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‘Mudamos a rota’: produtores do agro já buscam novos mercados após tarifaço de Trump

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Agro 'Mudamos a rota': produtores do agro já buscam novos mercados após tarifaço de Trump Com a perda de competitividade nos Estados Unidos, produtores reorganizam as exportações e apostam em mercados como Europa, Argentina e Ásia para compensar as perdas. Por Ismael Jales, g1 — São Paulo

O produtor Rodrigo Pamponet, que cultiva uvas no Vale do São Francisco, já colocou o mercado norte-americano em segundo plano.

A fazenda passou a concentrar as vendas em outros mercados, como Europa e Argentina, diante da perda de competitividade provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos vindos do Brasil.

“A gente costumava exportar bastante para os EUA. Em 2024, a fazenda embarcou cerca de 50 paletes. No ano passado, esse volume caiu para apenas seis, apenas para completar um pedido. Neste ano, a expectativa é de que minhas exportações para lá praticamente zerem, a menos que os importadores americanos aceitem absorver parte do custo adicional das tarifas”, relata o produtor.

O movimento da fazenda no Vale do São Francisco reflete a reação de parte do agronegócio brasileiro ao novo cenário comercial. A partir da próxima terça-feira (22), entra em vigor a sobretaxa de 25% aplicada pelos EUA aos produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções anunciada por Washington.

Além da tarifa já confirmada, o setor acompanha a possibilidade de uma cobrança adicional de 12,5%, em outra investigação comercial em andamento. Se a medida for implementada, a sobretaxa total poderá chegar a 37,5% sobre os produtos brasileiros afetados.

Entre os segmentos do agronegócio atingidos estão as cadeias de uva, ovos, madeira, arroz e açúcar. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a medida coloca sob pressão US$ 4,6 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro.

Também de acordo com a confederação, cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA ficarão sujeitas à tarifa adicional de 25%, enquanto 63,5% foram preservadas com a ampliação da lista de exceções.

Redirecionar as exportações é uma das principais alternativas para os setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Com a abertura de novos mercados, as exportações brasileiras não apenas mantiveram força, como encerraram o ano passado com o recorde histórico de US$ 348,7 bilhões.

Segundo análise da XP Macro Research, esse resultado foi possível porque os produtores conseguiram redirecionar parte das exportações para a China e outros mercados, compensando a redução das vendas aos EUA.

Entre as frutas, a uva é a cadeia mais relevante entre as que ficaram fora da lista de isenções dos EUA, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

As exportações brasileiras de uva para os EUA já vinham perdendo espaço após a rodada anterior de tarifas, enquanto a Europa seguia como principal destino da fruta brasileira. Na prática, produtores como Rodrigo Pamponet já haviam iniciado esse redirecionamento.

nclusive, o produtor relatou ao g1 que atualmente, cerca de 70% da produção exportada pela fazenda segue para a União Europeia e 28% para a Argentina.

O mercado argentino ganhou espaço entre os produtores devido à proximidade geográfica e ao menor custo de transporte.

O reflexo aparece nos dados de comércio exterior: o volume de uvas brasileiras enviado ao país passou de 3,6 mil toneladas em 2024 para mais de 8 mil toneladas em 2025.

Enquanto isso, as compras dos EUA recuaram. O país, que adquiriu 13,8 mil toneladas de uva brasileira em 2024, com faturamento de US$ 41,5 milhões, reduziu as importações para 4,1 mil toneladas em 2025, o equivalente a US$ 12,8 milhões.

Principal polo da fruticultura irrigada do país, o Vale do São Francisco concentra cerca de 75% da produção nacional de uvas e responde por aproximadamente 95% das exportações brasileiras da fruta.

A cultura tem papel estratégico na economia regional e é uma das principais fontes de receita com exportações.

Embora a Europa continue como principal destino da uva brasileira, o mercado dos EUA é considerado estratégico pelos produtores devido à remuneração. Segundo o pesquisador João Ricardo Lima, da Embrapa Semiárido, os compradores americanos pagam mais por frutas de maior qualidade.

“O mercado americano é importante em termos de preço. Essas uvas pagam muito bem nos Estados Unidos, mais do que na Europa. Então, quando se perde esse mercado, o efeito para o produtor é maior”, afirma.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina (SPR), Jailson Lira, afirma que a abertura de novos mercados reduziu parte do impacto, mas não eliminou a preocupação do setor. Segundo ele, o momento ainda é de "muita tensão" entre os produtores.

Uma das principais preocupações envolve emprego e renda na região. Segundo o sindicato, a cadeia da uva gera cerca de 70 mil empregos diretos e indiretos no Vale do São Francisco, e aproximadamente metade da mão de obra é formada por mulheres.

Apesar das incertezas, o setor mantém a expectativa de uma solução negociada antes de setembro, quando começa a principal janela de embarque de frutas do Vale do São Francisco para os EUA.

Embora a fruticultura esteja entre as cadeias afetadas, a lista de produtos atingidos pela sobretaxa dos EUA inclui outros segmentos do agronegócio, como arroz, madeira e açúcar.

Em nota enviada ao g1, a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) informou que participou de audiências públicas em Washington para defender que o arroz brasileiro tem papel complementar no abastecimento dos EUA, já que a produção local não seria suficiente para atender toda a demanda.

Mas a exposição ao mercado americano é menor do que em outras cadeias. Os EUA não estão entre os principais destinos do cereal brasileiro, que tem como mercados mais relevantes países da América Latina e da África, como Venezuela, México e Senegal.

A entidade avalia que a medida pode aumentar o custo do alimento para os consumidores americanos, caso a tarifa seja repassada aos preços finais.

O g1 também conversou com Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que afirmou que a tarifa sobre ovos e carne suína preocupa o setor, mas destacou que o impacto prático varia entre os produtos.

No caso dos ovos, a nova tarifa tem efeito limitado porque o Brasil já havia reduzido significativamente as exportações para os EUA após a normalização da crise sanitária provocada pela gripe aviária.

No ano passado, o Brasil bateu recorde de vendas aos americanos justamente porque o país enfrentava uma redução da oferta interna. No caso dos ovos, cerca de 1% da produção nacional é exportada, em média.

Na carne suína, o mercado americano também tem participação reduzida. Os embarques, que chegaram a cerca de 60 mil toneladas em um período anterior, caíram para uma média anual próxima de 3 mil toneladas devido a barreiras comerciais.

Por outro lado, a ABPA considerou positiva a decisão de manter a tilápia fora da lista de produtos sobretaxados.

“A decisão de manter a tilápia fora da medida demonstra que há espaço para o diálogo técnico e para a construção de soluções equilibradas no âmbito das relações comerciais entre os dois países”, afirmou a entidade.

Para apoiar as empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou a retomada de medidas voltadas aos setores prejudicados pelas novas barreiras comerciais, mas ainda não detalhou como elas funcionarão.

A iniciativa prevê linhas de crédito para capital de giro, financiamento de investimentos e ações para ajudar exportadores a redirecionar produtos para outros mercados.

A ApexBrasil prepara um plano de contingência para agosto, com investimento de R$ 130 milhões em ações de diversificação comercial. A estratégia prevê ampliar a presença de produtos brasileiros em mercados da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, além de fortalecer as vendas para o Oriente Médio.

O governo também pretende aproveitar as oportunidades abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia para ampliar os destinos das exportações brasileiras e reduzir a dependência do mercado americano.

