora do Brasil.

"A vantagem desse tipo de imóvel para o comprador estrangeiro é a atratividade da cidade: ele pode utilizá-lo em períodos de férias e grandes eventos e, quando não for utilizado pelo próprio comprador, é um imóvel de grande procura", aponta Hermolin. "A receita obtida certamente paga a manutenção e deixa algum lucro", afirma.

Em países como a Argentina, imóveis são normalmente negociados em dólar, o que torna transações em reais no Brasil mais atrativas. Além disso, o diretor aponta grande potencial de valorização do mercado brasileiro, especialmente quando em comparação com regiões litorâneas mais saturadas no mundo, como Miami, nos Estados Unidos, e o Algarve, em Portugal.

Há ainda a facilidade nos trâmites na comparação com outros países. "O Brasil é um país fácil de conseguir residência, é algo que ajuda muito", aponta Lievore. No caso catarinense, ele aponta um fluxo recente de russos, que se intensificou após a guerra na Ucrânia, e que visam especialmente obter um passaporte brasileiro.

Uma resolução do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) permite aos estrangeiros que comprarem imóveis no Brasil solicitar autorização de residência. Pessoas físicas devem comprar um imóvel no valor mínimo de R$ 1 milhão e com recursos próprios de origem externa.

O mercado brasileiro também já é o terceiro do mundo com mais anúncios de Airbnb, atrás somente de Estados Unidos e França, mas com um dos crescimentos mais acelerados nos últimos anos.

Desde 2022, cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis tiveram suas ofertas de anúncios mais do que dobradas no Airbnb. No caso carioca, a plataforma AirDNA registra mais de 60 mil, enquanto a capital catarinense conta com 36 mil. Como comparação, em Barcelona, onde a modalidade será proibida a partir de 2028 pelos efeitos negativos no mercado imobiliário local, existem 26 mil anúncios.

"O Brasil vem registrando um crescimento nos anúncios acima do resto do mundo", resume Sofia Morais de Sousa, executiva de contas do AirDNA. Além dos municípios citados, São Paulo também se destaca em números absolutos, com mais de 61 mil anúncios.

Cidades no litoral catarinense exibem números comparativamente mais robustos. O AirDNA registra mais de 10 mil anúncios em Bombinhas, no Estado de Santa Catarina, que tem uma população de cerca de 25 mil habitantes.

Num levantamento publicado este ano, a plataforma Inside Airbnb listou a cidade no topo do ranking de concentração de anúncios no Brasil, com 210,3 por km2. Em seguida vem Balneário Camboriú, com 138,8 por km2 e mais de 10 mil anúncios ativos.

Neste caso, a região vem ainda se notabilizando pelos lançamentos de luxo, que são outra fonte de atração de estrangeiros. Segundo a construtora do Senna Tower, projeto que planejado para ser o prédio residencial mais alto do mundo, 16% dos apartamentos já vendidos foram para estrangeiros.

Há certa mudança no perfil dos turistas no país. Em 2021, o AirDNA registrava menos de 10% de estrangeiros como hóspedes no Brasil. No último ano, o número ficou acima de 20%. Ainda assim, segue bem diferente da Europa, onde o mercado doméstico costuma ser menos relevante. No caso da Espanha, 80% dos hóspedes são estrangeiros na plataforma, enquanto na Alemanha essa porcentagem é de 45%.

Ao redor do mundo, os efeitos do avanço das estadas de curta temporada vêm sendo acompanhados por pressões regulatórias. Além de impactos negativos nos preços dos aluguéis de longo prazo para habitantes locais, vizinhos costumam questionar mudanças no ambiente dos condomínios, incluindo hóspedes que não cumprem regras de convivência.

Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a locação de imóveis residenciais em condomínios para estadias depende de autorização em assembleia com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos.

Por sua vez, a medida não é vista como suficiente para alterar o cenário da pressão imobiliária. Moradores já apontam aumento no custo dos aluguéis em certas cidades, como no caso de Florianópolis, que teve alta de 9% no último ano. "É o momento de entender o que está acontecendo, e a pressão no aluguel muda essa percepção", aponta Aline Cruviel, diretora de pesquisa e comunidade no Inside Airbnb.

"O discurso geral é de que é uma oportunidade de renda extra aos proprietários, mas na prática é um grupo restrito que consegue gerar renda, enquanto o todo acaba pagando os custos com a alta do aluguel", aponta. Cruviel destaca ainda empresas estrangeiras que observaram o mercado da América Latina como uma possiblidade de investimento.

Um destes casos é o da multinacional Blueground, que anuncia mais de 20 mil propriedades ao redor do mundo. No Brasil, a empresa adquiriu em 2023 a Tabas, que oferta aluguéis de curta temporada voltados principalmente para estrangeiros em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Na avaliação de Cruviel, "há uma postura de autoridades de atração de investimentos, mas que não se avalia muito o outro lado e as consequências disso".

"A tendência é de regulamentos, especialmente quando os aluguéis começam a subir", aponta Morais de Sousa. Ao redor do mundo, medidas como a limitação de número de moradias disponíveis para aluguel de curta duração em certas regiões vêm sendo tomadas.

Em Nova York, parte das regulamentações visa limitar a concentração de muitas hospedagens com os mesmos anunciantes, algo que avança no Brasil. A Seazone, empresa que atua como uma das maiores anfitriãs do Airbnb no país, divulga que possui mais de 3600 imóveis.

Pelo lado das compras por estrangeiros, o Canadá baniu em 2023 a aquisição de propriedades no país por cidadãos de outras nacionalidades por dois anos, medida que foi renovada em 2025 e deve vigorar até 2027. "Durante anos, o capital estrangeiro tem entrado no Canadá para comprar imóveis residenciais, aumentando as preocupações com a acessibilidade à habitação", argumentou o governo.

Em sentido semelhante, a Espanha avalia restrições que, nestes casos, se aplicariam a cidadãos de fora da União Europeia. Uma proposta é a imposição de impostos de até 100% nestas transações. Em Portugal, o chamado "visto de ouro" para estrangeiros que comprassem imóveis no país esteve em vigor por anos visando abrir portas para residência, no entanto, o programa foi limitado em 2023 em razão das pressões no mercado imobiliário.

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Incêndios no Canadá desencadeiam nova ameaça tarifária de Trump e colocam final da Copa em alerta

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 11:50

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou elevar as tarifas sobre o Canadá para compensar os impactos da poluição provocada pela fumaça dos incêndios florestais, que chegou até Nova Jersey, onde será disputada, neste domingo (19), a final da Copa do Mundo.

Uma das regiões mais afetadas pelos incêndios no Canadá gerou uma enorme nuvem de fumaça que escureceu o céu de áreas vizinhas dos estados de Nova York e Nova Jersey. Este último sediará a partida entre Espanha e Argentina, no MetLife Stadium, em East Rutherford.

Os organizadores do Mundial "acompanham de perto a situação", afirmou o diretor-executivo do grupo de trabalho da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, durante uma coletiva de imprensa.

Densas colunas de fumaça vindas do Canadá e do norte de Minnesota levaram à emissão de alertas de má qualidade do ar em várias regiões dos Estados Unidos. Até o momento, não há registro de vítimas.

Um total de 937 incêndios permanecia ativo neste sábado no Canadá, a maioria fora de controle, segundo o Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais.