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Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 04:51

Campinas e Região Virada de chave: como carros elétricos e montadoras chinesas redesenham a indústria automotiva brasileira Fim da operação fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP), no último dia 30, e o recente início da produção da GWM na região de Piracicaba (SP) ilustram uma mudança maior e que impacta todo o mercado brasileiro; entenda. Por Bárbara Camilotti, g1 Campinas e região

O fechamento da fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) e a inauguração da GWM em Iracemápolis (SP) mostram uma mudança no mercado automotivo brasileiro.

As montadoras, principalmente chinesas e focadas em eletrificação, estão ocupando fábricas deixadas por marcas tradicionais no país.

A BYD liderou as vendas de veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, seguida por GWM e Toyota, apontando domínio das marcas chinesas.

A Anfavea manifestou preocupação com o rápido avanço das importações chinesas e criticou a montagem de veículos por kits. Modelo exige menos mão de obra.

O último Corolla produzido em Indaiatuba (SP) em junho e os primeiros veículos eletrificados que começam a sair da fábrica da GWM em Iracemápolis (SP), na região de Piracicaba (SP), contam uma mesma história: a transformação do mercado automotivo brasileiro.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e um levantamento do g1 apontam que o Brasil não está perdendo fábricas de carros, mas trocando o perfil industrial.

Essa tendência, com maior impulso após a pandemia, tem como cenário fábricas deixadas por marcas tradicionais e, muitas vezes, ocupadas por montadoras focadas em eletrificação.

Isso ocorreu no interior de São Paulo com a Mercedes-Benz, em Iracemápolis, cuja fábrica foi ocupada pela chinesa GWM. Também ocorreu com a Ford, em Camaçari (BA) e em Horizonte (CE), que deram lugar a investimentos da chinesa BYD e da britânica MG Motor, respectivamente.

⚡Veículos eletrificados incluem modelos híbridos e elétricos, que utilizam eletricidade para reduzir ou substituir o uso de combustíveis fósseis.

Novas fabricantes também já anunciaram produção nacional de eletrificados. Veja no infográfico abaixo.

Segundo especialista ouvido pelo g1, a tendência é o desenvolvimento de veículos cada vez mais eficientes, tecnológicos e eletrificados, com forte presença da indústria chinesa nessa transformação.

Neste contexto, a Anfavea defende medidas para proteger a competitividade dos investimentos feitos pelas montadoras na indústria automotiva nacional para enfrentar o aumento das importações da Ásia. Além disso, a entidade é contra o modelo de montagem de carros que tem sido adotado pelas chinesas (entenda abaixo).

Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que retomou temporariamente cotas de importação por estarem alinhadas a ações de renovação da frota, inovação e descarbonização — clique aqui e leia a nota na íntegra.

É #FAKE que Toyota vai deixar o Brasil MG4 Urban chega por R$ 129.990; elétrico será feito no Ceará

🚗 Crescimento do setor automotivo🐦‍🔥Transformação inédita🚪Entrada gradual no mercado brasileiro🚨Alerta na indústria nacional✔️Impacto no setor automotivo❓ O que diz o governo federal?

Infográfico mostra onde montadoras encerraram operações e onde decidiram investir — Foto: Arte/g1

Segundo a Anfavea, a produção nacional de veículos passou de 2,36 milhões de veículos em 2022 para 2,64 milhões em 2025.

📊Apenas no primeiro semestre de 2026, já foram produzidas 1,37 milhão de unidades. Ao mesmo tempo, os carros eletrificados deixaram de ser um nicho para se tornar um dos motores do mercado.

Em 2016, o Brasil vendeu pouco mais de mil veículos eletrificados. Dez anos depois, apenas no primeiro semestre de 2026, já foram mais de 215 mil unidades, de acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

O crescimento dos híbridos e elétricos também redesenhou a fatia do mercado brasileiro de eletrificados ocupada pelas montadoras tradicionais.

Em 2022, a japonesa Toyota liderava com folga e concentrava 55,3% das vendas do segmento de eletrificados. Na sequência apareciam montadoras tradicionais e marcas europeias de luxo, como Volvo, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz.

Quatro anos depois, o cenário é outro. No primeiro semestre de 2026, as chinesas BYD e GWM lideram o mercado — a primeira com 46,08% de participação e 99 mil veículos vendidos. A Toyota caiu para o terceiro lugar, seguida de outras duas chinesas no ranking: Geely e Omoda Jaecoo.

É um dos maiores mercados automotivos do mundo.A eletrificação ainda está em fase inicial, deixando espaço para modelar o mercado.As barreiras à entrada foram historicamente menores do que em outros mercados desenvolvidos, que têm barreiras protecionistas.

Para o economista da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e especialista em ascensão geopolítica e tecnológica da China, José Eduardo Roselino, a indústria vive uma transformação sem precedentes.

"Por 100 anos a indústria automobilística só tinha inovações incrementais, pequenos aperfeiçoamentos que não mudavam a estrutura do automóvel. Isso está mudando agora. Estamos passando por uma transformação ligada à descarbonização e à transição energética, com veículos híbridos, híbridos plug-in, elétricos e outras novas tecnologias surgindo", disse.

Segundo ele, o avanço das montadoras chinesas está ligado ao domínio de tecnologias como software, semicondutores e sistemas eletrônicos.

Além disso, segundo ele, os chineses têm uma vantagem competitiva muito grande porque produzem em enorme escala e conseguem reduzir custos continuamente.

Venda de carros elétricos no Brasil é três vezes maior em 2026 do que comparada a 2025Brasil pode voltar a vender mais de 3 milhões de veículos em 2026 após 12 anos, diz AnfaveaGoverno renova cota para importação de carros elétricos sem imposto; montadoras reclamam

Caoa Chery em Jacareí, SP — Foto: Roosevelt Cássio/ Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

A história do ingresso das montadoras chinesas no mercado brasileiro pode ser dividida em fases. Inicialmente, a partir de 2009, elas eram importadoras de veículos a combustão. Na sequência, a partir de 2014, começaram a instalar fábricas locais.

Já na década seguinte que elas passaram a testar a aceitação de modelos eletrificados com os consumidores brasileiros. Para isso, decidiram investir em fábricas ociosas e desenvolver projetos de produção nacional.

A estreia de uma montadora chinesa, com fábrica no Brasil, foi a chinesa Chery, em Jacareí (SP), em 2014. A aposta na época era vender carro popular e de baixo custo.

Na época, impasses com o sindicato sobre piso salarial dos operários e as vendas que não decolaram frustraram os planos. A unidade acabou desativada em 2022 e a fábrica segue desocupada até hoje.

💰🏭Chery foi pioneira na industrialização dos automóveis chineses no Brasil e a BYD e GWM integram a fase mais recente de expansão.

Após a pandemia, gigantes como a BYD e a GWM (Great Wall Motor) entraram no país trazendo um novo conceito por meio de uma combinação de alta tecnologia, design avançado e propulsão elétrica ou híbrida com preços agressivos. Isso fez com que as marcas chinesas ocupassem uma fatia cada vez maior do mercado nacional.

Fábrica da BYD em Camaçari (BA) opera em SKD, com parte da montagem feita — Foto: BYD/Divulgação

Enquanto os números indicam crescimento do mercado, o avanço acelerado das marcas chinesas também tem gerado reações da indústria instalada no Brasil.

Durante apresentação dos resultados do setor referentes a junho, nesta terça-feira (7), a Anfavea manifestou preocupação especialmente com a velocidade de crescimento das importações chinesas, que passaram de 71 mil para 140 mil unidades em apenas um ano.

A Anfavea também critica a expansão dos modelos de montagem por kits semidesmontados, conhecidos como CKD e SKD. Segundo a associação, esse tipo de operação exige cerca de 70% menos mão de obra do que uma fábrica com produção integral.

🔩CKD: veículo chega totalmente desmontado para montagem local.🏭SKD: veículo chega semidesmontado, com parte da montagem já realizada na origem.

Por isso, a Anfavea defende que os novos investimentos sejam direcionados à fabricação completa dos veículos no país — uma forma de proteger não apenas as montadoras, mas também a cadeia de produção.

A reivindicação ocorre no momento em que o governo decidiu, a partir de 1º de julho, renovar por 6 meses a alíquota zero de kits de peças importados para veículos elétricos e híbridos – a decisão beneficia a BYD, por exemplo, que opera em SKD.

"A nossa preocupação é com o sistema produtivo. Não adianta a gente ter indicativo de que a gente tem que caminhar para uma produção sofisticada e completa, no caso de ter estamparia, montagem, pintura e soldagem no Brasil, e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.

Fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) encerrou as atividades e transferiu produção do Corolla para Sorocaba — Foto: Divulgação

➡ Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região e funcionário da Toyota desde a inauguração da unidade de Indaiatuba, em 1998, Derci Jorge Lima descreve a transferência da fábrica como o fim de uma trajetória de quase três décadas.

"É uma vida. Vinte e oito anos de trabalho é uma vida. Jamais passava pela nossa cabeça, enquanto trabalhador, enquanto sindicato, que essa empresa ia embora daqui", comentou.

Segundo ele, o sindicato tentou mobilizar lideranças políticas e a própria Toyota para reverter a decisão, mas não houve acordo. A negociação passou então a se concentrar nos programas de desligamento e compensações aos funcionários.

O dirigente afirma que mais de 4 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, foram impactados pela saída da montadora de Indaiatuba. Apesar disso, ele avalia que o mercado de trabalho automotivo segue aquecido.

"A gente espera que venha outra empresa, até mesmo uma montadora, que possa assumir esse espaço aqui, gerar emprego de novo", afirmou.

➡ Já o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Pereira Gonçalves, destacou que o Vale do Paraíba tem passado por desafios com as mudanças no setor desde antes da pandemia.

"A Ford fechou as portas em Taubaté e [a fábrica] ainda está desativada. A GM, em São José dos Campos, já teve 13 mil funcionários na década de 1990 e atualmente tem 3 mil", disse.

A GM anunciou investimentos para a fábrica em São José dos Campos, mas Gonçalves afirmou que isso não necessariamente implica a geração de empregos diretos.

"Investimento nem sempre significa emprego. Às vezes traz linha de montagem, mas é automatizada", ponderou.

Segundo ele, a defesa do sindicato é pela nacionalização da produção das montadoras no país. Ele também criticou o fato de que as empresas que encerraram operações no país seguem normalmente com importações.

"Não defendemos incentivos fiscais para ninguém, mas se tiver, tem que ser justo. Senão, quem sai prejudicado é o trabalhador", afirmou.

➡ Já para o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari e Região, a chegada da montadora chinesa BYD ao município baiano representou um alívio e uma guinada econômica após o fechamento da Ford, em 2021.

Para Júlio Bonfim, presidente do sindicato, o saldo do avanço das montadoras chinesas no Brasil é positivo: "Emprego, dinheiro no bolso, como é que você não fica feliz?", disse.

Segundo Bonfim, em cerca de dez meses a BYD contratou 5.500 funcionários — uma marca que a Ford havia levado 5 anos para atingir.

Sobre o estado de alerta da Anfavea e a insatisfação de marcas tradicionais, Bonfim disse que é preciso aceitar a nova realidade tecnológica e a forte concorrência que derrubou o preço dos carros.

"O mercado mudou. A realidade está acontecendo. Os carros chineses chegaram e chegaram mesmo pesado com tecnologia, qualidade", afirmou.

Dados divulgados pela Anfavea mostram que, em junho deste ano, as montadoras empregavam 114,5 mil pessoas. Em janeiro de 2020, antes da pandemia, eram 125,9 mil empregados.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços disse que manteve o cronograma de recomposição das tarifas de importação para veículos eletrificados e retomou temporariamente as cotas de importação para promover a renovação da frota, inovação e descarbonização.

"A decisão tomada pelo Gecex – Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), composto por 10 ministérios – manteve o cronograma de recomposição tarifária para importação de carros eletrificados, que foi a 35% a partir de 1º de julho de 2026, para modelos CBU e SKD. No caso dos CKDs, a tarifa hoje está em 14% e será elevada a 35% a partir de 1º de janeiro de 2027, também obedecendo o cronograma original.

A retomada das cotas por um período limitado de seis meses converge com outras iniciativas do governo federal voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2.

Há várias iniciativas para o fortalecimento e o desenvolvimento da indústria automotiva no país, sendo a principal delas o programa Mover, que estimula investimentos em inovação e descarbonização, inclusive para fabricação de carros eletrificados. Os incentivos desse programa, da ordem de R$ 19,3 bilhões, já estimularam investimentos privados de R$ 190 bilhões, segundo dados da Anfavea e do Sindipeças."

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Há 3 horas Música Sobretaxa de 25%Ao criticar novo tarifaço, Lula diz querer fazer ‘guerra de narrativa’ com Trump

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Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição mais importante do mundo em 2026 sem margem para erro, diz analista

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

O Brasil enfrenta a eleição presidencial de 2026 pressionado por novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos e pelo endividamento público, limitando a margem para erros fiscais.

Para o analista Ruchir Sharma, o impacto direto das tarifas americanas é limitado, mas os efeitos políticos e sobre o investimento estrangeiro são complexos para o cenário eleitoral.

A reação inicial do mercado financeiro a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro tende a ser positiva, enquanto uma reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva geraria resposta negativa.

O analista alerta que a crescente dependência comercial da China é arriscada para o Brasil, devido ao enfraquecimento demográfico, endividamento e queda na demanda doméstica do país asiático.

O investimento global em infraestrutura de inteligência artificial atingirá US$ 2,5 trilhões este ano, configurando uma bolha tecnológica que apresenta sinais avançados de sobrevalorização e concentração excessiva.

Poucos analistas têm acompanhado a ascensão e queda das nações com a profundidade de Ruchir Sharma. Estrategista global, gestor de recursos e estudioso dos ciclos econômicos que definem o destino dos países, ele é chairman da Rockefeller International, fundador da Breakout Capital e colunista do Financial Times.

Autor de obras como Breakout Nations e What Went Wrong With Capitalism, Sharma combina análise macroeconômica com observação direta de campo em países emergentes — uma metodologia construída ao longo de três décadas.

Sua tese central sobre a América Latina parte de um dado que ele considera inconveniente, mas inegável: historicamente, investidores obtêm retornos muito maiores sob governos de direita na região.

É essa dinâmica que explica, em grande parte, o bom desempenho dos mercados latino-americanos nos últimos anos. E é por isso que o Brasil, para Sharma, é a grande incógnita de 2026 — talvez a eleição mais importante do ano no mundo inteiro.

O cenário ficou ainda mais carregado com a decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor no dia 22 de julho, o Brasil se tornará o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no planeta, atrás apenas da China.