"Isto é 'Negligência Deliberada' e está se tornando um problema recorrente, custando bilhões de dólares aos Estados Unidos", escreveu Trump em sua rede social, a Truth Social.

O presidente americano acusou o Canadá de "não cuidar adequadamente" de suas florestas e de não realizar "tarefas básicas de manejo florestal e remoção de resíduos".

"O custo dessa poluição precisa ser incluído nas TARIFAS que o Canadá já paga atualmente", acrescentou.

O republicano também afirmou que pretendia ligar para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, "para descobrir o que eles vão fazer" em relação à fumaça.

A ministra canadense da Gestão de Emergências, Eleanor Olszewski, afirmou que seu país mantém "contato constante" com os Estados Unidos e destacou a "longa trajetória de cooperação no combate aos incêndios florestais".

Ela também ressaltou que o Canadá investiu US$ 12 bilhões (cerca de R$ 61,4 bilhões) em sustentabilidade florestal e prevenção de incêndios desde 2020.

A Estátua da Liberdade no porto de Nova York é vista através de uma camada de fumaça de incêndio florestal em Jersey City, Nova Jersey, EUA, em 16 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Segar

Detroit, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, continuava sendo a cidade com o ar mais poluído do mundo, segundo o monitor IQAir.

Washington e Chicago apareciam logo atrás no ranking, e as autoridades recomendaram que a população evitasse atividades ao ar livre, exceto quando estritamente necessário.

Em Nova Jersey e no estado vizinho de Nova York, a região metropolitana registrava níveis de qualidade do ar considerados potencialmente prejudiciais para grupos mais sensíveis, embora a situação tenha melhorado após a névoa intensa que, na quinta-feira, quase tornou invisível o horizonte de Manhattan.

Peter Mullinax, meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos (NWS), afirmou à AFP que os ventos sobre a região dos Grandes Lagos poderiam empurrar mais fumaça para o Nordeste, mantendo o céu encoberto.

Segundo Joel Dreessen, meteorologista em Maryland, a principal preocupação para a partida de domingo é que "alguns modelos já começam a indicar que parte dessa fumaça poderá ser deslocada para o sul", disse à AFP.

Estádio de Nova York/Nova Jersey, em East Rutherford, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (17), dois dias antes da final da Copa do Mundo de 2026 entre Espanha e Argentina. — Foto: Paul Ellis/AFP

Em cidades de todo o Meio-Oeste e Nordeste dos Estados Unidos, muitas pessoas passaram a usar máscaras ao ar livre para se proteger da poluição. Em Nova York, bibliotecas e estações ferroviárias distribuíam máscaras gratuitamente.

Chris Carlsten, pesquisador da Universidade da Colúmbia Britânica que estuda os efeitos da fumaça dos incêndios sobre a saúde, afirmou à AFP que as partículas finas presentes na fumaça afetam principalmente os pulmões, enquanto a poluição associada ao tráfego de veículos tende a provocar mais problemas cardiovasculares.

Ele explicou ainda que as nuvens de fumaça podem conter resíduos de tinta, plástico e metal, além de partículas provenientes da queima de madeira e vegetação.

A região formada pelos estados de Michigan, Minnesota e Wisconsin, conhecida como Alto Meio-Oeste e mais próxima dos focos de incêndio, enfrenta condições especialmente severas, com índices de qualidade do ar classificados como "perigosos".

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Guerra entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques no Golfo; petróleo atinge maior nível em mais de um mês

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 07:48

Mundo Guerra entre EUA e Irã se intensifica com novos ataques no Golfo; petróleo atinge maior nível em mais de um mês Irã diz ter atacado bases militares americanas e instalações estratégicas em países aliados dos EUA; confrontos avançam sobre infraestrutura civil e elevam temores de uma escalada ainda maior no conflito. Por Reuters

O Irã lançou novos ataques no Golfo neste sábado (18) contra aliados dos EUA. A ação ocorre após a 7ª noite consecutiva de ofensivas americanas na região.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido bases americanas e infraestruturas no Kuwait, Bahrein e Jordânia. Voos no aeroporto kuwaitiano foram suspensos.

Após acusações mútuas sobre o tráfego marítimo nesta sexta-feira (17), o preço do petróleo subiu mais de 4%. O valor atingiu o maior nível em um mês.

Ataques atingiram usinas de dessalinização. No sul do Irã, bombardeios destruíram pontes e deixaram mortos e cerca de 10 mil pessoas sem abastecimento de água.

O Comando Central dos EUA concluiu 7 dias de ataques. Donald Trump ameaçou realizar ofensivas aéreas em larga escala contra a infraestrutura do Irã.

Um mês após acordo, EUA bombardeiam Irã pelo 7º dia seguido; petróleo tem a maior alta desde abril

O Irã lançou novos ataques contra aliados de Washington no Golfo neste sábado (18), após a sétima noite consecutiva de ofensivas dos Estados Unidos contra alvos militares iranianos, incluindo instalações logísticas. Os confrontos intensificam a guerra uma semana após o rompimento do cessar-fogo.

O Kuwait foi alvo de ataques contínuos. Uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas devido a sucessivas ameaças de mísseis e drones. (acompanhe a cobertura ao vivo)

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait.

Segundo a mídia estatal iraniana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) também atacou a Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, onde estariam concentradas aeronaves de combate americanas, além de um centro de dados de inteligência.

Ainda de acordo com a TV estatal iraniana, a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído ao menos dois caças americanos e outras três aeronaves durante um ataque com mísseis e drones contra a base americana de Al Azraq, na Jordânia, na madrugada deste sábado.

"Como não existe nenhuma instituição internacional para impedir a selvageria das forças armadas dos EUA, não nos resta outro caminho senão o mandamento do Alcorão: 'Quem vos atacar, atacai-o da mesma maneira'", afirmou a Guarda Revolucionária em comunicado.

Na sexta-feira (17), os dois lados trocaram acusações sobre o tráfego marítimo. Os EUA disseram estar impondo um bloqueio naval, enquanto o Irã afirmou que passou a atacar embarcações que, segundo Teerã, violavam suas regras de navegação no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo.

Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira e atingiram o maior nível em mais de um mês, aumentando a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto o Partido Republicano tenta manter sua maioria nas eleições legislativas de novembro.

Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada desde o colapso do acordo de cessar-fogo na semana passada, aumentando o risco de um retorno à guerra em larga escala.

A infraestrutura civil também passou a ser alvo com maior frequência, apesar das preocupações sobre possíveis crimes de guerra.

A imprensa iraniana informou que vários mísseis atingiram instalações de energia e unidades de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, neste sábado, citando uma autoridade local.

Segundo a agência de notícias Tasnim, cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos ficaram sem abastecimento de água.

No Kuwait, uma usina de geração de energia e dessalinização foi atingida em um ataque iraniano, informou o Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do país. Foi o segundo ataque a uma instalação desse tipo em dois dias.

O Comando Central das Forças Armadas dos EUA informou anteriormente ter concluído o sétimo dia consecutivo de ataques, atingindo sistemas de vigilância, infraestrutura logística militar, depósitos subterrâneos de armas e instalações marítimas do Irã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada do conflito, especialmente com os "ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região", afirmou seu porta-voz na sexta-feira.

A mídia iraniana também noticiou ataques na madrugada deste sábado na província de Hormozgan, às margens do Estreito de Ormuz. Segundo a TV estatal, três pessoas morreram e oito ficaram feridas. Duas pontes e um túnel rodoviário também foram danificados.

Na sexta-feira, a imprensa estatal iraniana informou que ataques dos EUA atingiram pelo menos cinco pontes no sul do país.

Sete pessoas teriam morrido em ataques contra pontes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi atingida. Mais a leste, um aeroporto em Iranshahr também teria sido alvo.

Trump ameaçou lançar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura iraniana e também se recusou a descartar uma ofensiva terrestre contra a costa ou ilhas do país.

Autoridades americanas disseram que os ataques ao sul do Irã têm, em parte, o objetivo de ampliar as opções militares à disposição do presidente.

Essas ações aumentam o risco de o Irã retaliar contra infraestruturas estratégicas de países do Golfo ou de aliados iranianos no Iêmen ampliarem os ataques a embarcações no Mar Vermelho, o que pode provocar novas interrupções no fornecimento global de energia.

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‘Golpe do doce’: clientes que pagaram até R$ 330 após pesagem de doces poderiam desistir? É abuso?

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 18/07/2026 06:49

Empreendedorismo 'Golpe do doce': clientes que pagaram até R$ 330 após pesagem de doces poderiam desistir? É abuso? Consumidores relataram pagar valores muito acima do esperado após escolher doces vendidos por peso; especialistas explicam quando a cobrança pode ser contestada e quais são os direitos do cliente. Por Rafaela Zem, g1 — São Paulo

Uma caminhada pela feira, barracas cheias e um doce que parece irresistível. Do outro lado do balcão, o vendedor oferece uma degustação e informa o preço: R$ 19,90 por 100 gramas. O valor parece dentro do esperado.

O cliente escolhe a sobremesa, indica o corte e aguarda a pesagem. Mas a surpresa vem na balança: o valor final fica muito acima do esperado. Em alguns casos, a compra ultrapassou R$ 300.

Foi assim que uma sequência de denúncias colocou um estande de doces da Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato), no Ceará, no centro de uma polêmica que rapidamente ganhou as redes sociais.

O episódio, que ficou conhecido nas redes sociais como "golpe do doce", reuniu vídeos e relatos de consumidores que afirmam ter sido surpreendidos pela cobrança e constrangidos durante a tentativa de contestar a compra.

A Doceria Deleites, responsável pelo barraca, negou qualquer irregularidade. Em vídeo divulgado nas redes sociais, um representante da empresa afirmou que o modelo de venda funciona como um sistema de autosserviço.

A repercussão foi rápida e o Ministério Público do Ceará e o Decon realizaram fiscalização no local, e a discussão ultrapassou os limites da feira. Afinal, o que aconteceu no Ceará poderia ocorrer em qualquer lugar do país.

Aí surge uma dúvida importante: quando uma cobrança elevada é apenas consequência de um produto caro vendido por quilo e quando ela pode representar uma prática abusiva?

💰 Sou obrigado a pagar?🔎 Como evitar surpresas?🚨 O que acontece com a empresa?📍 Caso Expocrato: que fim levou?

Daniela Poli Vlavianos, advogada especialista em defesa do consumidor, explica que a situação pode violar o Código de Defesa do Consumidor (CDC) quando o estabelecimento deixa de fornecer informações claras e suficientes para que o cliente compreenda, antes da compra, quanto efetivamente irá pagar.

A advoga reforça que a venda por peso é perfeitamente legítima e faz parte da rotina de inúmeros estabelecimentos. O problema surge quando as informações são insuficientes para que o cliente tenha uma noção razoável do valor final.

Por isso, quando o consumidor só toma conhecimento do preço após a pesagem ou no caixa, a cobrança pode ser questionada.

"Se o consumidor não recebeu informação adequada sobre o preço antes da conclusão da compra e somente toma conhecimento do valor após a pesagem ou no caixa, poderá questionar a cobrança e, conforme as circunstâncias, desistir da aquisição", afirma a advogada.

Esse entendimento não se limita a confeitarias. Situações semelhantes podem ocorrer em restaurantes por quilo, padarias, açougues e diversos outros segmentos que trabalham com preços variáveis.

Caso considere que houve falta de transparência, a orientação é comunicar imediatamente a discordância ao estabelecimento, solicitar o cancelamento da compra e reunir provas, como fotografias dos preços expostos, do produto e do comprovante da cobrança.

Persistindo o problema, o consumidor pode recorrer aos órgãos de defesa do consumidor e, se necessário, buscar a reparação judicial cabível.

Decon realizou fiscalização em stand de doces denunciado por consumidores e constatou práticas abusivas no estabelecimento. — Foto: MPCE/ Divulgação

Se, por um lado, o consumidor tem o direito de receber informações suficientes antes de comprar, por outro, cabe aos estabelecimentos adotar medidas que garantam transparência durante toda a venda.

E esse dever vai muito além de simplesmente informar o preço por quilo, pontua Bruno Boris, também advogado especialista em direito do consumidor.

"É uma situação que pode ocorrer com qualquer produto que dependa de peso, pois por vezes o consumidor pode não estar habituado a entender a quantidade, caso não esteja um exemplo de quantidade". afirma o advogado.

Segundo Daniela Poli, uma medida simples e bastante eficaz é expor um exemplar do produto com um peso de referência, como uma porção de aproximadamente 100 gramas, acompanhada do respectivo preço.

"Essa prática ajuda o consumidor a visualizar quanto custará o produto e diminui a possibilidade de surpresa no caixa. Embora não seja uma exigência legal, demonstra boa-fé e preocupação com a transparência, podendo inclusive servir como elemento favorável ao estabelecimento caso, futuramente, seja questionado sobre a clareza das informações prestadas", recomenda.

Empresas que descumprem as regras de informação ao consumidor podem enfrentar consequências administrativas e judiciais, segundo os advogados ouvidos pelo g1.

Quando há indícios de prática abusiva ou falta de transparência, órgãos de defesa do consumidor podem instaurar procedimentos e aplicar sanções previstas na legislação, incluindo multas e outras medidas administrativas.

Dependendo da gravidade da situação, o estabelecimento pode ser obrigado a corrigir irregularidades e se submeter a novas fiscalizações.

Daniela Poli ressalta que o consumidor tem direito à informação adequada e clara, à revisão de cobranças indevidas e ao cancelamento da compra quando a contratação ocorre sem a transparência necessária.

"Caso tenha sofrido prejuízo material ou moral, poderá pleitear a correspondente reparação judicial."

Se o pagamento já tiver sido realizado, ainda podem ser aplicadas as regras de restituição previstas no CDC a depender das circunstâncias de cada caso.

Foi justamente a suspeita de falhas nesse dever de informação que levou o caso da Expocrato a chamar a atenção das autoridades.

As reclamações começaram a ganhar força nas redes sociais após consumidores compartilharem experiências semelhantes no estande da Doceria Deleites durante o evento.

O empresário Breno de Freitas, por exemplo, relatou que dois pedaços de doce somaram R$ 117. Ao tentar desistir de parte da compra, afirma que ouviu de um atendente que deveria levar os produtos porque o sistema funcionaria como um self-service.