Para Sharma, o impacto direto da medida é mais limitado do que o número sugere, mas seus efeitos sobre o investimento estrangeiro e, sobretudo, sobre o tabuleiro eleitoral de outubro, são mais complexos de calcular.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele fala sobre o que essa decisão significa para a corrida presidencial, o risco fiscal sob Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), a fragilidade estrutural da China, a bolha de inteligência artificial e o impacto das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia sobre a economia global.

BBC News Brasil – O governo americano anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, tornando o Brasil o segundo país mais taxado pelos EUA no mundo. Qual o impacto real dessa decisão?

Sharma – A tarifa de 25% incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Mas, consideradas as isenções — pela Seção 232 e outras —, o impacto efetivo é mais estreito do que o número sugere. Em termos diretos, o efeito é limitado.

O risco maior é de segunda ordem: o impacto sobre o investimento estrangeiro direto e o fato de que esta é a segunda tentativa de Trump de usar tarifas como alavancagem sobre o Brasil em 13 meses. Isso sinaliza que a relação está estruturalmente contestada por este governo americano, não se trata de uma disputa isolada.

BBC News Brasil – E eleitoralmente? Essa decisão pode mudar o cálculo da corrida presidencial de outubro?

Sharma – A narrativa de soberania e nacionalismo de Lula pode funcionar a seu favor, algo semelhante ao que aconteceu no México. Mas seus índices de aprovação estão pressionados por causa do custo de vida e do crescimento fraco. Se a economia não reagir, essa vantagem pode não se sustentar.

O governo Lula já sinalizou que não vê caminho para negociação antes de outubro. Uma vitória de Flávio Bolsonaro criaria pressão para concessões rápidas em regulação digital e plataformas de tecnologia em troca da retirada das tarifas — o que tem seu próprio custo político doméstico.

No curto prazo, a leitura política favorece a narrativa de soberania de Lula. Mas a pressão econômica de médio prazo para negociar com Washington independe de quem vença — isso muda mais a postura negociadora do próximo governo do que define quem chega à Presidência em outubro.

Para Sharma, tarifas de 25% anunciadas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros têm impacto mais estreito do que o número sugere — Foto: Getty Images via BBC

BBC News Brasil – O senhor disse no início do ano que a eleição brasileira poderia ser a mais importante do mundo em 2026. Com o pleito a três meses, como o senhor situa esse evento no contexto global?

Sharma – Os investidores têm olhado para a América Latina com interesse crescente no último ano, mesmo que a região não seja vista como uma potência de inteligência artificial. Um grande motivo é o número crescente de governos de direita chegando ao poder. Independentemente de preferências políticas, o fato é que historicamente os investidores obtêm retornos maiores quando governos de direita assumem na América Latina.

Fizemos pesquisa sobre isso: em dólares, nos primeiros dois anos de um novo governo, quando a esquerda chega ao poder, o retorno tende a ser de cerca de 16%. Quando é a direita, esse número sobe para mais do dobro — cerca de 37%. Essa expectativa de que mais governos de direita vão chegar ao poder está ajudando a América Latina. E o Brasil é central nessa história.

BBC News Brasil – O principal adversário de Lula hoje é Flávio Bolsonaro. Mas, mesmo no campo da direita, há dúvidas sobre o compromisso fiscal. Os investidores podem acabar desapontados de qualquer forma?

Sharma – Sim, isso é correto. Mas a reação inicial dos investidores, pelo menos, será baseada na história: os mercados tendem a se sair bem quando um novo líder chega ao poder, e tendem a se sair bem quando um governo de direita assume na América Latina. Esses são fatos. Portanto, a reação inicial a uma vitória de Flávio Bolsonaro provavelmente seria positiva — e depois teremos que ver quais serão as políticas concretas.

Até agora, onde quer que governos de direita tenham chegado ao poder na América Latina, os investidores reagiram bem, o capital voltou. Parte disso acontece em antecipação, parte depois que o governo já está no poder — e tem sido assim em toda a região.

Sharma – A situação fiscal do Brasil é delicada, especialmente em um momento em que o mundo está prestando mais atenção à dívida dos países. Se Lula for reeleito, a reação inicial dos investidores será negativa. Mas acredito que ele saberá que, se tentar gastar demais ou não colocar o Brasil em um caminho fiscalmente sustentável, haverá fuga de capitais.

A política brasileira também não é simples, porque o controle do Senado e da Câmara importa muito. Mesmo nos últimos três ou quatro anos, alguns dos piores excessos de gastos do governo Lula foram contidos tanto pelos investidores quanto pontualmente pelo fato de a oposição controlar outras instâncias do governo. Mas não há espaço para irresponsabilidade fiscal agora, em um momento em que a atenção global à dinâmica da dívida é muito maior do que era dez ou vinte anos atrás.

Depender demais da China para crescer economicamente é uma estratégia arriscada, na avaliação de Sharma — Foto: Getty Images via BBC

BBC News Brasil – O Brasil tem terras raras, petróleo, energia limpa e concentra mais de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina. O país tem condições de se posicionar nessa nova ordem global e fechar o gap de desenvolvimento?

Sharma – Há sempre possibilidades, mas depende do horizonte de tempo. Para os próximos cinco anos, o Brasil tem ventos favoráveis. Pode haver um impulso reformista com um novo governo. Há um empurrão vindo do ciclo de commodities. O Brasil está se tornando cada vez mais importante nos mercados globais de petróleo. E, no campo tecnológico, o histórico do Brasil não é ruim: o país investe cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, o que é razoável para um país de renda média. Cerca de 40% de todo o investimento em tecnologia da América Latina acontece no Brasil, e o país já produziu mais de 20 unicórnios (start-ups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais).

O Brasil também tem oferta abundante de energia, o que poderia ajudá-lo a construir data centers e ecossistemas de inteligência artificial. Com a combinação certa de políticas, e dado que as expectativas estão muito baixas, há potencial real de valorização — especialmente se as taxas de juros reais, que são extraordinariamente altas no Brasil, começarem a cair. Mas o resultado é binário. Qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira.

BBC News Brasil – O senhor argumenta que a inteligência artificial não é suficiente para conter o declínio da China. Que forças são mais poderosas do que a IA?

Sharma – O progresso tecnológico da China é notável, e boa parte dele é de origem doméstica. Todo crédito ao ecossistema tecnológico que o país construiu. Mas há outros fatores que considero ainda mais poderosos. A população chinesa está diminuindo. Nenhum país no mundo conseguiu sustentar um crescimento acima de 2% com a população em queda — você precisa que a força de trabalho também cresça.

Depois, há os níveis de dívida muito elevados: a China já vinha dependendo de endividamento para sustentar taxas de crescimento bem acima do seu potencial. O Estado também se tornou muito intervencionista, há tanta incerteza regulatória que os espíritos empreendedores em muitos setores foram sufocados.

E então há essa situação muito incomum: para uma superpotência em ascensão, praticamente ninguém quer ir à China. A proporção de estrangeiros vivendo no país é de 0,1% da população, a mais baixa entre os grandes países do mundo. E, em termos líquidos, o capital estrangeiro está saindo. São sinais de fragilidades que vão muito além da tecnologia.

Sharma – É algo que os brasileiros precisam ter em mente. O comércio do Brasil mudou muito e está cada vez mais dependente da China. Mas você está lidando com uma economia que está fundamentalmente se enfraquecendo, onde a demanda doméstica deve permanecer fraca por causa dos desafios demográficos e de endividamento que acabei de descrever.