Outros consumidores também disseram ter questionado os valores ao chegar à balança. Alguns afirmaram ter pago R$ 137, R$ 177 e R$ 118 por diferentes porções de doce após não conseguirem cancelar a compra.

Diante da repercussão, o Ministério Público do Ceará, por meio do Decon, realizou uma fiscalização no estande.

Segundo o órgão, os preços não estavam apresentados de forma suficientemente clara e os produtos não possuíam referências de peso ou tamanho que permitissem ao consumidor estimar previamente quanto pagaria. A empresa foi notificada a promover adequações e poderá sofrer novas medidas administrativas caso as determinações não sejam cumpridas.

A Doceria Deleites, por sua vez, sustenta que informa tanto o preço por 100 gramas quanto o valor por quilo e nega qualquer prática abusiva.

O caso segue sob acompanhamento dos órgãos de defesa do consumidor e ainda poderá gerar desdobramentos administrativos.

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Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 05:47

Agro Tarifaço: quais os riscos e ganhos se o Brasil adotar a reciprocidade? Entenda o que está em jogo Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a reação brasileira não deve vir no curto prazo: o governo Lula deve endurecer o discurso, mas preservar negociações e agir com cautela antes de um eventual uso da Lei da Reciprocidade. Por André Catto, g1 — São Paulo

Com a confirmação de que os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as discussões sobre qual resposta prática dará à medida.

O primeiro movimento veio logo após o anúncio da gestão de Donald Trump. Em nota divulgada na madrugada de quinta-feira (16), o Palácio do Planalto classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e afirmou que iniciaria os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica.

🔎 A lei, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas ao Brasil. (leia mais abaixo)

Até o momento, porém, o governo ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. Em entrevista coletiva ao lado de ministros, o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada "no momento adequado".

Enquanto isso, o tempo corre: a tarifa adicional de 25% entra em vigor na próxima quarta-feira (22). Apesar da extensa lista de produtos isentos — incluindo petróleo, café e carne bovina —, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão atingidos pela medida. (veja a lista completa)

Para especialistas ouvidos pelo g1, a reação do governo brasileiro não deve, de fato, vir tão cedo. A avaliação é que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas — inclusive em um eventual uso da Lei da Reciprocidade.

Isso porque uma reação precipitada pode trazer riscos. O eventual uso da lei, além de exigir amplas análises sobre os impactos para o mercado brasileiro, passa por um processo longo, que inclui uma série de novas discussões.

"A lei prevê várias fases. Primeiro, o caso passa pela Câmara de Comércio Exterior. Depois, por consulta pública. Envolve ainda consultas com o próprio governo dos EUA. Então, não é algo imediato", explica Welber Barral, ex-secretário do Comércio Exterior.

Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações.

Na prática, esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país, explica o especialista em comércio exterior Jackson Campos.

"O Brasil perderia duas vezes. Primeiro, com as taxas já aplicadas sobre as exportações para os EUA. Depois, quando um eventual imposto de importação é repassado ao consumidor brasileiro", afirma.

Por isso, o governo trata qualquer reação com cautela. Além da aplicação de tarifas, a Lei da Reciprocidade prevê outros instrumentos de resposta aos EUA — e que seguem em análise.

Patentes: o Brasil poderia suspender parte das regras internacionais de propriedade intelectual, afetando a proteção de patentes de empresas do país alvo da medida.Serviços: poderia impor tarifas, sobretaxas ou outras restrições sobre serviços prestados por empresas do país alvo.Investimentos: poderia suspender benefícios, incentivos ou facilidades concedidos a investimentos de empresas do país alvo.Acordos comerciais: poderia suspender benefícios e concessões previstos em acordos comerciais firmados com o país alvo.

"A lei exige que as medidas tenham contrapartidas e sejam, dentro do possível, proporcionais ao dano sofrido por quem causou esse dano. Além disso, é preciso tentar minimizar os efeitos sobre a economia brasileira", afirma Jackson Campos.

Enquanto isso, há outro ponto de cuidado no radar do governo brasileiro: a preocupação com uma eventual escalada nas tensões com a gestão de Donald Trump — que pode se irritar com a reação brasileira e responder com novas tarifas.

➡️ Foi o que ocorreu na disputa entre China e EUA, quando a guerra comercial levou as tarifas a níveis superiores a 100% e praticamente paralisou o comércio entre os dois países.

"O próprio documento final emitido pelo governo americano afirma que, se o Brasil aumentar as tarifas em retaliação, Washington pode entender que os 25% não são suficientes e elevar ainda mais a taxa", lembra Campos.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é "o Brasil retaliar e se machucar sozinho".

Ele lembra que a "munição" brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional.

"Se você taxa esses produtos, quem paga não é o americano, é o produtor rural de Mato Grosso que precisa da peça do trator. Uma retaliação mal calibrada seria um gol contra com narração épica", diz.

🔎 Na investigação comercial que resultou na aplicação da tarifa de 25%, o governo Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao mercado de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria.🔎 As justificativas foram fortemente contestadas pelo governo brasileiro, que vê na medida uma tentativa de interferência em políticas internas do país, ao incluir temas considerados inegociáveis, como o PIX. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política, e não apenas comercial.

Nesse cenário, Aragão aponta três caminhos possíveis para o Brasil lidar com o tarifaço, diante das acusações feitas por Washington contra o país.

Negociação técnica, item por item. Segundo ele, o etanol está entre os temas com espaço para acordo, enquanto o PIX, considerado inegociável pelo governo, não deve consumir esforço de negociação. "Focar e separar o que é negociável do que não é já é meio caminho."Usar a reciprocidade como instrumento de pressão, mantendo a estratégia viva e ativa, mas sem uma data definida. "Ela existe para dar peso ao primeiro caminho. Não para substituí-lo."A terceira seria atuar na chamada "segunda mesa": pressionar, nos EUA, quem pode influenciar a decisão, como empresas americanas, o Congresso e governos locais. "A tarifa é uma decisão do Executivo, mas o impacto é distribuído — e quem sente a dor pressiona seus representantes."

Enquanto isso, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, avalia que a Lei da Reciprocidade, se aplicada na medida certa, também pode funcionar como instrumento de pressão nas negociações com os EUA.

"As negociações serão longas. O Brasil tem que procurar fazer outros acordos internacionais, diversificar exportações e, ao mesmo tempo, continuar negociando com os EUA. Se for o caso, aplicar a Lei da Reciprocidade para criar uma pressão", diz.

🔎 A ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução

A proximidade das eleições no Brasil e nos EUA também influencia a movimentação dos dois governos. Por aqui, brasileiros vão às urnas para escolher o novo presidente, governadores, deputados e senadores. Por lá, as eleições de meio de mandato vão renovar a Câmara e parte do Senado.

Com isso, a avaliação dos especialistas é de que as negociações devem se prolongar, sem uma resposta concreta no curto prazo. Também pesa nessa avaliação o fato de que, embora negativas, as tarifas atingem setores específicos e não ameaçam a estabilidade econômica do Brasil.

"O governo brasileiro deve deixar isso um pouco de molho. Sabendo dos riscos de impacto nos preços, aplicar a Lei da Reciprocidade pode ser um tiro no pé a três meses da eleição", avalia Jackson Campos.