Depender demais da China para crescer é uma estratégia arriscada, porque a demanda doméstica chinesa está em declínio. E o incentivo da China é o oposto do que o Brasil precisa: eles querem exportar o máximo de capacidade excedente possível, porque a economia doméstica não é forte o suficiente para absorvê-la. É isso que têm feito. E o resto do mundo está sofrendo com esse dilúvio de exportações chinesas.

BBC News Brasil – Dois grandes conflitos estão em curso: a Ucrânia e o confronto no Estreito de Ormuz. Os investidores têm absorvido esses choques melhor do que muitos esperavam. Eles estão subestimando os riscos?

Sharma – O impulso positivo da inteligência artificial está sobrepujando o efeito negativo dos preços mais altos de energia. O mesmo aconteceu com as tarifas no ano passado — muitos esperavam uma recessão global por causa delas, e não aconteceu, porque o boom da IA foi muito mais poderoso.

Dito isso, os preços do petróleo subiram menos do que muitos esperavam, dado o volume de oferta retirado do mercado. Em parte porque o mundo aprendeu a se adaptar, o consumo de energia como proporção do PIB global caiu ao longo do tempo, e a destruição de demanda aconteceu rapidamente.

O Brasil também desempenhou um papel aqui: a produção de petróleo no país tem se saído bem, e isso ajuda a evitar que a oferta global caia tão abruptamente quanto o fechamento de Ormuz poderia sugerir.

BBC News Brasil – O senhor escreveu recentemente que a IA está remodelando a hierarquia dos mercados globais — nações classificadas quase que exclusivamente por sua posição no ecossistema de IA. Isso é uma nova ordem mundial ou uma bolha prestes a estourar?

Sharma – É uma combinação das duas coisas. A história nos diz que, quanto maior a inovação tecnológica, maior a bolha — desde os canais e as ferrovias, passando pelos automóveis, até a internet. O gasto global com a construção da infraestrutura de IA este ano é algo em torno de US$ 2,5 trilhões, mais de 2% do PIB global só em investimento em IA. As grandes empresas de tecnologia americanas estão gastando cerca de US$ 800 bilhões sozinhas.

O comportamento dos investidores hoje é: ou você tem IA, ou está fora. Mas minha avaliação é que sim, a IA é uma tecnologia muito poderosa, isso está além de qualquer dúvida. Mas a ideia de que o mundo inteiro vai ser moldado apenas pela IA? Não compartilho dessa visão. Ela simplesmente não é consistente com a história do desenvolvimento econômico.

Sharma – Toda vez que uma bolha estoura, há dor. Mas existem bolhas boas e bolhas ruins. Quando você tem uma bolha em imóveis ou commodities, é uma bolha ruim — ela não deixa nenhum investimento produtivo em seu rastro. Uma bolha liderada por tecnologia ao menos deixa boa tecnologia para trás, mesmo que a bolha financeira estoure.

Dito isso, tenho uma estrutura para identificar bolhas, o que chamo de quatro "O's" [em inglês]: sobrevalorização, concentração excessiva, sobreendividamento e sobreinvestimento. Quando coloco a IA nessa estrutura, ela se qualifica em muitos desses critérios.

Historicamente, bolhas não caem sob seu próprio peso — elas precisam de um catalisador, e a alta das taxas de juros costuma ser esse catalisador. As taxas de juros reais nos EUA ainda estão relativamente baixas. Mas, se o título de dez anos do Tesouro americano romper os 5%, isso seria uma bandeira vermelha. Estamos nos estágios avançados desta bolha e podemos estar próximos do fim, mas, até que essas coisas aconteçam, é muito difícil prever quando.

Segundo Ruchir Sharma, qualquer erro fiscal em um mundo em que o custo do capital está subindo pode fazer um estrago sério na economia brasileira — Foto: Matt Greenslade via BBC

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

‘Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet’

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Tecnologia 'Saí à caça dos homens que filmavam secretamente suas mulheres e compartilhavam os vídeos na internet' Documentário da BBC mostra a produção e compartilhamento de imagens e vídeos íntimos de mulheres sem autorização na internet. O que mais perturbou a apresentadora Jess Davies foi a divulgação de vídeos mostrando esposas e namoradas, filmados em casa sem consentimento. Por Angharad Thomas

Existem homens que filmam secretamente suas mulheres e namoradas e postam os vídeos na internet, para depois se vangloriarem das suas gravações.

Outros procuram mulheres desconhecidas. Um deles carrega uma câmera escondida na calçada, na esperança de filmar mulheres urinando.

Segundo a entidade britânica especializada em abusos domésticos Refuge, as denúncias de abusos cometidos com dispositivos tecnológicos aumentaram em 78% durante um ano.

Já a entidade galesa Welsh Women's Aid afirma ser difícil quantificar a escala do problema porque a maioria das vítimas nem sabe o que está acontecendo.

Em Hunting the Spycammers ("À caça das câmeras espiãs", em tradução literal), a apresentadora Jess Davies se uniu à jornalista investigativa Liam Connell, que já havia se infiltrado anteriormente em redes secretas na internet.

Este é um tema de interesse pessoal para Davies. Ela já foi fotografada nua em segredo enquanto estava dormindo e suas imagens foram compartilhadas em um grupo privado de WhatsApp.

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A dupla teve acesso a um website de voyeurismo, que é o hábito ou fetiche de obter excitação sexual através da observação de pessoas nuas ou em atos sexuais. O endereço incluía links que levam seus usuários para grupos de bate-papo criptografados.

Com isso, elas descobriram pessoas trocando abertamente dicas sobre como fazer filmagens clandestinas e se vangloriando das suas gravações.

"É um ciclo sem fim de distribuição em massa de conteúdo não consensual de mulheres", explica Davies. "Parece que essas mulheres são caçadas como se fossem presas."

O documentário revelou pessoas escondendo câmeras em quartos, banheiros, vestiários e outros espaços privados.

"Pareceu uma violação tão grande, pensar que alguém que foi importante para mim pôde fazer isso comigo", ela conta. "Faz você se sentir inútil."

"Ver imagens similares de outras vítimas compartilhadas no fórum onde estávamos infiltradas trouxe de volta esse sentimento de traição e me fez questionar onde minha imagem terá ido parar."

Para Davies, alguns minimizam o impacto dessas ações como sendo inofensivas ou "simples brincadeiras".

"Já outros, como os voyeurs que mencionamos no programa, acham que, se a vítima nunca souber que foi filmada sem consentimento, não há problema. Isso realmente destaca como se minimiza o abuso de imagens e as ofensas na internet."

"Atrás de cada imagem ou vídeo, há uma pessoa que precisará viver com esta traição pelo resto da vida."

Davies destaca que "o que é realmente perturbador é a quantidade de perpetradores que filmam e compartilham conteúdo de pessoas (principalmente mulheres) que foram suas parceiras amadas".

Durante sua investigação, a jornalista galesa de 33 anos ficou conhecendo a variedade da tecnologia disponível de câmeras espiãs de baixo custo. Existem câmeras disfarçadas como objetos do dia a dia, como canetas, odorizadores de ambientes e tomadas.

A dominatrix que criou empresa para combater pornô de vingança após ter imagens vazadas por clientesO grupo de 32 mil homens que compartilhavam na internet fotos das esposas

"Ele nos disse que verifica regularmente o conteúdo e retira material não consensual", ela conta.