Enquanto isso, o grupo político do presidente Lula acompanha os possíveis impactos eleitorais do tarifaço sobre Flávio Bolsonaro, em meio ao envolvimento do pré-candidato do PL nas discussões sobre a medida.

Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que a maioria dos brasileiros atribui a Flávio a responsabilidade da decisão dos EUA. Conforme informou o blog do Valdo Cruz, aliados do senador já admitem prejuízos para a campanha após a medida do governo Trump.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, ressalta que, diante do cenário, os avanços não vão depender necessariamente de vontade política, mas de calendário. A avaliação é que, de olho nas eleições, haverá uma escalada nos discursos, mas com cautela na prática.

"Muito barulho, nota forte, discurso e, ao mesmo tempo, técnico conversando com técnico às sete da manhã sobre lista de exceções. E as exceções, por sinal, são o termômetro. Se começarem a pipocar isenções setoriais, é sinal de que a coisa está sendo resolvida por baixo, mesmo com o barulho por cima", diz.

"A janela real de acordo eu vejo depois de outubro. Antes disso, o que dá para fazer é evitar dano permanente e manter os canais vivos — o que é, convenhamos, bem menos empolgante do que uma guerra comercial, mas bem mais útil", conclui.

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O jogo por trás da Copa: como empresas e governos fazem do Mundial uma disputa por influência

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 05:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

A Copa do Mundo deixou de ser apenas um torneio esportivo e se transformou em uma plataforma global de negócios, com receitas de marketing e faturamento em forte crescimento nas últimas duas décadas.

A FIFA mudou a forma de comercializar o Mundial ao criar diferentes categorias de patrocínio, ampliando o número de empresas participantes e diversificando as fontes de receita.

Se entre 2006 e 2014 o protagonismo internacional estava concentrado principalmente nos países-sede, a partir de 2018 governos e estatais passaram a ocupar espaço também entre os patrocinadores do torneio.

O patrocínio da Copa passou a integrar estratégias de projeção internacional de alguns países, incluindo ações associadas ao chamado sportswashing, em que o esporte é usado para fortalecer reputação e influência.

Em 2026, a combinação de multinacionais, bancos, empresas de tecnologia, telecomunicações e estatais reforça que a disputa em torno da Copa extrapola o esporte e envolve interesses econômicos, diplomáticos e geopolíticos.

O que uma petrolífera estatal saudita, um banco americano, uma companhia aérea do Catar e gigantes do setor de alimentos têm em comum? Todas disputam hoje um dos espaços comerciais mais valiosos do planeta: a Copa do Mundo.

Na edição de 2026, a lista de patrocinadores reúne desde marcas tradicionais, como Adidas, Coca-Cola e Unilever, até empresas ligadas ao sistema financeiro, ao petróleo, à tecnologia e a governos, como Bank of America, Verizon, Qatar Airways e Aramco.

Essa composição mostra uma mudança importante: o Mundial deixou de ser apenas uma vitrine para grandes multinacionais e passou a reunir também empresas estatais, instituições financeiras e grupos que fazem parte da estratégia internacional de seus países.

A transformação também aparece nos números. Para o ciclo de 2023 a 2026, a FIFA estima arrecadar até US$ 13 bilhões, mais de cinco vezes o total registrado duas décadas antes. No mesmo período, as receitas com direitos de marketing passaram de US$ 560 milhões para uma estimativa de US$ 1,8 bilhão.

Registrada na Suíça como uma associação sem fins lucrativos, a FIFA afirma que reinveste esses recursos no desenvolvimento do futebol. Ao longo da última década, porém, a entidade também enfrentou crises relacionadas à corrupção e à transparência na gestão desse dinheiro, o que levou à adoção de novas regras de controle e fiscalização.

Mais do que o crescimento da arrecadação, a forma de comercializar a Copa também mudou. Nas últimas duas décadas, a FIFA reorganizou a venda dos espaços comerciais do torneio, ampliando as categorias de patrocínio e abrindo espaço para um número maior e mais diverso de empresas.

Segundo Flávio de Campos, professor da pós-graduação em História Social do Futebol da USP e coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens), a transformação da Copa em uma plataforma global de negócios começou a ganhar força ainda na década de 1970.

O pesquisador explica que o antecessor de João Havelange na presidência da FIFA, Stanley Rous, já defendia uma maior aproximação da entidade com empresas. Com a eleição do dirigente brasileiro, em 1974, esse modelo foi ampliado.

“A partir daí, a Copa passa a se consolidar como uma grande vitrine para negócios e propaganda, com a aproximação da FIFA das empresas e o fortalecimento do marketing em torno do torneio."

As mudanças iniciadas naquele período abriram caminho para o crescimento das receitas da FIFA nas décadas seguintes. Mais do que o aumento da popularidade do torneio, foi a própria forma de vender os espaços comerciais que mudou, permitindo ampliar a presença de empresas e diversificar as fontes de arrecadação.

Até o início dos anos 2000, o patrocínio era mais concentrado e reunia um número menor de empresas. A partir dos ciclos de 2010 e 2014, a FIFA consolidou um modelo que passou a organizar os patrocinadores em diferentes categorias, ampliando as possibilidades de participação no torneio.

👑 No topo estão os FIFA Partners, empresas com direitos globais e contratos de longo prazo válidos para várias competições da entidade.🏆 Em seguida vêm os patrocinadores da Copa, com direitos limitados ao Mundial específico.📍 Na base ficam apoiadores regionais e fornecedores locais.

Ela também abriu espaço para um novo perfil de patrocinadores, incluindo companhias estatais e empresas ligadas a governos. Essa mudança, porém, aconteceu de forma gradual.

Nas Copas realizadas entre 2006 e 2014, a principal estratégia de projeção internacional ainda estava concentrada nos países anfitriões.

Mais do que organizar partidas, Alemanha, África do Sul e Brasil aproveitaram o torneio para reforçar, perante o mundo, atributos como estabilidade, capacidade de organização e potencial econômico.

Segundo Campos, para países emergentes, sediar uma Copa representava uma oportunidade de ampliar a visibilidade internacional e atrair investimentos. No caso dos integrantes dos BRICS que receberam o torneio, o objetivo era apresentar economias em desenvolvimento e abertas a novos negócios.

A África do Sul procurou apresentar ao mundo um país reconstruído após o apartheid — regime de segregação racial que vigorou entre 1948 e 1994 —, enquanto o Brasil buscava se projetar como um lugar de oportunidades, deixando para trás décadas marcadas pela ditadura e por sucessivas crises econômicas.

"Na época da Copa de 2014, falava-se muito na ideia de uma 'janela de oportunidades' e no legado do torneio. O evento permitiu apresentar países como Brasil e África do Sul como lugares de oportunidades, dando a eles uma visibilidade internacional que dificilmente alcançariam por outros meios", diz o historiador.

Naquele período, embora multinacionais como Adidas, Coca-Cola e Visa ocupassem as principais cotas comerciais da FIFA, a imagem promovida pelo torneio ainda estava concentrada, sobretudo, no país-sede.

Esse equilíbrio começou a mudar a partir da Copa da Rússia, em 2018. Além de sediar o Mundial, o país passou a ocupar espaço na própria estrutura comercial da FIFA por meio da Gazprom, estatal de energia que se tornou parceira global da entidade.