"Mas, observando as evidências que encontramos, parecia haver pouca consideração pelos danos permanentes causados por aquele conteúdo para as vítimas."

"A impressão era que as pessoas filmadas sem consentimento foram totalmente ignoradas e desprezadas, como se o seu consentimento não fosse necessário."

"Na verdade, essa falta de consentimento era o que motivava muitos dos espiões", lamenta a apresentadora.

Davies espera que o documentário aumente a consciência sobre os danos causados pelas câmeras escondidas e reforça que os abusos de privacidade e consentimento "nunca devem ser normalizados".

No Reino Unido, filmar alguém não é necessariamente crime. Em espaços públicos, por exemplo, as pessoas normalmente podem filmar o que for visível para elas.

As gravações clandestinas passam a ser crime em uma série de casos, como o voyeurismo. Também é crime se a filmagem ocorrer em um local onde a pessoa que está sendo filmada espera ter privacidade ou se a gravação for feita para causar assédio ou inquietação.

No Brasil, o artigo 218C do código penal estabelece que oferecer, trocar, transmitir, vender distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio — inclusive pela internet — fotografias, vídeos ou outro registro audiovisual que contenha pornografia ou nudez sem o consentimento da vítima, assim como cena ou apologia de estupro ou de estupro de vulnerável ou cena de sexo, é crime.

Quem recebe, por exemplo, uma foto de nudez no WhatsApp e compartilha — mesmo sem ter sido o primeiro a expor a imagem — também é considerado infrator.

Como pena, a lei prevê a reclusão de um a cinco anos, se o fato não constitui crime mais grave. Caso o criminoso seja um ex-namorado(a) e a divulgação tenha fim de vingança ou humilhação, essa pena pode aumentar de um a dois terços.

Já se as imagens foram compartilhadas por um tutor, padrasto, madrasta, irmão, tio, empregador ou qualquer outro título que a justiça considere "de autoridade" sobre a vítima, a pena pode aumentar 50%.

No Brasil, é crime compartilhar conteúdo pornográfico sem consentimento — Foto: Unsplash/camilo jimenez

A Refuge pede maior regulamentação dos dispositivos de vigilância secretos e melhor treinamento da polícia para identificar e investigar seu uso.

"O que é especialmente preocupante é como esses dispositivos são baratos e acessíveis, permitindo que mais perpetradores os transformem em armas como forma de controle", declarou a gerente de políticas e assuntos públicos da Refuge, Bo Bottomley.

Mas a Refuge afirma que quase todas as sobreviventes atendidas pela entidade vivenciaram algum tipo de abuso possibilitado pela tecnologia. E houve aumento dos relatos de câmeras e microfones ocultos usados em residências.

Uma porta-voz da Welsh Women's Aid declarou que "esta forma de vigilância dissimulada pode destruir a sensação de privacidade e segurança das pessoas".

A entidade alerta que os danos vão muito além da gravação inicial. Imagens e vídeos compartilhados causam impactos devastadores à vida das sobreviventes e fazem muitas pessoas se sentirem inseguras, mesmo nas próprias casas.

"É particularmente difícil quantificar esta forma de abuso", segundo a organização. "Muitas sobreviventes não sabem o que aconteceu com elas."

A Refuge também pede às empresas de tecnologia ações rápidas para remover filmagens compartilhadas de câmeras espiãs e fornecer informações que levem a polícia a identificar os responsáveis.

O governo britânico afirma que "não tolera filmagens clandestinas, nem o assédio às vítimas".

A Estratégia sobre a Violência contra Mulheres e Meninas do governo britânico (VAWG, na sigla em inglês) inclui medidas para combater abusos na internet e os cometidos com o uso de dispositivos tecnológicos, explorando formas de aumentar a segurança dos aparelhos inteligentes e conectados à rede.

Um porta-voz do governo britânico declarou que "já é ilegal compartilhar imagens íntimas sem consentimento".

"Com a Lei de Crime e Policiamento, estamos indo além, transformando em crime captar imagens íntimas sem consentimento, incluindo por meio da instalação de equipamentos como câmeras que permitam às pessoas obter essas imagens."

"Estamos dedicando verbas para um centro nacional para reforçar a reação da polícia à violência contra mulheres e meninas", conclui a declaração.

Assista aqui, nos canais da BBC no YouTube, ao documentário Hunting the Spycammers (em inglês), que deu origem a esta reportagem.

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Após falência, casal reinventa empresa com produtos de mexerica e fatura R$ 400 mil

Fonte: G1 Empreendedorismo | Publicado em: 18/07/2026 03:46

Pequenas Empresas & Grandes Negócios Após falência, casal reinventa empresa com produtos de mexerica e fatura R$ 400 mil Empreendedores de Belo Horizonte transformaram a fruta em uma linha de molhos, temperos e bebidas que hoje representa 70% do faturamento do negócio. Por PEGN

Após falir durante a pandemia, um casal de Belo Horizonte reinventou o negócio ao apostar em produtos feitos à base de mexerica, como molhos, temperos, licores e bebidas prontas para consumo.

A empresa nasceu em 2016 com um investimento de R$ 20 mil e faturou cerca de R$ 400 mil em 2025, sendo 70% da receita proveniente da linha de produtos de mexerica.

Para ampliar a presença da marca no mercado, os empreendedores diversificaram o portfólio e terceirizaram a produção das bebidas alcoólicas com uma destilaria registrada no Ministério da Agricultura.

Além de conquistar um prêmio internacional com um licor de café transparente, o casal vende os produtos pela internet, em feiras, supermercados e empórios, e atribui o sucesso à inovação, estratégia e resiliência.

Às vezes, um novo negócio nasce onde poucos enxergariam oportunidade. Foi exatamente isso que aconteceu com os empreendedores Paula e Christian Macieira.

Depois de anos atuando no mercado corporativo e de enfrentarem uma falência durante a pandemia, o casal apostou em um ingrediente comum na mesa dos brasileiros: a mexerica.

O que começou como uma tentativa de reinventar a empresa se transformou em uma marca especializada em molhos, temperos e bebidas produzidos a partir da fruta.

Hoje, o negócio, sediado em Belo Horizonte, faturou cerca de R$ 400 mil em 2025, sendo aproximadamente 70% desse valor proveniente da linha de produtos à base de mexerica.

A trajetória no empreendedorismo começou em 2016, quando Paula decidiu deixar a carreira na área de logística para ter uma rotina mais equilibrada após o nascimento da filha.

"Eu estava no mundo corporativo, trabalhando numa loucura. Eu não tinha dia, não tinha noite", conta. Com um investimento inicial de R$ 20 mil, o casal começou produzindo antepastos de forma artesanal.

Após falência, casal reinventa empresa com produtos de mexerica e fatura R$ 400 mil — Foto: Reprodução/PEGN

O negócio enfrentou seu maior desafio entre 2021 e 2022, período em que a empresa acabou falindo em meio aos impactos da pandemia.

Foi nesse momento que os dois decidiram apostar em uma nova linha de produtos. "Nós falimos em 2021 para 2022, no auge da pandemia", relembra Paula.

A ideia surgiu quase por acaso, durante testes de receitas utilizando mexerica. O resultado surpreendeu os empreendedores e motivou o lançamento dos primeiros produtos em uma feira gastronômica de Belo Horizonte. A aceitação do público foi imediata.

O sucesso do primeiro produto abriu espaço para novas criações. Hoje, a empresa comercializa molhos, licores, bebidas prontas para consumo (RTD), sal de mexerica e outros itens desenvolvidos a partir da fruta.

Segundo Paula, a variedade de produtos foi essencial para fortalecer a marca. Já Christian explica que a estratégia sempre foi ocupar mais espaço nas prateleiras.

"Não adianta lançar só um produto. Se eu tiver apenas o licor na gôndola, tenho pouca visibilidade. É preciso criar uma linha que converse entre si", afirma.

Para obter o aroma característico, eles utilizam uma variedade conhecida em Minas Gerais como "mexerica carioca", cuja casca concentra maior quantidade de óleos essenciais. É justamente dela que surgem os sabores e aromas presentes nos produtos da marca.

Após falência, casal reinventa empresa com produtos de mexerica e fatura R$ 400 mil — Foto: Reprodução/PEGN

As bebidas alcoólicas são produzidas em parceria com uma destilaria registrada no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estratégia adotada para acelerar o lançamento dos produtos e reduzir investimentos na estrutura produtiva.

Segundo Humberto Araújo, responsável pela destilaria parceira, um dos diferenciais do licor está na utilização da fruta natural durante o processo de infusão.

Ele explica ainda que bebidas desse tipo só podem ser comercializadas quando produzidas por empresas registradas no Mapa.

A inovação também rendeu reconhecimento. Um dos licores desenvolvidos pela empresa recebeu medalha na Copa Argentina de Destilados, após o casal criar uma versão transparente de licor de café para atender a uma feira do setor.

Hoje, os produtos são vendidos pela internet, em feiras, supermercados e empórios da região. Para Arthur Oliveira, dono de um dos estabelecimentos que revendem a marca, o licor de mexerica se tornou o carro-chefe das vendas.

"Experimentou, levou. É um produto que as pessoas compram para elas mesmas e também para presentear", afirma.

Após falência, casal reinventa empresa com produtos de mexerica e fatura R$ 400 mil — Foto: Reprodução/PEGN

Para os empreendedores, o maior desafio é fazer com que cada produto desperte as mesmas lembranças associadas à fruta.

"Quando você descasca uma mexerica, ela vem carregada de boas memórias. A gente precisa transportar isso para o nosso produto", diz Christian.

A experiência acumulada também virou aprendizado para quem deseja empreender. "Tudo o que você faz, no fim, tem que trazer retorno. É preciso fazer conta, olhar os processos, a qualidade e a mão de obra", afirma Christian.

Ao final, quando perguntados sobre o significado da mexerica em suas vidas, os dois respondem de forma parecida. Para Paula, a fruta representa "nascimento". Para Christian, simboliza "renascimento", por ter marcado o momento em que a família conseguiu enxergar um novo futuro para o negócio.

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Tarifaço: Brasil avalia estratégias para evitar ‘tiro no pé’ em reciprocidade contra EUA

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 18/07/2026 00:46

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

Após o anúncio do novo tarifaço de Donald Trump às exportações brasileiras, o governo federal começou a recalibrar as estratégias para responder à ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil.

O Palácio do Planalto tem como decisão política já tomada a adoção da Lei da Reciprocidade contra os EUA. Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo deve iniciar os trâmites para acionar a lei nos próximos dias.

➡️ A lei brasileira, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil.

Nas palavras de um auxiliar de alto nível da diplomacia brasileira, o governo federal estuda "cirurgicamente" os setores norte-americanos para evitar que a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA acabe sendo um "tiro no pé" e prejudique o próprio país.

➡️ O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo "tarifaço" com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta-feira.

🔎A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Em um primeiro levantamento preliminar, o governo brasileiro identificou que é possível aplicar medidas contra o setor audiovisual e patentes farmacêuticas, conforme divulgado pela Reuters e confirmado pelo g1.

O processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade pode ser demorado, mas a avaliação dentro do governo é que tudo depende de como os setores vão reagir, sobretudo as cadeias afetadas.

O governo iniciou nesta sexta-feira (17) as consultas aos setores prejudicados pelo novo tarifaço de Trump e estuda como o Estado pode ajudar efetivamente a diminuir os impactos no país.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Márcio Rosa.

Segundo nota divulgada pela CNI, durante a conversa, foi proposta a formação de um grupo para discutir uma versão da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB).

LEIA TAMBÉM: Alckmin diz que empresas afetadas pelo tarifaço terão ajuda e reciprocidade contra EUA será usada em 'momento adequado'

"O intuito é apresentar uma alternativa para o novo tarifaço norte-americano que vai atingir 26,2% das exportações brasileiras para os Estados Unidos com tarifa adicional de 25%. A tarifa anunciada afeta US$ 11 bilhões em exportações brasileiras", diz a CNI.

Na quinta-feira (16), Alckmin anunciou que o governo federal terá um programa para ajudar empresas prejudicadas com a nova taxa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou sobre produtos brasileiros.

O Plano "Brasil Soberano", implementado no ano passado no contexto das primeiras tarifas contra o Brasil, irá atender os setores atingidos. Na próxima semana, o governo deve começar rodadas de conversas para ouvir as demandas de cada setor afetado.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), autarquia ligada ao governo federal, prepara um programa de diversificação de mercados voltado, principalmente, para os setores afetados pelas novas tarifas dos Estados Unidos e aos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia.

O plano, que deve ser lançado no início de agosto, contará com investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também estão entre os mercados considerados estratégicos.

Segundo interlocutores, o governo brasileiro também conversa com Japão, Canadá e Emirados Árabes para que parte da produção que não vai mais para os EUA possa ser realocada para outros mercados.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Rede social de Trump é criticada após anunciar acesso antecipado de publicações para bancos

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 19:47

Economia MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%MoedasDólar ComercialR$ 5,1110,25%Dólar TurismoR$ 5,3170,23%Euro ComercialR$ 5,8480,27%Euro TurismoR$ 6,0970,24%B3Ibovespa173.714 pts-0,06%Oferecido por

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026 — Foto: AFP/Saul Loeb

A Truth Social, rede social de Donald Trump, revelou na quinta-feira (16) um serviço pago que dará a bancos e corretoras acesso prioritário a publicações de contas influentes. O presidente americano é dono da conta mais importante da plataforma.

Batizado de "Truth API", o serviço ficará disponível em 1º de agosto. Com ele, clientes receberão mais rapidamente publicações de 10 contas na rede social que costumam impactar os mercados globais.

O Trump Media & Technology Group, que controla a plataforma, chegou a discutir a possibilidade de cobrar US$ 100 mil por mês pelo acesso, informou a Reuters. Ainda segundo a agência, a empresa ofereceu um plano de US$ 60 mil por mês para contratos de três anos de duração.

A medida seria o primeiro passo da empresa no licenciamento de dados, abrindo uma nova fonte de receita, embora tenha atraído críticas por conta da vantagem que o acesso privilegiado pode oferecer para operadores financeiros.

O serviço pago oferecerá cobertura ininterrupta de publicações influentes e dará acesso ao arquivo de posts que remontam a 2022, disse a Truth Social, que afirmou já ter clientes cadastrados.

Trump costuma usar a Truth Social para fazer anúncios que repercutem em todo o mundo e, na avaliação de críticos, estaria transformando suas decisões públicas em um produto. Ele é o maior acionista da plataforma e terá lucros diretos com o novo serviço.

O presidente americano usou a rede social para anunciar o tarifaço e restrições comerciais à China, tornando a plataforma uma fonte crucial para investidores, empresas e instituições financeiras.