Quatro anos depois, o Catar ampliou essa estratégia ao incluir duas empresas diretamente ligadas ao governo — Qatar Airways e QatarEnergy — entre os principais patrocinadores do torneio.

Para Campos, esse movimento indica que o patrocínio deixou de cumprir apenas uma função comercial e passou a integrar a estratégia internacional de alguns governos.

🏟️ É o chamado "sportswashing", conceito utilizado para descrever o uso do esporte como ferramenta para melhorar a imagem de países, governos ou empresas, muitas vezes desviando a atenção de problemas políticos, sociais ou relacionados aos direitos humanos.

"No caso do Catar, havia uma tentativa de contrabalançar a imagem de uma monarquia autoritária, marcada por denúncias de tortura, homofobia, machismo e pela dependência do petróleo em um momento de crise climática. A Rússia também usou o torneio nessa lógica de projetar uma imagem mais favorável no cenário internacional."

Pela primeira vez, o torneio será organizado por três países — Estados Unidos, Canadá e México —, ao mesmo tempo em que reúne patrocinadores de diferentes setores da economia e empresas ligadas a governos.

Essa configuração reduz o protagonismo que, em outras edições, costumava ficar concentrado no país anfitrião. Agora, a disputa por visibilidade passa a ocorrer também entre empresas e Estados que ocupam espaço dentro da própria estrutura comercial da FIFA.

A Arábia Saudita é um dos exemplos desse movimento. O país passou a ocupar a categoria mais alta de patrocínio da entidade por meio da Aramco, petrolífera controlada pelo governo saudita.

💰 Segundo um estudo da Human Rights Foundation, o contrato firmado entre a empresa e a FIFA é estimado em cerca de US$ 100 milhões por ano, entre 2024 e 2034.📈 Avaliada em aproximadamente US$ 1,88 trilhão após sua abertura de capital, a Aramco integra uma estratégia mais ampla do reino, que reúne cerca de 300 patrocínios esportivos vinculados principalmente ao Fundo de Investimento Público (PIF).

Para Campos, porém, a principal novidade da Copa de 2026 vai além da entrada de novos patrocinadores.

Isso porque o capital americano sempre esteve presente na estrutura comercial do torneio por meio de empresas multinacionais e de seus acionistas, mesmo quando os patrocinadores oficiais não representavam diretamente o governo norte-americano.

"Em outros países, a FIFA conseguiu impor condições que chegaram a relativizar legislações nacionais. Nos EUA, prevalece o poder do império, eles utilizam seu poder político e militar para estabelecer as próprias regras, inclusive em questões diplomáticas relacionadas ao torneio."

Na avaliação de Campos, essa postura mostra que a disputa em torno da Copa deixou de envolver apenas interesses econômicos e passou a refletir também disputas geopolíticas.

Com o avanço econômico e tecnológico da China, afirma o historiador, os EUA passaram a recorrer com maior intensidade ao chamado "hard power" — o uso do poder político e militar para preservar sua influência internacional.

"Houve casos de tratamento preconceituoso dado a delegações de países como o Iraque, além de seleções africanas e sul-americanas, incluindo a proibição de que a delegação do Irã permanecesse em território americano após a realização de suas partidas."

Integrantes da equipe de apoio carregam letras que formam a palavra "FIFA" antes da partida entre Bélgica e Senegal, pela Copa do Mundo de 2026, no Seattle Stadium, em Seattle (EUA). — Foto: REUTERS/Lee Smith.

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Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

A maior Copa do Mundo de todos os tempos gera bilhões de dólares fora de campo, mas o retorno financeiro divide vencedores e perdedores na edição de 2026.

A Fifa destaca-se como a principal vencedora do torneio, com projeção de arrecadar cerca de US$ 13 bilhões no ciclo de 4 anos com ingressos e transmissões.

Torcedores enfrentam altos custos com ingressos de valores elevados e preços dinâmicos, além de reajustes expressivos em passagens de transporte e serviços de hospedagem.

Apesar do fluxo turístico nas 16 cidades-sede, especialistas apontam que os benefícios econômicos de longo prazo são mínimos e as reservas hoteleiras ficaram abaixo do esperado.

Os vencedores (e os perdedores) econômicos da maior Copa do Mundo de todos os tempos — Foto: Reuters via BBC

Com mais países participantes e mais partidas, há mais espectadores acompanhando os jogos, além de mais oportunidades de ganhar dinheiro.

Enquanto as estrelas do futebol mundial criam momentos históricos em campo, bilhões de dólares são gerados fora dele. Mas nem todos saíram ganhando.

A quantia de dinheiro que a Fifa, entidade máxima do futebol mundial, arrecada com a Copa do Mundo é astronômica. Ela gerou um valor recorde de US$ 7,6 bilhões (R$ 38 bilhões) com o Catar 2022 e espera-se que supere esse valor com a Copa de 2026, especialmente com o torneio expandido para 48 seleções.

Marion Laboure, estrategista do Deutsche Bank Research, afirma que a Fifa é "sem dúvida" a principal vencedora, com receitas próximas a US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) ao longo do ciclo de quatro anos.

A receita da Fifa provém da venda de direitos de transmissão, licenciamento e de serviços de hospitalidade, contratos de patrocínio e venda de ingressos.

"A Fifa também entrou no mercado secundário com seu mercado oficial de revenda [de ingressos], cobrando uma taxa de 15% tanto do comprador quanto do vendedor", diz Laboure.

E podemos esperar mais disso em torneios futuros, com a Fifa considerando expandir a Copa mais uma vez para 64 equipes, o que poderia incluir países como China e Índia — e os bilhões de espectadores adicionais que isso acarretaria.

Além dos ingressos, os fãs também enfrentaram dificuldades com voos, alimentação e hospedagem. — Foto: Getty Images via BBC

Embora os torcedores possam ter realizado sonhos de uma vida inteira ao ir para a Copa, financeiramente falando, este torneio foi um desafio para eles.

As enormes somas desembolsadas apenas para pagar os ingressos e as críticas à estratégia de preços dinâmicos da Fifa, que aumenta os preços quando a demanda é alta, já foram amplamente noticiadas.

Até mesmo o presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu que "não pagaria" quando questionado sobre o possível preço de US$ 1 mil (R$ 5,1 mil) do ingresso para a estreia de seu país no torneio contra o Paraguai.

Ingressos para a final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, foram oficialmente oferecidos por US$ 32.970 (R$ 168 mil), enquanto alguns ingressos de revenda foram anunciados por mais de US$ 2 milhões (R$ 10,2 milhões).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu os preços, argumentando que estavam em linha com os de outros eventos esportivos nos EUA.

Um exemplo que ganhou as manchetes foi o aumento nos preços das passagens de trem da New Jersey Transit. Uma viagem de trem de 30 minutos até o MetLife Stadium subiu para US$ 150 (R$ 765) durante o torneio, em comparação com os habituais US$ 12,90 (R$ 65) para uma passagem de ida e volta.

Embora as emissoras tenham tido que desembolsar grandes quantias para transmitir o torneio, os índices de audiência — e o desejo dos patrocinadores de exibir suas marcas — significam que elas também provavelmente lucrarão muito com a venda de espaços publicitários.

A Fifa introduziu pausas para hidratação nesta Copa do Mundo — uma medida que Infantino afirmou ser "puramente uma questão esportiva", sem gerar receita adicional para a entidade.

No entanto, os 90 segundos que os jogadores têm para se hidratar abriram uma nova oportunidade comercial para emissoras e patrocinadores que desejam exibir suas marcas, especialmente nos EUA, onde os torcedores de esportes americanos já estão acostumados com uma ideia invertida: lá os jogos praticamente acontecem entre os intervalos comerciais.

A Fox Sports, que teria pago US$ 485 milhões (R$ 2,4 bilhões) pelos direitos de transmissão nos EUA, apresentou os intervalos de hidratação como "patrocinados por" uma marca.

Segundo especialistas, um espaço publicitário de 30 segundos na Fox durante a Copa do Mundo custa em média entre US$ 200 mil e US$ 300 mil (R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão). Durante as partidas dos EUA nas fases finais, o valor chegou a US$ 750 mil (R$ 3,8 milhões).

Isso significa que os anúncios de pausas para hidratação podem render US$ 250 milhões (R$ 1,2 milhão) somente nos EUA, o que leva à especulação de que eles vieram para ficar.

"As pausas para hidratação são puro espaço publicitário. Eu ficaria extremamente surpresa se elas desaparecessem. O formato expandido permanecerá porque a escala agora é o modelo de negócios da Fifa", diz Laboure, do Deutsche Bank Research.

Os patrocinadores oficiais da Copa do Mundo pagam somas exorbitantes para associar suas marcas à competição, mas sem dúvida acabam se beneficiando financeiramente, com marcas como Adidas e Coca-Cola estampadas por toda parte.

A marca alemã de artigos esportivos está travando uma batalha com sua principal rival, a Nike, tendo investido cerca de US$ 67 milhões (R$ 342 milhões) em seu anúncio estrelado por Lamine Yamal, Jude Bellingham e Lionel Messi.

O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando. — Foto: Getty Images via BBC

O principal anúncio da Adidas apresenta uma versão de inteligência artificial de David Beckham — que talvez não tenha tido agenda de comparecer pessoalmente às filmagens.

O primeiro bilionário do esporte britânico já apareceu em tantos anúncios — da Home Depot ao Bank of America — que é fácil esquecer qual marca ele está representando.

Apesar de ter pendurado as chuteiras há mais de uma década, Beckham continua sendo o rosto do futebol nos EUA, com o clube do qual é coproprietário, o Inter Miami, estimado em US$ 1,45 bilhão (R$ 7,3 bilhões) como a franquia mais valiosa da Major League Soccer.

Ele pode não ter conseguido ganhar a Copa do Mundo em campo quando era jogador, mas sem dúvida venceu o jogo comercial fora dele.

As 16 cidades anfitriãs nos EUA, Canadá e México têm recebido um grande número de torcedores e turistas, impulsionando o setor de hotelaria, os negócios locais e o turismo em geral.

Mas, embora os escoceses tenham esgotado até a última gota de álcool de Boston e conquistado o coração da cidade e de seus habitantes, especialistas afirmam que os benefícios econômicos a longo prazo são mínimos.

A Fifa estimou que cerca de US$ 41 bilhões (R$ 209 bilhões) seriam adicionados à economia global, dos quais US$ 17 bilhões (R$ 86 bilhões) impulsionariam somente a economia dos EUA, com a criação de 185 mil empregos, principalmente nos setores de hotelaria.

Mas Alexander Budzier, pesquisador em gestão na Universidade de Oxford e diretor executivo da empresa de gerenciamento de projetos Oxford Global Projects, afirma que os benefícios econômicos a longo prazo de sediar um evento esportivo tão grande simplesmente não se materializam.

Segundo ele, as cidades-sede costumam registrar uma grande queda no número de visitantes, já que muitos procuram evitar o caos do torneio.

E embora possa haver um aumento nas contratações, ele argumenta que normalmente se trata apenas de empregos com salários mais baixos no setor de hotelaria. "Isso gera empregos, mas não gera riqueza", afirma.

Dados oficiais mostram que as contratações em pubs, bares e restaurantes dos EUA aumentaram consideravelmente antes do torneio em maio, mas o crescimento foi de curta duração.

O único benefício econômico "que vale a pena", argumenta Budzier, são os projetos de regeneração que podem ser realizados, como a revitalização e a construção de moradias na região de Stratford, em Londres, após os Jogos Olímpicos de 2012.

Mas, devido ao fato de grande parte desta Copa do Mundo utilizar estádios, hotéis, centros de treinamento e infraestrutura de transporte já existentes, "não haverá benefícios econômicos provenientes do desenvolvimento".

A procura esperada por quartos de hotel não se materializou, com as entidades do setor relatando um número de reservas inferior nas cidades anfitriãs este ano em comparação com o ano passado.

A Associação Hoteleira da British Columbia, no Canadá, afirma que, embora os números finais de reservas ainda não tenham sido confirmados, junho e julho estavam "bem abaixo do ritmo dos anos anteriores", apesar de Vancouver sediar sete dos jogos no Canadá.

O texto afirma que os torneios "não criam 40 dias consecutivos de hotéis lotados", mas sim levam a uma alta demanda em torno de datas específicas.

A Associação Americana de Hotéis e Alojamentos (AHLA) acusou a Fifa de reservar um número excessivo de quartos para uso próprio, criando uma demanda artificial. A Fifa afirmou que não reconhece a acusação.

Laboure, do Deutsche Bank Research, afirma que o mesmo aconteceu na França em 1998, quando a demanda não atendeu às expectativas.

"Em abril, 80% dos operadores hoteleiros dos EUA disseram que as reservas estavam abaixo das previsões iniciais — dois terços dos hoteleiros de Nova York relataram reservas mais fracas do que o esperado, e em Seattle quase 80% fizeram o mesmo, com muitos chamando o torneio de 'não-evento'", disse ela.

A Copa do Mundo de 2026 está a caminho de se tornar o maior evento de apostas de todos os tempos, com uma estimativa de US$ 50 bilhões (R$ 254 bilhões) em apostas — cerca de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) apostados por partida, de acordo com a empresa de serviços financeiros Macquarie, que possui interesses na indústria de jogos de azar.

O texto afirma que isso se deve principalmente à expansão do número de equipes, o que significa que foram disputadas mais de 100 partidas, em comparação com as 64 de 2022.

A Flutter Entertainment, proprietária das empresas de apostas Paddy Power, Betfair e Sky Bet, previu que o valor total das apostas seria o dobro do torneio anterior, devido ao crescimento do mercado nos EUA e também no Brasil.

Chad Beynon, analista da Macquarie, afirmou que as apostas ao vivo substituíram as apostas tradicionais antes da partida.

"Agora, tudo se resume a reagir ao que você vê em campo, ajustando sua perspectiva. Antes, era mais ou menos sentar, assistir e esperar — você tinha que fazer sua aposta antes da partida", diz ele.

As apostas esportivas nos EUA ainda são uma indústria relativamente nova. Até 2018, apostar em esportes era legal apenas em Nevada, Estado onde fica Las Vegas, mas uma decisão da Suprema Corte abriu caminho para que muitos outros Estados a legalizassem.

No entanto, ainda existem alguns Estados onde continua sendo ilegal, incluindo a Califórnia e o Texas.