Segundo um porta-voz, empresas vêm coletando dados da Truth Social há meses, violando os termos de serviço da TMTG. "Vamos criar muitos atritos para aqueles que não vierem diretamente até nós", disse McGurn em um comunicado.

A Trump Media & Technology se recusou a comentar as alegações de que pretende lucrar com a presidência ou se as publicações de Trump entrarão na nova regra.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

BRB e gestora de fundos cancelam venda de até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 18:48

Distrito Federal BRB e gestora de fundos cancelam venda de até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master Operação anunciada em abril buscava reforçar capital, melhorar liquidez e reorganizar portfólio. Em nota, BRB diz que decisão foi tomada em comum acordo com grupo Quadra Capital. Por Isabela Camargo, TV Globo — Brasília

O BRB e a gestora Quadra Capital cancelaram de forma consensual as negociações para transferir até R$ 15 bilhões em ativos oriundos do Banco Master.

A descontinuidade decorreu de divergências sobre os parâmetros econômicos e financeiros. O BRB afirmou que segue "sólido" e com "plena capacidade operacional".

A instituição enfrenta crise devido a transações de R$ 30 bilhões com o Master. Uma operação da PF em abril levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O Banco de Brasília (BRB) e a gestora de ativos Quadra Capital cancelaram as negociações iniciadas em abril com a intenção de estruturar um fundo de investimento voltado à transferência de ativos, hoje no BRB, originados de operações com o Banco Master.

A operação, se fosse concluída, podia transferir até R$ 15 bilhões – parte transferida à vista, parte convertida em cotas de um fundo que seria criado para administrar e monetizar os arquivos.

Em nota, o BRB informou que as tratativas "foram encerradas, de forma consensual, após o término do período de negociações previsto entre as partes".

"A decisão pela descontinuidade das negociações resultou de divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação", seguiu o BRB.

"Diante desse cenário, o BRB optou por conduzir diretamente o processo de gestão e recolocação desses ativos no mercado, estratégia que reforça sua atuação prudente, seu compromisso com a geração de valor e a defesa dos interesses de seus acionistas, clientes e demais públicos de relacionamento", emendou a instituição.

O BRB termina a nota desta sexta afirmando que segue "sólido, com adequada posição de liquidez e plena capacidade operacional para executar sua estratégia de negócios".

"Clientes e mercado podem manter sua confiança na instituição, que permanece focada na sustentabilidade de longo prazo, na segurança de suas operações e na prestação de serviços com excelência", finaliza o banco.

O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco.

O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação. O governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.

Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.

O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital. Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.

Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.

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RCPB Contabilidade Construtiva e Estratégica

Consumidores de açúcar dos EUA pedem que governo permita mais importações com tarifas reduzidas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 18:48

Agro Consumidores de açúcar dos EUA pedem que governo permita mais importações com tarifas reduzidas Associação afirma que a oferta de açúcar nos EUA está abaixo do necessário e defende mais importações. Pedido contrasta com a nova taxação imposta ao açúcar brasileiro. Por Reuters — São Paulo

A associação que representa empresas consumidoras de açúcar nos Estados Unidos, a (Sweetener Users Association (SUA), pediu nesta sexta-feira (17) que o governo amplie as importações do produto com tarifas reduzidas. Segundo a entidade, os estoques no país caíram para um nível abaixo do considerado adequado pelas autoridades americanas.

A entidade defende que o governo redistribua cotas de importação com tarifas reduzidas (TRQs) hoje destinadas a países que não utilizam todo o volume disponível para outros exportadores com capacidade de abastecer o mercado americano.

Segundo a associação, o relatório mais recente de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou uma redução de 145.870 toneladas nas entregas de açúcar. Para a entidade, esse cenário justifica uma flexibilização das importações para ampliar a oferta do produto.

O pedido vai na direção oposta à defendida pelos produtores de açúcar dos Estados Unidos. A American Sugar Alliance, que representa o setor, afirma que as importações acima das cotas atuais já pressionam os preços no mercado interno e defende que o governo mantenha as restrições às compras externas.

O debate ocorre poucos dias após o governo do presidente Donald Trump anunciar uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, entre eles o açúcar. A medida foi criticada por representantes do setor sucroenergético brasileiro, que argumentam que o acesso do produto ao mercado americano já é limitado por um sistema de cotas de importação.

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Trump culpa Canadá por fumaça de incêndios florestais e ameaça cobrar ‘custo da poluição’ com tarifas

Fonte: G1 Economia | Publicado em: 17/07/2026 17:48

Mundo Trump culpa Canadá por fumaça de incêndios florestais e ameaça cobrar 'custo da poluição' com tarifas Presidente americano afirmou que país vizinho vem negligenciando preservação ambiental há anos, o que abriu margem para que as chamas se alastrassem Por Redação g1

Pedestre usa máscara em meio a poluição em Nova York; qualidade do ar está baixa na cidade devido à fumaça de incêndios florestais no Canadá — Foto: Angela Weiss/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou o goveno canadense pelos incêndios que vêm atingindo o país e gerado espessas núvens de fumaça nos dois territórios. Em declaração nesta sexta-feira (17), o republicano afirmou que o país vizinho tem negligenciado a preservação de suas áreas verdes há anos, o que está custando "bilhões de dólares" aos EUA.

Trump afirmou que ligará para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para saber quais são os planos de Ottawa para combater as queimadas. "O custo dessa poluição deve, necessariamente, ser acrescentado às tarifas que o Canadá paga atualmente", disse, em publicação nas redes sociais.

"Como resultado, os Estados Unidos estão sendo desnecessariamente invadidos por um ar sujo, poluído e prejudicial à saúde, cuja qualidade é perigosa e totalmente inaceitável", continuou o americano.

➡️ O prolongamento dos focos de incêndio é uma consequência das mudanças climáticas, à medida em que a onda de calor que atinge o hemisfério norte atrapalha o combate às chamas.

Trump é negacionista do aquecimento global e já chegou a chamar as mudanças climáticas de farsa em um discurso na ONU no ano passado. As declarações contrastam com dados científicos de organismos internacionais.

Segundo os dados mais recentes do Centro Interagências Canadense de Incêndios Florestais (CIFFC) canadenses, 207 incêndios estão fora de controle, de um total de 897 focos ativos.

Cidade de Toronto coberta pela fumaça de incêndios florestais em 15 de julho de 2026 — Foto: Reuters/Kyaw Soe Oo

A fumaça dos incêndios, transportada pelos ventos, provocou uma deterioração extrema da qualidade do ar em Toronto, a cidade mais populosa do Canadá, e também no leste dos Estados Unidos. De acordo com dados compilados pela empresa suíça IQAir, Detroit, Chicago e Washington estavam entre as cidades mais poluídas do mundo por volta das 14h desta sexta.

Até o momento, a temporada de incêndios tem sido muito menos intensa do que a do ano recorde 2023 ou a de 2025, mas a força das chamas se agravou significativamente na última semana.

Cerca de 2,8 milhões de hectares já foram consumidos pelo fogo desde o início do ano, segundo os dados oficiais mais recentes do governo federal do Canadá. Na última sexta-feira (10), esse total era de quase 1,6 milhão de hectares.

A Estátua da Liberdade no porto de Nova York é vista através de uma camada de fumaça de incêndio florestal em Jersey City, Nova Jersey, EUA, em 16 de julho de 2026. — Foto: REUTERS/Mike Segar

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