Nessas regiões, houve grande crescimento dos mercados de previsão — uma indústria bilionária em rápida ascensão, popular entre os jovens — que não são classificados como jogos de azar, o que significa que podem ser usados para fazer apostas esportivas independentemente do Estado em que a pessoa esteja.

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‘Mudamos a rota’: produtores do agro já buscam novos mercados após tarifaço de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Agro 'Mudamos a rota': produtores do agro já buscam novos mercados após tarifaço de Trump Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, produtores reorganizam as exportações e apostam em mercados como Europa, Argentina e Ásia para compensar as perdas. Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

O produtor Rodrigo Pamponet, que cultiva uvas no Vale do São Francisco, já colocou o mercado norte-americano em segundo plano.

A fazenda passou a concentrar as vendas em outros mercados, como Europa e Argentina, diante da perda de competitividade provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos vindos do Brasil.

“A gente costumava exportar bastante para os EUA. Em 2024, a fazenda embarcou cerca de 50 paletes. No ano passado, esse volume caiu para apenas seis, apenas para completar um pedido. Neste ano, a expectativa é de que minhas exportações para lá praticamente zerem, a menos que os importadores americanos aceitem absorver parte do custo adicional das tarifas”, relata o produtor.

O movimento da fazenda no Vale do São Francisco reflete a reação de parte do agronegócio brasileiro ao novo cenário comercial. A partir da próxima terça-feira (22), entra em vigor a sobretaxa de 25% aplicada pelos EUA aos produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções anunciada por Washington.

Além da tarifa já confirmada, o setor acompanha a possibilidade de uma cobrança adicional de 12,5%, em outra investigação comercial em andamento. Se a medida for implementada, a sobretaxa total poderá chegar a 37,5% sobre os produtos brasileiros afetados.

Entre os segmentos do agronegócio atingidos estão as cadeias de uva, ovos, madeira, arroz e açúcar. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a medida coloca sob pressão US$ 4,6 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro.

Também de acordo com a confederação, cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA ficarão sujeitas à tarifa adicional de 25%, enquanto 63,5% foram preservadas com a ampliação da lista de exceções.

Redirecionar as exportações é uma das principais alternativas para os setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Com a abertura de novos mercados, as exportações brasileiras não apenas mantiveram força, como encerraram o ano passado com o recorde histórico de US$ 348,7 bilhões.

Segundo análise da XP Macro Research, esse resultado foi possível porque os produtores conseguiram redirecionar parte das exportações para a China e outros mercados, compensando a redução das vendas aos EUA.

Entre as frutas, a uva é a cadeia mais relevante entre as que ficaram fora da lista de isenções dos EUA, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As exportações brasileiras de uva para os EUA já vinham perdendo espaço após a rodada anterior de tarifas, enquanto a Europa seguia como principal destino da fruta brasileira. Na prática, produtores como Rodrigo Pamponet já haviam iniciado esse redirecionamento.

nclusive, o produtor relatou ao g1 que atualmente, cerca de 70% da produção exportada pela fazenda segue para a União Europeia e 28% para a Argentina.

O mercado argentino ganhou espaço entre os produtores devido à proximidade geográfica e ao menor custo de transporte.

O reflexo aparece nos dados de comércio exterior: o volume de uvas brasileiras enviado ao país passou de 3,6 mil toneladas em 2024 para mais de 8 mil toneladas em 2025.

Enquanto isso, as compras dos EUA recuaram. O país, que adquiriu 13,8 mil toneladas de uva brasileira em 2024, com faturamento de US$ 41,5 milhões, reduziu as importações para 4,1 mil toneladas em 2025, o equivalente a US$ 12,8 milhões.

Principal polo da fruticultura irrigada do país, o Vale do São Francisco concentra cerca de 75% da produção nacional de uvas e responde por aproximadamente 95% das exportações brasileiras da fruta.

A cultura tem papel estratégico na economia regional e é uma das principais fontes de receita com exportações.

Embora a Europa continue como principal destino da uva brasileira, o mercado dos EUA é considerado estratégico pelos produtores devido à remuneração. Segundo o pesquisador João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido, os compradores americanos pagam mais por frutas de maior qualidade.

“O mercado americano é importante em termos de preço. Essas uvas pagam muito bem nos Estados Unidos, mais do que na Europa. Então, quando se perde esse mercado, o efeito para o produtor é maior”, afirma.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, afirma que a abertura de novos mercados reduziu parte do impacto, mas não eliminou a preocupação do setor. Segundo ele, o momento ainda é de "muita tensão" entre os produtores.

Uma das principais preocupações envolve emprego e renda na região. Segundo o sindicato, a cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no Vale do São Francisco, e aproximadamente metade da mão de obra é formada por mulheres.

Apesar das incertezas, o setor mantém a expectativa de uma solução negociada antes de setembro, quando começa a principal janela de embarque de frutas do Vale do São Francisco para os EUA.

Embora a fruticultura esteja entre as cadeias afetadas, a lista de produtos atingidos pela sobretaxa dos EUA inclui outros segmentos do agronegócio, como arroz, madeira e açúcar.

Em nota enviada ao g1, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) informou que participou de audiências públicas em Washington para defender que o arroz brasileiro tem papel complementar no abastecimento dos EUA, já que a produção local não seria suficiente para atender toda a demanda.

Mas a exposição ao mercado americano é menor do que em outras cadeias. Os EUA não estão entre os principais destinos do cereal brasileiro, que tem como mercados mais relevantes países da América Latina e da África, como Venezuela, México e Senegal.

A entidade avalia que a medida pode aumentar o custo do alimento para os consumidores americanos, caso a tarifa seja repassada aos preços finais.

O g1 também conversou com Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que afirmou que a tarifa sobre ovos e carne suína preocupa o setor, mas destacou que o impacto prático varia entre os produtos.

No caso dos ovos, a nova tarifa tem efeito limitado porque o Brasil já havia reduzido significativamente as exportações para os EUA após a normalização da crise sanitária provocada pela gripe aviária.

No ano passado, o Brasil bateu recorde de vendas aos americanos justamente porque o país enfrentava uma redução da oferta interna. No caso dos ovos, cerca de 1% da produção nacional é exportada, em média.

Na carne suína, o mercado americano também tem participação reduzida. Os embarques, que chegaram a cerca de 60 mil toneladas em um período anterior, caíram para uma média anual próxima de 3 mil toneladas devido a barreiras comerciais.

Por outro lado, a ABPA considerou positiva a decisão de manter a tilápia fora da lista de produtos sobretaxados.

“A decisão de manter a tilápia fora da medida demonstra que há espaço para o diálogo técnico e para a construção de soluções equilibradas no âmbito das relações comerciais entre os dois países”, afirmou a entidade.

Para apoiar as empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou a retomada de medidas voltadas aos setores prejudicados pelas novas barreiras comerciais, mas ainda não detalhou como elas funcionarão.

A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro, financiamento de investimentos e ações para ajudar exportadores a redirecionar produtos para outros mercados.

A ApexBrasil prepara um plano de contingência para agosto, com investimento de R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial. A estratégia prevê ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além de fortalecer as vendas para o Oriente Médio.

O governo também pretende aproveitar as oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia para ampliar os destinos das exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado americano.

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